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CAPÍTULO XI AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO O MAIOR MANDAMENTO

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CAPÍTULO XI

AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO

O maior mandamento. Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem. Parábola dos credores e dos devedores. Daí a César o que é de César. Instruções dos Espíritos: A lei do amor – O egoísmo – A fé e a caridade – Caridade para com os criminosos – Deve-se expor a própria vida por um malfeito?

O MAIOR MANDAMENTO

1. Os Fariseus, tendo sabido que ele tinha feito calar a boda aos Saduceus, reuniram-se, e um deles, que era doutor da lei, veio lhe fazer esta pergunta para o tentar: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante àquele: Amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas esta contidos nesses dois mandamentos. (São Mateus, cap. XXII, v. 34 e 40).

2. Fazei aos homens da mesma forma que quereríeis que eles vos tratassem. (São Luca, cap. VI, v. 31).

3. O reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar conta aos seus servidores; e tendo começado a fazê-lo, se lhe apresentou um deles que lhe devia dez mil talentos. Mas como ele não tinha os meios de lhos restituir, seu senhor recomendou que o vendessem a ele, sua mulher e seus filhos, e tudo o que ele tinha, para satisfazer a sua dívida. O servidor, lançando-se lhe aos pés, suplicou-lhe dizendo: Senhor tende um pouco de paciência e eu lhe restituirei total. Então o senhor desse servido, tocado de compaixão, o deixou ir remiu-lhe a dívida. Mas esse servidor,

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mal tendo saído, encontrando um de seus companheiros que lhe devia cem dinheiros, tomou-o pela garganta, quase sufocando-o e dizendo-lhe: Restitui-me o que me deves. E seu companheiro, lançando-se lhe aos pés, suplicou-lhe dizendo: Tende um pouco de paciência e eu vos restituirei o total . Mas ele não quis escutá-lo, e se indo, fê-lo colocar na prisão, para nela o ter até que lhe restituísse o que lhe devia.

Os outros servidores, seus companheiros, vendo o que se passava, extremamente aflitos, foram informar seu senhor de tudo o que havia ocorrido. Então o senhor, fazendo-o vir, lhe disse: Mau servidor, eu vos isentei de tudo o que me devíeis, porque me pediste isso; não seria preciso, pois, que tivésseis piedade do vosso companheiro como tive piedade de vós? E o senhor, encolerizado, o entregou às mãos dos carrascos, até que pagasse tudo o que lhe devia.

É assim que meu Pai, que está no céu, vos tratará, se cada um não perdoar, do fundo do coração, ao seu irmão, as faltas que lhe tiverem cometido. (São Mateus, cap. XVIII, v. 23 a 35).

4. “Amar ao próximo com o a si mesmo: fazer para os outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós” é mais completa expressão da caridade, porque resume todos os deveres para om o próximo. Não se pode ter guia mais seguro, a esse respeito, que tomando por medida, do que se deve fazer para os outros, o que se deseja para si. Com qual direito se exigiria dos semelhantes mais de bons procedimentos de indulgência, de benevolência e de devotamento do que se os tem para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo; quando os homens as tomarem por normas de sua conduta e por base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade e farão reinar, entre eles, a paz e a justiça; não haverá mais nem ódios nem dissensões, mas união concórdia e benevolência mútua.

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DAÍ A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

5. Então os Fariseus, tendo-se retirado, decidiram entre si surpreendê-lo em suas palavras. Mandaram-lhe pois, seus discípulos, com os Herodianos, dizer-lhe: Senhor, sabemos que sois verdadeiro, e que ensinais o caminho de Deus pela verdade, sem considerar a quem quer que seja, pois, vosso conselho sobre isso é-nos permitido pagar o tributo a César ou de não pagá-lo?

Mas Jesus, conhecendo a sua malícia, lhes disse: Hipócritas, por que me tentais? Mostrai-me a peça de dinheiro que se dá para o tributo. E tendo eles lhe apresentado uma moeda, Jesus lhe disse: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, disseram-lhe. Então Jesus lhes respondeu: Daí, pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Tendo ouvido falar dessa maneira, admiraram sua resposta e, deixando-o se retiraram. (São Mateus, cap. XXII, v. 15 a 22; São Marcos, cap. XII, v. 13 a 17).

