DIREITO
DO
TRABALH
O
DIREITO DO TRABALHO
É o Ramo da Ciência Jurídica que
regula a relação de emprego
(trabalho subordinado típico) e as
situações conexas (domésticos,
avulsos, temporários e pequenos
empreiteiros), bem como a
aplicação das medidas de proteção
ao trabalhador.
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO
TRABLAHO
a)
Princípio da proteção: “in dúbio pro
operário”, princípio da condição mais
benéfica, princípio da aplicação da norma
mais favorável
b)
Princípio da Irrenunciabilidade dos direitos
trabalhistas;
c)
Princípio da primazia da realidade;
d)
Princípio da continuidade da relação
empregatícia;
Sujeitos do Contrato de Trabalho- Empregado (art. 3º CLT) e Empregador (art. 2º CLT).
NOÇÕES DE EMPREGADO:
Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa
física que prestar serviços de natureza não
eventual a empregador, sob a dependência
deste e mediante salário.
Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à
espécie de emprego e à condição de
trabalhador, nem entre o trabalho intelectual,
técnico e manual.
ATENÇÃO: A doutrina e jurisprudência tem o
entendimento hoje de que são 5 requisitos, e
não mais 4 (requisitos cumulativos)
.
Trabalho por pessoa física;
Pessoalidade: o contrato de trabalho é infungível
com relação à figura do empregado. Intuito Persone.
Onerosidade:
Subordinação: a subordinação do art. 3º é a
subordinação jurídica, ou seja, é a necessidade ou
obrigatoriedade do empregado seguir as ordens ou
determinações do empregador.
CAPACIDADE PARA SER EMPREGADO
Quanto à idade mínima para ser empregado, segundo a CF, temos o seguinte:
É absolutamente incapaz para o trabalho o menor de 16 anos, salvo a idade mínima de 14 na condição de aprendiz.
Dos 16 aos 18 anos poderá ser empregado com autorização do responsável legal, esta podendo configurar-se com a própria autorização manifestada para que ele obtivesse carteira de trabalho.
CLT- Art. 439 - É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos
salários. Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao menor de 18 (dezoito) anos dar, sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo
recebimento da indenização que lhe for devida.
.
NOÇÕES DE EMPREGADOR – art. 2º CLT
É a pessoa física ou jurídica que assume os
riscos da atividade econômica, admite,
dirige e assalaria a prestação pessoal de
serviços. A família e a massa falida
podem assumir as condições de
Sucessão de empregadores: art. 10 e
448 da CLT
Art. 10 - Qualquer alteração na
estrutura jurídica da empresa não
afetará os direitos adquiridos por seus
empregados.
Art. 448 - A mudança na propriedade
ou na estrutura jurídica da empresa
não afetará os contratos de trabalho
CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO
Acordo de vontades, tácito ou expresso, pelo qual uma pessoa física coloca seus serviços à disposição de outro,
e presta seus serviços na forma do art. 3º da CLT.
O contrato de trabalho é informal, expresso (escrito ou verbal) ou tácito.
Prazo: presunção de ter sido firmado por prazo indeterminado.
.
Art. 442 - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego.
Parágrafo único - Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. (Incluído pela Lei nº 8.949, de
9.12.1994)
Art. 443 - O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou
indeterminado.
§ 1º - Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou
ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. (Parágrafo único renumerado pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)
§ 2º - O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)
a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)
b) de atividades empresariais de caráter transitório; (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)
SALÁRIO:
é pagamento realizado diretamente pelo empregador para o empregado como retribuição pelo seu
trabalho. Não compreende as gorgetas que não são pagas pelo empregador.
Não integram o salário:
- pagamentos de natureza previdenciária; - direitos Intelectuais;
- participação nos lucros; - gratificações não habituais.
.
Remuneração:
salário + gorgetas
Indenizações
Embora não conste do contrato de trabalho
por tratar-se de valor imprevisível e
variável, poderá ser considerado como
integrante do valor da maior parte das
verbas devidas pelo empregado, inclusive
Modos de pagamento do salário:
por unidade de tempo: considera-se o tempo que o
empregado está a disposição do empregador, independente da produção.
por produção: calcula-se o resultado, sem
considerar o tempo despendido. Ex. pagamento por comissão ou unidade produzida. Deve ser assegurado o mínimo exigido pela C.F.
por tarefa: misto dos dois anteriores. Ex: se houver
cumprido a tarefa antes do horário pode ser dispensado, ou pode haver acréscimo no pagamento da tarefa se ultrapassada determinada quantidade por dia.
