Hayley Faiman
Russian Bratva #1
Haleigh não sabe nada do amor. Criada para ser nada mais do que a bailarina que sua mãe nunca pôde ser, ela come, dorme e respira dança. Então, quando ela é pega de surpresa pela notícia de que seus pais a arranjaram um casamento, ela faz o que sempre fez exatamente o que lhe é dito. No entanto, apesar do fato do homem que vai chamar de marido ser um completo estranho, Haleigh não pode evitar ter esperança que talvez, apenas talvez, ela finalmente tenha a chance de conhecer o amor.
Maxim não é um homem bom. Sua força é clara e suas belas feições são apenas um disfarce para a pessoa perigosa que se encontra por trás delas. Quando ele recolhe uma dívida por meio de uma bela noiva bailarina, ele aprecia o fato de que é dono de algo tão puro, tão inocente, tão inegavelmente dele. No entanto, Haleigh é melhor do que ele jamais esperava, e não demora muito para sua posse começar a se transformar em algo mais, muito mais.
Mas quando a escuridão do passado de Maxim volta para assombrá-lo, a ilusão de segurança do amor é quebrada. Os demônios de Maxim procuram destruir tudo o que ele mais preza. De repente, ser propriedade do homem mal é pior do que Haleigh tinha imaginado. A fim de protegê-la, Maxim tem que decidir o quão ruim ele pode ser, e se deixar ir é a melhor escolha.
Prólogo
Haleigh entrou no palco e ela podia sentir a descarga de adrenalina que a atingiu como um soco de duas toneladas. Era pesada, espessa, e quase a fez tropeçar. Se ela caísse,
sua vida e sua carreira estariam acabadas. Ela ficou lá, alta e
orgulhosa, esticando seu corpo enquanto começava a dançar. Ballet, era a razão pela qual ela respirava. Ballet tinha sido empurrado por sua garganta abaixo desde que ela tinha apenas dois anos. Ballet era tudo o que Haleigh conhecia. Era
por isso que ela estava nesta terra. Seu propósito era viver um
sonho que sua mãe nunca tinha realizado.
Jacques, seu parceiro, levantou seu corpo no ar enquanto ela arqueava sobre sua cabeça. Seus braços para baixo, pendurado em suas costas. Ela poderia pegar a sua bunda, se ela quisesse, mas seria inconveniente e algo que ela nunca, jamais sonharia em fazer. Hoje à noite, ela era a Cinderela e Jacques o belo príncipe. Ele provavelmente
desejava que ela fosse um cavalariço ao invés. Ele odiava
Haleigh e a chamava de vaca gorda a maior parte do tempo. Haleigh era talentosa. Ela nasceu e foi criada no estúdio de balé; até mesmo estudando em casa, porque a escola seria apenas uma distração para seu ofício, como sua mãe dizia. Aos vinte anos de idade, ela nunca foi convidada
para um encontro, ou beijou um menino, e nem andou de mãos dadas com um. Ela não tinha amigos, homem ou mulher. Haleigh era sozinha. Sentia-se como um animal premiado, apenas para ser exibida, mas nunca para viver sua própria vida. Sua vida consistia em treinos, condicionamento,
treinos, ensaios e shows.
Quando a cortina se fechou, Jacques praticamente jogou Haleigh no chão de bunda antes de ir pegar uma água. Haleigh ficou para trás, longe dos dançarinos, e preparada para a reabertura da cortina. Ela se perguntou se sua vida seria para sempre assim - solitária e lamentável.
Sorrir e se inclinar para o público deixou uma sensação de vazio. Eles apreciaram sua bela técnica- e foi
lindo - porque essa técnica de tirar o fôlego foi forçada nela. O
que eles não sabiam era quão deprimente e solitário era o resto de sua vida.
Vestindo sua calça de ioga e uma camiseta bem larga, Haleigh deixou o teatro. Estava monótono e garoava e ela estava sozinha mais uma vez. Todo o elenco tinha ido a uma festa, ela não foi convidada. Olhou para cima para ver seu motorista esperando por ela. Torrent iria levá-la para casa, e iria se certificar de que ela estava em segurança dentro de seu edifício antes dele sair. Ele era a única pessoa que sorria para Haleigh. Era um sorriso triste e lamentável, mas era um sorriso mesmo assim.
— Boa noite, senhorita Haleigh — disse ele suavemente enquanto ela deslizava na parte traseira do sedan preto.
— Olá, Torrent— murmurou tristemente, descansando a cabeça no encosto do assento. Os quinze minutos até seu prédio seriam o suficiente para relaxar da adrenalina da apresentação que ainda corria em suas veias.
— Sinto muito, senhorita, mas fui informado que sua mãe quer que você a encontre na sala de estar formal, assim que chegar em casa esta noite. — Os olhos de Haleigh se abriram com surpresa. Ela não via seus pais muitas vezes, e eles nunca pediam para se encontrar com ela, a menos que algo estivesse errado sobre uma apresentação ou competição.
Haleigh vivia sua vida para o ballet, e quando ela não estava dançando, ela estava dormindo até que chegasse o próximo ensaio ou apresentação. Seus pais tinham suas próprias vidas, compromissos sociais e empresariais ocupando a maior parte do seu tempo.
— Tudo bem — ela disse suavemente, o encontro a deixava nervosa.
Quando entrou no apartamento, Haleigh via manchas diante dos seus olhos. Estava à beira de ter um ataque de pânico. Ela se obrigou a respirar fundo e calmamente, e felizmente, isso funcionou. O pânico diminuiu e ela se preparou para o que quer que seus pais tivessem para ela.
— Haleigh — disse Amelia Stockhardt, sua mãe, chamando sua atenção para a mulher bonita. Ela estava sentada perfeitamente imóvel em uma cadeira verde suave.
— Mãe — disse Haleigh. Nunca foi mamãe ou
— Eu decidi que é hora de você se casar. Você é maior de idade e precisa produzir algumas crianças. Eu tinha certeza que você não iria encontrar um companheiro apropriado por conta própria, então eu escolhi um para você — Amelia anunciou. O ar nos pulmões de Haleigh desapareceu, e seus joelhos ficaram frouxos em surpresa.
— Eu ... eu não entendo — Haleigh sussurrou.
Seu corpo começou a tremer, provavelmente por causa da intensa adrenalina, sua falta de consumo de calorias, e o choque do que sua mãe estava dizendo, ou o que ela parecia estar sugerindo.
— Eu sei que você não é a mulher mais inteligente desta terra Haleigh, mas eu ensinei inglês para você, não ensinei? Você irá se casar. A data do casamento está marcada para daqui seis meses — ela anunciou. Sua mãe não estava lhe dando uma opção. Ela estava dizendo a ela, informando a Haleigh seu futuro.
Haleigh respirou fundo e engoliu o ar que parecia preso em sua garganta.
— E a minha carreira? — Perguntou ela. Sua vida tinha sido a sua carreira desde seus dois anos, com certeza sua mãe não iria querer jogar fora todo o dinheiro que gastou com seu treinamento.
— Será uma decisão do seu marido se ele quer ou não que continue a sua carreira de bailarina. Vá para cama, agora. Você parece terrível. Domingo você vai conhecer o seu
noivo. — Sua mãe a dispensou com uma sobrancelha
Haleigh saiu atordoada, caminhando lentamente para o seu lado do apartamento e seu quarto. A confusão encheu sua cabeça enquanto pensava sobre as palavras de sua mãe. Amelia vivia indiretamente através da carreira da filha. Isso mudou tão de repente que deixou uma sensação desagradável no seu estômago.
Olhando em volta do seu quarto, verdadeiramente o observando provavelmente, pela primeira vez em sua vida, ela suspirou. Não era ela. Nem um pouco. O quarto era rosa ‘algodão doce’; as gravuras de ballet emolduradas e colocadas em todo o espaço faziam sua cabeça girar. Ela era uma
mulher adulta vivendo em um quarto de criança. A realidade a
incomodava, e pela primeira vez, o espaço era sufocante. Ela nunca foi nada por conta própria, e agora, ela nunca seria. Sua vida como ela conhecia estava acabada. Em apenas seis curtos meses, ela iria ser dada a um estranho.
