CETCC- CENTRO DE ESTUDOS EM TERAPIA
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
ANA PAULA MARTOS RIVAS
MEDO DE DIRIGIR: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
São Paulo
2019
ANA PAULA MARTOS RIVAS
MEDO DE DIRIGIR: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Trabalho de conclusão de curso Lato Sensu
Área de concentração: Terapia Cognitivo-Comportamental Orientadora: Profa. Dra. Renata Trigueirinho Alarcon Coorientadora: Profa. Msc. Eliana Melcher Martins
São Paulo
2019
Fica autorizada a reprodução e divulgação deste trabalho, desde que citada a fonte. Rivas, Ana Paula Martos
Medo de dirigir: contribuições da terapia cognitivo comportamental.
Ana Paula Martos Rivas, Renata Trigueirinho Alarcon, Eliana Melcher Martins – São Paulo, 2019.
23f. + CD-ROM
Trabalho de conclusão de curso (especialização) - Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC).
Orientadora: Profª. Drª. Renata Trigueirinho Alarcon Coorientadora: Profª. Msc. Eliana Melcher Martins
1 medo de dirigir, 2. Terapia cognitivo comportamental. I. Rivas, Ana Paula Martos. II. Alarcon, Renata Trigueirinho. III. Martins, Eliana Melcher.
Ana Paula Martos Rivas
Medo de dirigir: contribuições da terapia cognitivo-comportamental
Monografia apresentada ao Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental como parte das exigências para obtenção do título de Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental
BANCA EXAMINADORA
Parecer: ____________________________________________________________ Prof. _____________________________________________________ Parecer: ____________________________________________________________ Prof. _____________________________________________________ São Paulo, ___ de ___________ de _____DEDICATÓRIA
Dedico a pesquisa ao meu pai, que me incentivou a ultrapassar os medos durante a vida e a familiares pelo zelo e apoio. Dedico esta pesquisa a muitas pacientes que passaram pela possibilidade de reestruturar-se e reencontrar-se em dirigir além do veículo, mas suas próprias vidas.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos percursos da vida que possibilitaram abordar e vivenciar sobre o tema; aos colegas de profissão pelo apoio; aos familiares e colaboradores da
RESUMO
O medo é algo inerente ao sujeito, com capacidade de condicionar determinados medos frente a situações especificas. O presente trabalho possibilita uma breve revisão sobre o medo de dirigir e as contribuições da terapia cognitiva comportamental (TCC) como possível tratamento. Abrangem-se questões cognitivas do medo de dirigir e a amaxofobia. A fobia de dirigir é enquadrada às fobias especificas, a qual necessita estar presente medo acentuado, persistente diante da presença ou antecipação da situação fóbica, medo excessivo ou irracional, sendo a situação evitada e, quando presente, desencadeia ansiedade imediata, possuindo prejuízo em sua vida social e ocupacional. Os resultados da pesquisa mostram o público feminino como o principal alvo. Com isto, é necessário um olhar amplo ao contexto no Brasil e sua cultura. A TCC é uma das abordagens mais recomendadas para a amaxofobia, por tratá-la de forma efetiva e estruturada, fazendo com que o paciente se beneficie da reestruturação cognitiva e estratégias comportamentais. Novas ondas vêm surgindo para o tratamento, como a ACT e uso de realidade virtual, o que fortalece o tratamento. Ainda que a TCC seja recomendada, em apenas uma pesquisa foi apontado um protocolo específico para a amaxofobia.
