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Cad. Saúde Pública vol.14 número4

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Academic year: 2018

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TYPHO ID M ARY: CAPTIVE TO THE PUBLIC’S HEALTH. Judith Walzer Leavitt. Boston: Beacon Press, 1997, 336 pp.

ISBN 0807021032

Ma r y Ma llo n fo i u m a irla n d esa sem fa m ília q u e, n o in ício d esse sécu lo, aos 13 an os d e id ad e, m igrou p a-ra os EUA. Assim com o ta n tos ou tros m iga-ra n tes q u e n a é p o ca ch e ga va m d e to d o s o s rin cõ e s d a Eu ro p a , estab eleceu -se em Nova York. O livro d a h istoriad ora Ju d ith Leavitt, d a Un iversid ad e d e Wiscon sin , é u m a b iografia d essa m u lh er, qu e, n a h istória d a saú d e p ú -b lica, viria a ficar con h ecid a com o Typ h oid M ary(ou Maria Tifóid e). Pela an álise d a trajetória d e vid a d es-sa p erson agem , Leavitt em p reen de u m a reflexão acer-ca d as p rátiacer-cas d a saú d e p ú b liacer-ca n os Estad os Un id os n o in ício d esse sécu lo, en vered an d o p elos cam p os d o d ireito, d a ética e d a sociologia.

A estória (ou h istória) com eça q u an d o, em 1907, Mary Mallon é id en tificad a p elo serviço d e saú d e p ú -b lica d e Nova York com o cap az d e p ortar em seu or-ga n ism o a b a ctéria Sa lm on ella t yp h isem , co n tu d o, a p resen ta r sin a is ou sin tom a s d a tem id a feb re tifói-d e. Ma ry foi o p rim eiro ca so con h ecitifói-d o tifói-d e p orta tifói-d or são ou in ap aren te d essa b actéria, u m con ceito p ou co com p reen dido p ela m edicin a da ép oca. Segu n do Lea-vitt, “...t h e n ew cat egory of h ealt h y p eop le w h o cou ld be tested an d labeled as d an gerou s [...] w as as excitin g to p h ysician s an d scien tistis as it w as p erp lexin g to an in cred u lou s lay p op u lation” (p. 234).

Ma r y Ma llo n tra b a lh a va co m o cozin h e ira e, se gu n d o a au tora, era d eten tora d e excelen tes referên -cias. Não p arecia ter d ificu ld ad es em em p regar-se em re sid ê n cia s d e fa m ília s d a cla sse a lta . Se u s p u d in s eram fam osos. Porém , Mary p arecia trazer d oen ça e, p or vezes, m orte às fam ílias q u e a em p regavam . En -tre 1900 e 1907, p elo m en os 22 casos d e feb re tifóid e foram associad os à in gestão d e alim en tos p or ela p rep a ra d os. É n esse m om en to q u e en tra em cen a o en gen h eiro Geo rge So p er, o u tro p erso n a gem b em co -n h ecid o d a h istória d a saú d e p ú b lica. La-n ça-n d o m ão d e técn ica s e estra tégia s típ ica s d e u m in vestiga d o r p o licia l, e le é o p rim e iro a lo ca lizá -la e a trib u ir-lh e ‘re sp o n sa b ilid a d e’ p e lo s su rto s d a d o e n ça . So p e r é q u em a in terroga p ela p rim eira vez e d eterm in a su a in tern ação h osp italar (sob força p olicial), m esm o n a au sên cia d e sin ais d a d oen ça. As au tor id ad es viriam a d e cre ta r q u e Ma r y e ra p o r d e m a is ‘p e rigo sa’ p a ra con tin u ar a trab alh ar com o cozin h eira e em p regad a d om éstica. Sop er foi tam b ém u m d os p rin cip ais resp on sáveis resp ela d ecretação (ju d icial) d o con fin am en -to in volu n tário d e Mary Mallon (aos 37 an os d e id a-d e) em u m cen tro a-d e q u a ren ten a e iso la m en to p a ra d oen ças con tagiosas existen te n a ilh a d e North Bro-th er, p róxim a d e Nova York. Aí Mary viveu p or u m p e-ríod o d e 23 an os, até su a m orte, em 1938. A p rop ósito, ela n ão m orreu d e feb re tifóid e, m as sim em con -seqü ên cia d e u m d erram e.

Os a rgu m en tos d e Ju d ith Lea vitt sã o m u ito b em d o cu m en ta d o s e seu texto p ren d e a a ten çã o d o lei-to r d esd e seu in ício a té o fin a l. Um excelen te regis-t ro fo regis-t o grá fico co n sregis-t iregis-t u i u m co m p le m e n regis-t o im p o r-ta n te d a o b ra . Cu id a d o sa m e n te a a u to ra situ a su a s crítica s e reflexõ es so b re o ca so d e Ma r y Ma llo n n o co n t e xt o h ist ó rico d e u m a m e d icin a q u e t e n t a va acom p an h ar os ráp id os avan ços d a em ergen te ciên -cia d a b acteriologia. Leavitt n ão p erd e a op ortu n id a-d e a-d e exp lorar as m u itas ligações en tre esse p assaa-d o (n ão tão d istan te) e a p ráxis con tem p orân ea d a saú -d e p ú b lica.

Do qu e se d ep reen d e d a an álise d e Leavitt, a saú -d e p ú b lica q u e e n tã o se in stitu cio n a liza va lo gra va exib ir su a ‘co m p etên cia’ (a o s o lh o s d a s a u to rid a d es san itárias d a ép oca), con d u zin d o d oen tes à q u aren ten a e ao isolam en to. Pou co su cesso ob tin h a, n o en -ta n to, n a ga ra n tia d a sa ú d e d a p o p u la çã o em gera l, em razão d as p recaríssim as con d ições d e h ab itação e d e sa n e a m e n to q u e, n a é p o ca , p re d o m in a va m e m Nova Yo rk. A a u to ra d iscu te ta m b ém o p a p el d a im -p ren sa com o im -p ortan te coad ju van te n o exercício d a ‘au torid ad e san itária’ e d em on stra com o o u so ab u sivo (p ela im p ren sa) d a im agem d e Mary Mallon p reju -d icou a irla n -d esa p era n te a op in iã o p ú b lica , con tri-b u in d o p a ra o clim a fa vo rá vel a o seu co n fin a m en to n a ilh a d e Broth er Islan d . Afin al, q u em se p reocu p a-ria com o isolam en to d e u m a im igran te q u e, in clu si-ve, h a via sid o d e scrita p e la s a u to rid a d e s sa n itá ria s com o “n ão verd ad eiram en te fem in in a” qu an to às su as

ap arên cias e m an eiras?

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p ela d issem in ação d o víru s n a Am érica d o Norte, su -p ostam en te em d ecorrên cia d e seu s h áb itos sexu ais ‘p ro m íscu o s’ e d e ‘risco’. Este e m u ito s o u tro s sã o exem p los d e recu rsos d e n atu reza coercitiva, com o a id en tificação e a tip ologização d e gru p os ou d e in d i-víd u o s, b e m co m o a p rá tica d o iso la m e n to o u q u aren ten a, qu e p erm an ecem com o elem en tos con stitu tivo s im p o rta n tes d a s p o lítica s e d a s a çõ es ‘p reven -tivistas’ em saú d e p ú b lica. O p od er d e tais rotu lações, q u e in variavelm en te se atrelam a u m a vasta red e d e sign ificad os sociais e cu ltu rais, é cap az d e m u d ar rad icalm en te a virad a rad e p essoas ou rad os gru p os q u e, su -b ita m e n te, p a ssa m a se r id e n tifica d o s co m o ‘p e-rigosos’ à saú d e p ú b lica.

