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CRIPTOMOEDAS: A percepção dos alunos do curso

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Academic year: 2021

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CRIPTOMOEDAS:

A

percepção

dos

Alunos

do

curso

de

AdministrAção

de

um

centro

universitário

Bruno Mirco

[email protected]

Bacharel em Administração. Centro Universitário Metodista - IPA

Maria D’Lourdes Guimarães Rotermund

Professor Mestre. Centro Universitário Metodista – IPA

RESUMO

A presente pesquisa foi realizada no curso de administração de um centro universitário situado na cidade de Porto Alegre com o objetivo principal de verificar a percepção dos alunos em relação às criptomoe-das. Os objetivos específicos da pesquisa foram identificar o perfil dos estudantes; conhecer os seus hábitos financeiros; verificar percepção dos alunos sobre o sistema econômico vigente e as criptomoedas. A pesquisa, de cunho descritivo e quantitativo, se constituiu em um questionário, aplicado em um centro universitário da cidade de Porto Alegre, com 63 alunos do curso de Administração em um universo de 97 alunos. O questionário contou com 32 perguntas fechadas, sendo que 18 utilizam a escala de Likert, divididas em quatro categorias, de acordo com cada um dos objetivos específicos da pesquisa: 1) Perfil dos pesquisados; 2) Hábitos financeiros dos pesquisados; 3) Percepção do sistema econômico; e 4) Conhecimento que os pesquisados têm sobre as criptomoedas. A partir dos dados coletados se observou que, quanto ao perfil dos pesquisados, predominaram pessoas do gênero masculino, entre 19 e 26 anos e, em geral, nos últimos semestres da graduação. Quanto aos hábitos financeiros, se verificou que quase a totalidade dos pesquisados possui conta bancária e a acessam através de meios virtuais. Os pesquisados preferem investimentos mais seguros, como poupança e o CBD, e se definiram como investidores conservadores. Quanto a percepção do sistema econômico, os alunos têm ressalvas ao modelo atual, aprovam soluções econômicas advindas da tecnolo-gia e, apesar de reconhecer a atuação do sistema bancário, reprovam unanimemente sua política de juros, o que pode indicar a aceitação de

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um novo modelo. Em relação ao mercado de criptomoedas, os alunos demonstraram pouco conhecimento, porém concordaram com as afir-mações que cumprem os requisitos de uma moeda, acreditam que falta divulgação e incentivo por parte do governo e que este mercado irá se expandir. Em relação ao objetivo principal, a pesquisa concluiu que, apesar de incipiente ainda, este tema possui aceitação por parte dos alunos e possui margem para que se torne cada vez mais popular e útil.

Palavras-Chave: Criptomoedas. Bitcoin. Sistema econômico.

CRYPTO-COINS: PERCEPTION Of UNdERgRadUaTEd

STUdENTS fROM adMINISTRaTION COURSE aT a

UNIvERSITY CENTER

aBSTRaCT

This research was conducted in the administration course of a univer-sity center located in the city of Porto Alegre with the main objective of verifying the students’ perception regarding crypto-currencies. The specific objectives of the research were to identify the student profile; know what your financial habits are; verify students’ perceptions of the current economic system and crypto-currencies. The research, descriptive and quantitative, consisted of a questionnaire, applied in a university center in the city of Porto Alegre, with 63 Business Administration students in a universe of 97 students. The question-naire consisted of 32 closed questions, 18 of which use the Likert scale, divided into four categories, according to each of the specific research objectives: 1) Profile of the respondents; 2) Financial habits of respondents; 3) Perception of the economic system; and 4) Knowledge that respondents have about crypto-currencies. From the collected data, it was observed that, regarding the profile of the respondents, male individuals predominated, between 19 and 26 years old and, in general, in the last semesters of the undergraduate course. Regarding financial habits, it was found that almost all respondents have a bank account and access it through virtual means. Respondents prefer safer investments such as savings and CBD, and have defined themselves as conservative investors. Regarding the perception of the economic system, students have reservations about the current model, approve economic solutions arising from technology and, despite recognizing the performance of the banking system, unanimously disapprove of its interest policy, which may indicate the acceptance of a new model. Regarding the crypto-currency market, the students showed little knowledge, but agreed with statements that meet the requirements of a

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currency, believe that there is a lack of disclosure and encouragement from the government and that this market will expand. Regarding the main objective, the research concluded that, although still incipient, this theme has acceptance by students and has room for it to become increasingly popular and useful.

Keywords: Crypto-coins. Bitcoin. Economic System.

INTROdUÇÃO

De acordo com Weatherford (1999), desde o seu surgimen-to o dinheiro criou novos modos de vidas, além de se adaptar a todas as transformações tecnológicas e sociais, corroendo e substituindo sistemas obsoletos, se tornando o fator determi-nante não simplesmente para as relações comerciais, como também em relações sexuais, políticas e familiares. Desde o início da civilização, com o escambo, passando pela fase dos metais preciosos com lastro (ouro, prata), até a implementação do papel moeda e posteriormente o dinheiro virtual (cartão de débito, crédito), a característica semelhante entre eles é que para o cidadão comum a transação deve ser prática e previsível, porém com um agente que realize a intermediação e garanta que ela seja factível e segura.

No auge da crise financeira de 2008 que assolou as princi-pais instituições do setor no mundo e fez com que elas fossem socorridas em grande parte pelos governos, ocasionando poste-riormente recessão e desemprego, foi publicado um artigo em um grupo especializado em criptografia por Nakamoto (2008) em que o autor (que não se sabe se é uma referência a uma pessoa, um pseudônimo ou um grupo de desenvolvedores) defende um formato monetário que possibilita a transição de pessoa para pessoa sem que haja a intervenção de um banco, onde as provas criptográficas substituiam o intermediador confiável (ULRICH, 2014).

Em 2009, baseado nesse estudo que originou o sistema chamado de blockchain, foi criada a primeira e mais popular

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criptomoeda do mundo, o Bitcoin, que, à exceção de aficio-nados por computação e programadores, era muito pouco difundida e conhecida do público em geral. Este cenário mudou em 2011 após uma das principais revistas do mundo, a Forbes, realizar uma matéria que despertou a curiosidade sobre o tema e picos recordes de valorização subsequentes até que houve críticas relacionando o Bitcoin a fraudes virtuais, causando a primeira crise. Este evento foi fundamental por dois motivos: por ter aproximado a comunidade que apoia o desenvolvimento digital e novas tecnologias e, principalmente, pela própria comunidade de criptografia que tinha críticas e sugestões para aprimorar todos os sistemas antifraudes que a sustentam (DINIZ, 2017).

