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CONCORDÂNCIA VERBAL: 7 DICAS VALIOSAS

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Academic year: 2021

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CONCORDÂNCIA

VERBAL:

7

DICAS

VALIOSAS

Luiz Felipe Durval

Meu Instagram: @luizfelipedurval Fala, meu jovem!

Antes de qualquer coisa, deixem eu me apresentar. Meu nome é Luiz Felipe e eu sou professor da Equipe de Português aqui do Estratégia Concursos. Sou formado em Letras (Português e Literaturas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estou finalizando meu Mestrado em Língua Portuguesa também pela UFRJ. Desde 2015, me dedico a pesquisas na área de Ensino de Português, construindo metodologias para um ensino mais efetivo da língua. Aqui no Estratégia, sou um dos responsáveis pela elaboração e atualização dos livros digitais (PDF’s) de Português. Quando analisamos as questões de Língua Portuguesa em provas organizadas pelas principais bancas, notamos que as questões se dividem em três grandes grupos: (i) interpretação de texto; (ii) gramática; e (iii) Redação Oficial. Dentre as questões gramaticais, um tema muito recorrente é Concordância Verbal.

O assunto ‘concordância verbal’ é bastante extenso e, por apresentar diversas regras, pode a princípio parecer muito complexo. No entanto, existem alguns pontos dentro desse tema que são mais cobrados do que outros. Pensando nisso, resolvi trazer para você 7 dicas valiosas sobre as regras que despencam nas provas das grandes bancas (Cebraspe, FGV, VUNESP...).

Para começar, precisamos ter em mente que o assunto concordância verbal está intimamente relacionado à sintaxe. A regra mais geral estabelece que o verbo deve estar em relação de concordância com o sujeito.Como assim, professor?Vou explicar: o verbo, pela regra básica, deve concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) com o núcleo do sujeito. Vejamos os exemplos abaixo, em que o núcleo do sujeito está destacado em vermelho:

a) [Aquelacasa]estavaà venda. b) [Aquelascasas]estavamà venda.

As orações em "a" e "b" estão na ordem direta, ou seja, sujeito + verbo + complemento (SVC). No entanto, as bancas gostam de explorar outras disposições, colocando o sujeito após o verbo (ordem inversa), o que pode dificultar a leitura e a interpretação. A dica é localizar primeiramente o verbo. Depois, através de perguntas (o quê? quem?), encontrar o sujeito.

DICA 1: Quando o sujeito aparece após o verbo, pode haver uma maior dificuldade em enxergar a concordância. Veja:

Ex.: Ocorreu [muitos eventos] nos últimos dias. Ex.: Chegaram [as encomendas.]

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No primeiro exemplo, o correto seria Ocorreram muitos eventos nos últimos dias. Verbos como ocorrer e chegar costumam anteceder o sujeito. Esses verbos são intransitivos, ou seja, não precisam de complemento. Os termos que aparecem demarcados entre colchetes são, na verdade, seus respectivos sujeitos, e não seus complementos.

DICA 2: As bancas gostam de explorar a concordância com os verbos ter e vir, bem como os demais provenientes destes (deter, conter, manter, advir, convir, intervir etc). Esses verbos, quando conjugados na 3ª pessoa no presente do indicativo, recebem o que chamamos de acento diferencial. É justamente esse acento que indicará se o verbo está no singular ou no plural. Veja:

Ele tem x Eles têm Ele vem x Eles vêm

Ele mantém x Eles mantêm Ele advém x Eles advêm

DICA 3: Quando o sujeito composto (aquele que possui dois ou mais núcleos) vem antes do verbo, a concordância deve obrigatoriamente ser feita com os núcleos desse sujeito, ou seja, noplural.

sujeito

Ex.: [A diretora e os professores] ainda nãoestãode férias. sujeito

Ex.: [José e Ana] estiveram aqui ontem.

DICA 4: Atenção aqui porque essa regra cai bastante em prova! No caso de o sujeito composto vir após o verbo, há duas possibilidades de concordância: a lógica e a atrativa. A concordância lógica se faz no plural, considerando que o sujeito é formado por mais de um núcleo. Já na concordância atrativa, o verbo concordará facultativamente com o núcleo que estiver mais próximo.

Ex.: Precisavam [JoãoeAntônio] de mais tempo de estudo.

Ex.: Precisava [Joãoe Antônio] de mais tempo de estudo.