Em su m a, a p artir d a h istória d e vid a (trágica) d e u m a im igran te, o livro d e Ju d ith Leavitt con stitu i-se n u m im p o rta n te a cré scim o a o d e b a te e m to rn o d o d e lica d o e q u ilíb rio (n ã o ra ro co n flito ) e n tre d ire i-to s/ lib e rd a d e s in d ivid u a is e sa ú d e d a co le tivid a d e. Dem on stra tam b ém , d e form a con tu n d en te, a im p ortân cia d a História (in clu sive aq u ela verten te q u e en foca trajetórias d e vid a in d ivid u ais) p ara o m elh or en -te n d im e n to d o s m e ca n ism o s e p ro ce sso s so cia is e p o lítico s q u e in stru m e n ta liza m a s a çõ e s n o ca m p o d a saú d e. E p or assim fazer, o trab alh o d e Ju d ith Lea-vitt é sin gu lar en q u an to con trib u ição p ara a reflexão d irigid a ao d esen volvim en to d e estratégias m ais h u -m an as e eqü itativas e-m saú d e p ú b lica.

Carlos E. A. Coim b ra Jr.

Dep artam en to d e En d em ias Sam u el Pessoa Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica Fu n d ação Oswald o Cru z Rio d e Jan eiro

TEORIA EPIDEM IOLÓGICA HOJE: FUN DAM EN -TOS, IN TERFACES E TEN DÊN CIAS. N . Almeida Filho; M . L. Barreto; R. P. Veras & R. B. Barata (orgs.). Rio de Janeiro: Fiocruz/ Abrasco, 1998, 260 pp.

ISBN 8585676507

Só o títu lo já seria su ficien te p ara d esp ertar o in teres-se d o s m a is a te n to s: Teoria Ep id em iológica Hoje. É q u e a exp ressão soa q u ase in u sitad a. Teoria e ep id e-m io lo gia p a re cia e-m te re-m o s co n d e n a d o s a ja e-m a is se en con trarem . Com o os p rotagon istas d e am ores im -p ossíveis d e u m sem -n ú m ero d e con tos e rom an ces, sob re esses d ois ‘p erson agen s’ p arecia h aver caíd o al-gu m a estra n h a m a ld içã o, a q u a l d eterm in a va q u e a p resen ça d e u m fosse sem p re d esen con trad a d a ch e-ga d a d o o u tro. Fa z le m b ra r, p o r e xe m p lo, a a flitiva h istó ria d e La d y Ha w k: q u a n d o o so l n a scia , a d o ce Isab eau virava u m falcão, só voltan d o às su as form as h u m an as qu an d o o sol se p u n h a, m om en to em qu e o ca va le iro, se u a m a d o, to rn a va -se u m lo b o, fa ze n d o co m q u e o s d o is n u n ca p u d e sse m co n su m a r se u am or.

As razões d esse d ivórcio en tre teoria e ep id em iologia p arecem relativam en te b em d iscu tid os, d even -d o -se, em sín tese, a u m á r-d u o e co m p lexo p ro cesso d e form alização e legitim ação d o con h ecim en to ep i-d em iológico qu e o levou a ap oiar-se n u m m ovim en to d e su b ord in ação ep istem ológica a esferas d iscip lin a-res já m a is con forta velm en te in sta la d a s n o esta tu to cien tífico. De form a ap en as ap aren tem en te p arad o-xal – já q u e n a verd ad e foi u m a op ção h istórica, u m a e n tre o u tra s ta n ta s p o ssíve is e im p o n d e rá ve is –, a o m esm o tem p o em q u e o p en sar e fazer em saú d e foi se torn an d o m ais e m ais d ep en d en te d a ep id em iolo-gia, esta foi tam b ém m ais e m ais p erd en d o d en sid a-d e teó rica . De ta l m o a-d o se a-d eu esse p ro cesso, q u e a ep id em iologia ch egou a p od er ser d efin id a, p or Miet-tin en , com o u m “agregad o d e p rin cíp ios d e in vestiga-çã o”, n ã o u m a ciên cia , sen d o seu ob jeto “fu n ções d e ocorrên cia” d e even tos m éd icos ou relativos à assis-tên cia m éd ica, e n ão m ais q u alq u er fen ôm en o esp e-cífico. En q u an to tal, ‘su a’ teoria será sem p re tom ad a d e em p réstim o à d iscip lin a qu e d efin e os even tos cu -ja ocorrên cia a ep id em iologia é ch am ad a a estu d ar.

No m om en to h istórico em qu e b u scou m ais rad i-ca lm en te u m a teo ria co n sisten te e a u tô n o m a so b re u m a fen om en ologia p róp ria à d im en são coletiva d o p rocesso sa ú d e-d oen ça (en tre m ia sm a s e con stitu i-ções ep id êm ica s), fa ltou à ep id em iologia u m a a xio-m á tica e técn ica s q u e o p era ssexio-m essa teo ria d e fo r-m a satisfatoriar-m en te con vin cen te p ara o con ju n to d a co m u n id a d e cie n tífica e su ficie n te m e n te e fica z d o p o n to d e vista p ra gm á tico. Já n o m o m e n to e m q u e p a sso u a d a r p a sso s m a is sign ifica tivo s n a co n stru -çã o d essa a xiom á tica e técn ica s d e in vestiga -çã o, es-cap ou -lh e ju stam en te a p articu larid ad e d e seu ob je-to. Fo i fica n d o ca d a vez m a is sem sen tid o fa la r em u m a teoria ep id em iológica. Dep ois d a ú ltim a ten tati-va d e Frost, n a d écad a d e 20, até b em recen tem en te, sequer os m an uais se arriscaram a rom p er ‘a m ald ição’ q u e afastou teoria e m étod o em ep id em iologia, m u i-to m en os o fizeram os artigos qu e vieram veicu lan d o a p rod u ção ep id em iológica p rop riam en te d ita.

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d o n osso con h ecim en to m ais d o q u e as q u an tid ad es têm con segu ido oferecer n o m odo com o têm sido m a-n ejad as. Ea-n q u aa-n to o falcão acom p aa-n h ar o cavaleiro, com o a p resen ça esp ectral d e su a d am a, e o lob o for p ara a d am a a p rom essa d o seu am an te, h averá sem -p re a -p ossib ilid ad e d o en con tro.

Teoria Ep id em iológica Hoje” p arece vir m ostrar q u e e sse e n co n tro p o d e n ã o e sta r tã o lo n ge co m o im a gin a m o s, e sp e cia lm e n te se co n sid e ra rm o s q u e esse livro n ão resu ltou d a in iciativa isolad a e rom ân -tica d e algu m vision ário, e sim d o registro d e d iscu s-sõ e s q u e e n vo lve ra m p e sq u isa d o re s d o s m a is d ife-ren tes p erfis, vin d os d e d ifeife-ren tes p a rtes d o Bra sil e d o m u n d o, com p artilh ad as p or cerca d e três m il p es-soas, n os Con gressos d e Ep id em iologia realizad os em Salvad or, em ab ril d e 1995. A b u sca, ali d esen volvid a, d e u m d iá lo go en tre técn ica s, m éto d o s, co n ceito s e p ráticas é exp ressiva d e u m sign ificativo con ju n to d e m em bros da com u n idade cien tífica e técn ica do cam -p o d a saú d e. É -p erfeitam en te legítim o, en tão, term os a esp eran ça d e estar atravessan d o u m n ovo lim iar n o d esen volvim en to d a ep id em iologia, em qu e a exorta-ção d e Frost à b u sca d e u m a filosofia ep id em iológica con sisten te p ara além d o m an ejo d e in ferên cias n ão seja u m m ero an acron ism o sau d osista e m elan cólico, m a s o m o to r d e verd a d eira s tra n sfo rm a çõ es. Tra n sform a ções q u e p erm ita m segu ir a d ia n te n o a m a d u -re cim e n to m e to d o ló gico já a lca n ça d o, -re sga ta n d o, co n tu d o, a p a rticu la rid a d e e a d ign id a d e teó rica d e u m cam p o d iscu rsivo qu e n asceu d a exp eriên cia e d a com p reen são d o rad ical com p artilh am en to h u m an o d as form as d e viver e ad oecer.

Ma s d e q u e m o d o e sse re to m a r d e u m a te o ria ep id em io ló gica é efetiva m en te rea liza d o n a co letâ -n e a ? Qu e ca m i-n h o s -n o s a p o -n ta m p a ra u m a e p id e-m iologia d o p róxie-m o sécu lo e e-m ilên io?