Visto que existem atualmente mais de 1700 criptomoedas, segundo o site Investing.com, especializado em investimentos, se destaca que a maior inovação é o sistema blockchain. Frente a isso, este trabalho estudou esse cenário para analisar como esta tecnologia pode ser um complemento ao sistema finan-ceiro vigente, especificando quais são suas particularidades e vantagens na percepção do usuário final.

Sendo assim, foi possível definir o problema de pesquisa do presente trabalho como: Qual a percepção dos alunos do curso de Administração de um centro universitário em relação às criptomoedas? Onde o objetivo geral consistiu em verificar a percepção que os alunos têm sobre as criptomoedas. Para alcançar o objetivo geral, foram traçados quatro objetivos es-pecíficos. O primeiro foi identificar o perfil dos estudantes; o segundo focou em conhecer seus hábitos financeiros; o terceiro procurou verificar a visão destes alunos sobre o sistema eco-nômico atual; por fim, buscou-se identificar a percepção dos pesquisados sobre a tecnologia e as criptomoedas.

A pesquisa se justifica, pois administradores devem ter uma visão ampla das mudanças que estão ocorrendo e se adiantar

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com relação as inovações tecnológicas que afetam a vida profis-sional e pessoal destes profissionais e a sociedade coo um todo. Neste contexto, Sarfati (2016) afirma que está surgindo uma nova economia chamada de colaborativa, baseada em trocas pes-soa a pespes-soa, e intermediadas por validações digitais. O autor cita como exemplo os recentes casos de sucesso das empresas Airbnb, que mesmo sem ter hotéis superou as maiores redes de hotelaria do mundo em valor de mercado; e do Uber, que provocou uma revolução no segmento de transporte coletivo. Assim, ganham cada vez mais relevância pesquisas referentes às criptomoedas, que se propõem a ser uma nova alternativa ao sistema financeiro, e ao blockchain que, segundo Tapscott e Tapscott (2016), é a maior inovação tecnológica desde a Internet e que irá alterar por completo o modo como se vive.

Esta pesquisa tem importância para todos que desejam discutir novos formatos econômicos e se antecipar às mudan-ças, pois visa trazer para o centro da discussão os conceitos de criptomoedas e blockchain, mostrando como podem impactar, diretamente ou indiretamente, na vida de todos, bem como os conceitos mercadológicos que possibilitaram que o bitcoin fosse considerado um dos melhores investimentos da atuali-dade. Assim, tanto empresas como a sociedade, e inclusive o governo, podem se beneficiar, entendendo o funcionamento e as vantagens deste sistema. Por outro lado, quem negar a importância destas inovações ou a se adaptar a esta economia colaborativa, relacionado frequentemente apenas a fraudes ou a golpes, está fadado a perder oportunidades em um mundo cada vez mais globalizado e interligado.

Além disso, por ser um assunto de pouco estudo na aca-demia e por estar diariamente ocorrendo novidades no que tange ao objeto de estudo, causa fascínio no pesquisador, que já teve empresa na área e tem uma atenção especial em opor-tunidades que possam surgir em uma economia colaborativa.

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fUNdaMENTaÇÃO TEÓRICa

Origem do Dinheiro e do Sistema Financeiro

Weatherford (1999) sustenta que, para poder prospectar e vislumbrar mudanças ocorridas a passos largos no século XXI é imprescindível analisar a história e os impactos que decisões momentâneas tiveram durante o passar dos anos, verificar como se deu a evolução econômica, quais os fatores determinantes para que se chegasse à situação atual e o que pode vir a acontecer no futuro.

Inicialmente, não existia qualquer formato análogo ao dinheiro e as civilizações atendiam apenas suas necessidades pessoais básicas. De acordo com Rossetti (2006), todos os processos de interação dos agentes econômicos são baseados do sistema social de trocas que são resultantes do trabalho e das especializações individuais. Estas trocas passaram por diversas adaptações e aperfeiçoamentos e são divididas por seis fases que começaram com o sistema de trocas diretas, chamado escambo, passando pela fase de mercadoria-moeda, da moeda metálica, da moeda papel, moeda fiduciária (papel--moeda) e finalmente, a fase da moeda escritural (bancária). Neste sentido, as criptomoedas se classificam como a sétima fase da moeda, sendo chamada de era da moeda digital. Todas essas fases foram essenciais para que se chegasse a um termo comum das características e funções que determinado objeto deve possuir para que possa ser considerado uma moeda, conforme relacionado a seguir (ROSSETTI, 2006).

a) Características: Homogeneidade; indestrutibilidade; divisibilidade; transferibilidade e facilidade de transporte.

b) Funções: Intermediária de trocas, que se refere a acei-tação da moeda para pagamento de outros bens e serviços; medida de valor ou unidade de conta, que significa que pode ser usado para medir preços de produtos diversos; reserva de

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valor, que se refere a capacidade de preservação ao longo do tempo e padrão de pagamentos deferidos, que diz que a moeda deve ter confiabilidade e liquidez para que os contratos pos-sam ser pagos posteriormente, de maneira única ou parcelada.

Considerando o estágio atual da economia mundial, o processo de emissão está ligado inteiramente a uma única instituição bancária de cada país, chamado banco central e atualmente possui 80% do dinheiro circulando em moeda es-critural, que correspondem a todos depósitos à vista mantidos pelas instituições bancárias e apenas os 20% restante estão em circulação por meio de papel-moeda ou moeda metálicas, as chamadas moedas visíveis.