ABSTRACT
Fear is something inherent to the subject, with the ability to condition certain fears in the face of specific situations. The present paper provides a brief review on the fear of driving and the resources of cognitive behavioral therapy (CBT) as a possible treatment. It covers cognitive issues of fear of driving and a amaxophobia. The phobia of driving is framed by specific phobias, a tendency to be stopped, persistent in the presence or anticipation of the phobic situation, excessive fear or irrational, being a situation avoided and, when present, triggers social and occupational life. The survey results show the female audience as the main target. With this, a context is needed to the context in Brazil and its culture. CBT is one of the most favorable guidelines for amaxophobia, because it treats it effectively and structurally, causing the patient to benefit from cognitive restructuring and behavioral strategies. New waves have been emerging for treatment, such as ACT and the use of virtual reality, which strengthens the treatment. Although it is a specific program, a specific protocol for a amaxophobia has been indicated.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 8 2 OBJETIVO ... 11 3 METODOLOGIA ... 12 4 RESULTADOS ... 13 5 DISCUSSÃO ... 15 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 218
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INTRODUÇÃO
Medo
O medo é algo inerente ao homem, com origem filogenética e ontogenética. Desta forma, há a capacidade de condicionar determinados medos frente às situações especificas. O medo tem função na vida dos indivíduos, sendo este uma autoproteção e autopreservação do ser. Sem a presença do medo, há um aumento de exposição em circunstâncias arriscadas. Através de experiências vividas com o meio, também identificam-se situações e objetos temidos. Entretanto, interpretações exageradas de medo prejudicam sua função de sobrevivência e trazem prejuízos ao individuo, sendo dessa forma um medo desproporcional (BELLINA, 2012).
De acordo com Haydu (2014) há dificuldade para definir um único fator para que o medo surja como resposta emocional, considerando-se aspectos culturais e condicionais. O medo pode surgir, inclusive, a partir das observações das consequências e/ou regras estabelecidas ensinadas pelo modelo (HAYDU, 2014).
De Paula (2013) aponta estudos que demonstram que indivíduos que não sofreram acidentes ou experiências negativas com o trânsito apresentam medo de dirigir, destacando que não há diferença significativa entre as duas amostras. Sugere-se, assim, que existem outras variáveis para o medo de dirigir, que esse não se limita apenas por sofrer alguma experiência negativa na condução.
De Paula (2013) aborda alguns itens relevantes, como ver outra pessoa sofrer um acidente grave, medo de perder o controle, dirigir em alta velocidade ou passar por pontos específicos durante o trajeto, como pontes, subidas ou grande fluxo de automóveis.
Bottega (2016) valida o medo sob a ótica do cuidado, onde há zelo ao realizar um comportamento ou decisão imediata. Através deste, é possível observar crescimento e aprendizagem para a segurança do sujeito frente ao novo e inesperado.
Medo ou fobia de dirigir
De acordo com o DSM-V (APA, 2014) a fobia de dirigir (amaxofobia) é enquadrada às fobias especificas, a qual necessita estar presente medo acentuado, persistente diante da presença ou antecipação da situação fóbica, medo excessivo
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ou irracional, sendo a situação evitada e, quando presente, desencadeia ansiedade imediata, possuindo prejuízo em sua vida social e ocupacional.
Os estudos relacionados ao medo de dirigir datam o final de 1970, com
tendência ao aumento de dados científicos (MOGNON, 2017).
Cantini et al. (2013) nos traz o histórico de estudos relacionados ao medo ou fobia de dirigir, os quais são relacionados às consequências psicológicas de acidentes envolvendo veículos. Nota-se a presença do medo de dirigir e do TEPT como decorrência do envolvimento com acidentes. Apontam, ainda, a prevalência do medo em mulheres (TAYLOR e PAKI, 2008)
Bellina (2012) ressalta a dificuldade que individuo fóbico possui frente a sociedade, que não compreende o medo excessivo diante de situações consideradas socialmente “corriqueiras”. A situação de dirigir também expõe o sujeito a manejar o próprio objeto fóbico, do qual emerge-se a ansiedade. A autora defende que poucas pessoas buscam tratamento, pois desconhece a amafoxobia.
Barp e Mahl (2013) investigaram o que leva pessoas habilitadas a não dirigirem. Um fator importante em sua pesquisa é a participação iminente de mulheres, justificando-se a não aderência de homens para a pesquisa. Mostra-se que com o aumento de fluxo no trânsito, houve aumento de fobias e medo no dirigir, principalmente a insegurança diante do erro. Este trânsito é visto de forma irracional pelos condutores, fator gerador de ansiedade e estresse. Além do temor diante do fluxo de automóveis, o sujeito mantém-se preso diante do medo do julgamento do outro.
