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antropologia carlos joão correia

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Academic year: 2021

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antropologia

carlos joão correia

artes & humanidades erasmus estudos africanos estudos comparatistas estudos portugueses estudos gerais filosofia

línguas, literaturas e culturas

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1999 2000

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reconhecimento de si num espelho

condição necessária

sentimento de si

sim

X

não

competência linguística [interna ou externa]

X

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Anosognosia & LIS

• “A anosognosia constitui (…) um exemplo de alteração da consciência alargada, sem alteração da consciência nuclear. A palavra anosognosia deriva do grego nosos, «doença» e de gnosis, «conhecimento», e traduz a incapacidade de reconhecer um estado de doença no nosso próprio organismo. (…) Na neurologia não escasseiam os casos bizarros, mas a anosognosia é por certo um dos mais estranhos. O exemplo clássico da anosognosia é o de uma vítima de acidente vascular

cerebral, completamente paralisada do lado esquerdo do corpo, incapaz de movimentar a mão e o braço, a perna e o pé, metade do rosto imobilizado, incapaz de se manter de pé ou de andar, mas que ignora o problema e declara que nada de especial se passa. Quando se pergunta a um doente com anosognosia como se sente, o doente

responde com um sincero «Sinto-me bem»”. 244

Jean-Dominique Bauby [1952-1997]

Locked-in syndrome/síndrome do encarceramento Le Scaphandre et le Papillon [1997]

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reconhecimento de si num espelho

condição necessária

sentimento de si

sim

X

não

competência linguística [interna ou externa]

X

memória [curto prazo; longo prazo]

X

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“Em conclusão, os indivíduos como nós dotados de memória abundante e inteligência, conseguem manipular factos, logicamente, com ou sem a ajuda da linguagem e produzir inferências a partir desses factos. Proponho que a consciência nuclear seja distinta das inferências que podemos estabelecer em relação aos conteúdos dessa mesma consciência. Podemos inferir que os pensamentos da nossa mente são criados na nossa perspectiva individual: são pertença nossa; que podemos agir sobre eles; que o protagonista aparente da relação com o objecto é o nosso organismo. Todavia, na minha opinião, a consciência nuclear começa antes destas inferências: a consciência nuclear constitui ela própria o conhecimento, directo e sem qualquer verniz inferencial, do nosso organismo individual no acto de conhecer.” 152

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reconhecimento de si num espelho

condição necessária

sentimento de si

sim

X

não

competência linguística [interna ou externa]

X

memória [curto prazo; longo prazo]

X

pensamento [raciocínio inferencial]

X

imagem unificada do organismo

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Há alguns anos atrás, a brilhante pianista Maria João Pires contou-nos a seguinte história: quando toca, através do controlo total da sua vontade, consegue reduzir ou permitir a passagem do fluxo de emoção para o seu corpo. A minha mulher, Hannah, e eu pensámos que se tratava penas de uma maravilhosa ideia romântica, mas apesar de a Maria João insistir que conseguia fazê-lo, nós permanecíamos incrédulos. Finalmente, resolvemos pôr a ideia à prova científica. Numa das suas visitas ao nosso laboratório, Maria João foi ligada por fios ao complicado equipamento psicofisiológico, enquanto escutava curtas peças musicais seleccionadas por nós em duas situações: uma de emoção natural «autorizada», outra de «emoção» voluntariamente «inibida». Os seus Nocturnos de Chopin tinham acabado de ser publicados e usámos alguns deles e outros tocados por Daniel Barenboim como estímulo.

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Na situação de «emoção autorizada», o registo de condutância da pele mostrou montes e vales, intimamente ligados ao perfil emocional destas peças. Seguidamente, na situação de «emoção reduzida» aconteceu, de facto, o impensável. A Maria João conseguia literalmente aplanar o seu gráfico de condutância da pele, de acordo com a sua vontade e conseguia até modificar o seu ritmo cardíaco. Sob o ponto de vista comportamental também se transformou. As emoções de fundo estavam reorganizados e alguns dos comportamentos especificamente emotivos eliminados, registando-se uma diminuição do movimento da cabeça e da face. Quando o nosso colega Antoine Bechara, totalmente incrédulo, quis repetir toda a experiência, pensando que os resultados poderiam ser devidos a um artefacto de habituação, a Maria João repetiu tudo. Afinal, podemos encontrar certas excepções, sobretudo entre aqueles cuja vida consiste em criar magia através da emoção.” 70-71