Normas de proteção ao salário:
irredutibilidade;
inalterabilidade, salvo mútuo consentimento e sem
prejuízo ao empregado;
intangibilidade e descontos: art. 462 da CLT; não
poderá ser descontado, a não ser nos termos da lei.
impenhorabilidade, salvo para pagamento de
prestação alimentícia;
fixação do valor do salário: nula estipulação de valor
menor ao salário mínimo;
contratação livre, com respeito as normas, acordos e
convenções;
Isonomia salarial
Os requisitos para a equiparação salarial são:
a) mesma função;
b) mesmo empregador;
c) mesma localidade;
d) diferença de tempo da função não superior a 2
anos;
e) mesma produtividade;
f) mesma perfeição técnica.
JORNADA DE TRABALHO:
Art. 4º CLT - Considera-se como de serviço efetivo o
período em que o empregado esteja à disposição do
empregador, aguardando ou executando ordens, salvo
disposição especial expressamente consignada.
A regra geral da jornada de trabalho está no art. 7º, XIII:
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito
horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada
a compensação de horários e a redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
Horas extras:
Constituição Federal: a jornada máxima é de 44 horas
semanais. O excedente é considerado hora extra e deverá ser remunerada com o acréscimo de no mínimo 50% (art. 7º );
não podem ultrapassar 2 h diárias salvo em caso de
atendimento à necessidade absoluta do serviço (comunicação ao Ministério do Trabalho em 10 dias);
Compensação de horas extras: Compensação semanal.
Lei 9601/98= Banco de Horas – limites art. 59, par. 2º e 3º da CLT.
Horas in itinere: são aquelas gastas com o deslocamento
do empregado de sua residência até o trabalho. Serão remuneradas somente quando não houver transporte público ou tratar-se de local de difícil acesso , e o empregador fornecer a condução.
Intervalos na Jornada de Trabalho:
a) Dentro da jornada:
-
jornadas superiores à 6 horas de trabalho:
intervalo de 1 à 2 hs;
-
superiores à 4 e inferiores à 6 horas: intervalo de
15 min;
-
entre as jornadas: entre o término de uma
jornada de trabalho e o início de outra, deve-se
manter um intervalo de 11 horas;
-
digitadores, datilógrafos e outros: a cada hora de
trabalho intervalo de 10 min.
Repouso Semanal Remunerado
É um lapso de tempo de pelo menos 24 horas consecutivas, onde o empregado terá uma folga, durante a semana (a
cada módulo de 7 dias).
CF/88 art. 7º, XV - repouso semanal remunerado,
preferencialmente aos domingos;
Atenção: há entendimento jurisprudencial de que ao
menos 1 vez ao mês seja no domingo(não é sumulado)
Ainda: a folga deve ser dada a cada módulo de 7 dias, não
Horas em sobreaviso:
A Lei considera como hora de serviço aquela em que o empregado está à disposição do empregado, aguardando ordens (art. 4º CLT). A remuneração dessas horas é matéria controversa nos Tribunais,
mas a corrente moderada prega o pagamento de 1/3 das horas
Adicional por trabalho noturno:
Trabalho noturno é aquele executado entre 22 hs de um dia
até as 5hs do dia seguinte.
A hora noturna, por ficção legal, possui 52 min e 30
segundos.
O pagamento dessas horas é feito com acréscimo de 20%
sobre o valor da hora diurna, ainda que exista regime de revezamento.
.
SÚMULA N. 213
É DEVIDO O ADICIONAL DE SERVIÇO NOTURNO, AINDA
QUE SUJEITO O EMPREGADO AO REGIME DE
REVEZAMENTO.
SÚMULA 60
CUMPRIDA INTEGRALMENTE A JORNADA NO PERÍODO
NOTURNO E PRORROGADA ESTA, DEVIDO É TAMBÉM
Adicional de insalubridade:
Art. 189 e sgts CLT É devido pelo trabalho realizado em atividades que
atentem contra a saúde humana, acima dos limites toleráveis.
Pode ser de 10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo,
dependendo do grau mínimo, médio ou máximo.
É obrigatório o fornecimento de EPIs pelas empresas; se
estes eliminarem a insalubridade, cessa a obrigatoriedade do pagamento.
Adicional de Periculosidade:
Art. 193 e sgts da CLT
São perigosas as atividades que implicam
“contato permanente com inflamáveis ou
explosivos em condições de risco acentuado”
(art. 193 da CLT). Também reconhecida no
setor de energia elétrica.
O adicional de 30% sobre o salário básico
com exceção dos eletricitários (30% sobre o
efetivamente recebido).
## NR 16 = regula atividades e operações
.