Contexto Econômico

Para poder entender claramente como funciona e quais as suas peculiaridades, é necessário primeiramente entender o contexto econômico no qual o Bitcoin foi criado. Com a maior crise financeira mundial desde a Grande Depressão na década de 30, e que até hoje ainda não foi diagnosticado claramente pelos economistas, a falência da gigante Lehman Brothers e outras instituições bancárias menores gerou muitas críticas relacionadas ao capitalismo e a desregulamentação do setor financeiro. O arranjo monetário do ocidente se baseia em duas frentes, sendo elas: monopólio da emissão de moeda com leis de curso legal forçado e um banco central responsável por organizar e controlar o sistema bancário, sendo assim é clarividente que a interferência dos governos é a antítese de um sistema de livre mercado e está muito mais próximo de um socialismo monetário. Desde que o presidente americano Richard Nixon acabou com a conversibilidade de dólar em ouro, o banco central pode imprimir quanto dinheiro desejar, desde que os cidadãos não percam por completo a confiança na moeda. Neste sentido, os bancos por meio de suas reservas

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fracionárias (necessitam guardar em seus cofres apenas uma fração do que foi depositado e emprestar o restante a seus clientes), também possuem o poder de criar dinheiro e assim, expandir exponencialmente sua capacidade de gerar crédito, que por consequência leva os empresários a investirem como se houvessem recursos disponíveis para seus empreendimen-tos, e com a falta de recursos reais os projetos não concluídos, causando em última análise recessão e a ruína da economia (ULRICH, 2014).

Desde o ano de 2008, com consequências claras, a interfe-rência dos governos aumentou por meio de medidas extremas, como resgate de bancos e seguradoras; nacionalização de insti-tuições financeiras e redução artificial das taxas de juros, o que pode causar uma bolha com potencial de destruição exponen-cialmente maior que a crise ocorrida anos antes. Neste sentido, o cidadão comum está à mercê da arbitrariedade do governo e da cumplicidade das instituições bancárias, que por um lado exigem cada vez mais informações dos cidadãos e, por outro lado, se esquivam do escrutínio da população, por meio de me-didas com critérios envoltos de muito mistério (ULRICH, 2014).

Este é o paradigma do milênio: crescente perda de privacida-de financeira; autoridaprivacida-des monetárias centralizadas e opressivas que abusam do dinheiro, isentas de qualquer responsabilidade; e bancos cúmplices e coadjuvantes no desvario monetário. En-tretanto, se por um lado o cenário é desalentador; por outro, o terreno é fértil para a busca de novas soluções. Coincidência ou não, um mês após a quebra do Lehman Brothers, era lançada a pedra fundamental de uma possível solução à instabilidade do sistema financeiro mundial (ULRICH, 2014).

O bitcoin

O conceito de bitcoin surgiu em 2008 a partir de um texto de um suposto programador, com o pseudônimo de Satoshi

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Nakamoto, definiu que a Bitcoin se trata de uma versão de dinheiro eletrônico integralmente peer-to-peer que permitiria que “pagamentos online fossem enviados diretamente de uma parte para outra sem passar por uma instituição financeira” (OLIVEIRA; TOTTI; NEY, 2015, p. 3). Estes autores ainda ex-plicam o funcionamento da moeda:

A rede bitcoin compartilha uma contabilidade pública chamada

blo-ckchain. Essa contabilidade contém toda a transação processada,

per-mitindo aos computadores dos usuários verificarem a validade de cada transação. A autenticidade das transações é protegida pelas assinaturas digitais correspondentes ao endereço de envio, permitindo a todos os usuários o controle total sobre o envio de bitcoins dos seus endereços bitcoin. Além disso, qualquer um pode processar transações através de um hardware especializado e ganhar uma recompensa por esse serviço em bitcoins (OLIVEIRA, TOTTI, NEY, 2015, p. 5).

No artigo de Nakamoto (2008) foi definido o protocolo pú-blico de funcionamento, o autor explica que moeda eletrônica é o resultado de uma cadeia de assinaturas digitais e sua par-ticularidade é não depender de nenhuma terceira parte, como bancos, para validar a transação. O sistema bitcoin utiliza um banco de dados distribuído pelos diferentes nós da rede que, por meio da criptografia, garante seu funcionamento.

Segundo Singh (2004) a criptografia pode ser classificada como um conjunto de técnicas e métodos para cifrar ou codi-ficar determinado algoritmo, convertendo um texto original em um texto ilegível, por meio de códigos predefinidos, no qual pessoas autorizadas tem conhecimento prévio, ou seja, um conjunto de regras que garantem que somente o emissor e o receptor possam decifrá-las.

De acordo com Brito e Castillo (2013), para utilizar bitcoin é necessário criar uma carteira bitcoin (bitcoin Wallet) por meio de alguns destes procedimentos: baixar um programa para computador; criar uma carteira em um site especializado ou

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baixar um aplicativo para celular. Após a criação da carteira são fornecidas duas chaves: uma delas pública e representada por um vetor de 35 caracteres contendo letras e números ou por meio do QRCODE, isto é, um tipo de código de barras tridimensional e que é utilizado para receber ou enviar bitcoin, e a outra chave é privada, e serve para ter acesso a sua carteira e para realizar transações, por meio de uma senha tradicional. A chave pública pode ser descrita como uma “caixa de vidro” em que todos podem ver o que lá está, mas somente o legítimo detentor da carteira bitcoin, com a chave correta (a chave privada), pode usar o dinheiro que se encontra no seu interior (BRITO; CASTILLO, 2013, p.7). De acordo com a abordagem austríaca, a origem de di-nheiro se dá por meio de trocas voluntárias e pessoais e tem como objetivo reduzir os custos de uma troca de produtos e em uma situação de concorrência, prepondera no mercado a moeda que mais reduzir custos. Neste sentido, fazendo uma comparação com as moedas tradicionais, as criptomoedas possuem uma desvantagem em relação as demais moedas no que diz respeito a liquidez, visto que apesar de cada vez mais pessoas utilizarem, ainda não é amplamente aceita. Porém, devido a sua escassez e sua oferta inelástica, pode ser uma ótima alternativa para reserva de valor para manutenção ou até ampliação do poder de compra e por ser armazenada em meio eletrônico, preservada indefinidamente (BRITO; CAS-TILLO, 2013).

No quesito de custos de transação é que ficam explícitas as vantagens e a superioridade do bitcoin em relação às outras moedas, visto que não há qualquer fronteira política ou física restringindo a sua operação.