Os dias iam e vinham, até que chegou finalmente o dia de encontrar o homem misterioso. Os pais de Haleigh não disseram nada sobre ele. Ela estava nervosa, mas animada para conhecê-lo. Era estranho sentir excitação sobre encontrar um homem que ela viria a conhecer como seu marido, mas algo sobre a situação intrigou Haleigh. Isso não era normal na América; nada sobre a vida de Haleigh foi normal para uma criança ou adolescente de qualquer maneira, então por que a idade adulta seria diferente?
Este homem, seu noivo, iria mudar seu mundo. Longe do ambiente estéril do apartamento de sua família, e ela seria capaz de criar uma casa própria. Ela só esperava
que o homem fosse bondoso, e deseja que este primeiro encontro corresse bem. No entanto, não importou o que ela esperava. Seu noivo não pôde comparecer ao brunch, pois ele teve uma reunião de negócios de emergência na segunda-feira, e foi necessário viajar. Haleigh tentou perguntar a sua mãe quem era este homem, mas ela ficou de boca fechada, o que preocupou Haleigh.
Não, isso a aterrorizou.
Seu noivo foi perpetuamente incapaz de comparecer a cada reunião social, ou encontro, marcado até o dia do casamento. Ele teve uma desculpa para tudo. Seus pais se recusaram a considerar suas perguntas, ainda retendo seu nome.
Nada além de detalhes do casamento estavam em discussão e, mesmo assim, ela não estava tomando qualquer decisão - Amelia estava. Assim, embora parecesse medieval, o primeiro encontro de Haleigh com o noivo seria no dia do casamento em si.
Haleigh se perguntou, ele iria mesmo aparecer? Ele seria cruel ou bondoso?
Mais importante, ela se perguntou por que ela deixou sua mãe forçá-la, mais uma vez, em algo que a aterrorizava.
Não importa o seu amor ou ódio pelo ballet, isso era mais do que apenas um show.
Capítulo Um
Uma semana antes do casamento
Eu inalo a fumaça antes soltá-la no rosto de um homem que não viveria para ver outro dia. Eu preciso acabar com este homem. Eu tenho algo mais importante em mente estes dias. Haleigh. Ela será minha em breve.
Muito em breve.
O suspense de ver seu rosto bonito esperando por mim me fez curioso. Confusão e possivelmente hesitação certamente estarão em seus olhos, mas ela irá atuar maravilhosamente para as pessoas ao redor, e para mim. É a maneira como ela foi criada. Para atuar.
Eu não posso esperar para ver tudo por baixo, ver como ela é quando ela não está posando perfeitamente.
— Por favor, não me mate— o homem choraminga na minha frente, tirando-me dos meus pensamentos lascivos.
— Como você pode viver? O que você vai fazer para sobreviver a isso? — Pergunto.
— Qualquer coisa, qualquer coisa que você quiser— ele implora. Sinto o cheiro familiar de urina encher o espaço minúsculo.
Isso sempre acontece. Cada. Maldita. Vez. Tão machões até que são ameaçados, então eles urinam nas calças como bebês.
Patético.
— Você não tem nada que eu quero— Eu dou de ombros.
— Maxim... — adverte Dimitri. Ele sabe que eu tenho pouco tempo e isso apenas está desperdiçando minutos preciosos.
— Sim, Dimitri, eu sei— Eu concordo antes de tirar minha arma do coldre de ombro e puxar o gatilho, mirando à testa do homem.
— Por que você brinca com eles? — Dimitri pergunta enquanto sinalizo para os homens que estão ao redor da sala virem limpar a bagunça.
— Por que não? — Pergunto com um sorriso. — Você é um doente de merda— ele ri.
Concordo com a cabeça. Eu sou.
Eu sou muito doente.
Ele sabe exatamente o quão doente pra caralho eu realmente sou.
— Leve-me para ela — Eu ordeno.
Eu não preciso explicar exatamente quem eu gostaria de ver. Ele sabe. Ele também sabe quem eu vou ver depois de fazer isso. É agora uma rotina.
O edifício é artístico e bonito, se você gosta de uma decoração moderna. Eu não poderia me importar menos com
sua aparência do lado de fora. Dentro é o que importa. Ela está lá dentro. Aceno com a cabeça para o homem da bilheteria. Eu o conheço. Os ingressos não são algo que eu preciso. Eu tenho um camarote para a temporada. Eu lentamente caminho em direção ao meu camarote. Há homens e mulheres em vários tipos de trajes. Alguns estão vestidos com perfeição, vestidos de baile e smokings, e há aqueles em traje semi formal simples. Eu estou em um terno de três peças, como sempre.
— Ela não fez sua aparição ainda — Pasha afirma quando eu sento em frente a ele. Concordo com a cabeça uma vez para mostrar que o ouvi.
As luzes se apagam e o palco se ilumina quando a orquestra começa a tocar. Esta será sua última vez no palco. Ela não sabe ainda, mas ela nunca vai agraciar um palco novamente. Eu deveria me sentir culpado por tirar isso dela, mas eu não me sinto.
Culpa não é algo que eu entendo. Eu nunca senti
essa emoção na minha vida.
Paro de respirar quando ela entra no palco. Minha respiração acelera cada vez que meus olhos pousam sobre ela. Ela é linda, como uma boneca, intocável e intocada. Ela sorri brilhantemente para o público e meu pau contrai. Meu corpo a quer mais do que já quis outra mulher. Deixa-me curioso.
Por quê?
Por que ela?
— Você só assistiu alguns momentos,— Sonia diz, envolvendo sua mão ao redor do meu antebraço.
— Eu já vi o suficiente. Te vejo no próximo fim de semana,— Eu digo. Ela sorri calorosamente em troca.
— Ela vai tirar o seu fôlego. Você vai ver— Sonia sorri. Eu balanço minha cabeça.
— Ela já tira— eu falo antes de virar e sair.
Eu não espero nem mais um segundo. Sonia vai tentar tirar mais de mim e eu não tenho mais nada para dar. Haleigh me tira o fôlego, mas eu não entendi, e eu não entendo o porquê.
— Qual a próxima parada? — Dimitri pergunta quando eu sento no banco de trás do carro.
— Você sabe onde— Eu resmungo. Eu vejo como a sua mandíbula aperta antes que ele dirija.
Dimitri me dá um olhar de desaprovação. Eu dou um olhar desafiador de volta. Eu sei que ele vai dizer o que pensa, ele sempre fala – eventualmente.
No entanto, ele fica quieto quando chegamos ao nosso destino, e mantenho a calma enquanto eu saio para cuidar das minhas coisas. Quando volto para o carro, Dimitri perdeu a capacidade de manter a boca fechada.
— Você faz isso Maxim, tão perto do momento em que você vai se casar com a bailarina? — Ele pergunta.
— Eu sou homem. Eu faço o que quiser— eu digo, incapaz de formar frases coerentes quando sinto algo diferente em meu peito com suas palavras. Ele está certo, mas eu nunca vou admitir isso para ele.
— Eu não aprovo— ele resmunga, fazendo-me soltar uma risada dura.
— Bom para mim que eu não preciso da sua aprovação. Você é meu subordinado, Dimitri. Seria bom você se lembrar disso— Eu resmungo.
Posso ouvir seus dentes trincando no banco da
frente. Eu não me importo. Ele pode ficar chateado comigo
durante todo o dia; seus desejos não significam nada para mim.
Silenciosamente, Dimitri faz o contorno em direção a minha casa e nós estamos indo. Eu não preciso, nem desejo, dos seus pensamentos sobre a minha vida. Ele é meu empregado e suas opiniões não são aceitas nem são
aceitáveis, a menos que eu, especificamente, solicite. Ele está
muito confortável. Sim, ele é um amigo, mas ele precisa saber seu lugar.
— Maxim— ele fala quando estaciona na frente da minha casa. Eu não respondo, espero ele continuar.— Você vai ser bom para ela, isso eu sei. Você é um bom homem.
Eu resmungo minha resposta.
Eu não sou um bom homem.
Ele deve saber isso.
Ele já viu os meus piores lados.
Estou de volta na minha casa, na minha própria cama. Eu não consigo dormir. Seis dias até que este espaço já não seja apenas meu. Vou até a janela e olho para a escuridão. Está tranquilo e muito quieto.
Eu me pergunto o que ela está fazendo neste exato momento.
Talvez ela esteja dormindo? Talvez ela esteja rolando na cama? O que a sua família lhe disse sobre mim?
