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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO, ARTE E HISTÓRIA DA CULTURA. DÉBORA ROSA DA SILVA. DIÁLOGOS SILENCIOSOS: AÇÃO MEDIADORA E O DESVELAR DE REFERÊNCIAS TEÓRICAS E VIVIDAS. SÃO PAULO 2018.

(2) UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO, ARTE E HISTÓRIA DA CULTURA. DÉBORA ROSA DA SILVA. DIÁLOGOS SILENCIOSOS: AÇÃO MEDIADORA E O DESVELAR DE REFERÊNCIAS TEÓRICAS E VIVIDAS. Dissertação. apresentada. ao. Programa. de. Pós-. Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção de título de Mestre em Educação, Arte e História da Cultura. Orientadora: Prof. Dra. Mirian Celeste F. Dias Martins. SÃO PAULO 2018.

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(5) Dedico aos meus pais, onde quer que eles estejam sempre os sinto presentes em mim..

(6) Agradecimentos. Sou grata à minha ancestralidade, por sua fé que transpõe o tempo e resiste à indiferença. À Professora Mirian Celeste, por me acolher em todos os momentos, por sua existência em equilíbrio à escala humana, capaz de olhar, deixar ser olhada e olhar junto. Aos sujeitos desta pesquisa, por compartilharem e me confiarem suas histórias de vida. Às professoras Ingrid Hötte Ambrogi e Rita de Cássia Demarchi, pela generosidade e por todas contribuições, desde a qualificação. Ao meu marido José Francisco, por todo companheirismo, incentivo e amor. À professora Solange Utuari, que me confiou um legado e por me acompanhar na jornada em Arte e Educação/Vida. Aos meus irmãos: Davi, Daniel, Décio, Dulce, Denise, Deise e Dimas referências de amor e cumplicidade de toda a vida. Aos meus filhos, Jorge Lutuli, Akil Babatunge, Tuako Hamadi e Damany Ayô por sempre me apoiarem e respeitarem meus tempos. Aos meus sobrinhos pelo carinho e pela cumplicidade intergeracional. Ao GPeMC (Grupo de Pesquisa e Mediação Cultural) porque ser a essência que nutriu a ideia que materializou-se nesta pesquisa. A todos os professores do programa Educação, Arte e História da Cultura, que de algum modo contribuíram com esta pesquisa. Aos meus parceiros do programa, em particular aos amigos Negrini e Mateus por todo apoio e cumplicidade. À Stela Barbieri por seu modo de transformar o mundo e a mim. À Laura Barbosa por seu apoio, encorajamento e fé. À Fundação Bienal de São Paulo, por sua inexorável vocação educativa. À CAPES pelo apoio e bolsa, imprescindíveis para a conclusão desta pesquisa. A todos aqueles que mesmo não citados fazem parte de minha trajetória..

(7) Quando um relâmpago ilumina uma paisagem escura, há um reconhecimento momentâneo dos objetos. Mas o reconhecimento em si não é um mero ponto no tempo. É a culminação focal de longos e lentos processos de maturação. John Dewey (2010, p.90).

(8) RESUMO. As. experiências. e. vivências. PALAVRAS-CHAVE. da. arte-educadora. encaminharam a presente pesquisa para investigar como acontecem as escolhas que passam a fazer parte de percursos ou roteiros de visitas, planejados e vividos em ações mediadoras junto ao público da Bienal de São Paulo. Para isso, em uma abordagem qualitativa fundamentada em grupo focal (GATTI, 2012), histórias de vida (JOSSO, 2004), cartografias (DELEUZE; GUATTARI, 1995) e metodologias artísticas de pesquisa (VIADEL e RÓLDAN, 2012) foram envolvidos seis educadores na 32ª Bienal de São Paulo. Com o acompanhamento de visitas, seus registros em foto-ensaios e registros pessoais em diários de bordo, foram possíveis aproximações e análises da complexa teia interdisciplinar da ação mediadora, desvelando modos significativos de conexões entre as referências teóricas e vividas, estendida também à escola pública do Ensino Fundamental. A percepção dos diálogos silenciosos tornou consciente a presença de seus repertórios pessoais e de suas escolhas que atuaram como mediadoras de aprendizagens no encontro de si mesmo, de suas experiências e referências teóricas e vividas e abre caminho para repensar futuras formações de educadores.. Ação mediadora. Mediação cultural. Histórias de vida. Formação de Educadores. Interdisciplinaridade..

(9) ABSTRACT. KEYWORDS. The daily and experiences of the art educator have forwarded the present research to investigate how the choices that become part of routes or itineraries of visits, planned and lived in mediating actions with the public of the Bienal de São Paulo. For this, in a qualitative approach based on a focus group (GATTI, 2012), life histories (JOSSO, 2004), cartographies (DELEUZE,. GUATTARI,. 1995). and. artistic. research. methodologies (VIADEL and RÓLDAN, 2012) were involved six educators at the 32nd São Paulo Biennial. With the follow-up of visits, their photo-essay records and personal records in logbooks, it was possible to approximate and analyze the complex interdisciplinary web of mediating action, revealing significant ways of connecting theoretical and lived references, also extended to the public school of Elementary School. The perception of the silent dialogues made aware the presence of their personal repertoires and their choices that acted as mediators of learning in the encounter of oneself, of their experiences and theoretical and lived references and opens the way to rethink future educators formations.. Mediator action. Cultural mediation. Life stories. Training of Educators. Interdisciplinarity..

(10) LISTA DE FIGURAS Fig.1 Débora Rosa. Imagino, logo brinco, 2016. Fotografia Independente. ......................................................................... 11. Fig.12 Débora Rosa. Cartografia de convívio, 2016. Fotografia Independente. ........................................................................ 50. Fig.2 Pedro Alexandrino. Cozinha na roça, 1894. Pinacoteca de São Paulo. .............................................................................. 13. Fig.13 Débora Rosa. Entre voos, 2016. Reprodução Digital: Cartografia de Ana. ................................................................. 54. Fig.3 Débora Rosa. Entorno, 2016. Fotografia Independente. ........................................................ 20. Fig.14 Débora Rosa. Mandálas, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à oficina de Ana..................................................................................... 60. Fig.4 Débora Rosa. Em dimensões corpóreas, 2016. Fotografia Independente. ........................................................ 28 Fig.5 Exposição da linha do tempo dos educativos da Bienal, 2014. Acervo Bienal. .............................................................. 30 Fig.6 Curso de formação de educadores para a 29ª Bienal, 2010. Acervo Bienal. ............................................................... 33 Fig.7 Aí Wei Wei. Círculo de animais, 2010. Acervo Bienal.......................................................................... 36 Fig.8 Encontro dos turnos de educadores da exposição: Em nome dos artistas, 2011. Arquivo pessoal. ............................. 38 Fig.9 Curso de formação de educadores para a 30ª Bienal, 2012. Acervo Pessoal. ............................................................ 40 Fig.10 Mira Schendel. Ondas paradas da probabilidade, 2013 (1968). Acervo Bienal. ............................................................ 43 Fig.11 Bienal nas escolas visitando a 31ª Bienal, 2014. Acervo Bienal. ........................................................................ 46. Fig.15 Débora Rosa. Dobras, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à oficina de Ana.......................................................................................... 61 Fig.16 Entre esquemas, 2016. Reprodução Digital: Cartografia de Arthur. ............................................................................... 62 Fig.17 Débora Rosa. Experiência, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Arthur. ..................................................................................... 66 Fig.18 Débora Rosa. Corresponsabilidade, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Arthur. ................................................................... 67 Fig.19 Entre as setas, 2016. Reprodução Digital: Cartografia de Bárbara. .................................................................................. 68 Fig.20 Débora Rosa. Tempos, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Bárbara. .................................................................................. 72.

