Festa
S. Francisco de Sales
Homilia comentada para a Família Salesiana
P. J. Rocha Monteiro, sdb
Festa de S. Francisco de Sales Titular e Padroeiro da Família Salesiana
Jo 10, 11-16
1. Nota biográfica. S. Francisco de Sales nasceu na Sabóia em 1567. Após a sua ordenação sacerdotal ofereceu-se ao Bispo para reconduzir os Calvinistas do Chablais à fé católica. Nomeado bispo de Genebra, entregou-se ativamente à
pregação e pôs em marcha as reformas do Concílio de Trento. Espírito nobre, perspicaz, douto humanista, foi grande diretor espiritual; abriu a todos os caminhos da ascética (Filoteia), mostrando que a essência da vida espiritual se encontra no amor de Deus (Teotimo).
Intuiu a importância da imprensa; instituiu em Thonon uma Academia que reunia as mentes mais ilustres para aprofundar a ciência e orientar os jovens para uma formação profissional. Com Santa Joana de Chantal fundou e dirigiu a Ordem da Visitação.
Morreu na cidade de Lião em 28 de Dezembro de 1622. S. João Bosco escolheu-o para padroeiro da Sociedade Salesiana.
2. A Imagem do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor está no centro do nascimento da vocação, um dom do amor de Deus à Igreja e à Família Salesiana.
Está escuro lá fora e o paganismo é galopante! É preciso não só manter a luz mas aumentá-la.
A alegoria do pastor das ovelhas retoma uma imagem cara ao profeta Ezequiel (cf. Ez 34), onde Deus anuncia que Ele próprio apascentará o Seu Povo.
O Bom Pastor distingue-se do mercenário porque «conhece» as Suas ovelhas» (v. 14), mas mais ainda porque «oferece a Sua vida» pelas ovelhas (cf. vv. 11.15).
A oferta de Si mesmo para a salvação das ovelhas não é obrigação, mas uma opção de amor (vv. 17-18). O dom de Si mesmo não é só para alguns mas é para todos (v. 16).
3. Ezequiel. O profeta, atribui a responsabilidade da
dispersão do povo de Israel aos chefes, os quais, em vez de se preocuparem com o rebanho que lhes foi confiado, cuidaram dos seus interesses (Ez 34).
Jesus retoma essa imagem para anunciar que, n’Ele, a promessa é finalmente cumprida. Ele é o «Bom Pastor» (vv. 11.14a) enviado por Deus para salvar o Seu Povo.
O Bom Pastor é animado pelo desejo de que também os que estão longe possam notar a Sua solicitude e desvelo. A salvação é dádiva universal: «Tenho outras ovelhas [...] e preciso de as reunir.» (v. 16).
4. Jesus é o «Bom Pastor» (cf. Jo 10,11.14a). Ele «conhece» as ovelhas (Jo 10,14b), e este conhecimento é o primeiro sinal de um amor que progressivamente O levará a dar a Sua vida por elas.
Deste modo, João diz a cada homem que a fé é exatamente a experiência de quem se sente amado e conhecido: «Nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor.» (I Jo 4,16).
A certeza de sermos amados sustenta a paz e a alegria do
discípulo, que se experimenta como finalidade do amor infinito de Deus, e este amor não é algo de vago ou de nebuloso, mas é o rosto de Jesus Bom Pastor.
O amor do Bom Pastor torna-se oferta da Sua vida, porque «não há amor maior do que dar a vida pelos amigos.» (Cf. Jo 15,13).
Na dádiva de Cristo está envolvido o Pai que «amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho único» (Jo 3,16), servo justo e obediente.
A esperança não afunda as suas raízes sobre aquilo que nós somos, mas sobre o que Deus é para nós. As palavras do salmo responsorial são para nós indicação permanente: «Mais vale refugiar-se no Senhor do que confiar nos poderosos.» (Sl 117,9)
E «se Deus é por nós, quem estará contra nós?» (Rm 8,31). Tg 3, 13-18
5. Verdadeira e falsa sabedoria. Tiago afirma que a sabedoria não pode ser puramente intelectual.
A verdadeira sabedoria vai acompanhada por
comportamentos. Pelos seus frutos os conhecereis. Onde houver invejas e rivalidades, a pretensão de ser sábio é pura ficção.
Em contraste com a falsa sabedoria, é-nos apresentada a autêntica, que “desce do alto”, tendo em Deus a sua origem. A verdadeira sabedoria é a que nasce do Evangelho. Ela é pura, conciliadora, condescendente, cheia de misericórdia e boas obras.
