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Academic year: 2021

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Universidade Federal do Pará

Instituto de Letras e Comunicação

Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas

PROJETO PEDAGÓGICO

DO CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS

HABILITAÇÃO EM ALEMÃO

HABILITAÇÃO EM ESPANHOL

HABILITAÇÃO EM FRANCÊS

HABILITAÇÃO EM INGLÊS

Equipe elaboradora:

Antonio Messias Nogueira da Silva Bárbara Wotjak

Célia Maria Macedo de Macedo Cintia Bentes Rodrigues da Costa José Carlos Chaves da Cunha Izabel Cristina Soares Izabel Maria da Silva Johwyson da Silva Rodrigues Lilia Silvestre Chaves Maisa Navarro

Maria Clara Viana Sá e Matos Maria Eulália Sobral Toscano Myriam Cunha

Nélia de Almeida Martins Patricia Steffen

Paul Voerkel Rita de Cássia Paiva Rosamaria Reo Pereira Rosanne Castelo Branco Sheila Fecury Macambirar Sigurd Jennerjahn Sonia Célia Alves Sonia Lumi Niwa Tania Vergueiro Tatiana S. de Macedo Walkyria Magno e Silva

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ÍNDICE

1 APRESENTAÇÃO DO PROJETO ... 2

1.1 CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO ... 2

1.2 PRINCÍPIOS POLÍTICO-FILOSÓFICOS ... 3

1.3 RAZÕES DA ORIGEM DA FALEM ... 4

2 CONSIDERAÇÕES GERAIS ... 7

2.1 BREVE HISTÓRICO ... 7

2.2 O CONTEXTO ATUAL ... 8

3 O PROJETO PEDAGÓGICO REVISADO ... 11

3.1 FUNDAMENTOS NORTEADORES ... 11

3.1.1 Princípios éticos ... 11

3.1.2 Princípios epistemológicos e didático-pedagógicos ... 11

3.1.2.1 Língua ... 12

3.1.2.2 Saberes sobre a língua ... 13

3.1.2.3 Prática profissional ... 13

3.1.3 Princípios legais ... 14

3.2 OBJETIVO DO CURSO ... 15

3.3 PERFIL DO PROFISSIONAL DE LE ... 15

3.3.1 Perfil do aluno ingressante ... 16

3.3.2 Perfil do egresso ... 22

3.4 ÁREAS DE ATUAÇÃO ... 22

3.4.1 Ensino... 23

3.4.2 Outras ... 23

4 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DO CURSO ... 24

4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 24

4.2 PRINCÍPIOS CURRICULARES ... 26

4.3 ESTRUTURA CURRICULAR ... 27

4.3.1 Pressupostos curriculares ... 27

4.3.2 Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ... 32

4.3.3 Estágio supervisionado ... 32

4.3.4 Atividades complementares ... 34

4.3.5 Articulação entre Ensino, Pesquisa e Extensão ... 35

4.3.5.1 Política de Ensino ... 35

4.3.5.2 Política de Pesquisa ... 35

4.3.5.3 Política de Extensão ... 36

4.3.5.4 Laboratórios como articuladores do Ensino, da Pesquisa e da Extensão39 4.3.5.4.1. Base de Apoio à Aprendizagem Autônoma (BA3) ... 39

4.3.5.4.2. Laboratório de Ensino e Aprendizagem de LE (LABENALE) ... 40

4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E PLANEJAMENTO DO TRABALHO DOCENTE ... 42

5 RECURSOS HUMANOS E ESTRUTURA FÍSICA ... 44

5.1 RECURSOS HUMANOS ... 44

5.2 ESTRUTURA FÍSICA ... 45

6 POLÍTICA DE INCLUSÃO SOCIAL ... 47

6.1 DIFERENTES LINGUAGENS DAS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS ... 47

6.2 INCLUSÃO E ACESSO DAS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS . 48 6.3 LIBRAS ... 48

7 SISTEMA DE AVALIAÇÃO ... 49

7.1 AVALIAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO E DO CURSO ... 49

7.2 AVALIAÇÃO DO PROCESSO EDUCATIVO ... 50

7.3 REFERENDOS EXTERNOS ... 51

REFERÊNCIAS ... 53

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1 APRESENTAÇÃO DO PROJETO

Com o propósito de formar profissionais generalistas e humanistas, que tenham visão crítico-reflexiva e respeito pelos princípios éticos e morais da coletividade, o Projeto Pedagógico da Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas (PP-FALEM) tem como política de ensino a oferta de cursos pautados pela qualidade. Esses cursos, que também se voltam para o desenvolvimento teórico-científico, devem garantir o acesso ao conhecimento e assegurar uma educação continuada e permanente.

No contexto mais amplo das práticas sociais, o PP-FALEM defende o ensino público gratuito e de qualidade, assim como as políticas inclusivas. Além de considerar, no conjunto de suas ações, as inovações científicas e tecnológicas e as exigências do mundo do trabalho, o PP-FALEM fundamenta sua política educacional em princípios político-filosóficos coerentes com a missão da Universidade Federal do Pará (UFPA) de promover desenvolvimento e progresso no âmbito social, cultural e científico.

Para melhor situar as orientações subjacentes ao PP-FALEM, é necessário inicialmente, além de apresentar uma breve reflexão sobre a concepção de educação nele adotada, enumerar os princípios que norteiam o Projeto Pedagógico e listar as razões que levaram à criação da FALEM.

1.1 CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO

Com as novas diretrizes curriculares, torna-se mais clara a responsabilidade dos professores e das instituições de ensino de formar o cidadão em seu próprio contexto. As instituições de ensino não podem se limitar apenas a fornecer informação e a assumir o papel de instruir ou de transmitir conhecimentos. Hoje devem ser um espaço formativo, em que se concebe a educação como uma prática de formação da pessoa e o conhecimento como uma construção compartilhada de saberes que resulta de um processo interativo no qual os sujeitos, inseridos em seu contexto histórico, cultural, político e social, agem como cidadãos conscientes de seu papel na sociedade.

Em educação, o fundamental não é o acúmulo de informações, mas o desenvolvimento de competências e habilidades que nos permitam encontrá-las, saber lidar com elas, distinguir as mais relevantes das menos importantes, analisá-las, criticá-las e, com base nelas, chegar às próprias conclusões. Mais do que nunca, a missão da educação é contribuir para que o aluno desenvolva habilidades e competências que lhe permitam trabalhar a informação: selecionar, comparar, classificar, analisar, sintetizar, opinar, discutir, criticar, julgar, fazer generalizações, analogias, diagnósticos, elaborar novos conceitos.

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1.2 PRINCÍPIOS POLÍTICO-FILOSÓFICOS

O PP-FALEM é norteado pelos seguintes princípios:

 ATENÇÃO AO CONTEXTO POLÍTICO, SOCIOECONÔMICO E CULTURAL DE NOSSA

SOCIEDADE

Percebem-se as transformações proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação, também no campo da educação, como possibilidades de repensar as práticas pedagógicas. A informação assume importância fundamental, e tanto seu tratamento quanto sua aplicação colocam-se hoje como um dos diferenciais para as organizações. O conhecimento, seja ele tácito ou explícito, tornou-se um valor agregado. Sabe-se que na chamada sociedade do conhecimento, em que se instala um modo de pensar complexo, exigem-se profissionais com criatividade, flexibilidade, capacidade de trabalhar em equipe, visão holística, enfim, profissionais que apresentem uma nova forma de agir e interagir no mundo.

 FAZER DOCENTE BASEADO NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS E

HABILIDADES

A Lei de Diretrizes e Bases n.°9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece que os processos de ensino e aprendizagem devem basear-se no desenvolvimento de competências e habilidades e não mais apenas em conteúdos. A formação de profissionais aptos a desenvolver suas atividades, visando atender as necessidades sociais de forma criativa, flexível e inovadora, constitui-se uma das principais metas da educação superior.

 FAZER DOCENTE COM ENVOLVIMENTO E MOTIVAÇÃO: APRENDER A APRENDER

O ato de ensinar deve ser realizado com alegria, amor e respeito pelo outro. Esses sentimentos, aliados às atitudes, aos valores e ao conhecimento do educador, são molas propulsoras para uma efetiva aprendizagem. O educador deve acreditar em uma educação que possibilite o exercício da reflexão, da ação, do questionamento, da pesquisa. Enfim, deve acreditar que é possível oferecer aos educandos momentos de aprendizagem que os levem a desenvolver as competências e as habilidades necessárias a uma atuação consciente e transformadora em nossa sociedade.