6. A questão proposta a Jesus era motivada pela circunstância de que os Judeus , tendo horror a tributo que lhes era imposto pelos Romanos dela fizeram uma questão religiosa; um partido numeroso se formara para repelir o imposto; o pagamento do tributo era, pois, para eles uma questão irritante e atual, sem a qual a pergunta feita a Jesus: “É-nos permitido pagar , ou de não pagar, o tributo a Cesar?” não teria nenhum sentido. Essa questão era uma armadilha; porque, de acordo com a sua reposta, esperavam excitar contra ele, seja a autoridade romana ou os Judeus dissidentes. Mas “Jesus conhecendo a sua malícia” evita a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, dizendo-lhes para restituírem a cada um oque lhe era devido. (Ver a introdução, artigo: Publicanos).

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7. Esta máxima: “Daí a César o que é de César” não deve ser entendida de uma forma restritiva e absoluta. Como todos os ensinamentos de Jesus, é um princípio geral resumido sob uma forma prática e usual e deduzida de uma circunstância particular. Esse princípio é uma consequência daquele que manda agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco; ele condena todo prejuízo material e moral acarretado a outrem, toda violação dos seus interesses; prescreve o respeito dos direitos de cada um, como cada um deseja que es respeite só seus; estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade assim como para com os indivíduos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS LEI DO AMOR

8. O amor resume inteiramente a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo,mas este sol interior que condensa e reúne em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e aniquila as misérias sociais. Feliz aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor seus irmãos em dores! Feliz aquele que ama, porque não conhece nem a angústia da alma, nem a miséria do corpo, seus pés são leves, e vive como que transportado para fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou esta palavra divina - amor - , ela fez estremecer os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

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O Espiritismo, a seu turno, vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino; estais atentos, porque esta palavra ergue a pedra dos túmulos vazios, e a reencarnação triunfando sobre a morte, revela ao homem maravilhado seu patrimônio intelectual; não é mais aos suplícios que ela o conduz, mas à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve hoje resgatar o homem da matéria.

Disse eu que n seu início o homem não tem senão instintos e aquele, pois, em quem os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida que do objetivo. Para avançar em direção ao objetivo, é preciso vencer os instintos em proveito dos sentimentos, quer dizer, aperfeiçoes estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; eles carregam consigo o progresso, como a bolota encerra o carvalho e os seres menos avançados são aqueles que, não se despojando senão pouco a pouco de sua crisálida, permanecem escravizados aos instintos. O Espírito deve ser cultivado como um campo; toda a riqueza futura depende do labor presente, e mais do que bens terrestres, levar-vos-á à gloriosa elevação; é então que, compreendendo a lei de amor que une todos os seres, nela encontrareis as suaves alegrias da alma que são o prelúdio das alegrias celestes. (LÁZARO, Paris, 1862).

9. O amor é de essência divina, e, desde o primeiro até o último, possuís do fundo do coração a chama desse fogo sagrado. É um fato que pudestes constatar muitas vezes; o homem mais aberto, o mais vil, o mais criminoso, tem por um ser ou por um objeto qualquer, uma afeição viva e ardente, à prova de tudo que tendesse a diminuí-la, e atingindo frequentemente proporções sublimes.

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Disse eu por um ser ou por um objeto qualquer, porque existem entre vós indivíduos que dispensam tesouros de amor, dos quais seus corações transbordam, sobre animais, sobre plantas, e mesmo sobre objetos materiais: espécies de misantropos se queixando da Humanidade em geral, resistindo contra a tendência natural de sua alma que procura, ao seu redor, a afeição e a simpatia; eles rebaixam a lei de amor ao estado de instinto. Mas, qualquer coisa que façam, não saberão sufocar o germe vivaz que Deus lhes depositou nos corações, na sua criação; esse germe de desenvolve e engrandece com a moralidade e a inteligência, e, ainda que comprimido pelo egoísmo, é a fonte de santas e doces virtudes que fazem as afeiçoes sinceras e duráveis, e vos ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana.

