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RECOMENDAÇÕES PARA PRATICANTES

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Academic year: 2021

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RECOM EN DAÇÕES PARA P RATICANTES

Os praticantes de saúde pública têm um papel crítico a

desempenhar na avaliação de estratégias de promoção da saúde. Eles

estão bem situados para defender a inclusão de um mecanismo de

monitoramento e avaliação em todas as intervenções e estratégias de

promoção da saúde. Eles podem garantir o uso de metodologia e de

instrumentos apropriados para a tarefa na avaliação da efetividade da

promoção da saúde. Os praticantes devem também defender e

assegurar a implementação do processo de avaliação da promoção da

saúde.

Efetivos formuladores de políticas no governo, no setor privado

e nas organizações não-governamentais, logram êxito no uso da

avaliação da promoção da saúde quando praticantes:

1. Adotam enfoques participativos da avaliação da promoção da

saúde.

Porque:



São maiores as probabilidades de implementação dos resultados

das avaliações de programas quando há participação dos atores

chave em todas as etapas do processo de avaliação.



Estratégias participativas são necessárias para lograr resultados

de promoção da saúde tais como a equidade e o

empoderamento.



Se fomenta o processo de empoderamento e fortalece a

capacidade dos atores chave para equacionar as necessidades de

saúde.



Aumenta a relevância e a credibilidade dos resultados da

avaliação.



Estimula a colaboração entre diferentes setores, possibilitando

escolhas conscientes e um enfoque multisetorial na seleção de

indicadores em complexos projetos de promoção da saúde.



Acomoda todas as dimensões e toda a complexidade da

implementação de estratégias de promoção da saúde nos seus

processos básicos, proporcionando ao mesmo tempo um veículo

para parcerias em promoção da saúde.

{ 16 }

M u n i c í p i o s , C i d a d e s e C o m u n i d a d e s S a u d á v e i s RECOMENDAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO PARA FORMULADORES DE POLÍTICAS

(2)

{ 17 } cooperação com a Escola de Ciências Humanas da Universidad San

Francisco de Quito (USQF), a Cruz Vermelha Suíça e a organização não-governamental equatoriana Desarrollo y Autogestión (DYA). Houve grande demonstração de empenho e energia por parte dos moradores locais, que encararam o projeto como uma atividade local e expressaram por isso certo senso de propriedade e orgulho com relação ao processo.

Em Loja, a avaliação de necessidades e o planejamento participativo proporcionaram as bases para um projeto executado com cinco municípios em colaboração com a OPAS, o Ministério da Saúde Pública, a Universidade de Loja e o governo da Holanda. O projeto fortaleceu o processo decisório democrático no nível local, estimulou a participação social, levou à implantação de alianças e melhorou a ação governamental. Juntamente com a execução do projeto, houve um processo de avaliação em que participaram diversos atores chave e parceiros que ofereceram valiosas informações para o fortalecimento da capacidade local. Grandes realizações incluem a formulação de políticas de gênero para prevenir a violência contra mulheres e crianças, resultando no estabelecimento de redes sociais de apoio.

O município de Loja, um dos vencedores do concurso OPAS-CDC realizado durante o Dia Mundial da Saúde 2002 em honra do tema Atividade Física, foi reconhecido durante a cerimônia de instalação do Fórum sobre Promoção da Saúde em Santiago do Chile em 20 de outubro de 2002, por seu papel na revitalização de espaços públicos que apóiam e promovem estilos de vida ativos.

Uma realização importante

inclui o desenho de políticas

(3)

{ 18 }

2. Apoiam o uso de métodos múltiplos para avaliação de

processos e impacto das iniciativas de promoção da saúde.

Porque:



Os programas de promoção da saúde geralmente apresentam

uma série de resultados de curto e médio prazo além dos efeitos

de longo prazo no melhoramento da saúde.



As iniciativas de promoção da saúde são complexas e usam

muitas estratégias. Todas as estratégias podem ser medidas em

termos das suas atividades (avaliação de processos), mas somente

algumas delas são apropriadas para uma avaliação de impacto.



A avaliação de iniciativas de promoção da saúde requer métodos

de avaliação para verificar tanto o processo como as origens e a

influência do contexto

3

sobre as atividades do programa, além da

avaliação dos resultados.