 INTERDISCIPLINARIDADE COMO PRINCÍPIO DIDÁTICO

As atividades curriculares previstas no PP-FALEM articulam-se, por meio do estabelecimento de relações de convergência e complementaridade entre si, de forma a manter uma unidade diante da interpretação da realidade. Essa interpretação leva em conta a multiplicidade de leituras de mundo.

 FLEXIBILIZAÇÃO DA ESTRUTURA CURRICULAR

O PP-FALEM oferece um percurso atualizado, flexível e dinâmico, construído com base nos saberes e conteúdos que fazem parte da vivência e da experiência do aluno e naqueles necessários à sua futura atuação profissional. Além de seguir os

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componentes curriculares básicos, o aluno poderá traçar parte de seu percurso acadêmico segundo seus anseios pessoais e as demandas da sociedade. Essa prática será alcançada por meio da realização das atividades complementares previstas no projeto.

 ÉTICA COMO TEMA TRANSVERSAL

Tomando a ética como tema preferencial, pretende-se estimular no educando um comportamento reflexivo diante de valores éticos e, com base na problematização desses valores no contexto institucional, pretende-se levá-lo a adotar padrões de conduta que superem uma ética individualista e competitiva, visando a construção de uma sociedade cada vez mais humana e solidária.

 COMPREENSÃO DA DIVERSIDADE CULTURAL E DA PLURALIDADE DE INDIVÍDUOS

O PP-FALEM leva em conta a dimensão singular do homem, assim como a pluralidade de indivíduos e a multiplicidade cultural.

 SÓLIDA PREPARAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DO TRABALHO, DA CIDADANIA E PARA

A PARTICIPAÇÃO NA VIDA CULTURAL

O PP-FALEM prevê atividades voltadas para a prática profissional capazes de proporcionar ao futuro professor uma vivência real de diferentes situações de trabalho. Essa faceta do projeto está expressa principalmente na variedade de ações extensionistas e de atividades de natureza prática que poderão ser desenvolvidas durante o curso.

 FORMAÇÃO CONTINUADA

A graduação é entendida como uma etapa inicial de um processo de formação continuada, que deve, portanto, ser consolidada por meio de outros níveis de ensino e de atividades de pesquisa e extensão. No decorrer do seu percurso dentro da Faculdade, o aluno será levado a descobrir, além dos muros da Universidade, as diferentes possibilidades de dar continuidade a seu processo de aprendizagem após a conclusão de seu curso de graduação.

 AVALIAÇÃO PERMANENTE

A avaliação das práticas pedagógicas é parte integrante deste Projeto Pedagógico e reflete-se tanto nas atividades previstas quanto no próprio processo de reestruturação curricular. Essa reestruturação, que deverá resultar das necessidades emergentes, conduzirá à elaboração de um programa de capacitação docente com efeito multiplicador na sociedade.

1.3 RAZÕES DA ORIGEM DA FALEM

Até o ano de 2007, os cursos de línguas estrangeiras modernas (alemão, espanhol, francês e inglês) fizeram parte do Colegiado de Letras que abrigava também a habilitação em

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Língua Portuguesa e suas Literaturas. Com as mudanças impostas pelo novo estatuto na Universidade Federal do Pará e pelo regimento do novo Instituto de Letras e Comunicação, decidiu-se pela criação da Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas (FALEM), com os Cursos de Licenciatura em Letras – habilitações em alemão, espanhol, francês e inglês. A nova Faculdade passou a ter existência legal depois da criação do Instituto de Letras e Comunicação publicada no Diário Oficial da União em 14 de fevereiro de 2008.

Desde o ano de 2006, em reuniões do antigo Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras (DLLE), os professores de línguas estrangeiras têm discutido as questões que estão na origem da criação da FALEM. A decisão sobre a criação da nova faculdade pautou-se em parte pelas orientações previstas no Estatuto e no Regimento Geral da Universidade Federal do Pará e em parte pelas mudanças que têm ocorrido nos cursos de línguas estrangeiras nos últimos anos. Após ampla discussão no âmbito departamental, a criação da FALEM pareceu ser a melhor opção para os cursos de línguas estrangeiras e para o Instituto, em virtude das razões abaixo enumeradas:

1. Número elevado de docentes (31) e de discentes (cerca de 600) envolvidos no ensino de quatro línguas estrangeiras, o que demanda autonomia administrativa, para que os trâmites administrativos e acadêmicos na realização de suas atividades rotineiras sejam tratados com maior rapidez.

2. Garantia de um processo democrático na deliberação de questões relativas às línguas estrangeiras: como as faculdades têm representação na Congregação do Instituto de Letras e Comunicação (artigo 38, III, do Estatuto da UFPA), estão assegurados a voz e votos dos representantes da FALEM.

3. Criação de turmas específicas de Línguas Estrangeiras: desde o ano de 2004, o ingresso de alunos pelo Processo Seletivo Seriado ocorre de modo separado, por opção de idioma; com a criação da FALEM, os alunos de línguas estrangeiras terão um melhor acompanhamento acadêmico, visto que essa subunidade contará com um órgão colegiado específico que se encarregará de decidir questões relativas à matrícula, à escolha, à dispensa e à inclusão de atividades acadêmicas curriculares referentes às suas habilitações.

4. Possibilidade de melhor atender as especificidades e as necessidades dos cursos de línguas estrangeiras na elaboração da proposta orçamentária e do plano de aplicação de verbas, assim como nas manifestações sobre contratos, acordos, convênios e prestação de serviços de interesse desses cursos, visto que se trata de atribuições do órgão colegiado das faculdades (Cf. artigo 45, Estatuto da UFPA).

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5. Possibilidade de melhor planejar, supervisionar e avaliar as ações concernentes às atividades de ensino, pesquisa e extensão, tal como prevê o parágrafo único do artigo 69 do Regimento Geral da UFPA.

Com a criação da nova faculdade, impõe-se a reconstrução de seu Projeto Pedagógico, agora mais adequado à formação do professor de alemão, espanhol, francês ou inglês. A avaliação diagnóstica, realizada quando o Curso de Letras ainda comportava tanto a habilitação em língua materna quanto as habilitações em alemão, espanhol, francês e inglês, apontou o desejo de alunos e professores dedicarem um tempo maior de seu percurso acadêmico a estudos em língua estrangeira.

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2 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Nesta seção, apresenta-se um breve histórico dos Cursos de Letras no Brasil incluindo o contexto atual.

2.1 BREVE HISTÓRICO

Antes de apresentar as modificações do Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Letras – habilitações em alemão, espanhol, francês e inglês –, as quais se adaptam e atendem às exigências e às necessidades atuais da realidade em que se insere esse curso, é fundamental traçar uma retrospectiva da história do Curso de Letras para melhor circunscrever esta proposta.

O primeiro curso de Letras no Brasil surgiu em 1934 com a criação da Universidade de São Paulo (USP) por meio do decreto n.º 6.283, de 25 de janeiro de 1934, vinculado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, e subdividia-se em “Letras Clássicas” e “Português e Línguas Estrangeiras” (FIORIN, 2006). Em 1939, ao adaptar-se ao padrão da Faculdade Nacional de Filosofia fundada no Rio de Janeiro, passou a constituir-se dos Cursos de Letras Clássicas, Letras Neolatinas e Letras Anglo-Americanas. Nesses primeiros anos, os cursos de Letras voltavam-se mais para a reflexão poética do que para a descrição linguística. Em 1962, os Cursos de Letras foram reorganizados com base no parecer n.º 283/62, do conselheiro Valnir Chagas, do Conselho Federal de Educação. Paiva (2005) observa que a primeira proposta de currículo mínimo para os cursos de Letras foi aprovada com base nesse parecer. O novo currículo previa a licenciatura dupla – Língua Portuguesa e Língua Estrangeira – e a licenciatura única apenas em Língua Portuguesa. Ainda de acordo com Paiva, a formação pedagógica só passou a ser contemplada em 1969, a partir da resolução n.° 9, de 10 de outubro de 1969. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases extinguiu a obrigatoriedade de currículos mínimos, surgindo, em seu lugar, as diretrizes curriculares.

