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Cenário Macro Semanal

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Academic year: 2021

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Cenário doméstico eleva incertezas quanto à política

monetária

O acompanhamento do cenário econômico doméstico tem reduzido as expectativas de

início de aperto monetário já na reunião do Copom nos dias 16 e 17 de abril. Se por um

lado o Banco Central tem reforçado sua independência e disposição a elevar a taxa de

juros no momento em que achar necessário, o discurso da presidente Dilma Rousseff,

em oposição a políticas de controle de inflação que reduzam o nível de atividade, leva o

mercado a rever suas projeções para a taxa de juros.

Mercado de trabalho nas economias desenvolvidas em alerta:

Os resultados observados

para a taxa de desemprego nos Estados Unidos e na zona do euro seguem preocupantes.

A despeito de toda a atenção voltada às decisões de política monetária nas regiões,

observa-se que o grande entrave à recuperação dessas economias consiste nas suas

situações fiscais, que devem permanecer restritivas, por conta da necessidade de redução

de suas dívidas públicas em relação ao PIB. Dessa forma, considerando o longo tempo

necessário à realização desses ajustes fiscais, pode-se compreender que a recuperação de

suas economias deve se estender aos próximos anos.

Estados Unidos: Apesar de recuo na taxa de desemprego, dados são preocupantes:

A

taxa de desemprego apresentou novo recuo em março, para 7,6%. No entanto, essa

queda se deveu a uma redução da força de trabalho, decorrente da desistência de parte

da população desempregada de procurar por novas vagas de emprego.

Mesmo com baixo nível de atividade, BCE opta por cautela quanto à política monetária:

Apesar de confirmar as atuais condições desfavoráveis à recuperação da economia da

zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa básica de juros em 0,75%

nesta semana. Seguindo uma linha distinta da adotada pelo Federal Reserve, que

defendeu manter o QE3 até que o mercado de trabalho demonstre recuperação mais

expressiva, o BCE defende maior cautela na implementação de novas medidas

monetárias, ainda que o nível de atividade não sinalize recuperação e a inflação

permaneça abaixo de sua meta, de 2,0%.

Estimativas para os principais indicadores da economia brasileira

2010 2011 2012 2013e 2014e

IPCA (%) 5,91% 6,50% 5,84% 5,71% 5,68%

IGP-DI (%) 11,31% 5,01% 8,11% 4,83% 5,14%

IGP-M (%) 11,32% 5,10% 7,82% 4,92% 5,31%

Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$) 1,66 1,87 2,04 2,00 2,05

Taxa de câmbio - média de período (R$/US$) 1,76 1,67 1,95 2,00 2,04

Meta Taxa Selic - fim de período (a/a) 10,75% 11,00% 7,25% 8,50% 8,50%

Meta Taxa Selic - média de período (a/a) 9,81% 11,66% 8,52% 7,83% 8,50%

PIB (% de crescimento) 7,53% 2,73% 0,87% 3,01% 3,50%

Fonte: IBGE, FGV e BCB. Expectativas Focus-BCB.

Gustavo Pereira Serra

Economista [email protected] +55 11 2138-8205

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Cenário Interno

Cenário doméstico eleva incertezas quanto à política monetária

O acompanhamento do cenário econômico doméstico tem reduzido as expectativas de início de aperto monetário já na reunião do Copom nos dias 16 e 17 de abril. Se por um lado o Banco Central tem reforçado sua independência e disposição a elevar a taxa de juros no momento em que achar necessário, o discurso da presidente Dilma Rousseff, em oposição a políticas de controle de inflação que reduzam o nível de atividade, leva o mercado a rever suas projeções para a taxa de juros.

Os indicadores divulgados nesta semana reforçam um cenário inoportuno para o início de um aperto monetário pelo Copom já neste mês, se consideradas as indicações do Banco Central de preocupar-se não somente com a inflação, mas também com o desempenho econômico nacional. Após forte crescimento em janeiro, a produção industrial demonstrou recuo em fevereiro, derrubando as expectativas de recuperação expressiva no início deste ano (ver próxima seção). Em contrapartida, sinalizou-se recuperação do nível de investimentos, com a expansão do segmento de bens de capital, que apresentou contração no ano passado.

Além do nível de atividade reduzido, outro fator que deve orientar as próximas decisões de política monetária consiste no preço de alimentos, como ficou evidente no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na semana passada, no qual o Banco Central demonstrou a relevância dos choques de oferta sobre preços agrícolas para o avanço da inflação em 2012. Desse modo, o recuo observado para as cotações de commodities no início desde ano (captado pelo IC-Br), bem como os impactos das desonerações realizadas pelo governo (como para os itens componentes da cesta básica) deverão ser melhor avaliados antes de iniciar-se um aperto monetário.