As questões giram em torno na minha mente. Eu pego um cigarro da minha mesa de cabeceira, sabendo que este será o último que eu vou fumar neste quarto. Eu nunca irei prejudicá-la por fumar perto dela. Eu nunca iria propositalmente machuca-la. Vou tratá-la como ela deve ser tratada sempre.
Delicadamente.
Como uma boneca de porcelana. Um pequeno ornamento que apenas deve ser tocado quando exibido.
Em uma semana, eu vou ser uma mulher casada. Casada com um homem que eu nunca sequer vi. Eu suspiro enquanto eu termino de empacotar minhas coisas na bolsa de dança. Eu provavelmente nunca irei voltar aqui novamente. Já informei a companhia que esta será provavelmente a minha última performance. Jacques sorri para mim do outro lado do camarim e acho difícil não rolar os olhos para a sua presunção.
— Então, você vai se casar? — Uma dançarina pergunta. Eu não sei o nome dela. Suas apresentações são
com o grupo, nada solo, e eu não trabalhei com ela muitas vezes.
— Eu vou— eu admito quando eu termino de colocar ordenadamente minhas coisas na minha bolsa.
— Ele é gostoso? — Pergunta ela, sacudindo suas sobrancelhas para mim. Isto é confuso. Eu nunca falei com essa menina na minha vida.
— Eu não sei— eu confesso. Ela olha para mim, a boca ligeiramente aberta.
— Você não sabe? — Pergunta ela, repetindo as minhas palavras.
— É um casamento arranjado— Eu admito. Ela pisca duas vezes antes de abrir a boca de novo, mas eu ouço alguém pigarreando atrás de mim. Virando, eu vejo Torrent na entrada do camarim.
— Senhorita Stockhardt— ele acena. Eu sorrio.
— Sim, Torrent — eu digo, jogando a alça da minha bolsa sobre meu ombro e dando um passo em direção a ele.
— Você é tão esquisita como todos dizem— a menina sussurra atrás de mim.
Eu não respondo. Não posso. Ela está correta. Tenho certeza que eu sou estranha aos olhos do mundo. Permiti que meus pais escolhessem um marido para mim. Eu vivo nos Estados Unidos, em Nova York, na verdade, e concordei com um casamento arranjado.
Nada sobre mim é normal.
Capítulo Dois
O dia do casamento
Meu cabelo loiro é puxado para trás, dolorosamente, em um coque baixo. Estou habituada a dor do meu cabelo sendo puxado para trás enquanto grampos são enfiados no meu couro cabeludo. Minha maquiagem é impecável - minha pele parece cremosa, e os meus lábios estão cobertos com um brilhante gloss rosa.
Eu sou como o meu quarto na casa dos meus pais – doce como algodão doce. Meus brincos são um presente do meu pai, dois quilates em cada orelha. Eles são, provavelmente, algum tipo de desculpa por como este dia vai acabar, mas ainda mais, eu sei que eles são para manter as aparências para o show.
Meu vestido é deslumbrante. Seda cai ao longo de uma leve organza. Ele tem um V profundo na frente com tiras de uma polegada em meus ombros, e é sem costas. Tão sem costas que se eu me curvar, o vale entre as minhas nádegas vai aparecer. O vestido vai até o chão, e em meus pés estão os ridiculamente altos sapatos azuis, aqueles com a sola vermelha. Só o melhor para mim neste dia.
Vou ser apresentada ao meu futuro marido a imagem de noiva perfeita.
Eu não tenho um véu, apenas alguns cristais colocados aleatoriamente no meu cabelo. Meu algo velho é um colar de diamante que era da minha bisavó, trazido da França, quando ela se casou com meu bisavô. Meu algo novo é o vestido. Algo emprestado é um bracelete de vinte quilates de diamantes da minha mãe. E o meu algo azul - são os meus sapatos.
No lado de fora, estou pronta - pronta para me casar com Maxim Lasovska. No interior, estou apavorada.
Eu ainda tenho que ver o homem. Cada vez que devíamos nos encontrar, ele tinha algo para fazer que surgia misteriosamente. Eu não tinha certeza se esse dia realmente
iria chegar. Orei para não chegar, mas chegou, e aqui estou
eu, alisando meu vestido e esperando por meu pai para me entregar a um estranho. Esperando ele me entregar, como uma espécie de troféu, a um homem que eu nunca vi nem em foto.
Meu pai entra no quarto, o cabelo loiro perfeito, seus olhos azuis focados no telefone; sempre o homem de negócios empreendedor. O terno do pai é Prada, clássico, veste perfeitamente. Estou sozinha no quarto, minha mãe ocupada de outra maneira, e eu não tenho damas de honra. Estou certa de que os trezentos convidados vão achar isso estranho, mas eu não tenho amigos e meus pais não socializam com as suas famílias, então eu não tenho primos próximos ou sequer conheço algum. Estou realmente surpresa que meus pais
apenas não pagaram algumas garotas da minha idade para serem damas de honra. Aparentemente ter nenhuma é aceitável.
Pergunto-me se o meu noivo terá algum padrinho de pé ao seu lado quando eu andar em direção a ele.
— Está na hora — diz o coordenador de casamentos. Meu pai lhe dá um breve aceno de cabeça, deslizando seu telefone para o bolso.
— Você está linda, Haleigh. Como sempre, perfeita — ele murmura.
Isso é importante para o meu pai, a perfeição. É por isso que me esforço para ser perfeita, a filha perfeita e a bailarina perfeita. Quero que todos sejam felizes. Eu sou assim, sempre tenho que agradar às pessoas, mesmo que seja à custa da minha própria felicidade.
Está impregnado em mim fazer o que é necessário para que as pessoas ao meu redor sejam felizes. Nunca,
nunca reverta o sistema.
— Obrigado, pai — eu digo baixinho, abaixando a cabeça um pouco quando eu passo o meu braço em torno de seu braço.
— Você não vai me envergonhar. Este casamento é muito importante — ele me informa secamente.
Eu não tenho certeza por que isso é tão importante, eu me casar com este estranho, mas eu sempre fui ensinada a nunca, jamais questionar as decisões que meus pais fazem para mim, e eles fazem todas as decisões.
— Eu nunca iria intencionalmente envergonhar você, Pai— Eu admito baixinho, e eu não faria isso. Eu sou uma boa menina. Eu sempre faço o que me dizem — sempre.
Nós estamos na frente das portas duplas fechadas da igreja, e eu solto uma respiração instável. Está na hora. Vejo o coordenador de casamentos abrir as portas, e todos os olhos estão sobre nós. Seiscentos olhos. Trezentas pessoas.
Todos eles focados em mim.
Eu sorrio suavemente, tentando não entrar em pânico. Eu imagino que eu estou no palco enquanto a música começa e caminhamos em direção ao altar. Eu prendo minha respiração, meus olhos no homem que está na minha frente, meu em – breve marido.
O homem é alto, muito mais alto do que eu esperava, algo em torno de 1,93 cm. Ele é largo e grande, mas com uma cintura fina. Seu porte é médio e musculoso, mas sua barriga lisa ao mesmo tempo. Seu corpo está, é claro, envolto em um terno. Armani. Posso dizer as marcas de ternos quase tão facilmente como sapatos femininos. Meu pai adora seus
ternos e minha mãe os sapatos.
Quando eu finalmente chego a seu lado, ele olha para mim e eu suspiro. Maxim Lasovska é mais velho que eu, pelo menos, dez anos. Ele tem uma cicatriz no lábio superior, mas nenhuma destas coisas o faz menos bonito, e ele é apenas muito - bonito. Cabelos castanhos claros, ligeiramente mais longo do que os perfeitamente aparados do meu pai, mais bagunçado também. Mesmo assim, ele se parece com um
modelo. Seu rosto é bem barbeado, e seus olhos azuis brilham.
Eu não entendo por que esse homem vai se casar com uma completa estranha, não quando ele poderia ter qualquer mulher do planeta ao seu lado. Ele me oferece a mão enorme, e escorrego a minha muito menor dentro, notando a diferença de tamanho. Ele envolve os dedos quentes ao redor do meu lado, e eu sinto um fluxo de energia ao longo de todo o meu corpo.
Eu não presto atenção na cerimônia; roboticamente
falo na minha vez, deslizando o anel de tungstênio1 no dedo
grande do meu novo marido quando sou solicitada. Eu sinto quando ele desliza um tijolo no meu próprio dedo. O anel de casamento é gigantesco. Têm, pelo menos, uns dez quilates em diamantes. O anel em si é uma ostentação que me faz querer saber quem é este homem, e quão rico ele é para comprar uma jóia tão linda para sua esposa — que é uma
completa estranha para ele?
