HENRIQUE AUGUSTO LUNKES
TREINAMENTO PERSONALIZADO PARA IDOSOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Palhoça 2012
TREINAMENTO PERSONALIZADO PARA IDOSOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Relatório de Estágio apresentado ao Curso de Educação Física da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Educação Física.
Orientador: Prof. Jucemar Benedet, Msc.
Palhoça 2012
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA... 6 1.2 OBJETIVO GERAL ... 9 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 9 1.4 JUSTIFICATIVA... 9 2 MÉTODO...11 2.1 TIPO DE PESQUISA... 11 2.2 INSTRUMENTO DE PESQUISA... 11
2.3 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS... 12
2.4 ANÁLISE DOS DADOS... 12
3 RESULTADOS...13
3.1 TREINAMENTO PERSONALIZADO... 13
3.1.1 O personal trainer... 15
3.2 A TERCEIRA IDADE... 18
3.2.1 Aspectos sociais da terceira idade no Brasil... 20
3.2.2 Sedentarismo ... 21
3.2.3 Características fisiológicas do envelhecimento ... 22
3.2.4 Atividade física na terceira idade ... 26
3.3 INTERVENÇÕES DO PERSONAL TRAINER NA TERCEIRA IDADE ... 30
4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ...33
5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES...35
Dedico este estudo ao meu amor e alma gêmea, minha esposa Daniela Teixeira Lunkes.
Gostaria de agradecer, primeiramente, a Deus e aos meus pais pela minha vida, agradecer minha esposa pelo apoio e compreensão nos momentos ausentes, ao meu orientador, professor Jucemar Benedet e a todos os demais professores que foram muito importantes pela minha formação acadêmica, profissional e pessoal.
Este estudo mostrou-se necessário devido ao grande aumento do número de idosos no Brasil e no mundo e na necessidade de preparação específica dos profissionais de Educação Física para trabalharem nesta área. Assim, o principal objetivo desta revisão foi esclarecer a relevância do treinamento personalizado para idosos. Esta pesquisa caracteriza-se por ser do tipo bibliográfico de natureza aplicada e exploratória. Para tanto utilizou-se como indexadores de busca as palavras treinamento personalizado, personal trainer, terceira idade, idoso através de bases de dados como Lilacs, Medline, Scielo e Google Acadêmico. Por meio de uma estratégia de exposição narrativa os resultados mostram que houve um aumento de 41,65% do número de idosos no Brasil nos últimos 10 anos. O treinamento personalizado nasceu da necessidade de especificadade e individualidade no treinamento de celebridades e pessoas da alta sociedade de Los Angeles e Nova York. O personal trainer é um profissional de Educação Física que necessita possuir grandes conhecimentos em Anatomia, Cinesiologia, Biomecânica, Fisiologia do Exercício e habilidades como treinamento acadêmico, experiência prática e excelente habilidade de comunicação. O passar do tempo traz para os idosos o surgimento de deficiências nos sistemas cardiorrespiratório, musculo-esquelético, endócrino, imunológico e nervoso. O surgimento de doenças coronarianas e da diabetes também está ligado ao envelhecimento, mas também é, em grande parte, causado pelo sedentarismo. As capacidades físicas, como força, flexibilidade e capacidade cardiorrespiratória são afetadas neste processo. A sarcopenia é o processo de perda do número e do tamanho das fibras musculares. O treinamento de força mostra-se ser o mais indicado para o retardamento destes efeitos e aumento da expectativa e qualidade de vida dos idosos. Por fim, conclui-se que não foi possível esclarecer na sua totalidade a relevância do treinamento personalizado para idosos, visto que poucos estudos relacionam diretamente a temática proposta. Entretanto, foi possível evidenciar outros aspectos do treinamento personalizado importantes para o profissional de Educação Física atuar de maneira objetiva e segura com a população idosa.
Palavras-chave: Treinamento Personalizado. Idosos. Atividade Física na Terceira Idade.
1 INTRODUÇÃO
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA
Hoje em dia, já é consenso que atividade física traz inúmeros benefícios à saúde. Mas o que é saúde? Segundo Nahas (2001), saúde é um estado físico, social e psicológico que se encontra num contínuo com pólos negativo e positivo.
Com um mundo cada vez mais globalizado e as pessoas cada vez mais informadas acerca dos benefícios da atividade física, o aumento da procura por um profissional de Educação Física qualificado é eminente.
Por causa desse aumento o personal trainer vem se tornando o profissional ideal para suprir essas necessidades. Sobre este aspecto, Domingues Filho (1998 p. 25) versa sobre o treinamento personalizado:
[...] atividade física desenvolvida com base em um programa particular, especial, que respeita a individualidade biológica preparada e acompanhada por um profissional de Educação Física realizada em horários preestabelecidos com finalidade estética, de reabilitação, de treinamento ou de manutenção de saúde.
Esta realidade nos mostra, segundo estatísticas, que em 2000 nos Estados Unidos haviam cerca de 400 mil personal trainers em ação. (INTERNATIONAL HEALTH, RACQUET AND SPORTSCLUBE ASSOCIATION IHRSA, 2000). Em relação a este número cada dia mais crescente de profissionais, tem-se uma idéia de que o treinamento personalizado é um método muito novo, porém, o conceito de treinamento personalizado que se tem, existe há bem mais de cem anos. (BROOKS, 2008). Deliberador (1998) versa que a atividade física personalizada é utilizada desde a Grécia Antiga onde soldados eram treinados por seus comandantes para as batalhas através de corridas e caminhadas.
Porém, o conceito de termos como profissional de condicionamento físico e treinador de condicionamento físico ainda não estavam associados como profissão como é entendida hoje. No final dos anos 70 e início dos anos 80, em Los Angeles e Nova York, surgiram grupos de treinadores que iniciaram o processo de utilização do treinamento personalizado em pessoas ricas e famosas destas cidades. (BROOKS, 2008)
Essa fase do treinamento personalizado foi muito importante, pois disseminou para o resto da população os resultados da atividade física regular. Isso aconteceu porque essas pessoas que se utilizavam dos serviços de um personal trainer possuíam muita visibilidade na mídia local e até mundial.
Tem-se este profissional como o ideal para trabalhar com idosos, pois o serviço de um personal trainer envolve, além de acompanhamento em um programa de condicionamento físico, um acompanhamento psíquico e social. Visto que pessoas idosas necessitam deste tipo de serviço, o treinamento personalizado mostra-se ser o mais indicado.
Existe muito preconceito em relação aos idosos. Tem-se a idéia de que idosos são pessoas rabugentas, depressivas, que usam mal o seu tempo, que estão propensas a doenças e que dependem das pessoas. No Japão, a velhice é sinal de status, em contraste com os Estados Unidos, onde o envelhecimento é algo indesejável. (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2008)
Com o aumento da expectativa de vida devido ao desenvolvimento da medicina e por investimentos nas políticas públicas voltadas à saúde, percebe-se que o número de idosos no Brasil e no mundo continua aumentando. No Brasil, segundo o CENSO do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2010), existem 6.076.302 homens entre 65 e 94 anos e 7.882.607 mulheres entre a mesma faixa etária, em comparação com o CENSO de 2000 onde se anotou um número de 4.350.931 homens e 5.503.476 mulheres. Houve um aumento de 41,65% na população de idosos em 10 anos. O que significa que a população brasileira está ficando cada vez mais velha e necessita cada vez mais de serviços voltados à saúde.
