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Agricultura familiar assentada e educação

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AGRICULTURA

FAMILIAR ASSENTADA

E EDUCAÇÃO

MLKJIHGFEDCBA

(O O M E S T IC A G R IC U L T U R E A N O C IT IZ E N S H IP )

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

.d.

o:

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

l e .

Cio

lio

m

-15.

RESUMO

~s.

ão

E s t e a r t i g o , c o n s t r u i d o a p a r t i r d o c o n t a t o c o m o m u n d o v i v i d o d e a l g u n s a s s e n t a d o s e a s s e n t a m e n -t o s d o C e a r á , c o n s t a t a a r e l a ç ã o i n s t r u m e n t a l e u t i l i t a r i s t a d e a s s e s s o r e s e l i d e r a n ç a s , p r o p o n d o a l -g u m a s d i r e t r i z e s p e d a g ó g i c a s v o l t a d a s p a r a a a ç ã o c i d a d ã eo d e s e n v o l v i m e n t o .

10r ) l

-s-

DCBA

P a l a v r a s - c h a v e : A g r i c u l t u r a f a m i l i a r , c i d a d a n i a ,

a s s e n t a m e n t o , c a p a c i t a ç ã o e d e s e n v o l v i m e n t o .

lo:

ra.

ABSTRACT

o T h i s a r t i c l e , e l a b o r a t e d t h r o u g h c o n t a c t s w i t h t h e r e a l i t i e s o f s o m e p e a s a n t h a m l e t s , v e r i fi e d a n i n s -t r u m e n -t a l a n d u t i l i t a r i a n r e l a t i o n s h i p b e t w e e n c o n s u l t a n t s a n d l e a d e r s . l t s u g g e s t s s o m e p e d a g o g i c p r i n c i p i e s o r i e n t e d t o w a r d s c i t i z e n s h i p a t t a i n m e n t a n d

d e v e l o p m e n t .

K e y w o r d s : D o m e s t i c a g r i c u l t u r e , c i t i z e n s h i p ,

p e a s a n t h a m l e t s , t r a i n i n g a n d d e v e l o p m e n t .

o

ASSENTAMENTO COMO INSTRUMENTO

DO MERCADO

Já se tornou lugar-com um , nos docum entos de

instituições governam entais e até m esm o em alguns

docum entos produzidos por representações dos tra-balhadores e escritórios de elaboração de projetos, a

concepção de que o assentam ento rural é um a

unida-de jurídica, política e econôm ica, ou seja, um a área

de terra lim itada (espaço físico-geográfico) que com

-porta um a unidade produtiva organizada sob o com

an-ILicenciado em Filosofia e M estre em Sociologia, professor substituto do Departam ento de Ciências Sociais e Filosofia da UFC.

coordenador do Ethos-XXI e autor deD o L i b e r a l i s m o a o N e o l i b e r a l i s m o , EDIPUCRS. 1998

URIBAM XA VIERI

do dos assentados. Esta concepção se fundam enta no

ideal de reform a agrária que faz a sinergia entre

polí-tica agrária e polípolí-tica agrícola. A polípolí-tica agrária com

o objetivo de prom over o acesso àterra desobstruindo

o longo processo de concentração de terras no país. A política agrícola com o instrum ento de viabilização das

condições objetivas de produção e desenvolvim ento rural, seu objetivo m aiúsculo é a inclusão dos

traba-lhadores rurais com o produtores no processo de

orga-nização econôm ica do país.

Acredita-se que os assentam entos, enquanto

unidades produtivas, são potencialm ente capazes de

evoluír para unidades em presariais, ou seja, são

capa-zes de se integrar ao m ercado na condição de consu-m idores e produtores. Para atingirem tal finalidade

devem ser apoiados por um a ação articulada entre

capacitação e assistência técnica. A diretriz geral da

capacitação, entre outras, é:

T o d o e s fo r ç o d e c a p a c i t a ç ã o d e t é c n i c o s e p r o d u t o r e s e s t a r á v o l t a d o p a r a i d e n t i fi c a r e e s t i -m u l a r -m e c a n i s -m o s d e g e r a ç ã o d e r e n d a e m e l h o r a r a s c o n d i ç õ e s d e b e m e s t a r d a s fa -m í l i a s a s s e n t a d a s(INeRA, 1996)

E o objetivo geral da assistência técnica, entre

outros, é "contribuir àobtenção de altos níveis de

de-sem penho técnico no desenvolvim ento dos em

preen-dim entos financiados com recursos do FXE· · . (BXB.

