Serviço e Disciplina de Clínica Médica Serviço e Disciplina de Clínica Médica
Sessão Clínica
Sessão Clínica –– 09/04/201809/04/2018 Auditório Honor de Lemos Sobral
Auditório Honor de Lemos Sobral-- Hospital Escola Álvaro AlvimHospital Escola Álvaro Alvim Orientador: Prof. Dr. Alcino
Orientador: Prof. Dr. Alcino HauajiHauaji Relatora:
Relatora: DrªDrª. . Maria Fernanda Maria Fernanda Fernandes Duarte Costa(R2Fernandes Duarte Costa(R2)) Debatedora:
Caso clínico
Caso clínico
Identificação: 42 anos, feminina, solteira, auxiliar de cozinha,
atualmente trabalhando com reciclagem, natural e procedente de Campos dos Goytacazes - RJ
Queixa principal: Tosse
HDA: Há aproximadamente 5 meses, paciente vem apresentando tosse
ANAMNESE
HDA: Há aproximadamente 5 meses, paciente vem apresentando tosse
seca, associada a dispnéia aos grandes esforços e dor pleurítica à inspiração profunda. Procurou atendimento médico em hospital de emergência, sendo diagnosticada com pneumonia e tratada com antibióticos, porém sem melhora do quadro. Após 2 semanas, notou edema facial e de membros superiores. Relata ainda surgimento de rouquidão, astenia e anorexia. Nega emagrecimento significativo. Nega hemoptise.
HPP: Nega comorbidades e alergias medicamentosas.
Medicamentos: Clonazepam 6 mg/dia por conta própria.
Cirurgias: Ø Hemotransfusão prévia: Ø
História Ginecológica: G3P1A2 (1 espontâneo e 1 provocado), menarca
aos 12 anos, ciclos menstruais regulares, sem acompanhamento ginecológico
ANAMNESE
História Familiar: Mãe com câncer de útero, irmão com câncer de laringe
e pai falecido por causas externas.
História Social: Tabagista (30 maços/ano). Etilista social atualmente,
mas com relato de consumo excessivo de destilados e fermentados por 5 anos, sem carga etílica conhecida. Refere uso de cocaína. Comportamento heterossexual com promiscuidade. Exposição à fumaça de material tóxico (metais pesados) e fumaça de fogão à lenha.
EXAME FÍSICO
Ao exame: Paciente acordada, lúcida, orientada, hidratada, hipocorada
(+/4+), anictérica e acianótica, com pletora e edema facial (+++/4+) e taquipneica.
ACV: RCR 2T BNF sem sopros; FC: 100 bpm; PA: 160x90 mmHg
AR: MV diminuído em bases, com macicez à percussão e FTV diminuído
principalmente à direita, com sibilos difusos; SatO2: 94% e FR: 28 irpm principalmente à direita, com sibilos difusos; SatO2: 94% e FR: 28 irpm
Abdome: atípico, RHA+, flácido e indolor à palpação superficial e
profunda, sem visceromegalias palpáveis
MMII: sem edema, panturrilhas livres
EXAMES COMPLEMENTARES
Hb/HT (12-17 g/dL / 37-50 %) 10,5/29,6 VCM (79 - 98 fL) 83,3 HCM (26 - 32 pg) 29,5 Leuco (4.000 - 11.000/mm3) 10.900 Eosin (2 - 4%) 0% Bas (0 – 3%) 0% Segment (40 – 75%) 89% Segment (40 – 75%) 89% Linf (20-45%) 7% Plaq (140.000 - 400.000/mm3) 394.000 Glicose (70 - 99 mg/dL) 173 Ureia (15 - 45 mg/dL) 15 Creatinina (0,4 - 1,2 mg/dL) 0,7 Sódio (135 - 145 mEq/L) 138 Potássio (3,5 - 5,5 mEq/L) 3,5CASO CLÍNICO
Discutir...Hipóteses diagnósticas
Discussão Clínica
Identificação: 42 anos, feminina, solteira, auxiliar de cozinha, atualmente trabalhando com reciclagem, natural e procedente de Campos dos Goytacazes – RJ
Queixa principal: Tosse
HDA: Há aproximadamente 5 meses, paciente vem apresentando HDA: Há aproximadamente 5 meses, paciente vem apresentando tosse seca, associada a dispneia aos grandes esforços e dor pleurítica à inspiração profunda. Procurou atendimento médico em hospital de emergência, sendo diagnosticada com pneumonia e tratada com antibióticos, porém sem melhora do quadro. Após 2 semanas, notou edema facial e de membros superiores. Relata ainda surgimento de rouquidão, astenia e anorexia. Nega emagrecimento significativo e hemoptise.
Discussão Clínica
HPP: Nega comorbidades e alergias medicamentosas.
Medicamentos: Clonazepam 6 mg/dia por conta própria. Cirurgias: Ø Hemotransfusão prévia: Ø
H. Ginecológica: G3P1A2 (1 espontâneo e 1 provocado),
H. Ginecológica: G3P1A2 (1 espontâneo e 1 provocado), menarca aos 12 anos, ciclos menstruais regulares, sem acompanhamento ginecológico
História familiar: Mãe com câncer de útero, irmão com câncer de laringe e pai falecido por causas externas.