No Pará, em 6 de maio de 1954, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, mantida pela Sociedade Civil de Agronomia e Veterinária, foi autorizada pelo Decreto nº. 35.456. A nova faculdade paraense tinha como objetivo formar professores para atuarem no magistério, chamado na época “Ensino Secundário e Normal no Estado do Pará”. No entanto, o primeiro ano letivo da Faculdade só veio a ocorrer em 1955 com a oferta de quatro cursos, a saber: Matemática, Letras Clássicas, Geografia e História (curso único) e Pedagogia. Na época, os cursos apresentavam uma estrutura curricular que obedecia ao esquema identificado como “3 + 1”, isto é, conferia-se o título de bacharel aos alunos que preenchessem os requisitos curriculares ao final de três anos e o título de licenciado, com habilitação para exercer o magistério secundário ou normal, no âmbito de cada área do conhecimento, àqueles alunos que concluíssem o Curso de Didática no 4o ano (ARAUJO; CERQUEIRA, ...). Com a extinção

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do Curso de Didática,1

Em 1957, a UFPA é criada incorporando à sua estrutura a Faculdade de Filosofia, que assim permanece até a reforma universitária nos anos 70 do século passado. Nessa ocasião, os cursos de licenciatura foram dissociados e distribuídos entre os Centros de Estudos Básicos (Ciências Exatas e Naturais, Ciências Biológicas, Filosofia e Ciências Humanas e Letras e Artes) e o Centro de Educação, ao qual cabia a responsabilidade pela formação profissional.

a licenciatura passou a ter um grau equivalente ao do bacharelado. Assim, o aluno podia obter os dois títulos: o de bacharel e o de licenciado.

Os dois Centros – Letras e Artes e Educação – passaram então a dividir responsabilidades no que concerne à formação do professor, já que cabia aos Centros de Estudos Básicos a formação específica do profissional e ao Centro de Educação, a formação pedagógica.

Posteriormente, o Curso de Letras da UFPA passou a funcionar com quatro habilitações – alemão, francês, inglês e português –, obedecendo a todas as determinações dos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), com a possibilidade de se cursar a dupla licenciatura – Língua Portuguesa e Língua Estrangeira.

A partir de 2004, embora agrupados em uma só Faculdade, sob a coordenação do Colegiado do Curso de Letras, os alunos passaram a ter a possibilidade de cursar uma só habilitação por vez: alemão, francês, inglês ou português. O Projeto Pedagógico implantado a partir desse ano prevê um percurso acadêmico com um número de atividades comuns a todos os cursos e outras peculiares a cada habilitação. Já nesse projeto se prenuncia um foco maior na formação específica para cada LE. Em 2006 foi instituída a habilitação em espanhol.

2.2 O CONTEXTO ATUAL

Nos dias de hoje, impõe-se de forma ainda mais categórica a necessidade de se tratar a formação de professores de línguas estrangeiras (LE) de forma diferenciada da formação dos professores de língua materna (LM).

No mundo atual, as LE são ferramentas importantes para a comunicação entre os povos, assim como para a produção de conhecimento científico e tecnológico. Somos partícipes de um mundo que se tornou irreversivelmente pequeno em virtude dos incríveis avanços das novas tecnologias da informação e da comunicação. O homem da atualidade não pode permanecer confinado em seu espaço geográfico e cultural. O contato permanente com outras realidades, outros povos, outras culturas, outras línguas exige da sociedade atual uma educação que propicie a todos os cidadãos o acesso à aprendizagem de uma ou várias línguas estrangeiras. A língua é, inegavelmente, a manifestação fundamental de todos os povos, já que

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inseparável de sua sociedade e de sua cultura. É o principal veículo da ciência, da tecnologia, do pensamento político, do pensamento filosófico e também do intercâmbio econômico e financeiro.

Por outro lado, na academia, as línguas estrangeiras ocupam um papel muito importante na vida de qualquer estudante: aqueles que desejam dar continuidade à sua formação acadêmica precisam ter o domínio de uma (ou de mais de uma) LE para realizar estudos de pós-graduação; os que se engajam em atividades de pesquisa não conseguem avançar muito em suas investigações sem o acesso a uma bibliografia ainda sem tradução para a língua materna. Na esfera técnico-profissional, em diferentes áreas, a presença das LE também é cada vez mais evidente: como trilhar, por exemplo, o caminho das novas tecnologias sem poder ter acesso a textos escritos em LE?

São os Cursos de Letras – habilitações em Alemão, Espanhol, Francês e Inglês – que formam profissionais interculturalmente competentes, capazes de lidar de forma crítica com as linguagens, especialmente com a verbal, e de desenvolver, em seus futuros alunos, competências e habilidades em outra língua.

Independentemente da LE escolhida, o profissional de Letras deve saber usar as diferentes variedades da língua objeto de seus estudos, nas modalidades oral e escrita, em diferentes situações de interlocução, levando em conta as condições de produção de discurso. Deve ainda ser capaz de descrever e compreender sua estrutura, seu funcionamento e de refletir teoricamente sobre a linguagem e suas manifestações socioculturais. Precisa também fazer uso dos recursos tecnológicos que podem ser colocados a serviço do ensino-aprendizagem de LE e compreender sua formação profissional como processo contínuo, autônomo e permanente, em que se articulam ensino, pesquisa e extensão. O profissional deve, ainda, ter capacidade de reflexão crítica sobre temas e questões relativas à sua área de atuação.2

Sabendo que, por um lado, a atuação do profissional de LE depende radicalmente da sua formação e, por outro lado, procurando estar de acordo com as novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Letras, os professores da FALEM pretenderam construir, neste projeto pedagógico, uma proposta de estrutura curricular mais flexível, adequada às necessidades e às exigências atuais do professor de línguas, articulando as atividades de caráter teórico às de caráter prático durante todo o curso. Com esse novo desenho curricular,

2

Almeida Filho (1993) aponta quatro competências necessárias ao ofício do professor de LE: a competência implícita, a linguístico-comunicativa, a teórico-aplicada e a profissional. A competência implícita é constituída de intuições, crenças e experiências vivenciadas como aluno e professor de LE ao longo do cotidiano escolar. A competência linguístico-comunicativa diz respeito à capacidade de uso da língua. A competência teórico-aplicada diz respeito a todo conhecimento teórico-prático necessário ao ensino-aprendizagem de línguas. A competência profissional é a capacidade de mobilizar e avaliar recursos e de intervir nas outras competências com base em fundamentos teóricos e em reflexões sobre a prática que levam a ações e atitudes reflexivas.

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pretende-se dar ao futuro professor oportunidades de adquirir e desenvolver habilidades e competências que lhe permitam atuar de maneira eficiente nos diferentes níveis da educação. Dessa forma, será possível formar professores e pesquisadores mais capacitados e proficientes para romper com o mito de que “não se aprende LE na escola” e de que “os professores da região amazônica não são bem preparados ou não estão atualizados para ensinar LE”3

Os cursos de licenciatura em LE, que constituem as habilitações da Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas (FALEM), pertencente ao Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da Universidade Federal do Pará (UFPA), oferecem à sociedade uma proposta educacional inovadora e criativa no que concerne à educação superior das LE, especialmente quanto à formação de professores e pesquisadores capacitados para atuar no ensino fundamental e médio. Tais cursos de licenciatura baseiam-se nas novas diretrizes do fazer pedagógico e, não obstante, suas singularidades absorvem variados ensinamentos da realidade acadêmica brasileira. Estão, portanto, aptos a desenvolver práticas educativas adequadas para atender as necessidades atuais do ensino e aprendizagem de LE, sem perder de vista as especificidades da região amazônica.

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A fim de levar a efeito sua proposta pedagógica, os Cursos de Licenciatura em cada uma das LE afirmam-se não só pela importância de formar novos professores de LE, mas também por estimular, nesses profissionais, a prática de ações pedagógicas concretas, que visem prioritariamente o envolvimento de docentes e discentes com o entorno cultural da região em que tais cursos estão inseridos, já que alunos e professores são parceiros na formação de uma sociedade mais justa e mais humana do ponto de vista político, econômico e social. Dessa forma, além de formar profissionais em LE, a FALEM pretende formar cidadãos engajados em um fazer social mais completo.

O licenciado em Letras-LE deverá ser um profissional linguageiramente competente na língua estrangeira de sua habilitação e comprometido com os valores da sociedade democrática.

3

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3 O PROJETO PEDAGÓGICO REVISADO

Esta seção comporta os fundamentos norteadores do PP-FALEM, seu objetivo, o perfil dos licenciados em cada uma das LE e as possíveis áreas de atuação desses profissionais.

3.1 FUNDAMENTOS NORTEADORES

Os fundamentos norteadores do PP-FALEM subdividem-se em princípios éticos, epistemológicos, didático-pedagógicos e legais, conforme o que se expõe a seguir.