Não p reten d o resp on d er a essas p ergu n tas sin te-tizan d o o rico con teú d o d os d iversos textos recop ila-d os em Teoria Ep id em iológica Hoje. Há n o p róp rio li-vro u m a ap resen tação, assin ad a p elos organ izad ores, q u e torn aria ociosa a tarefa, até p orq u e d ificilm en te se con segu iria aqu i rivalizar com o p od er d e sín tese e a agu d eza an alítica con segu id a p or seu s au tores. Será in teressa n te a p en a s ch a m a r a a ten çã o p a ra d ois a s-p ecto s m u ito releva n tes, im s-p ressõ es resu lta n tes d o con ju n to d os textos.

O p rim eiro é o evid en te an tid ogm atism o d as d is-cu ssões. O con ju n to d os textos tran sp ira u m a sau d á-vel atitu d e d e ab ertu ra e h u m ild ad e filosófica. Não h á q u alq u er p rop osta d efin itiva. Mesm o os textos m ais ou sad os em exp licitar os con teú d os n ecessariam en te p rescritivo s d e su a s a n á lises crítica s co lo ca m se n o lu gar d e p arceiros d e u m a con stru ção qu e im p lica to-d os e in teressa a eles. Não h á esp aço p ara m essian is-m os. O is-m ais in teressan te é qu e essa atitu d e n ão se re-ve ste d e a gn o sticism o, fa lta d e p o sicio n a m e n to o u om issão, com o é com u m acon tecer qu an d o o con ser-vad orism o, e n ão o p lu ralism o, é o valor su b jacen te a u m a ap aren te p az m etod ológica. O leitor qu e p ercor-rer os d iversos textos en con tra rá con vites à reflexã o so b re tó p ico s ra d ica is n a co n str u çã o d a id en tid a d e cie n tífica d a e p id e m io lo gia , co m o a s fo n te s d a su a va lid a çã o co m o d iscu rso ve rd a d e iro, a su a re la çã o co m o s d iscu rso s ‘co m u n s’, o p a p el d a lin gu a gem , o lu ga r d a s q u a n tid a d es, a p rod u tivid a d e d a s m etá fora s, a recu sa veem en te ta n to d e h eterod oxia s m eto -d o ló gica s n ã o co m p ro m issa -d a s co m o rigo r, co m o

d os rigorism os d esp rovid os d e sen tid o teórico, a exi-gên cia d e h orizon tes éticos claros m as n ão d ogm áti-cos. En con trará até m esm o a p rop osição d e u m n ovo p a ra d igm a . Co n tu d o, m e sm o a q u i, n e sse a rrisca d o in vestim en to p rosp ectivo, a m etáfora d as “caixas ch i-n esas”, d en om in ação q u e os au tores d o texto d ão ao

p a ra d igm a p ro p o sto, d á -n o s b em co n ta d a p o sitivid asitivid e sitivid o seu com p rom isso com a p lu ralisitivid asitivid e e o “an -tifu n d a cio n a lism o” q u e d eseja m p a ra a ciên cia ep i-d em iológica.

O segu n d o asp ecto in teressan te d a coletân ea é o n ú m e ro e xp re ssivo e a n o tá ve l q u a lid a d e d e te xto s qu e ch am am a aten ção p ara as su p erfícies d e relação q u e a b u sca d o con h ecim en to ep id em iológico esta-b elece en tre d iferen tes cam p os d iscip lin ares. No ú lti-m o Con gresso Brasileiro d e Ep id elti-m iologia, realizad o e m a go sto p a ssa d o n o Rio d e Ja n e iro, o u vi d e u m a con gressista qu e talvez a ep id em iologia fosse con h e-cid a n o fu tu ro n ão com o u m a d iscip lin a, m as sim co-m o u co-m a in terd iscip lin a ; a co n gressista d esta co u o s traços con stitu tivos d a ep id em iologia, qu ais sejam , o d e estim u lar o d iálogo en tre d iferen tes ciên cias e o d e d ep en d er p rofu n d am en te d essas in terfaces d iscip li-n ares p ara coli-n stru ir o seu p róp rio d iscu rso. Os textos agru p ad os n a segu n d a, e m ais exten sa, seção d a cole-tâ n e a co rro b o ra m e sse p ro gn ó stico. An tro p o lo gia , Clín ica , Bio lo gia Mo le cu la r, Eco lo gia , Física , Ma te-m ática, essas d iferen tes áreas d o con h ecite-m en to tête-m ali d em on strad o seu im en so p oten cial, algu n s ain d a p ou co exp lorad os, d e alim en tar a ep id em iologia com con ceitos, in stru m en tos, m od elos e m etáforas.

Pau l Ricoeu r já d isse q u e tod o su jeito tem algo a d izer qu e n in gu ém p od e d izer em seu lu gar. Pod ería-m os a crescen ta r q u e o lu ga r d e on d e fa la é u ería-m a d a s exp ressões m ais vivas d a p articu larid ad e d esse su jei-to. Falar d o n ão-lu gar, ou m elh or, falar d o esp aço vir-tual e m utan te das in terfaces que cria p or força de suas exigên cias p ráticas e teóricas p od e b em ser a vocação d a ep id em iologia. Precisam os estar aten tos, p ois este p od e ser o ‘eclip se’ a b orrar as d istin ções en tre d ia e n oite, p od e ser o am b ien te n ecessário p ara qu eb rar ‘o feitiço d e Áqu ila’, p erm itin d o qu e teoria e m étod o em ep id em iologia p ossam fin alm en te se tocar.

José Ricard o d e Carvalh o Mesqu ita Ayres Dep artam en to d e Med icin a Preven tiva Facu ld ad e d e Med icin a

Un iversid ad e d e São Pau lo São Pau lo

ESPAÇO & DO EN ÇA. UM O LHAR SO BRE O AM AZON AS. Luisa Basilia Iñiguez Rojas & Lucia-no M edeiros de Toledo (orgs.). Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998, 175 pp.

ISBN 8585676434

A segu n d a m etad e d o sécu lo 20, m ais p recisam en te a p artir d a d écad a d e 70, assistiu à tran sform ação acelerad a d o esp aço geográfico d e u m a d as ú ltim as fron -teiras p reservad as d a Terra, a Am azôn ia.

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es-tagn ação econ ôm ica e d em ográfica p ou co alteraram o m eio. Foi som en te n o p eríod o d os govern os m ilita-res qu e a região e o Estad o d o Am azon as foram ob je-to s d e gra n d e s p ro je je-to s e co n ô m ico s, q u e viria m tran sform ar irrem ed iavelm en te o seu esp aço.

Essa tran sform ação foi registrad a d e u m a m an ei-ra elega n te p o r Iñ igu ez Ro ja s & To led o, ju n ta m en te com u m a equ ip e d e colab orad ores, n o livro Esp aço & Doen ça. Um Olh ar sobre o Am az on as, d a Ed itora Fio-cru z. É u m p ro jeto d a p resid ên cia d a Fu n d a çã o Osvald o Cru z, com o ap oio d o Escola Nacion al d e Saú -d e Pú b lica , -d o CNPq e -d a Un ive rsi-d a -d e -d e Ha va n a (Cu b a).

Ma is p re cisa m e n te, tra ta -se d e u m a a tla s, p e lo seu form ato e p ela riq u eza d e m ap as e in form ações, com excelen te q u alid ad e gráfica. Con tu d o, a escolh a d esse form ato, ain d a q u e gan h e em q u alid ad e d a in fo rm a çã o, p erd e u m p o u co em fa cilid a d e d e m a n u se io, se n d o, p o r isso, u m a p u b lica çã o p a ra se r co n -su ltad a em b ib lioteca. A ap resen tação vi-su al p erm ite, p orém , q u e seja levad o à In tern et p raticam en te sem alterações.

O livro é d ivid id o em d u as p artes, u m a an alisan d o o esp aço e su as tran sform ações e a ou tra, a p rod u -ção e d istrib u i-ção d e u m con ju n to d e d oen ças. Mes-m o ad otan d o essa d ivisão, o livro n ão ap resen ta u Mes-m a d ico to m ia e n tre ge o gra fia e e p id e m io lo gia , co n se-gu in d o fa ze r u m a sín te se e le ga n te, va le n d o -se d o p rocesso d e organ ização d o esp aço.