NÃO É DEVIDO O
ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE E
PERICULOSIDADE, DE
FORMA CUMULATIVA.
Gratificação Natalina :
É devida em todos os casos, exceto na
demissão com justa causa.
Corresponde a 1/12 da remuneração
devida em dezembro.
Pagamento em duas parcelas: a primeira
entre fevereiro e novembro, e a segunda,
até 20 de dezembro.
FÉRIAS:
A cada 12 meses (período aquisitivo), o empregado adquire
direito ao gozo de férias. Estas deverão ser concedidas nos 12 meses subseqüentes (período concessivo). Se não forem concedidas, deverão ser pagas em dobro.
O período devido é de 30 dias corridos, com as exceções
previstas no art. 130 da CLT.
Deverá ser paga com adicional de 1/3, previsto
EXTINÇÃO DO CONTRATO
INDIVIDUAL DE TRABALHO
Despedida arbitrária ou sem justa causa:
É devida indenização compensatória
(previsão art. 7°, I, da CF), no valor de
40% do que foi depositado a título de
FGTS. Pela Lei Complementar 110/01, o
empregador deve recolher ainda uma
contribuição social de 10%.
Rescisão indireta: O empregado poderá considerar rescindido o contrato de trabalho quando o empregador der justa causa para tanto.
São elas (art. 483 da CLT):
Exigências de serviços superiores às forças do empregado,
proibidos por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato;
Rigor excessivo no tratamento do empregado;
Exposição a perigo manifesto de mal considerável;
Descumprimento pelo empregador das obrigações do
contrato;
Prática de ato lesivo à honra e boa-fama do empregado ou
de pessoa de sua família;
Ofensas físicas, salvo em caso de legítima defesa;
Redução do trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de
.
Despedida por justa causa (art. 482 CLT): O Brasil adota o princípio da estrita legalidade no sistema da justa causa.
Requisitos para a caracterização da justa causa: a) ato de improbidade;
b) incontinência de conduta ou mau procedimento;
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o
empregado, ou for prejudicial ao serviço;
d) condenação criminal do empregado, passada em
julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena;
e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) embriaguez habitual ou em serviço;
g) violação de segredo da empresa;
h) ato de indisciplina ou de insubordinação;
i) abandono de emprego;
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço
contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas
praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
l) prática constante de jogos de azar.
m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em
lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado.
Parágrafo único - Constitui igualmente justa causa para
dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos
atentatórios à segurança nacional. (Incluído pelo Decreto-lei nº 3, de 27.1.1966)
.
Pedido de demissão:
Ato unilateral na qual o empregado
avisa ao empregador que resolveu
extinguir a relação de emprego.
Praticando o empregado justa causa
durante o cumprimento do aviso
prévio, a rescisão poderá ser
regulada por esta última.
SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DO
CONTRATO DE TRABALHO
Suspensão: É a situação onde o
contrato de trabalho e seus efeitos
ficam
totalmente
inoperantes,
paralisados. Em regra, o empregado
não presta serviços, o empregador
não paga salários e o afastamento
não conta como tempo de serviço.
.
Casos de suspensão:
Auxílio-doença após o 15° dia;
Aposentadoria por invalidez, enquanto durar a invalidez;
Encargos públicos (vereador, prefeito, juiz classista, etc.);
Representante sindical eleito;
Suspensão disciplinar;
Greve, sem salários;
.
Suspensão durante inquérito para apuração de falta
grave, no caso do estável;
Acidente de trabalho após o 15° dia. Neste caso conta-se
o tempo do afastamento como tempo de serviço para
efeito de indenização e estabilidade. São devidos os
depósitos do FGTS;
Serviço militar obrigatório. Neste caso também conta-se
o tempo do afastamento como tempo de serviço para
efeito de indenização e estabilidade. São devidos os
depósitos do FGTS;
Participação em curso ou programa de qualificação
profissional;
.
Interrupção:
Também há paralisação
provisória, mas apenas parcial. Em regra é devido o
salário e o período de afastamento é contado como
tempo de serviço, embora não haja prestação do
trabalho.
Casos de interrupção:
Férias;
Repouso semanal remunerado;
.
Doação de sangue, por 1 dia, em cada 12 meses de
trabalho;
Alistamento ou transferência eleitoral, até dois dias;
Exigências do serviço militar obrigatório;
Exame vestibular para ingresso em estabelecimento
de ensino superior;
O tempo que se fizer necessário, quando tiver que
comparecer a juízo;
Jurado;
.
Nojo, até dois dias, ou nove dias, para professor;
Gala, por até três dias, ou nove dias, para professor;