CARNAVAIiil Z AÇÃO E SEMIOLOGIA JURÍDICA
Dalme Marie Grando Rauen
DISSERTAÇÃO APRESENTADA AO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA COMO REQUISITO A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE
MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS
- ESPECIALIDADE DIREITO
-Orientador: Prof. Dr. Luiz F e r n a n d o C o e l h o !
U N I V E R S I D A D E F E D E R A L DE S A N T A C A T A R I N A C E N T R O DE CIÊ NC I A S J U R Í D I CA S
C U R SO DE P Õ S - G R A D U A Ç Ã O E M D I R E I T O
A d i s s e r t a ç ã o C A R N A V A L I Z A Ç Ã O E S E M I O L O G I A J U R l D I C A i
e l a b o r a d a por DALME MA R IE G R A N D O R AUEN
a p r o v a d a por t odos os m e m b r o s da B a n c a Exa minadora, fòi j u lg ada a deq u a d a p a r a a o b t e n ç ã o do t í t u l o de M E S T R E E M C I Ê N CIAS H U M ANAS - E S P E C I A L I D A D E DIREITO. Flori a n ó p o lis, 7 de m a i o de 19 87 B A N C A EXAMINADORA: Prof. Dr. Luiz F e r n a n d o C o el ho Prof. Dr. O s v a l d o F e r r e i r a de M e l o Prof. M e s t r e N i l s o n Borges F i l h o — o Prof. Dr. P a u l o H e n r i q u e Blasi Orientador:
RÉSUMÉ
Le te x te référence, utilise des frag m e n ts de discours, essayant
d'introd uire une vision plus ample, du langage de sciences sociales, qui t r a ite l'ho
mme com m e l'in stig ateu r de c e t t e science. Le non aristo te lism e bien élevé, ém er
ge au sein de l'académ ism e comme une suave ondulation des a ttitu d e s e t de l'ém o
tion personelle, e t aussi du pouvoir personnel de to u t candidat à la m aîtrise qui
s 'a v e n tu re dans ce vol de paroles. Il récup ère le lengage dans la mesure où il pro
voque en son sein, une suite de questions marginales, qui e st l'a r t de causer des
chocs. A ccepté ou non acc e p té, c e t t e demande d 'a rb o resc en c e de la connaissance,
a n ticip e le v e rtig e e t t r a i t e de c h apitres im p ortants dans la p a rtie juridique, vou
la n t ê t r e d é lic at e t en même temps fru it qualifié e t profond de l'univers d'une
U niversité, source e t form ation de l'homme de la connaissance. Chaque étud iant a
une m anière spécifique, une posture de pouvoir spécifique, qu'il développe pendant
ses études. C 'e s t un type de dnse. Et c e t t e danse, esr un m ouvement qu'il éxécu-
t e sous l'influence de son pouvoir personnel. La question e st de pouvoir, si le pou
voir e s t grandiose, la danse sera magnifique. Mais que son pouvoir soit p e tit ou
immense, rien n'em pêche la pensée, d'aller au delà de sadernière position académ i
que. Rien n 'a r r ê t e la science, parce qu'elle est en relation avec le pouvoir e t sa
posture, e t ainsi la danse ne finira jamais. J 'a i eu seulem ent, el soin infini, de
vouloir ê tr e p a rfa ite dans mes rapporsts avec le pouvoir. P a rc e qu'ici les erreurs
SUMÁRIO
RESUMO ... ... 4
1. INTRODUÇÃO ..'... 5
2. LEIS E ORDENS DE PROPRIEDADE ... 9
3. QUESTÃO DE KANT ... 15 4. O HOMEM ESTRUTURAL ... 24 5. A ESCRITURA ... ... 31 6. A RUPTURA KELSENEANA ... 33 7. O SABER ... 35 8. A EPISTEME ... 38 9 A CRÍTICA FILOSÓFICA ... 45 10. CONCLUSÃO ... ... 60 11. BIBLIOGRAFIA ... 63
RESUMO
Textualm ente, usar-se-á fragm entos discursivos, te n ta n to abrir, para
uma visão mais abran gente, a linguagem das ciências sociais, que t r a t a o homem
como a rtíf ic e d e sta ciência. O não aristotelism o educado e m erge no seio do acade-
micismo como suave ondular das doxas e da em oção pessoal, e tam bém do poder
pessoal de cad a m estrando que se aventure neste vôo de palavras. Ele recupera a
linguagem na medida que tr a z para seu bojo, questionam entos marginais, que é uma
a r t e de causar im pactos. A ceito ou não a c e ito e ste pedido de arb orescência ao co
nhecim ento, ele a n te c ip a a vertigem, e t r a t a de capítulos im p o rtan te s dentro do
jurídico, querendo ser levre, e ao mesmo tém po fru to qualificado e profundo ao
universo de uma Universidade, fonte e form ação do homem de conhecim ento. Cada
e stu d a n te tem uma form a específica, uma postura de poder específica, que ele de
senvolve d u rante seus estudos. É o tipo de dança. E e s ta dança, é um movimento
pessoal que ele e x e c u ta sob a influência de seu poder pessoal. A questão é do po
der, se o poder é limitado, a dança é curta; se o poder é grandioso a dança é
magnífica. Mas quer seu poder seja pequeno ou imenso, nada obsta ao pensamento,
irra d ia n te de sua últim a posição acadêm ica. Nada pára a ciência, pois ela lida com
o poder e sua postura, e assim nunca te rm in a rá sua dança. Tive apenas o cuidado
infinito, de querer ser p e rfe ita ao lidar com o poder. Pois, aqui, os erros são f a
1. INTRODUÇÃO
"É uma franca revolta contra o pa radigma da distinção, do dever e do método, tão caracterizador das funções totalizantes das ciências sociais de nosso século, a carnavali- zação instaura um clima compreensivo para-lem- brando algumas coisas do romantismo-recuperador a espontaniedade e neutralizar a suprema racio nalidade dos quadros de referência que antece dendo-a, amarram a vida. A cosmovisão carnava lesca abala ou enfrenta aqueles princípios, crenças ou mecanismos que colocam a razão acima da vida."
*Luis Alberto Warat
"Fu stupor, fu vaghezza, fu diletto*"
(Foi uma ad m i r a ç ã o ,foi um prazer, foi um delei te.'')
Gerusal. Lib, canto II, 21.
O social como Ordens de Propriedade pelo princípio de Indeterm i-
nação de Wernwer Von Heisenberg, ano de 1927.
"Por e ste princípio, os e létro n s individualmente, não parecem se
guir nenhuma lei definida de causa e e fe ito , mas saltam de uma órbita para ou
tra , sem motivo ap arente.
*WARAT, Luis Alberto. A Ciência Jurídica e seus dois Maridos, 1985. Florianópolis, G ráfica U niversitária da APESC, 1985, p. 107.
Conclui-se que, o princípio m ecanicista de causalidade universal,
deixa de te r validez absoluta, pois é impossível de se prever com c e r te z a , os f e
nômenos do mundo subatôm ico. Estes só podem ser estudados do ponto de vista da
probabilidade.
Com a a c e ita ç ã o gradual desta hipótese o átom o reduziu-se a uma
espécie de abstração, sem lei, de que é quase impossível form ar uma imagem men
tal.
O f a to da ciência política, pesquisada em sua form a espontânea,
ser marginal quanto o quadro e x iste n te da ciência metodológica, e ser tid a como
contrad itória por se expressar em espontaneidades, não significa uma fa lta . É ao
contrário, um estím ulo p a ra reverm os a concepção de ciência como um todo.
Mesmo na superficialidade, se examinarmos, as idéias sobre ciência
jurídica e sua organização institucional, sentirem os que não tem os sido cap azes de
t r a t a r s a tisfa to ria m e n te te o ria s em que a ciência jurídica envolvida se liga e s tr e i
ta m e n te a problemas práticos.