Se o núcleo mais próximo estiver no plural, o verbo necessariamente só poderá ficar no plural. Por que, professor? É simples: se o verbo for concordar com os dois núcleos, de acordo com a regra geral, ele ficará no plural, como já sabemos. Agora, se for concordar com o núcleo mais próximo, que estiver no plural, o verbo também deverá estar no plural para estabelecer essa relação de concordância. No exemplo a seguir, o núcleo mais próximo é flores.

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Ex.:Alegram[floresearomas] o ambiente.

DICA 5: Concordância com verbos impessoais

Professor, o que significa dizer que um verbo é impessoal?Verbos impessoais, meu caro/minha cara, são aqueles que não possuem sujeito, sendo conjugados, desse modo, sempre na 3ª pessoa do singular. Partindo desse conhecimento, vamos então para os casos mais relevantes.

Verbo HAVER

O verbo haver com sentido de existir é impessoal. Ficará, portanto, sempre na 3ª pessoa do singular. As expressões entre parênteses nos exemplos a seguir não são o sujeito desse verbo, e sim o complemento.

Ex.:Haverá[consequências] para os seus atos.

Ex.: Ficaríamos preocupados sehouvesse[novos incidentes].

Verbos HAVER e FAZER indicando tempo

Os verbos haver e fazer, indicando tempo decorrido, ficarão sempre no singular. Ex.: Não bebo refrigerantehátrês anos.

Ex.:Fazdois anos que não vejo meus pais.

Verbos que indicam fenômeno da natureza

Em fenômenos da natureza, não há um agente responsável pela ação expressa pelo verbo. Portanto, esses verbos sempre ficarão na 3ª pessoa do singular.

Ex.:Anoitecemais cedo no inverno. Ex.:Choviatorrencialmente esta manhã. Ex.:Ventamuito nas cidades litorâneas. Ex.:Relampejouno início da noite.

DICA 6: Concordância com a partícula SE

Como índice de indeterminação do sujeito:

Quando a partícula SE é Índice de Indeterminação do Sujeito (IIS), o verbo ficará sempre na 3ª pessoa do singular.Sempre, professor?SEMPRE.E como eu identifico quando o SE é IIS?Isso você viu quando estudou classificação do sujeito, mas é simples: só temos IIS comverbo intransitivo(VI), aquele que não pede complemento, verbo transitivo indireto (VTI), que pede um complemento preposicionado (objeto indireto), everbo de ligação(VL), que liga o sujeito ao seu predicativo. Vamos aos exemplos.

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Ex.: Não se duvida de suas habilidades. Ex.:Anda-se desanimado.

Nesses casos, tome cuidado para não confundir objeto com sujeito. Sujeito é uma função sintática quenão admite ser precedida de preposição! Sendo assim, o objeto indireto do exemplo acima (de suas habilidades) jamais poderia ser confundido como sujeito por ser introduzido pela preposiçãode.

Como partícula apassivadora:

Diferentemente do que ocorre com o índice de indeterminação do sujeito, quando o SE aparece como partícula apassivadora (PA), o sujeito está expresso na oração, normalmente, posposto ao verbo, na posição em que geralmente estaria o objeto direto. Nesse caso, o verbo vai concordar com o sujeito paciente, que sofre a ação indicada pelo verbo. A PA pode acompanhar apenas verbo transitivo direto (VTD) ou verbo bitransitivo/transitivo direito e indireto (VTDI). Vejamos:

a) Vende-se[esta casa] Esta casa é vendida sujeito

b) Vendem-se[estas casas] Estas casas são vendidas sujeito

c) Doou-se [mantimento] aos necessitados Mantimento foi doado aos necessitados

sujeito

DICA 7: Concordância com expressões partitivas ou coletivas

Com expressões partitivas (a maioria de, uma minoria de, uma parcela de, uma grande parte de...), o verbo concorda ou no singular com a expressão ou com o determinante (adjunto adnominal).

Ex.: A maioria dos alunos não vieram à aula. (concordância com o adjunto)

Ex.: A maioria dos alunos não veio à aula. (concordância com a expressão partitiva)

CUIDADO! A banca pode colocar outras expressões que não sejam partitivas, o que pode induzir você, candidato, ao erro. Em "A vaga dos candidatos a Oficial foi bloqueada", não se admite a concordância com o elemento mais próximo, no caso, o adjunto adnominaldos candidatos a Oficial. Só é admitida a dupla concordância com expressões partitivas.

Referências

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