3.1.1 Princípios éticos

A dimensão ética do ensino-aprendizagem de uma língua-cultura estrangeira remete aos costumes (em grego, ethos), aos valores e, consequentemente, à cultura. Essas questões, indissociáveis do fazer do professor, estão cada vez mais presentes como objeto de ensino-aprendizagem nas aulas de línguas. Não se trata mais apenas de levar os aprendentes a se apropriarem de regras gramaticais e/ou de uso da língua na(s) sociedade(s) onde ela é empregada, mas também de ajudá-los a refletir sobre os valores arraigados nas modalidades de organização dessa(s) sociedade(s).

Nessa perspectiva, é papel do professor de línguas-culturas vivenciar – e levar seus alunos a vivenciarem – valores de cooperação, respeito, comprometimento que possibilitam uma melhor compreensão do outro, através, por exemplo, da análise dos estereótipos e de suas consequências psicológicas e éticas. Desse modo, poderá contribuir para evitar que se cultivem atitudes egocêntricas e/ou etnocêntricas. Cabe a ele trabalhar para que as diferenças linguísticas e socioculturais não levem ao conflito, à intolerância, ao racismo, para que a compreensão delas enquanto riqueza favoreça a coexistência pacífica, a partilha, a defesa das especificidades dos grupos humanos.

Enfim, no que diz respeito às práticas de sala de aula, é tarefa do professor hoje, por um lado, levar em conta as necessidades do aprendente, suas motivações, seu estilo de aprendizagem e, por outro lado, procurar enriquecer suas estratégias individuais para o desenvolvimento de suas capacidades de discernimento, de crítica, de autonomização, ampliando assim sua cultura de aprendizagem.

3.1.2 Princípios epistemológicos e didático-pedagógicos

O curso de Letras – habilitações em alemão, espanhol, francês e inglês – está estruturado em três grandes eixos: (i) uso da língua; (ii) saberes sobre a língua, incluídos aqui os saberes sobre a literatura e outros aspectos culturais; (iii) saberes sobre a prática profissional. Acreditando que ensinar uma língua implica a busca de um equilíbrio entre saber

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usar a língua, refletir sobre a língua e dominar conceitos, métodos e técnicas relativos à prática profissional, este PP defende a ideia de que um futuro professor de LE precisa ser competente nesses três eixos para poder exercer sua profissão com eficiência e saber buscar seu aperfeiçoamento contínuo após a obtenção do grau de licenciado. Esses três eixos não são compartimentos estanques, mas sobrepõem-se e imbricam-se, pois dominar linguageiramente um idioma estrangeiro, de forma a ser competente para ensiná-lo, é transitar confortavelmente pelas três áreas.

3.1.2.1 Língua

Embora em todas as disciplinas curriculares ministradas em cada uma das LE exista a preocupação com os objetivos que concernem ao eixo (i), as disciplinas de língua, cuja sequência é indicada por algarismos romanos, destinam-se prioritariamente a desenvolver as habilidades relativas ao uso da língua. No âmbito dessas disciplinas, serão realizadas – sempre na perspectiva do uso da língua – atividades centradas em habilidades relativas à fonética, ao léxico, à morfossintaxe, à organização textual-discursiva, enfim, a todos os componentes da dimensão linguística, sem perder de vista, evidentemente, o valor social das variedades de língua e as funções pragmáticas de sua realização. Essas atividades serão concebidas com base nas concepções pragmática, acional e interacional da linguagem, em cuja abordagem as noções de funções linguageiras, atos de fala, roteiros, trocas interacionais, tipos e gêneros textuais, efeitos de sentido ocupam um papel central. Ressalte-se ainda que as atividades deverão levar em conta os parâmetros socioculturais relativos às normas sociais de uso da língua: fórmulas de polidez, trocas rituais, regulação das relações entre gerações, classes e grupos sociais.

O objetivo das atividades previstas nesse eixo, quanto ao nível de língua, é levar todos os alunos a atingir o nível B2 da grade de avaliação do “Passaporte Linguístico de Adultos do Conselho da Europa”,4

A atividade curricular “Aprender a aprender LE” traz uma inovação para o PP-FALEM. Trata-se de uma atividade que visa levar o aluno, no início do curso, a refletir sobre as especificidades da aprendizagem de uma LE e a aprender a lidar com elas. Espera-se que que tem sido adotado como medida internacional de aferição de competência linguageira.

4

As grades de inglês e de francês estão nas páginas 6 e 7 de LITTLE, D.; PERCLOVÁ, R. The European

Language Portfolio: a guide for teachers and teacher trainers. Disponível em:

<http://www.coe.int/T/DG4/Portfolio/documents/ELPguide_teacherstrainers.pdf>. Acesso em 25 abr. 2009.

A grade de espanhol está nas páginas 30 e 31 do Marco Común Europeo de Referencia para las Lenguas: Aprendizaje, Enseñanza, Evaluación. Disponível em:

<http://cvc.cervantes.es/obref/marco/cvc_mer.pdf>. Acesso em 25 abr. 2009.

A grade de alemão encontra-se em Gemeinsamer Europäischer Referenzrahmen für Sprachen: Lernen, Lehren, Beurteilen" (kurz: GER, herausgegeben vom Europarat der Europäischen Union). Disponível em: <http://www.goethe.de/lhr/prj/prd/upd/deindex.htm>. Acesso em 25 abr. 2009.

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essa atividade curricular, de caráter compulsório, potencialize a aprendizagem de todas as outras disciplinas em LE.5

A disciplina língua estrangeira instrumental contribui para o desenvolvimento de uma habilidade central no âmbito acadêmico – a capacidade leitora –, e será cursada pelos alunos em uma LE diferente daquela de sua habilitação. Não se pode ignorar que saber ler em mais de uma LE é fundamental para os estudos universitários, visto que parte da bibliografia que os estudantes deverão consultar pode ser constituída de livros que ainda não foram traduzidos para o português (basta lembrar os exames de seleção para cursos de mestrado e doutorado). Ademais, poder ter acesso a textos que veiculam outras visões de mundo e outras culturas favorece a compreensão da própria realidade e, por conseguinte, concorre para a formação da cidadania.

Para os alunos que, ao entrarem no curso, já têm conhecimento da LE, essa atividade poderá funcionar como uma experiência de espelhamento: tendo refletido sobre seu processo de aprendizagem, o futuro professor de LE poderá levar seus próprios alunos a refletir sobre suas experiências e seus estilos de aprendizagem.

3.1.2.2 Saberes sobre a língua

Os saberes sobre a língua incluem os conhecimentos metalinguísticos relacionados à fonética e à fonologia, à morfossintaxe, à semântica, à pragmática da LE estudada e às literaturas e demais aspectos culturais expressos em cada uma das LE. Acredita-se que, ao se refletir sobre a língua e seu funcionamento, uma certa dose de ecletismo teórico é positiva, podendo conduzir a resultados bastante satisfatórios. Nas atividades que compõem esse eixo, serão fornecidos ao aluno instrumentos heurísticos que lhe permitam observar, descrever, analisar e compreender a organização e o funcionamento da língua a que é exposto. Entende-se por instrumentos heurísticos noções, conceitos e princípios sobre a língua que podem facilitar a descoberta, a compreensão e o conhecimento da organização e do funcionamento linguístico-discursivo.

As atividades curriculares que compõem este eixo são ministradas em LE e em português. Espera-se que o trabalho de reflexão sobre a língua possa resultar na produção de conhecimento, por meio da participação em projetos de pesquisa e da apresentação de resultados em eventos científicos.

3.1.2.3 Prática profissional

O eixo da prática profissional diz respeito às atividades cuja finalidade é fornecer ao aluno as ferramentas necessárias para exercer com sucesso o magistério. Para ser professor de LE, não basta saber usar a língua em diferentes eventos interlocutivos, tampouco basta ser

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Uma experiência inspiradora a respeito da importância da reflexão sobre a aprendizagem de línguas estrangeiras é descrita porEsch (1997).

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capaz de descrever e explicar o funcionamento da língua em suas diferentes dimensões (fonético-fonológica, morfossintática, semântico-pragmática, textual-discursiva) à luz de teorias linguísticas. É necessário também saber favorecer a aprendizagem, estimular/motivar o aluno a aprender, a querer aprender, a aprender a aprender, enfim, é fundamental adequar o diálogo pedagógico às necessidades e às peculiaridades dos alunos.