Em relação ao medo de dirigir, há algumas características pessoais associadas à condição. Estão presentes a ansiedade, nervosismo e insegurança (BARP E MAHL, 2013).
Quando se pensa sobre o medo de dirigir, ressalta-se que no caso, o sujeito irá conduzir aquilo que lhe gera o desconforto: o próprio objeto fóbico será conduzido por ele (ELIA, 2013). Coloca-lo no ambiente real do comportamento de dirigir, faz com que o sujeito enfrente o medo aos poucos, respeitando seu limite e crenças atuais.
Outros transtornos podem estar ligados ao medo de dirigir. Bellina (2009) aborda patologias como o transtorno do pânico e o transtorno obsessivo compulsivo. Estudos da autora retratam que o medo pode surgir em decorrência de um acidente
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de carro ou não. Transtorno do estresse pós traumático também é apontado frente a situações de acidente.
Cantini et al. (2013) demonstram em seus estudos que o processamento disfuncional de sujeitos com dificuldade no dirigir. Relacionados a perder o controle do carro, matar alguém ou causar acidentes, tais pensamentos prejudicam a questão motora do dirigir. O medo de errar, causar acidentes e não conseguir controlar o carro são vistos com frequência. Assim, nota-se que as distorções cognitivas parecem estar presentes em grande parte dos pensamentos automáticos e geram dificuldade no condutor, possuindo sintomas físicos e psicológicos durante a experiência. Outros autores, como Wright, Basco e Thase (2008) abordam sobre a fobia especifica, trazendo a ideia dos pensamentos distorcidos diante do objeto ou situação fóbica.
Terapia cognitivo-comportamental
Abordando sobre o modelo cognitivo, ressalta-se que os pensamentos automáticos geram sentimentos frente aos eventos, sendo desta forma, um importante fator diante do mundo externo. A medida que o ambiente é interpretado, emoções e pensamentos são vivenciados de forma ímpar por cada individuo.
A cognição exerce grande papel na terapia cognitivo-comportamental. Diante deste tema, é possível observar que a terapia cognitivo-comportamental, iniciada na década de 60 e impulsionada inicialmente para o tratamento de depressão, foi direcionada a diversas questões atualmente, abrangendo uma série de dificuldades e patologias. O tratamento é baseado na formulação cognitiva, crenças do paciente e estratégias cognitivas (BECK, 2013).
De acordo com Beck (2013), a TCC utiliza-se de princípios básicos, dos quais se enfatizam: o foco inicial no presente e no problema, colaboração e participação ativa do paciente, psicoeducação, identificação e avaliação dos pensamentos automáticos e crenças disfuncionais.
Esse trabalho visou compreender medo de dirigir sob a ótica da TCC e como a TCC pode auxiliar no enfrentamento. Desta forma, refletindo sobre padrões de enfrentamento e pensamentos automáticos com suas distorções diante do medo de dirigir, é possível analisar e prover conhecimento a cerca de tal dificuldade, para contribuições no campo de pesquisa e para a população de modo geral.
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OBJETIVO
Esse trabalho teve como objetivo analisar, através da revisão bibliográfica, o medo de dirigir sob a ótica da TCC e como a terapia cognitivo-comportamental pode auxiliar frente ao medo de dirigir.
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METODOLOGIA
O trabalho foi realizado através de revisão bibliográfica de artigos científicos
online, nas seguintes bases de dados: Scielo, BVS e Google acadêmico. Foram incluídos livros sobre o tema como base para o estudo.
Os critérios de seleção dos artigos foram: trabalhos e pesquisas que utilizaram tratamento com a TCC para pessoas com medo de dirigir.
Excluíram-se artigos e trabalhos antecedentes a 2003, com o objetivo do estudo manter-se atual.
As palavras-chave utilizadas foram: medo de dirigir, terapia cognitivo-comportamental, direção, amaxofobia, condução de veículo, Phobia of driving,
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RESULTADOS
É importante ressaltar que o medo de dirigir é amplo, que engloba diversos estímulos, pois inúmeros comportamentos são realizados na tarefa. Dentre as dificuldades, mostra-se a preocupação com o meio externo, onde o individuo fica focado no julgamento do outro (Bellina, 2012). Demonstra-se assim, a questão do medo de ser humilhado e criticado pelo outro.