(11) Fig.21 Débora Rosa. Percepções 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Bárbara. .................................................................................. 73. Fig.30 Débora Rosa. Mais vale a franqueza, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Walter..................................................................... 92. Fig.22 Entre lilases e azuis, 2016. Reprodução digital: Cartografia de Dionizio. .......................................................... 74. Fig.31 Débora Rosa. Porvir, 2016. Detalhe da obra: Aproximações. Anawara Haloba,2016. Fotografia Independente. ................................................................................................ 96. Fig.23 Débora Rosa. Em busca de sons, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Dionizio. ................................................................. 79 Fig.24 Débora Rosa. Em busca de sons II, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Dionizio. ................................................................. 80 Fig.25 Entre territórios, 2016. Reprodução digital: Cartografia de Jorge. ...................................................................................... 81 Fig.26 Débora Rosa. Sobre sermos, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Jorge...................................................................... 86 Fig.27 Débora Rosa. Honestidade, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Jorge. ...................................................................................... 87 Fig.28 Entre movimentos, 2016. Reprodução digital: Cartografia de Walter. ............................................................................... 88 Fig.29 Débora Rosa. Reflexos e reflexões, 2016. Foto-ensaio composto por fotografias digitais, registros de acompanhamento à visita de Walter. ................................................................... 94. Fig.32 Débora Rosa. Luz, 2017. Fotografia Independente. ... ............................................................................................. 98 Fig.33 Débora Rosa. Diálogos Sonoros, 2017. Fotografia Independente. ......................................................................... 101 Fig.34 Débora Rosa. Encontros, 2017. Fotografia Independente. ................................................................................................ 103 Fig.35 Mujuwara da Árvore-Escola, 2014. Grupo Contrafilé e Grupo Campus in Camps. Acervo Bienal................................ 104 Fig.35 Débora Rosa. Desvelar, 2016. Fotografia Independente. ........................................................ 106.

(12) SUMÁRIO Introdução ..................................................................... 11. 3. Histórias de vida, acolhidas pela cartografia Encontros com o grupo focal ...................................... 50. 1. Metodologia em espiral ............................................ 20 3.1. Entre vôos e pássaros de Ana ............................ 54 2. Bienal de São Paulo - Território de convívio com a Arte.......................................................................... 28. 3.2. Entre esquemas e letras, formas e vozes de Arthur ................................................... 62. 2.1. Arte em tempo: uma dimensão educativa ...... 30 3.3. Entre setas e as palavras de Bárbara ................. 68 2.2. Para ser educadora na 29ª Bienal de São Paulo ...................................................... 33 2.3. Educadora na 29ª Bienal Estágio e Formação ........................................ 36. 3.4. Entre lilases e azuis de Dionizio .......................... 74 3.5. Entre linhas e territórios de Jorge ....................... 81 3.6. Entre movimentos e cores de Walter .................. 88. 2.4. Em nome dos artistas Professora Categoria “O” ................................ 38 4. Formação e o encontro com a prática ........................ 96 2.5. 30ª Bienal - A Iminência das Poéticas ............ 40 4.1. Desvelando referências teóricas e vividas ......... 98 2.6. 30x Bienal - Edição Comemorativa e Exposição da linha do tempo do educativo Bienal .............................................................. 43. 4.2. Expandindo o encontro com a prática ................ 101. 2.7. 31ª Bienal - Bienal nas Escolas ..................... 46. Considerações Finais ....................................................... 106 Referências ........................................................................ 111.

(13) Introdução. Fig.1 Débora Rosa. Imagino, logo brinco, 2016. Fotografia Independente.. 11.

(14) Os vôos e pousos ligam-se intimamente uns aos outros, não são um punhado de alçamentos não relacionados, seguidos por alguns saltinhos igualmente não relacionados. Cada lugar de repouso, na experiência, é um vivenciar que são absorvidas e incorporadas às consequências de atos anteriores [...]. John Dewey, 2010, p.140. Neste cenário quase nasci, cresci e me desenvolvi neste elo, entre casa e marcenaria. Minha infância foi muito marcada por este lugar. Por minha mãe fui tecida pelos retalhos que se tornavam bruxas de pano, chamar de bruxa não me metia medo, pelo contrário amava minhas infinitas bruxas de pano. Acredito que ela também me influenciou a refletir sobre nossas vozes. Entre vôos e pousos a presente pesquisa pretende se. internas, por conta de sua esquizofrenia que só adulta. aproximar de como as referências vividas e teóricas revelam-se. compreendi que parte de seus tensos diálogos, se tratavam de. na ação mediadora. Para iniciar, compartilho o trilhar de minha. suas memórias, das experiências vividas e outras tantas. trajetória, acreditando ser um modo de revelar como estas. imaginadas. A casa em que morávamos era grande, podia criar quantos. perguntas encontraram eco que impulsionaram esta pesquisa. Do ofício, aprendido com meu pai, que formou os seus. espaços quisera. No quintal meus irmãos e eu pudemos brincar. quatro filhos homens e só eu entre as mulheres, ele justificava,. entre os tecidos de minha mãe e com os retalhos de madeira de. tal feito, por eu ter sido a última dos oito filhos, a caçula, lugar. meu pai. Desde a infância sentimos o cheiro amargo da madeira. que me garantiu alguns privilégios, como este de poder trabalhar com ele, coisa que minhas irmãs não puderam. A marcenaria é até hoje um galpão, com telhado de duas. Imbúia, mas com ele seu perfume marcante, assentado no ar e na. poeira. escura,. que. manchava. com. facilidade. onde. caídas em telhas de barro, paredes de tijolos também de barro e. permanecia. Cedo cheiramos o cedro, o mogno, a cerejeira.. massa de barro, pé direito alto, estrutura de madeira bem. Éramos chamados por meu pai para diferenciar o veio de uma. reforçada, armação estilo tesoura, chão de cimento queimado,. madeira e outra. Experiências que me formava, como o mundo. sempre impregnado por gotejos de colas e vernizes sobrepostos. de primeiras leituras, como narrou Paulo Freire:. em sua superfície, lugar do ofício que para mim me integrava ao mundo construtivo, de transformações, alterações de formas.. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minhas primeiras. 11.

(15) leituras. Os “textos”, “as “palavras” as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me experimentava e, quanto mais fazia, mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais. (FREIRE, 2011, p. 21). Para aprender o ofício era muito importante aprender a linguagem do desenho. Nela, me encontrei. Antes de todo corte. O fazer reflexivo, nutrido pela permanência do que já fora produzido, aprender sobre a história da arte e sua criticidade, alargava a passagem para o inesperado. Caminhar pelas linguagens e experimentar me expressar de modos e por materiais que em si, traduziam a ideia me levaram a levitar. O curso como um todo me impulsionava a viver experiências que ainda não conseguia dimensionar. Foi também meu lugar de encontro com a leitura e a pesquisa.. de madeira era preciso ser desenhado e medido, projetado e cotado. Aos 15 anos, já estudava decoração e vendia os projetos mobiliários. Depois de muitos cursos livres, com mais de 30 anos, ingressei na faculdade de Design de Interiores com foco em marcenaria, trabalhei aproximadamente 25 anos neste setor, vivência que constituiu as primeiras e desafiadoras experiências, pena que meu pai já era falecido quando ingressei na faculdade, teria ficado orgulhoso Ao. ingressar. na. graduação. de. Artes. Visuais. na. Universidade Cruzeiro do Sul em 2009 aos 41 anos de idade, fui surpreendida por uma trama interdisciplinar que acolhia e problematizava as experiências geradas pelo próprio contexto. A cada disciplina, mais me afastava da ideia desse legado, que acreditava que viria a cumprir trabalhando na marcenaria.. 12.