Quando o padre anuncia que estamos unidos no sagrado matrimônio, Maxim coloca suas mãos gigantescas no meu rosto e se inclina para baixo, dando-me um beijo com a boca fechada suave e gentil.
Meu primeiro beijo é inesperadamente bonito. Suave e doce, seus lábios cheios contra os meus enviam calor ao longo da minha barriga e meu corpo inteiro, melhor do que eu tinha previsto.
Eu sorrio amplamente quando viramos para nossos amigos e familiares que estão aplaudindo com alegria e júbilo nossos votos. Sinto-me como uma mentirosa. Não é certo. Nós não amamos um ao outro; nós nem sequer nos conhecemos, mas aqui estamos diante de Deus e cada pessoa em nossas vidas, alegando que somos verdadeiramente almas gêmeas, amantes e amigos.
Uma vez que estamos fora da igreja, procuro pelo carro que nos levará a nossa recepção. Mas não há nenhuma limusine à espera de nós. Em vez disso, há um Bentley com motorista parado com a porta aberta, esperando a nossa chegada.
— Entre, Haleigh — murmura Maxim. Sua voz rica, profunda e acentuada envia arrepios pelo meu corpo enquanto sua mão deixa a minha para deslizar na parte inferior das minhas costas, e ele gentilmente me empurra para dentro.
— Parabéns, senhor — o motorista diz com um sorriso. Ele também tem um sotaque, Russo, talvez? Maxim acena com a cabeça e segue atrás de mim no carro.
Agora, estamos realmente sozinhos, e eu estou aterrorizada novamente.
— Peço desculpas que eu fui incapaz de comparecer aos encontros pré-casamento — diz ele friamente.
As palavras são um pedido de desculpas, mas eu não acho que elas são sinceras. Seu pesado sotaque russo, agora completamente reconhecível para mim, é grosso e sua voz tem um timbre profundo. Não o que eu esperava. Eu sorrio e
balanço a cabeça, tentando limpar a decepção e preocupação de não encontrá-lo antes. Isso é passado agora.
— Eu entendo. Você tinha negócios — eu digo trêmula. Seus olhos escurecem a um azul rico, e não sei o
que isso significa, mas eles ainda são sedutores, e estou
achando difícil olhar para longe deles.
— O seu pai contou dos meus negócios? — Ele pergunta. Eu posso sentir sua raiva em todo o carro; é quase palatável.
— Não, minha mãe só me disse que você foi incapaz de comparecer a determinados eventos porque o negócio o manteve a distância. Eu só queria dizer que eu não estava chateada ou incomodada porque eu sei o quão importante uma carreira é, e acontecem coisas que são inevitáveis — Eu digo, tentando neutralizar qualquer que seja a situação. Estou tentando acalmar sua raiva, desde que eu não o conheço, e não tenho idéia de como reagir quando está com raiva. Ele balança a cabeça, o descontentamento de alguma forma se afastando enquanto ele contempla as minhas palavras cuidadosamente escolhidas.
— Sabe o que é que eu faço? — Pergunta ele, inclinando a cabeça para o lado. Balanço a cabeça, novamente.
— O que você sabe de mim? — Ele questiona.
Aparentemente é hora do interrogatório. Eu decido ser
honesta porque eu quero saber tudo o que puder sobre este homem, meu marido.
— Eu só sei o seu nome, Maxim Lasovska, e que a minha mãe escolheu você para ser meu marido— Eu admito olhando em volta e percebo que não estamos indo em direção a recepção. Eu franzo a testa em confusão, virando para encará-lo.
— Nós não vamos participar da recepção. Nós estamos indo para casa. Sua casa agora também, eu suponho — ele me informa como se pudesse ler meus pensamentos.
Eu seguro a respiração; isto não é como imaginei este dia. Eu pensei que eu teria mais tempo para me preparar mentalmente para a minha noite de núpcias. Eu pensei que eu pudesse de alguma forma convencê-lo a dar-me mais tempo. Eu pensei errado.
— Eu tenho o bracelete da minha mãe ainda e o colar da minha avó. Ela me disse para não deixar a recepção antes de dar tudo de volta para ela. — O pânico começa a subir até a minha garganta, e meus ombros começam a tremer. Minha mãe vai me matar.
— Dimitri pode levar para ela depois que ele nos deixar — Maxim fala. Eu olho para ele completamente choque.
Não, Dimitri não pode levar a ela. Ela virá para a casa de Maxim e vai me bater apenas por tirá-los sem estar em sua presença. Eu nunca deveria ter aceitado emprestado.
— Ela... Eu não posso... Eu preciso ser a pessoa a dar a ela — Eu finalmente digo, praticamente implorando e suplicando.
O olhar inteligente de Maxim passa sobre mim, me lendo, me compreendendo. Sua grande mão pega meu rosto e, em seguida, ele fala muito suavemente, sua voz profunda e baixa, quase um rosnado.
— Ela não vai te tocar Haleigh. Ninguém vai tocar em você, além de mim. Dimitri vai levar as jóias para ela, e se ela tem problema com isso, ela pode vir a mim. — Ele sorri e eu engulo, balançando a cabeça quando eu sinto o carro abrandando e depois parando. Meus olhos se concentram em meu colo. Este homem prometeu ficar na minha frente e me proteger se minha mãe vier por mim, pronta para atacar. Eu não entendo isso.
Eu olho para cima de onde meus olhos estão no meu colo, com medo de olhar nos olhos azuis cintilantes de Maxim. Em vez disso, eu passo o meu olhar sobre o que é agora a minha nova casa. Eu suspiro quando a vejo. É nada menos do que uma mansão.
Os meus pais vivem em um enorme apartamento. De três andares e três mil metros quadrados. Esta casa, no entanto, faz a dos meus pais parecer como um casebre. Parece um castelo com nada em torno dela, além de árvores. É assombrosamente bela e tão remota.
No meu subconsciente, sei que este é o lugar onde irei ser mantida, escondida, apenas exibida em jantares de negócios e festas da mesma forma que meus pais me mandaram para o palco só para me exibir.
Será que vou ser mais do que algo para olhar? Será que terei verdadeiro valor?
Eu vou esperar esse dia sentada. Eu decido, neste momento, que vou fazer o melhor da minha nova vida.
Este é um show diferente. Os jogadores mudaram, mas é um show da mesma forma, e vou ser a personagem principal do sexo feminino, assim como sempre fui.
Pergunto-me apenas, quem Maxim Lasovska é?
Por que meus pais prontamente me entregaram a ele? Eu queria saber exatamente o que é que ele vai fazer comigo?
A pequena pomba parece aterrorizada. Eu posso ver a reação de luta ou fuga por trás de seus lindos olhos verdes. Nunca imaginei que eu iria ter uma esposa tão elegante, bonita e bem-nascida como Haleigh. Crescendo nas ruas de Moscou, percebi que a mulher que eu teria como minha esposa seria uma prostituta ou viciada se um dia eu decidisse ter uma esposa.
Trilhei meu caminho através do Bratva2, e agora, sou
o segundo no comando da minha área, Brighton Beach. É uma área predominantemente russa de New York City. Tão russa que, na verdade, o Inglês nem mesmo é compreendido nas ruas. No entanto não vivo em Brighton Beach. Eu não
posso. A cidade é muito congestionada. Eu vivo em Colts
Neck, Nova Jersey. Uma hora de distância de Brighton Beach,
e em vinte e cinco acres de terra. Preciso respirar, e aqui que eu posso fazer isso. Estou isolado aqui – seguro, com empregados, mas solitário.
Esta pequena criatura não tem nenhuma idéia para que tipo de monstro seu pai a vendeu. Joseph Stockhardt me devia dinheiro, mas ele também me devia uma dívida muito maior. Uma vida. Dado que ele não tem dinheiro para me dar, peguei uma vida, sua filha bailarina de vinte anos de idade.
Eu sempre faço uma pesquisa abrangente sobre as pessoas que entram em contato comigo, e quando eu vi a foto de Haleigh na dança em A Bela Adormecida, ela roubou o meu fôlego. Eu tinha que tê-la, e eu teria feito qualquer coisa ao meu alcance para tê-la, possuí-la.
