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Gualdino Afonso Te textuais

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Academic year: 2018

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1 INTRODUÇÃO

A Guiné-Bissau fica situada na costa ocidental da África, entre o Senegal (ao Norte) e a

Guiné-Conakri (a Leste e ao Sul). É um país pequeno, com área de 36.125 km², dos quais 22%

constituem zonas fluviais, com numerosas ilhas ao longo da costa bastante recortada; apresenta

na parte continental a extensão máxima de 300 km e a maior largura com 250 km Tem

abundante floresta hidrófila, regiões pantanosas e manguezais, estes sob a influência das marés

de grandes amplitudes podendo a entrada de águas marinhas ir além dos 100 km, no seu interior

(Reinner, 2002).

A costa da Guiné-Bissau (Figura 1) tem cerca de 280 km de extensão, com numerosos estuários, entre os quais se destacam os dos rios Cacheu, Geba, Cacine, Mansoa, Corubal e

Tombali, bem como muitos canais, alguns destes navegáveis por embarcações de grande porte

(Silva et al., 1991).

O país conta ainda com o Arquipélago de Bijagós, formado por diversas ilhas de origem

vulcânica, com alta diversidade de habitats marinhos, o qual oferece condições propiciais para

abrigar grande diversidade de crustáceos, moluscos e peixes (Claudi, 1992). A plataforma

continental tem cerca de 15.000 km² (Figura 2), estendendo-se para sudeste do arquipélago de

Bijagós e, ao longo desta, existem três áreas de pesca bem delimitadas: a) uma faixa com

profundidades inferiores a 10 m, com mais ou menos 200 km² de extensão, acessível a pirogas e

outras embarcações artesanais; b) uma faixa com profundidades de 10 – 20 m, com cerca de

28.000 km², onde opera a maior parte das frotas estrangeiras; c) a última faixa tem de 20 – 200

m de profundidade, com fundos irregulares e acidentados, onde se encontram abundantes

recursos pesqueiros (Reiner, 2002). Entre as latitudes 10º N e 12º N, o país possuiu uma fachada

marítima com extensão aproximada de 90 milhas náuticas, orientadas em NW / SE, com um

clima composto principalmente de duas estações, sendo uma chuvosa de maio a outubro e outra

seca de novembro a abril.

A economia da Guiné-Bissau baseia-se na explotação de recursos naturais, de modo que

sua principal fonte de rendimento, além das ajudas e empréstimos internacionais, são as

concessões de licenças de pesca e a exportação de castanha de caju.

Estudos realizados nos anos 80 na plataforma continental levaram a considerar que a

biomassa total de peixes, crustáceos e moluscos era da ordem de 150 x 103 t / ano. Assim

estimava-se, no final daquela década, que o nível permissível de captura seria de

(2)

Figura 1 - Costa da Guiné-Bissau, na África Ocidental, tendo ao norte o Senegal e ao sul a

Guiné-Conakri.

As informações disponíveis no Plano Anual de Gestão de Recursos Pesqueiros,

preparado pelos técnicos do Ministério das Pescas, mostram o potencial máximo de captura

de camarões peneídeos, nas águas costeiras do País, estimado em torno de 5 x 103 t / ano,

gerando algo em torno de US$.30 milhões.

Além destes estudos, destacam-se aqueles realizados pelo Plano de Ação para Países

Menos Avançados, em dezembro de 2000 (PMA), indicando que a biomassa existente nas

águas territoriais da Guiné-Bissau é de cerca de 900 x 103 t, o que significa que é possível

pescar cerca de 200 x 103 t / ano de pescado sem reduzir a capacidade de reprodução da fauna

existente. Dados da pesca industrial apontam para a concessão de 315 a 320 licenças anuais

emitidas pelo Ministério das Pescas, das quais cerca de aproximadamente 60% se destinam à

pesca do camarão. Portanto, a pressão exercida pela pesca de camarão nas águas continentais

do País é considerável, o que tem refletido tanto na quantidade como na qualidade das

capturas.

A contribuição do setor das pescas para o equilíbrio do Produto Interno Bruto (PIB)

girava em torno de 3% a 4% entre 1991 e 1997 (PMA, 2000). No entanto, trata-se de um dos

maiores recursos, não só pela contribuição para a segurança alimentar das populações, como

(3)

ser um setor de grande importância para a economia do País, observa-se uma carência enorme

de informações sobre aspectos do ciclo de vida de alguns peneídeos capturados ao longo da

plataforma continental do País.

O aumento da pressão pesqueira e a importância social e econômica desse recurso

geram a necessidade de que se obtenham informações para o desenvolvimento de um plano de

manejo adequado. Entre estas informações, o conhecimento da dinâmica reprodutiva é uma

das mais importantes, já que esse processo é responsável pela renovação do estoque. Por outro

lado, a importância de se conhecer o estado atual dos recursos pesqueiros, em especial os

camarões, sua biologia e os impactos econômicos e ambientais sobre os mesmos, constituem

os objetivos deste trabalho, que podem ser sumarizados nos seguintes pontos:

- Contribuir para explotação sustentável, principalmente dos camarões de maior valor

comercial, de forma a trazer o máximo de beneficio sócio-econômico para o País;

- Estabelecer o nível máximo de captura e período de defesa para as principais espécies

de camarões explotados pela pesca de arrasto;

- Propor políticas administrativas que garantam a sustentabilidade das espécies de valor

comercial, exploradas pela pesca industrial;

- Caracterizar as frotas camaroneiras em operação nas águas costeiras da Guiné-Bissau.

1.1 - Atuais pescas marítimas da Guiné-Bissau

A atividade pesqueira na Guiné-Bissau, antes da Independência (1974), era apenas de

um único sistema de produção – o artesanal, com métodos primitivos de pesca, apresentando

características de atividade de subsistência. Entretanto, foi a primeira forma de explotação de

recursos pesqueiros, que empregava centenas de pessoas, principalmente do sexo feminino,

que atuaram como intermediárias entre os pescadores e os consumidores, vulgarmente

chamadas de “bideiras.”

A pesca artesanal na Guiné-Bissau é realizada, em maior parte, por canoas, que podem

ser de dois tipos: motorizadas e movidas a remo ou vela. O tamanho das canoas motorizadas

varia entre 10 – 15 metros de comprimento total, com potência de motor entre 14 – 40 HP; o

tamanho das pirogas ou canoas movidas a remo ou à vela, varia entre 5 – 7 metros de

comprimento total (Silva et al., 1991).

Um outro grande segmento da pesca artesanal é um contingente de mulheres que atuam

na coleta de moluscos bivalves durante a baixa maré. A participação destes ainda é verificada

(4)

Figura 2 - Plataforma continental da Guiné-Bissau. Fonte: Instituto Nacional de Estudos

e Pesquisa (INEP) – Planificação costeira.