(16) (2004) fortalecida pelo seu mestrado (dissertação sobre a importância do museu no papel formador do professor), me revelou a dimensão das infinitas possibilidades de expandir em sala de aula o quanto é possível viver algo tão especial, tão avassalador, que vim a compreender que se tratava uma experiência estética. Os voos trazidos pela citação de Dewey na epígrafe desta introdução são considerados as vivências referenciais deste estudo e teve seu ponto de partida quando ainda não se tinha consciência de que um objeto de pesquisa estaria em formação, quando o contato com a pintura Cozinha na roça (1894), de Pedro Alexandrino (Fig. 2), transformou esta jornada. Fiquei absorvida por aquela vivência inesperada, momento em que a professora Solange Utuari apresentou, em projeção, a referida pintura, chamando ao olhar, dando brechas ao silêncio para o tempo de olhar e de percorrer os detalhes para observar a pintura. Nesta vivência com o olhar, podia ser visto um fogão à Fig.2 Pedro Alexandrino. Cozinha na roça,1894. Óleo sobre tela Pinacoteca de São Paulo. Disponível em: <http://brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/pedro_alexandrino02.htm > Acesso em 17 mar. 2018.. lenha, feito com tijolos aparentes, um cesto de palha no chão. O encontro com a disciplina Mediação Cultural, que havia. professora narrou sua experiência anterior, com uma aluna que,. sido inclusa no currículo do curso de Artes Visuais da. ao visitar a Pinacoteca de São Paulo, depois de passar um. Universidade Cruzeiro do Sul, pela professora Solange Utuari. longo tempo olhando essa obra, experienciou visitar seu. com dezenas de laranjas, uma gamela de madeira com laranjas já descascadas ao lado de uma panela grande e vazia. A. 13.

(17) passado, suas memórias, a pintura a fez lembrar de como era. O vivenciar da experiência estética a partir da dimensão. um acontecimento coletivo em sua família, o fazer de um doce,. humana de si, potencializou a apreensão de um foco na. seu doce preferido, o doce de laranjas.. pesquisa. em mediação. cultural,. arte. e. educação,. que. A dinâmica da aula foi complexa, porque a professora. conjuminaram em percursos que constituíram a vontade por este. misturou à sua fala, suas próprias memórias, recordando. estudo. “A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o. encontros em torno de laranjas, vividos por ela com sua família,. que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o. misturando às experiências de sua aluna. Sem perceber, aquela. que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao. conversa. mesmo tempo, quase nada nos acontece.” (BONDÍA LARROSA,. também. me. permitiu. sentir. inclusa. naquele. levantamento de memórias, lembrando de como meu pai. 2002, p. 21).. descascava de maneira especial as laranjas para mim. Essa. Um desaguar de um rio, um divisor de águas, me fazendo. complexidade gerou uma atmosfera que até o cheiro das laranjas. acreditar que: “Há sempre um copo de mar para um homem. era possível ser sentido, mesmo que o fruto laranja não estivesse. navegar” verso do poema de Jorge de Lima, tema da 29ª Bienal. ali.. de São de Paulo no ano de 2010 quando o trabalho e a Ela perguntava os detalhes do que estávamos vendo, se. pesquisa andaram juntos, nesta imersão em arte e educação.. aquelas imagens traziam outras às nossas memórias, ouvia. Em 2010 fui contratada como educadora na 29ª Bienal de. cada narrativa atentamente, sem julgá-las. Como ondas no mar,. São Paulo e em 2011 na mostra comemorativa dos 60 anos com. a professora ia e voltava as vezes com a mesma pergunta,. a exposição Em Nome dos Artistas, também como educadora.. questionando sobre os mesmos detalhes, provocando um olhar. Neste mesmo ano ingressei na Secretaria da Educação do. novo, um olhar ainda não existente, parecia esticar o tempo,. Estado de São Paulo, como professora em categoria não. multiplicar os olhares, silenciava os ruídos e ampliava a escuta.. efetiva, ainda como estudante do último ano.. Muitas vezes a palavra do outro dava conta de dizer o que eu. Em 2012 na 30ª Bienal de São Paulo e em 2013 na. estava pensando, era como se da boca do outro saísse a minha. exposição comemorativa 30x Bienal, fui contratada como. palavra, meu sentimento.. supervisora, quando já havia concluído a graduação em Artes 14.

(18) Visuais. Em 2014 e 2015, como educadora do Projeto Bienal. Como supervisora e coordenadora de alguns cursos de. nas Escolas, estas experiências, mereceram um capítulo nesta. formação para educadores, tive entre outras atribuições, a. pesquisa,. a. responsabilidade de compor programas de estudos, programas. apresentação de um breve histórico das Bienais de São Paulo a. de cursos para educadores. E durante este processo muitas. partir de minha história de vida.. vezes vinham dúvidas sobre estas escolhas. Se determinado. Além. articuladas. destes. às. fundamentações. trabalhos,. atuei. teóricas. paralelamente,. e. como. livro era mais indicado que outro para se aproximar dos. supervisora e coordenadora de projetos em exposições de. objetivos, se determinada vivência com experimentos de. empresas de educação que prestam serviços para o SESC-SP,. materialidades ou corporalidades iriam contribuir para a ação. Verde Oliva e Dialogum.. mediadora do educador em formação.. A intensidade dos trabalhos em arte e educação, me. Ao observar nos acompanhamentos das visitas, como os. possibilitaram o encontro com a prática pedagógica e artística,. educadores articulavam sua ação mediadora, fiquei bastante. revelou-se em um encontro com minha própria história.. intrigada,. Um. olhar que se volta ao passado. Ao ensinar também aprendemos e só aprendemos porque vivemos a experiência educativa de modo a atribuir significado às nossas ações. Para isto pensamos reflexivamente, isto é, voltamo-nos para trás, para nossas ações e nos conscientizamos de nós, de nossos parceiros, do contexto, de nossa ação e de suas implicações. (MARTINS,1999, p.187). se. os. focos. abordados. durante. a. formação. contribuíam de fato para sua ação mediadora acontecer mais eficaz e sensível. Estas. eram. reflexões. que. não. tinham. encontrado. ressonância, mas já moravam em mim, até que no final de 2015 em uma reunião do Grupo de Pesquisa e Mediação Cultural: provocações e Contaminações Estéticas, a Professora Mirian Celeste, comenta sobre um estudo em que é apresentado que o. Dessas experiências reflexivas focadas em mediação. professor em momento de dificuldade com sua turma, opta por. cultural, constituídas em diferentes instituições e por diferentes. agir segundo sua vivência, ou seja, age baseado em suas. perfis de formações educativas, nasceram as inquietações que. experiências anteriores como estudante e não recorre às. trago aqui.. referências teóricas que moveram seus estudos. Quando ouvi 15.

(19) esta narrativa a entendi como uma pergunta. Nascia o embrião. suas premissas históricas e por sua importância no cenário da. de uma possível pesquisa. Encontrei no Programa de Pós-. Arte Contemporânea, por acolher em suas edições dezenas de. graduação em Educação, Arte e História da Cultura a orientação. artistas, de diferentes lugares do mundo.. e incentivo que precisava para dar luz a estas questões e com a. Optou-se por um grupo formado por seis educadores e. orientação da professora Mirian Celeste, tive todo apoio e. estabelecido pela sua essência no fazer comum, entretanto com. cumplicidade determinante para que o estudo fosse composto. uma seleção que possibilitou ser composto por educadores com. de modo plural, como a academia em sua essência nos propõe,. diferentes formações e experiências em educação formal e não. por isso a conjugação “nós” é tão presente nesta dissertação.. formal, o que contribuiu para a diversidade e potencialidades. Com a intenção de me aproximar e tentar compreender os. dos diálogos. diálogos silenciosos do educador, que durante sua ação. Para compor o grupo de educadores que se tornaram. mediadora, articula suas escolhas, entre suas referências. sujeitos desta pesquisa foi estabelecido critérios considerados. teóricas e vividas, para estabelecer relações com o público e a. importantes por mim e pela orientadora, compreendemos que. arte. Analisando meu percurso percebi durante o processo, que. para que houvesse uma diversidade dos modos de atuação em. investigar como isso acontece é o propósito do trabalho em. mediação e em suas referências a escolha acontecesse a partir. formações.. de suas formações versus experiência em educação formal e. Abordagens didáticas que acolhem histórias de vida de. não formal, ou seja,. educador que já tivesse atuado. em. formações foram relevantes e deflagradoras de processos de. espaços culturais com formação em artes visuais e educadores. aprendizagens de si e dos modos de desenvolver a ação. também com diferentes formações, que viessem da educação. mediadora.. formal com e sem experiência na atuação como educador em. A escolha foi pela 32ª Bienal de São Paulo, porque é um. espaços culturais, chegando a um número de seis educadores.. acontecimento gerador de encontros, referência para artistas e. Apresentamos estes critérios à coordenação de educadores da. educadores, território onde pudéssemos vivenciar diálogos. 32ª Bienal de São Paulo, que baseados em critérios da dinâmica. potencializados pela ação mediadora, pelas potencialidades de. das relações de trabalho, quanto aos horários de atendimento, 16.