Roque (2010) narra que nas circunstâncias de direção, o individuo passa a ver o trânsito como uma ameaça iminente, o que gera ansiedade e estresse anormais. A ansiedade é reforçada a partir de situações que trazem a sensação de falta de controle aliados a pensamentos catastróficos e medo da repetição do evento.
Gomes (2014) aborda sobre as propriedades psicométricas da escala DCQ (Driving cognitions Questionare) para uso no Brasil, voltado para a avaliação do medo de dirigir.
A ansiedade é uma resposta decorrente do medo. Assim como o medo, a ansiedade possui utilidade para o ser humano diante de sua preservação de espécie (GOMES, 2014).
A ansiedade é intimamente ligada à forma como o sujeito percebe e interpreta as situações vivenciadas. Evidencia-se que o sujeito também enfatiza fenômenos que aumentam a ansiedade, através da atenção seletiva e dos pensamentos automáticos (GOMES, 2014). Por meio desta seletividade que os pensamentos automáticos tornam-se intrusivos e distorcidos cognitivamente, fator reforçador da ansiedade frente ao dirigir.
Gomes (2014) aborda que o sujeito ansioso intensifica a ideia de algo ameaçador e assim, possui dificuldades de encontrar maneiras de enfrenta-lo, demonstrando uma interpretação de risco eminente e desproporcional à realidade. Com as síndromes de ansiedade, a sensação de vulnerabilidade aumenta (BECK et. al. APUD GOMES, 2014).
De acordo com pesquisas apontadas por Pastore (2008), muitos sujeitos desistem no meio do processo do enfretamento de dirigir por acreditar que não possuem habilidades para lidar com situações adversas.
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Diante da visão de si, denota-se a autoestima afetada, pois diz de uma habilidade a qual acredita não conseguir realizar, em situações pontuais, ou ainda de modo geral (BELLINA, 2012).
Segundo Bellina (2009) dirigir é visto como aprendizagem motora, considerada uma técnica simples (vista dessa forma pelos outros), e assim, não sendo compreensível o medo de dirigir. Corassa (2010) traz a questão da falta de familiaridade com o carro como consequência de falhas na condução, o que gera em grande parte, a evitação de dirigir como estratégia para não enfrentar situações aversivas.
É possível notar que não dirigir, por vezes, impede a atuação de situações corriqueiras. Barp e Mahl (2013) apontam em sua pesquisa que as participantes optavam pela estratégia de acomodar-se com o medo, utilizando diversas estratégias de adaptação para não enfrenta-lo.
Klein e Trenhado (2014) abordam crença central de desamparo frente ao ato de dirigir: “Uma crença profundamente enraizada no psíquico dessas mulheres e que abarca ideias de fracasso, incapacidade, inadequação e vulnerabilidade”. Através desse olhar, nota-se a limitação através da crença para o enfrentamento comportamental. O carro torna-se, além de necessário e útil, o objeto ameaçador, perigoso e causador de tragédias.
No que tange a história de vida do paciente, Corassa (2010) aponta questões históricas e sociais como o modelo de direção masculina nos ambientes (como provedor histórico da família e dos negócios); os modelos de infância dos quais a figura, geralmente masculina, exerce poder atrelado ao carro e os presentes recebidos entre crianças do sexo feminino e masculino. O uso de carros enquanto brinquedos são amplamente utilizados e reforçados com meninos. Fator que reforça o estereótipo do dirigir. O papel feminino não é evidenciado ou relacionado ao uso de automóveis.
Pastore (2008) aborda o processo inicial do comportamento de dirigir, sendo este influenciado em sua autoestima e assim, se haverá evitação ou enfretamento da nova situação. Além de superar o próprio trânsito, por vezes o sujeito necessita enfrentar estigmas (como o publico feminino) e suas próprias emoções frente ao novo comportamento.
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Tratando o medo de dirigir
De acordo com Bellina (2012), o primeiro passo para o tratamento da amaxofobia é o reconhecimento do medo de dirigir.