Métodos múltiplos permitem a investigação de diferentes

dimensões de uma iniciativa; fontes múltiplas proporcionam uma

profundidade de informação que passa além da disponível em

qualquer outra fonte de dados; e a multiplicidade de

investigadores aumenta o alcance das perspectivas e

interpretações aplicadas a uma avaliação.



O uso de múltiplos métodos também se presta à abordagem

participativa, colaborativa de avaliação recomendada ao longo

deste documento.

3 Contexto: político, econômico, social e ambiental.

Devido à gestão bem sucedida do município de Santa Fé

de Bogotá, Colômbia, uma redução em mortes

relacionadas à violência e aos acidentes de trânsito,

(4)

{ 19 } serviram de base na avaliação da efetividade das intervenções. Fez-se uso

de uma variedade de métodos para avaliar o projeto: realizou-se uma pesquisa com 1.703 pessoas em Cayo Hueso, bem como uma comparação entre comunidades. Os custos das intervenções foram objeto de uma avaliação econômica. Diversos métodos foram empregados para determinar efeitos diretos tais como redução da incidência de doenças, bem como efeitos indiretos tais como percepções de melhoria das condições de vida e sociais. Foram completadas e analisadas entrevistas em profundidade com informantes chave e entrevistas extensivas junto à comunidade. Usaram-se na avaliação indicadores ecológicos das condições ambientais e de saúde das comunidades. Os resultados das pesquisas mostraram melhoria na saúde das populações vulneráveis, julgadas por elas mesmas, dentro da comunidade alvo, bem como um aumento mais generalizado da satisfação com as condições de vida.

O movimento Municípios Cubanos para a Saúde é associada crescente e muito ativa na criação de desenvolvimento social sustentável. Ele responde à necessidade de melhorar a alimentação sadia, mediante um incremento do consumo de frutas e hortaliças. O programa deu apoio à venda direta de tais produtos em feiras-livres e mercados populares, aumentando ao mesmo tempo a geração de renda.

Uma variedade de métodos foi

utilizada para avaliar o projeto.

(5)

{ 20 }

3. Estabelecem um fundo para avaliação da efetividade da

promoção da saúde utilizando 10% dos recursos financeiros

totais para iniciativas de promoção da saúde.

Porque:



A análise da experiência internacional anterior indica que a

consignação de um mínimo de 10% dos recursos totais para

programas é uma norma razoável para garantir o

desenvolvimento e a implementação de avaliações da promoção

da saúde.



Como parte do bom planejamento e da boa administração, cada

iniciativa de promoção da saúde deve incluir pelo menos um

componente de avaliação de processos.



A avaliação de impacto requer atenção e recursos financeiros

específicos além dos dedicados à programação da promoção da

saúde.

4. Apoiam uma infra-estrutura adequada para treinamento e

educação contínua em avaliação da promoção da saúde.

Porque:



Há necessidade de adequado treinamento e educação para

desenvolver perícia em avaliação.



Os avaliadores precisam do conhecimento e das aptidões

necessárias para fazer avaliações apropriadas.



O pessoal deve receber treinamento em avaliação e ter contato

com novos desenvolvimentos, métodos e tecnologias de avaliação.



Em muitos casos, é necessário oferecer constantes

oportunidades de desenvolvimento profissional para conferir aos

praticantes e autoridades decisórias existentes a capacidade de

adquirir as aptidões necessárias para utilizar os resultados da

avaliação da promoção da saúde.

Treinamento e educação

adequados são necessários

para desenvolver perícia

em avaliação.

(6)

{ 21 } Em 1996, a OPAS e a Universidade de Porto Rico convidaram os Centros

Colaboradores da OMS na Região das Américas, a ORLA/UIPES e um variado grupo de faculdades (Saúde Pública, Psicologia, Política Pública, Educação, Nutrição, Saúde Familiar e outros programas de ciências sociais e comportamentais) para uma reunião para análise da situação corrente do treinamento em áreas críticas da promoção da saúde. As instituições participantes formaram o Consórcio de Universidades e Centros de Treinamento em Promoção da Saúde e Educação em Saúde. Esse Consórcio incentivou a formação de redes nacionais de instituições acadêmicas que estão fortalecendo a formação e o desenvolvimento de recursos humanos com um conteúdo e métodos essenciais de promoção da saúde e participação social. Mais de trinta instituições universitárias das Américas, da Região do Caribe e da Espanha aderiram ao Consórcio. A rede está incentivando também a pesquisa e avaliação visando formar a base de evidências em promoção da saúde e a identificar boas práticas, bem como fomentar o intercâmbio e a colaboração entre docentes e estudantes de várias instituições.