É difícil quantificar o peso das capturas realizadas por embarcações de pesca artesanal,

por se tratar de setor bastante desorganizado, com sérios problemas financeiros. Para alguns,

as capturas efetuadas pela pesca artesanal são insignificantes, visto que nunca chegam a

ultrapassar 2 x 103 t / ano. Os estudos realizados por Silva et al (1991), indicam que a produção máxima atingida pela pesca artesanal foi em 1987, quando esta atingiu algo em

torno de 1,9 x 103 t, baixando, significativamente, nos anos seguintes. Segundo estes autores,

a queda de produção pode estar relacionada à liberalização dos preços do pescado no

mercado, uma vez que os pescadores que atuam nas pescas artesanais preferem comercializar

o seu produto diretamente no local em vez de vender aos projetos de pesca artesanal

existentes no País. Após estes estudos, não se teve conhecimento de nenhum outro trabalho,

de maneira que se torna impossível ter o conhecimento real das capturas realizadas pela pesca

artesanal, nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau.

Por outro lado, as autoridades não se mostram interesse algum em promover o

desenvolvimento sustentável das pescarias artesanais e, é bom lembrar que este subsetor é,

potencialmente, tão importante quanto o de pesca industrial, por sua contribuição na dieta

(5)

O segundo segmento de atividade pesqueira é o de pesca industrial, caracterizado pelo

emprego de métodos e tecnologias apropriadas, como barcos de grande porte, em geral,

equipados com aparelhos que auxiliam na navegação e detecção de cardumes. Esta atividade

teve início logo após a Independência, com assinatura de Acordos de Pesca com países

estrangeiros. Com isso, foi criada a Comissão dos Transportes e Comunicações, cujo objetivo

era elaborar políticas e implementar medidas para gestão de recursos pesqueiros, promovendo

o desenvolvimento sustentável das pescarias nas águas da plataforma continental. Em 1977,

esta Comissão foi substituída pela Secretaria de Estado das Pescas, órgão que detinha

autonomia de executar as políticas pesqueiras elaboradas pelo Governo.

Dado o potencial de pesca e sua grande importância na economia do País, através da

exportação de pescado e da geração de emprego, em 1989 o Governo substituiu a Secretaria

de Estado das Pescas pelo Ministério das Pescas, estrutura mantida até a presente data. Sem

quaisquer meios para realizar as pescarias industriais, por não ter uma frota pesqueira

nacional para atuar além das 12 milhas marítimas, o país passou a assinar Acordos de Pesca

com países estrangeiros.

1.2 - Acordos de pesca com diferentes parceiros

A política nacional pesqueira, em relação aos protocolos de Acordos de Pesca assinados

entre a Guiné-Bissau e seus parceiros, nomeadamente União Européia, China, Senegal e

outros, tem sido objeto de crítica por parte de cientistas pesqueiros, por não se enquadrar

dentro das perspectivas de desenvolvimento sustentável e por não trazer benefícios

sócio-econômicos para o país.

A pesca sob regime de licenças começou em 1978 e, desde então, vem sendo dominada

pela frota industrial da União Soviética, que era o parceiro mais importante da Guiné-Bissau

na época, visto que este país teve papel importantíssimo na guerra contra o colonialismo

português. Segundo dados da Missão Pesqueira da União Soviética, entre 1981 e 1990, as

capturas da frota soviética foram de aproximadamente, 130 x 103 t / ano, com uma receita em

torno de US$ 2,5 milhões / ano (PAGRM / MP, 1996).

Com o passar do tempo e o fortalecimento de relações diplomáticas com países da

Europa, Ásia e do continente africano, a Guiné-Bissau fez um conjunto de acordos no

domínio das pescas; frota da Rússia (antiga União Soviética) foi sendo lentamente substituída

pelas frotas da União Européia e dos países asiáticos, que explotam diferentes estoques de

crustáceos, moluscos e peixes na Zona Econômica Exclusiva do País. As frotas da União

(6)

industriais nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau e gozam de fortes

privilégios, no que respeita à concessão de licenças para os seus armadores.

Os primeiros acordos entre o governo e a UE datam de 1983, com uma receita de,

aproximadamente, 13 milhões de Francos Franceses. Desde então, sete protocolos de acordos

de pesca já foram renovados, e o mais recente data de 15 de junho de 2004 (Tabela I). A

contrapartida financeira gira em torno de 51 milhões de euros para o País, por um período de

5 anos. Este protocolo de Acordo “fixa as possibilidades de pesca e a contrapartida financeira prevista no Acordo entre a União Européia e o governo guineense, respeitante à pesca ao largo da costa da Guiné-Bissau, em relação ao período compreendido entre 16 de junho de 2001 e 15 de junho de 2006” (Jornal Oficial das Comunidades Européias, 2002).

O artigo 4º do último protocolo do Acordo de Pesca mostra a contrapartida financeira

destinada a financiar as seguintes ações:

a) programa cientifico ou técnico guineense, cujo objetivo é capacitar os técnicos de

maneira a produzir conhecimentos que possam servir na gestão e no monitoramento do

estado dos recursos na Zona Econômica Exclusiva do País;

b) financiar o funcionamento do Laboratório de Investigação Pesqueira Aplicada

(CIPA), designadamente no que respeita ao melhoramento das condições sanitárias no

domínio da pesca, com um montante de 200 mil euros / ano;

c) financiar bolsas de estudo e formação de recursos humanos nas várias disciplinas

cientificas, técnicas e econômicas relativas à pesca, no montante de 150 mil euros / ano;

d) apoiar os investimentos no setor de pesca artesanal, com o montante de 250 mil euros /

ano;

e) financiar a fiscalização marítima, incluindo a instalação de um sistema de

monitoramento dos barcos de pesca por satélite, no montante de 300 mil euros / ano;

f) apoio institucional ao Ministério das Pescas, no montante de 60 mil euros / ano;

g) assistência técnica à instauração e acompanhamento das ações supracitadas, no

montante de 40 mil euros / ano.

Os valores acima mencionados serão recebidos anualmente pelo governo guineense por

um período de cinco anos, contando da data da assinatura do protocolo de Acordo de Pesca.

Apesar de alguns benefícios que o país tem tido nestes protocolos de Acordo de Pesca,

alguns problemas podem ser identificados, tais como:

a) Sobredimensionamento das frotas pesqueiras da União Européia;

b) Descumprimento das medidas de conservação de recursos pesqueiros;

c) Falta de delimitação de um nível máximo sustentável das capturas disponíveis para as

(7)

d) O valor das taxas de licenças pagas pelos armadores da frota da União Européia é

insignificante, em relação ao valor de mercado.

A República Popular da China, Coréia e Japão são os países representantes do continente

asiático, sendo o primeiro o parceiro mais importante, no domínio das pescas, para a Guiné-Bissau.

A China explora vários estoques de peixes, crustáceos e moluscos, sob o regime de concessão de

licenças por parte do governo guineense, mesmo critério adotado para todos os países que atuam na

área de pesca. Os Acordos com estes países cobrem um longo período.

A falta de planos anuais de gestão de recursos marítimos tem sido um dos grandes problemas

com os quais o País se depara. As medidas de conservação são constantemente comprometidas pela

excessiva pressão exercida sobre os recursos pesqueiros. Hoje nota-se uma preocupação por parte

dos representantes da União Européia, através do seu departamento que coordena a política

pesqueira na Guiné-Bissau, obrigando o país a tomar precauções, uma vez que os estoques dos

principais recursos pesqueiros estão diminuindo de forma drástica.