1994: 138).

Para o raciocínio lógico-form al ou cartesiano,

com o qual nos acostum am os a pensar no cotidiano,

tudo está coerente: os assentados conquistaram a

ter-ra, aos poucos vão conquistando créditos e

equipa-m entos agrícolas, faltaequipa-m agora novos conheciequipa-m entos

e tecnologias, ou seja, falta assistência técnica e

capacitação. O raciocínio conclusivo é fácil, com o na

(2)

lógica m atem ática, som ando tudo isso, o resultado

fi-nal é o desenvolvim ento e a prosperidade. M as as

coi-sas são assim na realidade? Aqui o discurso m orde o

rabo e não fica prenha. Já dizia o velho Heráclito que

não tom am os banho duas vezes no m esm o rio, e, o

que vem os form alm ente com o verdade é e não é ao

m esm o tem po, daí as interrogações: será que a visão

tecnicista em pregada nas form ulações dos projetos e

program as de assistência técnica e capacitação são

suficientes para prom over o desenvolvim ento e a

pros-peridade? Por que será que depois de tanto

investi-m ento finvesti-m anceiro, técnico e einvesti-m capacitação, einvesti-m alguns

assentam entos no Ceará, os resultados são

insatisfatórios ou até m esm o negativos?

M inha desconfiança é que parte da resposta a

essas questões se encontra na análise da postura

ins-trum ental e utilitarista adotada por lideranças,

técni-cos e instituições junto aos assentados.

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

C o m u m e n t e , a a t e n ç ã o d o s a s s e s s o r e s , d a s i n s t i t u i ç õ e s ed o s p r o g r a m a s e s t á v o l t a d a a p e -n a s p a r a a s s e g u r a r q u e s u a s p r o p o s i ç õ e s t é c -n i c a s s e j a m a c e i t a s , a p r e n d i d a s ea p l i c a d a s . E s t a a t i t u d e é t ã o d i s s e m i n a d a q u e é p o s s í v e l a fi r m a r q u e n i n g u é m

MLKJIHGFEDCBA

s e l e m b r a d e p e r g u n t a r s o b r e c o m o o i m p a c t o , a a c e i t a ç ã o e a v i a b i -l i d a d e d a s m u d a n ç a s d e c a r á t e r t é c n i c o p o l í -t i c o e n g l o b a m t r a n s fo r m a ç õ e s n o c a m p o d o s v a l o r e s e a t i t u d e s e d a s c o n c e p ç õ e s d o s t r a -b a l h a d o r e s .

É

c o m o s en e s t e , a o c o n t r á r i o d o s d e m a i s , h o u v e s s e a p e n a s o v a z i o . O u e x i s t i n -d o a l g u m a c o i s a , p u d e s s e e l a s e r s i m p l e s m e n -t e s u b s -t i -t u í d a p o r o u -t r a , m e l h o r , m a i s m o d e r n a . É

c o m o s e n ã o h o u v e s s e n e n h u m a r e l a ç ã o e n t r e t é c -n i c a s , m á q u i -n a s , p r o c e s s o s , i m a g i n a ç ã o e s í m b o

-l o s .(Araújo,1995:9)

o

resultado dessa postura técnica é que os as-sentados se integram no m ercado apenas com o

con-sum idores, os recursos do PROCERAIFNE acabam

servindo m uito m ais para dinam izar o m ercado das

indústrias, de insum os, m áquinas e equipam entos, ou

seja, o assentado m oderniza o seu consum o de

recur-sos técnicos m as continua condenado a um a condição

de vida baseada na agricultura de sobrevivência.

E o m ais grave, ainda, num docum ento de dezem

-bro/97, elaborado durante a "Oficina sobre Elaboração e

Análise do Procera", tendo com o participantes técnicos

do INCRA, Banco do Nordeste e do acordo INCRA!