Se verificam os não sermos capazes de resolver o problem a do ho
m em -so cial, e seu e m in en te abismo irracional, e afastassem os de nós tudo o quanto
é em inentem ente político, sob o p re te x to de tra ta rm o s de " arte" ou "dons intuitivos',1
a única coisa que isso prova é que estam os fugindo de problemas, que têm que ser
enfrentados.
Se tra z e m o s junto de nós a experiência, é porque no c o rre r da prjá
tic a com os símbòlos e signos, se obtém o relevante, que só é tra n sm itid o em de
term inadas condições.
O co n ce ito de epistemologia positiva é e stre ito , d iante do raio de
ação do raciocínio n ão-aristo téliço. E o conhecim ento não te rm in a nas fro n te ira s do
estabelecido.
se resolve nada qualificando o pensam ento marginal advindo daí, como não c ie n tí
fico, ou relega-lo para a e sfe ra da intuição, p ara apenas preservar a pureza de
uma ciência oficial."
Ao contrário, o verdadeiro pesquisador, investiga a n a tu re z a in te r
na desses tipos de conhecim ento à esp era de uma form ulação e depois a possibilida
de de abrir horizontes e conceitos de ciência jurídica, de modo que incluam essas
pre te n sa s áreas intuitivas-espontâneas da ciência. Aqui é uma questão de lim ites, já
vimos que a m a te m á tic a e ra um desses limites, no pensam ento científico, e o de
senvolvimento in te le ctu a l re fle tiu o papel dominante da m a te m á tic a (visao diacrôni-
ca). Assim tem época, em que ciência e ra considerada só o que poderia ser mensu
rável, a rigor. O positivismo aderiu à busca de leis gerais. E conseqüente mediação,
form alização e siste m a tiz aç õ e s com base em axiomas fixos; ele te v e êxito nas es
fe ra s de realidade acessíveis ao método form al e q uantitativo, ou pelo menos, abe_r
ta s a generalizações.
A p la ta fo rm a homogênea da sistem aticidade, de modo algum cons-
ti t u e a realidade toda. O que envolve a cu ltura, pela própria n a tu re z a do homem,
não se a tém à e s tr e it a e sfe ra de objetos redutíveis a leis, pois há riqueza de f e
nômenos e e stru tu ra s singulares e concretos com que os homens práticos (vida) es
tão, fam iliarizados mas que são inacessíveis aos axiomas do positivismo nas ciên
cias.
Aqui a vida, e a razão prá tic a, a consciência infeliz, como queiram «
c ham ar o pensamento marginal (à margem do instituído) se compõe com mais in
telig ên cia e ludus,-já que o teórico observava uma esfera lim itada (divisões) já que
e sta v a preso à pressuposições de "sua" ciência. O conhecim ento em sua to talidade
tinha deixado de ser compreendido pelo teórico.
Isso ocorreu pela tendência à analiticidade, (nada pode ser conside
rado científico, a menos que tivesse sido reduzido a seus elem entos constitutivos,
e assim desaparece o in teresse na im ediata e d ire ta percepção das to talidades.
O conhecim ento qualitativo foi repudiado, suspeito, marginal. A
percep ção sensível do indivíduo em sua forma c o n c re ta e singular, é função do ser
vivo em sua to ta lid a d e, e e s ta percepção sensitiva não se tra n s m ite (o poder não
dá poder, só p o d e . ensinar pelo discurso, a que a nova ordem de propriedade tenha
poder) e por isso predominou a tendência para negar-lhe todo valor específico.
O ideal cien tífico e ra o conhecim ento livre de todas as influências
da concepção do mundo de seu portador.
Não se apercebeu porém, que o mundo do m e ra m e n te quantificável
e analisável só pode ser descoberto com base numa concepção do mundo denh defi
nida. E que e s ta concepção fluida do mundo da doxa, não é n e cessariam en te fonte
de erros, mas o fe re c e muitas vezes, como no caso da carnavalização, acesso a es
feras de conh ecim en to im penetráveis por o utras vias.
Os interesses e valores são constitutíveis da iminência, ela é cons
titu tiv a do e le m e n to homem. O nexo orgânico e n tre o homem como sujeito da his
tó ria e como m em bro da sociedade, e seu pensamento, não deve ser arb itra ria m e n
te rompido.
A Semiologia une esses elem entos signicos, procura a rtic u la r e vi
ver sua própria m alandragem .
O que é apresentado aos Mestres e digna Banca Examinadora, é
desenvolvido a p a rtir do ponto de pertinência que o Curso de Pós-G raduação em
2 . LEIS E ORDENS DE PROPRIEDADE
D en tro de sua te o ria crític a , Canguilhen usa como ponto c e n tra l a bic)
logia, numa busca de concepção sobre a vida humana, e vislumbramos com ele o
conjunto de leis e ordens de propriedade. Se considerarm os as leis como gênero e os
indivíduos a espécie, seríamos a espécie que resp eitam as leis, no bojo da circula
ridade do social. As relações dos indivíduos e leis seriam de submissão. A e sta apre
sentação te m a ver com o pensam ento jurídico. D entro d e sta e s tr u tu r a biológica, a
anomalia seria a infração à lei natural. O patológico e o anorm al é o que tom aria
distância da lei. P a ra prover c rité rio s de d e m arcação e n tr e o normal e o patológico,
todas as ciências tom am as leis como perform ance do real. À re la çã o e n tre indiví
duos e leis, ch am a normalidade, o que e stá dentro da norma; e anormais, as fora
da norma. Donde se conclui que saber, tam bém e s tá vinculado a e s te mesmo jogo
de relações. Canguilhen a le r ta p ara o grave problema, que é o imutabilidade dos
indivíduos.
As leis, ao seu modificarem, pra tic am uma biologia de exclusTao e não
de inclusão. E qualquer tipo de biologia que p a rtir d e ste princípios, provoca exclu-
sões, como se a doença fosse uma violação do sistem a. O anômalo se transfo rm a em
a berran te, e aqui se c a r a c te r iz a o que sai da vigência da lei natural. Canguilhen se
pergunta: donde tir a a biologia e ste conceito, ou seja, e s te princípio de normalida
de? A biologia tir a o mesmo, da maneira de como o homem funciona em socieda
de, ou seja, nas organizações sociais, onde existe um discurso de poder jurídico, que
gera a u to riz aç õ e s e instruções, assim os biólogos fixam e s te m étodo e desenvolvem
uma biologia igual à e s tr u tu ra social, ou seja, produzem instruções. E donde os ju
ristas tira ra m , e s ta perform ance do real, tendo em vista o que é e t que não é?
*
CANGUILHEN, Georges. Sobre uma Epistemologia C on cord ataria, Texto citado por
Pierre Bordieu in "El Oficio dei Sociologo, Buenos Aires, Siglo XXI, 1975.
Os juristas copiaram a n a tu re z a . Cangúilhen nos dá uma descrição da
n a tu re z a tom ada do social.
Freud pergunta: por que o social e s tá organizado assim? C ria n e ste lu-
dus, o jôgo do entendim ento do ego e o superego, movido a sentim ento de culpa co
mo produto exímio da c a s tra ç ã o dos instintos (de m orte, de incesto). Se isso surge
da observância do social, tom ando-se a unidade indivíduo, o discurso jurídico é e fe i
to da n a tu re z a do homem. Aqui há quebra e to rç ã o geradora de nova c ircu larid a
de.
O funcionamento das proibições é um externo da consciência ( super
ego), os impulsos são controlados. E a pergunta seria, como sublimar os impulsos.
Cangúilhen agrega do sistem a social, e s ta circularidade, tautológica, que se funda
m entam em o utras teorias, num mundo p e rfe ito e nunca explicativo, cm nenhum c a
so se explica alguma coisa.