Incluem-se nesse eixo três tipos de atividades: (i) atividades relacionadas ao “aprender a ensinar a LE”, por meio das quais os alunos são levados a refletir sobre diversas questões relativas ao processo de ensino-aprendizagem; (ii) atividades relacionadas ao sistema educacional brasileiro e aos estágios supervisionados, que serão realizados em instituições parceiras da UFPA; (iii) atividades relacionadas ao aprender a pesquisar e a aplicar métodos e técnicas adequados à atuação profissional. Ressalte-se que disciplinas fundamentais ao ensino-aprendizagem oferecidas por outros institutos da UFPA também compõem a grade curricular, de modo a garantir ao licenciando um solo firme onde ele possa construir a sua prática profissional.

Enfim, com as atividades propostas neste eixo, pretende-se que os futuros professores desenvolvam competências e habilidades que lhes permitam construir, nas interações em sala de aula, uma prática reflexiva de ensino-aprendizagem, com ênfase nos procedimentos de observação e reflexão, e atuar com eficácia em diferentes situações de seu cotidiano profissional.

Ressalte-se ainda, que a participação em projetos de pesquisa no domínio do ensino-aprendizagem de LE, a frequência a minicursos, a participação em eventos acadêmico-científicos na área (seminários, encontros, congressos) serão considerados atividades complementares.

3.1.3 Princípios legais

O PP-FALEM segue o que dispõem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Projeto Político Pedagógico e o Plano Nacional de Educação (PNE). No âmbito da Instituição, está de acordo com o Estatuto da UFPA, com seu Regimento Geral e com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Segue também as Diretrizes Curriculares para Graduação, instituídas pela Resolução n.º 3.186/CONSEPE, de 28 de junho de 2004, e o Regulamento do Ensino de Graduação, aprovado pela Resolução n.º 3.633/CONSEPE, de 18 de fevereiro de 2008, atendendo, portanto, à necessidade de adequar a graduação às disposições da legislação vigente.

O Curso de Letras da UFPA, reconhecido pelo Decreto 35456/54, confere aos estudantes o título de Licenciado em Letras nas habilitações em alemão, francês, inglês e/ou português. A habilitação em espanhol foi aprovada na UFPA por meio da Resolução no. 2.777 de 9/2/2001 e foi autorizada na UFPA por meio da Resolução 3.541/2007.

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A seguir, são apresentados os objetivos do curso, o perfil dos licenciados em cada uma das LE e as possíveis áreas de atuação desses profissionais os objetivos do curso. Também é apresentado o currículo pleno do curso e são sistematizados os procedimentos de avaliação do Projeto.

3.2 OBJETIVO DO CURSO

O objetivo do Curso de Letras é formar educadores competentes em cada uma das línguas e culturas estrangeiras das habilitações oferecidas, capazes de assumir um posicionamento crítico e reflexivo que os leve a estabelecer relações dialógicas no âmbito de sua comunidade e além dela.

3.3 PERFIL DO PROFISSIONAL DE LE

O aluno que ingressa nos cursos de Letras Licenciatura em Línguas Estrangeiras apresenta um perfil extremamente diversificado: há alunos já proficientes na língua estrangeira na qual pretendem se licenciar; há aqueles que têm um nível de língua que lhes permite saltar os níveis iniciais; há ainda alunos que tiveram pouco ou nenhum contato com a língua, tendo apenas o conhecimento necessário para serem aprovados no exame de ingresso à universidade. Não é raro o caso do aluno que faz opção por uma LE no curso de licenciatura tendo optado por outra língua nesse exame.

É necessário, portanto, oferecer condições para que os alunos que pouco conhecem a LE alcancem rapidamente o nível linguístico desejado para que possam ter um melhor aproveitamento na habilitação escolhida. Para alcançar esse objetivo, foi criada uma base de aceleração da aprendizagem, a Base de Apoio à Aprendizagem Autônoma (BA3),6

A FALEM possui atualmente cerca de 600 alunos cursando os quatro anos (turno matutino) ou cinco anos (turno da noite) da licenciatura. Esse número é composto pelos alunos que entram regularmente, via Processo Seletivo Seriado (PSS), 131 por ano, e por aqueles que, por diversas razões, demoram mais do que o tempo regular para completar o curso.

na qual cada aluno pode, de acordo com seu ritmo pessoal, desenvolver as competências e as habilidades necessárias para obter um bom desempenho em sala de aula. Há ainda a possibilidade de o aluno frequentar, sem ônus, os níveis que necessitar dos Cursos Livres de Línguas Estrangeiras (CLLE) da UFPA, mediante solicitação à Coordenação dos CLLE.

Para melhor conhecer o perfil dos alunos da FALEM, passou-se a aplicar, a partir de 2008, a todos os calouros um questionário, cujos resultados são tabulados pelas chefias de

6

A Base de Apoio à Aprendizagem Autônoma (BA3), que funcionou, de 2004 a 2008, no âmbito do projeto de pesquisa e ensino “Caminhos da Autonomia na Aprendizagem de Línguas Estrangeiras”, criou alternativas para levar o aluno a desenvolver competência nas LE. Maiores detalhes estão disponíveis em <http://ufpa/cla/caale>. A partir de maio de 2008, a BA3 passou a ser uma das ações apoiadas pelo PROINT 2008-2009.

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Câmaras de cada língua. Os primeiros resultados mostram que algumas das crenças existentes a respeito das razões da escolha dos alunos pelo Curso de Letras (fácil entrada ou forma de poder ter acesso à mobilidade acadêmica interna) não correspondem totalmente à realidade.

3.3.1 Perfil do aluno ingressante

O perfil do aluno ingressante na FALEM aqui expresso foi levantado por meio de questionários preenchidos pelos calouros de alemão, francês e inglês em 2008 e 2009. Os alunos de espanhol e de inglês matutino apenas preencheram o questionário em 2009. Esse levantamento pode servir de base para ações a serem tomadas pela FALEM. A análise das respostas aos questionários revelou o seguinte:

ALUNOS DE ALEMÃO DADOS GERAIS

 Sexo: há equilíbrio entre os sexos masculino e feminino.

 Estado civil: a maioria é solteira (em 2009, apenas 15% dos alunos declararam ser casados).

 Faixa etária, os alunos, de modo geral, têm entre 18 e 39 anos.

 Estudos em “curso pré-vestibular” para ingresso na universidade: dois terços (66,67%) dos calouros de 2008 estudaram em “curso pré-vestibular” antes de entrar na universidade; em 2009, apenas a metade dos alunos o fez.  Outro curso superior: mais de dois terços dos alunos de 2008 declararam ter

frequentado outro curso superior; em 2009, essa proporção caiu para a metade, sendo que apenas 20% concluíram o outro curso.

SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA

 Em 2008, dois terços dos alunos declararam trabalhar; em 2009, 70% disseram não trabalhar, sendo que, dentre eles, 25% informaram dedicar parte de sua renda para a família e apenas 5% disseram sustentar sozinhos a família.

 A renda familiar dos alunos oscila de R$1.200,00 (um terço dos calouros em 2008 e a metade em 2009) a R$3.000,00; 15% dos alunos de 2009 afirmaram possuir renda familiar acima de R$3.000,00.

 Em 2008, menos de um terço dos calouros revelaram ter plano de saúde, percentual que subiu para 40%, em 2009.

 Em 2008, dois terços dos alunos ingressantes disseram ter computador em casa, percentual que subiu para 80% em 2009 (embora em 2008 todos tivessem acesso à Internet e, em 2009, apenas 60% dos alunos tivessem esse acesso).

 Em ambos os anos, a maioria dos alunos declarou usar o ônibus como meio de transporte para ir à UFPA.

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 A maioria dos alunos declarou não praticar esportes (em 2008, apenas um quinto dos alunos informou praticar algum esporte, parcela que subiu para quase a metade em 2009).

 Quase a totalidade afirmou gostar de ler e ter lido “um livro nos últimos três meses”.

 Quase todos gostam de cinema (menos de 10% relatou não gostar).

 Em 2008, todos relataram ter o hábito de viajar (a metade regularmente e a outra metade de vez em quando); em 2009, apenas a metade dos alunos disseram que viajam de vez em quando.

ESTUDOS EM LE

 Em 2008, a metade dos alunos afirmou nunca ter estudado uma LE; em 2009, essa parcela subiu para dois terços dos calouros.

 Em 2008, metade dos ingressantes afirmou já ter acessado a internet como recurso de aprendizagem, parcela que subiu para dois terços em 2009.  Saber traduzir, saber vocabulário, saber gramática e saber pronunciar as

palavras, saber morfologia, sintaxe, expressões idiomáticas, conhecer a cultura dos povos que falam essa língua foram as respostas dadas pelos alunos à pergunta “o que aluno precisa saber para dizer que domina uma língua estrangeira?”.