PNUD, foi identificado pelos representantes dos

Esta-dos (CE, BA, SP, M S, PA, RN) os seguintes pontos

crí-ticos na elaboração dos projetos do PROCERA:

1 - Os i n v e s t i m e n t o s n ã o s ã o o r i e n t a d o s p e l o m e r c a d o ; 2 - Os t é c n i c o s n ã o e s t ã o c a p a c i t a -d o s p a r a e l a b o r a r o s p r o j e t o s ; 3 -F a l t a d e p r o -fi s s i o n a i s p a r a a s a t i v i d a d e s d e e l a b o r a ç ã o e

a n á l i s e d e p r o j e t o s ; 4 -A c o m i s s ã o e s t a d u a l d o P r o c e r a n ã o e s t á c a p a c i t a d a p a r a a n a l i s a r p r o -j e t o s c o m d i fe r e n t e s c a r a c t e r í s t i c a s ; 5 -N o p l a -n e j a m e -n t o d a s a t i v i d a d e s fi n a n c i a d a s , d e v e - s e

a v a l i a r , a l o n g o p r a z o , a s p o s s i b i l i d a d e s d e m e l h o r i a d a s c o n d i ç õ e s d e v i d a ; 6 -F a l t a d e r e fe r ê n c i a d o m a r c o z e r o ed e o n d e s eq u e r c h e -g a r ; 7 -N e c e s s i d a d e d e e s t a b e l e c i m e n t o d e p a r c e r i a , p a r a v i a b i l i z a r a e l a b o r a ç ã o ea n á l i -s e ; 8 -R e d u z i d a c a p a c i d a d e o p e r a c i o n a l d o I N C R A , d o B a n c o , ed a s e m p r e s a s c o n t r a t a d a s p a r a e l a b o r a ç ã o ea n á l i s e d e p r o j e t o s ; 9 -F a l

-t a d e d i a g n ó s -t i c o p a r a r e s p a l d a r o s i n v e s t i m e n

-t o s ; 1 0 - N ã o c o n t e m p l a m v i a b i l i d a d e fi n a n c e i r a ; 1 1 - F a l t a d e u m r o t e i r o p a r a o r i e n

-t a r a e l a b o r a ç ã o ; 12 -A s p r o p o s t a s d e i n v e s t i -m e n t o s s ã o , m u i t a s v e z e s , i m p o r t u n a s e d e s n e c e s s á r i a s ( o p r o d u t o r , à s v e z e s , j á d i s p õ e d o s e q u i p a m e n t o s q u e e s t ã o s e n d o fi n a n c i a d o s ) ; 13 - Op r o j e t o n ã o r e fl e t e a s c o n d i ç õ e s r e a i s

d o s a s s e n t a m e n t o s ; 14 -N ã o h á u m l e v a n t a -m e n t o d o s i n v e s t i -m e n t o s p r é - e x i s t e n t e s ; 15 - Os i n d i c a d o r e s d e p r o d u t i v i d a d e s ã o s u p e r e s t i m a -d o s : fi n a n c i a m e n t o d e e q u i p a m e n t o s s o fi s t i c a -d o s , s e m r e c u r s o s h u m a n o s c a p a c i t a d o s p a r a o p e r a r ; 16 - Osp r o j e t o s , d e m o d o g e r a l , n ã o a p r e s e n t a m c r o n o g r a m a d e i n v e r s õ e s ; 17 -E q u i -p a m e n t o s s u p e r - d i m e n s i o n a d o s ; 18 - Osi n v e s -t i m e n -t o s p a r a p e c u á r i a n ã o c o n t e m p l a a c r i a ç ã o d e r e s e r v a e s t r a t é g i c a ; 1 9 - F a l t a i n fo r m a ç ã o

s o b r e o P R O C E R A ; 2 0 - Os i n v e s t i m e n t o s d e -v e m s e r r e a l i z a d o s e m 2e3a n o s , n ã o a t i n g i n -d o o t e t o m á x i m o n o 10

a n o ; 21 -A s p r o p o s t a s fo r m u l a d a s s ã o i n c o e r e n t e s c o m a e c o n o m i a d o

m u n i c í p i o e d o e s t a d o .

ALGO FORA DO LUGAR

Fazendo um a visita a qualquer assentam ento do

Ceará que recebeu investim entos para aplicar em

equi-pam entos e infra-estrutura produtiva, podem os obser-var o uso inadequado de tratores, m áquinas e

cam inhões; abandono de equipam entos e peças em

local não apropriado; desperdício de produção

exce-dente; pagam ento de m ercadoria antes de receber e

conferir; com pra de m ercadoria sem nota fiscal. Será

que estes com portam entos se justificam som ente pela

(3)

falta de assistência técnica, capacitação e pelo baixo

nível de escolaridade que persiste no m eio rural?