2 - ASPECTOS OCEANOGRÁFICOS NA COSTA OCIDENTAL DA ÁFRICA

A hidrologia do Oceano Atlântico e os seus aspectos climáticos são muito

diversificados, e os afloramentos costeiros que ocorrem durante a estação quente, faz desta

região uma das mais produtivas do globo. Os ciclos de produção primária e secundária são

regulados pelo regime de afloramento, condicionados pela dinâmica dos grandes giros

atmosféricos e oceânicos (Dias, 1996). O regime dos ventos na costa africana, entre os

paralelos 10º - 30º N é dominado pelos Ventos Alísios dos setores N-NE a N-NW. O regime

estacional é o resultado do deslocamento dos anticiclones dos Açores e da migração da Frente

Intertropical (FIT).

O seu deslocamento estacional acompanha o deslocamento zenital do sol, com um atraso de cerca

de seis semanas. Em janeiro, atinge a posição meridional extrema, cerca de 6º N junto à costa e

toda a zona costeira desde o Senegal até a Mauritânia, fica submetida a um regime de ventos dos

setores N e NE. Este deslocamento estacional do regime de ventos corresponde a épocas de

afloramento ao longo da costa africana associados ao regime de Ventos Alísios presentes sobre a

plataforma continental (Wooster et al., 1976; Speth et al., 1987).

A sul de 20º N o afloramento costeiro ocorre durante o inverno e a primavera. Entre 20º e 25º N, o

afloramento é permanente, atingindo o máximo na primavera e outono. A norte de 25 º N o

(8)

Tabela I - Quadro recapitulativo dos protocolos relativos aos Acordos de Pesca União

Européia/Guiné-Bissau.

POSSIBILIDADES DE PESCA PROTOCOLO

Pesca de arrasto Pesca de tunídeos

CONTRAPARTIDA FINANCEIRA

TOTAL

(€)

16/6/01-

15/6/04

Camarões: 9 600 TBA

Peixes/cefalópodes : 2 800 TBA

Atuneiros cercadores: 40

Atuneiros com canas/palangreiros:

36

51 000 000

(10 000 000 euros por ano nos três

primeiros anos e 10 500 000 euros nos

dois últimos anos) 16/6/01-

15/6/06

16/6/04-

15/6/06

Camarões: 4 400 TBA

Peixes/cefalópodes : 4 400 TBA

Atuneiros cercadores: 40

Atuneiros com canas/palangreiros:

30

44 520 000

(10 000 000 euros por ano nos três

primeiros anos e 7 260 000 euros nos

dois últimos anos)

16/6/97- 15/6/01 Camarões: 9600 TBA

Peixes/cefalópodes : 3 000 TBA

Atuneiros cercadores: 37

Atuneiros com canas/palangreiros:

52

36 000 000

(9 000 000 euros por ano)

16/6/95- 15/5/97 Camarões : 8800 TBA

Peixes/cefalópodes : 4000 TBA

Atuneiros cercadores: 26

Atuneiros com canas/palangreiros:

16

11 500 000

+ 1 200 000

(5 750 000 euros por ano + 600 000

euros)

16/6/93- 15/6/95 Camarões : 11 000 TBA

Peixes/cefalópodes: 4000 TBA

Atuneiros cercadores: 22

Atuneiros com canas/palangreiros:

10

12 700 000

(6 350 000 euros por ano)

16/6/91- 15/6/93 Camarões: 11 000 TBA

Peixes/cefalópodes: 6000 TBA

Atuneiros cercadores: 20

Atuneiros com canas/palangreiros:

12

13 350 000

(6 675 000 euros por ano)

16/6/89- 15/6/91 Camarões: 10 000 TBA

Peixes/cefalópodes: 5000 TBA

Atuneiros cercadores: 45

Palangreiros de superfície: 35

Atuneiros com canas: 15

11 930 000

(5 965 000 euros por ano)

16/6/86- 15/6/89 Arrastões: 11 000 TBA Atuneiros cercadores: 45

Palangreiros de superfície: 6

Atuneiros com canas: 25

7 900 000

(2 633 000 euros por ano)

15/3/86- 15/6/86 Prorrogação do protocolo anterior Pro rata temporis

16/3/83- 15/3/86 Arrastões demersal: 7500 TBA Atuneiros cercadores: 25

Atuneiros com canas: 25

4 275 000

(1 425 000 euros por ano)

1981- 1983 Arrastões demersal: 6500 TBA Atuneiros cercadores: 23 300

TBA

12 800 000 francos franceses (6 400

(9)

A intensidade e a durabilidade do afloramento têm um efeito determinante no processo

de enriquecimento de nutrientes da coluna da água. Este processo varia conforme as zonas, que

podem ser mais ou menos propícias ao afloramento, devido, entre outros fatores, à orientação

da linha de costa relativamente à direção dos ventos, à batimetria e à extensão e recorte da

plataforma continental (Mittelsdaedt, 1983).

A circulação à superfície no Atlântico Norte resulta de dois grandes sistemas de correntes

bem distintas:

- Corrente das Canárias, que vem do norte e que se inverte para oeste, formando a Corrente

Equatorial do Norte que se dirige para sul, durante a estação fria ao longo das costas da

Mauritânia e do Senegal sobre a plataforma continental, ao mesmo tempo em que se observa a

subida de águas profundas para a superfície no setor litorâneo (Freon, 1988);

- Contra-Corrente Equatorial, vinda do oeste, que transporta para a plataforma continental

águas quentes e salgadas, que seguem para norte e, em latitudes inferiores, mudam para

sudeste formando a Corrente da Guiné. Estas águas aparecem durante a época de transição

maio-junho, quando os alísios deixam de soprar nas latitudes inferiores e são substituídas por

águas guineenses (AG) no fim da estação quente (outubro-novembro).

O regime sazonal de circulação da massa de água ao longo da costa NW da África

constitui, portanto, um fator importantíssimo de produção primária das águas costeiras da

Guiné-Bissau, induzindo durante a época de afloramento em que a circulação à superfície se

faz no sentido NE-SE, o arrastamento para sul, da biomassa produzida ao longo da costa do

Senegal, onde o afloramento é mais intenso. A mudança de sentido para NW da circulação da

massa de água à superfície no fim da época de afloramento, juntamente com o sistema de

contra-correntes costeira de direção N, acaba por produzir sobre a plataforma continental da

Guiné-Bissau um efeito cumulativo de biomassa trazida quer do Senegal quer das águas

costeiras do Golfo da Guiné (Berrit & Rebert, 1977).

Segundo Schemainda et al. (1975), apesar do afloramento costeiro ser de curta duração entre os paralelos de 10º 00’-12º 30’ N e 16º 00 -17º 30’ W, a produção primária é mais

elevada nessa região, chegando a atingir 16,6 x 106 t C / ano, maior do que em áreas onde o

afloramento é mais intenso (13,4 x 106 t C / ano a sul de 23º N; 14,2 x 106 t C / ano a sul de 14º

N) (Figura 3).