 Em 2008, a maioria dos alunos disse estar consciente de que precisa dedicar algum tempo fora da sala de aula para aprender LE e propôs-se a dedicar pelo menos uma hora diária a essa tarefa; em 2009, 50% declararam que é preciso de uma a três horas diárias de estudo.

 Em 2008, todos os calouros disseram estar no curso porque desejam ser bons professores de alemão e 10% disseram ter interesse em fazer mestrado após a graduação; em 2009, 70% dos alunos declararam ter interesse em se tornarem bons professores, o interesse pelo mestrado se manteve (10%), e 20% dos alunos declarou ter outros interesses.

ALUNOS DE ESPANHOL DADOS GERAIS:

 Sexo: há equilíbrio entre os sexos feminino e masculino;

 Estado civil: a maioria é composta por solteiros; um aluno declarou ser divorciado;

 Faixa etária: os calouros, de modo geral, têm entre 20 e 38 anos;

 Estudos em “curso pré-vestibular” para ingresso na universidade: um terço (33,33%) dos ingressantes declararam ter feito estudos em curso pré-vestibular.

 Outro curso superior: apenas um aluno, dos que ingressaram nesses dois anos, fez outro curso superior; dois declararam ter começado outro curso, mas acabaram por abandoná-lo.

SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA

 Um terço dos alunos disse trabalhar e contribuir total ou parcialmente para o sustento da família.

 A renda familiar oscila entre R$1.200,00 e R$3.000,00.

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 Um terço dos alunos declarou ter computador na residência, com acesso à internet.

 Apenas um aluno revelou ter plano de saúde. GOSTOS E HÁBITOS

 A metade dos alunos declarou praticar alguma atividade física.

 Todos declararam gostar de ler e ter lido algum livro “nos últimos três meses”.

 Todos disseram gostar de cinema, mas raramente frequentam as salas de exibição.

 Há distribuição equitativa entre os alunos que viajam, aqueles que viajam raramente e aqueles que nunca o fazem.

ESTUDOS EM LE

 Há um equilíbrio entre os que já estudaram e os que não estudaram uma LE antes; a experiência com a LE foi proveitosa para a maioria dos que tiveram contato com outra língua, motivo que levou muitos deles a optarem pelo curso de graduação.

 A maioria dos alunos afirmou já ter acessado a internet como recurso de aprendizagem.

 Há um equilíbrio numérico entre os alunos que declararam ter escolhido a habilitação em Espanhol pelo interesse em fazer da LE um meio de vida e um meio de acesso às outras culturas; há também um equilíbrio entre os que declararam ter escolhido a FALEM com intenção de estudar em uma instituição pública e por terem concluído que o curso correspondia às suas expectativas; um aluno apenas declarou não saber bem que curso escolher e optou pelo que parecia mais fácil.

 Estratégias necessárias para aprendizagem de uma LE: ler muito, conversar com os colegas, ouvir música, assistir vídeos e filmes.

 A disponibilidade de tempo de estudo fora da UFPA reside, para os alunos, entre 2 e 5 horas e a maioria deles é consciente de que precisa estudar fora da sala de aula para dominar uma LE.

 Todos os alunos declararam sua vontade de ser professores de espanhol dentro de 4 ou 5 anos, aproveitando nessa atividade todo o conhecimento adquirido durante o curso de graduação.

ALUNOS DE FRANCÊS DADOS GERAIS

 Sexo: dois terços dos alunos que ingressaram em 2008 e 2009 pertencem ao sexo feminino.

 Estado civil: dos alunos de 2008, apenas 10% são casados. Esse percentual subiu para 25%, em 2009 (cerca de 20% dos calouros de ambos os anos têm filhos).

 Faixa etária: os alunos, de modo geral, situam-se entre 19 e 39 anos (17% dos alunos de 2008 já passavam dos trinta anos, percentual que subiu para 28%, em 2009).

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 Estudos em “curso pré-vestibular” para ingresso na universidade: em 2008, 80% dos ingressantes estudaram em curso pré-vestibular, percentual que subiu para 90%, em 2009.

 Outro curso superior: em 2008, 18% dos alunos que ingressaram na FALEM já tinham outro curso superior, esse percentual manteve-se em 2009.

SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA

 A maioria frequentou a escola pública (65% em 2009).

 Em 2008, menos da metade dos calouros disse trabalhar (profissões diversas) e apenas três declararam-se professores; em 2009, 32% disseram que trabalhavam em profissões diversas e também três alunos são professores.

 Em 2008, os calouros declararam ter renda familiar de até R$2.000,00; em 2009, o percentual de alunos que disseram ter essa renda familiar caiu para 57%; em 2008 apenas 14% afirmou que a família dependia, em parte, de seu salário; em 2009, esse percentual caiu para 7%.

 Em 2008, todos (com exceção de um aluno) disseram usar o ônibus como meio de transporte para ir à UFPA; em 2009, 78% também declararam usar o ônibus e 10%, o carro.

 Em 2008, dois terços declararam ter computador em casa (mas metade destes disse não ter ainda acesso à internet em casa); em 2009, o percentual dos que têm computador subiu para 81% (embora 14% deles não tivessem acesso à internet em suas residências).

 Cerca da metade dos alunos tem plano de saúde. GOSTOS E HÁBITOS

 Em 2008, apenas 17% declararam praticar esporte, percentual que subiu para 32% em 2009.

 O tempo livre é empregado sobretudo com a leitura: 91% dos alunos declaram gostar de ler; entre os livros que citam constam livros de auto-ajuda, romances, poemas, livros religiosos; vários alunos mencionaram os clássicos.

 Todos dizem gostar de cinema, mas apenas um quarto, em 2008, e a metade, em 2009, frequentam sempre as salas de exibição.

 A metade viaja de vez em quando, principalmente para as cidades no interior do Pará.

ESTUDOS EM LE

 Em 2008, 80% dos alunos afirmam já ter estudado inglês ou espanhol, percentual que subiu para 90%, em 2009; em 2009, 8% declararam já ter estudado francês antes.

 Em 2008, mais da metade afirmou já ter acessado a internet como recurso de aprendizagem, percentual que subiu para mais de 80%, em 2009.

 Razão da escolha do curso de Letras: quase a metade deles, nos dois anos do levantamento, disse ter-se informado e chegado à conclusão de que o curso correspondia as suas expectativas; também nos dois anos – 2008 e 2009 – 17% disseram sempre ter desejado fazer Letras na UFPA; em 2008, apenas dois alunos disseram que, como não sabiam muito bem o que fazer, optaram pelo curso que lhes parecia ser de mais fácil acesso; nos dois anos do levantamento, dois alunos declararam ter escolhido Letras apenas para entrar na UFPA e poder posteriormente submeter-se ao processo de

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mobilidade acadêmica interna para ingressar em outro curso; em 2009, 14% dos alunos relataram ter sempre querido estudar em uma instituição pública, e 10% referiram querer cursar pós-graduação no exterior.

 Um quinto dos alunos considera ter talento para aprender uma LE e cerca de metade pretende trabalhar com a língua francesa, embora apenas um quarto pretenda ser professor.

 Estratégias necessárias para aprendizagem de uma LE: repetir os diálogos do livro em voz alta, ouvir músicas em LE, escrever, estudar verbos e gramática, ler, fazer listas de vocabulário, conversar com os colegas, assistir a vídeos e filmes; a maioria mencionou também a necessidade de se ter uma boa pronúncia para falar bem a LE.

 Em 2008, apenas um aluno disse não ter tempo para dedicar-se aos estudos fora da universidade; em 2009, 72% dos alunos afirmaram ter entre uma e três horas para estudar, enquanto que 28% disseram ter mais de três horas diárias para esse fim.

 Em 2008, cerca de um quinto dos calouros não se veem no futuro como professores; três alunos mostraram desejo de cursar uma pós-graduação; em 2009, 68% dos alunos desejam trabalhar como professores, no futuro.

ALUNOS DE INGLÊS DADOS GERAIS

 Sexo: dois terços dos calouros de 2008 são do sexo feminino; 60% dos de 2009 são mulheres.

 Estado civil: a maioria é solteira (em 2008, apenas um aluno disse ser casado; em 2009, somente 10% deles são casados).

 Faixa etária: as alunas de 2008 disseram ter entre 18 e 43 anos, e as de 2009, entre 18 e 31 anos; os alunos dos dois anos revelaram ter entre 18 e 31 anos.