Tiago está a criticar a mentalidade dos gnósticos que acentuavam a si próprios, o que em linguagem moderna podemos traduzir por “autoestima, autorrealização, autocontemplação, egocentrismo...” Estas são árvores infrutíferas com falta de amor e boas obras.
O fruto da verdadeira sabedoria é a justiça e a paz. 6. Testemunho - S. João Bosco. Muito cedo Joãozinho contempla no sonho dos nove anos o que foi para ele a sabedoria de Deus:” a presença de Jesus e de Nossa senhora, que disseram o que queriam dele: a amabilidade, o cuidado dos jovens pobres e abandonados, a doação da sua vida até ao
limite. “Um pouco de paraíso paga tudo”, costumava dizer. Nos seus sonhos, Deus mostrou-lhe a metodologia que devia seguir para conseguir o seu maior desejo: “salvar almas”, sobretudo jovens. “Por vós dou a minha vida”, dizia. “Espero ver-vos felizes aqui e na eternidade”. Este é o sonho que recebemos dele.
Dom Bosco imita profundamente a força, a beleza da imagem do Pastor que dá a vida eterna às Suas ovelhas, que as segura pela mão, que as conhece. Maravilhosa comunhão. Música encantadora.
Dom Bosco, em Francisco de Sales, encontrou a “Alegria”, como rosto de Deus que se exprime no canto, na serenidade, no otimismo, na frescura, na pureza.
São estas as características de S. Francisco de Sales: o seu humanismo e a sua espiritualidade simples e refinada ao mesmo tempo.
Recordamos os três êxtases da Carta da Identidade Carismática da Família Salesiana: “êxtase intelectual (o que Deus é), êxtase afetivo (experiência do amor de Deus) êxtase da ação e da vida” (entrega concreta e dinâmica) (art.º27).
Nele encontrou um «coração manso e humilde»; o mestre seguro de vida espiritual que ainda hoje continua a educar com «os escritos, a palavra e o exemplo»; o homem rico de sabedoria, da sabedoria que vem do alto; o pastor «zeloso e amável», «prudente e fiel» que se faz «tudo para todos, que conduz «os pecadores à penitência» e se empenha «em
restaurar a unidade dos crentes no vínculo da caridade e da paz».
7. Bicentenário. A Família Salesiana desperta ao celebrar o Bicentenário.
Desta santa Eucaristia a Família Salesiana colhe nova energia para «dar testemunho do amor de Deus ao serviço dos irmãos», para «empenhar-se ativamente na missão juvenil», trabalhar «em todas as circunstâncias da vida» sob o impulso de uma caridade benigna, paciente, operosa, de modo a impregnar de espírito cristão as diversas estruturas eclesiais, sociais, políticas, económicas e culturais, tornando-as, assim, mais humanas.
Voar mais alto no amor
Estabelecerei a minha morada, na fornalha de amor, no Coração divino... Menino que nasceste em berço bordado
Teu rosto de pétalas de rosas embalado Meu menino de Saboia de ascese cristã
Foste irmão da sublime bondade irmã Numa família onde a caridade, a castidade
A temperança, a modéstia e a humildade Nos levam à glória de Deus na eternidade.
O apóstolo de Chablais subia alto águia De ouro com asas clarão em céu azul A alegria contagiante da devoção a Maria
Mãe de beleza, a primeira das criaturas Combatendo a heresia levando para Deus
Unindo num só amor a terra e os céus Ultrapassada a cólera e outros defeitos seus.
Príncipe bispo de Genebra perene no espírito De coração terno e compassivo viveste Amante da cruz encarnando-a sofreste Levaste as almas à contemplativa paixão
Da morte do Senhor serena meditação Dando-te todo recebeste a doçura do mel Dizendo com Chantal “Esta é a porta do céu”
Apaixonado por Deus numa só oblação A vitória sobre o pecado pérolas preciosas
Coroa de glória de Deus contínua oração Estrelas num céu cheio de flores candor Pétalas de diferentes perfumes corações União de beleza, de primores e esplendor Numa síntese celestial de amor de perfeições
Pastor misericordioso moldaste João Bosco Deste-lhe o homem, da pedagogia os encantos
De ti recebeu da caridade pastoral o ardor Com arte dos seus jovens fizeste escola de santos
De Maria Imaculada Auxiliadora a criadora “Foi Ela quem tudo fez” sempre disseste Santa a Família Salesiana assim quiseste. Ámen.