Estes autores ainda acreditam que esse fato esteja relacionado ao efeito do aumento de

(10)

enriquecimento das águas costeiras, durante a estação das chuvas. Nesta época, os caudais dos

rios aumentam consideravelmente, provocando uma dessalinização à superfície, mais

acentuada nas águas costeiras da Guiné-Bissau do que ao norte, onde a pluviosidade é

sensivelmente menor (Rebert, 1979b). Durante o verão e o outono esta água costeira é levada

para o norte pela contra-corrente de direção N, indo substituir a água tropical na plataforma

continental. Os rios Cacheu, Geba e Corubal são os principais responsáveis pela descarga

fluvial, sendo as descargas dos rios Geba e Corubal mais elevadas que a do rio Cacheu (Berrit

& Rebert, 1977). As águas resultantes destas descargas são quentes e pouco salgadas, resultado

da descarga fluvial dos estuários dos Rios Cacheu, Geba e outros. Ao deslocamento estacional

do regime de ventos corresponde uma migração destes sistemas de correntes para sul durante a

estação fria e para norte durante a estação quente, ao mesmo tempo em que as respectivas

intensidades se modificam (Rebert, 1979a).

Os fosfatos constituem um dos elementos mais importantes do subsolo da Guiné-Bissau e

é de esperar que a descarga fluvial seja um fator relevante de enriquecimento das águas

costeiras deste elemento, que é muito importante na produtividade primária. Os registros dos

estudos efetuados nas águas dos canais de Orango e Bubaque, a norte da Guiné-Bissau (INIP /

LBM, 1989), indicam a presença de concentrações apreciáveis de fosfatos (0,63 – 2,00 ug at /

L) nas águas costeiras dos arquipélagos dos Bijagos. Em geral, os afloramentos costeiros,

juntamente com outros fatores, constituem os principais fatores de modulação da

produtividade das águas da Guiné-Bissau.

2.1 Caracterização da costa da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau tem uma das áreas mais ricas da costa ocidental da África,

principalmente em diversidade e produtividade biológicas, típicas das regiões tropicais. Os

fatores que contribuem para esta riqueza do meio ambiente marinho são os seguintes: a grande

extensão da plataforma continental e a pequena profundidade (ver figura 2); uma grande

variedade de ambientes; o caráter estuarino com inúmeras ilhas e rios, além de manguezais que

contornam o litoral; ressurgência costeira, que ocorre por um período de tempo relativamente

curto (Rebert, 1979a); transporte de materiais terrestres provenientes de descargas fluviais

(Dandonneau, 1973); e influência da Corrente das Canárias. Estes fatores têm grande

influência no desenvolvimento da fauna nerítica das águas da plataforma continental da

(11)

As primeiras expedições oceanográficas realizadas nas águas da plataforma continental

da Guiné-Bissau datam de 1925, cujos objetivos foram recolher amostras de plâncton na zona

costeira. Em 1988, no âmbito da cooperação com os PALOP, foi efetuada a primeira

campanha (INIP/LBM, 1989) à qual se seguiram três outras (1989, 1990, e 1991), a bordo do

N.Pq. “Noruega” (INIP/LBM, 1990, 1992 INIP/CIPA,1993). A mais recente, na continuação desta cooperação, foi realizada em maio de 1995, na zona localizada entre 10º 00’-12º 00’ N e

16º 00’-17º 30’ W e seus resultados confirmam a área amostrada como de grande abundância

de muitas espécies consideradas importantes, sob o ponto de vista pesqueiro (IPIMAR, 1996).

Os resultados das campanhas oceanográficas realizadas nas águas ao longo da costa

africana (Schemainda et al.,1975) indicam o efeito do afloramento costeiro na distribuição de nutrientes e na produtividade primária. A zona de afloramento costeiro está limitada a norte

pela frente térmica que separa as águas tropicais, quentes e pobres em nutrientes, da água

aflorada. A água aflorada se caracteriza por temperatura e salinidade relativamente baixas e

valores elevados de nutrientes, que chegam a atingir concentrações da ordem dos 15 µg at/ L

de NO3 N e de 1 µg at / L de PO4-P. Os resultados ainda mostram que a clorofila a apresentou

valores elevados em algumas zonas, chegando à ordem dos 10 mg/m3 e que as concentrações

de nutrientes foram inferiores, apesar da água aflorada ter a mesma origem na Água Central do

Atlântico Sul (Rebert, 1979b).

Estes resultados, quando comparados com os das campanhas mais recentes, realizadas

nas águas costeiras da Guiné-Bissau, e os valores dos parâmetros físico-químicos observados

ao longo da costa guineense mostram que as variações seguem um mesmo padrão.

Ainda podemos constatar que as concentrações de nutrientes foram inferiores aos valores

observados ao longo da costa atlântica, e isto é devido à fraca intensidade de afloramento

verificada ao logo da zona da Guiné-Bissau, pela localização do país no limite da ação dos

Ventos Alísios de norte, numa região de ventos fracos e com fortes variáveis, na fronteira entre

a região Equatorial e a região das Ilhas Canárias (Berrit & Rebert, 1977).

De modo geral, a ressurgência costeira, o regime de circulação das massas de água ao

longo da plataforma continental e os aportes de matéria orgânica por via fluvial constituem os

principais fatores responsáveis pela produtividade primária das águas costeiras da

Guiné-Bissau.

Na campanha de 1990, foram recolhidas amostras para determinar o perfil do sedimento

(12)

00’ -17º 30’ W. Os resultados permitiram identificar diferentes áreas com características

granulométricas bem distintas:

- uma área de areia fina, uma de areia fina lamosa, uma de lama arenosa e uma área

lamosa, com uma distribuição espacial bem nítida. Áreas com areia fina se distribui com

grande evidência, nas isóbatas de 20 a 200 m de profundidade, cobrindo a grande parte na

plataforma continental. Acima de 11º 30’- 12º 00’ N e 17º 00 – 17º 30’ W, a concentração de

areia fina diminui e aumenta a concentração de areia fina lamosa e lama arenosa devido à

descarga fluvial dos rios Cacheu e Geba. As areias finas lamosas constituem uma pequena

faixa entre 60 e 100 m de profundidade. Além disso, observam-se pequenas concentrações

isoladas ao longo da plataforma continental.

Figura 3 – Corrente de superfície e zonas de afloramento durante a estação fria

(13)

Também, foi feita a medição de matéria orgânica e área lamosa foi a que apresentou os

valores mais elevados, em relação a outras áreas. Os valores elevados de matéria orgânica

encontrada nos sedimentos lamosos a norte do paralelo 11º 30’- 12º 00’ N e 17º 00’e 17º 30’

W, traduzem, certamente, a deposição de partículas orgânicas transportadas pelos rios Cacehu

e Geba. Estas partículas depositam-se em maior quantidade na zona lamosa, extremamente rica

em elementos finos que absorvem a matéria orgânica (Francis, 1947; Bouchet, 1962;

Glémarec, 1964). A distribuição de várias espécies de camarões – Penaeus notialis, Penaeus longirostris e Penaeus keraturus nos fundos de lama ao norte do paralelo 11º 30’ e 12º 00’ e 17º 00’ – 17º 30’ W entre 10 e 60 m de profundidade, confirma a preferência destes crustáceos

por fundos lamosos, povoados de pequenos gastrópodes, poliquetas e outros crustáceos

(Chassé & Glémarec, 1976).