 Estudos em “curso pré-vestibular” para ingresso na universidade: em 2008, apenas calouros três não frequentaram um curso pré-vestibular; em 2009, 83% deles disseram ter frequentado um curso.

 Outro curso superior, um terço dos alunos (nos dois anos) disse ter cursado outro curso superior, mas, dos calouros de 2008, nenhum concluiu o curso; em 2009, apenas 5 alunos não concluíram.

SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA

 Tanto em 2008, quanto em 2009, um terço dos alunos declarou trabalhar. Dos alunos que ingressaram em 2008, apenas metade disse contribuir parcialmente para as despesas da casa; dos de 2009, apenas um disse sustentar parcialmente a família.

 Em 2008, a maioria dos calouros declarou receber R$2.000,00 e, apenas dois, ganhar R$3.000,00, e outros dois, ultrapassar esse valor; em 2009, 60% dos alunos disseram ter renda familiar de até R$1.200,00, 26% dos alunos, de até R$2.000,00 e 13%, de até R$3.000,00.

 Tanto em 2008, quanto em 2009, todos os calouros (com a exceção de apenas um) revelaram usar o ônibus como meio de transporte para ir à universidade.

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 Em 2008, dois terços dos alunos disseram ter computador em casa, mas apenas dez com acesso à internet em casa; em 2009, 73% dos alunos declararam ter computador em casa, mas apenas 60% com acesso à internet.

 Em 2008, a metade declarou ter plano de saúde, parcela que caiu para 33%, em 2009.

GOSTOS E HÁBITOS:

 Em 2008, apenas quatro alunos declararam praticar esporte; em 2009, 30% dos alunos disseram fazê-lo.

 Nos dois anos do levantamento, todos afirmaram gostar de ler; em 2008, com exceção de dois alunos, todos leram “algum livro nos últimos três meses”; em 2009, 70% dos alunos leram “algum livro nos últimos três meses”.

 A grande maioria (todos em 2008 e 87% em 2009) gosta de cinema, mas, em 2008, apenas três disseram frequentar habitualmente salas de exibição; em 2009, 54% dos alunos informaram ir ao cinema de vez em quando.

 Em 2008, 60% relataram ter o hábito de viajar; em 2009, todos relataram que viajam, sendo que a maioria (56%) o faz raramente.

ESTUDOS EM LE

 Nos dois anos do levantamento, grande parte dos alunos (perto de 80%, em 2008, e 70%, em 2009) relatou já ter tido uma experiência positiva de aprendizagem em cursos livres de inglês e já ter empregado a internet como recurso de aprendizagem de LE.

 Razão da escolha do curso de Letras: a maioria disse que, já tendo a intenção de estudar em uma instituição pública, procurou informar-se a respeito dos cursos oferecidos pela UFPA e chegou à conclusão de que os cursos da FALEM corresponderiam as suas expectativas.

 Em 2008, mais da metade disse querer ser professor, seis disseram do desejo de trabalhar com inglês em outras profissões, sete, de prosseguir seus estudos universitários em países de língua inglesa; em 2009, 40% dos alunos mostraram a vontade de ser professores de inglês, e 26%, de trabalhar com inglês em outras profissões.

 Em 2008, as estratégias necessárias para aprendizagem de uma LE mais mencionadas foram: ler, repetir os diálogos do livro em voz alta, usar a internet, estudar em casa; em 2009, foram: ler em inglês, conversar com os colegas, ouvir música, assistir a vídeos e filmes.

 Em 2009, os alunos disseram estar conscientes da necessidade de dedicar tempo fora da sala de aula para o estudo do idioma, no mínimo, duas horas diárias.

 Em 2009, os alunos responderam que anteveem um futuro trabalhando com a língua inglesa, estando plenamente capacitados para tal, seja na profissão de professor, seja em outras profissões que demandem o conhecimento do idioma; alguns relataram ainda que gostariam de prosseguir seus estudos em cursos de especialização, mestrado e doutorado.

Com base na análise desses dados, a FALEM poderá planejar ações específicas visando alcançar o perfil ideal do aluno que conclui as habilitações em LE.

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3.3.2 Perfil do egresso

Após ter cumprido o percurso acadêmico proposto por este PP, o licenciado em Letras LE deverá:

 comprometer-se com os valores da sociedade democrática;

 desenvolver uma prática educativa que leve em conta as características dos alunos, de seu meio social e sua relação com o mundo contemporâneo; estabelecer laços de parceria e colaboração com seus pares de forma a envolvê-los na construção e na valorização dos conhecimentos, demonstrando, assim, compreensão do papel social da escola;

 conhecer não apenas os conteúdos específicos de LE, relacionados às etapas da educação básica para as quais se preparou, mas também aqueles relacionados a uma compreensão mais ampla de questões culturais, sociais, econômicas e de questões referentes à docência, levando em conta uma articulação interdisciplinar;

 recorrer a estratégias diversificadas para formular propostas de intervenção pedagógica ajustadas ao nível e às possibilidades dos alunos, aos objetivos das atividades propostas e às características dos conteúdos próprios às etapas da educação básica para as quais se preparou;

 compreender a pesquisa como um processo que possibilita a elaboração de conhecimento, o aperfeiçoamento da prática pedagógica e a construção de conhecimento em conjunto com seus pares;

 ser um profissional linguageiramente competente,7

 gerenciar o próprio desenvolvimento profissional tanto por meio de formação contínua, quanto pela utilização de diferentes fontes e veículos de informação;

com visão crítica e conhecimento teórico-prático aprofundado sobre a língua estrangeira de sua opção;

 saber criar oportunidades de trabalho em sua área de atuação e condições favoráveis para o bom desempenho de sua profissão.

3.4 ÁREAS DE ATUAÇÃO

A seguir são enumeradas as atividades que podem ser desenvolvidas pelo licenciado em Letras – alemão, espanhol, francês ou inglês.8

7

No âmbito deste projeto, ser linguageiramente competente significa: (i) ser proficiente em LE nas modalidades oral e escrita; (ii) ter conhecimento das características mais marcantes da cultura das comunidades que falam essa LE, incluindo as regras de utilização dessa língua em diferentes contextos sociais.

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3.4.1 Ensino

 professor de alemão, espanhol, francês ou inglês no sistema de ensino das redes pública e particular;

 professor de alemão, espanhol, francês ou inglês em centros e institutos de idiomas;  professor de alemão, espanhol, francês ou inglês em empresas públicas ou privadas;  professor particular de alemão, espanhol, francês ou inglês.

3.4.2 Outras

 assessor bilíngue (alemão, espanhol, francês ou inglês) em órgãos ou empresas públicas ou privadas que mantenham intercâmbio (educacional, científico, comercial e/ou cultural) com o exterior;

 assessor bilíngue (alemão, espanhol, francês ou inglês) em centros de documentação, editoras etc.;

 editor e revisor de textos em alemão, espanhol, francês ou inglês.

Com base nos dados compilados sobre os alunos que ingressam nos cursos da FALEM e tendo em vista o perfil desejado do egresso dessa faculdade, desenhou-se o percurso acadêmico do discente no curso.

8

É preciso ressaltar que, embora o campo de trabalho seja o mesmo, as competências e habilidades requeridas são intrinsecamente particulares a cada língua estrangeira (Cf. Artigo 62, § 2.º do Regulamento do Ensino de Graduação).

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4 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DO CURSO

Nesta seção serão delineadas a estrutura e a organização de funcionamento do Curso.

4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Curso de Letras – alemão, espanhol, francês e inglês – está organizado em regime seriado modular com a carga horária distribuída, de acordo com o turno, se matutino ou noturno, nos quatro períodos previstos pelo calendário acadêmico da UFPA.

Como já mencionado anteriormente, três grandes eixos orientam a distribuição das habilidades e competências a serem desenvolvidas por um licenciado em LE: (i) o eixo do uso da língua, que comporta os saberes linguageiros; (ii) o eixo da reflexão sobre a língua, que comporta os saberes metalinguageiros e culturais; (iii) o eixo da prática profissional, que engloba os saberes necessários para ensinar LE. Esses três eixos articulam-se com equilíbrio e harmonia nos diferentes módulos do curso.

A inter-relação com as políticas de extensão e de pesquisa depende de projetos específicos que estão sendo desenhados de acordo com as necessidades atuais do curso. Não se concebe, neste projeto pedagógico, o ensino, a pesquisa e a extensão como instâncias isoladas. Durante a realização das disciplinas, o aluno poderá identificar maneiras de atuar na sociedade à qual pertence, vislumbrar temas de pesquisa e executar partes de um projeto de pesquisa. O imbricamento entre ensino, pesquisa e extensão é fundamental para a formação do profissional em Letras.