Nas ordens de propriedade, não há e s tr u tu ra de pensamento, não há
obediência ou desobediência. Há um vínculo de religiosidade, de dogma. Algo que não
produza um esquema circular, não é vida. A vida não como um conjunto de leis na
turais, ou seja um sistem a de indivíduos e leis, a que o homem se adapte, leis na
turais, sistem a de indivíduos e leis, ou seja gênero e espécie, não conjunto de leis,
mas ordens de propriedade. A n a tu re z a tem que fa z e r em s e te dias a cria çã o toda.
Ou obedece ou desobedece. Eliminar o con ceito de leis, os indivíduos se ocupam de
uma ordem de propriedade. A te o ria c r ític a não se ocupa mais de normas. Cangui-
lhen nos diz para preocuparm o-nos com a ordem de propriedade.
Os e fe ito s deste nova e ta p a .
O D ireito é a ciência jurídica, ele não se ocuparia mais de normas, e
produz-se assim uma nova instância, ou seja, o objeto c e n tra l natu reza-lei, tir a as
normas do c en tro das aten ç õ e s e g e ra a p rob lem ática da ordem de propriedade.
N este prim eiro intento: tiram o s do c e n tro as normas positivistas e
homem. A ciência opera com os novos conhecim entos, cortando o círculo, e nestas
rupturas, form a mais conhecim ento, onde tudo te m form a provisória e form a convejn
cional.
A e ste conjunto se c ham a C iên cia em Discurso, onde não im porta se
há verdadeiro ou falso, se se define a verdade com re la çã o fá tic a.
Uma d iferença e n tre v e r te n te c r ític a e dogma é a questão do segredo.
A prim eira põe o mesmo em estudo e d e cifra m en to , e a ciência a u to ritá ria p re ser
va o segredo, usa a linguagem indecifrável, só a b e r ta para o tra ta c tu s , que fa z em
nome de si, o que o comendador irá te r após fe ito o aprofundamento.
Como existe nova p ro b le m á tic a a cad a nova ruptura, os estudiosos são
reconhecidos se fizerem por apêndice o que quis que fosse consagrado o comendador,
ou o que quis que fosse escondido em sec re to s. Galileu Galiiei cortou com o princí
pio de senso de universo, e nesta ru p tu ra a p a re c e a série de falsidades a té e n tão
ex isten te s. Mas a falsidade é u tilizada por Galileu, e de sta ele p a rte pa ra o utras
verdades. P a ra Canguilhen a ciência não en tro n a o ideal de verdade, é um caminho
p a ra c h egar-se a um pólo de a tra ç ã o . Temos as sociedades modernas, tomando con
c eitos de sociedades prim itivas. E sta circularid ad e, é da essência do homem. É uma
filosofia que entende não te r valor algum na vida, a não ser o que escolhemos p ara
nele depositar valor, é o mesmo que pensar que não há felicidade, salvo a que t r a
zem os em nós. Então justo se nos torna, à volta às origens numa ilusória fuga de
opiniões. Em suma é depositarm os todo o conhecim ento e entendim ento numa pala
vra: não conseguiremos chegar nunca mais próximos à verdade, do que chegou o
homem de dois mil anos a trá s.
O novo ponto de aderência.
É o estudo de conjunto de poderes, que fazem implicar relações de
equilíbrio e desequilíbrio, defasagem e in te g ra çã o de funções.
Ao term os em m ente, um jogo p e rm a n en te de funções modificadas, es
oposto de anormal. O patológico não se c a r a c te r iz a pela ausência da norma, mas
presença de o u tra norma e existência de diversos tipos de normalidades. O p ato ló
gico seria o posto co ntraditório de normal. O ponto máximo que descreve a física.
Mas tam bém não é invento de Canguilhen. Nos últimos anos a ciência
descobriu o bombardeio eletrônico. Ela, a ciência, descobre que não há ação dos
dois pólos, mas nível de moléculas donde a difusão de energia. Este átom o pode
funcionar tendo em vista, a difusão da energia, e a separação das energias.
E isto é o que se passa na vida. É uma associação por escolha.
Associação das propriedades. O patológico é apenas o oposto vital do sa
no. recup eração do discurso con trário. Quando pegávamos o e stru tu ra m e n to da biolo
gia, entendíam os que a doença conduz à m orte. Ao tom arm os a física, assumimos
que o patológico é uma nova organização.
Por exemplo, na questão da dem ocracia, o patológico é o não in stitu í
do, não é oposição de desordem, com o re f e r e n te ordem e caos.
Na d em ocracia o sano é o instituído. D em ocracia como costado p a to
lógico da ordem estabelecida.
Canguilhen diz para não descreverm os o biológico, como o homem or
ganizou a sociedade. Jacób, ao re fe rir-s e à sociedade, diz que a ordem de proprie
dades variam, não na ausência que c a r a c te r iz a a exceção à Jei, novas_ordens. de
propriedades, ou seja, reorganizar-se. A vida é uma ordem de propriedades de diver
sas form as e não podemos pensar em normal e anormal. O homem é um conjunto
de propriedades. X eibinitz e sua produção cíclica, daqui partiu Canguilhen.
Conseqüências: variam em função do contexto. Os contex tos variam a
ordem de propriedades. Os conceitos mentais. As form as são a lte ra d a s nas ordens
vitais. Há culturas assassinas de seus membros, que chamamos as hipercivilizadas.
O co n tex to de dois tipos não é o mais natural.
C o nceituação da vida subordinada ao c u ltu ral. Aqui há uma sublimação
dos instintos.
Canguilhen: a n a tu re za do homem é uma ordem de propriedades variá
veis e os c on tex tos sociais atuam sobre o homem e ò modificam.
R uptura epistemológica, no conjunto de propriedades. Freud se ocupa
de algumas que são condizentes com suas funções cíclicas.
O organismo social a tu a e modifica o conjunto de propriedades, - disso
resultando uma ordem social modificada. A circularidade desaparece. O que isso ex
plica? É a tro c a do conceito de patológico, que eram a t é e ntão os dois te rro res, o
da loucura e o da m o rte, ambos c entralizad ores do antigo discurso. No antigo sis
te m a , a loucura e ra o mais visível, leis e normalidade.
O homem tem que assumir-se como o bjeto da vida. A liucura vai ser
incorporada. E stas leis se modificam. Por meio do trab alho em form a perm anente.
Norma jurídica não é um esquema invariante. A vida c íclica depende
da palavra. O homem a d a p ta -s e a um lugar dentro do discurso. O im po rtan te são as
institu ições c ap azes de c o n te r as palavras.
A te o ria c r ític a tom a a ruptura da lei, a re la çã o de lei e indivíduo. O
indivíduo foi c ria çã o acom panhativa do conceito Nação.
A te o ria c rític a se desinteressa pela norma em si, n ão .p orqu e ela não
ex ista, mas porque não é o c entro da vida humana.
Elas fazem p a rte da instâricia discursiva que serve para proibir-se. Mor^
t e e loucura são variações.
O delinqüente não é um enfermo.
Identidade e n tre delinqüente e enferm o, o D ireito funcionava assim. Ou
seja, na form a de adm in istração do castigo.
C rim e e loucura desaparecem na ordem de propriedades. É a teo ria da
sociedade que t r a t a de explicar o jurídico. Incorpora o verdadeiro jurídico, às rup tu
ras epistemológicas que servem pa ra a evolução da ciência.
O c en tro da circularid ade não é o "homem - sujeito de direitos" mas a
ciência em discurso, já que o siste m a de poder e s tá c entrado na palavra, que é a
ga ra n tia da verdade, ordem d e term in a d a da palavra. O que garantia o funcionam ento
da sociedade e ra a do g m á tic a. Os lugares dogmáticos no império romano. Cangui-
lhen: o que serve pa ra distinguir o louco do criminoso? A figura do curador. O
D ireito fa z a mesma função da dogm ática, isto é, tranqüiliza, dá segurança de não
haver crimes.