3 - BIOLOGIA E DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES PRINCIPAIS

3.1 - Ciclo de vida do camarão

Os camarões peneídeos têm sido estudados por cientistas de diferentes países, por

constituírem um grupo de grande importância comercial. Englobam 40 espécies distribuídas

em seis gêneros. Como muitos outros organismos marinhos, realizam movimentos numa

escala espaço-temporal, influenciados por fatores endógenos e exógenos, cujos objetivos

específicos estão direcionados para o desempenho de funções biológicas (Allen, 1966).

As migrações na sua quase totalidade são realizadas para fins específicos como

alimentação, reprodução e abrigo. Encontram-se nas zonas tropical e subtropical, e vivem a

maior parte do tempo em regiões influenciadas por estuários e lagoas, isto é, sobre fundos que

são geralmente lamosos ou lama arenosa, ricas em matéria orgânica e sais minerais (Garcia &

Le Reste,1987).

Durante o ciclo de vida, as espécies habitam biótopos bem diferentes, que podem ser

caracterizados pela distância da costa ou pelo grau de salinidade e temperatura da água.

Com relação a características, possuem um tegumento fino e um corpo dividido em

duas regiões: o cefalotórax e o abdome. O cefalotórax é formado pela fusão de cincos somitos

cefálicos e dos oito somitos torácicos que são cobertos pela carapaça. A segunda região é

(14)

apresenta, na sua parte anterior, uma projeção mediana, normalmente pontiaguda, o rostro, que

tem tamanho variável e pode apresentar dentes dorsais e ventrais. O complexo de peças bucais

é formado por pares de apêndices cefálicos (mandíbulas, maxilulas e maxilas) e três pares de

apêndices torácicos (maxilipodos). Observa-se ainda na região da cabeça um par de antenas,

um par de antênulas.

Os três primeiros pares de pereiópodos geralmente possuem pequenas quelas. O abdome

é constituído por seis segmentos e pelo telso. Os apêndices abdominais são os pereiópodos e

tem a função natatória, localizados ventralmente nos cinco primeiros segmentos abdominais.

No sexto segmento abdominal é observado um par de urópodos que em conjunto com o telso,

forma o leque caudal.

Apresentam estruturais sexuais secundarias bastante características, nos machos, os

endópodos do primeiro pleiópodo são modificados em um órgão tubular, o petasma, auxiliado

pelo apêndice masculino transfere os espermatozóides para o espermatóforo da fêmea durante

a cópula, localizado entre as coxas do quarto par de pereiópodos (Figura 4).

A reprodução dos camarões peneideos ocorre na plataforma continental, onde os ovos

são liberados em profundidades que variam de 20 a 40 m, salinidade de 33 a 36 ‰ e

temperatura de 19 a 31º C. Cada desova de uma fêmea pode conter de 10 x 103 a 40 x 103 ovos.

Logo após a fecundação, a célula-ovo começa os seus processos embrionários, que vai resultar

na metamorfose, dando origem às larvas planctônicas. Este processo demora entre 14 – 20

horas. As primeiras larvas que resultam desta eclosão são os nauplius, que se alimentam de

reserva de nutrientes “vitelo.” O segundo estágio larval é o protozoea, na qual se alimenta de

algas microscópicas que formam o fitoplancton. No terceiro estágio, a mysis muda o seu

habito alimentar, constituído especialmente de zooplâncton. Ao todo existem 11 estágios

larvais, sendo 5 de nauplius, 3 de protozoea 3 de mysis. O período larval dos camarões

peneideos – nauplius, protozoea e mysis duram apenas 15 dias e, a partir daí são encontrados

as pós-larvas com um comprimento total de 7 – 15 mm. As pós-larvas iniciam o processo de

migração em direção à costa, entrando geralmente nos estuários e lagoas, ricos em nutrientes e

(15)

Figura 4 - Anatomia externa de um camarão peneideo.

Figura 5 - Anatomia interna de um camarão peneídeo.

(16)

Nos habitats dos estuários e lagunas costeiras de águas rasas e salobras, as pós-larvas e

juvenis encontram proteção e um ambiente rico em nutrientes que lhe proporciona alimentação

adequada (Porto & Fonteles-Filho, 1984). Estes permanecem de 3 – 4 meses, a partir daí os

juvenis migram para o alto mar, onde realizam sua primeira desova, não aparentemente

retornando, para as regiões costeiras e completando desta forma, o curto ciclo de vida de dois

anos, em média.

Os camarões são considerados eurialinos e estenotérmicos, ou seja, suportam grandes

variações de salinidade, temperatura e pH da água. Durante os ciclos de vida dos peneídeos

estes realizam três migrações: a primeira ocorre durante a pós-larvas à procura de ambiente

seguros e com uma grade disponibilidade de alimentos; a segunda ocorre durante a fase

juvenil, e a terceira ocorre durante a fase adulta à procura de regiões próximos a costa para

realizar a desova.

Geralmente os peneídeos têm um amplo período de desova e é possível encontrar fêmeas

maduras durante todo o ano. Existem picos de desova em determinados meses, porém, este

varia de um lugar para o outro e é bastante influenciado pela temperatura. Por exemplo,

observou picos de desova para P. notialis, sendo maior na primavera e verão. Além deste, o autor ainda constatou a presença significativa das fêmeas maduras em águas cubanas durante

todo o ano (Guitart et al., 1985). No Brasil foi reportado para P. subtilis que a maior intensidade de desova ocorre entre os meses de março e julho, tendo outra época menos

pronunciada entre setembro e outubro (Garcia, 1985).

Na região de Santos, São Paulo, o P. schmitti desova principalmente em agosto (Neiva et al., 1971). Para P. paulensis é encontrado uma época de desova principalmente em junho e julho (Mello, 1973). Portanto, os camarões da família Penaeidae apresentam uma atividade

reprodutiva muito variada, influenciada principalmente das condições ambientais. Para

determinar as áreas da desova, faz-se através das amostragens em zonas de pesca,

determinando aqueles que apresentam maior abundância de fêmeas maduras em estágios IV e

desovada V, mediante ao exame microscópica e macroscópica de ovários.

Na biologia dos camarões da família Penaeidae dois fatores contribuem para depleção

dos estoques: o curto ciclo vital e a exposição à pesca durante todo o ano. Ao mesmo tempo,

dois outros fatores favorecem a recuperação do estoque: o extenso período de reprodução e o

(17)

3.2 – Sinopse biológica 3.2.1 - Crustáceos

Família: Panaeidae

Nome vulgar: camarão-rosa

Nome cientifico: Penaeus notialis (Pèrez-Fartante, 1967)

Figura 7 – Espécime de Penaeus notialis (Pèrez-Fartante, 1967).

Entre os camarões da família Penaeidae capturados na plataforma continental da

Guiné-Bissau, Penaeus notialis (camarão rosa), é a espécie mais abundante.Tem uma ampla distribuição geográfica, podendo ser encontrado na América Central, desde as Antilhas, Cuba

até as Ilhas Virgens e por toda costa norte da América Sul até a região de Cabo Frio (Brasil).

Distribui-se por quase toda a costa africana, indo de Mauritânia (Norte da África) até

Angola (Holthuis, 1980; INIP/LBM, 1990, 1992). Ao longo da costa da Guiné-Bissau é mais

abundante principalmente entre a latitude 11º 30’-12º 50’ N e 17º 00’-17º 30’W. É uma

espécie que realiza o seu crescimento em laguna e estuário e que durante a fase adulta migra

para o mar, onde vive e se reproduz.