Bellina (2012) ressalta fortemente o uso da exposição gradual diante do dirigir, colocando o individuo frente a situações que lhe causam angustia. Antes da exposição real frente à situação, estudos revelam grande uso da terapia de exposição por realidade virtual (RV) por se tratar de um ambiente mais controlado (DE PAULA, 2013).
Evidencia-se também que o sujeito necessita praticar dentro do ambiente que lhe causa ansiedade e medo. Dessa forma, são praticadas as habilidades necessárias para dirigir, aliadas a uma gama de comportamentos emitidos dentro do trânsito (BELLINA, 2012).
Barp e Mahl (2013) apontam fatores contribuintes para a superação do medo de dirigir, como reciclagem de suas habilidades, através de instrutor paciente. Corassa (2010) também evidencia acreditar em si mesma como passo para trabalhar seus próprios pensamentos diante da direção.
Bellina (2012) aborda a importância do cerebelo para a execução dos movimentos finos e coordenados. Evidencia-se que o estado ansioso pode interferir no processo de armazenar e memorizar movimentos necessários para dirigir. Ou seja, quanto maior a ansiedade do individuo, maior a dificuldade de automatizar os movimentos de dirigir, criando assim um possível viés confirmatório de sua incapacidade.
Mostra-se que o processo de psicoterapia é uma estratégia eficaz diante do medo de dirigir, pois são trabalhados seus sentimentos, a autoestima e estratégias para lidar com a ansiedade através de reestruturação cognitiva e novas maneiras de se comportar na situação (BARP e MAHL, 2013).
Klein e Trenhado (2015) em sua pesquisa apontam para a importância de observar os contextos e dificuldades impares de cada ser. Para alguns, o medo de tirar uma vida pode ser o fator motivador, para outros, o medo do controle, ou a própria autonomia podem se tornar fatores importantes. É necessário olhar para a história de vida do sujeito para compreender melhor sua queixa, indo além de estereótipos ou descrições limitantes. Pode-se notar que:
“Normalmente são pessoas com grande necessidade da aceitação do outro e com um alto grau de exigência consigo mesmas. Por terem sido muito cobradas no passado, por pais, pela escola ou em outras situações de vida,
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tendem a ter um senso de responsabilidade muito desenvolvido” (KLEIN e TRENHADO, 2015).
Outra solução proposta por Klein e Trenhado (2014) seria a implementação nas escolas de formação de condutores o acompanhamento psicológico diante do medo do dirigir, pois seria possível observar a origem do medo e contestá-lo.
Siqueira (2011) traz em seu estudo o uso da ACT (terapia da aceitação e comprometimento) para o tratamento do medo de dirigir em grupo. Através desse dado, foi possível observar a ansiedade das participantes e através de mindfulness, utilizaram técnicas para baixar a ansiedade frente à fobia. O estudo abre portas para pesquisas de maior patamar e com maior número de sujeitos.
Para o tratamento, Bellina (2012) desenvolveu um próprio trabalho e “método” a saber: “terapia do volante”. A proposta aborda as preocupações do paciente, sendo motivado para o enfrentamento. A cada passo conquistado na dessensibilização sistemática, o terapeuta vai ao carro (objeto fóbico) com o paciente.
O uso de realidade virtual e uso de jogos para o tratamento do medo de dirigir mostra uma nova possibilidade para quem sofre com a amaxofobia. Num estudo qualitativo feito por Walshe et. al. (2003) foi possível observar indivíduos caracterizados nos critérios do DSM com a fobia aliados ao tratamento com realidade virtual. Combinou-se com técnicas como respiração diafragmática, avaliações subjetivas de sofrimento, feedback fisiológico e reavaliação cognitiva. O estudo mostra como resultado, inclusive em pacientes que apresentaram TEPT e depressão, que obtiveram ganhos significativos com o tratamento.
Pastore (2008) mostra que se o individuo conseguir manejar suas emoções de ansiedade e medo no dirigir, há uma eficácia em suas habilidades para a direção.