O eq u ilíb rio en tre a s d o en ça s clá ssica s d a Am zô n ia , co m o a m a lá ria , a feb re a m a rela e a leish m an iose, e os tem as m ais atu ais, com o o sistem a d e saú -de, a cólera e a Aids, é m u ito bom . Os au tores n ão b u s-caram fazer u m tratad o en ciclop éd ico sob re a saú d e d o Estad o d o Am azon as; ao con trário, o livro é essen -cialm en te o qu e o seu títu lo su gere: u m olh ar sob re o Am a zo n a s, esp a ço e d o en ça . Um o lh a r, a liá s, m u ito m ais realista d o qu e o d os p rim eiros cron istas p ortu -gu eses e esp an h óis.

Mais d e sessen ta an os d ep ois qu e Pavlovsky an a-lisou o esp aço e a p rod u ção d e d oen ças n a Sib éria, os a u to re s d o livro e m q u e stã o fa ze m o m e sm o co m o Am azon as, só qu e valen d o-se d e u m a b agagem teórica e d e recu rsos tecn ológicos m u ito su p eriores. É im -p ossível, n o en tan to, n ão fazer a com -p aração: a Sib é-ria e o Am azon as eram fron teiras d o d escon h ecid o, o esp aço p ercorrid o em p rocesso d e organ ização.

A a n á lise co n d u zid a p o r Iñ igu e z Ro ja s & To led o d eixa claro qu e a tran sform ação d o esp aço é u m a via d e se n tid o ú n ico e a co m p re e n sã o d o p ro ce sso d e p rod u ção d as d oen ças, p rin cip alm en te p elas fu tu ras gerações, exige u m registro fiel m as crítico d as tran s-fo rm a çõ es o co rrid a s. Ao lo n go d e q u a se trin ta a n o s d e p rojetos d esen volvim en tistas n o Am azon as, com su as rod ovias, h id relétricas, p rojetos agrícolas, extra-çã o d e m a d e ira , u rb a n iza extra-çã o e m e sm o co m a Zo n a Fra n ca d e Ma n a u s, a s m u d a n ça s d o e sp a ço fo ra m p rofu n d as e exten sas, m u itas vezes b ru scas, cru éis e irresp on sáveis em d iversas situ ações.

A a n á lise d o e sp a ço é e xtre m a m e n te rica . Utili-zan d o largam en te os con ceitos e p u b licações d e Mil-ton San tos, é fiel à lin h a já con sagrad a p elo gru p o d e p esq u isad ores d a Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica, à q u al p erten ce u m d os organ izad ores (Lu cian o Me-d eiros Me-d e ToleMe-d o). A p u b licação Me-d esse livro rep resen ta a m atu rid ad e d os estu d os sob re a organ ização d o es-p aço geográfico e a ocorrên cia d as d oen ças.

São 22 cap ítu los, além d a in trod u ção, escritos p elos organ izad ores e 31 colab orad ores, tod os in tim a -m en te ligad os à A-m azôn ia. Ap esar d o gran d e n ú -m ero d e cola b ora d ores, m a n teve-se u m a coerên cia in ter-n a, o qu e d á ao m aterial u m a flu id ez d e leitu ra m u ito gran d e. Graças a isso, con segu e ser ao m esm o tem p o u m texto d e referên cia e u m a an álise d o p rocesso d e p rod u ção e d istrib u ição d a d oen ça.

Com o n ão p od eria d eixar d e ser, u m a p arte con sid erável d esses colab orad ores p erten ce aos in stitu -to s d e p e sq u isa d a re giã o, n o ta d a m e n te o Eva n d ro Ch agas, d e Belém , e o In stitu to d e Med icin a Trop ical, d e Man au s.

O cap ítu lo sob re arb oviroses n ão p od e d eixar d e se r d e sta ca d o, p rin cip a lm e n te p o rq u e se e stru tu ra em d éca d a s d e p esq u isa so b re o tem a , d esd e o fin a l d os an os 50. Du ran te esse p eríod o, m ais d e u m a ge-ra çã o d e viro lo gista s p a sso u p elo In stitu to Eva n d ro Ch a ga s, d a n d o u m a co n trib u içã o m a io r o u m e n o r, m as se d eixan d o in flu en ciar p elo im en so rep ositório d e arb oviroses q u e foi, e é, a Am azôn ia. Esse gran d e p rojeto d e in vestigação ain d a está p or ter su a im p ortâ n cia d evid a m en te registra d a , e o livro, p o r lim ita -ção d e esp aço, ap en as m ostra os fru tos d o p rojeto.

Fie l a o p ro p o sto, re gistra r n ã o a p e n a s o e sp a ço co m o se a p resen ta h o je, m a s se va ler d a su a a n á lise p a ra co m p re e n d e r a p ro d u çã o e a d istrib u içã o d a d o e n ça , o livro tra ta co m p ro fu n d id a d e a s im p lica-ções d as tran sform alica-ções ocorrid as a p artir d os an os 70. Faz u m b alan ço crítico d os erros e acertos d a p olí-tica ad otad a en tão, su a rep ercu ssão sob re a p op u la-çã o in d ígen a e sob re a m u d a n ça d o con texto ep id e-m iológico. A ocu p ação d o esp aço ae-m azôn ico foi tal-vez a ú ltim a d e u m a lon ga série d e in vestid as d a civliza çã o eu rop éia sob re o con tin en te a m erica n o, in i-ciad as n o fin al d o sécu lo 15.

Nen h u m d os tem as é ab ord ad o su p erficialm en te e, n ã o o b sta n te o gra n d e n ú m ero d e co la b o ra d o res, con segu iu se u m a h om ogen eid ad e ed itorial excelen -te. O u so d a an álise d o esp aço com o recu rso exp lica-tivo é m u ito b om e n ão m erece ressalvas; assim , o li-vro d eve ser ap reciad o com o u m a fon te d e in form a-ção e com o u m excelen te exem p lo d o recu rso à an áse d o p rocesso d e organ ização d o esp aço p ara exp li-car o fen ôm en o saú d e-d oen ça.

Talvez o m ais d ifícil seja ju lgar qu al a m aior virtu -d e -d o livro : se r u m a fo n te -d e in fo rm a çã o, u m a tla s, p ortan to, ou u m a an álise d o p rocesso d e organ ização d o esp aço? Exercício in ú til talvez, p ois in egavelm en -te p reen ch e u m vazio, o d e registrar, an -tes q u e tard e, a tran sform ação p rofu n d a sofrid a p elo m aior d os es-tad os b rasileiros, cu ja im agem , in felizm en te, ain d a é estereotip ad a p elos relatos d e u m a era q u e se en cer-rou . Até agora, os estu d os d as im p licações ep id em io-ló gica s d a s m u d a n ça s im p o sta s a o Am a zo n a s era m p on tu ais. Este livro reú n e n u m a só ob ra a essên cia d o p rocesso, assim com o en tra em d etalh es d e u m a in -teligen te escolh a d e tem as.

Im p ossível n ão recom en d ar. Cab e a su gestão d e fazer u m a ed ição m ais econ ôm ica, d e m an u seio m ais fácil, ain d a q u e sem a riq u eza gráfica, m as d e acesso m ais fácil e cu sto m en or.

Lu iz Jacin th o d a Silva

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TERCEIRA IDADE: DESAFIOS PARA O TERCEIRO M ILÊN IO. Renato P. Veras (org.). Rio de Janeiro: Relume Dumará/ UnATI-Uerj, 1997. 192p.

ISBN 8573161248

O organ izad or é d ocen te d o In stitu to d e Med icin a So-cia l d a Un ive rsid a d e d o Esta d o d o Rio d e Ja n e iro (Ue rj), d ire to r d a Un ive rsid a d e Ab e rta d a Te rce ira Id a d e (Un ATI) – Ue rj e a u to r d e vá rio s tra b a lh o s n a área d a geriatria e geron tologia social.

