A Nova Teoria do
A Nova Teoria do
Comércio Internacional
Limites da abordagem
tradicional
Economias de escala
diferenciação dos produtos
Comércio intra-setorial
Limites da abordagem tradicional
O questionamento das vantagens
comparativas
As tentativas de verificação empírica
das teorias tradicionais são geralmente
decepcionantes: os fluxos comerciais
registrados não podem ser explicados
pelas vantagens comparativas das
nações.
Limites da abordagem tradicional
Contrariamente aos ensinamentos da teoria
tradicional, o comércio internacional se
desenvolve mais entre as nações mais
desenvolvidas cujas dotações fatoriais têm
poucas diferenças.
Trata-se, então de um comércio entre
nações muito pouco diferenciadas umas das
outras, ao passo que a teoria tradicional
coloca como essencial o papel das
diferentes características das nações para
explicar a troca internacional.
Limites da abordagem tradicional
O questionamento das vantagens
comparativas
Novas análises foram desenvolvidas, sobretudo nos
anos sessenta, cujo ponto comum é a proposta de uma explicação das trocas internacionais que não se baseia nas vantagens comparativas.
Entre as linhas de pesquisa exploradas, as mais
importantes são relativas ao papel desempenhado pela tecnologia, a diferenciação dos produtos e os rendimentos de escala.
Economias de Escala
As economias de escala podem ser:
Internas à firma: quando cada firma pode obter custos médios mais baixos se produz em escala crescente. Externas à firma: quando o custo médio de cada firma
Economias de Escala
Internas
Quando as técnicas de produção e de organizaçãodas empresas é tal que existem economias internas às empresas, várias estruturas de
mercado além da concorrência podem prevalecer, dependendo do fato destas economias serem
contínuas ou limitadas num nível particular de produção.
No primeiro caso o mercado torna-se um
monopólio.
No segundo caso o mercado torna-se um
Economias de Escala Externas
O tamanho do mercado interno de uma nação,
diante de economias de escala externas, pode ser um fator explicativo do comércio internacional.
As especializações internacionais que resultam das
economias de escala externas são estáveis, mesmo que as vantagens comparativas se modifiquem.
“acidentes históricos”, que originam uma produção
num dado país específico, podem ser decisivos na criação dos fluxos comerciais internacionais.
Economias de Escala
Externas
O comércio internacional, fonte de deterioração do
bem estar
Desde Ricardo, o essencial da teoria do comércio internacional demonstra que a passagem de uma
situação de autarquia a uma situação de troca com o resto do mundo melhora a posição de uma economia: maior número de bens estão disponíveis a um preço mais baixo.
Esse resultado pode ser questionado a partir do
Diferenciação de Produtos
A existência de produtos semelhantes, mas que
possuem características específicas que os
diferenciam segundo algum desses critérios abre – do ponto de vista do comércio internacional – a possibilidade de intercâmbios entre dois países, com exportações e importações simultâneas de produtos normalmente classificados como
idênticos.
Dois tipos de diferenciação são considerados:
Diferenciação de Produtos
Diferenciação Vertical: está relacionada com a
qualidade do produto (Exemplo: automóvel com air-bag e freio ABS).
Diferenciação Horizontal: se baseia na
especificação do produto (odor de um perfume, sabor de queijo, características de um vinho).
Nos dois casos, o efeito é o mesmo: o vendedor
dispõe de um monopólio relativo sobre o seu produto, limitado pela existência de substitutos imperfeitos.
Comércio Intra-setorial
A existência do comércio intra-setorial está associada
a diversos fatores:
Diferenciação de produtos Flutuações sazonais na oferta
Comércio Intra-firma
A incorporação de elementos como rendimentos de
escala, concorrência imperfeita e diferenciação de produtos permite conceber a especialização no comércio em produtos que não correspondem à
dotação relativa de fatores produtivos, bem como dá margem a processos produtivos complementares,
entre plantas produtivas situadas em países distintos, levando à intensificação de transações intrafirma.
Teoria da Proteção
Tarifas Subsídios
Outras formas de proteção Medidas de grau de proteção
Teoria da Proteção
O livre comércio é mais exceção do que regra.
Os governos intervêm para proteger o produtor nacional. Ao conjunto de mecanismos de proteção se denomina
política comercial.