Os resultados das campanhas oceanográficas realizadas em 1995 confirmam a sua

distribuição na parte norte, em fundos de lama arenosa, (INIP/LBM, 1989, 1992). Também é

encontrada em baixas profundidades, sendo mais abundante entre 20 e 50 m. Chega a atingir o

comprimento total máxima de 20 cm (fêmeas) e 17,5 cm (machos). O comprimento do

(18)

A sua dieta alimentar é bastante diversificada, composta principalmente de pequenos

gastrópodes, poliquetas, crustáceos e de larvas de peixes (Chasse & Glêmarec, 1976). Prefere

águas com temperatura inferior a 24º C e salinidade de 35 ‰, quando adulto; o ciclo de vida é

bastante complexo, com uma fase lagunar (jovens) e outra marinha (adultos) (Lhomme &

Garcia, 1984)

As campanhas conduzidas nas águas costeiras da Guiné-Bissau no período de maio a

junho foi possível observar as fêmeas em diferentes estados de maturação, nas seguintes

proporções: estádio I (virgem, 38,5 %); estádio II (inicio de desenvolvimento, 20,6 %); estádio

III (ovário desenvolvido, 22 %); estádio IV (pós-desova, 18,5 %).

Após a desova, as pós-larvas migram para o estuário, onde permanecem por um período

de 2 a 3 meses. A migração dos juvenis ocorre aproximadamente aos 4 meses de vida, quando

estes migram para o mar completando assim o seu ciclo de vida.

Na ultima campanha realizada nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, pelo

Instituto de Oceanográfica e Pesca (Mauritânia), com o apoio do Centro de Investigação

Pesqueira Aplicada (CIPA / Gunié-Bissau), nos períodos de 17 de junho a 23 de julho de 2004,

a espécie teve sua distribuição localizada entre os paralelos de 11º 30’-12º 50’ N e 17º 00’-17º

30’W, nas faixas de 20 - 50 m, áreas onde predomina sedimento lamoso. A pesar da campanha

ter decorrido num espaço de tempo relativamente curto, os resultados confirmam que P. notialis é uma espécie de águas rasas (Costeira).

Família: Panaeidae

Nome vulgar: gamba

Nome cientifico: Penaeus longirostris (Lucas, 1846)

(19)

O P. longirostris (gamba) é espécie a segunda mais importante do ponto de vista econômico e pesqueiro, pela sua abundancia nas águas de sua ocorrência.

Tem uma ampla distribuição geográfica, podendo ser encontrado no Atlântico Oriental

desde norte da Espanha (Olaso, 1990) até o sul de Angola (Sobrino et al., 1996; Crosnier et al., 1973). Também é encontrado no Mediterrâneo e nos mares adjacentes (Maurin, 1960; Massuti,

1963; Audouin, 1965, Koukouras et al., 1974).

As principais áreas de ocorrência desta espécie ficam situadas no sul da Espanha e

Portugal (Pestana, 1991; Sobrino, 2000), bem como em Marrocos, Mauritânia, Senegal,

Guiné-Bissau, Gabão e Angola (Cervantes et al.; 1986; 1991; Sobrino e Garcia, 1991). A espécie também tem um valor comercial alto na França, Itália, Argélia, Tunísia, Grécia e Turquia

(Stamatopoulos, 1993).

É encontrado em profundidades que variam de 20 a 750 m, (Tom et al., 1988). Mas seu estrato de distribuição principal está entre 100 – 400 m (Ribeiro Cascalho, 1988; Sobrino,

1988; Sobrino et al; 1991; Crosnier et al., 1970, 1973). Prefere fundos de lama ou areia lamosa.

As fêmeas são maiores que os machos e podem atingir o tamanho máximo de 186 mm

(adultas) e 160 mm (Juvenis) e enquanto que os machos alcançam 160 mm (adultos) e 140 mm

(juvenis). A sua alimentação é composta principalmente de poliquetas, larvas de peixes e de

gastrópodes.

Na campanha 5º oceanográfica realizada na plataforma continental da Guiné-Bissau,

entre maio – julho de 1995 NI “CAPRICÓRNIO”, pelo Instituto Português de Investigação

Marítima (IPIMAR / Lisboa), com o apoio do Centro de Investigação Pesqueira Aplicada

(CIPA / Guiné-Bissau), as áreas de maior ocorrência de P. longirostris (gamba) fica entre os paralelos 11º 30’-12º 00’ N e 17º 00’ -17º 30’ W, nas faixa compreendida entre 50 -200 m de

profundidade.

Na ultima campanha realizada nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, pelo

Instituto de Oceanográfica e Pesca (Mauritânia), com o apoio do Centro de Investigação

Pesqueira Aplicada (CIPA / Gunié-Bissau), nos períodos de 17 de junho a 23 de julho de 2004,

a espécie teve sua distribuição localizada entre os paralelos de 10º 00’-11º 30’ N e 16º 30’-17º

00’W, nas faixas de 20 - 50 m, de profundidade, sendo mais abundante nas faixa de 50 – 200

m de profundidade, zonas com ligeira mistura de areia fina com sedimento lamoso. A pesar

desta ultima campanha ter decorrido num espaço de tempo relativamente curto, se comparado

(20)

na plataforma continental, concentrado principalmente faixa de 100 – 200 m de profundidade,

mostrando, que esta espécie é uma espécie de águas profundas (oceânica).

Os estudos feitos nas águas européias, especialmente Portugal, Espanha, Itália e Grécia,

indicam que para ambos os sexos desta espécie, a dieta alimentar é composta, principalmente,

de poliquetas, larvas de decápode, gastrópodes e amphipoda. Para todos os períodos

observados, estas cinco categorias de presas constituem 18,25 – 57,8 % da abundância relativa

e 18,9 – 57,2 % de freqüência de ocorrência para machos. Para as fêmeas, esses valores são

respectivamente 16,8 – 70, 2 %. Cefalópodes e nematódea eram comuns na dieta de ambos os

sexos durante o período de setembro, considerando que aplacófora, cefalópode, reptantia e

mysidacea só estavam presentes na dieta de ambos os sexos durante este período. Portanto,

analisando os diferentes trabalhos realizados sobre o hábito alimentar de Penaeus longirostris, podemos acreditar que a espécie se alimenta de diferentes organismos. Esta variação na

composição da dieta alimentar pode estar relacionada com diferentes condições ambientais e

distribuição biogeográfica. Pode-se ainda, observar que a alimentação desta espécie varia de

acordo com o período do ano (Anônimo, 2001).

Na plataforma continental da Guiné-Bissau tem sido capturada a partir de 30 m de

profundidade, em fundos de vasa arenosa ou areia lamosa, povoados por pequenos

gastrópodes, poliquetas e outros crustáceos (Chasse & Glêmarec, 1976).

Na ultima campanha realizada nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, pelo

Instituto (Mauritânia) de Oceanografia e Pesca, com o apoio do Centro de Investigação

Pesqueira Aplicada (CIPA), nos períodos de 23 de junho a 17 de julho de 2004, os exemplares

desta espécie foram capturados principalmente entre 100 e 200 metros, confirmando assim que

(21)

Família: Panaeidae

Nome vulgar: camarão-tigre

Nome cientifico: Penaeus keraturus (Forsskal,1775)

Figura 8 - Espécime de Penaeus longirostris (Lucas, 1846).