Neste aspecto é mostrado que está se abrindo um grande espaço para o profissional de Educação Física atuar. Porém, para o mesmo alcançar os objetivos esperados, é preciso conhecer as causas e efeitos do passar do tempo no corpo humano. O aumento o número de pessoas idosas possui diversas causas, e as principais são as altas taxas de natalidade e de imigração durante o início e os meados do século XX, e os progressos da medicina e de estilos de vida mais saudáveis. Para aumentar ainda mais essa proporção de idosos em nossa sociedade, a tendência para famílias menores reduziu o tamanho relativo das faixas etárias mais jovens. (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2008)
Mcardle, Katch e Katch (2005) afirmam que a faixa etária dos centenários é o grupo que mais cresce nos Estados Unidos. Hoje 1 em cada 10.000 norte-americanos vive cerca de 100 anos.
Matsudo (2001) explica que além do controle de doenças infecto-contagiosas, uma das principais razões para explicar o aumento da expectativa de vida na população é, pelo menos em países desenvolvidos, a diminuição da incidência de enfermidades cardiovasculares, em particular enfermidades coronarianas e acidentes vasculares cerebrais, que são as maiores causas de morbi-mortalidade no mundo.
Tendo em vista esse quadro social sobre a terceira idade, busca-se entender o funcionamento do organismo de uma pessoa idosa. O idoso possui algumas características físicas e fisiológicas que devem ser levadas em consideração no momento da prescrição de exercícios. Percebe-se no idoso a perda de força e do vigor físico, visão curta, crescimento de pelos nas orelhas e narinas, problemas na memória de curto prazo, queda de cabelo, perda de massa óssea, diminuição na audição e, a menopausa. (HAYFLICK, 1997)
O coração de um idoso apresenta depósitos de gordura que se acumulam ao redor do coração, podendo interferir no funcionamento e aumentar a pressão arterial. Esse mau funcionamento pode ser entendido como uma diminuição no ritmo dos batimentos, tornando-se mais lentos e irregulares. (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2008)
Outro fator importante a ser percebido é a altura do adulto que se encaminha para a fase inicial da velhice que diminui. Isso é causado pela atrofia dos discos intervertebrais, encurvando sua postura. Em mulheres, a fraqueza dos ossos causada pela osteoporose pode formar a chamada “corcunda de viúva” atrás do pescoço. (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2008)
A velhice também causa mudanças no corpo do ser humano que podem levar o indivíduo a possuir sérias complicações. Por exemplo, a menopausa, que pode aumentar o risco de osteoporose e aterosclerose em muitas mulheres. Já nos homens, o aumento da glândula próstata pode até causar câncer. (HAYFLICK, 1997)
Observando este quadro de importância do treinamento personalizado e da necessidade do idoso em realizar atividade física, faz-se a seguinte pergunta-problema:
Qual a relevância do treinamento personalizado para os idosos?
1.2 OBJETIVO GERAL
Investigar a relevância do treinamento personalizado para idosos.
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Elucidar a relação entre a atividade física e as necessidades fisiológicas e funcionais de pessoas idosas.
Verificar as principais funções e intervenções do personal trainer na prescrição de exercícios para idosos.
1.4 JUSTIFICATIVA
O interesse nesta pesquisa vem da necessidade de busca pelo conhecimento das características físicas e fisiológicas dos idosos. Isto se faz necessário para que o profissional que atue na área do treinamento personalizado saiba utilizar as melhores ferramentas para suprir as necessidades que o passar dos anos causa nesse tipo de população.
Tendo em vista o crescimento vertiginoso no número de idoso no Brasil, busca-se implantar um serviço de atendimento à esta população que necessita de cuidados especiais tanto no aspecto físico, quanto no social e psíquico.
Dentre algumas mudanças que o idoso apresenta, Matsudo (2001) indicam principalmente alterações na estatura, no peso e na composição corporal.
Mazo e colaboradores (2001) apontam alterações nos sistemas cardiovascular, imunológico, endócrino, reprodutores, músculo-esquelético, nervoso, respiratório e gastrointestinal, além de mudanças na função renal e no aspecto psicológico.
O idoso também apresenta mudanças na massa óssea que começa no homem a partir dos 50 anos perdendo cerca de 0,3% ao ano e a mulher inicia nos 45 a uma taxa de 1% ao ano. (MATSUDO, 2001)
A perda gradativa da massa muscular também ocorre com o avançar da idade. Esse fenômeno é conhecido por sarcopenia. (MATSUDO, 2001)
Através destas informações, percebe-se claramente a necessidade do idoso de um acompanhamento profissional com o objetivo de minimizar estes efeitos e causar uma melhoria nos parâmetros de sua saúde e qualidade de vida.
Por isso, essa pesquisa poderá servir de apoio para profissionais da Educação Física, médicos, fisioterapeutas, naturólogos e demais profissionais da área da saúde que busquem trabalhar com essa população na busca de minimizar os efeitos do passar dos anos nestas pessoas.
2 MÉTODO
2.1 TIPO DE PESQUISA
Foi realizada uma pesquisa do tipo bibliográfico de natureza aplicada e exploratória. A pesquisa bibliográfica consiste no exame de muitas fontes como livros, periódicos, artigos e outros materiais que possam trazer mais informações para o pesquisador. Qualquer espécie de pesquisa, em área, supõe e exige pesquisa bibliográfica prévia, quer a maneira de atividade exploratória, quer para o estabelecimento do status questionis, quer para justificar os objetivos e contribuições da própria pesquisa.
No caso específico, trata-se de uma revisão narrativa da literatura, que apresenta uma temática mais aberta, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção. Na revisão narrativa a busca das fontes não é especificada por completo o que pode fazer com que se torne mais restrita. A seleção dos artigos é arbitrária, onde o autor está sujeito ao viés de seleção, com grande interferência da percepção subjetiva. (ROTHER, 2007).
2.2 INSTRUMENTO DE PESQUISA
As buscas pelo material bibliográfico foram realizadas nas bases de dados MEDLINE (bireme), LILACS, SciELO e sites confiáveis de associações e/ou sociedades médicas. Foram utilizadas combinadas as palavras chaves: treinamento personalizado, personal trainer, terceira idade, idoso. Buscou-se materiais que tivessem sido publicados a partir do ano 2000, porém, adicionou-se estudos anteriores e considerados pertinentes ao alcance dos objetivos da pesquisa. Além destas fontes foram pesquisados bancos de dissertações, teses e textos de apoio publicados em revistas não indexadas, com a finalidade de incorporar estudos pertinentes relacionados à atuação do personal trainer junto à pessoas na terceira idade. Assim, foram inclusos também artigos não indexados nas bases de dados supracitadas que apresentaram notável contribuição para a temática proposta.
Posteriormente foram selecionados somente os artigos que apresentaram relevância para com os objetivos propostos para este estudo.
2.3 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS
O material bibliográfico foi reunido e analisado pelos pesquisadores. Após esta analise foram incorporados no estudo artigos de revisão, estudos experimentais, epidemiológicos com delineamento transversal e longitudinal, ensaios, pontos de vistas, editoriais e textos de apoio. Em relação aos objetivos dos estudos, foram inclusos os que tenham avaliado parâmetros relacionados às necessidades físicas e fisiológicas dos idosos, à atividade do personal trainer, intervenção do personal trainer na manutenção ou construção de uma melhor saúde para pessoas na terceira idade.
Em contraponto, foram excluídos estudos e/ou informações cujos objetivos não estiverem diretamente relacionadas aos objetivos desta revisão e demais estudos que não contemplaram os critérios acima descritos
2.4 ANÁLISE DOS DADOS
Os artigos e informações obtidos por meio da busca bibliográfica que contemplaram os critérios propostos foram inclusos no estudo de revisão. Os textos foram agrupados para análise considerando os subtemas elencados para este estudo: necessidades físicas e fisiológicas dos idosos, a atividade do personal trainer, intervenção do personal trainer na manutenção ou construção de uma melhor saúde para pessoas na terceira idade.