Em relação às características para uma moeda se tornar dinheiro como exposto anteriormente, ficam ainda mais claras as vantagens deste sistema. O Quadro 1 faz um breve

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compa-rativo entre os atributos das duas formas mais populares de dinheiro com as criptomoedas.

Quadro 1 - Atributos das criptomoedas frente ao ouro e ao papel moeda

Atributos Ouro Papel – Moeda Criptomoedas

1. Durabilidade Alta Baixa Perfeita 2. Divisibilidade Média Alta Perfeita 3. Meleabilidade Alta Alta Incorpóreo 4. Homogeniedade Média Alta Perfeita 5. Oferta (escassez) Limitada pela

natureza Ilimitada e controlada politicamente Limitada matematicamente 6. Dependência de terceiros

fiduciários Alta Alta

Baixa ou quase nula

Fonte: Adaptado de Ulrich (2014, p. 67)

Benefícios das Criptomoedas

O bitcoin deve ser visto muito mais do que apenas um di-nheiro ou moeda digital, por ser tratar de algo revolucionário e sem precedentes na história da humanidade, dado que foi desenvolvido um sistema de pagamentos global sem qualquer tipo de fronteira, funcionando como uma rede totalmente descentralizada, sem depender da ação de nenhum banco ou governo central (ULRICH, 2014). Suas principais características são a rapidez nas negociações, é uma moeda não confiscável e não inflacionária, tem privacidade, não depende de bancos e pode ser uma arma contra a pobreza. O bitcoin permite transações rápidas, pois basta um smartphone com acesso à internet para qualquer pessoa, em qualquer local do mundo, com qualquer quantia, realizar uma transação em questão de minutos. Também é um sistema barato, pois as taxas de serviço

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são acessíveis e como não há diferenciação em uma transação equivalente a R$1,00 e R$1.000.000,00, assim as transações com a criptomoeda são vantajosas em comparação às opções atuais, como destaca Ulrich (2014):

Em primeiro lugar, bitcoin é atrativo a pequenas empresas de margens apertadas que procuram formas de reduzir seus custos de transação na condução de seus negócios. Cartões de crédito expandiram de forma considerável a facilidade de transacionar, mas seu uso vem acompa-nhado de pesados custos aos comerciantes. (ULRICH, 2014, p. 29). É uma moeda não confiscável, pois não é passível de nenhuma entidade, banco ou agência reguladora confiscar ou bloquear contas relacionadas ao bitcoin. A criptomoeda assegura a privacidade, já que de forma similar às transações que ocorrem com dinheiro em espécie, as duas partes que vão realizar a transação não dependem de nenhum terceiro agente tendo acesso as suas informações.

O bitcoin permite a cada um ser o seu próprio banco, já que na sociedade moderna, praticamente todas as pessoas utilizam bancos com a função de reserva de valor, seja por investimento ou segurança, mas fica sujeito a intervenções e crises que muitas vezes vão de desacordo com seus interes-ses. Neste sentido, as criptomoedas podem ser uma opção para se resguardar destes impactos. O bitcoin é uma moeda não inflacionária, já que Satoshi Nakamoto, no protocolo de funcionamento, limitou a criação de bitcoins a 21 milhões, e cada um deles é divisível em quantas casas decimais for necessário. O bitcoin está livre de sofrer perda do poder de compra, problema recorrente a moedas fiduciárias em que ano após ano valor real diminui devido à impressão de mais moeda circulante, como exemplifica Ulrich (2014):

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Alguns argentinos, por exemplo, adotaram o bitcoin em resposta ao duplo fardo do país, taxas de inflação de mais de 25% ao ano e rigorosos controles de capitais20. A demanda por bitcoins é tão grande na Argenti-na que uma popular casa de câmbio está planejando abrir um escritório no país. O uso de bitcoins naquele país continua crescendo em face da péssima ingerência estatal no âmbito monetário (ULRICH, 2014, p. 30). O bitcoin pode se tornar uma arma contra a pobreza, pois em regiões rurais ou que são mais afastadas dos grandes centros urbanos, como no caso da África, onde as agências são escassas e ficam via de regra, a muitos quilômetros de distância da maioria dos moradores e as próprias instituições do setor bancário não vislumbrarem retorno vantajoso nestes locais, as criptomoedas podem auxiliar na inclusão social e em uma expectativa de vida melhor. Além disso, a criptomo-eda se mostra uma das principais, se não a principal, fonte de investimento, para curto ou longo prazo. Todas teorias de investimentos favorecem ativos que independem de outros ativos, que é o caso das criptomoedas, que não estão ligadas as variações dos demais ativos, como o dólar, ouro ou ações, e é uma ótima indicação em relação a risco/retorno. Conside-rando a diferenciação do perfil de investidores, que podem ser de acordo com análise do Manhattan Group (2017), que carac-teriza os perfis de investidores como: conservadores que não estão dispostos a correr muitos riscos e preferem um resgate rápido e segurança a uma rentabilidade maior; já o perfil de arrojado define os investidores como quem entende que risco está intimamente ligado à rentabilidade, e assim assume mais risco especialmente em investimento a médio e longo prazo; e o perfil agressivo se refere aos investidores que passam por riscos não calculados e se move por emoção, muitas vezes sem levar em conta os históricos e parâmetros.

No caso de curto prazo, investidores compram e vendem o ativo em geral no mesmo dia, garantindo pequenas

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oscila-ções que, somadas, garantem um bom retorno, está opção é indicada para pessoas com o perfil conservador. No caso de investidores de longo prazo, que são pessoas que acreditam na tecnologia e não tem o objetivo de se desfazer de seus ativos tão cedo, são caracterizadas como pessoas com perfil arrojado, se investirem uma parcela razoável de suas economias, ou agressivo, se investirem uma grande parte de sua carteira de investimentos (CUNHA, 2019).

De acordo com o site XDEX (2019), as criptomoedas ti-veram uma valorização muito acima do mercado nos últimos anos, se comparadas a outros investimentos convencionais. Após um 2018 de estabilização, a moeda teve mais de 52% de valorização apenas nos primeiros cinco meses de 2019, muito superior a outros ativos, conforme o Gráfico 1, onde o bitcoin atingiu seu maior marketshare da história das criptomoedas, com 60% de fatia do mercado.