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5. DISCUSSÃO
Os resultados da pesquisa mostra o público feminino como o principal alvo da amaxofobia ou medo do dirigir. Com isto, é necessário um olhar amplo ao contexto no Brasil. Crenças disfuncionais são construídas através da cultura e julgamento do outro. Frente ao contexto, é possível observar “ditados populares” envolvendo o sexo feminino, dos quais: “Mulher no volante, perigo constante”, ou “mulher precisa pilotar fogão”. Observados principalmente nos trabalhos de Cecilia Bellina (2012).
Homens também sofrem com o medo de dirigir, entretanto, sugere-se uma pressão social machista e rígida diante dos comportamentos de dirigir. Ao contrário do papel feminino, o homem sofre crenças disfuncionais frente ao sexo de forma que não é permitido demonstrar fraqueza ou sensibilidade.
É interessante observar que durante as pesquisas, como apontado por Barp e Mahl (2013) os sujeitos que demonstram medo de dirigir, utilizam com frequência a esquiva comportamental diante do objeto fóbico. Desta forma, é possível através de debate socrático com o cliente, observar os fatores mantenedores da esquiva ou fuga, assim como abordar sobre seus benefícios ou custos diante de sua escolha.
Ao passo que Corassa (2010) traz a importância de acreditar em si e extinção dos pensamentos que levam a evitar a direção, ressalta-se que o processo em necessita ser em colaboração na psicoterapia. O sujeito necessita chegar a tais conclusões através da descoberta guiada e debate socrático, onde é possível manter a postura de cliente-psicoterapeuta de forma igualitária e o mesmo participar de seu processo psicoterápico de forma efetiva.
Na postura proposta por Klein e Trenhago (2014) é possível observar o processo de prevenção ao medo de dirigir. Ao sugerir técnicos capacitados e psicólogos nas redes de ensino de condução automotivas, apoia-se a ideia de enfrentamento logo no processo de aprendizagem das habilidades de dirigir, procurando-se evitar a procrastinação do sujeito ao tirar a habilitação e não ir a campo.
As principais técnicas encontradas e sugeridas diante do tratamento para a fobia da direção focam na respiração diafragmática e controle de ansiedade, assim como a reestruturação cognitiva.
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A TCC é uma das abordagens mais recomendadas para a agorafobia, por trata-las de forma efetiva e estruturada, beneficiando-se do uso da reestruturação cognitiva e estratégias comportamentais. Novas ondas vêm surgindo para o tratamento, como a ACT e uso de realidade virtual, o que fortalece o tratamento.
Almeida (2017) realizou uma pesquisa sobre o tema e a utilizou para base de intervenção, fato ainda inédito na literatura vista sobre o tema. A autora propõe doze sessões estruturadas para lidar com os sintomas de medo e ansiedade ao dirigir.
A primeira entrevista trata-se do acolhimento da demanda e aliança terapêutica. Coletar sintomas, queixas e desenvolver uma boa aliança terapêutica também são fatores importantes no inicio do processo. Observar a forma como o paciente se relacionou com o veículo até chegar ao consultório é um passo importante também para o tratamento. Desta forma, observa-se o sujeito e sua integridade, colocando a finco sua história de vida e estratégias realizadas até o momento. Em atendimento psicológico, é necessário traçar metas para que os objetivos sejam alcançados (ALMEIDA, 2017).
Na segunda sessão, de acordo com Almeida (2017), é necessário traçar a agenda, verificar o humor e antes de iniciar técnicas ou manejo comportamental, é necessário observar quais pensamentos automáticos são emitidos em relação ao próprio dirigir. Postula-se na TCC uma aliança colaborativa e formas do paciente tornar-se, com o tempo, seu “próprio terapeuta”. Com isso em mente, a psicoeducação se faz necessária para que o sujeito compreenda. Tarefas de casa também são enaltecidas para que o sujeito amplie o processo psicoterápico para além do consultório. Treino respiração diafragmática, registros de pensamentos automáticos, Escalas de Beck são utilizadas para o entendimento do caso.
Para dirigir uma máquina, é necessário conhecê-la e entender seu funcionamento. Pastore (2008) mostra a importância do sujeito de entender seu automóvel e como funciona, para o manejo de suas próprias emoções, desenvolvendo assim uma boa relação com o objeto fóbico. Este tópico entra na segunda sessão proposta por Almeida (2017).