Tarifas
O imposto sobre importações – denominado tarifa – é cobrado quando a mercadoria entra no país. Pode ser: Específico Ad valorem Misto 17
Tarifas (Exemplos)
A tarifa de US$ 450,00 cobrada por tonelada de suco de laranja brasileiro importada pelos EUA , independente do preço do produto é um imposto específico
A tarifa de importação de US$ 0,54 litro/galão de álcool importado pelos EUA também é um imposto específico. A Tarifa Externa Comum de 14% acordada entre os
membros do Mercosul é um imposto ad valorem.
Uma cobrança de US$ 50 por unidade importada + 20% sobre o preço é um imposto misto.
Tarifas
A tarifa média fixada pelas economias desenvolvidas situa-se em torno de 5%, mas os picos tarifários são elevados.
O Brasil tem um teto tarifário de 35%, mas aplica uma média geral, para produtos industrializados ou não, de 10,7%.
A maior parte dos produtos está com 14%, a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.
Em 1990, o valor médio da tarifa era de 43%.
Tarifas
A idéia de que a economia do Brasil segue muito fechada
cai ao compará-la à de outros países.
As tarifas alfandegárias do Brasil recuaram do patamar
médio de 50% observado na década de 80 para o nível atual em torno de 10%.
Corrobora ainda essa tese, a existência de um regime
tarifário sem cotas e com alíquota máxima de 35%.
Outras economias, tanto desenvolvidas quanto emergentes,
apesar de terem tarifas médias mais baixas que a brasileira, aplicam "picos tarifários" e outras barreiras não tarifárias.
Efeito das tarifas sobre a
concorrência
Se a proteção é oferecida a um bem num mercado
concorrencial, mesmo que as importações venham a ser excluídas, ainda haverá alguma concorrência
entre os produtores domésticos.
Se o mercado é caracterizado por oligopólio ou
monopólio, a exclusão dos concorrentes estrangeiros resulta em pouca disputa no mercado e
conseqüente desestímulo para redução de preços e melhoria da qualidade.
Efeito das tarifas sobre a
renda
A argumentação clássica acerca da
liberdade de comércio parte do
pressuposto do pleno emprego dos
recursos.
Se a economia passa por um período de
recessão, a tarifa pode ser utilizada para
estimular a renda e o emprego.
SUBSÍDIOS
Consiste em pagamentos, diretos ou indiretos, feitos pelo governo, para encorajar exportações ou desencorajar importações.
Equivale a um imposto negativo e representa uma redução de custo para o produtor
SUBSÍDIOS
A concessão de subsídios se dá por meio
de: Pagamentos em dinheiro Redução de impostos
Financiamentos a taxas de juros inferiores às do mercado Compra direta do governo para posterior revenda a preço
mais baixo aos consumidores
Outras formas de
proteção
Quotas de importação Controles cambiais Proibição de importação Monopólio estatal Leis de compras de produtos nacionais Depósitos prévios à importação
Barreiras não tarifárias
Acordos voluntários de restrições de exportações
(AVRE)
A política comercial na
prática
Argumentos a favor do protecionismo
Proteção á indústria nascente Estímulo à Substituição de importações Redução do diferencial de salários
Impedimento ao comércio desleal Promoção da segurança nacional Melhoria da balança de pagamento Favorecimento das barganhas
internacionais
Argumentos a favor do
protecionismo
Proteção da “indústria nascente”
O termo “indústria nascente” refere-se à etapa
do desenvolvimento em que a indústria ainda não alcançou um nível de produção que lhe permita beneficiar-se das economias de escala.
A idéia e garantir uma reserva de mercado
temporária
Argumentos a favor do protecionismo
Proteção da “indústria nascente” Cabe lembrar que os Estados Unidos, Alemanha e Japão se
industrializaram protegendo suas indústrias com base nesse
argumento, desenvolvido inicialmente pelo economista e político alemão Friedrich List.
A esse respeito ler:
LIST, Friedrich. Sistema Nacional de Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
HAMILTON, A. Relatório sobre manufaturas. Rio de Janeiro, Solidariedade Ibero-americana, 1995.
CHANG, Ha-Joon, A Estratégia do desenvolvimento em perspectiva
histórica. São Paulo: Editora Unesp, 2004
Friedrich List e o Protecionismo na Alemanha
e nos Estados Unidos
Escola histórica alemã (1840): abordagem relativista – “Uma
doutrina econômica adequada para um país em determinado momento pode não ser para outro em outra época”.