Gráfico 1- Valorização de investimentos

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Porém, apesar das vantagens descritas, há alguns fatores que dificultam uma proliferação maior das criptomoedas, alguns deles relacionados aos benefícios anteriormente citados. Sua alta volatilidade, atrativa para quem busca altos retornos em um curto prazo de tempo, é um fator de risco, visto que por não estar vinculado a nenhum lastro implica em uma maior dificul-dade em utilizá-las como unidificul-dade de conta ou como reserva de valor. Outro fator que pesa na hora de utilizar as criptomoedas é a questão da segurança que, apesar de ser uma vantagem não ser regulada por alguma autoridade ou banco central, a carteira digital individual está sujeita a ações de hackers ou vírus, ine-xistindo a possibilidade de recorrer a alguma autoridade, bem como corretoras que ficam restritas ao acesso do proprietário e, em caso de alguma enfermidade, ficam inacessíveis para que os clientes possam resgatar seus investimentos.

Neste contexto, ainda há empresas que agem de má-fé e, explorando a falta de conhecimento da população em geral sobre esta tecnologia, utilizam de práticas criminosas, como as pirâmides financeiras para prometer ganhos muito acima do aceitável em criptomoedas lesam muitas pessoas que não sabem a real destinação de seu dinheiro. Outras questões im-portantes que explicitam os maiores desafios das criptomoedas são a baixa aceitação, que dependerá de um longo tempo de maturidade; o risco de obsolescência, caso outra tecnologia com características ainda melhores apareça no mercado; e ainda o risco da incerteza jurídica, ou seja, não está claro ainda qual será a postura do estado como um todo em relação as moedas descentralizadas (PARLAMENTO EUROPEU, 2017).

Mineração de criptomoedas

De acordo com Oliveira, Totti, Ney (2015), a mineração é um sistema de consenso distribuído e usado para confirmar as transações pendentes a serem incluídas no blockchain. Este

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processo é gerenciado por um software específico, onde ao fazer download automaticamente se conecta a rede e tem acesso a outros mineradores.

Os computadores com este software servem como nós na rede, que são responsáveis por controlar, validar e garantir a segurança na troca de dados. O processo consiste em decifrar códigos, envolvendo equações matemáticas altamente com-plexas, onde o primeiro a conseguir, recebe como recompensa determinada quantidade de bitcoins e informa aos demais participantes que precisam validar a informação (SILVA, 2016).

Blockchain

Conforme Silva (2016), o sistema por trás das criptomo-edas é o blockchain, que em uma tradução literal, significa “corrente de dados”, ou seja, onde os registros codificados são agrupados em blocos e conectados um ao outro. O blockchain funciona de maneira pública (através do site www.blockchain. com) e compartilhada por meio de milhares de computadores. Também é chamado de livro-razão, se comportando como a contabilidade geral das criptomoedas onde, para cada trâmite realizado, é gerado um código específico que fica no aguardo para ser validado por um de seus registros. Mesmo sendo dis-tribuído em todos os computadores da web em que seu software é rodado, são registros criptográficos complexos, sendo assim, também possuem um amplo processo de validação.

Regulação

Constantemente surgem exemplos em que a tecnologia contribui positivamente para auxiliar na resolução de proble-mas criados pela falta ou excesso de regulação por parte do Estado, por meio de um processo orgânico que se dá através de tentativa e erro, porém estes avanços são em grandes parte barrados seja pela legislação ou por pressão de grupos que

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não têm o objetivo de mudar o status quo. (BOFF, FERREIRA, 2016). Não há uma unanimidade mundial sobre a regulação e mesmo legalidade do bitcoin, com os países adotando posições muito distintas sobre o tema.

METOdOLOgIa

O presente estudo se caracterizou como descritivo, uma vez que buscou entender a percepção dos alunos de um cen-tro universitário em relação às criptomoedas. As pesquisas descritivas são aquelas que tem “como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL, 2008, p. 28). Quanto aos procedimentos, se classificou como um levantamento de campo, com abordagem quantitativa do problema. A respeito de levantamento de campo (survey), Gil (2008) afirma que:

As pesquisas deste tipo se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede--se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados (GIL, 2008, p. 55).

A pesquisa foi aplicada em um centro universitário da cidade de Porto Alegre, com 63 alunos do curso de admi-nistração em um universo de 97 alunos. Optou-se por esta instituição em função do pesquisador ser aluno e ter acesso aos respondentes.

Para o desenvolvimento da presente pesquisa foi utilizado um questionário com 32 perguntas fechadas, sendo que 18 uti-lizam a escala de Likert. As perguntas do questionário foram divididas em quatro categorias, de acordo com cada um dos objetivos específicos desta pesquisa: 1) Perfil dos pesquisados

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(quatro questões); 2) Hábitos financeiros dos pesquisados (nove questões); 3) Percepção do sistema econômico (seis questões); e 4) Conhecimento que os pesquisados têm sobre as cripto-moedas (13 questões).

Depois de realizada a coleta de dados, a técnica de análise empregada foi estatística básica descritiva. Segundo Creswell (2010) os dados obtidos na pesquisa quantitativa são subme-tidos a uma análise estatística, são representados por porcen-tagens, gráficos, médias, entre outros, e então os resultados devem ser analisados para verificar se a questão da pesquisa foi atendida. Para tratamento e análise dos dados foi utilizado o software Microsoft Excel.

RESULTadOS E dISCUSSÃO da PESQUISa

Os resultados estão apresentados de acordo com as quatro categorias estabelecidas metodologia, perfil dos pesquisados; seus hábitos financeiros; a percepção dos mesmos sobre o sistema econômico e de criptomoedas visando atender aos objetivos específicos da pesquisa.

Perfil dos pesquisados

Os dados referentes a idade, seu gênero, semestre do cur-so de administração no qual o aluno pesquisado se encontrava e se estava trabalhando ou estagiando há época da pesquisa, estão sintetizados nas Tabelas 1 a 5 e no Gráfico 2.

Em relação à Tabela 3, a maioria situados situava-se entre a faixa de 23 a 26 anos, porém as faixas de 19 a 22 e 27 a 31 também possuem resultados expressivos.