O D ireito e a P olítica nos servem p ara discutir sobre o a u to rita rism o .
Os problemas jurídicos servem e geram e fe ito s tranquilizadores da dogm ática. P a ra
isso se usam vários sistem as, Kelsen na c o erência absoluta, redefine as contradições
e fabrica justificações. Se a tu a sempre dentro do marco das discussões jurídicas, ou
pode, dependendo do d ire ito nacional, internacional.
O que o homem comum pensa?
A te o ria c r ític a m odifica as relações. H á . que se te r cuidado com a
aparência de liberdade. O que im p orta ne ste fa z er-se , é que quando todo mundo f a
la em direito, a gèn te a c r e d ita que há dem ocracia. Nossa valorização e s tá no nível
"de se pensar que", quando há espaço p ara discutir-se o Direito, há dem ocracia.
3 . QUESTÃO EM KANT
K ante não é um renovador da antiga filosofia. Não renova as teorias
m ecânicas nam as teleológicas em sentido exclusivo. É v erdadeiram en te nova, não
simplesmente renovadora, não sendo parecida com nenhuma anterio r, tendo um c a r á
te r novo, distinto.
A filosofia é segura quanto ao objeto e a diferença das dem ais ciên
cias, e só assim te m seu cam po assegurado e seu lugar. Esta posição só Kant deu
à filosofia.
A ntes de K ant, a filosofia queria ser a explicação das coisas, o esfor
ço para serem universais e tra ç a v a m os filósofos um quadro com pleto, que com
preendia todas as coisas e todas as realidades. Não existiam ciências particulares,
por isso era fácil o domínio, pois as províncias estavam sem dono. Mas quando as
ciências foram sendo delim itadas em seus espaços, pareceu ser o império da filoso
fia uma usurpação. A dupla existên cia a pareceu, quando ao lado da filosofia da na
tu re z a p ro cedente da m eta física , se apresentou a física, independente de toda base
filosófica e fundada só na observação as coisas. Que fa ria a filosofia da n a tu re za
sem os auxílios da física, já que ela investigava o fundam ental? Era o que a filo
sofia especulava. A física gerou a convicção de que só se poderia conhecer algo por
meio da observação p recisa e e x ata .
Se a filosofia se presumisse mais autorizada que a física, con trad iria
as afirm ações da mesm a, e sta b e le c e ria uma série de idéias sem fundam ento algum,
sobre objetos da física. Seria o obscurecim ento da experiência, e seria prejudicial
propagando o erro. Com todas e sta s objeções, le v an tara m -se as ciências físicas,
c o ntra a filosofia, assim fo rtalecidas, au m entaram o valor do trabalho e resultados
alcançados. A filosofia não se segurou mais, e caiu. Na idade média e sta v a sob tu
tela, a teologia ocupava seu lugar. Com a Reform a, as ciências p a rtic u la re s c re sc e
ram a tal ponto, que a filosofia, ou fundia-se com as mesmas, ou dobraria-se às
necessidades do tem po. E assim houve relação e n tr e experiên cia e especulação, que
foi im p o rta n te por e sta b e le c e r a. tendência dos novos sistem as científicos.
Bacon nos diz que chegou o tem po das ciências de observação e indu
ção , p rin cipalm ente a física que observa a n a tu re z a especial dos objetos.
Passou ao campo das ciências e x ata s, sendo seu guia e instrum ento, ou
seja, seu método. Ao buscarmos o gênese das relações sociais descoberto o bombar
d e a m e n to dos átom os e a não inclusão dos pólos opostos, mas dos níveis de átomos,
esta m o sain d a usando a física, só que nuclear., p a ra questionarm os os níveis de insti
tu iç õ e s ou conjunto de propriedades. Não há ação dos pólos, mas níveis de molécu
las, p a ra a conseqüente, difusão de energia, que se observou pelo bombardeio e le trô
nico.
A filosofia aqui, fica sem objeto especial, e aca b a por dirigir as ques
tõ e s e os objetos da ciência experim ental, ou investigando com elas no campo impí-
rico ou (mais fácil) recolhendo os frutos alegádos p a ra dar form a exeqüível ou forma
t o ta l e enciclopédica. Bacon, que tinha espírito legislador, deu às ciências experi
m e n ta is os auxílios e recursos que necessitavam . De im ediato não queriam e nem
precisav am da filosofia, ou de seu auxílio. As ciências experim entais, tinham forças
su fic ien tes e se esta b e lec e ra m sobre seus próprios pés, e o realismo (nome da filo
sofia n e ste tempo) não existia mais, e as ciências e stavam determ inadas, em m a te
m á tic a , fís ic a e história. A filosofia re a lista não te v e outro jeito que passar por in
te iro às ciências experim entais, porque o princípio fundam ental exige que se dê a
e xp licação das coisas por meio da experiência.
Mas não sucedeu assim com os adversários dos realistas, os m etafísicos
dogm áticos. Estes indagavam o conhecim ento das coisas pór meio do conhecim ento
puro, e c o n stitu em sistem as que são de n a tu re z a d ife re n te à das ciências experi
m entais. E assim a p areceu a oposição e o que se e sta b e le c e u e n tr e o pensamento
esp ecu lativo (que p a rte de certo s princípios e o pensam ento em pírico que pretende
As especulações que se esta b e lec e m no entendim ento puro sobre a na
tu re z a e essência das coisas tem que t e r sua prova definitiva na existência mesma
dos feitos. Mesmo que não se obtenha e s ta prova, a m etafísica receb e um c o n tra
tempo: e a questão se põe a favor da observação empírica.
Muitos co n tra tem p o s. D e sc a rte :: sua m etafísica não re siste à prova dos
feitos demonstrados, porque c o n tra d izia as leis que Galileu e Copérnico d e m o n stra
ram. Leibznitz tentou tir a r a filosofia d e sta e ser mediador e n tre a m e ta fís ic a e a
experiência e especulação.
Quando D e sc a rte reconheceu a verdade do sistem a de Copérnico, por
sua m etafísica, e sta v a fo ra das condições possíveis que houveram perm itido com
preendê-lo. A debilidade de seu sistem a se mostrou evidência. Dada a m aneira de
como D escarte entend ia (por sua m etafísica) a essência da n a tu re za e da m a té ria ,
nunca a c e ita ria o m ovim ento dos corpos e a lei de a tra ç ã o de Galileu. A m e ta fís ic a
queria pensar só em uma m aneira m a te m á tic a , como o entendim ento puro e como
sè as coisas no mundo não fossem mais que quantidades a b stra ta s . A filosofia e ra
pensar em ordem m a te m á tic a . Nenhuma verdade valeria se não estivesse co nstituída
como 2 + 2 igual a k. E em geral não te r por c e r to e evidente senão os princípios
demonstrados de uma m aneira m a te m á tic a . A filosofia de Spinoza foi cham ada a
aperfeiçoar a física c a rte s ia n a . P a ra re a liz a r de uma maneira s iste m á tic a, a ne
cessidade com vontade e fo rç a de espírito. E com suficiente .serenidade para supor
ta r a oposição do mundo inteiro. Fundou uma teologia g eo m étrica, uma moral geo
m étrica, e negou tudo o que não se acom odava a e ste critério . Sua m e ta fís ic a p a re
cia imutável, m a te m á tic a e imóvel. Importam os a rtis ta s. Importam os juristas, im
portam os físicos. Ele dizia que queria estud ar os fatos humanos como se fossem li
nhas, superfícies e corpos. Tudo o que na vida humana não tivesse linhas, superfí
cies e corpos e sta v a fo ra da m e ta fís ic a de Spinoza. Assim, e sta v a fo ra o dito, que
a realidade do fe ito é o regulador da experiência, cominando numa maior ciência
experim ental.