A partir da organização e sistematização das informações foi desenvolvido o estudo de revisão com o intuito de atender os objetivos propostos.
3 RESULTADOS
Encontrou-se 62 estudos entre livros, teses, dissetações e artigos que apresentavam material relevante e pertinente ao assunto abordado nesta pesquisa. Estes estudos apresentavam relação com as palavras-chave: treinamento personalizado, personal trainer, terceira idade e atividade física na terceira idade.
Os materiais buscados forneceram informações importantes para evidenciar que o Brasil está tornando-se mais velho apresentando 13.958.909 de pessoas entre 65 e 94 anos. A seguir, os resultados são apresentados de acordo com os temas propostos visando esclarecer a relação entre o personal trainer e o idoso.
3.1 TREINAMENTO PERSONALIZADO
O treinamento com vistas ao condicionamento físico, certamente começou há muito tempo. Desenhos em tumbas, por exemplo, indicam que o levantamento de peso pode ter sido praticado no ano de 2500 a.C. No século VI a.C, o treinamento de força predominava na Grécia. (BROOKS, 2008)
Durante o início do século XIX, e o advento da indústria, houve uma necessidade, por parte das grandes companhias, de manter o corpo do colaborador, uma máquina, tornando-o dócil e útil para o trabalho. O Movimento Ginástico Europeu, representado pelas escolas de ginástica alemã, sueca e francesa além dessa dominação, buscava a regeneração da raça, a promoção da saúde, o desenvolvimento da moral e da vontade, da coragem, da força e da energia de viver e servir à sua Pátria. A partir desses conceitos desta época, desenvolveu-se também a atividade do personal trainer nestas sociedades como maneira de alcançar esses objetivos através da atividade física. (BOSSLE, 2009)
Segundo Brooks (2008) durante a década de 1920 e a Grande Depressão, Jack Lalanne começou a desenvolver programas e equipamentos de condicionamento físico que serviram de base para o moderno movimento de condicionamento. Neste contexto, de 1910 a 1940 o treinamento de força tornou-se mais popular entre os fisiculturistas.
De acordo com Brooks (2008) no final dos anos 70 e começo dos anos 80, o treinamento de força se popularizou, juntamente com o advento do treinamento personalizado, por meio dos treinadores de Nova York e Los Angeles que começaram a criar, e os consumidores a aceitar, a base do que hoje é, o treinamento personalizado.
Brooks (2008) elucida que os anos 1980 apresentaram um consumidor mais cauteloso, talvez devido a lesões, desilusões e poucos resultados exigiam que os treinadores fossem adequadamente qualificados.
Rodrigues (1996 apud Bossle, 2008) nos mostra que com ares de “modismo”, esta perspectiva de atividade foi introduzida no Brasil no início dos anos 90.
A grande expansão e o desenvolvimento do treinamento personalizado atualmente são surpreendentes, ele está crescendo cerca de 25% ao ano. (BROOKS, 2008)
Conforme Lubisco (2005) o mercado brasileiro do fitness tem crescido muito nos últimos anos estimulado pelo crescimento do próprio segmento de saúde e pelo fato das pessoas cada vez mais desejarem ter ao seu alcance um profissional capaz de desenvolver um treinamento personalizado.
Segundo Garay et al. (2008) hoje este serviço é extensivo a pessoas da classe-média, estudantes, profissionais liberais, aposentados, ou seja, grupos variados buscando melhoria de vida com qualidade.
Como o condicionamento físico deve ser uma parte permanente do dia a dia, a maioria das pessoas está insistindo em programas que sejam moderados, seguro e agradáveis. Os profissionais de condicionamento físico acreditam no avanço progressivo, não como seus clientes pensam, que precisam se submeter a treinamentos desgastantes todos os dias. Em vez disso incentivam seus alunos a caminharem em um parque, pedalarem pelas ruas do bairro ou caminharem a beira da praia em um ritmo agradável. Essa nova sensibilidade pode fazer com que os treinadores adaptem os exercícios ao temperamento e ao nível de condicionamento de seus alunos. Além disso, como as pessoas gostam e aproveitam os exercícios de baixa intensidade, é mais provável que continuem a se exercitar pelo resto da vida. (BROOKS, 2008)
Por esse motivo, manter a regularidade e prensença dos alunos nas sessões de treinamento é importante, pois, os programas de exercícios consistentes e sensatos queimam calorias, diminuem o risco de doença coronária, melhoram a saúde e fazem com que os praticantes sintam-se melhor. (BROOKS,2008)
Para tanto, professores de Educação Física candidatos a serem personal trainers precisam de conhecimentos amplos a fim de desenvolverem competências além da prescrição de exercícios. Nascimento (1999) desenvolve a visão de conhecimento profissional que se divide em conhecimento disciplinar (das matérias), conhecimento pedagógico (da gestão do processo de ensino) e conhecimento de contexto (do ambiente envolvido).
Ficam evidentes estas, pois de acordo com Aragão et al. (2002), para alguns indivíduos praticarem uma atividade física com o atendimento exclusivo representa também uma oportunidade de inter-relacionamento social.
3.1.1 O personal trainer
O personal trainer é um profissional que presta um serviço diferenciado dos demais profissionais pois, utiliza de métodos individualizados e mais específicos para cada cliente. (MONTEIRO, 2000)
Domingues Filho (2006) conceitua personal trainer como o profissional de Educação Física que atua como professor particular de atividade física.
Para Monteiro (2000) este profissional é, antes de tudo, um educador. Um modificador de comportamentos. É um profissional que assume a responsabilidade de conduzir o seu cliente da educação para a saúde.
Monteiro (2000) elucida que elaborar um programa de treinamento individualizado, acompanhar o andamento dos treinamentos, monitorar sessões, avaliar e reestruturar o plano são as principais atribuições do Personal Trainer.
Para que o profissional possa desempenhar bem essas funções, é necessário possuir atribuições que excedem o conhecimento científico e acadêmico, como por exemplo, a capacidade de motivar o cliente, o convencimento de uma adoção de estilo de vida saudável, correção da execução de atividades motoras e características psicológicas e sociais que fidelizarão o cliente. (MONTEIRO, 2000, p. 89)
Monteiro (2000) também nos mostra que deve-se dar importância não apenas a manutenção do equilíbrio físico, psíquico, mental, emocional e social, que são características básicas do amplo conceito de saúde.
A atuação do Personal Trainer envolve diferentes atividades; inicia pelos processos de avaliação física, passa pela prescrição do treinamento, pelo acompanhamento pessoal das atividades e finaliza pela análise dos resultados. Este trabalho pode ocorrer em diferentes locais, tais como academias, clubes, parques, residências, entre outros. A musculação, no entanto, parece ser uma atividade culturalmente imprescindível na concepção das pessoas que procuram este profissional, porque elas desejam alcançar objetivos estéticos mais concretos através do exercício físico.” (SCHERER et al., 2008, p. 4)
Para O´brien (1999), ser um personal trainer requer habilidade tátil, inteligência, treinamento acadêmico, experiência prática, julgamento correto e excelentes habilidades de comunicação. Além disso, requer compromisso e entedimento da importância do seu trabalho.
Guedes e Guedes (1998) ensinam que o profissional que deseja trabalhar com o treinamento personalizado deve possuir grandes conhecimentos em anatomia, fisiologia do exercício, biomecânica, bioquímica, nutrição, entre outras.
De acordo com os mesmos autors, nenhum cliente gosta de ser mal atendido. Todo aluno gosta de ser bem recebido, com cordialidade, atenção e sinceridade. Além disso, o profissional deve ser pontual, sorridente, colega, amigo e confidente.