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Tabela 1 - Faixa etária dos estudantes pesquisados

Faixa Etária (em anos) Frequência absoluta Frequência relativa (em %)

19-22 17 26,99

23-26 19 30,16

27-30 14 22,23

Acima de 31 13 20,64

Total 63 100

Fonte: Elaborado pelo autor

Em relação à Tabela 2, se verificou que a maior parte dos respondentes é do gênero masculino.

Tabela 2 - Gênero dos estudantes pesquisados

Gênero Frequência absoluta relativa (em %)Frequência

Masculino 37 58,73

Feminino 26 41,27

Total 63 100

Fonte: Elaborado pelo autor

A Tabela 3 mostra que os alunos estão mais próximos do fim do curso, com o sétimo e o oitavo semestres como os resultados mais recorrentes.

Tabela 3 - Faixa etária dos estudantes pesquisados

Semestre Frequência absoluta relativa (em %)Frequência

3 10 15,87 4 5 7,94 5 9 14,29 6 11 17,46 7 12 19,05 8 13 20.64 Total 63 100

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Foi possível observar que maior parte destes alunos esta-va trabalhando, seja em trabalho efetivo, ou estágio, conforme complementa o Gráfico 2, onde se observou que 81% dos alunos pesquisados trabalham, frente a 19% que estavam sem ocupação. Gráfico 2 - Ocupação laboral dos alunos pesquisados

Fonte: Elaborado pelo autor

Assim, os estudantes que responderam à pesquisa em sua maioria têm faixa etária entre os 19 a 26, são majoritariamente do gênero masculino, estão cursando os últimos semestres do curso de Administração e estão empregados.

Hábitos financeiros dos pesquisados

Para delinear os hábitos financeiros dos estudantes que participaram da pesquisa, foi criada a segunda categoria, onde se questionou se os pesquisados possuíam conta bancária e por onde a acessam. Ainda foram questionados se possuem interesse em notícias de investimento e por onde se atuali-zam; se possuem algum investimento e, em caso positivo, em qual modalidade; se usam cada vez mais dinheiro no formato escritural; se possuem preferência por investimentos ditos

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conservadores e se associam o risco ao lucro potencial.

Os pesquisados foram quase unânimes em afirmar que possuem conta bancária, como mostra o Gráfico 3A, sendo que os meios eletrônicos, como celulares, é a forma de acesso predominante, seguido de agência e computador pessoal ou tablet, conforme apresentado no Gráfico 3B.

Gráfico 3 - (3A) Utilização de conta bancária pelos alunos pes-quisados; (3B) Meios de utilização da conta bancária pelos alunos pesquisados

Fonte: Elaborado pelo autor

O Gráfico 4A mostra que a maioria dos pesquisados tem interesse por investimentos, contudo, o Gráfico 4B evidencia que cerca da metade realmente investe. É possível inferir que talvez isso ocorra devido ao fato de ainda não possuírem re-cursos próprios, dada a idade dos respondentes.

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Gráfico 4 - (4A) Interesse por investimentos dos alunos pesquisados; (4B) Alunos pesquisados que têm investimentos

Fonte: Elaborado pelo autor

Entre os alunos que declararam possuir algum tipo de investimento, a poupança é a modalidade mais comum, como indica o Gráfico 5A, seguida de títulos bancários (CDB/CBI/ Ações). Entre os respondentes que afirmaram ter interesse em investimentos, o meio que utilizado para se atualizar a respeito é o ambiente de trabalho, como demonstrado no Gráfico 5B, a imprensa e amigos aparecem logo na sequência.

O resultado apresentado no Gráfico 5A é corroborado pelas respostas à assertiva “Prefiro investimentos conserva-dores como a poupança” (Quadro 2), indicando um perfil conservador por parte dos pesquisados no que diz respeito à preferência de investimentos. Ainda no Quadro 2 se apresenta o resultado à assertiva “Utilizo cada vez menos dinheiro vivo (cédula ou moeda)”, onde a maioria dos alunos confirma que está cada vez menos utilizando o dinheiro no formato físi-co. Este resultado está de acordo com o exposto por Rosseti (2006), dado que mais de 80% já está no formato escritural e

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Gráfico 5 - (5A) Modalidades de investimentos utilizadas pelos pesquisados; (5B) Forma como os pesquisados se atualizam sobre os investimentos

Fonte: Elaborado pelo autor

a tendência é que a circulação por meio de papel-moeda ou moeda seja reduzida cada vez mais.

Ainda que a maioria dos respondentes tenha afirmado preferir a poupança como modalidade de investimento, frente à assertiva “Quanto maior o risco, maior o lucro”, os mesmos reconhecem que há uma associação entre o risco do investi-mento e uma maior margem de lucro (Quadro 2).

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Quadro 2 - Respostas dos pesquisados frente as assertivas que bus-caram verificar os seus hábitos financeiros

Questões do Total- Concor-mente

Con-cordo Indife-rente cordo

Dis-cordo Total-mente Prefiro investimen-tos conservadores como a poupança. 4,76% 46,03% 19,05% 17,46% 11,11% Utilizo cada vez

menos dinheiro vivo (cédula ou

moeda)

46,03% 42,86% 7,94% 1,59% 1,59% Quanto maior o

ris-co, maior o lucro. 15,87% 60,32% 15,87% 4,76% 6,35% Fonte: Elaborado pelo autor

Como se pode constatar os alunos do curso de Adminis-tração de um centro universitários estão voltados para um investimento que garanta maior segurança e estabilidade em longo prazo, do que um retorno expressivo em um prazo menor. De acordo com a classificação do Manhattan Group (2017), estes alunos podem ser classificados em sua maioria como conservadores, por preferirem investimentos seguros.

Percepção dos pesquisados sobre o sistema econômico

A terceira categoria de análise buscou avaliar a percepção dos estudantes em relação ao sistema econômico, com este objetivo foram propostas seis assertivas, com cinco possibili-dades de resposta na escala de Likert, versando sobre o tema, com os resultados expostos no Quadro 3.