N este ponto e s tá a m e ta fís ic a dogm ática, tã o a fa sta d a das ciências em
píricas, que quase poder-se-ia dizer que der, e as relações de Ciência D ireito e Sú
ditos, estando aqui no te rc e ir o poder, a diluição das forças ativas, no social. Unem-
-se princípios teleolcgicos com os mecâiicos.
Também unem-se o siste m a das causas e fic ien tes com o das causas fi
nais. É explicado prim eiro a n a tu re z a dos corpos inertes, e e ste último explicava a
dos vivos. As oposições, orgânico e inorgânico, físico e espiritual, m ecânico e moral,
foram resolvidos com o co n ce ito de continuidade no mundo gradual e uniforme das
forças vivas e ativas. Mas f a lta v a muito para. que a m e ta física fosse confirm ada nos
pontos e afirm ações pela experiência. Ela passava de seus lim ites e concluía nos
conceitos de uma teo dicéia a que não pode a lca n ç ar uma experiência. Todo o que
alcançava o campo da experiência, se aplicava à m e ta física de Leibnitz, e e s ta ria
e la própria a b e r ta à sua re fo rm a pelas objeções e feitos da experiência mesmo. Por
tudo se descobre as relações que tem com a ciência, as ciências. A té sua form a
ex terio r nada te m . d e exclusivo e fechado, foram estudos e não um sistem a fechado
e nas ciências e x atas fe z -se descobrim entos novos, e na filosofia novos ensaios. Seu
modo de filosofar e ra o de pôr sem pre em c o n ta to a especulação com uma m ulti
plicidade de observações de todas as ciências possíveis que em verdade não perdeu
de todo seu aspecto dogmático, foi porém moderado e comedido ele mesmo sendo o
laço de união e n tre m e ta física e experiência. Só durou enquanto ele mesmo e ra r e
p re sen ta n te de sua filosofia. E stava in e re n te na Escola da filosofia que e s ta inspi
ra ria maior extensão, alcançando uma form a mais acabada, e s iste m á tic a. E ao se
pedir form a ao sistem a, e pela e s tru tu ra ç ã o s iste m á tic a exigir novam ente a filoso
fia como ciência p a rtic u la r (organismo que por si sáo não existe), e sta , reform a só
poder-se-ia fa z er, separando o u tra vez a m e ta fís ic a da experiência e o ' conhecim en
to especulativo do conhecim ento empírico, e isto C ristian Wolf o fez. O que Leib
nitz fundiu, os wolfianos puseram de acessório e com plem ento, que foi p a ra r em de
cidida oposição. Estes discípulos tira ra m da filosofia Leibniana o espírito e gênio de
le, e deram com o auxílio da m a te m á tic a uma e s tr u tu ra siste m á tic a (século passado
na Alemanha) as esferas de ação foram c á te d ra s , e os m aestros da escola da filo
-física da ex periência de pô-las uma aò lado da outrãj f è ita a re la çã o de am bas e
sua com paração. Kant realizou e s ta com paração (influência de Wolf), entend e-se com
paração, a re la çã o que existe. Aqui há o ponto lógico, da tra n siçã o e n tr e Leibnitz e
Kant, ou seja a m e ta fís ic a se ap re se n ta nela como conhecim ento racional ou espe
culativo da essência das coisas ao lado da doutrina da expériência. Havia uma físi
ca racional, o u tra em pírica, uma psicologia racional, o u tra em pírica. A ciên cia existe
dessa dupla m an eira debaixo da form a m etafísica e form a em pírica. A prim eira (a
m etafísica) é e stáv el p erm an ente, e na empírica, m utável e progressiva.
Com o au m ento das observações, a experiência abria espaços, ao passo
que a m e ta física em. situação a tra sa d a quanto às ciências e xp erim en tais, e a cada
dia diminuía sua im portância.
Filosofia dogm ática e crític a .
Assim e ra an tes de a p arec er Kant. A filosofia q ueria ser uma explica
ção das coisas, e o mesmo pretendiam as ciências experim entais, que corriam pa
ralelas. Ou a filosofia abandonava seu lugar e passava, às ciências experim entais, co
mo no realism o inglês, ou ficava em oposição, e fr e n te às ciências experim entais
(como ciência especulam etafísica) e morrer como na Alemanha (Escola de Wolf). Ao
perder o c a r á t e r de ciên cia independente, pareceu que a filosofia e s ta ria assim para
sempre.
Só existiu um caminho, o jogo de c in tu ra de assumir o irrem ediável
fim, e conseguir uma existência segura e indiscutível. Seu posto será firm e desde
que se destinga das ou tra s ciências quanto a seu objeto, e que e s te seja tã o e fetiv o
quanto das ou tras ciências exatas.
Como seria isso possível?
Só quando se enco ntre em possessão de um objeto que não é das ou
tras ciências, que nenhum possa investigar e por sua vez que não seja menos evideji
te que qualquer outro objeto , das ciências e xatas e das ciências e das investigações
empíricas.
Pergunta: Existe um fe ito que, seja reconhecido como e fetivo pelas de
mais ciências e que não seja estudado por nenhuma delas? Aqui é o ponto de vida e
m o rte para a filosofia.
E existe.
Consiste e s te nas mesmas ciências e xatas: As m a te m ática s explicam as
quantidades em espaço e tempo. A física os fenômenos da n a tu re za , e a experiência
c ie n tífic a em geral os feito s existentes. Estas m esm as explicações (espaço e tempo,
fenômenos, feitos existentes) re p re se n ta já a e x istên cia de um novo feito , e e s te é
o fe ito m esm o da explicação científica.
- P a ra o m a te m ático , a figura
- P a ra o físico, a experiência mesm a em geral.
As ciências e x a ta s não podem negar a existência e fe tiv a que tem , coi
sa na qual consiste a im portância e que causa o progresso diário e o aum ento de
sua influência. E seriam e ste s feitos os únicos que necessitam explicação? Não é
necessário, pois, uma ciência que tenha por objeto a explicação destes feitos: Uma
c iên c ia que considere como objeto seu: A m a te m á tic a , física, experiência, da mesma
s o rte que as m a te m á tic a s consideram a quantidade, a física os corpos e a experiên
cia as coisas em geral? O que é que a m a te m á tic a , física e experiência se explicam
p a ra si m esm as? Se não fazem isso devem fa z e r, pois, deve haver algo, que e s te ja
em re la çã o com as m a te m á tic a s como e sta com as quantidades, com a - física -como
e s ta com a n a tu re za , com a experiência toda, como e sta com os fenômenos.
Pois e s ta ciência nova e n ecessária é a filosofia. E assim, a luta e n tr e
m e ta fís ic a e experiência, filosofia e ciências p a rticulares, d esaparece p ara sempre.
Pois que a luta existia, quando uma e outra, discutiam sobre o objeto que investiga
vam.
Im portante: E ao desaparecer a causa, d esaparece a disputa.
O olho que c o n tem p la um campo, recebe objetos refletido s e imagens,
mas não vê a si próprio. Se existisse um outro olhar, que observa e d e te rm in a o âjn
guio visual, olhando o olhar que olha o campo, abarcando os horizontes do olho dog
mático, e ste te rc e ir o olho é um lugar superior, e sua compreensão vem de seu pon
to de vista. O olhar dogm ático não pode ver a si, nem à c rític a sobre si.
A filosofia é o olho cujo objeto são as coisas.
A filosofia c r ític a é o ótico, cujo objeto é o olho, as imagens das coi
sas no olho, a vista mesm a.
O olho comum vê d o g m aticam ente.
O ó tico vê c ritic a m e n te , pois conhece a e stru tu ra do olho, as leis da
reflexão, e diferen ça e n tr e imagem e espelhismo (círculo da biologia).
A ó tic a se relacion a com a vista, a a cú stic a com o ouvido, a filoso
fia c rític a com a dogm ática, ou filosofia em geral com o conhecer.
A filosofia de K ant, domina um campo maior, num lugar superior.