(20) foi necessário coincidir os horários aos perfis que solicitamos, alcançamos a composição desejada, sem que houvesse recusa de nenhum educador consultado. A Fundação Bienal de São Paulo, atendeu a solicitação do pedido de empréstimo de uma sala para que ocorresse os encontros com o grupo de educadores em horário de serviço,. primeiro lugar, em nossa constante preocupação em que os autores dos relatos cheguem a uma produção de conhecimento que faça sentido para eles, que se engajem, eles próprios, num projeto de conhecimento que os institua como sujeitos. (JOSSO,1999, p.16). Como metodologia para receber os relatos, optamos pela cartografia, tendo como referência Deleuze e Guattari (2011). após os atendimentos. O calendário da 32ª Bienal nos levou a desenhar um. para acolher as histórias de vida. “A cartografia é um método. cronograma de acordo com as condições e disponibilidade de. formulado por Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995) que visa. trabalho dos educadores, que nesta edição foram nomeados por. acompanhar um processo, e não representar um objeto.”. Mediadores, contratados com formação completa, sendo mais. (KASTRUP, 2014, p.32). O grupo de educadores compôs. de cem e um grupo de cinco estagiários. Nesta pesquisa. cartografias individuais, cartografias que trouxeram indicativos. participaram como sujeitos cinco educadores formados e uma. factuais que consideraram significativos e reverberaram em suas. estagiária, que serão apresentados no capítulo um, no qual. ações durante a 32ª Bienal de São Paulo, compreendermos que. busco compartilhar as metodologias acolhidas nesta pesquisa.. “o sentido da cartografia: acompanhamento de percursos,. Optamos pela ativação de um grupo focal, em duas. implicação em processos de produção, conexão de redes de. por. rizomas.” (PASSOS, KASTRUP E ESCÓSSIA, 2014, p.10),. coleta do. reconhecemos na cartografia possibilidades de incitar o. material discursivo/expressivo. E para isso, os estudos de Josso. cartógrafo/educador a experienciar a autonomia para registrar. (1999) se tornaram importante referência metodológica para a. com liberdade simbolicamente suas trajetórias e significações,. coleta de dados, dos sujeitos que fizeram parte desta pesquisa,. estabelecidas por conexões reveladas por subjetividades que a. pois:. cartografia acolhe e se revela em processo, assim pôde dar. reuniões. nas. datas. de. 08/10/2016. e. 06/12/2016. acreditarmos ser um instrumento potente para. A originalidade da metodologia de pesquisaformação em História de vida situa-se, em. visibilidade ao processo vivido nesta pesquisa. 17.

(21) A fundamentação teórica partiu dos estudos de Josso (2004) sobre histórias de vida que possibilitou vislumbrar como. como o sujeito se refere e se vê, porque é sujeito da experiência.. as vivências e experiências de cada educador e as minhas,. Referências que se complementam com Paulo Freire (2013. foram acolhidas e significadas como dados qualitativos a serem. e 2011), Dewey (2010), Jacques Rancière (2015), Ana Mae. analisados; Gatti (2012) com a metodologia do grupo focal, deu. Barbosa (2014 e 2013), Mirian Celeste Martins (2012 e 2010) e. a este estudo, um lugar e um tempo. Suas orientações. Jorge Larrosa Bondía (2002) e outros que se conectam pela. direcionaram de modo concreto como uma conversa pode ter. ideia. uma dinâmica densa e consciente, com a transparência de seus. metodológicos estão no primeiro capítulo desta pesquisa, com a. objetivos na coleta de dados. Deleuze e Guattari (1995) nos. intenção de apresentar como estes referenciais metodológicos. trazem fundamentos imprescindíveis sobre o conceito de rizoma. foram corresponsáveis para que o estudo se concretizasse. e cartografia. Conceitos que se revelam em metodologias de. desta maneira.. pesquisa.. de. experiência. e. mediação. cultural.. Processos. No segundo capítulo compartilho como as perguntas. O conceito de rizoma é o fio condutor que instiga todo o. tomaram forma e sentido em meu percurso, narrando minha. estudo em suas conexões, ou a busca por elas. A cartografia. história de vida, focalizada na Bienal e em experiências pontuais. materializou. que de algum modo contribuíram para que reverberassem no. de. diferentes. modos,. como. um. suporte,. transformando em dados de subjetividades das relações e as. desenvolvimento desta pesquisa.. histórias de vida. Subjetividade admitida por este estudo como. O terceiro capítulo trago as histórias de vida dos. parte integrante dos dados gerados em seus processos, mesmo. educadores participantes como sujeitos da pesquisa, com as. não apontados, de acordo com (KASTRUP, 2007. p.204) ”O. cartografias que contam como cada educador compartilhou sua. conceito de subjetividade é indissociável da ideia de produção.. história e a relacionou à sua ação mediadora, tecendo um vai e. Produção de formas de sensibilidade, de pensamento, de. vem,. desejo, de ação”. Referindo-se ainda a subjetividade dos modos. acompanhamentos. entre. o. encontro às. com. visitas.. As. o. grupo audições,. focal. e. os. transcrições,. 18.

(22) cartografias e roteiros das visitas são acoplados às narrativas das histórias de vida e análises reflexivas. O quarto capítulo perpassa por uma análise crítica e reflexiva sobre a formação do educador e sua potência ampliada pelo ingresso na Prefeitura de São Paulo como professora do Ensino FundamentaI II, narrando esta experiência com foco na formação e na ação mediadora. Por último as questões iniciais chegam ao término da jornada dessa pesquisa, com as considerações finais deste intenso processo, com a esperança e crença que possam, de algum modo, contribuir para os estudos da mediação cultural e para a formação de educadores.. 19.

(23) 1. Metodologias em espiral. Fig.3 Débora Rosa. Entorno, 2016. Fotografia Independente.. 20.

(24) Acessar a experiência em uma pesquisa nos coloca, assim, diante da fronteira cambiante entre objetividade e subjetividade; é preciso estar disponível para ambas, para acolher a experiência. Barros e Barros, 2016, p.188. “Nunca fiz isso na vida!”, disse a Professora Mirian Celeste, na banca de qualificação, ao sugerir que a pesquisa iniciasse por suas questões metodológicas, habituada a tratar a metodologia. como. parte. da. introdução.. Toda. banca. compreendeu que seria importante para esta pesquisa, trazer em seu começo seus modos de fazer junto aos imbricados conceitos. “Pensar em um sentido espiral.”, completou. Por isso, os procedimentos metodológicos abrirão este estudo como um capítulo. Eles abarcam e definem os sentidos de seus processos. A estrutura da pesquisa de campo foi desenhada para ter. Com o objetivo de desvelar as referências teóricas e vivenciais que fazem parte da ação mediadora dos sujeitos da pesquisa, uma busca delicada e carregada de subjetividades, pois se trata de um ato de relações humanas com a arte, de diálogos propositados pela arte, desdobrados por profissionais da arte e educação. O estudo partiu do conceito rizomático para estruturar e compreender as possibilidades de conexões, conceito criado por Deleuze e Guattari (1995). Os filósofos franceses trouxeram referências da botânica, o rizoma, convidando à reflexão a cerca da vida e como cada espécie se mantém viva e como se relacionam, transitando entre a ciência e estética. Os filósofos desenvolveram diferentes narrativas na tentativa que seus leitores compreendessem suas complexas revelações em torno do rizoma. Uma delas sobre a orquídea e a vespa.. como sujeitos da pesquisa seis educadores da 32ª Bienal de São Paulo em serviço. Este fato determinou sua ação temporal o segundo semestre de 2016, coincidindo com o período das disciplinas optativas do mestrado. Deflagrou-se um tempo de intensas vivências. As metodologias foram de certa forma acolhendo e moldando a pesquisa e sua análise.. A orquídea se desterritorializa, formando uma imagem, um decalque de vespa; mas a vespa se reterritorializa sobre esta imagem. A vespa se desterritorializa, no entanto, devindo ela mesma uma peça no aparelho de reprodução da orquídea, mas ela reterritorializa a orquídea, transportando o pólen. A vespa e a orquídea fazem rizoma em sua heterogeneidade. (DELEUZE;GUATTARI, 1995,p.26). 21.