Para isso, a divulgação do IPCA referente a março, na quarta-feira que vem, poderá trazer sinalizações importantes sobre as próximas decisões de política monetária do Copom, indicando se a pressão inflacionária advém de itens particulares que deverão ter sua trajetória alterada nos próximos meses, ou se ela pode ser atribuída a um avanço de preços mais generalizado que demandará uma elevação da taxa de juros, ainda que a atividade econômica não tenha demonstrado nível consistente de recuperação.

O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) apresentou queda de 1,82% em março, representando a terceira queda consecutiva para os preços de commodities calculados em Reais. No ano, o indicador acumula queda de 6,08%. O principal responsável pelo resultado no mês foi o recuo nas cotações de commodities metálicas (que incluem alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco, chumbo e níquel), de 6,02%. No período, as cotações de commodities de energia (que englobam petróleo brent, gás natural e carvão) registraram queda de 2,51% em Reais, enquanto as agropecuárias (carne de boi, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, café, arroz e carne de porco) caíram 0,66%.

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Produção industrial: apesar do recuo, sinaliza retomada dos investimentos em 2013

A produção industrial apresentou recuo de 2,5% em fevereiro, na comparação mensal, revertendo o desempenho observado em janeiro (+2,6% m/m). O resultado apresentado pelo IBGE veio abaixo das expectativas do mercado, que estimavam menor contração, de 2,0%. No acumulado de 2013, a produção industrial ainda apresenta avanço, de 1,1%.

A contração na produção industrial atingiu 15 dos 27 ramos englobados pela pesquisa, com destaque para a variação de -9,1% do setor de veículos automotores, após crescimento de 6,2% em janeiro. Também apresentaram queda expressiva no mês as indústrias farmacêutica (+0,3% para -10,8%), mobiliária (10,2% para -9,9%), de refino de petróleo e álcool (+5,5% para -5,8%) e de bebidas (+1,2% para -5,2%), revertendo o desempenho apresentado em janeiro.

Em sentido contrário, destacaram-se as altas observadas nos segmentos de fumo (-53,7% para +36,2%), outros equipamentos de transporte (-4,5% para +9,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-0,3% para +4,6%).

A análise por categoria de uso indicou contrações de 1,3% na produção de bens intermediários e de 4,2% para bens de consumo, como resultado das quedas observadas para bens de consumo duráveis (-6,8% m/m) e bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-2,1% m/m).

No mês, a única categoria de uso que apresentou crescimento foi Bens de Capital (+1,6% m/m), acumulando variação de 13,3% no primeiro bimestre de 2013. Apesar do recente período de recuperação, a melhora na produção de bens de capital indica um cenário de retomada dos investimentos em 2013. Vale ressaltar que a formação bruta de capital fixo apresentou contração de 4,0% em 2012.

Já para março, espera-se recuperação para a produção industrial, encerrando o primeiro trimestre do ano com crescimento, motivado, principalmente, pelo setor de veículos automotores. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de autoveículos avançou 39,2% em março, totalizando 319,1 mil unidades, após queda de 17,9% no mês anterior. A melhora no desempenho em relação a fevereiro, na comparação mensal, foi observada para todos os segmentos, sendo de 298,4 mil unidades a produção de veículos leves

(-80 90 100 110 120 130 140 150 160

mar/10 jul/10 nov/10 mar/11 jul/11 nov/11 mar/12 jul/12 nov/12 mar/13

Índice de Commodities - Banco Central do Brasil*

IC-Br - Brasil IC-Br - Agropecuária IC-Br - Metal IC-Br - Energia

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19,4% para +40,5%), 16,9 mil unidades de caminhões (+9,4% para +21,9%) e 3,8 mil unidades de ônibus (-3,6% para +26,2%).

Cenário Externo

Mercado de trabalho nas economias desenvolvidas em alerta

Os resultados observados para a taxa de desemprego nos Estados Unidos e na zona do euro seguem preocupantes. A despeito de toda a atenção voltada às decisões de política monetária nas regiões, observa-se que o grande entrave à recuperação dessas economias consiste nas suas situações fiscais, que devem permanecer restritivas, por conta da necessidade de redução de suas dívidas públicas em relação ao PIB. Dessa forma, considerando o longo tempo necessário à realização desses ajustes fiscais, pode-se compreender que a recuperação de suas economias deve se estender aos próximos anos.