Deve ser explicado o fe ito do conhecim ento humano: a sp resentad as as
condições sobre como ocorrem , e e sta s condições, são objeto da investigação c rític a
e precedem ao fe ito do conhecim ento. Condiciona o condicionado. Estão a n te s de to
do conhecimento e fe tiv o , com seu plus necessário: A e s te plus se dirige o ponto de
vista canciano. A filosofia c r ític a é tran scen dental são, por sua vez, e s ta s condições.
Os filósofos da antiguidade tra ta v a m em profundidade a questão do conhecim ento
humano.
Spinoza, a p e rfe iç ão do entendim ento.
M alembrancé, o conhecim ento da verdade.
Locke, o en ten d im en to humano.
Leibnitz, novos ensaios sobre o mesmo objeto.
Wolf, a faculdade do e n ten dim en to humano.
Kant, rompe, é d ife re n te de tudo e de todos.
Sua te o ria do conhecimento tem um lugar notável na filosofia moder
na. Os filósofos dogm áticos fizeram uns ensaios sobre o conhecim ento humano, e
experiências, kant não escreveu ensaios, e sta v a muito seguro de seu ponto de vista.
Acabou o que seus a n tec e sso re s com eçaram , a p arto u -se do caminho deles, para um
c o m p le tam e n te novo. Os outros não explicaram fu n d a m e n talm en te , o conhecim ento
mas o pressupuseram.
P a ra os re a lista s o. conhecimento e stava, p a ra a experiência, versando
as impressões sensíveis que se repetiam . P a ra os m etafísico s o conhecim ento ficava
a d strito ao conhecim ento racional, nas idéias inatas, nos princípios, axiomas funda
m entais de todo o conhecim ento.
P a ra a b s tra ç ã o de si, com e stas suposições, poderiam ser explicados os
conhecim entos (o que não ocorre).
Nada explicam , porque não são fa to re s de conhecim ento, mas factu am
de conhecim ento. E isso não viam os dogmáticos. Só Kant.
O ponto de v ista transcendental: O fe ito do conhecim ento, ou não pode
ser explicado, ou só o é pelas condições que o preced em , que p o rta n to não são co
nhecim ento no sentido em pírico nem no m etafísico.
Necessidade.
São novas, já vimos, mas isso não é sua necessidade.
K ant quer. investigar as faculdades de conhecim ento. Com o que? Com
suas próprias faculdades de conhecer. E isso não é co n tra d itó rio ? Não busca o co
nhecim ento que e s tá usando? Hegel, o c ritic a como insensato nadador.
K ant continua e pergunta: Que movimento fa z o esp írito humano. Que
atividade põe em exercício o conhecer? Que faculdade são as que atuam no conheci
mento?
E isto é um a d ian tam e n to . Porque eu, p ara conhecim ento das coisas,
não tenho necessidades de com preender e estu dar as faculdades de conhecer?
A filosofia c r ític a é a ciência do conhecim ento efetivo. Ela é e x a ta e
necessária como as ou tra s ciências. Tem c a r á te r necessário e novidade. Existiram
assim Copérnico na astrologia e K ant na filosofia. Copérnico deu o prim eiro e ver
dadeiro ponto de vista desde o qual a astronom ia deveria estudar o movimento dos
corpos celestes. Kant o verdadeiro ponto de vista pa ra os fenômenos e as coisas.
Ambos: Princípios da explicação dos fenômenos, nas condições da n a tu
re z a humana.
Kant: O que destruiu-se não le v an tar-se -á , o que fundou não p e re ce rá ,
assim estebaleceu uma re fo rm a que poucas se assemelham em toda história da filo
sofia. É o início da visão sin ta g m ática .
4. O HOMEM ESTRUTURAL
Ele tem uma atividade mental. Sua im aginação é o modo como ele vi_
ve m e n ta lm en te a e s tr u tu ra . Nessa sucessão a rtic u la d a de c e rto s números de ope
rações m entais, e s tá o ser.
P a ra re c o n stru ir um objeto, de modo a m a n ife star n e sta reconstrução
as regras de funcionam ento, o que Kant fez na filosofia c rític a , d ita transcendental,
se dá pela reflexão, ou poética. Em ambas, o te x to é fechado, acabado.
A e s tr u tu r a é o simulacro do objeto. É ideológico, é dirigido, é inte
ressante, pois ao se im itar, a p arec e o invisível, o mágico, não inteligível no objeto
natural.
D issertações " fait divers". É im anente aos tem pos como as disserta
ções por osmose, por re c o rte de frases, por bordado in te le ctu a l. A m em ória se to£
na c u rta , imanência, e e s tr u tu ra fechada. Sua função é a de reconhecer a raridade.
Tem civilizações, como a da China, que tev e uma poderosa dinastia reinan te, a do
Chao-meng, que tinha a faculdade de degradar os que honrava. Esta raridade do so
cial chinês, fic a vivo, inteligível na visão e stru tu ra l.
- • \
P a ra não fic a r neutro, dentro dos métodos do pensam ento, há dois ex
cessivos, ou se cai na ideologia, que é permeável à história pela re tó ric a ou se poe
tiza, num real fin a lm e n te impenetrável, irredutível, aqui podemos c a p ta r o sentido
inalienável das coisas.
E ntre ideologia (retórica) e poética não há síntese.
O p a râ m e tr o da intelectualidade, antes da ordem de propriedades, era
a capacidade de síntese. Na ordem dos sintagmas (grandes unidades significantes) a
síntese ocorre com a apreensão de to talidade dos jogos de forças que a tuam e grani_
A palavra (ciência em discurso) é cap az de conferir uma totalid ad e, pe
lo c a r á te r m u ta n te de seu ser. Mas ao p e n e tra r no objeto, como o bombardeio e le
trônico, a palavra não é usada pelos poios negativos ou positivos. A física o e n te n
de, e a classifica e n tre os níveis, ordens de propriedades.
Tudo o que anima o social, depende deste poder instituído (o poder da
palavra). O corre assim: a instituição que tem poder, u tiliza o mesmo como quer,
mas quando quer dar poder d ire ta m e n te a o u tra ordem de propriedades, é inútil; es
ta nova ordem de propriedades que quer poder, poderá utilizar o discurso pa ra a
própria busca do poder. É assim que age o poder nas ordens de propriedade. É pre
ciso poder, p ara conceber o poder. E arm a ze n a -se poder só para si.
Não há totalidade em um nível, mas se c a p ta energias, de níveis em
diferença. Ou seja, ao p e n e tra r no segredo das coisas, re sp eita-se o peso 'de sua
massa. A isso eu ch am aria ser "acessível ao poder", que é uma coisa que é f e ita
siste m a tic a m e n te , mas sem pre com cuidado. O que c a r a c te riz a essa acessibilidade, é
um rom pante controlado e uma quietude controlada. O objeto é tanato s. N estes mo
mentos de poder, o mundo das coisas comuns não existe. Só há o imprevisível e o
inesperado.
A ideologia, e tam bém o co n trá rio são com portam entos mágicos, fa sci
nados pela dilaceração do m un do . social. A sociedade precisa da cultura, que é a
continuidade, o mal e s ta r na civilização. Qual o caminho a seguir? J ■
E se reconciliássemos, o real e os homens? A descrição e a explica
ção? O objeto e o saber?
Como suprimir a b a rra de oposição p aradigm ática para se obter um sijn
tagm a estranho, descoberto pela re tira d a de censura e stru tu ra l? É uma aproxim ação
do sonho, que é o produtor ou utilizador de jogos de palavras. E sta é a viagem aos
níveis estru tu rais, ou "ser acessível", que significa to c a r o mundo que nos c e rc a , mo
deralm ente, não desm antelar o social a t é e ste sumir. E ao mesmo tempo, o poder
ao ser acessível aos níveis, não deve e s ta r "disponível", que significa que o poder
en-trando num tem po de acréscim o. Mas brindamos a re tó ric a , que é recup eração dis
cursiva.