A idéia de transform ar os assentam entos num a

unidade em presarial não é um a aspiração dos

assenta-dos do Ceará.

MLKJIHGFEDCBA

Éum desejo institucional com partilhado por alguns técnicos e dirigentes. A cultura vigente é

um com portam ento sem am bição de m ercado, a

produ-ção de sobrevivência em áreas de sequeiro e a

produ-ção de culturas sem valor de m ercado m as de grande

valor de uso. Pois bem , se a idéia de transform ar os

assentam entos num a unidade em presarial é um a idéia

que se choca com a cultura sedim entada na

consciên-cia dos assentados, com o, na prática, se efetivam a

con-vivência e aceitação dela pelos m esm os?

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

N e s t e c a s o , n ã o s e c o n s i d e r a m a s n e c e s s á r i a s

a l t e r a ç õ e s q u e a s i n o v a ç õ e s t é c n i c a s e x i g e m o u p r o v o c a m n o s p r o c e d i m e n t o s d e a s s o c i a -ç õ e s e d e g e r e n c i a m e n t o ; e m u i t o m e n o s n o d o m í n i o d e v a l o r e s e d o s c o m p o r t a m e n t o s i n -d i v i -d u a i s e c o l e t i v o . E s s a " a c e i t a ç ã o " , q u e s e d á a p e n a s a o n í v e l d o d i s c u r s o , e q u e c o r r e s p o n d e a p e n a s a u m c o m p o r t a m e n t o d e s u b m i s s ã o o u d e o p o r t u n i s m o , l o g o e s g o t a s u a s e s c a s s a s p o t e n c i a l i d a d e s p a r a d i n a m i z a r a s p o s s i b i l i d a d e s

d e d e s e n v o l v i m e n t o e d e o p e r a r a s t r a n s fo r m a -ç õ e s m a i s p r o fu n d a s . M u i t o s d o s c a s o s d e " a c e i -t a ç ã o " s e -t r a n s fo r m a m e m s u c e s s o s e fê m e r o s e v i r a m v i t r i n e s t e m p o r á r i a s ' p a r a o s v i s i t a n t e s i n c a u t o s o u c r é d u l o s . E q u a n d o o fr a c a s s o m o s -t r a s u a fa c e , a s e x p l i c a ç õ e s t a m b é m c o s t u m a m s e r p a r c i a i s e s u p e r fi c i a i s . S e m e s t a r e m a n c o r a -d a s e m a n á l i s e s s u fi c i e n t e m e n t e c r i t e r i o s a s , e l a s a p o n t a m p a r a j u s t i fi c a t i v a s a r b i t r á r i a s : fa t o r e s e s t r u t u r a i s fo r a d a c a p a c i d a d e i m e d i a t a d e i n fl u

-ê n c i a d o s t r a b a l h a d o r e s e t é c n i c o s ; o u o i m p r e v i s í v e l c o m p o r t a m e n t o d e a l g u m i n d i v í d u o . (Araújo,1995:11)

A form a tradicional de trabalho do assentado

não é vazia de saber. A agricultura praticada por eles

é precedida de um saber que m uitos cham am de

tra-dicional, costum e, crença. Todo processo produtivo

seja broca, destacam ento, queim ada, lim pa,

colhei-ta, conserto de cerca é conduzido por um

conheci-m ento em piricam ente acum ulado e atualizado.

Portanto, qualquer tentativa de alterar o processo

produtivo dos assentados não pode ser feita de

for-m a abrupta. Ufor-m conhecifor-m ento técnico não pode ser

transm itido de im ediato, desconhecendo o

conheci-m ento acuconheci-m ulado pelos assentados. A partir do m

o-m ento que houver por parte dos técnicos, elaboradores

de projetos e orientadores de projetos a devida

paci-ência histórica, pedagógica e técnica para

identifica-rem e com preenderem o saber sedim entado no

im aginário social dos assentados, estará se

abrin-do a possibilidade para acontecer várias sim bioses

entre saberes diferentes (da tradição, da técnica e

da inovação) na direção de um a m elhor

requalificação dos padrões produtivos e adm

inistra-tivos que possam conviver com as m utações de um a

econom ia em processo constante de globalização.