Eu fui a suas apresentações para tentar atrai-la apenas para descobrir que ela não festejava com o elenco. Ela saia sozinha, entrava na parte de trás do carro dirigido pelo motorista de seus pais, Torrent, e ia para casa.
Eu não tinha jeito de esbarrar casualmente com ela; a boa notícia é que ela era solteira e seus pais me asseguraram que ela era pura. Não deveria importar que Haleigh seja intocada, porque eu sou pobre. No entanto, gosto da idéia de possuir alguém tão pura.
Quando a oportunidade se apresentou e seu pai me devia, agarrei-a e fiz o meu negócio. Sua vida pela dele. Ela se tornaria minha esposa, minha propriedade. O bastardo fraco aceitou os termos imediatamente, sem consultar ninguém. Realmente, isso me fez doente. Ela precisava estar fora da casa dos seus pais o mais rápido possível.
Foi tão fácil entregar algo tão frágil e bonito como Haleigh a um monstro? Para salvar-se? Ele não a merecia.
Não que eu mereça. Eu sou uma besta cruel, mas eu a quero
do mesmo jeito.
— Venha Haleigh, você está em casa agora — eu digo tão suavemente quanto posso, tentando ser gentil para não assustar a pequena pomba.
Haleigh balança a cabeça levemente e desliza para fora do carro. Ela é a graça e beleza personificada, sua voz doce e suave.
Eu nunca tive bondade. Eu nunca tive doçura.
Eu nunca tive suavidade na minha vida.
Embora, eu tenha medo de quebrá-la, quero ter um pedaço de sua suavidade na minha casa e, mais importante, na minha cama.
— Sua casa é bonita — ela sussurra suavemente. Eu simplesmente aceno.
É enorme, é o que é.
Enquanto a maioria dos empresários vivem na cidade, em apartamentos de arranha-céus, mostrando a sua riqueza e seu status olhando para baixo para resto das pessoas. Eu não posso lidar com a claustrofobia. Preciso de espaço. Jurei a mim mesmo quando eu era uma criança suja, amontoada em um orfanato em Moscou, que um dia teria um castelo; que teria espaço para respirar. Fiz desse sonho uma realidade o mais depressa que pude.
— Agora é sua casa, também — eu digo, tirando a pulseira cara de seu pulso frágil, e soltando o colar antes de entregá-los para Dimitri.
— Certifique-se que a Sra. Stockhardt receba-os imediatamente — Eu ordeno. Dimitri acena com a cabeça antes de nos deixar.
Estamos completamente sozinhos agora. Tenho outros funcionários, mas os liberei para o fim de semana. Eu também tirei o fim de semana de folga de todas as minhas funções.
Este fim de semana eu defini as minhas prioridades. Este fim de semana é sobre a minha nova esposa e eu.
Vou reivindicar algo que é meu.
Pela primeira vez na minha vida, eu possuo alguma coisa — alguém.
Eu possuo algo completamente imaculado.
Eu não posso esperar para finalmente ter Haleigh, completa e totalmente à minha mercê.
Capítulo Três
Estou um desastre, uma absoluta pilha de nervos. Não sei o que Maxim espera de mim, e não acho que vou agradá-lo. Ele é grande e masculino. Sem dúvidas, já esteve com dezenas de mulheres bonitas. Eu sou uma tímida, tímida e virgem que teve seu primeiro beijo esta noite.
Se ele não me quiser, então o que será de mim?
Quase tenho um ataque do coração quando eu sinto a forte mão de Maxim nas minhas costas, seus lábios na minha orelha.
— Vamos subir golubushka. — Meus olhos se arregalam com as suas palavras gentis, e olho para ele em dúvida.
— Pequena pomba — ele responde quando ele me encaminha para as escadas e para o conjunto de portas duplas na entrada da suíte máster.
Minhas mãos estão suadas e eu me sinto fraca; isso parece como uma marcha fúnebre.
Maxim abre as portas duplas. Ele parece alheio ao meu nervosismo extremo, ou talvez ele simplesmente não se
Uma vez que as portas se abrem, minha inquietação quadruplica e estou surpresa com o tamanho do quarto e dos móveis.
Tudo é grande e preto com toques de vermelho, muito masculino, e muito áspero, exatamente como o próprio homem.
A gigantesca cama tem uma cabeceira de couro preto, e um edredom vermelho com almofadas pretas decorando. Há um banco de couro ao pé da cama com dois travesseiros vermelhos em cada extremidade. A cômoda e as mesinhas de cabeceira também são negras e modernas,
simples, sem fotos emolduradas ou nada pessoal sobre elas. Eu não acredito que um homem como ele decore seu próprio quarto com almofadas.
Maxim teve, obviamente, ajuda para decorar a sua casa, e me pergunto se uma ex-namorada ou amante montou este quarto sensual para ele. Tento conter o ciúme que surge dentro de mim com o pensamento de outra mulher com o meu marido.
A única peça de arte na parede é um quadro gigantesco da Catedral de São Basílio, em Moscou. É brilhante e colorido e destaca-se no quarto escuro. Eu lentamente vou até a foto e olho para as cores. Penso em como vivido e requintado deve ser pessoalmente.
— Isso é de onde eu venho. Moscou — ele afirma seu sotaque mais espesso e muito fascinante para os meus ouvidos.
— Isso é uma catedral, certo? É muito diferente. É tão brilhante e colorido pessoalmente? — Pergunto com meus olhos ainda observando e aproveitando as cores da foto.
— É sim. Gostaria de levá-la lá um dia, se assim desejar... Para minha terra natal — ele murmura baixinho.
Eu sinto o dedo no meu ombro nu fazendo círculos na minha pele, em seguida, lentamente deslizando para baixo no meu braço, deixando um rastro de calor e arrepios.
— Eu adoraria. Nunca viajei para qualquer lugar antes — eu admito. Os lábios de Maxim contra o meu ombro, minha pele ainda quente do toque de seu dedo.
— Vamos para a cama, esposa. — diz ele rispidamente. Suas palavras assustam-me. Eu não posso evitar o frio que corre pelo meu corpo.
Não estou preparada para isso. Eu nem sequer realmente sei o que esperar. Enquanto mães normais estavam tendo — a conversa — com suas filhas a minha estava usando uma vara para bater nos dedos dos pés e no peito do pé, porque os meus pés não estavam perfeitos o suficiente.
— E-eu nunca... — Deixei as palavras no ar, olhando em seus olhos azuis de gelo quando eles brilham com algo que não entendo.
— Está tudo bem. Eu sei minha pequena pomba. Vou cuidar de você — ele quase rosna.
Maxim agarra minha mão com a sua e me leva para a cama gigantesca. Eu sinto que vou entrar em pânico. Minha
respiração torna-se irregular, e meus olhos não param de correr ao redor da sala. Parece que tudo está girando.
Eu não posso falar; sinto como se tivesse engolido serragem, então eu fico em silêncio. É o meu lema de qualquer
maneira. Não posso entrar em apuros por questionar as
coisas quando estou em silencio - aprendi essa lição da maneira mais difícil.
O silêncio vale ouro.
Maxim vem atrás de mim, suas grandes mãos deslizando dos meus ombros nus para os meus braços e para baixo para meus pulsos. Seus lábios tocam a base do meu pescoço nu antes dele lentamente remover os grampos do meu cabelo, ele cai nas costas, batendo nos meus cotovelos. Não estou acostumada a usar cabelo solto muitas vezes; no balé, é uma distração e deve ser usado em um coque, sempre. — Eu nunca vi seu cabelo solto, Haleigh. É simplesmente deslumbrante. — Sua voz é suave e suas palavras encantadoras.
Ninguém nunca me elogiou; meus professores e pais sempre apontaram as falhas na minha dança. Cada performance foi uma lição sobre como crescer, mas nunca fui elogiada. Encontro-me sorrindo para esse presente.
— Obrigada — murmuro incapaz de me mover ou dizer qualquer outra coisa.
Maxim reúne meu cabelo na minha nuca em um rabo de cavalo antes de deixá-lo deslizar de um lado. Seus lábios tocam o meu ombro oposto, e então ele beija num caminho até a minha orelha.
— Você nunca deve usá-lo em um coque de novo, minha pequena pomba. Você não vai esconder sua beleza de mim, você entende? — Ordena ele.