O conteúdo programático, as habilidades e os saberes a serem desenvolvidos no âmbito das diferentes disciplinas e atividades previstas no curso serão contemplados de diferentes maneiras. O bloco inicial prevê uma série de disciplinas e atividades articuladas, sob a responsabilidade de diferentes professores. Esse bloco tem como principal objetivo construir a base do conhecimento linguageiro do aluno, além de levá-lo a aprender LE. Os demais blocos abrigam disciplinas e atividades curriculares em sequência lógica, na medida do possível articuladas entre si, nas quais o conhecimento será paulatinamente construído.

O processo seletivo de acesso aos cursos de Licenciatura em Letras – alemão, espanhol, francês ou inglês – seguirá as normas estabelecidas por órgão competente da UFPA publicadas anualmente em edital específico. Não é possível frequentar duas habilitações ao mesmo tempo. Conforme o artigo 48 do Regulamento do Ensino de Graduação, a possibilidade de cursar uma segunda e até mesmo uma terceira habilitação poderá ocorrer mediante o

(26)

processo de mobilidade interna vigente na UFPA.9

A oferta das diferentes habilitações é planejada anualmente e informada à PROEG, com o número de vagas distribuídas segundo a tabela abaixo.

Caso seja aprovado, o aluno poderá creditar as disciplinas comuns às duas habilitações.

TABELA 1

Número de vagas por habilitações e turnos LÍNGUA NÚMERO DE VAGAS TURNO

Alemão 26 matutino

Espanhol 26 noturno

Francês 26 matutino

Inglês 26 matutino

Inglês 26 noturno

Os cursos diurnos (alemão, francês e inglês) têm suas atividades previstas preferencialmente para os períodos extensivos – 2º período, de março a junho, e 4º período, de agosto a dezembro de cada ano. Algumas das atividades poderão ser programadas, em caráter intensivo, nos 1º e 3º períodos. As atividades dos períodos extensivos foram programadas para cobrir dezessete semanas.

O Curso de Letras é oferecido na modalidade presencial, no entanto, é possível ofertar-se parte dos conteúdos programáticos na modalidade a distância, conforme a legislação vigente. A carga horária mínima para o curso é de 2.800 horas e este PP prevê 3.268 horas para a licenciatura em Alemão, 3.132 horas para a licenciatura em Espanhol, 3.302 horas para a licenciatura em Francês e 3.234 horas para a licenciatura em Inglês.

O curso matutino tem a duração de quatro anos, e o noturno, de quatro anos e meio. Tal diferença justifica-se pelo fato de o curso noturno ter uma carga horária de aulas inferior à do matutino, de acordo com os horários estabelecidos pela UFPA.

Os alunos que concluírem o curso receberão o grau de licenciados na LE de sua opção, podendo exercer o cargo de professor de alemão, espanhol, francês ou inglês em todo o território nacional.

A vida acadêmica do aluno – inclusive no que diz respeito às disciplinas em dependência – é regida pelo Regulamento do Ensino de Graduação, aprovado pela Resolução n.º 3.633, de 18 de fevereiro de 2008.

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Atualmente o aluno devesubmeter-se ao processo seletivo ou ao processo de mobilidade acadêmica para alunos já graduados.

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4.2 PRINCÍPIOS CURRICULARES

Serão realizadas atividades que integram contribuições de diferentes áreas do conhecimento, suscetíveis de trazer melhorias para o processo de ensino-aprendizagem, entre elas: práticas investigativas assistidas, monitoria, estudo individual e coletivo em todos os espaços de aprendizagem disponíveis (salas de aula, laboratórios, campos de estágio e prática profissional), participação em eventos culturais e científicos, intercâmbio institucional, iniciação científica, mecanismos de disseminação do conhecimento, mecanismos de nivelamento e programa de treinamento profissional.

Serão observados os seguintes princípios curriculares:

• flexibilidade: as Câmaras deverão prever orientação acadêmica para guiar os alunos em suas escolhas acadêmicas, de acordo com o percurso que desejarem seguir;

• interdisciplinaridade: as atividades articularão conceitos de diversas áreas de estudo, buscando relacionar interesses recíprocos e mútuos dos interessados. (FAZENDA, 1993);

• trabalho como princípio educativo: as atividades desenvolvidas deverão contribuir para a construção conjunta de conhecimento e para a articulação entre teoria e prática;

• pesquisa como princípio educativo: as atividades de pesquisa deverão levar ao autoconhecimento e à construção de novos saberes que serão compartilhados com a comunidade;

• prática como eixo articulador do currículo: será fundamental a articulação entre teoria e prática de maneira a oferecer ao aluno o embasamento ético, técnico e político-social para o exercício de seu trabalho (SOUSA,2004);

• particularidades e identidades entre disciplinas ofertadas: as atividades ofertadas concomitantemente devem obedecer a um princípio de complementaridade entre os diferentes saberes;

• possibilidade de os alunos avançarem na grade curricular, conforme artigo 37, seção 1, cap.II, do Regulamento do Ensino de Graduação da UFPA: alunos aprovados em exames de proficiência em LE (exame aplicado pela FALEM e exames internacionais reconhecidos)10

10

Aqui serão levados em consideração os exames em nível universitário explicitados em resolução específica para esse fim emitida pelo órgão colegiado da FALEM.

e alunos que tiverem tempo disponível para frequentar um número maior de disciplinas poderão avançar em seus estudos. Para isso, será necessário haver disponibilidade de vaga nas disciplinas que desejarem cursar e a apresentação de parecer favorável de um professor da FALEM. Os critérios para a emissão do parecer serão oportunamente estabelecidos em resolução a ser criada para esse fim.

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4.3 ESTRUTURA CURRICULAR

A estrutura curricular proposta baseou-se nas leis, pareceres e demais documentos que regem o funcionamento dos cursos de Letras. O setor de apoio à elaboração de projetos pedagógicos da Pró-Reitoria de Graduação da UFPA assessorou a equipe elaboradora nesse aspecto. Esses documentos legais preveem, no mínimo, 2800 horas, das quais 400 horas devem destinar-se ao estágio supervisionado, 280 às atividades de extensão e 200 horas às atividades complementares.

4.3.1 Pressupostos curriculares

Os pressupostos curriculares desta proposta de curso procuram atender às determinações do conjunto de medidas do MEC e do CNE que, a partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 9394 (Congresso Nacional, 1996), regulamentou as diretrizes curriculares para a formação de professores (Parecer CNE/CP n.º 009/2000, Resolução CNE/CP n.º 01/2002 e da Resolução CNE/CP n.º 02/2002). Vale ressaltar que muitos aspectos do discurso oficial contido nesses documentos estiveram inicialmente em outros espaços e foram inspirados em pesquisas que, por sua vez, foram trazidas por movimentos sociais organizados, em especial, pela Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE) e daí migraram para os documentos oficiais.

• Indissociabilidade entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Esse pressuposto é uma síntese dos demais. Ao se pretender que as atividades de ensino na graduação articulem-se com as atividades de pesquisa e extensão, pretende-se, igualmente, que o processo de formação de professores vença a dissociação entre teoria e prática e supere o distanciamento entre os cursos de formação de professores e as instituições de ensino. No campo curricular, esse pressuposto diz respeito ao tratamento inadequado reservado à pesquisa na formação do futuro professor. A crítica recai tanto sobre o tratamento excessivamente acadêmico dado à pesquisa em algumas instituições, quanto sobre a ausência da prática da pesquisa em outras. Nesta proposta de curso, a adoção desse pressuposto curricular visa à valorização da pesquisa sistemática, bem como a dimensão investigativa da atuação profissional (DEMO, 2005; LIBERALI, 2002; ORTENZI, 2002, entre outros).

• Articulação entre teoria e prática. No campo curricular, esse pressuposto procura vencer a dissociação entre teoria e prática já referida que tem marcado os cursos de formação de professores, superando, pois, as duas visões que têm polarizado os currículos desses cursos: a visão aplicacionista, em que há uma supervalorização dos conhecimentos teóricos em detrimento das práticas profissionais como fontes de conteúdos da formação; a visão ativista, em que há uma supervalorização das práticas profissionais em detrimento da dimensão teórica dos conhecimentos como fontes de compreensão dos contextos e análise

Referências

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