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BIOMECÂNICA DO IMPACTO

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Academic year: 2021

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(1)

• A biomecânica da lesão no tórax e no abdómen está directamente

relacionada com a quantidade e taxa de deformação que ocorrem nesta região do corpo durante uma situação de impacto.

(2)

• A lesão no tórax e abdómen está directamente relacionada com a energia cinética do objecto de impacto assim como com a sua forma, rigidez e ponto e direcção de impacto.

• A resposta biomecânica do tórax e abdómen tem essencialmente 3 componentes:

• Uma componente de inércia que surge como oposição às acelerações induzidas pelo impacto nesta região do corpo.

• Uma componente elástica associada à rigidez dos ossos e tecidos moles e que é fundamental na protecção desta região em impactos a baixa velocidade.

• Uma componente viscosa associada às características viscosas dos tecidos moles e que é particularmente importante para o

desenvolvimento de uma força resistente limitadora da deformação durante impactos a velocidades elevadas.

(3)

• Durante situações de impacto, estas três componentes combinam-se de forma a desenvolver uma força dinâmica resistente que limita a

deformação e previna o aparecimento de lesão.

• A lesão surge quando a deformação provocada nos tecidos moles e órgãos internos excede o seu limite máximo de recuperação.

• A componente viscosa tem um papel muito importante na protecção dos órgãos pois permite a dissipação de parte da energia do impacto.

• Quando a compressão no torso excede o limite de tolerância desta região, vão existir fracturas de costelas. A partir deste momento os órgãos internos e veias ficam mais vulneráveis, havendo uma maior probabilidade de sofrerem contusões ou rupturas.

• No entanto, podem surgir lesões nos órgãos internos sem que haja

fractura da caixa torácica. Quando este mecanismo de lesão ocorre tem a ver com forças de impacto transmitidas a velocidades muito elevadas e

(4)

• Também a inércia associada aos órgãos internos pode estar relacionada com lesões nestes órgãos (hemorragias e rupturas) sem que para isso haja colapso da estrutura óssea.

• Devido à inércia dos órgãos internos, vai existir movimento relativo entre estes e a caixa torácica que pode resultar em vários tipos de lesão, se deste movimento resultarem extensões que vão para além do limite tolerável, podendo haver:

• Ruptura dos pontos de ligação e ancoragem.

• No caso de uma artéria, extensões excessivas provocam a sua ruptura ou disrupção.

• No caso do coração, movimentos excessivos podem provocar

extensões excessivas da aorta junto dos seus pontos de ligação ao corpo, levando a lacerações transversais quando a extensão limite máxima é excedida.

(5)

• O abdómen é uma região mais vulnerável à lesão que o tórax uma vez que existe menos caixa torácica para proteger os seus órgãos internos. • Impactos directos no abdómen podem lesionar órgãos vitais como o

fígado e rins.

• Compressão no fígado aumenta a sua pressão interna gerando

extensões e distorções nos tecidos que quando ultrapassam os limites de tolerância resultam na laceração dos vasos hepáticos mais importantes.

(6)

• Considerando o tipo de mecanismos de lesão no tórax e abdómen, os critérios de lesão mais utilizados estão também relacionados com a aceleração, deflexão e viscosidade:

TTI – Torax Trauma Index:

• O TTI é um critério de aceleração utilizado na avaliação do potencial de lesão no tórax em impactos laterais.

• Utiliza métodos de regressão linear para correlacionar a informação contida numa extensa base de dados com a informação medida por um vector de 12 acelerómetros, para a determinação da cinemática da caixa torácica.

• O TTI é um critério estatístico, o que é considerado como sendo uma desvantagem pois não há uma correlação directa com o fenómeno físico.

(7)

TTI – Torax Trauma Index:

• Inclui no seu cálculo o peso e idade da pessoa:

• RIBy [g] – Valor máximo absoluto (após filtragem) da aceleração lateral medida na 4ª e 8ª costela. • T12y [g] – Valor máximo absoluto (após filtragem) da

aceleração lateral medida na 12ª vértebra torácica. • M e Mstd [kg] – Massa do indivíduo e massa do ATD de 50%ile

(75kg).

• A tolerância limite para o TTI é de 100 g. • Tol. TTI (esq) > Tol. TTI (dir) devido

à quantificação das lesões no fígado.

std

M

M

y

T

RIBy

AGE

TTI

=

1

.

4

×

+

0

.

5

×

(

+

12

)

×

(8)

C – Chest Compression Criterion:

• Testes realizados em cadáveres e animais revelaram que a compressão máxima do peito é um critério mais rigoroso para aferir o potencial de lesão no tórax e abdómen.

• A compressão no peito é calculada como: • Onde P é a deformação [mm] e D a espessura

D

t

P

C

=

(

)

Correlação entre a AIS e o TTI para impactos frontais.

(9)

VC – Viscous Criterion:

• O critério de compressão (C) não reflecte correctamente a probabilidade de lesão para velocidades de impacto mais elevadas.

• Simulações feitas com animais e cadáveres demonstraram que para um valor constante de compressão máxima, o valor da AIS é maior para maiores velocidades de compressão.

• Esta constatação é observada para impactos frontais, laterais e abdominais.

• Os ensaios revelaram que:

• Para velocidades até 3.0 m/s apenas a compressão necessita de ser tomada em consideração.

• Para velocidades acima de 3.0 m/s e abaixo de 30.0 m/s a

compressão assim como a velocidade de compressão necessitam de ser consideradas.

(10)

VC – Viscous Criterion:

• O VC é calculado da seguinte forma:

• Onde:

• V(t) é a velocidade de compressão [m/s]. • C(t) é a função de compressão instantânea. • D é a espessura do tórax.

• Testes mostram que o valor de VCmax é muito bem relacionado com o risco de lesão.

• VCmax = 1 m/s significa uma probabilidade de 25% de haver

D

t

D

dt

t

dD

t

C

t

V

VC

=

(

)

×

(

)

=

(

)

×

(

)

Parâmetros preponderantes na análise do risco de lesão no tórax-abdómen.

Referências

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