Há algumas pessoas a quem a prova da reencarnação repugna, no sentido de que outros participem de suas afetuosas simpatias, das quais são ciosas. Pobres irmãos! É a vossa afeição que vos torna egoístas; vosso amor está restrito a um círculo íntimo de parentes ou de amigos, e todos os outros vos são indiferentes. Pois bem; para praticar a lei de amor, tal como Deus a entende, é preciso que chegueis, progressivamente, a amar a todos os vossos irmãos, indistintamente. A tarefa será longa e difícil, mas se cumprirá: Deus o que, e alei de amor é o primeiro e o mais importante preceito de vossa nova doutrina, porque é a que deverá, um dia, matar o egoísmo, sob qualquer forma que ele se apresente; o porquê, além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo familiar, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: “Amai vosso próximo como a vós mesmos”; ora, qual é limite do próximo? A família, a seita, a nação? Não, é a humanidade toda. Nos mundo superiores, é o amor reciproco que harmoniza e dirige os Espíritos avançados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a um progresso próximo por sua transformação social, verá praticar, por seus habitantes, esta lei sublime, reflexo da Divindade.

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Os efeitos da lei de amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão se reformar quando virem os benefícios produzidos por esta prática: Não façais aos outros o que não querereis que vos fosse feito, mas fazei-lhes, ao contrário, todo o bem eu está vosso poder fazer-lhes.

Não creiais na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ele cede, a seu malgrado, ao amor verdadeiro; é um imã ao qual não pode resistir, e o contato desse amor vivifica e fecunda os germes dessa virtude que está nos vossos corações em estado latente. A Terra, morada de prova e de exilio, será então purificada por esse fogo sagrado, e verá praticar a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação, o sacrifício, virtudes todas filhas do amor. Não vos canseis pois, de ouvir as palavras de João, o Evangelista; vós o sabeis que quando a enfermidade e a velhice suspenderam o curso de suas pregações ele não repetia senão estas doces palavras: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros.”

Caros irmãos amados utilizem com proveito essas lições, sua prática e difícil, mas a alma deles retira um bem imenso. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: “Amai-vos”, e vereis bem cedo a Terra transformada e tornar-se um Elísio, onde as almas dos justos virão gozar o repouso. (FENELON, Bordéus, 1861)

10. Meus queridos condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por minha voz: Amai bastante, a fim de serdes amados. Este pensamento é tão justo que nele encontrareis tudo o que consola e acalma as penas de cada dia; ou antes, praticando esta sábia máxima, elevar-vos-ei, de tal modo acima da matéria, que vos espiritualizareis antes do vosso decesso terrestre. Os estudos Espiritas, tendo

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desenvolvido em vós a compreensão do futuro, tendes uma certeza: a ascensão até Deus, com todas as promessas que respondem às aspirações da vossa alma; também deveis vos elevar bastante alto para julgar sem as estreitezas da matéria, e não condenar vosso próximo, antes de terdes dirigido vosso pensamento até Deus.

Ama, no sentido profundo da palavra, é ser leal, probo, consciencioso, para fazer aso outros o que se quereria para si mesmo; é procurar ao redor de si o sentido íntimo de todas as dores que oprimem vossos irmãos, para abrandá-las; é encarar a grande família humana com a sua, porque essa família vós a encontrareis, em certo período, em mundos mais avançados, e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados a se elevarem ao infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus vos deu livremente, visto que, a vosso turno, estaríeis bem contentes se vossos irmãos vos dessem do que tivésseis necessidade. A todos os sofrimentos, daí, pois, uma palavra de esperança e de apoio, a fim de que sejais todo amor, todo justiça.

Crede que estas sábias palavras: “Amai bastante para serdes amados”, caminharão; elas são revolucionárias e seguem um caminho fixo, invariável. Mas já tendes ganho, vós que me escutais; sois infinitamente melhores do que há cem anos; tendes de tal modo mudado, em vosso proveito, que aceitais, sem contestar, uma multidão de ideias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que outrora rejeitastes; ora, daqui a cem anos, aceitareis, com a mesma facilidade, aquelas que não puderam ainda entrar em vosso cérebro.

Hoje que o movimento espírita deu um grande passo, vede com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, contidas nos ditados dos Espíritos, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente; é porque

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essas ideias respondem a tudo oque há de divino em vós; é que estais preparados para uma sementeira fecunda: ao do último século, que implantou na sociedade as grandes ideias de progresso; e como tudo se encadeia sob o dedo do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceiras estarão contidas nessa permuta universal de amor ao próximo; por ele, os Espíritos encarnados, julgando e sentindo melhor, se estenderão as mãos desde os confins do vosso planeta; reunir-se-ão para se entenderem e se amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligência entre os povos.

Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem descrito em O Livro dos Espíritos, tu produzirás o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima, bem compreendida: Amai bastante, a fim de serdes amados. (SANSÃO, membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863).

O EGOÍSMO

11. O egoísmo, esta chaga da Humanidade, deve desaparecer da Terra, cujo progresso moral retarda; ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la subir na hierarquia dos mundos. O egoísmo é o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, sua força e sua coragem; digo coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros. Que cada um coloque todos os seus cuidados para combatê-lo em si, porque esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é fonte de todas as misérias deste mundo. É a negação da caridade e, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

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Jesus vos deu o exemplo da caridade e, Pôncio Pilatos, o do egoísmo; porque enquanto o Justo vai percorrer as santas estações do seu martírio, Pilatos lava as mãos dizendo: Que me importa! Ele disse aos judeus: Este homem é justo por que quereis crucifica-lo? E, entretanto, deixa que o conduza ao suplício.

É a esse antagonismo da caridade e do egoísmo, à invasão dessa lepra do coração humano, que o Cristianismo deve não ter cumprido ainda toda a sua missão. É a vós, apóstolos novos da fé e que os Espíritos Superiores esclarecem e, a quem incumbe a tarefa e o dever de extirpar esse mal, para dar ao Cristianismo toda sua força e limpar o caminho das sarças que lhe entravam a marcha. Extirpai o egoísmo da Terra, para que ela possa gravitar na escala dos mundos, porque já é tempo de a Humanidade vestir o seu traje viril e, para isso é preciso primeiro extirpá-lo do vosso coração. (EMMANUEL, Paris, 1861)

12. Se os homens se amassem mutualmente, a caridade seria melhor praticada; mas seria preciso, que vos esforçásseis e vos desembraçar dessa couraça que cobre os vossos corações, a fim de serdes mais sensíveis para com aqueles que sofrem. A dureza mata os bons sentimentos; o Cristo não se recusava; aquele que se dirigisse a ele, quem quer que fosse não era repelido: a mulher adúltera o criminoso, eram socorridos por ele; não temia jamais que a sua própria consideração viesse a sofrer com isso,. Quando o tomarei como modelo de todas as vossas ações? Se a caridade reinasse na Terra, o mau não teria mais predominância; fugiria envergonhado, se esconderia, porque se encontraria deslocado por toda parte. Então o mal desapareceria, ficai bem compenetrados disto.

Começai por dar o exemplo vós mesmos; sede caridosos para com todos indistintamente; esforçai-vos pr não mais notar aqueles que vos

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olham com desdém, e deixai a Deus o cuidado de toda a justiça, porque cada dia, em seu reino, ele separa o joio do trigo.

O egoísmo é a negação da caridade; ora, sem a caridade não haverá tranquilidade na sociedade; digo mais, nem segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, haverá sempre um caminho para o mais sagaz, uma luta de interesses, onde são pisoteadas as mais santas afeiçoes, onde os laços sagrados da família não são mesmo respeitados. (PASCAL, Sens, 1862).

A FÉ E A CARIDADE

13. Eu vos disse, ultimamente, meus caros filhos, que a caridade sem a fé não bastava para manter, entre os homens, uma ordem social capaz de torna-los felizes. Devia ter dito que a caridade é impossível sem a fé. Podereis encontrar em verdade, impulsos generosos mesmo nas pessoas sem religião, mas essa caridade austera que não se pratica senão pela abnegação, pelo sacrifício constante de todo interesse egoístico, não há senão a fé para inspirá-la, porque nada além dela nos faz levar com coragem e perseverança a cruz desta vida.

Sim, meus filhos, é em vão que o homem, ávido de prazeres, se queira iludir sobre a sua destinação nesse mundo, sustentando que lhe é permitido não se ocupar senão da sua felicidade. Certamente, Deus nos criou para sermos felizes na eternidade. Entretanto a vida terrestre deve servir unicamente ao nosso aperfeiçoamento moral, que se adquire mais facilmente coa ajuda dos órgãos e do mundo material. Sem contar as vicissitudes ordinárias da vida, a diversidade dos vossos gostos de vossas tendências, de vossas necessidades, é também um meio de vos aperfeiçoar em vos exercitando na caridade. Porque não é senão à força de concessões e de sacrifícios mútuos que podeis manter a harmonia

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Entretanto, tendes razão afirmando que a felicidade está destinada ao homem nesse mundo, se a procurais não nos prazeres materiais, mas no vem. A história da cristandade fala de mártires eu foram ao suplício com alegria ; hoje, e m vossa sociedade não é preciso para serdes cristão, nem o holocausto do mártir, nem o sacrifício da vida, as única e simplesmente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Triunfareis se a caridade vos inspirar e se a fé vos sustentar. (ESPÍRITO PROTETOR, Cracóvia, 1861).