A o b ra lite rá ria o rga n iza d a p o r Re n a to P. Ve ra s con siste n u m a coletân ea d e textos relativos à terceira id ad e, p rod u zid os p or d iversos esp ecialistas n a tem ática, n o con texto d a Un ATI sob a p ersp ectiva d a saú -d e coletiva, con stitu in -d o sete cap ítu los, qu e p ossu em su ficien te au ton om ia p ara serem lid os in d ep en d en -tem en te u n s d os ou tros. Além d os sete cap ítu los, h á: ín d ice tem ático e d e au tores, qu e facilita a con su lta a tó p ico s e sp e cífico s; a p re se n ta çã o ; in tro d u çã o e b i-b liogra fia . O texto é p rod u zid o com u m a lin gu a gem clara, ob jetiva e d e n ível teórico elevad o. A literatu ra con su ltad a e referen ciad a com o su p orte p ara a ob ra é atu al, d estacan d o-se o u so d e artigos d e p eriód icos. A a p resen ta çã o d o livro é feita p o r Ren a to P. Ve-ra s, q u e exp õ e gen erica m en te su a s p a rtes e ressa lta su a im p o rtâ n cia p a ra su p rir a ca rê n cia d e m a te ria l q u a lifica d o p a ra a a m p lia çã o d o s co n h e cim e n to s e p rática d os qu e lid am com d ocên cia, p esqu isa, assis-tên cia e ad m in istração d e serviços p ara os id osos.

A in trod u ção é escrita p or Alexan d re Kalach e, qu e d estaca a con trib u ição d a ob ra p ara a d ifu são d o co-n h ecim eco-n to co-n o qu e d iz resp eito às qu estões d o eco-n ve-lh ecim en to e, con seqü en tem en te, p ara a tran sform a-ção d as con d ições d e vid a d a p op u laa-ção id osa.

O p rim e iro ca p ítu lo, e la b o ra d o p o r Ve ra s e t a l., in titu lad o Tran storn os Men tais em Id osos: A Con tri-b u içã o d a Ep id e m io lo gia , a va lia , d o p o n to d e vista ep id em iológico, os p rob lem as m en tais d o id oso, p ar-ticu la rm e n te, a d e p re ssã o e a s d o e n ça s co gn itiva s, em n ível com u n itá rio e h osp ita la r. Na com u n id a d e, o s a u to res o b ser va ra m a co rrela çã o d e a sp ecto s só -cio-econ ôm icos e ed u cacion ais com tais en ferm id a-d es n a p op u lação em estu a-d o, com b ase em a-d aa-d os obtid os em p esq u isa realizad a p or Veras (1994) n o Mu -n icíp io d o Rio d e Ja -n eiro ; verifica ra m ta m b ém a h i-p ótese d e associações d e variáveis sociais, ed u cacio-n a is, e co cacio-n ô m ica s e d e m o grá fica s co m o s ca so s d e sín d rom e cereb ra l orgâ n ica e d ep ressã o. No â m b ito h o sp ita la r, a n a lisa ra m se a p reva lên cia d e in ter n a -m en to s h o sp ita la r d e id o so s a co -m etid o s p o r tr a n s-to rn o s m en ta is e o cu ss-to eco n ô m ico d este p ro ced i-m en to p ara o sistei-m a d e saú d e. Para a realização d es-sa an álise, Veras et al u tilizaram com o fon te d e d ad os os form u lários d e Au torização d e In tern am en to Hos-p italar (AIH) d e id osos h osHos-p italizad os d u ran te o an o d e 1993, n o Mu n icíp io d o Rio d e Jan eiro, p or p rob le-m as classificad os cole-m o d esord en s le-m en tais n a Classi-ficação In tern acion al d e Doen ças (CID-9). Esse cap í-tu lo co n stií-tu i u m d o s p o u co s esí-tu d o s q u e in vestiga tais d istú rb ios n a p op u lação id osa, p or m eio d e u m a m etod ologia con sisten te, n o con texto com u n itário.

Os cap ítu los 2, p rod u zid o p or Clarice Peixoto, e 3, e la b o ra d o p o r Ma ria Jo se fin a Ga b rie l Sa n ta’An n a , p o ssu e m u m se n tid o d e co m p le m e n ta rid a d e e ve r-sa m so b re a Un ive rsid a d e Ab e rta d a Te rce ira Id a d e (Un ATI). O trab alh o d e Clarice Peixoto con siste n u m a p esqu isa realizad a n a Un ATI d a Uerj qu e ab ord a a

ex-p e riê n cia d a vo lta à s a u la s a o s se sse n ta a n o s co m o u m a op ortu n id ad e p ara as p essoas id osas rein ven ta-rem u m n ovo m od o d e vid a d esvin cu lad o d e estereó-tip os n egativos ligad os à velh ice, em u m esp aço on d e ocorrem solid aried ad e e relações cotid ian as en tre ge-rações. No con texto d a su a an álise, a au tora d iscorre so b re a s m u d a n ça s o co rrid a s n a fa m ília b ra sileira e a s q u e stõ e s a e sta re la cio n a d a s, e sp e cifica m e n te a solid ão d o id oso; a h istoricid ad e d as rep resen tações so cia is d a velh ice; a s a tivid a d es d esen vo lvid a s p ela Un ATI em d iferen tes p aíses e traça o p erfil social d os alu n os q u e freq ü en tam os cu rsos p or ela oferecid os. No cap ítu lo 3, a au tora b u sca d em on strar, através d e u m estu d o d e caso, o u n iverso d os id osos u su ários d a Un ATI d a Uerj e o s a rra n jo s fa m ilia res o n d e eles vivem , m ostran d o, com riqu eza d e d etalh es, as d iferen -ça s d e gên ero q u e o en velh ecim en to co m p o rta . Po r fim , essa p esqu isad ora tam b ém ressalta a n ova form a (p ositiva) d e viven ciar a terceira id ad e p rop osta p ela escola.

No cap ítu lo 4, a au tora Su san Gu ggen h eim d iscu -te a am izad e, a velh ice e a m or-te, qu an to aos seu s asp ecto s in d ivid u a is e à s su a s in terrela çõ es, n o co n -texto do en velh ecim en to h u m an o. Tal discu ssão ocor-re, d e form a criativa, a p artir d a an alogia d e escritos relativos a corresp on d ên cias en tre Sigm u n d Freu d e Lou An d reas Salom é, trocad os em seu s ú ltim os an os d e vid a – o qu e torn a a leitu ra m u ito p razerosa.

O ca p ítu lo 5 é a sín te se d e u m a d isse rta çã o d e m estrad o, em q u e a au tora, Célia Pereira Cald as, u ti-liza a ab ord agem m etod ológica q u alitativa p ara an a-lisar as m em órias d os id osos com o trab alh ad ores n a cid ad e d o Rio d e Jan eiro, através d e su as h istórias d e vid a, n as q u ais eles exp ressaram valores, rep resen ta-çõ e s, p e rce p ta-çõ e s e se n tim e n to s. Pa ra a n a lisa r e sse co n te xto, a p e sq u isa d o ra tra b a lh o u co m a s ca te grias velh ice, trab alh o, m em ória, au ton om ia, sab ed oria , d ign id a d e, re sistê n cia e su b m issã o, co rre la cio n an d oas com o p rocesso d e en velh ecim en to d os su jeitos estu d ad os, p orém seu p rin cip al ob jetivo foi ob servar a relação en tre o trab alh o e o p rocesso d e en -velh ecim en to d os id osos. Este asp ecto torn a esta p es-q u isa d e extrem a im p ortâ n cia p a ra o en ten d im en to d a d eterm in ação social d a velh ice e su scita a p ossib i-lid a d e d e u m e stu d o co m p a ra tivo, co m o s m e sm o s p rop ósitos, en volven d o id osos p erten cen tes a classes socia is m a is fa vorecid a s, o q u e ta m b ém é recom en -d ação -d a au tora.