(25) O processo da pesquisa é como quando a marca da orquídea, de tão parecida com a da vespa, a recebe em um encontro de reflexos, debruçada sobre o que parece ser sua. diferentes solos que se aproxima, crescendo transformada, em ralação ao que era, diferente do que foi em seus novos inícios. Referências. que. geraram. condições. de. serem. própria imagem, recebe o que antes esteve ali, ao partir, o leva. desenvolvidos neste estudo modos de acolher o vai e vem, entre. consigo, o pólen da orquídea e outra nasce em outro lugar.. um assunto e outro, e como foram estabelecidas suas conexões.. Sendo este estudo de natureza qualitativa, necessitava de uma. metodologia. experiências. investigativa. destes. sujeitos. em que tornassem. as. vivências. dados. a. e. serem. analisados e o conceito rizomático, como metodologia que. Como o exemplo da vespa e a orquídea, ou o da grama, que certificam a importância do entre na existência, sobre o que há entre uma coisa de outra coisa. Resultando em uma narrativa não linear, convidando a. acolhe a natureza das relações dos corpos, permitiu ao estudo. relacionar. com. as. conexões. vinculadas. as. referências. relacionar-se com o desvelar das vivências e experiências dos. mobilizadoras. O conceito impulsionou a escolha pelas histórias. sujeitos da pesquisa, na busca por compreender as conexões. de vida, tendo como fundamento a perspectiva de Josso (2004).. estabelecidas por eles. Seja, durante os encontros focais, seja. No desaguar destes processos, a perspectiva incidia luz na. durante os acompanhamentos das visitas.. abordagem biográfica e na narrativa oral, focada na formação do. O processo da pesquisa é como quando a marca da. educador, somada às reflexões a cerca dos contextos e. orquídea, de tão parecida com a da vespa, a recebe em um. escolhas de sua chegada à arte e educação. O livro. encontro de reflexos, debruçada sobre o que parece ser sua. Experiências de vida e formação de Marie-Christine Josso. própria imagem, recebe o que antes esteve ali, ao partir, leva. (2004), também sinalizou o trilhar desta jornada. Referências. consigo o pólen da orquídea e outra nasce em outro lugar.. que desdobram este estudo, consolidaram ainda mais a. Como sobre a grama o que dizem os filósofos Deleuze e. pergunta problema deste estudo, sobre como as referências. Guatarri (1995) para correlacionar ao rizoma, que cresce e se. acontecem na ação mediadora, para isso era importante poder. ramifica, se expande, reconhecendo e se relacionando com os. olhar para as histórias de vida.. 22.

(26) Pela cartografia os seis educadores trouxeram vivas suas O trabalho com grupos focais permite compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de um dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo de um problema visado.(GATTI,2012,p.11). histórias, fatos significativos desde suas infâncias, em suas formações e o que acreditavam terem os levados a trabalhar na 32ª Bienal de São Paulo, como educadores. Os contos e as histórias da nossa infância são os primeiros elementos de uma aprendizagem que sinalizam que ser humano é também criar as histórias que simbolizam a nossa compreensão das coisas da vida. As experiências, de que falam as recordaçõesreferências constitutivas das narrativas de formação, contam não o que a vida lhes ensinou, mas o que se aprendeu experiencialmente nas circunstâncias da vida. (JOSSO, 2004, p. 43). As histórias de vida foram acompanhadas pela formação de um grupo focal, por acreditar que a técnica permite uma dinâmica colaborativa, que possibilita a coleta de dados de modo abrangente e com potencial de profundidade em um curto espaço de tempo. A técnica, como Gatti (2012) se refere, trata da formação consciente de um grupo, em que seus integrantes são escolhidos/ convidados pelo pesquisador(a) com diferentes características, que se complementam de acordo com a amostragem que se objetiva compor e em uma ou mais reuniões discutirão o tema comum a todos.. Para compor o grupo de educadores que se tornaram sujeitos. desta. pesquisa. foram. estabelecidos. critérios. considerados de importante relevância para a investigação científica, contemplando para que houvesse diversidade dos modos de atuação em mediação e em suas referências, atentando para que a escolha acontecesse a partir de suas formações versus experiências em educação formal e não formal, ou seja, educador que já tivesse atuado em espaços culturais com formação em artes visuais e educadores também com diferentes formações,. que viessem da educação formal. com e sem experiência na atuação como educador em espaços culturais, chegando a um número de seis educadores. Apresentamos estes critérios à coordenação de educadores da 23.

(27) 32ª Bienal de São Paulo, que baseados em critérios da dinâmica. Bienal (2012) e Na Mostra Comemorativa 30x Bienal (2013) e. das relações de trabalho, quanto aos horários de atendimento,. outras exposições temporárias em instituições culturais;. foi necessário coincidir os horários aos perfis que solicitamos,.  Bárbara, 32 anos, formada em Artes Plásticas pela. alcançamos a composição desejada, sem que houvesse recusa. Universidade Federal do Espírito Santo. Foi educadora no Museu. de nenhum educador convidado.. do Espírito Santo (2015);. A Fundação Bienal de São Paulo, também atendeu a.  Dionizio, 33 anos, formado em Letras pela Universidade. solicitação ao pedido de uma sala para ocorrer os encontros. de São Paulo, especialista em Linguagens da Arte pelo Centro. com o grupo focal em horário de serviço após os atendimentos.. Universitário Maria Antonia. Professor e produtor de espetáculos. O calendário da 32ª Bienal nos levou a desenhar um. teatrais;. cronograma de acordo com as condições e disponibilidade de.  Jorge, 27 anos, formado em Design Gráfico, pela. trabalho dos educadores, que nesta edição foram nomeados por. Universidade Paulista de São José dos Campos. Foi educador na. Mediadores e em sua grande maioria contratados com formação. 29ª Bienal (2010), Mostra comemorativa Em nome dos artistas. completa, sendo mais de cem educadores formados e um grupo. (2011), 30ª Bienal (2012),. de cinco estagiários e para esta pesquisa participaram como. (2013), 31ª Bienal (2014) e outras exposições de temporárias em. sujeitos cinco educadores formados e uma estagiária. Optou-se. instituições culturais;. pela utilização de nomes fictícios, a fim de preservar suas identidades, são eles:  Ana, 24 anos, estudante de Letras, na Universidade de São Paulo. Foi estagiária na 31ª Bienal (2014), estagiária Escola de Aplicação na USP (2015) e estagiária do MAC- USP (2016);  Arthur, 24 anos, formado em Artes Visuais pelo Centro. Mostra comemorativa 30X Bienal.  Walter, 29 anos. Doutor em Psicologia, pela Universidade de São Paulo. É professor (neste periodo sem vínculo) e fotografo, em sua primeira experiência como educador em exposição. O trabalho com grupo focal se mostrou um instrumento potente para coleta do material discursivo/expressivo.. Universitário de Belas Artes de São Paulo. Foi educador na 30ª. 24.