Aguiar et al. (2008) em seu estudo, concluiram através de questionários aplicados a personal trainers e seus clientes idosos que, a maioria dos profissionais que atuam com essa população em Florianópolis, são do sexo masculino, possuem em média 31 anos de idade e que a maioria deles possuem uma especialização em alguma área de Educação Física.
Também se relatou neste estudo que os profissionais trabalham em média há 5,5 anos como personal e há 2,8 anos com idosos. A principal estratégia de divulgação destes profissionais é o “boca a boca”. 50 % dos profissionais alegaram possuir uma fonte extra de renda e que cobram em média R$50,00 por hora/aula, valor considerado justo pelos clientes. (AGUIAR et al., 2008)
Segundo Aguiar et al. (2008), em estudo exploratório os clientes relataram que fazem duas aulas por semana com uma duração de 60 minutos cada. A maioria deles afirmou que estão tendo aulas com o atual personal há no mínimo 24 meses.
Salcedo (2010) estudou os motivos que levam os indivíduos a buscarem os serviços de um personal trainer e concluiu que o aspecto saúde é o que mais leva o aluno à pratica regular do treinamento personalizado; seguida pelo prazer, estética, controle do stress, sociabilidade e competitividade.
Melher (2000) afirma que uma das causas que levaria o aluno a contratar um personal trainer seria a segurança quanto à prescrição de exercícios. Porém, de uma maneira geral, os indivíduos procuram um profissional quando estão interessados em atividade física com objetividade e eficiência, que atenda às expectativas do cliente e sua individualidade biológica, seja do ponto de vista da saúde, da performance desportiva ou estética, pois, benefícios nestes aspectos, são, de certa forma, desejo de seus clientes de treinamento personalizado.
Com relação à estética, segundo alguns autores, é notória a importância dada a este aspecto pela sociedade moderna, resultado de uma regulação ideológica que os meios de comunicação de massa imprimem ao homem (NOVAES et al., 2001).
O dia-dia dos indivíduos que buscam melhoria e autonomia física, principalmente entre os indivíduos idosos, requer o mínimo de aptidão física para exercerem suas tarefas diárias tanto no lazer, como no trabalho. Mediante estas exigências encontradas no cotidiano, o personal trainer deve não só estruturar um programa de atividades físicas, mas “também educar seu cliente no sentido de internalizar importantes conhecimentos para a estabilização de postura ativa e autônoma”. (GARAY et al., 2008)
Garay et al. (2008) afirmam que o uso dos termos “cliente” e “aluno” podem vir causar alguma polêmica, pois os dois são utilizados por autores e profissionais. Para esclarecer o termo que se deve utilizar, faz-se necessário uma melhor definição destes conceitos.
Segundo Ferreira (1999), “aluno” é uma palavra originária do latim e significa a pessoa que recebe instrução e/ou educação de algum mestre, ou mestres, em estabelecimento de ensino ou particularmente. Já o termo “cliente” é designado para caracterizar aquele que consome o produto ou serviço de uma
determinada empresa ou profissional, de forma habitual. Portanto, neste contexto, o termo “cliente” é o mais adequado.
Para Brooks (2000) o atendimento personalizado deve constar de um programa versátil e eficaz que requer uma combinação de atividades que satisfaçam especificamente as necessidades de saúde e mudanças de níveis de aptidão física do cliente.
3.2 A TERCEIRA IDADE
Segundo Chaimowicz (1998), no Brasil, no período de 1980 a 2020, o número de idosos aumentará 280%, ou seja, passará de 7,5 milhões de pessoas para 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos e isso levará o Brasil a ser o sexto país no mundo com mais idosos.
De acordo com Kopiler (1997), são considerados idosos os indivíduos acima de 65 anos de idade. Porém, segundo publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1984, essa idade foi diminuída em alguns anos em certos países do Leste Europeu e determinados países em desenvolvimento. Isso é justificado pela quantidade de pessoas que conseguem atingir faixas etárias mais elevadas nessas regiões e pelas próprias características anatômicas e fisiológicas destes grupos ligadas intimamente aos fatores sociais, econômicos e culturais.
Casagrande (2006) ensina que o envelhecimento humano é um processo natural, irreversível, atinge todo o ser humano e provoca uma perda estrutural e funcional progressiva no organismo. No processo de envelhecimento, a manutenção do corpo em atividade é fundamental para conservar as funções vitais em bom funcionamento. A estimulação corporal favorece o melhor desempenho das atividades rotineiras.
Kopiler (1997) classifica os idosos em três grupos a partir da sua idade, sendo o grupo do “idoso jovem” (65 a 75 anos), “idoso médio” (75 a 85 anos ) e o “idoso velho” (mais que 85 anos).
Observa-se no Brasil e no mundo, um aumento no número de casos de doenças coronarianas e diabetes decorrentes do comportamento inadequado no que se refere à alimentação e ao sedentarismo. Esses números aumentam ainda mais
quando se fala em pessoas com mais de 65 anos de idade pois a incidência destas patologias tem alta correlação com a idade.
Nahas (2001, p.6) nos mostra um quadro com parâmetros individuais e sócio-ambientais que podem influenciar a qualidade de vida de indivíduos ou grupos populacionais, incluindo o grupo de pessoas idosas:
Qualidade de Vida
Parâmetros Sócio-Ambientais Parâmetros Individuais - Moradia, transporte, segurança; - Hereditariedade;
- Assistência médica; - Estilo de vida;
- Condições de trabalho; - Hábitos alimentares;
- Educação; - Controle do Stress;
- Opções de lazer; - Atividade física habitual;
- Meio-ambiente - Relacionamentos;
- Comportamento preventivo. Fonte: Adaptado de Nahas, 2001.
Observando este quadro, percebe-se que muitos dos fatores que influenciam na qualidade de vida, podem receber uma intervenção e gerar mudanças na vida do indivíduo que certamente aumentará a sua percepção de qualidade de vida.
O principal parâmetro que pode-se alterar é o estilo de vida. Adotar um estilo de vida saudável através de controle do stress, alimentação adequada, nível de atividade física recomendável e outros comportamentos, podem alterar, e muito, este panorama.
Isto tanto é verdade que o Instituto Americano de Pesquisa do Câncer (1999 apud Nahas, 2001) estabeleceu que poucas coisas na vida são mais importantes do que a saúde e poucas coisas são tão essenciais para a saúde e o bem-estar como a atividade física.
3.2.1 Aspectos sociais da terceira idade no Brasil
Os benefícios da atividade física não se restrigem ao campo fisico-funcional e mental dos indivíduos, mas repercutem também na dimensão social, melhorando o desempenho funcional, mantendo e promovendo a independência e a autonomia daqueles que envelhecem. Especialmente entre idosos, é constatado que a pratica de atividade física diminui o risco de institucionalização e o uso de serviços de saúde e de medicamentos. (ZAITUNE et al., 2007)
Por esse motivo, mostra-se necessário o levantamento de um perfil social dos idosos no Brasil.
Anderson et al. (1998) buscaram apresentar um perfil de saúde de um grupo de idosos do município de Rio de Janeiro. Observou que o grupo possuia 93 indivíduos sendo, 89,2% mulheres, 75,3% de cor branca. A grande maioria dos idosos (68%) não apresentaram laços conjugais, ou seja, eram viúvos, solteiros ou divorciados. Já 82,8% dos indivíduos possuíam filhos e 64,1% afirmaram ser muito apoiados pelos filhos. Porém, 10,9% afirmam ser nada apoaidos, o que demonstra uma necessidade social deste grupo.