O sexto cap ítu lo, escrito p or Lú cia Helen a Fran -ça e Ne u sa Eira s So a re s, a p re se n t a u m a d iscu ssã o so b re a “im p ort â n cia d a s rela ções in t ergera cion a is p ara a qu ebra d e p recon ceitos sobre a velh ice”.No d

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-n h am com o p ersp ectiva a co-n stru ção/ resgate d a cid a cid a n ia cid o s jove n s e cid o s icid o so s e, co n se q ü e n t e -m en te, o b e-m co-m u -m .

Po r fim , o ca p ítu lo 7, in titu la d o Os Id o so s e o s Me d ica m e n to s n a So cie d a d e, p ro d u zid o p o r Su e ly Rosen feld , an alisa o p ad rão d e u so d os m ed icam en -to s p re scri-to s e n ã o p re scri-to s e n tre o s id o so s n ã o in stitu cio n a liza d o s d o s p a íse s d e se n vo lvid o s e d o Brasil, assim com o o cu sto econ ôm ico p ara os servi-ços d e saú d e e os p reju ízos p ara a h om eostase orgâ-n ica d aq u eles orgâ-n a terceira id ad e d ecorreorgâ-n tes d o m u l-tiu so d e fárm acos. A au tora ain d a ap on ta algu n s p ro-gra m a s e p ro p o sta s d e in terven çõ es co n ven ien tes a u m m e lh o r co n tro le d o u so d e m e d ica m e n to s e d e su as reações ad versas em id osos. Na con d u ção d a su a a n á lise sob re a q u estã o in vestiga d a , a p esq u isa d ora verifica as d rogas m ais u tilizad as p elos id osos em d feren tes con textos, o qu e p od e resu ltar n u m a p esqu sa a d icion a l, visa n d o ob ser va r a s rea ções ia trogên icas oriu n d as d o u so d e tais m ed icam en tos, com im -p ortan te con trib u ição -p ara a saú d e -p ú b lica.

Pe lo e xp o sto, a o b ra é e xtre m a m e n te a tu a l e d e in teresse p ara aq u eles n a terceira id ad e e p ara tod os os qu e cu id am d as su as cau sas. Merece, p ortan to, ser lid a.

Maria d as Graças Melo Fern an d es

Dep artam en to d e En ferm agem Méd ico-Cirú rgica e Ad m in istração Cen tro d e Ciên cias d a Saú d e

Un iversid ad e Fed eral d a Paraíb a João Pessoa

DO EN ÇA: UM ESTUDO FILO SÓ FICO . Leonidas Hegenberg. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1998, 137 pp.

ISBN 8585676442

Leon id as Hegen b erg p rop õe-se a exam in ar em seu li-vro d ife re n te s co n ce p çõ e s d e sa ú d e e d o e n ça co m b ase em u m a p ersp ectiva filosófica. Assim , e tom an -d o com o p on to -d e p arti-d a a certeza -d e q u e a -d oen ça é u m ob jeto (p rivilegiad o) d e reflexão filosófica, q u e p reocu p ou as m ais d iversas trad ições, d a h istória d a filo so fia d e Pla tã o e Aristó te le s a De sca rte s e Ka n t, d iscu te com au tores con tem p orân eos, com o Boorse, Roth sch u h ou Wh itb eck.

O a u t o r co n vid a -n o s a q u e st io n a r m u it a s d a s ‘evid ên cias’ sob as q u ais se con strói o sab er m éd ico. Prob lem atiza, assim , as d ificu ld ad es in eren tes àq u e-les d iscu rsos m éd icos qu e se lim itam a p en sar o n or-m al eor-m teror-m os d e or-m éd ias ou d e freq ü ên cias estatís-ticas. Detém -se n a an álise d as d ificu ld ad es q u e exis-tem p or trás d essas, ap aren exis-tem en te in sign ifican tes, ce r t e za s q u e n o s co n d u ze m a e xigir u m a m u lt ip li-ca çã o d e testes p a ra d eterm in a r a n o rm a lid a d e d o s su jeitos sem n os d eterm os a p en sa r q u e, m u ita s ve-zes, essa p róp ria m u ltip licação é u m sin tom a d a fal-ta d e cla reza a resp eito d o p ró p rio co n ceito d e n o r-m alid ad e.

Certa m en te, a p o ssib ilid a d e d e ca ra teriza r a l-gu ém com o n orm al, em term os exclu sivam en te esta-tísticos, resu lta in satisfatória. Com o tem os con h ecim en to, n o sa b er ecim éd ico e n a p rá tica clín ica , ecim istu ram se e con vivem elem en tos qu e p od em ser m en su -rad os e elem en tos q u e fogem d e q u alq u er p ossib ili-d aili-d e ili-d e m eili-d ição; p en sem os, p or exem p lo, n a ili-d or ou n o sofrim en to físico, q u e, p or serem elem en tos su b

jetivos, são d e d ifícil com u n icação e, p ortan to, d e im -p rovável m en su ração.

Não é essa a ú n ica certeza qu e p recisa ser p rob le-m atizad a n o sab er le-m éd ico: a associação q u e, le-m u itas veze s, é re ite ra d a e n tre sa ú d e e n o rm a lid a d e, p o r u m a p arte, e p atologia e an orm alid ad e, p or ou tra, es-tá lo n ge d e se r u m a a sso cia çã o se m co n se q ü ê n cia s teóricas ou p ráticas. Acon tece q u e aq u ilo q u e aceita a s n o rm a s, a q u ilo q u e, co n seq ü en tem en te, ch a m a -m os d e n or-m al, n ão se esgota n o seu caráter d e ‘tip o m éd io’ ou d e freqü ên cia estatística. Esse con ceito rm ete, tarm b érm , a tu d o o qu e u rm a socied ad e con sid ra com o aceitável ou d esejável, a tu d o o qu e con sid e-ram os com o valor. Com o já foi an alisad o p or Can gu i-lh em , em 1945, a sed u çã o q u e p a rece p ro d u zir esse con ceito en con tra-se n o fato d e qu e ele é u m con cei-to b ifron te. Por u m la d o, rem ete à q u ilo q u e é con sid erasid o freq ü en te, àq u ilo q u e ap arece situ asid o n o in -te r va lo d e fin id o p e la s m é d ia s e p e lo s d e svio s p a-d rões, o qu e n os con a-d u z a con sia-d erar com o an orm ais a q u eles in d ivíd u o s situ a d o s fo r a d esse in ter va lo ; e, p or ou tro lad o, rem ete a u m valor, isto é, àq u ilo q u e, n u m a so cie d a d e, é co n sid e ra d o co m o d e se já ve l. O n orm al é, en tão, ao m esm o tem p o, tip o e valor: o qu e é freqü en te e o qu e é socialm en te valorizad o.

Se aten tam os p ara esse caráter d u p lo d o n orm al, verem os q u e, com o afirm a Hegen b erg, faz-se in su sten tá vel a a sso cia çã o en tre a n o rm a lid a d e e p a to lo gia. Aq u elas con d u tas ou m od os d e agir q u e u m a so -cie d a d e n ã o co n sid e ra a ce itá ve is ja m a is p o d e ria m se r e n q u a d ra d o s co m o p a to ló gico s. Tra ta se, sim -p lesm en te, d e u m com -p ortam en to q u e foge d aq u ele qu e é ad otad o p ela m aioria e qu e, p ela força d a reite-ra çã o e d a fre q ü ê n cia , é p e n sa d o, n e sse m o m e n to h istórico, com o sen d o n orm al.

Sen d o assim , d everem os d izer q u e a n orm alid a -d e so cia lm en te esta b eleci-d a resu lta ser u m recu rso p o b re o u in e fica z p a ra co m p re e n d e r a sa ú d e e a d o e n ça . Po ré m , d e ve re m o s a firm a r q u e, e m b o ra o con ceito d e n orm alid ad e estatística seja d e ap licação lim itad a à m ed icin a, p ois existem con d ições in u sita -d as qu e fogem in teiram en te -d as m é-d ias e -d os -d esvios p ad rões qu e se ap resen tam em p essoas qu e con sid e-ram os sad ias, ele p ossu i u m p ap el relevan te n as p es-qu isas m éd icas e se ap resen ta com o u m au xílio in d is-p en sável n ão só is-p ara a terais-p êu tica, m as tam b ém is-p a-ra p roga-ram ar p olíticas e esta-ratégias p reven tivas.