É um comando completo, e ainda assim não é. É um elogio embrulhado em um comando. Encontro-me disposta a ceder a qualquer demanda, contanto que ele me elogie, o que é um tanto triste. A atenção é uma tentação. O foco de Maxim em mim, sua atenção em mim, é como um sonho, ou pelo menos o meu sonho.
— É vulgar usar o cabelo solto, Maxim — murmuro palavras de minha mãe, sabendo que não é o que ele quer ouvir, mas também sabendo que eu não podia simplesmente aceitá-la. Eu me sentiria muito culpada. É o que me foi ensinado.
De repente, seus dedos fortes estão em torno do meu queixo enquanto ele move minha cabeça em direção a ele, meu pescoço está esticado de um jeito desconfortável, mas não dolorosamente.
— Nada que o seu marido pede é vulgar, Haleigh. Nada sobre você jamais poderia ser vulgar, e seus pais não têm nenhum poder aqui nesta casa ou neste casamento. Quando eu pedir alguma coisa de você, seja ela qual for, você vai obedecer. — Sua voz é baixa e suave, mas seu tom é frio, reiterando sua seriedade.
— Sim, Maxim — eu sussurro, os olhos arregalados de choque e antecipação.
Maxim acena e, em seguida, desliza o zíper oculto do lado do meu vestido para baixo, me libertando do vestido de noiva.
Eu me sinto exposta, com meus seios nus e apenas uma calcinha branca de seda. É o mais nu que eu já estive na frente de um homem que não estava no estúdio de dança e, mesmo assim, eu usava um collant na maioria das vezes, cobrindo meu corpo.
Os dedos de Maxim dançam na minha espinha e sobre meus quadris antes dele agarrá-los. Posso ouvi-lo respirando pesadamente atrás de mim, e eu me pergunto se eu o excito ou se ele está enojado com o meu corpo magro. Ele me gira ao redor para encará-lo, e ele parece com dor enquanto seus olhos viajam para cima e para baixo do meu corpo.
— Tão linda, Haleigh, mas tão dolorosamente magra — ele sussurra como se doesse o coração pensar nas palavras, ainda mais dizê-las.
— Eu — Eu tenho que ficar magra para que eu possa ser levantada por meus parceiros. Além disso, eu danço dez horas todos os dias da semana. Eu sinto muito por não ser boa o suficiente para você, Maxim. Você deve estar terrivelmente desapontado — confesso trêmula, olhando para baixo. Eu não posso olhar nos olhos dele. Eu não consigo aguentar a decepção que estará lá, eu sei que certamente está. Em vez disso, eu olho para a sua bela garganta e espero.
— Haleigh, olhe para mim. — Seu tom é nítido,
comandando, e meus olhos automaticamente o atendem.
— Você é linda, em todos os sentidos. Você não me decepcionou. Estou apenas preocupado com sua saúde. Este corpo que você tem não é saudável — ele fala.
A preocupação de Maxim inunda meu coração. Um homem que não me conhece está preocupado com a minha saúde, isto é profundamente impressionante. Uma lágrima solitária escapa do meu olho e Maxim se inclina para beijá-la, mostrando-me mais uma vez que ele tem compaixão que eu nunca vi antes, não em qualquer outro ser humano.
— Vamos — ele murmura, me pega pela cintura e me guia com cuidado sobre a cama, seu corpo grande paira sobre o meu, mas não me pressiona.
— Eu vou mostrar a minha esposa o que significa ser minha — ele murmura, e eu sei que ele vai fazer amor comigo. Seus lábios estão nos meus, e sua língua lambe os lábios, com urgência tentando ganhar entrada para a minha boca.
Eu não posso parar o gemido que escapa da minha garganta enquanto eu sinto sua a língua na minha boca, quente, macia e firme. Ele sabe o que está fazendo, e estou contando com ele para cuidar de mim. Suas grandes mãos deslizam sobre meus quadris, e eu sinto as pontas dos dedos traçando o cós da minha calcinha. Em seguida, ele desliza sobre a minha vagina, esfregando firmemente o meu clitóris coberto pela renda, e aplica pressão exatamente onde meu corpo começou a pulsar.
Os lábios de Maxim saem da minha boca e viajam para baixo no meu pescoço enquanto a outra mão envolve cuidadosamente a minha coxa e espalha minhas pernas mais abertas, sua metade inferior aninhada entre as minhas coxas.
— Minha linda pombinha — ele sussurra, beijando meus seios.
Os lábios de Maxim acariciam meus seios e eu fico vermelha. Eu sei que meus seios são extremamente pequenos, e ele ficará tão decepcionado comigo. Por que ele
iria querer uma mulher com esses seios pequenos? Tenho zero
feminilidade quando estou fora de uma roupa. Eu pareço um menino, e eu nunca me odiei mais do que neste momento.
Eu quero ser tudo o que ele deseja, eu quero que ele sempre me trate da maneira como está tratando agora. Eu amo a suavidade e gentileza que ele está me oferecendo neste momento. Eu anseio por sua atenção e sua gentileza, algo que nenhuma outra pessoa me deu. Eu quero dar-me a ele neste instante, não porque é meu dever, mas porque o quero tudo dele, e tudo o que ele pode me dar.
— Abra seus olhos. Fique comigo — diz ele. Seu tom de voz forte, mas a sua voz suave.
— Você é linda — ele murmura contra o meu seio. Ele passa a língua ao redor do meu seio antes de envolver os lábios no meu mamilo. Ele lambe rapidamente o broto endurecido, fazendo com que as minhas costas se arqueiem, uma estranha sensação deliciosa.
— Maxim — eu suspiro as primeiras palavras que eu falei no que pareceram ser horas.
— Sim, minha pomba, diga o meu nome assim.
Seus dedos ainda estão esfregando contra meu clitóris coberto pela renda; eu elevo mais meus quadris, querendo mais do seu toque. Ele move a renda de lado, e eu sinto seu áspero e calejado dedo deslizar por cima do meu centro, agora molhado. Eu não posso parar meus quadris de procurar por mais.
Mais do que, eu não sei.
Eu só sei que eu preciso de mais.
Os lábios de Maxim passam para o meu outro seio enquanto sua mão vai para o meu cabelo e o puxa levemente, ao mesmo tempo que seu dedo desliza para dentro da minha boceta. Eu suspiro pela sensação desconhecida, o alongamento do meu corpo, e abro os olhos para ver que os seus olhos estão focados exclusivamente nos meus. Minhas mãos alcançam seu cabelo bagunçado, e eu o sinto sorrir com os lábios na minha pele enquanto eu me arqueio em direção a ele e solto gemidos sem me envergonhar.
— Oh, caralho querida — ele geme.
Eu praticamente grito quando seu polegar começa a fazer círculos no meu clitóris. Isso é tão bom; não posso evitar que o meu corpo se mova. Sinto que estou procurando algo.
Eu posso sentir algo crescendo dentro de mim, e sei que quando eu chegar ao topo vou me sentir fantástica. Não sei o que fazer. Meu coração está acelerado, o meu sangue
correndo, como em pânico. Eu grito quando a sensação corre pelo meu corpo, uma explosão de dentro para fora, e meu corpo se exulta enquanto os músculos se contraem em torno do seu dedo.
A mão de Maxim no meu cabelo aperta, e eu jogo a cabeça para trás implorando por mais, para ele parar - tudo
ao mesmo tempo - e, finalmente, meu corpo fica mole. Com
dois golpes mais lentos de seu dedo, ele desliza para fora da minha boceta e se deita ao meu lado.
— O que aconteceu? — Pergunto, sem saber por que eu reagi tão violentamente.
— Esse foi o primeiro passo para fazer você ser minha Haleigh. Agora, eu realmente vou possuir o seu corpo— ele murmura antes de beijar meu pescoço.
Eu sinto minha calcinha deslizar pelas minhas pernas e vejo ela ser atirada para o lado da cama. Maxim tira o seu belo terno, expondo-se a mim. Eu olho para ele em choque e pavor, o primeiro homem nu que eu já vi.
Tatuagens cobrem o corpo de Maxim. Elas não são coloridas, como algumas das que eu vi em corpos de outros homens em revistas ou na televisão. Elas têm uma tonalidade azul; e tão cativante como são, também parecem ameaçadoras. Seus olhos azuis encaram os meus quando ele está completamente nu, e ele me observa avaliar seu corpo.
