Formação inventiva de professores Rosimeri de Oliveira Dias (organização) © Lamparina editora
Revisão Frederico Hartje e Bárbara Anaissi Projeto gráfico Fernando Rodrigues
As fotos que incluimos neste livro foram tiradas por bolsistas durante o primeiro, o segundo e o terceiro “Encontro e conversas sobre formação inventiva de professores”, e as Oficinas de Formação Inventiva de Professores e cedidas para a editora pela organizadora da obra.
O texto deste livro foi adaptado ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, que começou a vigorar em 1º de janeiro de 2009.
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Catalogação na fonte do Sindicato Nacional dos Editores de Livros F82
Formação inventiva de professores / Rosimeri de Oliveira Dias (organização) – Rio de Janeiro, Lamparina, 2012
2.000 exemplares 160p.; il.; 17,5×24cm Inclui bibliografia ISBN 978-85-98271-94-1 1 Professores – Formação 2 Aprendizagem 3 Prática de ensino 4 Professores e alunos 5 Educação
I Dias, Rosimeri de Oliveira CDD 370.71
CDU 37.011.3-051
Lamparina editora
Rua Joaquim Silva 98 2º andar sala 201 Lapa CEP 20241-110 Rio de Janeiro RJ Brasil Tel./fax (21)2252-0247 (21)2232-1768
Formação inventiva de professores
Rosimeri de Oliveira DiasAriana Fonseca da Silva Bruno da S R Macedo Estela Scheinvar Felipe Ribeiro
Joice Gabriela R Barros Katia Aguiar
Leila S Jotha
Lorranna Quintanilha Madelaine Torres Querem Tamer
Marilena dos Reis Peluso Marisa Lopes da Rocha Roseny Jussara T Cardoso Sylvio Gadelha
Valéria Vilhena Virgínia Kastrup Organização
Prefácio 7
Adriana Marcondes Machado Apresentação 13
Rosimeri de Oliveira Dias
Encontros e conversas entre pesquisas e conceitos 23
Formação inventiva como possibilidade de deslocamentos 25 Rosimeri de Oliveira Dias
Falando de pesquisa-intervenção na formação escolar 42 Marisa Lopes da Rocha
Conversando sobre políticas cognitivas e formação inventiva 52 Virgínia Kastrup
Conselho escola e práticas inventivas: pensando a gestão no dia a dia 61
Estela Scheinvar
Biopolítica: no que isso interessa aos educadores? 74 Sylvio Gadelha
Economias plurais... O que a escola tem a ver com isso? 84 Katia Aguiar
Encontros e conversas entre alunos e professores da escola básica e da universidade 99
Iniciação Científica Júnior e suas articulações com uma formação inventiva 101
Felipe Ribeiro, Lorranna Quintanilha, Madelaine Torres e Querem Tamer
Encontros e conversas sobre estética, experiência e amizade 113 Ariana Fonseca da Silva, Bruno da S R Macedo,
Joice Gabriela R Barros e Valéria Vilhena Abrindo-se para outras possibilidades entre escola básica e universidade 130
Leila S Jotha, Marilena dos Reis Peluso e Roseny Jussara T Cardoso
Posfácio 147
7
Prefácio
Adriana Marcondes Machado
Invenção. Essa palavra se repete em muitos momentos deste livro.
A invenção, a criação, o novo. Repete-se como a luta contra algu-mas práticas tão arraigadas em pesquisas na área da educação e da psicologia, em trabalhos de intervenções e em nossa formação: a ideia de que faltaria competência técnica e conscientização para que os professores pudessem realizar bem seu trabalho, pois – atre-lada a um argumento um tanto óbvio – o professor precisaria “saber” para ensinar (saber conteúdo, saber criar hipóteses sobre o que acontece, saber pensar a produção social dos fenômenos). Não é contra esses saberes e a necessidade deles que este livro discorre. É contra as concepções que tratam esses saberes como objetos específicos e concretos que poderiam estar ausentes e, ao faltarem, precisariam ser supridos por especialistas, educadores de educa-dores e materiais didáticos, que serviriam, dessa maneira, como aquilo que mais enfraquece a vida: como exemplos de um ideal que regula e controla, qualifica e desqualifica a vida dos indivíduos e das coletividades.
Realizando uma análise crítica sobre os processos de formação de professores, o desafio desses autores é outro: realizar formações que abram espaço para o indeterminado, que operem por contágio, que possibilitem desestabilizações das certezas. Combater a mes-mice que se repete de maneira tão apassivadora e avassaladora em nossas escolas e universidades. E o que se repete? A ideia de que o conhecimento deveria se debruçar sobre este mundo que aí está, que existiria antes de nós, fora de nós, e nos determinaria por completo. E que, para conhecer, seria necessária competência. Uma engrenagem sem riscos, já que, com ela, seríamos cada vez mais afiados para des-filar intensas queixas sobre tudo o que nos acontece, afinal nos torna-ríamos os competentes que avaliam o mundo. E, assim, escrevemos dissertações, teses, artigos, capítulos e livros sobre o que os outros deveriam fazer para que os problemas do mundo fossem enfrentados.
Nos textos, há uma escolha clara: conhecer é agir. O que há são ações concretas, atos de conhecer nos quais são constituídos subje tividades e mundos. Portanto, qualquer ato de conhecer produz os objetos e os sujeitos que esses atos merecem.
Formação inventiva de professores
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conhecimento que nunca se dá de maneira unilateral. Tarefa nada fácil. Exige atenção, não basta boa vontade. Requer trabalho, re-quer pensar o dia a dia, escrever diários de campo, experimentar e analisar aquilo que se experimentou, ler, discutir. Um exercício cons-tante contra práticas de captura do viver que ocorrem nas relações cotidianas. Ocorrem quando aprisionamos um sujeito a um verbo que age designando-o: o professor está desanimado, o aluno está agitado, o psicólogo é aquele que… requer certa ousadia que só se sustenta em um coletivo. Por isso, produzir coletivo é condição do trabalho. Coletivo não como equivalente a um conjunto de várias pessoas (que, inclusive, como relatam os autores deste livro, pode exercer uma prática fascista), mas sim como processo que cria um campo de multiplicidades, de possibilidades. Portanto, essa ousadia só se sustenta em um processo de criação de multiplicidades. Tarefa inventiva, sensível e tensa, que nos ensina que a tensão não é um problema a ser contido, é um indicador de que está havendo, como relatam os autores deste livro, afetação, diferença (e não indife-rença), dúvida, ressonância, turbulências, enfrentamento, composi-ção. E essas produções se dão quando habitamos novas formas de comunidade e de experimentar a alteridade.
Há risco, pois a resistência só se opera onde há incidência do poder e, portanto, quando os autores realizam essas experimenta-ções, habitam o território no qual o enfraquecimento e o assujeita-mento também se produzem para nele criarem deriva, alterarem o campo de forças, estarem atentos aos efeitos das ações estabeleci-das. Esse caminho tem uma certeza, precisa de mistura: de alunos, professores, pesquisadores, arte, pensamento. Inventar mundos possíveis é, necessariamente, um trabalho de coletivização, pois o espanto que nos faz estranhar o mundo em que vivemos ocorre quando somos afetados por algo inédito, por uma diferença, que está aí no mundo, nas relações, na pintura, no texto, no pensamento de uma criança.
Adriana Marcondes Machado é professora doutora do Departamento de Aprendizagem, Desenvolvimento e Personalidade do Instituto de Psicologia da USP. Membro do Serviço de Psicologia Escolar do IPUSP.