Dessa form a, com o os con ceitos d e n orm alid ad e e d e p a to lo gia re su lta m m u ito m a is co m p le xo s d o q u e p o d e ria su ge rir u m a p rim e ira a p roxim a çã o, o s co n ce ito s d e sa ú d e e d o e n ça n ã o re su lta m m e n o s p rob lem áticos. Sab em os q u e n ão é p ossível d efin ir a d oen ça p ela su a exten são, isto é, com u m a d efin ição q u e se con ten te em en u n ciar a lon ga lista d e p atolo-gias qu e estão in clu íd as em algu m a d as tan tas classi-fica çõ e s n o so ló gica s. De igu a l m o d o, n ã o p o d e m o s d efin ir o co n ceito d e sa ú d e, co m o reco rren tem en te se faz, lim itan d o-n os a u m a caracterização n egativa, a qu e ap regoa qu e saú de equ ivale à au sên cia de d oen -ça. Se aceitam os essa caracterização, correm os o ris-co d e a firm a r u m a circu la rid a d e d ifícil d e q u e b ra r: d efin ir u m con ceito p or ou tro cu ja d efin ição ap arece com o u m a gran d e in cógn ita. Estam os cien tes d e qu e, a p artir d a d efin ição d a OMS, foram m u itas as ten ta-tivas d e fu gir d essa circu larid ad e.

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as m ais relevan tes d os ú ltim os vin te an os, an alisan d o, assim , qu atro en foqu es recen tes relativos ao con ceito d e d oen ça. Desses, só referirem os aq u i o en fo -qu e n atu ralista d e Boorse.

Boorse tom a com o p on to d e p artid a a d istin ção, a té h o je u tiliza d a p o r su a o p e ra tivid a d e e e ficá cia , e n tre d u a s d im e n sõ e s d a d o e n ça : illn esse d isea se. En ten d e p or illn essa som atória d e ep isód ios p articu -lares q u e m od ificam a vid a d os su jeitos, é aq u ilo q u e h oje ch am am os d e sen tir-se d oen te. Pelo con trário, o con ceito d e d isea sen ã o n os rem ete à su b jetivid a d e, m as sim àqu elas con d ições qu e se ap resen tam em to-d os os su jeitos, o con ju n to m ais ou m en os u n iversal d e sin ais e d e sin tom as q u e caracterizam u m a d oen -ça d en tro d e u m a d eterm in ad a classificação n osoló-gica. Peran te essa con trib u ição, Hegen b erg ap on tará o qu e con sid era a lim itação d o en foqu e fu n cion alista d e Boorse. Para este, o fu n cion am en to n orm al só p o-de ser exp licado em relação à cap acidao-de o-de execu ção d e to d a s a s fu n çõ e s e sta tistica m e n te co n sid e ra d a s com o típ icas d e u m m od o qu e p ossa resu ltar, p or su a vez, estatisticam en te eficaz. O qu e n os d efron ta, m ais u m a vez, com os lim ites d os con ceitos d e n orm alid a-d e e freqü ên cia qu e ob rigam a exclu ir a-d a a-d efin ição a-d e d oen ça os elem en tos su b jetivos ou d e valores.

É n e sse ú ltim o p o n to q u e se ce n tra rá a crítica , an alisad a p elo au tor, d e Carolin e Wh itb eck. Para ela, “a d oen ça , em t erm os gen éricos, é a lgo q u e in t erfere com a p ossibilid ad e d e agir com o as p essoas d esejam est a r em con d ições d e a gir” (p. 70). Do en ça é a q u ilo q u e n o s re su lta p e rtu rb a d o r e m te rm o s su b je tivo s. Acreditam os qu e essa con ceitu ação gen érica de Wh it-b eck p od eria ser reform u lad a p en san d o n u m con cei-to q u e in te gre o s e le m e n cei-to s su b je tivo s, q u e Bo o rse d eixa fora d e su a d efin ição, sem n ecessid ad e d e associa r sa ú d e e d o en ça a o s ‘d esejo s’ d o s a gen tes. A im -p ossib ilid ad e d e cu m -p rir aq u ilo q u e d esejam os n ão p od e ser caracterizad a, n a gran d e m aioria d as vezes, com o d oen ça. É p rovável qu e a con ceitu ação d e saú -d e esb oça-d a p or Can gu ilh em , e n ão an alisa-d a n o tex-to d e Hegen b erg, p erm ita in clu ir o sofrim en tex-to in d ivi-d u al ivi-d a p essoa ivi-d oen te, u m sofrim en to qu e é irreivi-d u tí-vel às estatísticas, à freqü ên cia e aos d esvios p ad rões, sem , p or isso, n ecessitar d o recu rso a d esejos in satis-feitos.

Po r fim , e p a rtin d o d a ce rteza d e q u e a d o e n ça n ão p od e ser con fu n d id a com as situ ações qu e con si-d era m o s in si-d esejá veis, Hegen b erg o b ser va rá q u e o s d iverso s estu d o s a n a lisa d o s q u e ten ta ra m d efin ir d o en ça p a recem resu lta r d ivergen tes e a té, m u ita s vezes, in co m p a tíveis. Essa d iversid a d e fa la d a s d ifi-cu ld a d e s q u e se a p re se n ta m n o m o m e n to e m q u e p rocu ram os u m con ceito u n ívoco, ab solu to e u n iver-sal d e d oen ça, sem q u e essa d ificu ld ad e n os releve a n ecessid ad e d e an alisar esse con ceito.

Co n tu d o, a lé m d o s u so s cie n tífico s d o s co n ce i-tos d e saú d e e d oen ça, existe u m a m u ltip licid ad e d e u so s co tid ia n o s d esses term o s q u e Hegen b erg ta m -b é m se p ro p õ e e lu cid a r e d ife re n cia r, p ro cu ra n d o u m t ra t a m e n t o m a is p re ciso d o s m e sm o s. Assim , se m p re t e n d e r a t in gir u m a visã o sist e m á t ica o u d e co n ju n to, o a u to r lista e a n a lisa a lgu m a s d istin çõ es releva n tes, co m o, p o r exem p lo, a q u ela en tre en fer-m id a d e, e n t e n d id a co fer-m o a lt e ra çã o fu n cio n a l, e le-sã o, en ten d id a co m o a ltera çã o a n a tô m ica . Acred ito q u e, n este p o n to, teria sid o fru tífero u m d iá lo go d o au tor com os trab alh os d e Len n ard Nord en feld ; p en

-so, p a rt icu la rm e n t e, e m On T h e N a t u re of Hea lt h

(Klu wer, 1995).

Não p od eria con clu ir a resen h a sem u m a referên -cia a o m o d o co m o o a u to r o rga n izo u e a p re se n to u su a exten sa e criteriosa b ib liografia. A m esm a con sti-tu i u m excelen te in stru m en to p ara tod os aqu eles qu e d esejem p esq u isa r n a á rea d e Filosofia d a s Ciên cia s d a Saú d e.

San d ra Cap on i

Dep artam en to d e Saú d e Pú b lica Un iversid ad e Fed eral d e San ta Catarin a Florian óp olis

CIÊN CIAS SOCIAIS E SAÚDE. Ana M aria Canes-qui (org.). Hucitec-Abrasco, 1997, 288 pp.

ISBN 8527104067

Reu n in d o qu in ze trab alh os ap resen tad os p or cien tis-ta s socia is n o I Con gresso Bra sileiro d e Ciên cia s So-ciais e Saú d e, realizad o em Cu ritib a em n ovem b ro d e 1995, essa coletân ea vem m ostrar o estad o d a arte d o d esen volvim en to d as ab ord agen s d as ciên cias sociais n a a n á lise d e q u estõ es p ró p ria s d o ca m p o d a sa ú d e coletiva. Revela tam b ém qu e a in stitu cion alização d o cam p o d a saú d e coletiva vem d an d o com o recon h e-cim en to d a n ecessid ad e d e tratam en to in terd iscip li-n ar d e seu s ob jetos.