Neste mesmo estudo, quanto ao perfil habitacional, encontrou-se que um dos principais aspectos para a condição de bem-estar na vida dos idosos é a habitação e concluiu-se que 62,4% dos idosos possuiam casa própria e que 35,5% morava sozinhos. Quanto à escolaridade, no estudo de Anderson (1998), concluiu-se que apenas 2,2% dos idosos não possuiam instrução alguma, 23% chegaram ao ensino médio, 11% ao ensino superior e 46,2% cursaram até a 4ª série do ensino fundamental.
Em seu estudo, Parahyba et al. (2005) constataram que o perfil educacional das mulheres idosas no Brasil é muito baixo, sendo que 41,9% delas são analfabetas e apenas 13,8% alcançaram oito ou mais anos de escolaridade. A mediana da renda per capita mensal é cerca de R$166,00 e o mais alto quartil do estudo apresentou uma renda per capita de R$770,00.
Parahyba et al. (2005) também elucidam que as mulheres idosas vivem com suas famílias, com crianças (48,8%) ou com o conjugê (23,9%) e 14,8% vivem sozinhas.
Zaitune et al. (2007) nos mostram que tem sido verificado que vários fatores estão sendo associados ao sedentarismo e baixos níveis de saúde, como por exemplo: nível sócio-econômico, gênero e contextos ambientais e sociais como o acesso a espaços físicos e atrativos, menor tráfego de carros, etc.
3.2.2 Sedentarismo
Com a Revolução Industrial e o desenvolvimento de novas tecnologias, veio o aumento do número de máquinas que trabalham para o homem, fazendo assim, com que o ser humano gaste cada vez menos energia para desempenhar suas atividades diárias.
Este nível de gasto calórico vem afetando cada vez mais pessoas no mundo e criando um grande problema na sociedade contemporânea, o sedentarismo.
No Brasil, as mudanças sócio-econômicas e epidemiológicas ao longo do tempo permitiram que ocorresse a denominada transição dos padrões nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento da obesidade, o que torna-se um problema de saúde pública. (PEREIRA et al., 2003)
É considerado sedentário o indivíduo que possui no máximo, um gasto calórico de 500kcal por semana com atividades que envolvam o trabalho, o lazer, atividades domésticas e locomoção. (Nahas, 2001)
Zaitune et al. (2007) afirmam que o sedentarismo, combinado a outros fatores de risco, contribui para a ocorrência de um conjunto de doenças crônicas como: diabetes, osteoporose, câncer de cólon, de pulmão e de próstata e, sobretudo, doenças cardiovasculares.
A Organização Mundial de Saúde (apud Pereira et al., 2003) informa que 54% dos adultos nos Estados Unidos estão com sobrepeso (IMC maior ou igual a 25kg/m²) e 22% estão obesos (IMC maior ou igual à 30kg/m²).
Toscano e Egypto (2001) afirmam, segundo informações da Organização Mundial da Saúde, que metade da população mundial seja fisicamente inativa e no Brasil cerca de 60% da população não pratica nenhuma atividade física.
O balanço energético positivo, que ocorre quando o valor calórico ingerido é superior ao gasto calórico, é um dos mais importantes fatores para o
desenvolvimento da obesidade, promovendo aumento nos estoques de energia e peso corporal. (PEREIRA et al., 2003)
Os mesmos autores ainda elucidam que já foi comprovado que a energia gasta para realizar atividades diárias vem diminuindo ano após ano com o avanço da tecnologia, como por exemplo, observou-se que enquanto se gasta 1500kcal/dia lavando roupa com a mão, como acontecia há alguns anos atrás, gasta-se 270kcal/2h lavando a mesma quantidade de roupa na máquina de lavar.
Outra informação importante esclarecida pelos autores é sobre os principais componentes do gasto energético diário que são: a taxa metabólica basal que envolve aproximadamente 60,75% do nosso gasto calórico, o efeito térmico dos alimentos, aproximadamente 7,13% e a atividade física que envolve aproximadamente 15,30%.
A taxa metabólica basal é a quantidade de energia necessária para a manutenção das funções vitais do organismo, sendo medida em condições padrão de jejum, repouso físico e mental, em ambiente tranquilo com controle de temperatura, iluminação e sem ruído. (WAHRLICH e ANJOS, 2001)
Antunes et al. (2005) afirmam que tem havido uma crescente preocupação com o estudo da taxa metabólica basal devido à sua relação com os riscos de ganho de massa gorda, especialmente em idosos, uma vez que uma baixa taxa metabólica pode contribuir para a prevalência de altas taxas de sobrepeso e obesidade neste grupo etário.
Rodrigues et al. (2008) ensinam que a taxa metabólica basal está relacionada principalmente com a massa magra do indivíduo, com a massa gorda, idade, sexo e com os fatores genéticos.
3.2.3 Características fisiológicas do envelhecimento
O envelhecimento humano é definido como um processo gradual, universal e irreversível, que acelera na maturidade e que provoca uma perda funcional e progressiva no organismo. (NAHAS, 2001)
O envelhecimento é um fenômeno fisiológico, pois ocorre com todo ser humano, e se caracteriza por ser um processo progressivo. Em outras palavras, o envelhecimento não é patológico, pois acontece a todo ser humano. (RAMOS, 1999)
Para Zimerman (2000), o desgaste do organismo com o passar dos anos é inevitável: apesar da velhice não ser uma doença, é uma fase na qual o ser humano fica mais suscetível a elas.
Atualmente percebe-se que pouquíssimas pessoas morrem de doenças infecciosas comuns na infância, razão pelas quais aquelas com o potencial genético acabarão concretizando sua propensão para a longevidade. (Mcardle, Katch e Katch, 2005).
Segundo Meireles (1999) o processo de envelhecimento começa desde a concepção. Então a velhice, é um processo dinâmico e progressivo em que há modificações tantos morfológicas como funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam a progressiva perda da capacidade de adaptação ao meio ambiente, ocasionam uma maior incidência de processos patológicos.
No processo de envelhecimento ocorrem alterações nos diversos sistemas que variam de indivíduo para indivíduo, podendo depender de fatores como hábito de vida e herança genética. (RAMOS, 1999)
Marcelino (2003) afirma que o envelhecimento está relacionado fundamentalmente com alterações das proteínas que compõem o organismo. No sistema circulatório, o autor afirma que no pericárdio e no endocárdio há aumento do colágeno. No miocárdio há degeneração de fibras musculares com atrofia e hipertrodia nas remanescentes. Essas alterações segundo De Vitta (2001) provocam a diminuição da capacidade do coração de aumentar o número e a força dos batimentos cardíacos quando submetidos à esforço, diminuição da frequência cardíaca em repouso e aumento do colesterol e da resistência vascular e consequênte aumento da pressão arterial.
São várias as teorias do envelhecimento, Gallahue e Ozmun (2005, p. 501) afirmam que o envelhecimento deriva de um limite que nossas células tem de se aumentar de número para realizar o crescimento, a maturação e a manutenção das funções de um órgão ou tecido particular. Dependendo da função ou órgão do tecido afetado, podem aparecer deficiências no desempenho motor e cognitivo.
Uma segunda teoria do envelhecimento, segundo Gallahue e Ozmun (2005, p. 502), é a de que o nosso sistema imunológico com o passar do tempo, gradualmente diminui de eficiência e isto aumenta a vulnerabilidade dos adultos mais velhos a doenças e prolonga seus períodos de recuperação. Além disso, o
sistema imunológico pode começar a considerar células saudáveis em células que devam ser destruídas.