Eu sorrio suavemente incapaz de dizer ou fazer qualquer outra coisa. Estou nervosa novamente.
— Eu vou cuidar de você, minha esposa. Eu vou protegê-la de qualquer coisa que possa prejudicá-la — diz ele.
Seu sotaque é tão carregado que eu mal posso entendê-lo enquanto ele se arrasta entre as minhas coxas abertas. A cabeça de seu comprido pênis está empurrando contra a minha boceta, e eu suspiro. Os olhos de Maxim estão focados nos meus, completamente focado.
Sua mão embala minha bochecha enquanto seus lábios tocam suavemente os meus antes de irem até meu ouvido. Eu sinto os lábios tocarem abaixo da minha orelha, no meu pescoço, pelo meu colo, e até a minha outra orelha, enviando ondas de calor pelo meu corpo - e me relaxando.
— Eu vou cuidar de você, golubushka — ele sussurra me chamando de pequena pomba, novamente.
Passando os braços ao seu redor, eu o puxo para mais perto de mim, acolhendo o seu peso e o calor contra mim. Seu membro duro desliza mais profundo dentro do meu corpo, lentamente e dolorosamente. Eu choramingo por causa da dor surpreendente que dispara através de mim. Eu esperava pela dor, mas não como essa. Ela queima, e eu não posso conter as lágrimas fluindo pelo meu rosto.
— Calma Haleigh. Eu não vou continuar até que esteja pronta. Não chore — ele ordena.
A voz de Maxim é áspera, posso perceber sua preocupação, mas há uma emoção lá que eu não consigo decifrar. Eu tomo algumas respirações profundas, liberando enquanto relaxo meus músculos. Eu sinto a dor abrandar, e eu preciso mover. Eu testo meus quadris e os levanto em direção a Maxim, e seu corpo estremece em cima de mim.
— É tão bom, golubushka — ele sussurra quando ele puxa para fora um pouco e então lentamente empurra de volta para dentro de mim. Uma onda de calor causada pelo movimento corre através do meu corpo, e eu encontro-me desejando mais.
— Mais, Maxim, por favor — eu sussurro, implorando e, ele obedece. Seu corpo começa a se mover dentro e fora de mim com um ritmo perfeito, suor acumulando em sua testa. Ele está totalmente no controle.
Eu sinto a sensação crescendo de novo, a que eu tive a apenas momentos atrás, quando meu corpo se despedaçou, e eu não posso evitar - eu agarro nas costas de Maxim, levantando meus quadris e arqueando, procurando a liberação explosiva que eu sei que em breve virá.
Os lábios de Maxim batem contra o meu quando ele começa a mergulhar em meu corpo de forma irregular, seu ritmo perfeito desaparece. Eu choramingo quando eu sinto o meu corpo apertar, e eu tiro os meus lábios dos dele, gritando enquanto atinjo o clímax. Maxim não para de empurrar no meu corpo. Alguns momentos depois, todo o seu torso fica rígido, e ele ruge atingindo seu próprio clímax. Eu posso senti-lo enchendo meu corpo com seu gozo, e, logo após, ele cai em cima de mim, seus lábios trilhando beijos de cima para baixo no meu pescoço.
— Melhor do que eu imaginava que seria, minha linda— ele sussurra sua mão emaranhada no meu cabelo, seus pulmões tentando respirar, com o meu corpo ainda envolto em torno dele. Eu tento me mover debaixo dele, mas
suas mãos apertam seu domínio, uma em meu cabelo e a outra no meu quadril.
— Fique, deixe-me ficar dentro de você apenas um momento mais — ele murmura, seus lábios no meu ouvido e as mãos em torno de mim. Seu corpo grande me segura como se eu fosse frágil, mas em segurança.
Eu olho em seus olhos e derreto com a suavidade que demonstram para mim. Não há palavras que precisam ser ditas. Esta é uma nova jornada para nós. Embora eu não o conheça, sinto como se isso fosse certo. Ele me tratou gentilmente em um momento em que ele poderia muito bem ter sido cruel ou descuidado. E ele não me mostrou nada além de ternura absoluta.
Mais tarde naquela noite, me limpei e vesti uma camisola de seda que ele me presenteou depois do banho – que ele preparou para mim cheio de bolhas e essências. Eu não sabia o que pensar sobre a camisola branca de seda, e, como se ele pudesse ler minha mente, Maxim me garantiu que era nova e era para a nossa primeira noite juntos como marido e mulher. O gesto tão doce que trouxe lágrimas aos meus olhos.
Este homem ultrapassa qualquer expectativa que eu já tive.
Maxim me acolhe em seus braços, quase amorosamente, e começa a acariciar o meu cabelo enquanto eu deito sobre seu peito. Eu tenho tantas perguntas, tantos pensamentos correndo pela minha cabeça.
— Suas tatuagens são bonitas, Maxim — comento no escuro. Eu sinto seus braços apertar em torno de mim, embora eu não sei por que.
— Você é tão inocente, minha Haleigh. Eu pretendo mantê-la dessa forma para sempre.
Suas palavras são estranhas, mas eu não tento entender. Meus olhos lentamente se fecham contra a minha vontade enquanto seus lábios tocam o topo da minha cabeça.
Eu caio em um sono sem sonhos, envolta nos braços fortes do meu marido. Sinto-me segura com a proximidade de seu corpo forte.
Capitulo Quatro
4 Na manhã seguinte, eu acordo e estico o meu corpo só para descobrir que estou toda dolorida. Cada parte do meu corpo dói e meu núcleo está sensível e um pouco dolorido. Encontro-me completamente sozinha no quarto enquanto eu observo o espaço a luz do dia.Espero que Maxim me deixe iluminar o quarto escuro. O preto e vermelho são bonitos mas muito sombrio e triste. Eu gostaria de acrescentar alguns detalhes em cinza ou mesmo uma cor creme completamente diferente, talvez. Eu sorrio para mim mesma, tentando imaginar como Maxim ficaria com o corpo coberto de tatuagem no topo de um edredom creme, seu cabelo loiro despenteado, e seus olhos azuis gelo me perfurando com o seu olhar.
Não iria funcionar. O edredom deve ser escuro, como o meu Maxim - escuro e misterioso.
Meu Maxim - ele é apenas isso, meu como eu sou sua.
Eu pego o robe de cetim negro que avisto pendurado atrás da porta. Fechando os olhos, eu inalo envolta no cheiro de Maxim. Seu perfume masculino picante está ao meu redor, e eu não posso deixar de sorrir para as memórias de como
era a sensação de ter seus grandes braços em volta de mim, me segurando, sendo muito gentil comigo.
Lentamente faço o meu caminho para baixo, atenta para qualquer som que me alerte sobre o seu paradeiro nessa casa gigantesca.
Eu ouço música baixa vindo da cozinha, então eu entro e vejo Maxim de pé, de costas para mim, sem camisa, em apenas um par de jeans desabotoado. Ele está fazendo alguma coisa no fogão. Minha boca fica seca na visão dele a plena luz do dia.
Na parte superior do ombro, vejo o cabo do que parece ser um punhal; do outro lado, imagino que seria o eixo que aparece como se estivesse cortando seu pescoço. Em seu bíceps há uma rosa detalhada, o que me surpreende, porque ele não parece ser um homem que iria tatuar uma flor em seu corpo.
Um de seus ombros tem um tigre detalhado e bem sombreado. Uma enorme cruz vai para baixo de sua coluna e através dos topos de ambas as omoplatas sob a tatuagem de punhal. O detalhe é assustadoramente lindo, e eu quero saber o que tudo isso significa. Eles estão muito estrategicamente colocados para não significarem algo.
Maxim deve sentir minha presença porque ele se vira. Seus olhos remexem em cima de mim, de pé em sua cozinha, vestindo o seu manto, e ele sorri. Nós não falamos um com o outro, mas eu tomo um momento para olhar para as tatuagens que cobrem a frente de seu corpo magnificamente esculpido. Ele tem estrelas em cada lado de seus peitorais, e
uma igreja que se parece muito com a Catedral de São Basílio, com oito cúpulas no topo cobrindo quase todo o seu torso.
Em seu lado, um touro furioso envolve seu estômago, o rosto do touro em seu abdômen, e presumo que o resto está em sua parte inferior das costas. Em seu outro lado, ele tem as letras SER escrito verticalmente em uma caligrafia do Inglês antigo. Quando eu termino de observar atentamente o seu corpo, eu olho para os olhos e vejo que ele está me observando atentamente, seus brilhantes olhos azuis quase marinhos.