Durante o terceiro atendimento, é importante verificar quais dificuldades são encontradas para o cliente dentro do veiculo. Explicar ao cliente a coordenação motora e como se dá durante o processo de dirigir é um importante passo para que note a generalização frente a dificuldade (ALMEIDA, 2017).
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Tais habilidades para o dirigir são feitas através durante seu desenvolvimento, ou seja, necessitam de tempo para serem aprendidas e desenvolvidas. O debate socrático cabe durante a sessão, a medida que o sujeito relaciona pensamento, sentimento e situações. Almeida (2017) propõe que o RPD de cinco partes beneficia novas formas de pensar e avaliar a situação.
Na sessão 4 assume-se o papel de entender os erros cognitivos e as distorções frente ao dirigir. (ALMEIDA, 2017). Dessa forma, é possível trabalhar com o paciente sobre sua forma de ver o dirigir e quais possíveis equívocos.
Na quinta sessão, a autora (2017) foca na hierarquia do medo, a fim de exposição gradual na situação fóbica. Dessa forma, é possível trabalhar inicialmente dentro do consultório, com imagens mentais e na exposição com o carro em outro momento,. O cartão de enfrentamento também é um recurso usado para a extensão da terapia e auxilio para o enfrentamento. O RPD de sete colunas é utilizado para a flexibilização.
Durante a sexta sessão, as escalas são novamente aplicadas para monitoramento, sendo exposta a situações no carro, aliadas a articulação das crenças pessoais e pressupostos do sujeito. Já na sessão número 7, é focada a flexibilização de tais crenças e novas regras são formuladas com o cliente, analisando seu custo-beneficio (ALMEIDA, 2017).
A oitava sessão há ênfase nos experimentos comportamentais e cartões de enfrentamento. Após isto, na sessão 9, é possível observar o treino de assertividade para o dirigir e para o pessoal, aplicando escalas de Beck.
Almeida (2017) propõe as ultimas sessões para a prevenção de recaída e avaliação dos resultados e habilidades adquiridas no processo.
A literatura mostra-se escassa em relação ao tema, com pouca literatura com protocolos específicos para tratar o medo de dirigir. O protocolo de Almeida (2017) é uma sugestão de intervenção, mas ainda precisa ser testado para verificação de sua eficácia. Sugerem-se mais pesquisas sobre o tema.
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CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O trabalho teve como proposta analisar como o medo de dirigir é visto pela TCC e quais são os possíveis caminhos para auxiliar nessa demanda que cresce cada dia mais na sociedade. O medo de dirigir afeta diretamente o cotidiano do sujeito, além de apresentar dificuldades emocionais, como tristeza, frustração, desvalorização de si. Sob essa ótica, o dirigir é visto como uma situação fóbica e de difícil acesso, tendo como perspectiva social que é um comportamento “comum, fácil e corriqueiro”, que contrapõe o que é vivido por pessoas com medo de dirigir. As mulheres sofrem em grande parte com a dificuldade, reforçando e sendo reforçadas por estereótipos sociais.
A TCC pode auxiliar no processo de dirigir à medida que reflete sobre a forma como o individuo vive e interpreta a situação temida. É possível observar diversas técnicas, ainda que não haja uma proposta de protocolo definida, que possibilitam o diálogo eficaz e auxilio no enfrentamento do medo de dirigir.
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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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Termo de Responsabilidade Autoral
Eu Ana Paula Martos Rivas, afirmo que o presente trabalho e suas devidas partes são de minha autoria e que fui devidamente informado da responsabilidade autoral sobre seu conteúdo.
Responsabilizo-me pela monografia apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, sob o título “Medo de dirigir: contribuições da terapia cognitivo comportamental”, isentando, mediante o presente termo, o Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC), meu orientador e coorientador de quaisquer ônus consequentes de ações atentatórias à "Propriedade Intelectual", por mim praticadas, assumindo, assim, as responsabilidades civis e criminais decorrentes das ações realizadas para a confecção da monografia.
São Paulo, __________de ___________________de______.
_______________________ Assinatura do (a) Aluno (a)