O êxito do desejo de transform ar os assenta-m entos eassenta-m unidade eassenta-m presarial passa pela com

pre-ensão do im aginário social sedim entado pelo m undo

vivido na agricultura de base fam iliar. O ato de

intro-duzir novas culturas, novos conhecim entos para

pro-dução, gestão e organização, m exe e se confronta com

esse im aginário social. É nele que a visão de m undo (suas crenças, desejos, sonhos, religiosidade,

concep-ção de qualidade de vida e riqueza, valores m orais,

sentidos da vida e da m orte) dos assentados é form u-lada. Essa dim ensão estruturada é tam bém

estrutu-rante, é a partir dela que eles orientam suas vidas,

incorporam , convivem , desprezam ou dem onstram m edo diante das novidades.

Ao m esm o tem po que é preciso acessar os

as-sentados ao processo de assistência técnica e capacitação, é preciso saber com o introduzir na sua

base cultural a necessidade do lucro com o objetivo a

ser alcançado, valorizar o desem penho pessoal e criar

um a base m ínim a de com petição produtiva para

tor-nar o m ercado um objetivo a ser alcançado. Sem

es-ses novos valores não terem os assentam entos com o

unidade em presarial produzindo para o m ercado.

Nes-se Nes-sentido, um a nova postura educativa se faz m ister.

EDUCAÇÃO PARA CIDADANIA COMO PARADIGMA DE AÇÃO

A educação para cidadania, com o paradigm a

de ação, deve ter com o objetivo m aior a transform

a-ção da unidade fam iliar assentada em sujeito capaz

de agir contra o processo de exclusão social a que

está subm etida. Para se transform ar em sujeito, os

assentados precisam se reconhecer, recriar e

rein-tegrar num processo que os tom em capazes de

to-2Exem plo de assentam ento no Ceará que virou vitrine tem porária foi o de Santana, no m unicípio de M onsenhor Tabosa e M aceió no

(4)

m ar iniciativas em defesa da coisa pública, assum ir

responsabilidades e criar soluções para seus proble-m as, tolerar e respeitar as diferenças. O conteúdo

dessa ação educativa deve contem plar a form a de

convivência sustentável da unidade fam iliar nas

con-dições am bientais do sem i-árido, o desenvolvim ento

com o relação entre o local e o global, a relação

públi-co e privado, a exclusão social e os direitos hum anos.

A educação para cidadania im plica num a

op-ção m etodológica que corresponda a um a determ

ina-da concepção de cultura e de sociabilidade entre a unidade fam iliar assentada. Ela deve ser um processo

interativo entre educação política e am biental, gênero

e saúde reprodutiva da m ulher rural, capacitação

téc-nica para produção e gestão. Deve oferecer

conheci-m entos que fundam entem e sistem atizem a prática

social, econôm ica, política e cultural dos assentados.

Deve, ainda, ser um espaço pedagógico baseado em

valores éticos que correspondam a form as inovadoras

de organização social e de convivência.

A OPÇÃO METODOLÓGICA

Com um ente as questões m etodológicas são

pen-sadas apenas no âm bito das técnicas que se devem

utilizar. No entanto, o problem a m etodológico está em

com o desenvolver todo um processo de conhecim

en-to capaz de perm itir a descoberta, a produção e repro-dução crítica da realidade. Para tanto, o m ais im portante

não é quantidade de inform ação transm itida, m as a

criação de oportunidades para se agir descobrindo e

produzindo conhecim ento que fortaleça a organização

política, econôm ica e cultural da unidade fam iliar e que

desperte um a consciência cidadã.

Na m etodologia não estão apenas os passos, os

m eios ou ferram entas necessárias a um a prática

edu-cacional, m as tam bém a estratégia global que perm ite

dotar de coerência interna, sentido e perspectiva o

tra-balho que se realiza. Nessa perspectiva, a construção

da cidadania vai se esboçando com o um agir em que

os assentados conduzem o processo de transform

a-ção do seu espaço local para o conjunto da sociedade.

Essa estratégia de desenvolvim ento passa

pedagogi-cam ente por duas dim ensões: a consciência que os

assentados vão adquirindo de si m esm os e a

consci-ência que vão adquirindo da realidade local e global.

Não basta para chegar à condição de cidadão

ter conhecim ento apenas de suas condições de vida.