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Quadro 3 - Respostas dos pesquisados frente as assertivas que bus-caram verificar os seus hábitos financeiros

Questões Con-cordo Total-mente

Con-cordo Indife-rente Discor-do

Discordo Total-mente Eu aprovo o sis-tema econômico vigente 9,52% 47,62% 7,94% 30,16% 3,17% Uber, AirBnb e demais empre-sas de tecnologia proporcionaram mudanças po-sitivas em seus seguimentos. 77,77% 14,29% 7,94% 0,0% 0,0% O mercado espe-culativo (ações,

traders...) faz bem

para a economia. 34,92% 42,86 12,70% 6,35% 3,17% Os bancos desem-penham um papel imprescindível em nossa sociedade. 31,75% 52,38% 4,76% 6,35% 3,17% Os juros cobrados pelos bancos são

justos. 3,17% 14,29% 4,76% 28,57% 49,21%

Defendo uma me-nor participação do estado (impos-tos, leis,

burocra-cia) nas relações privadas.

33,33% 26,98% 19,05% 15,87% 4,76%

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Conforme apresentado no Quadro 3, a maioria dos alunos, somando 57,14%, concorda com o sistema financeiro atual, po-rém o baixo percentual da opção concordo totalmente, indica que há ressalvas. Com relação a proposição “Uber, AirBnb e demais empresas de tecnologia proporcionaram mudanças positivas em seus seguimentos” ficou evidenciado que quase todos os alunos, com 92,06%, pelo menos concordam que em-presas tecnológicas foram benéficas para setores tradicionais da sociedade. As respostas à assertiva “O mercado especulativo (ações, traders...) faz bem para a economia” mostraram que a maioria dos pesquisados (77,20%) vê positivamente o mercado de especulações. Ficou evidente que os alunos veem os bancos como algo indispensável na vida cotidiana, já que a maioria pelo menos concorda, perfazendo 84,13%, com a afirmação “Os bancos desempenham um papel imprescindível em nossa socie-dade”. Porém, frente à assertiva “Os juros cobrados pelos bancos são justos” ficou clara uma forte desaprovação das políticas de juros adotadas pelos bancos, onde 77,78% dos pesquisados pelo menos discorda. Finalizando este bloco de questões, foi apresentada a proposição “Defendo uma menor participação do estado (impostos, leis, burocracia) nas relações privadas”, onde a maioria, com 60,31% dos respondentes vê com bons olhos a redução de intervenção estatal nas relações privadas.

As respostas encontradas convergem com o exposto por Ulrich (2014), onde há uma certa descrença no sistema econô-mico em geral e, em particular, com o sistema financeiro que vem aumentando ano após ano. Conforme ensinado aos estu-dantes de administração, é nas crises que aparecem as melhores oportunidades, ou seja, este é um terreno fértil para que surgir algo novo, com potencial para tornar o sistema atual obsoleto. Visto que outros avanços tecnológicos causaram verdadeiras revoluções em setores que pareciam inatingíveis, as criptomoe-das podem ser uma novidade muito útil ao setor financeiro.

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Percepção dos pesquisados sobre as criptomoedas

No intuito de verificar a percepção dos pesquisados sobre as criptomoedas, tema central esta pesquisa, os estudantes foram questionados quanto ao seu nível de conhecimento sobre crip-tomoedas e blockchain. Ainda, foram realizadas perguntas sobre aspectos do uso das criptomoedas e expectativas dos alunos dos alunos de um centro universitário a respeito deste mercado.

O conhecimento que os pesquisados têm sobre as cripto-moedas é baixo (Gráfico 6A), sendo que apenas um respon-dente afirmou um alto conhecimento. Contudo, conforme o Gráfico 6B, quase metade dos respondentes conhece outra criptomoeda além do popular bitcoin.

Gráfico 6 - (6A) Nível de conhecimento sobre criptomoedas dos alu-nos pesquisados; (6B) Conhecimento dos alualu-nos pesquisados sobre outras criptomoedas que o bitcoin

Fonte: Elaborado pelo autor

Detalhando a questão sobre o conhecimento que os pes-quisados têm sobre as criptomoedas foi perguntado aos mes-mos sobre o blockchain, o sistema que possibilita as transações, onde o Gráfico 7A mostra que apenas 24% dos respondentes

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tem conhecimento sobre o sistema. Já o Gráfico 7B apresenta o hábito que os pesquisados têm de realizar operações com as criptomoedas, onde se evidenciou que menos de 5% dos alunos já realizou estas operações, uma consequência do baixo conhecimento declarado sobre o tema de uma forma geral. Gráfico 7 - (7A) Conhecimento, dos alunos pesquisados, sobre o blockchain; (7B) Alunos pesquisados que realizam operações com criptomoedas

Fonte: Elaborado pelo autor

Para aprofundar o conhecimento da percepção dos pesqui-sados sobre as criptomoedas foram propostas nove assertivas, na escala de Likert, abordando o tema, com os resultados expostos no Quadro 4.

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Quadro 4 - Respostas dos pesquisados frente as assertivas que bus-caram verificar sua percepção sobre as criptomoedas

Questões totalmente Concordo Indiferente DiscordoConcordo totalmenteDiscordo O bitcoin é uma moeda. 28,57% 42,86% 19,05% 7,94% 1,59% O bitcoin é um ativo (bem). 30,16% 30,16% 26,98% 7,94% 4,76% O bitcoin é um bom investimento. 4,76% 34,92% 36,51% 17,46% 6,35% Criptomoedas são utilizadas somente por aficionados em informáticas (nerds). 0% 14,29% 28,57% 20,63% 36,51% Criptomoedas são utilizadas para

come-ter fraudes/lavagem de dinheiro.

3,17% 20,63% 34,92% 19,05% 22,22% Criptomoedas são

uma bolha financeira que pode estourar a qualquer momento.

11,11 46,17% 26,98% 6,35% 7,94%

O Brasil facilita e divulga a utilização

de criptomoedas. 0% 7,94% 20,64% 38,10% 33,33% Devem ser cobrados

impostos além das taxas já cobradas na plataforma. 1,59% 9,52% 33,33% 15,87% 39,68% Acredito que a tendência é deste mercado se expandir

cada vez mais.

49,21% 28,57% 4,76% 14,29% 3,17%

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Conforme o Quadro 4, a maioria dos alunos os alunos concordam que o bitcoin cumpre os requisitos de dinheiro, já que a 71,43% pelo menos concordou com a proposição “O bitcoin é uma moeda”; e 60,32% com a proposição “O bitcoin é um ativo (bem)”. A maioria dos alunos se mostrou indiferente sobre considerar se o bitcoin é um bom investimento.