C o n tra a doxa, reivindicarem os um sentido, já que o sentido é produ
zido pela história e não pela na tu re za , c o ntra a ciência (o discurso paranóico) é pr£
ciso m anter a utopia, do sentido. A Semiologia te n ta ser ideológica, e é policiada.
Os. arlequins, cores vivas, pantomimas, m áscaras, vivacidade re tórica,
é uma desobrigação, com o conteúdo social ou histórico, da obra. O carnaval des
monta o mecanismo da subversão aguda das relações cívicas, sua m ística.
Há uma irrev e rê n cia viva, no pensam ento marginal. E pelo estilo, t e
mos um jeito de e sc a p ar das m otivações sec re ta s de uma obra, porque não dizer, do
profundo se é nossa ideologia, e do profano, se não o é. Pelo estilo, somos descul
pados de tudo, a t é da reflex ão histórica. É bem mais fácil pa ra um criador, criar
um estilo, que se d e scob erto pelo sistema, como produtor de sentidos duplos. Como
isso a c o n te c e ? Não se to m a mais co n tato com o fundo real da obra, é o que oco£
re com a d em ocracia, e la vive enquanto vive a lei, e se discutem os direitos. Es
tilo, re tó ric a , vanguarda, e stã o saturados e transbordam , pela evasão. Nã pode haver
desconstrução. De pensam ento canciano, a a r te e x tra ía da n a tu re z a apenas a m a té
ria prima, a n te s do olho c r í t i c o . . Após, desde o renascim ento, com eça a p a rtir das
experiências dos sentidos e se põe a serviço da n atureza. Ou seja, ela é cap ta ç ão
da mágica. No prim itivo, em anava do espírito e fazia uso da n a tu re za . Era a e ra
a n tican ciana na a r te . Por d e trá s do artifício da linguagem ideológica, há a te n ta
ção de fa zerm o s a coincidência, que seria o ideologismo, isto é, a a b e rtu ra à his
tória,
Na raridade do sòcial, há uma causalidade a lea tó ria, uma coincidência
ordenada, que a ca b a por recobrir uma zona ambígua, onde o a co n te c im e n to é ple
nam ente vivido, como um signo cujo conteúdo é no e n ta n to incerto.
Numa te o ria c rític a do direito, a idéia é deixar de fa z e r lite ra tu ra e
no mundo da significação, não no mundo do sentido. Na lite ra tu ra existe uma ordem
form al, onde o sentido é ao mesmo tem po posto e desiludido. Era a e ra da dogmá
tic a e da p ré -c rític a (marxista) instan tes de c laro e escuro. Mecanismo de recupera_
ção do discurso. O dogmático agia com a c rític a , como com um pisca-pisca . agora
sim, agora não. Não dava o poder, mas re c u p era v a -se discursivãm ente e ascendia
na m eta-linguagem . Era uma c rític a vassala.
Numa nova c rític a , o círculo da mundinidência é rompido, como c en tro
em si. O na tu ra l e prim itivo da norma e sua inerência ao homem, geram nova c ir
cularidade, onde olhamos a sociedade como p re se n te a n te s do Estado, e o jurídico
como mecanismo para o homem-indivíduo, c ria ç ã o do social.
O mundo jurídico positivista, assem elh a-se a uma concha fechada em
si, com uma função histórica definida: Ele tem que p reservar no seio da sociedade
co n tem p o rân ea a ambigüidade, do racional e do irracional, do inteligível e do inson
dável, dirigindo pela lógica do saber proposicional, que elege auto re fe re n tes, da ló
gica s in té ric a a priori.
Com re fe re n te sem ântico na lei positiva.
O homem convive tra n q u ila m e n te com os signos, ele precisa mesmo
que sejam signos de conteúdo incerto. É o mundo "como se", de que Kelsen em
1964, aludiu à ficção da verdade. Assim e la pode apoiar-se na cu ltu ra usando um
pouco de racionalidade. Assim se habitam os segredos da existência, onde tudo é
mudo, vigiado, poucõ compreendido.
O pensam ento comum racional, se preocupa com isso, e assim se torna
acessível, acessível sem saber. Se preocupando ele .se a g a rra a qualquer coisa, na
busca pela verdade. Uma vez que se a g a rra a algo, é provável que se esgote ou es
gote a quem ou o que estiv er agarrando. É uma espécie de vampiração.
Já o pensam ento marginal, não é acessível, e não se prende a . nada,
ele usa o mundo com parcimônia e te rn u ra e não considera os re fe re n te s sem ân ti
cos de sentido, do saber proposicional, ou poder instituído. Essa intimidade do pensa^
mento marginal, e s ta cum plicidade como diria Warat, com o poder, o fa z : inacessí
vel ao mundo. É o poder laico da libido s a tisfe ita dos marginais.
Pela dia lé tica , o positivismo enche-se de conteúdo, e pode ser sutil-
m ente conhecido, se nos a te rm o s à leveza de condições de suas justas funções. O im
p o rta n te é não s c h rè c a rre g a r os conteúdos. A formalidade exigida, não é v e rte n te
de verdade.
O medo é que dois poderes onde se põe muitos significados, tenham
verdades com pesos e medidas d ife re n te s, e a compreensão re c íp ro ca é difícil. E
para g arantir a m esm a opinião é usada a dialética. Estas co ntradições, onde a verda_
de ap areceria como filha da discussão e não da simpatia, c e rc a a ciência, que é
arborecente, mas d e lim itad a pela universidade. Pode-se falar tudo, mas de n tro da
universidade.
O siste m a h o m eostático , é o sistem a cuja função não é com unicar um
significado objetivo, e x te rio r e p re e x iste n te ao sistema. Mas c ria çã o de equilíbrio
de funcionamento, uma significação em movimento.
Os sistem as de e stru tu ra , são mais interessantes, ou mais complicados,
se são derivados de sistem as (eles próprios significantes).
As d issertações, seriam um a cabam ento de ste discursos, pois, dando
respostas co n sta n te s ao que é proposto reduz-se assim o espaço. Poucas obras são
realm en te acabadas, e não se apresen tam como uma pergunta in teira. O que se en
tende por a cabar? É d e te r no momento em que ela vai justificar alguma coisa,
no momento em que a p erg un ta se transfo rm a em resposta. Preciso seria construir
a obra, com um siste m a com pleto de significação. Uma exposição re tro s p e c tiv a de
Picasso.
Qual seria a qualidade de uma dissertação?
Se e la tiv e r pouca distância da idéia que a fez nascer, e la é quase orj_
ginal.
e onde o comunismo sobrecarregou de social. Essa so brecarga impede de ser delica
d a m e n te sensível a todas as variações de condições, pelo tem po, que se assume as
ju stas funções da sociedade. Esse herm etism o d iante do con ceito propriedade, não
deixando a história intervir, é incômodo hoje, dia n te da a p re cia ç ão do social pe rfu
rando tudo.
, Numa e stru tu ra , o pensam ento a tra v e s s a tudo, plenam ente, sem cons
ciên c ia s parasitas que lhes dê cores vivas da subjetividade, e c o rre de encontro da
alie n aç ão e da massificação. Tudo c re sc e em conteúdo linear, mas não em profundi
dades, se a m o rte ce a diacronia, só vendo v e d e te a sincronia.
Conflito: d eclara-se nulo, com conteúdos densos, ou se incorpora a
um a visão mágica?
O que seria o real? Se assumirmos não conhecê-lo realm en te, sobre o
e f e ito do real, o e fe ito das funções, o e fe ito dos fa n ta sm a s, que seriam do mundo
físico, social e cultural.
A existência do conflito é necessária, pois e s te conflito é a avaliação
de c ad a ato. É a necessidade de viver em questionam ento. Há um grande esforço
p a ra chegar a e ste conhecimento; não é dado de mão beijada. Não é apenas en
tre g u e . Se tem que lutar consigo mesmo p a ra isso. E ainda continuar luminoso.