Todo assentado tem consciência de suas dificuldades,

dos seus apertos, em bora nem sem pre conheça "os

porquês". Além do conhecim ento das condições de

vida, faz-se necessário um a ruptura com a form a de

representação sedim entada no seu ethos cultural ao

longo de sua existência. Esse rom pim ento só é possível

num processo de confronto do assentado com ele

m esm o (recriação de seus valores e da sua

auto-esti-m a) e do tensionaauto-esti-m ento dele com a sociedade

(con-fronto com as form as de exclusão social e

antidem ocráticas). Aqui, a relação dialética entre

pú-blico e privado, indivíduo e coletivo é fundam ental,

pois o objetivo da m etodologia é fazer com que os

assentados passem a ser condutores de um processo

de construção de um m odelo de desenvolvim ento

hum ano e sustentável, de relações dem ocráticas e

de ações cidadãs.

e

51

MLKJIHGFEDCBA

li:

E

n

u

d

AS DIRETRIZES PEDAGÓGICAS

n

I ]

U

A educação para cidadania é um a ação que tem

intencional idade, por isso ela deve ter algum as

dire-trizes pedagógicas que perm itam atingir os seus obje-tivos. No processo de educação para cidadania algum as

diretrizes são im portantes para que sua efetivação seja

dem ocrática, saudável e eficaz na m udança de m en-talidade e com portam ento:

I!!- O conhecim ento é um a construção perm

a-nente. Ele se constrói sobre um a experiência vivida, pelo m odo de vida individual e coletivo. Um

proces-so de conhecim ento im plica na socialização do

co-nhecim ento já acum ulado, sua crítica, produção e

sistem atização de novos. A produção de conhecim

en-tos novos só se efetiva a partir da vida quotidiana. A

sua sistem atização, por sua vez, nos perm ite produzir

abstrações necessárias para superação dos lim ites do

contexto local projetando a necessidade de um a vida

m elhor e de um a sociedade futura. Na sim biose entre

o saber acum ulado pelos assentados e o saber técnico

já produzido, podem os encontrar a m ediação de com o

introduzir o m ercado com o objetivo a ser atingido pela

ação produtiva da m ão-de-obra fam iliar assentada.

2!!- O objetivo da educação para cidadania não

é apenas repassar inform ações, conhecim ento ou

instrum entalizar, m as perm itir a criação de um livre

espaço de ação onde os envolvidos no processo

pos-sam construir os seus próprios cam inhos, elaborar seus

projetos e articular soluções para seus problem as.

3!!- Na educação para cidadania, a participação,

por si m esm a não pode ser entendida com o m ero ato de estar presente em atividades ou de ser consultado,

m as com preendida com o um processo de liberdade onde

se pensa, estuda, identificam se problem as, descobrem

-se soluções e tom am --se decisões. Há m uitas decisões

s:

é1

o

(5)

e projetos sendo aprovados nos assentam entos que são verdadeiras arm adilhas, todavia são tidos com o

legítim os pelo fato de terem passado por um a reunião.

Ora, esse cam inho pode servir m uitas vezes, m uito

m ais, para m anipular e não para provar o seu caráter

dem ocrático.

42 - Na educação para cidadania, as idéias, os

conteúdos e as reflexões devem ser recebidos com

visão crítica, m esm o que venham de quem se confia.

Essa é a condição, pelo cam inho dialético, para

en-contrar de form a criativa as respostas para questões não resolvidas. O pensam ento crítico deve ser

investigativo, exploratório, analítico e não pode

per-der a dinâm ica das relações entre a ação local e o contexto global.

52 - O educador ou educadora deve ter

inte-resse e com prom isso com o desenvolvim ento

hu-m ano e sustentável da unidade fam iliar assentada.

Um com prom isso eficiente é aquele que se expres-sa na com petência profissional. Do ponto de vista

ético, tal com prom isso exige a reciclagem

profissi-onal constante, a atualização e o respeito ao

pro-cesso de aprendizado e cam inhada do assentado e

do assentam ento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, José Edvar Costa de.

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

V a l o r e s e a t i t u d e s

d o s a s s e n t a d o s r u r a i s n o c o n t e x t o d a s m u d a n ç a s n e c e s s á r i a s e m s e u s s i s t e m a s p r o d u t i v o s e o r g a n i z a t i v o s . Fortaleza, 1995. (M im eografado). BNB. F u n d o c o n s t i t u c i o n a l d e a ç ã o d o B a n c o d o

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MLKJIHGFEDCBA

Referências

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