— Eu não podia ver todas as suas tatuagens na noite passada, Maxim. Elas são maravilhosamente bem feitas — eu digo suavemente. Eu, então, vejo como algo treme em seus olhos; dor, talvez.
— Venha — ele fala fazendo sinal para eu acompanhá-lo no fogão, e eu faço. Eu vejo que ele está fazendo ovos e bacon frito.
— Você dormiu bem, minha pomba? — Ele murmura quando seus grandes braços envolvem em torno de minha cintura, me puxando para o seu corpo. Eu envolvo meus braços em volta do seu tronco e descanso minha cabeça em seu peito, sentindo seu calor e ouvindo o seu batimento cardíaco lento.
— Eu dormi, Maxim, obrigada. — Eu praticamente suspiro, como uma adolescente apaixonada.
— Poe a mesa? Nós comeremos em breve. — Ele aperta minha cintura com a mão.
Dando um passo para trás dele, eu aceno uma vez e me viro para começar a familiarizar-me com a cozinha, vendo onde os pratos, copos e talheres são armazenados.
Eu pego tudo e levo para a sala de jantar fora da cozinha. O sol está brilhando em todo o espaço, e eu não posso deixar de sorrir. É um dia lindo, e, espero, um começo de uma bela vida para nós.
Voltando para a cozinha, eu acho suco de laranja e leite na geladeira, então eu levo tudo para a sala de jantar, sem saber o que Maxim prefere no seu café da manhã.
Após a mesa estar posta, eu passo por Maxim e começo a sair da cozinha, indo para o quarto para trocar de roupa. Minha mãe iria gritar comigo se eu comesse com um robe. Antes que eu possa ir muito longe da cozinha, eu sinto o deslize da mão forte de Maxim em volta da minha cintura me puxando de volta em seu peito, seus lábios na minha orelha.
— Onde você está indo? — Sussurra em uma voz suave.
— Trocar de roupa para o café da manhã — afirmo obviamente.
Ouço Maxim rir atrás de mim, seu peito se movendo contra minhas costas. Então eu sinto meu cabelo sendo levantado do meu pescoço, e movido para cair no meu ombro; os lábios tocam minha pele nua no lado oposto.
— Eu não ficarei feliz se você tirar o meu roupão, Haleigh. Venha e sente-se. Coma comigo. Você parece tão
deliciosa no meu roupão — em nossa casa. Eu não vou ter você de nenhuma outra maneira agora — ele comanda.
Eu posso sentir sua respiração no meu pescoço; suas palavras são suaves e sedutoras, atadas com o seu comando. Eu faço o que ele diz. Ele já disse que ele faz as regras, afinal. Maxim é o chefe da casa e o meu chefe.
Assim que vamos para a sala de jantar com o nosso bacon, ovos, torradas, e morangos frescos, eu me sirvo de um copo de suco de laranja e vejo como Maxim serve-se de um pouco de leite. Vou ter que manter isso na memória - Maxim
gosta de leite no café da manha.
Há tanta coisa para eu aprender sobre o meu marido,
minha nova vida. Eu tenho um milhão de perguntas, uma das
quais está na ponta da minha língua.
— O que será da minha carreira de bailarina, Maxim? — Eu deixo escapar, comendo um pouco de ovos.
Esta quantidade de proteína em uma refeição é algo que eu não estou acostumada. Na verdade, essa quantidade de alimentos em uma refeição é algo que eu não estou acostumada. Uma barra de granola aqui ou ali é tudo que eu tive nos últimos anos.
— Que carreira Haleigh? Você está casada agora — ele anuncia como se eu fosse estúpida, mesmo por tocar no assunto.
Eu fecho meus olhos e aceno. Eu tinha imaginado isso quando minha mãe anunciou o casamento para mim, mas um pequeno pedaço de mim esperava que eu fosse capaz de continuar a fazer a única coisa que eu sei dançar.
— Tudo bem — eu digo em voz baixa, tentando manter as lágrimas de caírem pelo meu rosto. Uma escorre de qualquer maneira.
— Não fique chateada. Agora você é a mulher que manda nesta casa, e você tem que administrá-la. Tenho obrigações que exigem você como minha acompanhante em muitas ocasiões. Eu não posso ter uma esposa com uma agenda cansativa como eu imagino que era a sua na companhia de dança — diz ele, levando uma mordida grande de torrada. Eu quase sorri para a maneira como ele diz 'a
companhia de dança’ — em vez de empresa ou estúdio. Seu
sotaque faz dele cativante. Eu tenho um sentimento que irei perdoá-lo de muitas coisas baseadas pela maneira que seu sotaque me afeta.
— Quais são as minhas obrigações, Maxim? O que vou fazer todos os dias? — Pergunto.
Ele suspira, como se minhas perguntas fossem estúpidas e irritantes. Elas provavelmente são, mas eu nunca fiz nada, além de dançar por horas a cada dia desde que me lembro. Eu não sei mais nada.
— Redecorar a casa ao seu gosto, almoçar com seus amigos, fazer compras, aprender a cozinhar, fazer o que uma esposa é suposta fazer, Haleigh. Porra, eu não sei. Eu não sou mulher. Eu trabalho longas horas. Quase nunca estou em casa. Você terá que entreter-se durante o dia e quase todas as noites — diz ele, acenando com o garfo no ar. Eu suspiro em suas palavras duras e comportamento insensível.
Eu nunca cozinhei. Eu nunca sequer fui às compras por conta própria. Minha mãe sempre comprou o que era considerado adequado para mim. Eu percebo, aqui e agora, que será como eu tinha imaginado quando chegamos ontem, após a cerimônia. Eu vou ser trancada em casa, uma propriedade, mantida apenas para o show. Eu fecho meus olhos lentamente antes de abri-los para encontrar com os de Maxim que avaliam.
— Tudo bem, Maxim. Gostaria de começar com a redecoração, suponho. Você tem um decorador que prefere? Eu nunca fiz nada parecido com isso antes, e eu não sei por onde começar. Você poderia me dar seu nome e um subsídio de orçamento, então gostaria de começar por aí — afirmo com um aceno. Seu rosto está sério, sua mandíbula apertada, como se eu o tivesse perturbado. Estou apenas tentando fazer o que é que ele quer.
— Eu ligo para ele amanhã de manhã e marco uma reunião para você — ele responde.
Eu sei que ele está chateado porque seu sotaque é mais pronunciado e seu Inglês instável, algo que eu já descobrira que ele faz quando ele está sentindo algum tipo de emoção.
Eu não entendo por que ele ficaria chateado comigo.
— Eu não tenho nenhum amigo ou nenhum conhecimento sobre compras e moda, então talvez eu possa encontrar um estilista para me ajudar? — Eu pergunto e vejo como ele concorda.
— Eu uso Catia. Ela é boa. Ela vai saber o que eu gosto. Eu irei chamá-la amanhã também— afirma. Eu recolho os pratos da mesa antes de caminhar para a cozinha para começar a limpar o nosso café da manhã.
— Você não comeu muito. Eu te disse que você é magra demais — ele fala com bastante severidade enquanto caminha até a cozinha atrás de mim. Eu coloco minhas mãos no balcão e conto até dez, desejando que minhas lágrimas fiquem guardadas por um momento.
— Eu não tenho muito apetite esta manhã, Maxim. Eu normalmente não tomo café da manha na verdade — eu digo suavemente. Eu olho para ele, e ele acena com a cabeça uma vez.
— Eu vou para o meu escritório fazer algumas coisas, sim? Se vista e eu irei lhe dar um tour — ele diz e se afasta -
dispensado.
Eu termino de limpar e vou para o andar de cima do quarto principal. Percebo que a minha mala está dentro de um closet vazio. Eu desempacoto as poucas coisas que eu trouxe comigo, querendo saber quando ou se meus outros artigos estarão chegando.
Eu demoro a me vestir. Eu tomo um banho longo e choro um pouco. Sentir pena de mim mesma não é geralmente algo que eu faço, mas neste momento - agora – eu me permito isso. Normalmente estou muito ocupada com dança para sentir muita coisa; mas desde que foi decidido que vou deixar de dançar, eu posso sentir as emoções acumuladas transbordando.