A concordância da maioria dos pesquisados às assertivas “Criptomoedas são utilizadas somente por aficionados em informáticas (nerds)” e “Criptomoedas são utilizadas para cometer fraudes/lavagem de dinheiro” demonstraram que os pesquisados associam as criptomoedas a ideia de que, de certo modo, são prejudiciais à sua popularização. Já a concordância da maioria dos respondentes a proposição “Criptomoedas são uma bolha financeira que pode estourar a qualquer momento” indicou que a percepção sobre bolha financeira ainda é muito recorrente, mesmo após mais de 10 anos após a criação.

A discordância da maioria, com 71,43% das opções, com a afirmação “O Brasil facilita e divulga a utilização de crip-tomoedas” sugeriu que os pesquisados acham que o governo deveria divulgar mais este sistema. Contudo, conforme maioria das respostas discordantes à proposição “Devem ser cobrados impostos além das taxas já cobradas na plataforma”, indicam que os pesquisados são contra a dupla tributação por meio de imposto de renda ou outro equivalente. Finalizando este bloco, concordância da maioria dos pesquisados à assertiva “Acredito que a tendência é deste mercado se expandir cada vez mais”, sugeriu que parte dos respondentes acredita que o mercado de criptomoedas irá se expandir.

Com relação a percepção dos pesquisados sobre as crip-tomoedas foi importante verificar que, devido ao nível de conhecimento dos respondentes geralmente baixo, a penetra-ção das criptomoedas em estudantes de nível superior fica comprometida. Recém completados 10 anos do surgimento

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do bitcoin, a grande dificuldade parece ser a imagem ainda muito ligada a bolha financeira, especialmente pelo ceticismo com as notícias relacionadas a altas expressivas, pois a maioria dos pesquisados não compreendem os fatores que levaram o bitcoin a altos patamares. Conforme Ulrich (2014), a respeito de mineração de criptomoedas, a lei da oferta e da demanda permite que, quanto mais pessoas confiarem no protocolo, mais o preço subirá.

CONSIdERaÇÕES fINaIS

A presente pesquisa buscou identificar a percepção de alu-nos do curso de Administração de um centro universitário de Porto Alegre têm sobre as criptomoedas, e por se tratar de um tema ainda incipiente no cenário nacional e até mesmo inter-nacional, a pesquisa se ateve a conhecer os hábitos financeiros dos discentes pesquisados; verificar percepção dos alunos sobre o sistema econômico vigente e sobre as criptomoedas. Os resultados, de uma forma geral, se mostraram positivos em relação a disseminação do uso das criptomoedas..

Com relação ao perfil dos pesquisados, se observou que os alunos do curso de administração são em sua maioria ho-mens, possuem entre 19 e 26 anos, trabalham e estão entre o sexto e o oitavo semestre.

Em relação aos hábitos financeiros, objeto do segundo ob-jetivo específico, se constatou que quase todos possuem conta bancária e a acessam prioritariamente pelo celular. Além disso, apesar de uma grande maioria (76,20%) possuir interesse em relação a possíveis investimentos, apenas pouco mais da me-tade (52,4%) investem atualmente, sendo a poupança e títulos bancários (CDB/CBI, por exemplo) os mais comuns. Outro dado que chamou a atenção é a preferência por investimentos conservadores, confirmando a falta de educação financeira que atinge os brasileiros em geral. Para uma breve comparação, o

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Brasil possui apenas 0,29% da população investindo em ações, já nos Estados Unidos da América esse número chega a 65%, de acordo com o Infomoney (2019).

Acerca da percepção dos estudantes sobre o sistema eco-nômico vigente, se verificou que é bem dividido o número de alunos que aprova e desaprova o sistema. Apesar disso, são unânimes em afirmar que empresas de tecnologias como o Uber e o AirBnB proporcionaram mudanças positivas para seus respectivos segmentos. A grande maioria acredita que o mercado especulativo é benéfico para a economia, que os bancos são imprescindíveis, apesar de discordarem de sua política de juros, e que o estado interfere demasiadamente nas relações entre entes privados.

Ao verificar o conhecimento e visão dos pesquisados sobre o mercado atual e futuro de criptomoedas, se observou que a maior parte dos respondentes classificou seu conhecimento como baixo, com apenas um aluno classificando-o como alto. Apenas 4,76% dos alunos já realizou transação com alguma criptomoeda, e 44,44% conhecem alguma outra criptomoeda, além do bitcoin, a primeira e mais famosa. Os alunos concor-dam em grande parte com as afirmações que as criptomoedas possuem as características comum as outras formas de di-nheiro, discordam de outras afirmações que estão comumente interligadas a elas como que são utilizada para a prática de fraude, porém concordam com a afirmação de que é uma bo-lha financeira que a qualquer momento pode ter problemas. Os alunos também acreditam que o Brasil peca na divulgação das criptomoedas, são contra a cobrança de impostos nas transações e acreditam, quase que unanimemente, que este é um mercado que está em franca expansão.

De maneira geral, a pesquisa foi importante para verificar o estágio atual desta tecnologia que oferece inovações, não apenas no setor financeiro, mas em diversos outros. Com base

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nos resultados deste estudo, é possível inferir que ainda há uma longa trajetória para a popularização das criptomoedas, porém há um certo descontentamento com a política econômica atual, o que abre caminho para uma nova alternativa. Apesar disso, além do baixo número de alunos que já utilizaram esta plataforma, foi surpreendente o número de pesquisados com conhecimento sobre outras criptomoedas. Por outro lado, uma surpresa negativa com o número de alunos que a associaram a bolha financeira, provavelmente devido às bruscas oscilações positivas ocorridas nos anos de 2014 a 2017. Indicadores posi-tivos são a crítica à política de divulgação e estímulo realizado pelo governo, bem como a não aceitação de dupla tributação aventada pelo mesmo e a perspectiva de que este mercado está em expansão e irá cada vez mais ser popularizado.

Para dar continuidade a pesquisa, o autor sugere uma pesquisa de cunho qualitativo com profissionais ligados à in-vestimentos. Como fator limitador na pesquisa o autor indica que foi realizado apenas com um curso de graduação, sendo necessária uma amostra maior.

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Referências

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