CARIDADE PARA COM OS CRIMINOSOS

14. A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu a mundo. Deve existir entre os verdadeiros discípulos de sua doutrina uma fraternidade completa. Deveis amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas faltas que cometeis conta a sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e comiseração, porque, frequentemente, eles não conhecem Deus coo o conheceis, e lhes será pedido menos que a vós.

Não julgueis, oh! Não julgueis, meus caros amigos, porque o julgamento que fizerdes vos será aplicado mais severamente ainda, e tendes necessidade de indulgência para os pecados que cometeis sem cessar. Não sabeis que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza, e que o mundo não considera sequer como faltas leves?

A verdadeira caridade não consiste somente na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação com as quais podeis acompanhá-la. Não, não é só isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência concedida sempre, e em todas as coisas, ao vosso próximo. Podeis ainda

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exercitar essa sublime virtude sobre muitos seres que não precisam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão ao Senhor.

Os tempos estão próximos, digo-o ainda, em que a fraternidade reinará nesse globo; a lei do Cristo é a que regerá os homens e só ela será o freio e a esperança, e conduzirá as almas às moradas bem-aventuradas. Amai-vos, pois como os filhos de um mesmo pai; não façais diferença entre os outros infelizes, porque é Deus que quer que todos sejam iguais. Portanto, não desprezeis a ninguém; Deus permite que grandes criminosos estejam entre vós a fim de que vos sirvam de ensinamento. Logo, quando os homens forem conduzidos às verdadeiras leis de Deus, não haverá mais necessidade desses ensinamentos, e todos os Espírito impuros e revoltados serão dispersados nos mundo inferiores, de acordo com as suas tendências.

Deveis àqueles de quem falo o socorro de vossas preces: é a verdadeira caridade. Não é preciso dizer de um criminoso: “É um miserável; é preciso expurga-lo da Terra; a morte que se lhe inflige é muito suave para um ser dessa espécie.” Não, não é assim que deveis falar. Olhai vosso modelo, Jesus; que diria ele se visse esse infeliz perto de si? Lamentá-lo-ia, o consideraria como um doente bem miserável e lhe estenderia a mão. Não podeis fazer isso em realidade, mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir seu Espírito durante alguns instantes que deve ainda passa sobre a vossa Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração, se orardes com fé. Ele é vosso próximo como o melhor dentre os homens; sua alma transviada e revoltada foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lamaçal, e orai por ele. (ELISABETH DE FRANÇA, Havre, 1862).

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15. Um homem está em perigo de morte; para salvá-lo é preciso expor a vida; mas sabe-se que esse homem é um infeliz, e que, se ele escapar, poderá cometer novos crimes. Deve-se, malgrado isso, se expor para salvá-lo?

Esta é uma questão muito grave e que pode se apresentar naturalmente ao espírito. Responderei segundo meu adiantamento moral, uma vez que se trata de saber se se deve expor a própria vida por um malfeitor. O devotamento é cego; socorre-se um inimigo, deve-se socorrer o inimigo da sociedade, numa palavra, um malfeitor. Credes que é somente à morte que se vai arrancar esse infeliz? É talvez a toda a sua vida passada. Porque, pensai nisso, nesses rápidos instantes que lhe arrebatam os últimos minutos da vida, o homem perdido volve sobre a sua vida passada, ou antes, ela se ergue diante dele. A morte, talvez, chegue muito cedo para ele; a reencarnação poderá ser terrível; lançai-vos, pois, homens! Vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-lançai-vos, arrancai-o à sua condenação, e então, talvez, esse homem que morreria vos insultando, se atirará em vossos braços. Todavia, não é preciso perguntar-vos se o fareis ou não, mas ide em seu socorro, porque, salvando-o, obedeceis a esta voz do coração que vos diz: “Podes salvá-lo, salva-o!” (LAMENNAIS, Paris, 1862).

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