História social: Tabagista (30 maços/ano). Etilista social atualmente, mas com relato de consumo excessivo de destilados e fermentados por 5 anos, sem carga etílica
conhecida. Refere uso de cocaína. Comportamento
heterossexual com promiscuidade. Exposição à fumaça
Discussão Clínica
heterossexual com promiscuidade. Exposição à fumaça
de material tóxico (metais pesados) e fumaça de fogão à lenha.
Exame Físico:
Paciente acordada, lúcida, orientada, hidratada, hipocorada (+/4+), anictérica e acianótica, com pletora e edema facial (+++/4+), taquipneica.
ACV: RCR 2T BNF sem sopros; FC: 100 bpm; PA: 160x90mmHg
Discussão Clínica
ACV: RCR 2T BNF sem sopros; FC: 100 bpm; PA: 160x90mmHg AR: MV diminuído em bases, com macicez à percussão e FTV
diminuído principalmente à direita, com sibilos difusos; SatO2: 94% e FR: 28 irpm
Abdome: atípico, RHA+, flácido e indolor à palpação superficial e profunda, sem visceromegalias palpáveis
MMII: sem edema, panturrilhas livres MMSS: edema (++/4+)
Discussão Clínica
Hb/HT (12-17 g/dL / 37-50 %) 10,5/29,6 VCM (79 - 98 fL) 83,3 HCM (26 - 32 pg) 29,5 Leuco (4.000 - 11.000/mm3) 10.900 Eosin (2 - 4%) 0% Exames Laboratoriais: Eosin (2 - 4%) 0% Bas (0 – 3%) 0% Segment (40 – 75%) 89% Linf (20-45%) 7% Plaq (140.000 - 400.000/mm3) 394.000 Glicose (70 - 99 mg/dL) 173 Ureia (15 - 45 mg/dL) 15 Creatinina (0,4 - 1,2 mg/dL) 0,7 Sódio (135 - 145 mEq/L) 138 Potássio (3,5 - 5,5 mEq/L) 3,5Discussão Clínica
Tosse Crônica Dispneia e dor
pleurítica
Pletora e edema facial
SÍNDROME DA VEIA CAVA SUPERIOR Rouquidão, Astenia e Anorexia
Tuberculose Síndrome de Cushing
Câncer de Pulmão DPOC
Discussão Clínica
Diagnósticos diferenciais:# Tuberculose
• Favoráveis: Tosse crônica + Dor pleurítica + Prevalência • Contra: Sem relato de febre e sudorese noturna. Nega • Contra: Sem relato de febre e sudorese noturna. Nega emagrecimento.
# DPOC
• Favoráveis: Tabagista (30 maços/ano) + Dispneia aos esforços + Tosse Crônica + Sibilos + Exposição fogão à lenha
Discussão Clínica
# Fibrose Pulmonar Idiopática
• Favoráveis: Tabagista + Exposição à queima de lenha
• Contra: Ausência de estertores finos e baqueteamento • Contra: Ausência de estertores finos e baqueteamento digital + Evolução não característica
Discussão Clínica
# Câncer de pulmão• Favoráveis: Tosse + Dispnéia + História familiar + Tabagista (30 maços/ano) + Metais pesados (Cr, Ni, As...) • Contra: Nega emagrecimento e hemoptise
Oat Cell
# Síndrome de Cushing
• Favoráveis: HAS, intolerância à glicose, pletora facial, edema, eosinopenia, linfopenia
• Contra: Hiperandrogenismo, estrias, tosse crônica
Discussão Clínica
Síndrome da Veia Cava SuperiorPrincipais Etiologias
Neoplasia de pulmão• 70% dos casos
• 38% Carcinoma indiferenciado de pequenas células (mais associado)
associado)
• Câncer de pulmão não pequenas células (maior número de casos)
Principais Etiologias
Mediastinite Fibrosante • Histoplasmose • Idiopática • Mycobacterium Tuberculosis • Sífilis • Sífilis • Silicose• Outras Micoses sistêmicas (Actinomicose, Aspergillusflavus, Paracoccidioidomicose, zigomicose)
• Nocardiose • Metisergida • Sarcoidose
Principais Etiologias
Outras Etiologias:• Aneurisma de Aorta torácica • Linfoma
• Tumor mediastinal primário/ metastático • Tumor mediastinal primário/ metastático • Timoma • Dispositivos intravasculares • Trombose • Síndrome de Behçet • Mesotelioma • Mixoma atrial
Condução do caso
Exames de imagem:
1- Venografia convencional/ Venografia por RM
• Identificar local, extensão e significância hemodinâmica da lesão.
• Ajuda a planejar o posicionamento do stent.