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• “O que é um sentimento? O que me leva a não usar

indistintamente os termos ‘emoção’ e ‘sentimento’? Uma das razões encontra-se no facto de, apesar de alguns sentimentos estarem relacionados com as emoções, existem muitos que não estão: todas as emoções originam sentimentos, se estiver desperto e atento, mas nem todos os sentimentos provêm de emoções. Chamo sentimento de fundo (background) a estes últimos que não têm origens nas emoções (...). Chamo-lhe sentimento de fundo porque tem origem em estados

corporais de ‘fundo’ e não em estados emocionais. Não é o Verdi da grande emoção nem o Stravinsky da emoção

intelectualizada, mas antes um minimalista no tom e no ritmo, o sentimento da própria vida, a sensação de existir. (...) Um sentimento de fundo não é o que sentimos ao extravasarmos de alegria ou desanimarmos com um amor perdido; os dois exemplos correspondem a estados de corpo emocionais. Ao invés, um sentimento de fundo corresponde aos estados de corpo que ocorrem entre emoções. (...) Se tentar imaginar por um instante qual seria a sua situação sem sentimentos de fundo, não terás quaisquer dúvidas quanto à noção que estou a introduzir. Defendo que sem eles o âmago da nossa

representação do self seria destruído.”

• António Damásio. O Erro de Descartes. Lisboa: Europa-América. 1995. 157; 164/165

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reconhecimento de si num espelho

condição necessária

sentimento de si

sim

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não

competência linguística [interna ou externa]

X

memória [curto prazo; longo prazo]

X

pensamento [raciocínio inferencial]

X

imagem unificada do organismo

emoções

X X

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”Por uma série de razões, as crianças podem nascer com estruturas de tronco cerebral intactas, mas estruturas telencefálicas em grande medida ausentes, nomeadamente o córtex cerebral, o tálamo e os gânglios basais. Esta situação infeliz deve-se frequentemente a uma apoplexia grave que ocorre no útero e tem como consequência lesões em todo ou quase todo o córtex cerebral, que é depois reabsorvido, deixando a cavidade craniana repleta de fluido cerebrospinal. [...] As crianças afectadas podem sobreviver durante muitos anos, chegando mesmo a ultrapassar a adolescência, e são com frequência consideradas “ vegetativas ” . Normalmente encontram-se internadas em instituições. Todavia, estas crianças são tudo menos vegetativas. Estão, pelo contrário, bem despertas. De um modo limitado, mas não negligenciável, são capazes de comunicar com quem lhes presta cuidados e de interagir com o mundo. [...]

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Movem livremente a cabeça e os olhos, têm expressões de emoção no rosto, podem reagir com um sorriso a estímulos que previsivelmente provocariam um sorriso a uma criança normal quando lhes fazem cócegas. Conseguem mostrar um ar carrancudo e afastar-se de estímulos dolorosos [...] Revelam preferências por determinadas pessoas e aparentam uma maior alegria perto da mãe/prestador de cuidados habitual. Os gostos e aversões são notórios, sendo mais flagrantes nos exemplos com a música. [...] A possibilidade de possuírem de facto uma mente consciente, ainda que extremamente modesta, é apoiada por uma descoberta curiosa. Quando estas crianças sofrem de uma crise epiléptica de “ausência”, os seus prestadores de cuidados detectam facilmente o início da crise; conseguem também aperceber-se do seu final, relatando que a “criança voltou para eles” [...] A condição desmente a ideia de que a consciência, os sentimentos e as emoções apenas surgem a partir do córtex cerebral. Necessariamente, tal ideia é falsa. ”

António Damásio. Self comes to mind. London: Heinemann. 2010, 80 e sgs. (O Livro da Consciência. 2010, 109-111)

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reconhecimento da imagem de si

linguagem verbal

memória de curto e longo prazo

emoção inferências

imagem corporal

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reconhecimento de si num espelho

condição necessária

sentimento de si

sim

X

não

competência linguística [interna ou externa]

X

memória [curto prazo; longo prazo]

X

pensamento [raciocínio inferencial]

X

imagem unificada do seu corpo

emoções

córtex cerebral

X

X X

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o sentimento da própria vida, a

sensação de existir”

António Damásio. O Erro de Descartes. 164

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A consciência depende, de forma mais crítica, de regiões que se contam entre as mais antigas e não entre as mais recentes, do ponto de vista evolutivo, e que se situam nas profundezas do cérebro e não à sua superfície . Curiosamente, os processos de “segunda ordem” [sentimento de si; consciência] que aqui proponho apoiam-se em estruturas neurais antigas, intimamente associadas com a regulação da vida, e não nas recentes elaborações neurais do neocórtex, aquelas que permitem a percepção complexa, a linguagem e a razão superior. A segunda ordem [sentimento de si; consciência nuclear] é, afinal, uma ordem simples e profunda. A luz da consciência está cuidadosamente escondida e é veneravelmente antiga. E devo sublinhar que o que acabo de dizer se trata de um facto e não de uma conjectura: quer se venha a verificar que a minha hipótese é correcta ou não, o facto é que a lesão das regiões a que me refiro altera a consciência, enquanto a lesão noutros locais não provoca essa alteração.”

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• “Cada ser pessoal é não só ele próprio mas também o ponto irrepetível e singular, essencial e verdadeiramente relevante, no qual os

fenómenos do mundo se encontram de um modo único.” Hermann Hesse,

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Lucy

Referências

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