Estados Unidos: Apesar de recuo na taxa de desemprego, dados são preocupantes

Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego apresentou novo recuo em março, para 7,6%. Em fevereiro, a taxa era de 7,7%. No entanto, apesar do recuo no nível de desocupação, os dados de contratação de março vieram bastante abaixo do consenso, indicando que a queda na taxa de desemprego se deveu a uma redução da força de trabalho, decorrente da desistência de parte da população desempregada de procurar por novas vagas de emprego.

A criação de vagas (excluindo área rural) foi de 88 mil no mês, abaixo das expectativas (193 mil) e do resultado de fevereiro (268 mil). O setor privado criou 95 mil vagas, resultado também inferior ao consenso de mercado (200 mil) e ao desempenho no mês anterior (254 mil), enquanto o governo realizou demissões líquidas de 7 mil em março.

114,5 100 105 110 115 120 125

Fonte: IBGE *fev/2009 = 100

Produção Industrial - com ajuste sazonal*

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Mesmo com baixo nível de atividade, BCE opta por cautela quanto à política monetária

A taxa de desemprego na zona do euro permaneceu estável em fevereiro, em 12,0%, na comparação com o mês anterior. Em fevereiro de 2012, o nível de desocupação era de 10,9% na região. Houve elevação de 33 mil no número de desempregados no mês e, na comparação anual, de 1.775 mil. A taxa de desemprego entre a parcela da população abaixo de 25 anos foi estimada em 23,9%, recuando 0,1% ante janeiro, mas permanecendo 1,6% acima do nível observado em fevereiro do ano passado.

Os dados de desocupação na zona do euro seguem refletindo as disparidades no nível de atividade da região. Enquanto a Alemanha tem indicado um aquecimento em seu mercado de trabalho, reduzindo sua taxa de desemprego na comparação anual (de 5,6% em fevereiro de 2012 para 5,4% no mesmo mês de 2013), Espanha (23,9% para 26,3%), Itália (10,1% para 11,6%) e Portugal (14,8% para 17,5%) seguem com indicadores mais alarmantes que, se combinados com a necessidade de ajuste fiscal ainda a ser realizada nesses países, sinalizam um longo período que será tomado à recuperação de suas economias.

5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0%

Zona Euro Grécia Espanha Portugal Alemanha Fonte: Bloomberg

Zona Euro - Taxa de Desemprego (com ajuste sazonal)

7,4% 7,6% 7,8% 8,0% 8,2% 8,4% 330 340 350 360 370 380 390 400 410

Fonte: Bloomberg *em mil unidades

EUA -Solicitaçõesde Seguro-Desemprego e Taxa de Desemprego

Solicitações Semanais de Seguro-Desemprego Média Móvel Últimas 4 Semanas*

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Apesar de confirmar as atuais condições desfavoráveis à recuperação da economia da zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa básica de juros em 0,75% nesta semana. Seguindo uma linha distinta da adotada pelo Federal Reserve, que defendeu manter o QE3 até que o mercado de trabalho demonstre recuperação mais expressiva, o BCE defende maior cautela na implementação de novas medidas monetárias, ainda que o nível de atividade não sinalize recuperação e a inflação permaneça abaixo de sua meta, de 2,0%.

A Comissão Europeia estimou inflação ao consumidor anualizada de 1,7% em março, 0,1% abaixo do observado em fevereiro. Segundo a Comissão, a queda deve refletir o recuo esperado para os preços de energia (3,9% para 1,7%), parcialmente compensado pelos avanços nos preços de

serviços (1,5% a 1,9%) e bens industriais não energéticos (0,8% para 1,0%). Os preços de alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco permaneceram estáveis em 2,7%.

O cenário mais fraco para o nível de atividade da zona do euro é confirmado também pelos dados de vendas no varejo, que apresentaram queda de 0,3% em fevereiro na comparação mensal, com recuo de 1,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No mês, houve quedas de 0,1% para

alimentos, bebidas e tabaco, de 0,5% para combustíveis e de 1,1% para os outros produtos não alimentícios. 90 95 100 105 110 115 Fonte: Eurostat *2010 = 100

Zona do Euro - Produção Industrial X Vendas no Varejo

Índice de Volume de Vendas no Varejo (com ajuste sazonal) Índice de Produção Industrial (com ajuste sazonal)

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Mario Roberto Mariante, CNPI* [email protected]

Luiz Francisco Caetano, CNPI [email protected]

Gustavo Pereira Serra

[email protected]

Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI [email protected]

Ricardo Tadeu Martins, CNPI [email protected] Silvia Chandrowski Zanotto, CNPI-T

[email protected]

Gustavo Lobo, CNPI-T

[email protected]

Andre Seiti Tanaka

[email protected]

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Declaração do empregador do analista, nos termos do art. 18 da ICVM 483

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