• Não mosta a causa da obstrução Exceto trombo
2- Radiografia de tórax: 84 % alteração, 64 % alargamento do
mediastino, 26 % derrame pleural
3- TC tórax com contraste: Vasos colaterais, extensão do
bloqueio venoso
4- Histopatológico (Broncoscopia, mediastinoscopia,
Condução do caso
Mulher, tabagista, história de câncer na família, apresentando síndrome da veia cava superior. No momento com tosse, edema de face e MMSS, rouquidão astenia e anorexia.
Elevação da cabeça, repouso, restrição de líquidos,
antieméticos, suplementação de O2, diuréticos.
Solicitar Venografia ou AngioTC/RM + BAAR + Testes rápidos para DST
antieméticos, suplementação de O2, diuréticos.
Histopatológico/ Tratar causa base TC Tórax
DISCUSSÃO CLÍNICA
SÍNDROME
DISPNEICA ROUQUIDÃOTOSSE E DERRAME PLEURAL
ALTA CARGA TABÁGICA EDEMA E PLETORA FACIAL EDEMA DE MEMBROS
v SUPERIOR / CA DE PULMÃOSÍNDROME DE VEIA CAVA
TABÁGICA FACIAL
MEMBROS SUPERIORES
CONDUÇÃO DO CASO
• Medidas de suporte: O2 suplementar, elevação da cabeça,
uso de diuréticos e corticosteroides.
• Ivermectina 6 mg 2 cp VO dose única • Dexametasona 4 mg IV 6/6 horas
• Solicitada TC de tórax com contraste
• Não se deve tratar empiricamente com radioterapia antes de
CONDUÇÃO DO CASO
• Drenagem de tórax em selo d’água• Broncoscopia: lesão séssil
localizada em carina secundária com brônquio do LSD e brônquio do lobo médio
médio
• Realizada biópsia com retirada de 4
fragmentos
SÍNDROME DE VEIA CAVA SUPERIOR
SÍNDROME DE VEIA CAVA SUPERIOR
• Emergência oncológica• Manifestações clínicas • Derrame pleural em 2/3
• Diagnóstico clínico e radiológico • Biópsia por broncoscopia
• Tratamento dos sintomas
compressivos e da causa de base
SÍNDROME DE VEIA CAVA SUPERIOR
CARCINOMA NEUROENDÓCRINO DE
PEQUENAS CÉLULAS (OAT CELL)
• Rápido crescimento, grande capacidade de disseminação
CARCINOMA NEUROENDÓCRINO DE
PEQUENAS CÉLULAS (OAT CELL)
• Alta carga tabágica• Localização central e infiltra mucosa, reduzindo calibre
brônquico
• Tosse, dispneia, emagrecimento
• Metástase (70%): fígado, adrenais, osso, medula óssea e
cérebro
EVOLUÇÃO
Estadiamento: acometimento ósseo
QT
- CAV (Ciclofosfamida, Doxorubicina e Vincristina) - Carboplatina e Etoposídeo
Evolução com piora da dispneia
RT dose única
Referências Bibliográficas
GONÇALVES, T.H.C.S et al. Coma mixedematoso e trombo de veia cava superior. Relato de
caso e revisão da literatura. Rev Soc Bras Clin Med. São Paulo, v.15, n.4, out-dez. 2017. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/01/877190/154272-278.pdf. Acesso
em: 07/04/2018.
HARRISON, T.R. Harrison: Medicina Interna. 18ª ed. São Paulo: Ed. McGraw-Hill, 2013. KANG, D.W.W. et al. Sclerosing mediastinitis in the differential diagnosis of mediastinal
tumors. J. bras. pneumol., São Paulo, v.32, n.1, p.78-83, fev. 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132006000100015&lng=en&nrm=iso Acesso em: 05/04/2018.
MACEDO, J.LS. Mediastinite fibrosante. J Pneumol v.24, n.3, mai-jun. 1998.
NOGUEIRA, T.A.; OOLIVEIRA, L.F. Síndrome da veia cava superior idiopática: relato de
caso. Medicina, Ribeirão Preto. v.48, n.4, p.408-411, 2015. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/download/108307/106623. Acesso em 05/04/2018.
PARASCHIV, B. et al. Superior vena cava syndrome. Archives of the Balkan Medical
Union. v.52, n.1, p.39-43, mar. 2017. Disponível em: http://umbalk.org/wp-content/uploads/2017/03/ABMU_01207-Book-210x297-V6-39-43.pdf Acesso em: 07/04/2018
STRAKA, C. et al. Review of evolving etiologies, implications and treatment strategies for the
superior vena cava syndrome. SpringerPlus v.29, n.5, fev. 2016. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4771672/. Acesso em 07/04/2018.
REFERÊNCIAS
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Angiol 2008;17(1):43-46.
CORDEIRO, SZB. et al. Síndrome de veia cava superior. Jornal Brasileiro
Pneumologia. 2008; 288-293:28(5).
Wilson, LD. Superior Vena Cava Syndrome with Malignant Causes. New
England Journal Med 2007;356:1862-9. England Journal Med 2007;356:1862-9.