(28) O grupo focal permite fazer emergir uma multiplicidade de pontos de vista e processos emocionais, pelo próprio contexto de interação criado, permitindo a captação de significados que, com outros meios seriam dificeis de se manifestar. (GATTI, 2012, p. 9). mútuos, os consensos, os dissensos,e que trazem luz sobre aspectos não detectáveis ou não reveláveis em outras condições. (GATTI, 2012, p. 14). Deste modo, a partir dos encontros, o grupo expôs suas E além do mais, a escolha pela formação do grupo focal,. considerações, ponderações e reflexões coletivas.. tornou desde o início, a pesquisa dinâmica e integrativa em um. No primeiro encontro, após a rodada das considerações a. curtíssimo tempo. Os dois encontros de aproximadamente uma. cerca da pergunta: o que consideravam imprescindível para a. hora e meia cada um, em 08/10 e 06/12 de 2016, possibilitaram. ação mediadora? E depois o grupo de educadores foi convidado. à pesquisa ações pontuais, que resultaram um manancial. a cartografar, individualmente suas histórias de vida, a partir de. bastante significativo de dados, por meio de áudios, fotografias,. acontecimentos significativos de suas formações, fatos que. diário de bordo e registros cartográficos.. reconhecessem que tivesse contribuído de alguma forma para. Uma abordagem qualitativa possibilitada pela potência das. que chegassem ao trabalho como educadores na 32ª Bienal de. conversas, provocadas por perguntas disparadoras, geradoras. São Paulo. O segundo encontro abarcou reflexões acerca do. de argumentações e reflexões que muitas vezes foram surgidas. conceito de leitura de imagens e expectativas para o término da. naquele contexto, ampliando conceitos, inquietações, olhares,. jornada com o fim da exposição.. para o que muitas vezes, estavam marcados por certezas, às. A cartografia, mais uma metodologia libertadora para o. quais algumas foram reavaliadas, reconsideradas, característica. presente estudo, também propositado por Deleuze e Guattari,. desta metodologia.. possibilitou que cada educador contasse sua trajetória em relação a sua formação. Uma possibilidade de trazer por mapas, O grupo tem uma sinergia própria, que faz emergir ideias diferentes das opiniões particulares. Há uma reelaboração de questões que é própria do trabalho particular do grupo mediante as trocas , os reasseguramentos. ideias, situações, sonhos, perspectivas, lugares, não lugares, lugares imaginários, e enfim histórias de vida. Com a liberdade de estabelecer conexões, que por vezes apenas o cartógrafo 25.

(29) conhecimento; organizam e demonstram ideias, hipóteses e teorias tal qual as outras formas de conhecimento além de proporcionar informação estética desses processos, objetos ou atividades. (EGAS,2015,p.3436). compreende, pois se trata de sua cartografia que será apenas revelada por ele. Por. compreender. que. “o. sentido. da. cartografia:. acompanhamento de percursos, implicação em processos de produção, conexão de redes de rizomas” (PASSOS; KASTRUP;. Foram criados foto-ensaios como narrativas visuais que. ESCÓSSIA, 2014, p. 10), reconhece-se nela possibilidades de. trazem dados relevantes à pesquisa. Segundo Róldan e Viadel. incitar o cartógrafo/educador a experienciar com autonomia e. (2012, p. 78): “os foto-ensaios podem estar acompanhando de. liberdade o registro simbólico de suas trajetórias e significações,. texto escrito, na verdade a maioria de casos aparecem. estabelecidas por conexões, permeadas por subjetividades que. publicados desta forma, mas a entrada fundamental da. a cartografia acolhe e revela em processo. Assim, pôde dar. investigação é distintamente visual”.. visibilidade ao processo vivido nesta pesquisa, como um mapa.. Além dos fotos-ensaios foram utilizados os autores citados. “O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões,. definem como fotografias independentes que são imagens. desmontável, reversível, suscetível de receber modificações. autônomas. Apresentam interesse e valor em si mesma,. constantemente.” (DELEUZE;GUATTARI,1995, p.30). Mapas. independente da articulação com as demais imagens utilizadas. desenhados. na investigação.. com. recordações-referências. trazidas. pelas. histórias de vida propostos por Josso (2004), as ações. Também como instrumento metodológico, o diário de bordo. fotográficas dos acompanhamentos às duas visitas de cada. foi utilizado durante os acompanhamentos às visitas sob o. educador com o público visitante da 32ª Bienal, fundamenta-se. aspecto normativo para coleta destas anotações, suas citações. na metodologia artística baseada em fotografia.. receberam abreviaturas para indicar as ocasiões de cada registro, tais como:. [..] as imagens fotográficas utilizadas na Pesquisa Educacional Baseada nas Artes Visuais descrevem, analisam e interpretam os processos e atividades educativas e artísticas; constituem um meio de representação do. . gf1 (Grupo Focal 1, ocorrido em 08/11/2016).. . gf2 (Grupo Focal 2, ocorrido em 06/12/2016).. 26.

(30) . ac (Acompanhamento às visitas, ocorridas no período entre 08/11/2016 e 06/12/2016).. As histórias de vida foram acolhidas pela cartografia, estruturadas de modo rizomático e a organização dos encontros, com o grupo focal, proporcionaram fusões que conceberam ao estudo metodologias tecidas com a delicadeza e rigor, característico da orientação.. 27.

(31) 2. Bienal de São Paulo – território de convívio com a arte. Fig.4 Débora Rosa. Em dimensões corpóreas, 2016. Fotografia Independente.. 28.

(32) O que comumente se entende por emoção é absorvido na experiência estética (quando esta é suficientemente “pura”). É como se o afeto, ou o estado de cognitividade, contivesse a emoção e tudo o mais – experiência sensorial, intelecção e saber – e, por possuir o que possui, a transcendesse. Clemente Greenberg, 2013. p.66. transformações, São Paulo fervia em movimentações artísticas. As bienais internacionais se instauraram no tempo e em. Moderna de São Paulo/ MAM. Seu diretor Ciccilio Matarazzo e. tempo de expor e comunicar-se pela arte do tempo que vive, do. um grupo de amigos a idealizaram com inspiração na Bienal de. tempo que respira e inspira as escolhas artísticas e políticas.. Veneza iniciada em 1895. Nas dependências do MAM, em uma. reveladoras, sedentas por um. Brasil que contaria para o. restante do planeta, sobre como pensavam e viviam as pessoas nesse território. A Bienal de São Paulo cola-se à história do Museu de Arte. Conhecida e divulgada pela emoção que causa às. instalação provisória, acontece a 1ª Bienal de São Paulo no. pessoas quando se defrontam com suas curvas acentuadas,. Parque do Trianon, na Avenida Paulista em São Paulo, que na. guardadas dentro de uma grande caixa suspensa, construída. 2ª passa a ocupar o prédio desenhado pelo arquiteto Niemayer. com concreto e ferro. Impacto que se dá desde o primeiro. no Parque do Ibirapuera.. encontro, de tirar o fôlego. Edifício desenhado pelo arquiteto. Na frase do jornalista Murilo Mendes em 1951, dá para. Oscar Niemeyer, que como criança, rabiscou como garatujas,. perceber o momento histórico e artístico. “O homem que pôs de. lugares de olhar, lugares de ver, lugares de cheirar, lugares de. pé a Bienal merece o vivo aplauso e o respeito de todos nós.. rolar-se e lugares de sentir no céu da boca o ar de sonhar.. Repito agora o que lhe afirmei pessoalmente na hora da. Como uma brincadeira construtiva.. inauguração: a Bienal é obra de doidos.” (MENDES, 2013, p.. Seu projeto de encomenda, um pavilhão para grandes. 77).. feiras de maquinário industrial e agrícola, foi inspirado na ideia. Para falar da Bienal, é preciso escolher uma de suas. de uma cidade em imenso crescimento, cultural e financeiro,. infinitas camadas e o fizemos por sua missão educativa, a ser. construído para as festividades de seus 400 anos, o arquiteto. abordada de um modo não cronológico e sim muitíssimo. pôde presenciar a mudança de seu fim, para além de suas bem. recortada por vezes, fragmentadas e conectadas pela memória. faturadas histórias de uma burguesia em formação e em. composta pelas narrativas e pelos registros do arquivo Wanda 29.