A maioria dos c ien tista s passa de um modismo in te le ctu a l a outro, le
vando-se em con ta o poder, o ta le n to ao e sc re v e r-s e e o estilo de fazê-lo. Sem
questionam entos. J á o pensamento marginal, ao c o n trário , avalia cada ato, e como
te m um conhecim ento íntimo de sua cum plicidade com o poder, procede sabiamente,
com o se cada ato, fosse sua última batalha in te le c tu a l. Sua dança de poder. Há nisso
m u ita vantagem do pensam ento marginal, sobre o acadêm ico. É que o pensamento
marginal dá a sua últim a batalha o devido respeito, pois sabe lidar com a tanatos.
A viagem sem volta. É mais que natural que se último raciocínio, seja o que há de
melhor nele. Estas forças que atuam no p ensam ento marginal são imprevisíveis e
assombrosas. Além de cúmplices do poder. O pensam ento acadêm ico é tímido.
Não há continuidade no pensam ento marginal, é um a to de poder, uma
dança, que trá s em si uma e stra n h a felicidade em se agir com o pleno conhecim en
to de que "este" pode ser seu último ato.
A continuidade não to rn a ninguém feliz, nem poderoso. Os a to s aqui
não podem t e r discernim ento, o poder, a força compulsiva que te m os a to s de um
in telectual, que sabe que e s tá tram ando sua últim a batalha na te r r a . D e cifra-m e ou
t e devoro, eis o segredo.
Só com e s te pensam ento marginal se poderá jogar o jogo de poder nas
ordens de propriedade.
Nem. o realism o é realismo, poir e stá submetido a uma inferência, pois
escolhe-se tal inferência e não ou tra. Não se distribui bem o saber. Supõe-se que o
realism o tenha uma verdade m ais bru ta e indiscutível, ditas de in te rp re ta ç ã o . A in
fe rê n cia desenvolve-se no plano dos sentidos, ou particularidades das substâncias (as
palavras). E aqui há os arcabouços do descontínuo, da seleção, da c a te g o riz a ç ã o e
lógica especial. •
Por exemplo se te n to re c o rta r do saber o neopositivismo lógico, mes
mo assim tem os a rre d o re s de Hume, de A ristóteles, e e ste s sentidos nascem menos
de sua relação com o u tra s palavras. Voltamos assim, na sincronia plana. É n e sta zo
na, de significação prim eira, e segunda que se aloja a criação, a lite ra tu ra , a a rte .
Mesmo se usando a lógica deôntica. A lite ra tu ra é co n stitu tiv a m en te irre a lista , é
onde a consciência e os a rre d o re s atuam . Uma criação só pode existir, e n tr e os
dois níveis. O paradoxo: A mais irreal e a mais verdadeira, porque sendo essen cial
m e n te linguagem, é lim itada pelas palavras que tem poder absoluto e improvável. O
in fin itam en te rico do jurídico é c o n tra tad o ao lado das falsas racionalidades da lin
5. ESCRITURA
A e sc ritu ra , em uma dissertação, é sem profundidade, p e rm anece na
superfície do objeto, p e rc o rre sem priveligiar e s te ou aquele argum ento, tal ou qual
de suas qualidades.
A p o é tic a é a violação dos abismos. Sonhos sobre o segredo.
Na e sc ritu ra , as palavras pintam o objeto, cadeia significada que não ejs
g o ta nada e nunca. .
A poesia é uma explosão, escavação, função a rm ada em fa c e do obje
to.
Pelo poema se procura no cerne da substância, um nome ambíguo que
o resuma.
A visão lógica do positivismo, não compõe em profundidade, pois não
tem um c ern e sob a superfície, a minúcia da descrição da lógica norm ativa, é a r te -
sanal como no direito natural, que adicionava qualidades em função de um julgameji
to im plícito (soberania divina).
O positivismo ao romper com a visão ro m ân tica, e impor o império da
norm a positiva, o objeto não é mais uma profusão de sensações divinas, como no di
r e i t o . n a tural, não há mais símbolos, a norma se positiva pela coação, tendo em vis
t a a privação de um bem, obedecendo-se à validez e e fic ác ia . Promove-se a norma,
mas fic a -se na superfície, e não havendo profundidades, os juízos parasitas não pu
lulam.
É criado um objeto científico, esgotado logicam ente. A c rític a , vai pa-i
ra uma visão, onde não e s tá esgotado o espaço, e onde a resistência não foi golpea
da. A linguagem se re tir a do investim ento fe ito no positivismo e abre para v novo
núcleo. A c u ltura e s tá sendo protagonista da m orte. Busca-se e n tão explicações que
p a rte m do indivíduo, como o fa z a psicanálise. Nem a poesia, nem a eloqüência são
im po rtan tes ao jurídico. Assim o objeto c ien tífic o nasce sem herança, ligação ou re
ferência, e não p re sta c o n tas a não ser à experiência (ciências experim entais) e à
norma vigente (positivismo). Em nome da racionalidade. Tornou-se a ciência rigoro
sam en te fechada na ordem, sugestiva a si própria, não havendo vaga p ara a substâji
cia. A condição geral da norma, dos signos, e ra "estar" obedecida a circularidade
dos órgãos de criação da norma. R etirado do jurídico a função e a substância do n<i
tural, racionalm ente com eç a a nova lógica. Tudo é absorvido pela racionalidade. A
norma é fe ita de proposições verificad as logicam ente num sistem a de normas posi
tivas,
O objeto da ciên c ia jurídica, não é a punição em si, não é o punir,
más se fixar no inconsciente coletivo, como norma de conduta desejável. Senão ser-
6 . A RUPTURA KELSENEANA
A s e te n ç a se destina além, no m om ento de cum prir a lei,, e la fica ob
jeto criativ o, p e rm a n e c e como ponto de órgão enquanto utensílio a t é a vontade fi
nal do juiz, que podendo ser levem ente intem pestivo, tra n s fo rm a a lei em execução,
no espaço social. A função da lei, seria ilusória, e a atividade judiciária seria a
real, e sua humanidade com eça pelo uso do órgão todo. A substância sofre um des
vio singular, a não m assificação, robotização, pois o judiciário é sinestésico, tem a
figura do juizo que é a sensibilidade rom ântica do homem. Aqui, n e ste estágio, dá
para e sta b e le c e r uma substância, na medida em que o julgam ento pa ra ele não é ra
cional, mas tá c t il, que vai além da lógica positiva da norma, a r r a s t a o juiz para
uma experiência v ita l (de a p e ti te ou náusea).
A prom oção do racional lógico impoe sacrifícios de todos os atrib utos
do justo e do injusto. E há um descrédito lig&do a esse modo de visão.
O positivismo e o neopositivismo não produzem impulsos existenciais.
A lógica não produz impulsos existênciais da execução.
No neopositivismo não se p erm ite um e x tra v a s a m e n to do positivo, pelo
em in ente, ele c o r ta o positivo de seus substitutos (analogia, doutrina, usos e costu
mes). É um b a sta ao naturalism o.
Usa de m etá fo ra , quanto à Norma Fundam ental. Como se usa a e s tr e
la Polar que é o ânimo, inspirador do poder. A apreensão neopositivista, não funda
correspondência com o real, nem reduções, som ente sim etrias. Deus é a rq u ite tu ra . A
fam iliaridade o rgânica da Idade Média e n tra em evaporação, e não tem os mais or
dens divinas. A Filosofia re tira as entidades Teológicas, a ciên cia d elim ita os obje
tos e os c ria p ela observação, e não há como haver relações superficiais e n tre o
justo e o injusto, é re tira d o do Direito a possibilidade m e ta fó ric a , c o rta -s e -lh e a re
de de form as e estad os analógicos que e ra o campo privilegiado da a r t e (oratória) e