A co letâ n ea d ivid e-se em q u a tro b lo co s d e a r ti-gos: ciên cias sociais e saú d e; p olítica d e saú d e; ciên-cias sociais e serviços d e saú d e; cid ad e e saú d e cole-tiva . Em su a m a io ria , sã o e n sa io s d e cu n h o te ó rico e/ ou h istórico, revelan do qu e n ovos objetos, recortes, ab ord agen s e teorias h oje con vivem n esse cam p o.

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se a n a lisa re m e xp e r iê n cia s d e ‘d e p re ssã o’ e n t re o s Bam b ara d o Mali.

O se gu n d o b lo co d e a rtigo s tra ta d e p o lítica d e sa ú d e. Ma ria Eliza b e th Din iz Ba rro s, a n a lisa n d o o p rocesso d e d escen tralização e os d esafios p ara a im -p lem en tação d o SUS, m ostra q u e n em tu d o é crise e ressa lta a s m u d a n ça s p o sitiva s n o sistem a d e sa ú d e ocorrid as n os ú ltim os an os. A reform a d o Estad o é te-m a ce n tra l d o s o u tro s trê s tra b a lh o s. So n ia Ma ria Fleu ry ap on ta os im p asses aos qu ais ch egou o Estad o d e Bem -Estar Social e o qu e isso im p lica p ara a Am é-rica La tin a , o n d e a p é ssim a d istrib u içã o d e re n d a ju n tam en te com as m u d an ças n os m ecan ism os exis-ten tes d e p roteção social p od em vir a ser o fiel d a b a-lan ça d as con d ições d e govern ab ilid ad e. An alisa a se-gu rid a d e socia l com o in stitu içã o cria d a com o p a rte d e u m m u n d o d o tra b a lh o h oje a m ea ça d o, m a s rea -firm a su a im p ortân cia, p ostu lan d o su a recon stru ção d e form a a assegu rar a su b jetivid ad e, a cid ad an ia e a em an cip ação. Am élia Coh n , an alisan d o os d iferen tes m o m en to s d a a tu a çã o d o Esta d o n a Am érica La tin a d e sd e o s a n o s 50, re a firm a su a ce n tra lid a d e co m o p rom otor d e d esen volvim en to e m u d a n ça s estru tu -rais, ap on tan d o, p ara a área d a saú d e, a n ecessid ad e d e se b u sca re m n ova s a rticu la çõ e s e n tre a s d im e n -sões técn ica e p olítica d a saú d e. O artigo d e Lu cian o Ju n q u eira an alisa a relação en tre d escen tralização e crise d o Esta d o d e Bem -Esta r, b em co m o seu p a p el co m o in stru m en to d e exp a n sã o d a d em o cra cia . Em segu id a, faz u m a reflexão sob re a d escen tralização n a área d a saú d e em São Pau lo, recon h ecen d o seu s efei-to s p o sitivo s, co m o ta m b ém o s p ro b lem a s su rgid o s n o p rocesso. An a Lu iza d’Ávila Vian a d iscu te os en fo-q u es m etod ológicos n a an álise d e p olíticas p ú b licas, id en tifican d o três eixos d e p reocu p ações n os estu d os m a is re ce n te s: o co n ce ito d e p o lítica s p ú b lica s; a s teorias exp licativas sob re os sistem as d e p roteção so-cial; o ciclo d e vid a p róp rio d e cad a p olítica.

O terceiro b loco é con stitu íd o d e a rtigos q u e re-fletem sob re com o as ciên cias sociais p od em con tri-b u ir p ara a an álise d os serviços d e saú d e. Regin a Cele d e An d rad e Bod stein critica o red u cion ism o e o eco-n o m icism o q u e têm ca ra cteriza d o o s estu d o s eco-n esse ca m p o. Afirm a a n e ce ssid a d e d e u m m a io r re fin a -m e n to a n a lítico p a ra se in te rp re ta re -m p o lítica s sociais e alerta p ara as n ovas qu estões su rgid as n o cam -p o d a sa ú d e q u e d e ve ria m se r re co n stru íd a s co m o ob jeto d e estu d o. Lu iz An tôn io d e Castro San tos ap re-sen ta u m p rojeto d e avaliação d o im p acto d e serviços d e saú d e sob re o estad o n u tricion al in fan til em u m a á rea ru ra l p a ra n a e n se. Tra ta -se d e u m e xe rcício d e “p la n eja m en t o e m et od ologia”, n o q u a l se en fa tiza a n ecessid ad e d e con stitu ição d e eq u ip es m u ltip rofis-sion ais e d iscip lin ares.

O qu arto b loco trata d e p rob lem as ligad os à cid a-d e e saú a-d e coletiva. O texto a-d e Maria Cecília Min ayo con textu aliza a violên cia social com o p arte d as relaçõ es só cio eco n ô m ica s, p o lítica s e cu ltu ra is. Ap o n -tan d o seu im p acto sob re a saú d e d a p op u lação e so-b re o se to r sa ú d e, re fle te a re sp e ito d o a m a d u re cim en to d a saú d e coletiva n a b u sca d e cim aior ad eq u a -ção d os serviços d e saú d e às n ovas n ecessid ad es su r-gid as com a m u d an ça d o p erfil d e m orb i-m ortalid a-d e. O trab alh o a-d e An a Clara Torres Rib eiro fala sob re m od ern id ad e e risco n as m etróp oles b rasileiras, ex-p lo ra n d o o ex-p a r risco -se gu ra n ça . Fa z u m re fle xã o a ce rca d o tip o d e m o d e rn id a d e e xclu d e n te q u e

tem o s, cu ja s ten d ên cia s cu ltu ra is e id eo ló gica s a cen -tu am a d esp erson alização, a violên cia, o con form is-m o. O texto d e Ed u ard o Navarro Stotz an alisa o p ro-jeto cien tífico d a saú d e coletiva e d os p rob lem as qu e se colocam com a crise d a m od ern id ad e. Reflete so-b re a trajetória d os fu n d am en tos d o cam p o, in terd is-cip lin a r p o r e xce lê n cia , re co n h e ce n d o a o m e sm o tem p o a d ificu ld ad e d e se estab elecerem os d iálogos in terd iscip lin ares.

Su jeitos, em an cip ação, su b jetivid ad e, cu ltu ra, ao la d o d e p o lítica d e sa ú d e, p o lítica p ú b lica , re fo rm a d o estad o, crise d a m od ern id ad e, tran sform ações es-tru tu ra is, d esigu a ld a d e, cla sses so cia is. A co letâ n ea traz b on s au gú rios d e con vivên cia d em ocrática e p lu -ra lism o te ó rico e m m o m e n to d e m a u s p re ssá gio s econ ôm icos e sociais. Esse é u m d e seu s asp ectos.

Um ou tro é qu e os d eb ates e as p reocu p ações d os au tores tam b ém revelam qu e o d ifícil cam in h o d a in -terd iscip lin arid ad e está sen d o con stru íd o n o cam p o d a saú d e coletiva. Com o lem b ra a organ izad ora An a Maria Can esq u i, q u an d o se fala d e ciên cias sociais e sa ú d e, gera lm en te h á a ten d ên cia d e se esta b elece-rem recortes ten d o com o b ase os vários sab eres d is-cip lin a re s q u e co m p õ e m o ca m p o d a s ciê n cia s sciais. Isso, além d as q u estões d e n atu reza ep istem ológica, in stitu cion ais, d e relações d e força e p od er en -tre elas, cria ob stácu los p ara a con solid ação d a in ter-d iscip lin ariter-d ater-d e. En tretan to, certam en te, com o qu al-q u er cam p o d e con h ecim en to, o d a saú d e coletiva é u m ca m p o em p erm a n en te tra n sfo rm a çã o. A in ter-d iscip lin a riter-d a ter-d e, ca ter-d a vez m a is re co n h e citer-d a co m o n ecessária p ara o avan ço d o con h ecim en to, m as tão d ifícil d e ser exercid a, é u m p rocesso em con stru ção e se coloca, fora d e d ú vid a, com o u m d os p on tos cen -trais d a agen d a cien tífica d o sécu lo XXI.

Jen i Vaitsm an

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