Em 1999, a Associação Canadense de Saúde Pública (CPHA), a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) do Brasil e a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) lançaram o Projeto Promoção da Saúde em Ação (PPSA), com previsão de três anos e financiamento proporcionado pelo Fundo de Transferência de Tecnologia Canadá-Brasil, da CIDA. O projeto combina teoria, pesquisa e treinamento em promoção da saúde com prática e disseminação. As atividades são conduzidas por diversos participantes, tais como a ENSP, seu Centro de Saúde Acadêmico localizado dentro do local do projeto, e a ABRASCO. Entre as suas realizações contam-se vários encontros e seminários para intercâmbio técnico, desenvolvimento de currículos, apoio a iniciativas de promoção da saúde com base comunitária, projetos de pesquisa locais e reorientação de programas de atenção de saúde para a promoção da saúde. Um elemento crítico do projeto é a formação de várias parcerias únicas no nível local para promover a equidade e uma qualidade de vida melhor para os moradores do local do projeto.

(7)

{ 22 }

5. Apoiam a pesquisa aplicada na avaliação da promoção da

saúde.

Porque:



A pesquisa aplicada baseia-se na pesquisa de ação que é

diretamente relevante à prática e se concentra em questões de

desenho, pertinência e efetividade de programas.



A avaliação da promoção da saúde baseia-se na situação

contextual de cada local onde é executado um projeto.



Os processos de avaliação concentram-se no “porque e como”, e

não somente no “o que e quantos”.



É necessário que os promotores da saúde avaliem o grau em

que os resultados da avaliação se aplicam à sua situação

particular e aumentam a probabilidade de que as evidências

relevantes sejam utilizados no seu próprio contexto.



Uma retroalimentação entre boas práticas e resultados da

pesquisa local é fortalecido e validado entre os formuladores de

políticas, comunidades, praticantes e pesquisadores que

consideram as necessidades de todos.

Processos de avaliação se

concentram no “porque e como”.

(8)

{ 23 }

V I L L A C E N T E N A R I O E S A N R O Q U E , S A N S A L V A D O R : P E S Q U I S A C O M U N I T Á R I A E M R E S P O S T A A P R O B L E M A S

C O M U N I T Á R I O S

Em San Roque, uma comunidade da cidade de San Salvador, uma parceria entre três ONGs, o governo municipal, a Agência Italiana para Cooperação Internacional, a Igreja Católica, uma universidade pública e uma particular, o centro de saúde local e os membros da comunidade, executou um projeto para apoiar essa comunidade marginalizada nas áreas de saúde, produção e educação, durante o período 1989-1996. Aplicou-se o enfoque comunitário da epidemiologia com resultados excepcionais. Todos os parceiros chegaram a um consenso e se comprometeram em atingir quatro objetivos de saúde com base nos resultados da sua pesquisa: 1. Nenhuma criança morreria durante os quatro primeiros anos de vida; 2. Nenhuma mulher morreria de câncer cervico-uterino; 3. Nenhuma pessoa idosa ficaria sozinha ou abandonada; e 4. Nenhuma adolescente teria uma gravidez não desejada antes dos 20 anos de idade.

A Villa Centenario, inaugurada em abril de 2002, resultou do esforço combinado da OPAS, do Ministério da Saúde, do Vice-Ministério da Habitação e da Prefeitura para pôr em prática uma nova iniciativa de desenvolvimento local e sustentável. Um aspecto chave desse projeto foi a ampla consulta com organizações comunitária, assim como a sua participação na formulação e implementação, pela primeira vez nas Américas, da experiência de uso de uma nova visão para edificar moradias saudáveis e agrupamentos humanos sustentáveis. A Villa Centenario é um complexo residencial anti-sísmico desenvolvido para beneficiar 100 famílias cujas vidas foram afetadas pelos terremotos de janeiro e fevereiro de 2001. A Villa consiste de uma praça, um centro comunitário e um posto de saúde, criando um ambiente favorável que estimula a adoção de estilos de vida saudáveis.

atingir metas de saúde com base

nos resultados de suas pesquisas.

Referências

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