Dentre as alterações que ocorrem no corpo humano com o passar do tempo, Gallahue e Ozmun (2005, p. 503) elenca alterações no sistema músculo-esquelético. Muitos indivíduos apresentam diminuição na estatura devido ao desgaste dos discos intervertebrais e ao desalinhamento da coluna vertebral. Esta redução dos discos causará uma diminuição na absorção de impactos e muita dor. Os problemas posturais provavelmente são derivados de um enfraquecimento muscular nos músculos que apóiam a coluna e o tórax.
Uma das características mais marcantes no processo de envelhecimento é a diminuição da força muscular. Com a idade, os músculos sofrem redução na quantidade e no tamanho das fibras existentes. (MEIRELLES, 1999)
Com a idade, a estrutura e a função dos músculos esqueléticos alteram-se. Estruturalmente, a massa muscular diminui à medida que o número e o tamanho das fibras musculares declinam durante o final da meia-idade e dos anos posteriores da idade adulta. (GALLAHUE e OZMUN, 2005, p. 503)
A osteoporose, uma redução na “densidade mineral óssea” grave o suficiente para aumentar a vulnerabilidade à fratura dos ossos. Ossos saudáveis possuem um processo de produção mineral óssea e de absorção que mantém o equilíbrio no metabolismo de cálcio regulado pelo sistema endócrino. Um desequilíbrio normalmente leva à uma perda na densidade óssea na terceira idade, a osteoporose acelera esse processo. Essa diminuição na densidade pode causar fraturas podendo ocorrer também dentro do osso, sendo causado por compressão (GALLAHUE e OZMUN, 2005, p. 503)
Estudos têm demonstrado que a capacidade aeróbica diminui de 8 a 10% por década, porém, em indivíduos moderadamente ativos essa taxa é de 4 a 5%, e em treinados o índice chega a 2%. A prática regular de exercício físico aeróbico pelo idoso pode lhe proporcionar níveis de aptidão física semelhantes aos de pessoas não treinadas e muito mais jovens do que ele. Os exercícios aeróbicos também contribuem para a prevenção e tratamento de doenças crônicas que podem surgir com o envelhecimento, sendo o diabetes uma dessas doenças. (MEIRELLES,1999). Dentre todas estas alterações fisiológicas, algumas doenças se tornam mais
propensas a se desenvolver na terceira idade. Uma delas é o diabetes. O diabetes pode ser classificado, segundo Ramos (1999, p. 18) em dois tipos:
- Tipo 1, ou insulino-dependente (infanto-juvenil); - Tipo 2, ou não-insulino-dependente (adulto).
McArdle, Katch e Katch (2005) afirmam que a função endocrina, particularmente na hipófise, pâncreas, suprarrenal e tireóide modifica-se com a idade. Cerca de 40% dos indivíduos com 65 a 75 anos de idade e 50% daqueles com mais de 80 anos exibem uma tolerância à glicose deteriorada que resulta em diabetes tipo 2.
Ramos (1999, p. 19) ensina que o diabetes tipo 2 tem como característica a dificuldade de transporte da glicose para dentro da célula pela insulina causada pela resistência dos receptores celulares de insulina.
McArdle, Katch e Katch (2005) elucidam que o metabolismo deteriorado da glicose que evolui para altos níveis sanguíneos de glicose no diabetes tipo 2 resulta em um menor efeito da insulina sobre os tecidos periféricos e uma produção insuficiente de insulina pelo pâncreas para controlar o açúcar no sangue. Essa dificuldade de produção e eficiência da insulina, prejudica a atividade física no idoso pois afeta o transporte da glicose para dentro da célula muscular.
Em relação à flexibilidade, ligamentos e cápsulas articulares diminuem com a idade devido à falta de colágeno, determinando que durante a vida ativa, adultos percam de 8 a 10 cm de flexibilidade na região lombar e no quadril. (REBELATTO et al., 2006)
Quanto aos aspectos psicológicos e cognitivos, Leão Junior (2003) afirma que o idoso apresenta dificuldades de armazenamento de informações de curta duração em sua memória.
Todas essas alterações podem ter grande impacto na qualidade de vida dos idosos, representando incapacidade e instalação de morbidades. (CASTRO, 2007)
As intervenções que mais afetam a qualidade do envelhecimento estão centradas na eliminação do fumo, no aumento da atividade física habitual e na melhoria dos padrões nutricionais. (NAHAS, 2001)
3.2.4 Atividade física na terceira idade
Powers e Howley (2005) compreendem atividade física como qualquer forma de atividade muscular, resultando num gasto de energia proporcional ao trabalho e está relacionado à aptidão física.
Segundo Vuori (1995 apud SUZUKI, 1995), a atividade física regular é um fator determinante para a manutenção e o aumento da aptidão física relacionada à saúde e para o aumento da capacidade funcional, mesmo após doenças funcionais ou degenerativas, já que a força e a atividade muscular são fundamentais para o funcionamento do sistema musculo-esquelético.
A diminuição da capacidade funcional decorrente, em grande parte, do desuso ou hipocinesia, pode ser compensada pela pratica regular de exercícios ou pela adoção de um estilo de vida mais ativo. Estudos confirmam que a manutenção de atividades físicas e mentais – retardam os efeitos deletérios do envelhecimento, preservando a autonomia do idoso. (NAHAS, 2001)
De acordo com Pires et al. (2002), com o declínio gradual das aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por atividades e formas de ocupação pouco ativas. Os efeitos associados à inatividade e a má adaptabilidade são muito sérios. Podem acarretar uma séria redução no desempenho, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação, gerando processos de auto-desvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão.
A prática de exercícios físicos é essencial em todas as fases de nossa vida e será ainda mais importante na terceira idade onde há uma perda de aptidão física e conseqüentemente de saúde. A atividade física agirá positivamente a nível cardiorrespiratório e também nos sistemas e órgãos. Uma boa manutenção da massa muscular e óssea na terceira idade será imprescindível para uma autonomia de vida e para que o idoso continue produzindo e realizando suas tarefas diárias. (ETCHEPARE et al. , 2003)
Tendo em vista essa necessidade e importância da atividade física, principalmente para o idoso, Guedes e Guedes (1995) consideram que os exercícios físicos corretamente prescritos e orientados desempenham importante papel na
prevenção, conservação e recuperação da capacidade funcional dos indivíduos, repercutindo positivamente em sua saúde.
Nahas (2001) elucida que os benefícios da atividade física a partir da meia idade podem ser analisados na perspectiva individual ou da sociedade como um todo. Individualmente, os benefícios incluem aspectos fisiológicos, psicológicos e sociais.
Segundo Etchepare et al. (2003) observa-se na terceira idade, a presença de um ciclo vicioso, onde o envelhecimento acarreta uma redução na atividade física que gerará um envelhecimento menos saudável. Essa inatividade causa as seguintes alterações funcionais:
- Aptidão física reduzida; - Perda dos reflexos posturais; - Metabolismo lipídico alterado; - Balanço nitrogenado negativo; - Perda de massa óssea;
- Extração de cálcio (osteopenia).
Para Nahas (2001) os benefícios referidos como imediatos são alterações que acontecem durante e logo após a realização das atividades. Já as diversas modificações estruturais e funcionais que acontecem em função da prática regular de atividades físicas são consideradas como benefícios a médio prazo (adaptações), observáveis em algumas semanas ou meses. As de maior importância para as pessoas acima de 60 anos são os benefícios fisiológicos:
Benefícios imediatos - controle de glicose, estímulo para ativação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) e melhor qualidade do sono;
Benefícios a médio prazo - maior eficiência e capacidade aeróbica; manutenção ou menor perda na massa muscular e níveis gerais de força e resistência, melhoria ou manutenção de níveis adequados de flexibilidade. Estes são fatores muito importantes para a segurança e prevenção de acidentes, principalmente quedas, entre pessoas com idade avançada. (NAHAS, 2001)
A sarcopenia e a perda de força são alterações que o envelhecimento traz que refletem perfeitamente a deterioração neuromotora progressiva e a redução crônica da sobrecarga muscular regular. (McArdle, Katch e Katch, 2005)
Para Silva et al. (2006), a sarcopenia é uma das variáveis utilizadas para a definição da síndrome da fragilidade, que é altamente prevalente em idosos, conferindo maior risco para quedas, fraturas, incapacidade, dependência, hospitalização recorrente e mortalidade. Os mesmos autores ainda afirma que alguns autores tendem a definir sarcopenia como doença somente se estiver associada a alguma limitação funcional.