List contestou a doutrina do laissez-faire e a liberdade de comércio, argumentando que eram políticas econômicas apropriadas para países com elevado desenvolvimento
industrial, mas inconveniente para países menos desenvolvidos. Defendia que o protecionismo era política econômica lógica e
recomendável para os EUA e a Alemanha, que naquele
momento encontravam-se no estágio agrícola-manufatureiro. 30
Alexander Hamilton e a escola americana
de economia política
A escola americana de
economia política
,
também conhecida como "sistema nacional",
é uma
doutrina macroeconômica
que
dominou a política econômica dos
Estados
Unidos
desde a
Guerra de Secessão
até a
metade do século XX.
Usada na retórica política norte-americana
desde 1824 até hoje, foi aplicada como
política governamental por muitas décadas
durante esse período.
Alexander Hamilton e a escola americana
de economia política
Os elementos fundamentais da escola americana
foram promovidos por John Quincy Adams e seu
Partido Republicano Nacional, Henry Clay e o Partido Whig, e Abraham Lincoln mediante o primitivo Partido Republicano, os quais abraçaram, implementaram e defenderam este sistema de política econômica.
Durante o período em que foi aplicado o sistema
americano, os Estados Unidos tornaram-se a maior economia do mundo, com o mais alto padrão de vida, ultrapassando o Império Britânico por volta de 1880.
Alexander Hamilton e a escola americana
de economia política
É uma escola econômica baseada no programa econômico de
Hamilton e foi proposta com o objetivo de possibilitar aos Estados Unidos a independência econômica e a auto-suficiência
nacional.
Consistia nestas três políticas centrais:
proteção da indústria mediante tarifas alfandegárias elevadas e
seletivas (especialmente entre 1861 e 1932) e, também mediante subsídios (especialmente entre 1932 e 1970)
investimentos estatais na infra-estrutura criando melhoramentos
internos planejados (especialmente no setor de transportes)
um banco nacional com políticas que promovem o crescimento
dos empreendimentos produtivos.
Argumentos a favor do
protecionismo
Proteção da “indústria nascente”
O Brasil, o processo de industrialização baseado
na “política de substituição de importações” entre 1940 e 1970 (Getúlio Vargas, Juscelino Kubistchek (Plano de Metas), Geisel (II PND), baseou-se nesse estratégia.
Argumentos a favor do protecionismo
Redução do desemprego“Política externa significa empregos”
Madeleine Albright
Secretária de Estado dos EUA no governo Clinton (1997-2001)
Estímulo à Substituição de Importações
Argumento desenvolvido por economistas
da Comissão para América Latina (Cepal),
da ONU, sob inspiração de Raul Prebish.
Argumento central: relações desiguais de
troca condenavam os países
latino-americanos ao subdesenvolvimento.
Estímulo à Substituição de Importações
Por relações de troca entende-se a razão
entre o preço das exportações de um país
e o preço de suas importações.
RT = Preço das exportações/Preço das
importações
Uma redução nas relações de troca
significa que, com a mesma quantidade
física exportada, o país passa a importar
menos que antes.
Estímulo à Substituição de Importações
Segundo Prebisch, exportando produtos
primários, os países da América Latina
perdiam capacidade de importar bens
industrializados, considerados essenciais
para o crescimento.
Para superar esse estrangulamento,
propunha que o Estado adotasse uma
política de substituir os produtos antes
importados.
Estímulo à Substituição de Importações
A agregação das idéias das:
perdas nas relações de troca indústria nascente
distribuição da renda entre países
resultou no argumento da “Substituição
das Importações”, base dos programas de
industrialização da América Latina após a
Segunda Guerra Mundial.
Redução do diferencial de salários
Em uma economia dualista, caracterizada
pela coexistência de uma agricultura de
subsistência e de um setor industrial
dinâmico, no qual os salários são mais
elevados, uma política protecionista em
favor da indústria, que deslocasse os
trabalhadores para o setor paga mais
aumentaria o bem-estar nacional.
Exemplo: China
Impedimento do comércio desleal
O comércio “desleal” distorce a estrutura
das vantagens comparativas e,
consequentemente, as relações de troca
entre os países.
Desse ponto de vista, se justificaria a
pratica de políticas defensivas contra a
prática de dumping e subsídios, por meio
de medidas anti-dumping e salvaguardas.
Promoção da segurança nacional
O princípio desse argumento é proteger a
indústria considerada essencial para os
esquemas de defesa do país, se a
exposição à concorrência externa
inviabilizar seu desenvolvimento.
Ex: material bélico, petróleo, segurança
alimentar, etc.
Outros argumentos
Melhoria da balança de pagamentos