Penaeus keraturus é a terceira espécie mais importante de camarão sob o ponto de vista comercial. Conhecido por camarão tigre, por apresentar uma coloração que parece lembrar o

tigre. Vive geralmente associado aos fundos arenosos entre profundidade que varia entre 5 –

50 m. Trabalhos realizados em águas liberianas (norte da África) mostram que durante o

período de maio – novembro são encontradas as pós-larvas próximos a desembocadura de rios

e nos estuários. Varias campanhas oceanográficas foram realizadas ao longo da plataforma

continental da Guiné-Bissau, mas poucos trazem informações relativas a esta espécie.

Mesmo nesta ultima campanha oceanográfica, realizada nas águas da plataforma

continental da Guiné-Bissau, pelo Instituto (Mauritânia) de Oceanografia e Pesca, com o apoio

do Centro de Investigação Pesqueira Aplicada (CIPA), nos períodos de 23 de junho a 17 de

julho de 2004, não foram encontrados ao longo de todos os pontos amostrados nenhum

exemplar desta espécie. Este fato pode ser devido a campanha ter sido realizado em espaço de

(22)

3.2.2 – Peixes

Apresentamos a seguir a sinopse biológica de algumas espécies, identificadas através

de fotografias constantes do Anexo A.

Família Soleidae

Nome vulgar: linguado

Nome cientifico: Dicologoglossa cuneata (Moreau, 1881)

Espécie pelágica/demersal costeira, ocorrendo na costa da África, desde o mar

Mediterrâneo à África do Sul, nas profundidades que variam de 10 a 460 metros. Prefere

fundos de areia ou lama, nas águas com temperatura oscilando entre 15º e 24º C e salinidade

acima de 35 ‰. Alimenta-se de pequenos crustáceos, poliquetas, bivalves e moluscos. O

tempo mínimo para a população de esta espécie duplicar a biomassa é de 15 meses (Desonter,

1990).

Alcança o comprimento total máximo de 30 cm (Reiner, 2002). Durante campanhas

oceanográficas conduzidas em águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, esta espécie

teve maior ocorrência em profundidades que variam de 20 a 100 m, sendo a maior abundância

entre 50 e 100 m (IPIMAR / LBM, 1996).

Na ultima campanha realizada nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, pelo

Instituto de Oceanografia e Pesca, (Mauritânia) com o apoio do Centro de Investigação

Pesqueira Aplicada (CIPA), nos períodos de 23 de junho a 17 de julho de 2004, a espécie teve

pouca participação em todos os estrados amostrados, restringindo a sua ocorrência aos

paralelos de 10º 30’-10º 05’ N e 16º 30’-16º 05’ W, abaixo de 50 m de profundidade, onde

predomina sedimento de areia fina.

Família Soleidae

Nome vulgar: limar

Nome cientifico: Microchirus boscanion Chabanaud, 1758

Espécie demersal/costeira, com o corpo que se confunde com o linguado, porém,

apresenta uma boca um pouco maior que o linguado, corpo achatado e olhos dorsalmente

grandes. O espaço interorbital é mais longo nos machos que nas fêmeas, sendo reduzido a uma

(23)

séries nos maxilares superiores e numa série no maxilar inferior. Vários dentes anteriores, do

maxilar superior, transformados em caninos. Branquispinhas curtas e grossas, em número de 7

a 9 no lado inferior do primeiro arco branquial. Raios superiores das barbatanas peitorais

alongados nos machos. Barbatana dorsal com 83 a 92 raios. Barbatana anal com 64 a 74 raios,

barbatana peitoral do lado cego ausente. Bases das barbatanas ventosas, curtas,

aproximadamente iguais entre si, linha lateral reta, com 54 a 68 escamas.

Lado ocular castanho mais ou menos avermelhado, com ou sem manchas no corpo e nas

barbatanas ímpares. Lado cego em geral esbranquiçado atinge cerca de 40 cm de comprimento

total.

A espécime observado atingiu 24 cm de comprimento. É capturado principalmente em

fundos lodosos e arenosos, entre 15 a 200 m de profundidade.

Tal como linguado, limar teve pouca participação nesta ultima campanha realizada pelo

Instituto (Mauritânia) de Oceanografia e Pesca com o apoio do Centro de Investigação

Pesqueira Aplicada (CIPA). Sua distribuição foi observada entre os paralelos 10º 00’-10º 25’

N e 16º 30’-16º 50’ W e 11º 00’-11 50’ N e 17º 00’-17º 35’ W e, faixa compreendida entre 50

e 200 m profundidade, zona onde predomina sedimento de areia fina.

Família Sciaenidae

Nome vulgar: corvina

Nome cientifico: Argirosomus regius ( Asso, 1801)

Espécie demersal costeira, de ampla distribuição geográfica. Encontrada desde o Mar do

Norte, em todo o Mar Mediterrâneo e o longo da costa ocidental da África, de Marrocos a

Angola. Prefere áreas rasas, com até 20 m de profundidade. Chega a 1,8 m de comprimento

total e 60 kg de peso total. Basicamente, se alimenta de moluscos e pequenos peixes, com

destaque para os clupeídeos, cujas migrações acompanha ao longo de quase a costa ocidental

africana, reproduzindo-se de janeiro a julho na costa da Mauritânia e do Senegal (Chao &

Trewavas, 1990).

Nas campanhas oceanográficas efetuadas em águas da Guiné-Bissau, as áreas de maior

abundância da corvina estão na parte norte, com temperatura inferiores a 25º C, profundidades

em torno de 50 m. Prefere fundos de vasa (INIP/LMB, 1988).

A espécie parece ter preferência para fundos de vasa. Nas campanhas oceanográficas

realizadas na plataforma continental, indica que os exemplares com comprimentos que variam

(24)

Família: Carangidae

Nome vulgar: carapau

Nome cientifico: Decapterus punctatus (Cuvier, 1829)

Em campanhas oceanográficas realizadas ao longo da costa da Guiné-Bissau, a

distribuição de larvas e alevinos do carapau ocorreu em águas com até 50 m de profundidade.

Trata-se de espécie pelágica costeira de mares tropicais e subtropicais, podendo ser

temporariamente bentônica, freqüentando fundos duros ou rochosos; penetra em estuários e

lagunas, chegando a 25 cm de comprimento total; vive em águas com temperatura entre 19º -

25º C e salinidade em torno de 36 ‰ (INIP/ LBM, 1993).

Ao longo da costa africana, sua distribuição geográfica vai de Marrocos à África do Sul;

em águas da Guiné-Bissau, os melhores pesqueiros do carapau estão situados entre os

paralelos 10º 30’ e 11º 30’ N.

O carapau se alimenta de larvas planctônicas de crustáceos e pequenos peixes. Ao longo

da costa da Guiné-Bissau se reproduz entre os paralelos 10º 35’ e 11º 50’ N, em águas com

temperaturas superficiais entre 22º - 25º C e de alta salinidade. Pode alcançar 25 cm do

comprimento total, sendo freqüentemente capturado com até 15 cm (Reiner, 2002).