(33) Svevo. A pesquisa acolhe a seguir o projeto Arte em tempo. durante os meses de junho e julho e na mostra comemorativa. focalizando a partir do ano 2000 e as narrativas de histórias de. dos 60 anos da Bienal: 30X Bienal como supervisora de agosto. vida como educadora na 29ª Bienal e nas edições seguintes até. a dezembro do mesmo ano. O seminário organizado em. o ano de 2015.. parceria com o SESC-SP, que se materializou em uma exposição, com a linha do tempo dos educativos das Bienais. 2.1 . Arte em Tempo: uma dimensão educativa. durante a mostra comemorativa e também esteve exposta no Centro Histórico do Mackenzie (Fig.5). Ativar a história dos educativos só foi possível, porque há na Bienal de São Paulo, um lugar dos guardados, catalogados e arquivos preservados: o Arquivo Histórico Wanda Svevo, criado em 1954. Um acervo organizado em estantes, pastas e caixas, que foram acessados por um grupo de educadores, com muito cuidado e delicadeza, para a pesquisa Arte em Tempo com grande relevância. Transpor-se ao passado e saber como fizeram os que estavam antes, na condição de educador; coordenador; supervisor; curador em edições passadas, abriu brechas para reflexões sobre o tempo presente. Documentos que exalam o cheiro de sua vocação pedagógica, a qual a Bienal carrega em sua fundação. Documentos que são registros. Fig.5 Exposição da linha do tempo dos educativos da Bienal, 2014. Arquivo Bienal.. vivos de suas ações. O arquivo existe para guardar e divulgar sua existência e sua história, caso alguém esqueça ou perca a. Tive a honra de integrar a equipe de educadores como. memória. Como comentou NETO (2011) no site oficial da Bienal.. pesquisadora para o Seminário Arte em Tempo no ano de 2013, 30.

(34) O arquivo da Bienal é uma das mais importantes fontes para pesquisa da arte contemporânea, da história da crítica de arte no Brasil e das políticas culturais. Estou há mais de um ano neste espaço levantando documentação para a tese de doutorado que desenvolvo na ECA-USP, sob orientação de Ana Mae Barbosa, e a qualidade da documentação disponível a todo e qualquer interessado é magnífica.. captação de muitos patrocinadores que vieram a patrocinar muitos projetos artísticos. A pesquisa Arte em Tempo, acessou no Arquivo Wanda Svevo, registros documentais desde sua primeira edição. Em pequenos grupos de quatro ou três pessoas, cada grupo ficou responsável por uma década. Pesquisamos em arquivos fotográficos, relatórios, registros de troca de emails com artistas,. Neto participou como consultor da pesquisa Arte em Tempo.. Stela. Barbieri,. curadora. do. educativo. Bienal,. registros jornalísticos, o que necessitou de muitas horas para dar conta de uma imensidão de dados.. estabeleceu parcerias com pessoas e instituições que estavam. Fui sorteada com a década 2000 para atuar como. em projetos que se conectavam às histórias dos educativos da. pesquisadora. Década que começa com um conflito substancial. Bienal, dinamizando a pesquisa. Barbieri em diversas ocasiões,. para a instituição, não houve a Bienal no ano de 2000, para dar. sempre repetia: “Nós não inventamos a roda!”. Tornou-se. lugar à Mostra do Redescobrimento. Saltou de 1998 para a. curadora do educativo Bienal em 2010, nos preparativos para a. mostra Comemorativa de seus 50 anos em 2001, voltando em. 29ª edição, quando foi criado o Educativo Permanente. A ideia. 2002 com a 25ª edição, com curadoria de Alfons Hug, primeiro. era para que fosse, constituído na Bienal uma curadoria. curador estrangeiro a curar uma das edições da Bienal de São. educativa, para atuar de modo permanente, transcendendo a. Paulo, curiosamente marcada pelo recorde de artistas brasileiros. realização de suas edições e de seus curadores tanto expositivo. a expor em uma edição com o tema Iconografias metropolitanas.. como educativo.. Pode-se presumir que a Mostra do Redescobrimento, que teve. Foi um período de mudanças estruturais e econômicas,. um público de mais de um milhão de pessoas, possa ter deixado. considerando que a Fundação Bienal de São Paulo vinha de. rastros, pois o grande público marcou presença nesta edição. uma crise, que a deixou com marcas profundas. A nova gestão,. acolhendo uma quantidade de pessoas ainda não recebida em. a de 2010, trouxe um novo ânimo, com quitação de dividas e. outras bienais. 31.

(35) O educativo da Mostra do Redescobrimento (2000); da. sobre a questão. E sua resposta também é faísca que acendeu. Mostra Comemorativa 50 anos (2001) e a 25ª Bienal teve a. luz a esta pesquisa. Para Grinspum, ser um educador, há a. coordenação da professora Mirian Celeste Martins, orientadora. necessidade de se ter objetivos de aprendizagens, o que não. desta pesquisa. Nesta década somente a professora e Stela. era foco na exposição, por isso monitoria e não educador, na. Barbieri estiveram na coordenação/curadoria do educativo. camiseta. Esta edição publicou material educativo que foi. Bienal por tantas edições. Indicativos de que a década vivenciou. distribuído para os professores.. transformações, para além de suas exposições. Significativos. Na 28ª Bienal o educativo viveu um período controverso,. dados, um convite para mais esta camada que a pesquisa nos. um choque de realidade entre uma edição e outra, mas também. revela.. nos guardados do Arquivo Wanda Svevo, foram encontrados os. A gratuidade de acesso à Bienal, teve seu começo na 26ª. indícios de como os educativos se reinventavam e geravam. Bienal em 2004, embora tenha sido sempre gratuito para. situações para o diálogo, com sua verba restrita para o. escolas públicas. A equipe responsável pelo atendimento ao. desenvolvimento das ações.. público denominada de monitoria, teve parceria institucional com. A 28ª Bienal, por exemplo, realizou uma parceria com um. da Fundação Armando Álvares Penteado/ FAAP e seus. jornal popular distribuído gratuitamente no metrô e publicava. professores. como. questões provocadoras direcionadas aos educadores e público. coordenadores do projeto, de acordo com a pesquisa no Arquivo. em geral, dinamizando um modo e divulgar e dialogar. E de. Wanda Svevo e a da tese de doutorado de José Minerini Neto. modo não tão grandioso como as anteriores, realizou pequenas. (2014).. palestras para professores, em que algumas tiveram a. Caru. Duprat. e. Marcelo. Carvalho. A 27ª Bienal foi a primeira a considerar o educativo como. participação. do. curador,. mesmo. sem. a. parceria. de. uma curadoria com Denise Grinspum. Questão que pode abrir. agendamento fechado com as Secretarias de Educação,. reflexões nesta pesquisa conceituando curadoria educativa,. algumas dezenas de escolas marcaram presença na exposição.. entretanto os educadores levavam o nome de monitores nas. O segundo andar de seus três andares do Pavilhão ficou. costas. O fato que me levou a conversar diretamente com ela. vazio. Uma ousada e necessária proposta curatorial, Em Vivo 32.