Larsson et al. (1978 apud VOLTARELLI et al., 2007) ensina que a sarcopenia é uma diminuição no tamanho e no número das fibras musculares, com perda preferencial nas fibras tipo II (glicolíticas).
Unicovsky (2004) conceitua sarcopenia como uma diminuição lenta e progressiva da massa muscular, sendo o tecido nobre paulatinamente substituído por colágeno e gordura.
Baumgartem (1998 apud SILVA et al., 2006) definiu a sarcopenia como a redução de massa muscular esquelética dois desvios-padrão abaixo da média de controles jovens e saudáveis pareados com a mesma etnia.
Hoje em dia, o meio mais utilizado para o diagnóstico da sarcopenia é a densitometria óssea de corpo total, onde se pode avaliar a composição corporal e visualizar os percentuais de massa óssea, massa adiposa e massa magra. (SILVA et al., 2006)
McArdle, Katch e Katch (2005) nos trazem informações importantes acerca da perda de massa muscular e de força. Dentre elas, a perda acelerada de força coincide com a perda de peso e o aumento das doenças crônicas, tais como acidente vascular cerebral, diabetes e artrite. Os declínios na força excêntrica começam numa idade mais avançada e progridem mais lentamente do que na perda de força concêntrica.
O treinamento com resistência moderada proporciona um aumento na síntese e retenção de proteínas e torna mais lenta essa perda natural e, de certa forma, inevitável de massa e força muscular que ocorrem no envelhecimento. (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2005).
O trabalho de força parece ser muito indicado para diminuir os efeitos da sarcopenia. Silva et al. (2006) citam o estudo de Fiatarone et al. (1994) onde aplicou-se em indivíduos com média de idade de 87 anos, um treinamento de resistência associado à suplementação alimentar, por dez semanas, e observou-se
um aumento de 125% da força muscular e melhora objetiva da marcha, velocidade e atividade espontânea, além de potenciais benefícios a longo prazo que são o menor risco de queda, aumento da mobilidade e independência.
Em estudo feito por McArdle, Katch e Katch (2005) sobre os efeitos da idade sobre o declínio da capacidade aeróbica, percebeu-se uma diminuição de 0,4 e 0,5ml/kg a cada ano em homens e mulheres adultas. Os autores também afirmam que o ritmo de declínio do VO2 máximo com a idade avançada é quase duas vezes mais rápido em homens e mulheres sedentárias que nos indivíduos que mantém programas de treinamento relativamente intensos durante a vida inteira.
Na elaboração de um programa de exercícios físicos é importante ter o conhecimento específico sobre a faixa etária em que o indivíduo está inserido e sobre as modificações que ocorrem neste período, além de considerar também as peculiaridades individuais. Neste sentido, diversos autores têm procurado apontar alterações decorrentes do processo de envelhecimento, bem como as implicações dessas alterações na elaboração e supervisão desses programas. (TAKAHASHI e TUMELERO, 2004)
Parahyba et al. (2005) nos mostram em seu estudo onde buscou-se evidenciar o padrão social e de capacidade funcional de mulheres idosas das 5 regiões do Brasil, que no Nordeste e no Centro-Oeste possuem mais senhoras com incapacidade leve e mais senhoras com incapacidade severa, tendo poucos indivíduos com incapacidade moderada. Já quanto à cor, constatou-se que menos negras possuem grandes dificuldades de realizar atividades da vida diária. Quando se estudou a área de moradia dos indivíduos, elucidou-se que quem vive no campo também possui menos incapacidade funcional.
As principais dificuldades apresentadas pelas idosas no estudo de Parahyba et al. (2005) foram subir escadas e caminhar mais que um quilômetro. Porém, poucas relataram possuir dificuldades em realizar estas atividades.
Santana e Lima (2004) afirma que a capacidade física surge como um novo conceito de saúde, adequado para instrumentalizar e operacionalizar uma moderna e inovadora política de atenção à saúde do idoso.
É mais do que claro que a realização de atividades que envolvam o desenvolvimento de capacidades físicas como a força, a resistência e a flexibilidade
são capazes de manter a independência e aptidão física das pessoas com mais de 65 anos.
3.3 INTERVENÇÕES DO PERSONAL TRAINER NA TERCEIRA IDADE
Antes de iniciar qualquer tipo de exercício, considera-se importante que o idoso seja submetido à uma avaliação médica cuidadosa, constando preferencialmente de um teste de esforço para prescrição do programa. Quanto à essa recomendação é importante levar em conta alguns critérios que deverão influenciar a seleção do protocolo e servem, também, para ilustrar algumas das importantes restrições impostas pelo envelhecimento quanto à realização de exercícios: a diminuição de VO2 máximo pode requerer que se opte por um teste de baixa e moderada intensidade e maior duração. Isso se deve também a um maior tempo requerido para que se alcance o stead - state; usar maior período de aquecimento e pequenos incrementos nas cargas ou incremento em intervalos de tempo maior; em função da maior fadigabilidade deve ser diminuída a duração total do teste; a diminuição dos níveis de equilíbrio e força indica o uso prioritário da bicicleta (ergômetro); a redução na coordenação muscular exige, muitas vezes, a realização de mais de um teste que se chegue a um resultado confiável; outros fatores como o uso de dentaduras, a diminuição da acuidade visual e auditiva, também devem ser considerados. (MATSUDO e MATSUDO, 1993).
Gill et al. (2003 apud Castro, 2007) ensinam que ao implementar um programa para indivíduos de idade avançada, a intervenção tem que apresentar adaptações especiais, e estratégias para minimizar riscos e que para se ter bons resultados com essas intervenções, é necessária uma boa supervisão e acompanhamento nas atividades.
Matsudo (2001) afirma que o Colégio Americano de Medicina Esportiva recomenda que todo indivíduo acima de 50 anos que deseja iniciar um treinamento vigoroso, realize um teste de esforço a fim de evidenciar possíveis cardiopatias e obter parâmetros para o planejamento das atividades. Porém, isso não é necessário para idosos que busquem apenas qualidade de vida e saúde. O autor afirma que neste caso, apenas um questionário é suficiente para identificar esses fatores.
A programação da atividade física no idoso não é muito diferente da preconizada para indivíduos mais jovens. Apenas alguns cuidados especiais devem ser tomados caso haja alguma restrição, que pode estar relacionada às modificações progressivas da idade ou a patologias das mais diversas (cardiovasculares, osteoarticulares, entre outras). (KOPILER, 1997)
Kopiler (1997) ensina que o primeiro passo é realizar um questionário para evidenciar se o idoso possui algum sintoma clínico ou patologia que possa interferir ou colocá-lo em risco durante o exercício físico. Após, um exame clínico e uma série de exames complementares são indicados. Um teste barato e muito indicado para esta situação é o Teste Ergométrico. Ele é capaz de estratificar o risco de doença coronariana, o nível de condicionamento físico do aluno, modificar a prescrição de exercício levando-se em conta a ingesta de medicamentos para controle de algum problema cardíaco.