(36) Contato, com a curadoria de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen. carregada por uma atmosfera do desejo de orgulhar-se de seu. correu o risco de não acontecer. Discutia-se sua edição,. passado. Assim é possível compreender a grande expectativa. correndo o risco de diluir-se em uma temporalidade que a. gerada em torno do que se esperava desta edição. E a partir. desvincularia de sua premissa original.. daqui trago a Bienal tecida por minha própria história de vida.. Nesta edição a coordenadora educativa, contratada, dias antes da abertura da exposição, tinha poucos educadores e poucos supervisores, que também não tiveram formação antes. 2.2.. Para ser Educadora na 29ª Bienal de São Paulo. da abertura da mesma. Quanto à formação de educadores, aconteceu uma semana antes de sua abertura e estabeleceu-se formação em trabalho. Para amenizar a questão dos estudos, com a macro dimensão da Bienal, tanto física como na necessidade dos estudos específicos, a solução foi dividir por pequenas áreas de estudos, de modo que o educador ficava em postos fixos. Muito criticada pela imprensa, entretanto suscita reflexões potentes acerca de como lidar com as dificuldades. O pavor de rever o pavilhão vazio novamente, fez com que homens e mulheres envolvidos na cultura, na política, na economia, fizessem da próxima edição um recorde de gastos e públicos. Uma edição muito intrigante, de todos os pontos de vistas. O percurso traçado até aqui trouxe alguns apontamentos na intenção de estabelecer critérios que dessem condições comparativas, para se ter uma ideia do quanto o projeto da 29ª. Fig. 6 Curso de formação de educadores para a 29ª Bienal, 2010. Acervo Bienal.. Bienal de São Paulo teve condições muito diferenciadas, 33.

(37) Há sempre um copo de mar para um homem navegar,. A dimensão dessa experiência, entretanto acenou para a. verso do poema de Jorge de Lima, foi o título da exposição que. experiência corpórea, da relação com o parque, com a terra, a. teve como curadores Agnaldo Farias e Moacyr dos Anjos e. grama, as árvores. Todos os dias às observávamos, e em. como curadora educativa Stela Barbieri.. círculos nos formávamos para todas as ações: comer,. As tardes dos meses maio e junho de 2010 durante o curso. conversar, brincar, ler.... de formação eram circulares. Os encontros no Parque do. A aproximação com a arte contemporânea foi ficando tão. Ibirapuera compuseram uma paisagem corpórea e porosa. Uma. estreita e significativa, que por esse período era difícil manter a. legião de 500 estudantes, de diferentes cursos e de diferentes. atenção na faculdade. Só tinha olhos, nariz, pele, ouvidos e. universidades, divididos em mais de vinte grupos, se reuniam. movimentos para a aquele acontecimento que se compôs para a. em círculos espalhados pelo parque, fizesse chuva ou sol. Estes. formação de educadores da 29ª Bienal de São Paulo.. grupos se reuniam com os/as supervisores, que faziam a maior. O processo teve camadas muito densas. Tínhamos uma. parte da formação, intercalando com palestras entre artistas,. agenda muito cheia, entre visitas às escolas particulares e. curadores da exposição e em especial com a curadora educativa. ONGs que mantinham algum trabalho comunitário. Diferentes. Stela Barbieri.. encontros com palestrantes da equipe e em meio a tudo isso, o. de. Estava no terceiro semestre da faculdade, com um filhinho. supervisor orientava os estudos específicos dos artistas. Cada. quatro. estudante pesquisava para compartilhar dois ou três artistas. Era. avassaladora. anos e. outros dois adolescentes.. correria,. mas. também. um. Foi. turbilhão. uma de. conhecimento que aguava minha alma. Considerando propositada. na. a. experiência. faculdade,. que. nítido. o. quanto. os. grupos. eram. influenciados. pelas. características dos focos de pesquisa de cada supervisor. da já. ação havia. mediadora me. Dependendo de suas formações e referências, abordavam. tocado. diferentes linhas de pesquisa. Por exemplo: aquele que vinha da. profundamente, todos os dias na Bienal, eram regados pela. formação em Artes Cênicas, aprofundava nas questões da. possibilidade de experimentar novos olhares.. performance, teatro, dança e explorava mais as linguagens do corpo. O supervisor que vinha da área de História, já seguia sua 34.

(38) proximidade e afinidades com as questões históricas e assim seguiram as distintas linhas de abordagens.. Este grupo, manteve-se colaborativo e em sintonia até o fim da primeira etapa em Junho do mesmo ano e a experiência. A supervisora de meu grupo tinha formação em História,. contribuiu para que o grupo se olhasse, conhecesse a história. Maralice Camilo, ela já havia sido educadora em edições. do outro, tornaram-se afetados uns pelos outros, o que fez. anteriores da Bienal e uma proposição que me marcou. diminuir, ou até cessar o incômodo da seleção iminente, porque. profundamente, foi quando ela indicou o artigo da Professora. dos 500 estudantes, ficariam 300 para a segunda fase do curso,. Rejane Coutinho (2003), Vivências e Experiências a partir do. para o qual não fui selecionada na primeira etapa.. Contato com a Arte, pediu para que lêssemos e trouxéssemos. Os. critérios. apresentados. para. a. seleção. foram:. um objeto que tivesse sido significativo para nosso encontro com. assiduidade, participação e apresentação da pesquisa dos. a arte.. artistas, avaliação feita pela supervisão. Fiquei para suplência e. Como levava em torno de 1h30 até os diferentes destinos. chamada no fim do mês de julho.. que nos encontrávamos, lia durante este trajeto, deste modo. A segunda etapa do curso, iniciada no mês de agosto, foi. escolhi os objetos sem ter lido todo o artigo. Peguei uma. especificamente focado na pesquisa das obras e apresentações.. “bruxinha de pano” feita por minha mãe e um tipo de taça com. Todos os grupos tiveram alterações entre educadores e. tampa, torneada de madeira feito pelo meu pai. Esta ação teve. supervisores.. um desdobramento catártico. As relações entre o objeto e o contato com a arte, trouxeram-me memórias, por vezes, difíceis de equilibrar a dor e a saudade da lembrança. Por aquela ação compreendi toda influência que a Arte de meus pais provocava em mim. Um encontro comigo mesma, com minhas raízes, para além de também fazer tatuar na pele conceitos sobre a arte e sua função.. 35.

(39) 2.3. Educadora na 29ª Bienal - estágio e formação. e depois localizado parte do conjunto das 12 cabeças. Por este contexto Ai Weiwei produziu esse conjunto, completo e agigantado, em comparação aos originais, suscitando reflexões de ordens políticas, patrimoniais, filosóficas e do estado da arte, marca registrada de seu trabalho. E ali estava eu, paralisada com medo de tudo e de todos. Lembro-me que uma pessoa, que me parecia tão grande quanto as cabeças de Weiwei, me perguntou sobre a obra e respondi, o que sabia, ele sorriu aprovando o que dissera. Porque sabia mais que eu sobre a obra, com toda certeza, pois se tratava do diretor do Instituto Tomie Ohtake. E a noite, que durou das 18 às 22h, nunca mais acabou em mim. O trocar de olhares de cumplicidade de toda equipe educativa e produção da Bienal e dos artistas presentes. O. Fig. 7 Ai Wei Wei. Círculo de animais, 2010. Acervo Bienal.. glamour dos desavisados, também era acolhido com o respeito devido, como devia de ser a todas as formas de lidar com a arte. Abertura da 29ª Bienal de São Paulo, meu posto era o entorno da obra de Ai Weiwei, a obra um zodíaco chinês gigante, em bronze, réplica de um conjunto original milenar em tamanho pequeno. Título da obra: Círculo de Animais (fig.7).. e seus desdobramentos, também de mercado, marcaram aquela experiência. No dia seguinte, meu grande amigo que se tornara irmão de alma, Carlos Alberto Negrini, estávamos lá, prontos para. Os originais feitos em torno do ano 1700 por jesuítas. receber os professores. Com medo e a ansiedade devida, mas. italianos para um jardim de um retiro espiritual fora de Pequim,. encorajados pela vontade de compartilhar o vivido, estávamos. em torno de 1860 foram saqueados durante a 2ª Guerra do Ópio 36.

Referências

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