Monteiro (2002, p. 12) relata que “elaborar um programa de treinamento individualizado é acompanhar o andamento dos treinamentos, monitorar as sessões e avaliá-las abrangendo um complexo campo de conhecimentos, desde as características psicológicas do executante até os mais diversos métodos de abordagem”.
Takahashi e Tumelero (2004) afirmam que deve-se ter alguns cuidados e restrições durante a prescrição de exercícios físicos para idosos. Deve-se evitar levar o idoso a altas intensidades, solicitar o sistema de fornecimento de energia anaeróbio, exercícios isométricos e movimentos rápidos e bruscos. Alguns dos cuidados recomendados pelos autores são os de não levar o aluno à exaustão, levar em consideração o uso de medicamentos, não prolongar o exercício na presença de dor e não ultrapassar a amplitude máxima dos movimentos.
Para Aragão et al. (2002) atualmente a recomendação é que a atividade física seja praticada de forma regular e com a adoção de um estilo de vida ativo para a promoção da saúde e qualidade de vida durante o processo de envelhecimento. Embora os fatores fisiológicos e as doenças impeçam que muitos indivíduos participem de programas de condicionamento físico, segundo os autores são os fatores psicológicos e sociais que levam a maior parte dos indivíduos, principalmente os idosos, a uma vida inativa.
Pinheiro (2000) relata que um programa personalizado para idosos deve ser permanente e com estímulos de motivação e determinação, promovendo o bem-estar físico e mental do aluno e sua utilização deve ser baseada em parâmetros morfológicos, biológicos e psicológicos, bem como no grau de condicionamento físico inicial e no objetivo do cliente.
Matsudo (2001) recomenda a realização de atividades aeróbicas de baixo impacto entre os idosos, como por exemplo, a caminhada, o ciclismo, a natação, a hidroginástica, o remo, subir escadas, ioga, tai chi chuan e dança aeróbica de baixo impacto. O mesmo autor ainda cita que a caminhada é com certeza a atividade física ideal para os indivíduos idosos, pois além dos benefícios fisicos e fisiológicos, possui a possibilidade de realização em qualquer local e contribui para o desenvolvimento da socialização do indivíduo diminuindo o risco de stress, depressão e isolamento social.
Oliveira (1999, p.19) elucida que o dia-dia dos indivíduos que buscam melhoria e autonomia física, principalmente entre os indivíduos idosos, requer o mínimo de aptidão física para exercerem suas tarefas diárias tanto no lazer, como no trabalho. Mediante estas exigências encontradas no cotidiano, o Personal Trainer deve não só estruturar um programa de atividades físicas, mas “também educar seu cliente no sentido de internalizar importantes conhecimentos para a estabilização de postura ativa e autônoma”. De acordo com Novaes e Vianna (1998), o personal trainer deve orientar seus clientes na busca de melhores condições de trabalho nos locais de treino e manter uma constante preocupação quanto ao atendimento do mesmo.
4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Observou-se neste estudo uma referência histórica da atividade física personalizada no Brasil e no mundo. A cada ano percebe-se um aumento vertiginoso no número de praticantes do treinamento personalizado, o que mostra a eficiência deste tipo de atividade física orientada. Essa perspectiva proporcionou paramêtros para buscar literaturas atualizadas e elucidar as necessidades e características físicas e fisiológicas de pessoas idosas.
Evidenciou-se um claro e grande aumento do número de pessoas idosas no Brasil e no mundo. Isso ocorreu principalmente pelo desenvolvimento da medicina e pelo aumento da expectativa de vida nos países ricos e emergentes.
O treinamento personalizado demonstra ser uma maneira muito eficiente de orientação e desenvolvimento de exercícios e atividades que visam o implemento de parâmetros físicos, psicológicos, patológicos e sociais de pessoas na terceira idade, pois é capaz de reunir durante a realização dessas atividades, momentos que otimizam os resultados que buscam-se através da intervenção do personal trainer.
Pessoas na terceira idade apresentam, dentre muitas patologias, principalmente a diabetes, deficiências nos sistemas gastro-intestinal, neurológico, circulátorio, respiratório e musculo-esquelético. Considerando essas necessidades, cabe ao personal trainer desenvolver atividades que preconizem uma reabilitação com objetivo de evitar patologias nestes sistemas dando enfoque principalmente aos sistemas circulatório, respiratório e musculo-esquelético.
Deve-se aplicar ao idoso, atividades com baixa intensidade e grande volume, visto o longo tempo de aquecimento e necessidade de uma maior preparação para entrar no stead-state. A prática de longos intervalos entre as séries e as sessões é recomendada devido à necessidade de uma boa recuperação para as adaptações fisiológicas que os exercícios nessa faixa etária demandam. Orienta-se evitar exercícios de muito impacto e que prevaleçam o sistema de energia anaeróbico.
A relação entre a composição corporal e a taxa metabólica basal é muito evidenciada entre alguns autores, pois, apresenta alguns fatores que podem determinar o grau de saúde e independência que o idoso pode possuir.
A atividade do personal trainer com pessoas mais velhas deve ser realizada com vistas, além do desenvolvimento de qualidades físicas voltadas à aptidão física aplicada à saúde e desempenho de suas tarefas diárias, também para atividades que desenvolvam a cognição e o aspecto psicológico do idoso. O aspecto social também é bastante evidenciado entre os estudiosos da área, pois, muitos senhores já se encontram viúvos ou divorciados e com algum abandono por parte dos familiares.
Essa característica do aspecto social do idoso mostra-se uma das mais importantes no tocante ao desenvolvimento e manutenção de fatores voltados à saúde e qualidade de vida das pessoas na terceira idade e elucida a necessidade do profissional de se preparar para lidar com essas demandas.
5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES
Através deste estudo, não foi possível alcançar de maneira clara a relevância do treinamento personalizado para idosos, visto que esse foi um dos objetivos propostos pelos autores. Foi possível evidenciar outros aspectos do treinamento personalizado, porém que não dão suporte suficiente para o profissional atuar de maneira objetiva com essa população.
Este estudo confirma as expectativas de esclarecimento das questões levantadas acerca do treinamento personalizado, das características fisiológicas dos idosos e da atividade física na terceira idade.
Com êxito, foi possível levantar dados do desenvolvimento histórico do treinamento personalizado desde o início de sua concepção até o que o mesmo é hoje.
Dados importantes foram encontrados no que se refere à teorias do envelhecimento e o que ele traz para ao indíviduo ao passar por esse processo.
Essas informações nos mostram a importância da atividade física durante o passar do tempo e a necessidade de um acompanhamento profissionalizado desde a idade adulta, ou mais jovem, e que perdure durante toda a terceira idade.
Dados esses que formaram uma base importante para observar e concordar com as afirmações dos autores quanto à intervenção do personal trainer na orientação de exercícios físicos para pessoas idosas, respondendo parcialmente ao segundo objetivo específico desta pesquisa que foi verificar as principais funções e intervenções do personal trainer na prescrição de exercícios para idosos.
As fontes bibliográficas encontradas mostraram possuir muita informação acerca dos assuntos buscados, porém, raramente observou-se encontrar estudos que apresentassem informações congruentes nesses três prismas: treinamento personalizado, terceira idade e atividade física na terceira idade.
A falta da reunião desses três fatores ocasiona uma deficiência na especificidade do estudo e que acarretará uma atuação também menos especializada do profissional com esta população.
Portanto, existe uma necessidade de novos estudos serem realizados buscando reunir assuntos como treinamento personalizado, características fisiológicas dos idosos e atividade física na terceira idade a fim de formar uma base
de dados mais sólida para a construção de conceitos e processos metodológicos no que se refere à atuação do personal trainer com este grupo de indivíduos.
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