Nesta última campanha realizada pelo Instituto (Mauritânia) de Oceanografia e Pesca

com o apoio do Centro de Investigação Pesqueira Aplicada (CIPA), o Decapterus punctatus (carapau), teve uma ampla distribuição em grande parte dos estratos observados entre os

paralelos 10º 50’-11º 25’ N e 16º 00”-17º 30’ W, nas faixa de 10 -200 m de profundidade,

onde predomina sedimento de areia fina.

Família: Polinemidae

Nome vulgar: barbinho

Nome cientifico: Galoides decadactylus (Bloch, 1795)

É uma espécie de águas profundas e, geralmente, aparece nas regiões próximas à costa. A

espécie é conhecida por desenvolver hermafroditismo não funcional que surge nos macho

normal (Longhurst, 1965). É peixe semi-diádromo e, em geral, migra para regiões estuarinas.

Alimenta-se, principalmente, de organismos bentônicos como crustáceos e poliquetas.

O barbinho, Galoides decadactylus, é uma espécie demersal costeira, encontrado em profundidades que variam de 10 – 70 m. A espécie pode atingir um tamanho máximo de 50 cm

(25)

associados ao fundo, preferencialmente de areia e de águas rasas e barrentas. Alimenta-se,

principalmente, de invertebrados bentônicos e de larvas de peixes.

A espécie é encontrada nos mares tropical e subtropical entre os paralelos 28º N e 13º S.

Na parte oriental do Oceano Atlântico se distribui desde Marrocos até Angola, inclusive as

ilhas das Canárias. Geralmente, é encontrado no norte da África (Argélia). Na campanha

realizada na plataforma continental da Guiné-Bissau, pelo Instituto de Oceanografia e Pesca

(Mauritânia), com o apoio do Centro de Investigação Pesqueira Aplica (CIPA / Guiné-Bissau),

a maior abundante desta espécie foi entre os paralelos 11º 30’-12º 00’ N e 16º 35’-17º 20’ W,

com participação relativamente baixa entre os paralelos 10º 50’-11º 00’ N e 16º 30’-16º 50’ W

e 11º 30’ e 17º 00, nas faixas de 10 – 50 m, sendo mais abundante entre 10 – 20 m de

profundidade, nas proximidades dos rios Cacheu e Geba.

Família: Polinemidae

Nome vulgar: barbo

Nome cientifico: Polidactylus quadrifilis (Cuvier, 1829)

Esta espécie pode alcançar o comprimento total de 150 – 200 cm, habita áreas profundas

de fundos arenosos, e também pode ser encontrada nas regiões próximas à praia até

profundidades de 50 m, e nos estuários e lagunas cercadas de manguezais. Geralmente,

empregam-se redes de arrasto para a sua captura.

O barbo, Polidactylus quadrifilis, é uma espécie da mesma família que o barbinho, mas maior que este. É encontrado em águas rasas e de fundos barrentos, em profundidades que

variam entre 15 – 55 m. Alimenta-se, principalmente, de crustáceos e pequenos peixes.

Esta espécie pode alcançar o tamanho máximo de 200 cm de comprimento total,

chegando pesar aproximadamente 75 kg. A espécie é de ampla distribuição geográfica,

podendo ser encontrada nos mares tropical e subtropical. No Atlântico Oriental, distribui-se

desde o Senegal até o Congo. Na plataforma continental da Guiné-Bissau é mais abundante na

(26)

Família: Ariidae

Nome vulgar: bagre

Nome cientifico: Arius spp.

Dentre os as espécies que compõem o gênero Arius, três deles ocorrem na costa africana, que são Arius hedelotii, A. latiscutatus e A.parkii. Na plataforma continental da Guiné-Bissau são capturadas e agrupadas apenas como bagre (nome local), devido a grande semelhança

apresentada entre eles. Podem atingir 70 cm de do comprimento total, geralmente é capturada

na faixa de 35 cm de comprimento. São estuarinos/demersal costeiro.

É encontrado em quase todos os oceano do mundo e no Atlântico oriental desde

Mauritânia até Angola e Mediterrâneo (Golani e Bem-Tuvia, 1986).

Na última campanha oceanográfica realizada pelo Instituto de Oceanografia e Pesca

(Mauritânia), em colaboração com o Centro de Investigação Pesqueira Aplicada (CIPA /

Guiné-Bissau), os períodos de 17 de junho a 23 de julho de 2004, a espécie A. heudelotii foi encontrado entre 10º 30’-10º 50’ N e 16º 25’ 17º 35’ W, tendo sua distribuição concentrada

entre os paralelos de 11º 30’-12º 00’ N e 16º 50’-17º 25’ W, nas faixas compreendidas entre 10

– 50 m de profundidade, onde predomina sedimento lamoso, próximas a desembocadura dos

estuários.

Para A. latiscutatus, os estratos de distribuição varia de entre os paralelos 10º 30’-10º 35’ N e 16º 00’-16º35’ W, porem, sua maior área de distribuição fica localizada entre 11º 45’-12º

00’ N e 16º 50’-17º25’ W, nas faixas de 10 – 50 m, sendo concentrado entre 10 – 20 m de

profundidade, onde predomina sedimento lamoso.

A terceira espécie A. parkii foi a que teve maior representatividade nesta ultima campanha, tendo encontrado principalmente entre os paralelos 11º 50’-12 00’ N e 16º 30’-17º

25’ W, nas faixas de 10 – 50 m, com maior concentração entre 10 – 20 m de profundidade,

onde predomina sedimento lamoso.

Com base nestas informações, podemos inferir que os representantes deste grupo

(27)

Família: Haemulidae

Nome vulgar: cor-cor

Nome cientifico: Pomadasys sp.

Esta espécie ocorre desde a Mauritânia até o sul de Angola. Prefere fundos arenosos e

barrentos em profundidade que chega a 100 m, podendo também ser encontrado em águas

doces. Alimenta-se principalmente de peixes, crustáceos, bem como de moluscos. A idade

mínima da população varia em torno de 1 – 4 anos.

Apresenta na parte dorsal 11 espinhos dorsal e 15 – 17 espinhos dorsal macios; 3

espinhos anais e 9 raios anais macios. Ocorrem duas espécies na plataforma continental da

Guiné-Bissau, Pomadasysjubelini e rogerii. Esta última campanha não foram encontrados os indivíduos desta espécie em todos os pontos amostrados, provavelmente devido curto espaço

de tempo da campanha.

Família: Serranidae

Nome vulgar: garoupa

Nome cientifico: Cephalopholis sp.

O gênero Cephalopholis (garoupa) tem várias espécies, dentre as quais duas delas ocorrem no Atlântico ocidental, que são C. taeniopsis e C. nigri. É uma espécie demersal de grande importância comercial em suas áreas de ocorrência. As duas espécies são encontradas

desde Marrocos até Angola. Também é encontrado nas ilhas de Cabo Verde e nas ilhas de São

Tomé e Príncipe. Prefere fundos rochosos ou arenosos, com profundidade que varia de 20 a

200 m (Sparre et al., 1997).

Família: Trichiuridae

Nome vulgar: peixe-espada

Nome cientifico: Trichiurus lepturus Linnaeus, 1758

O peixe-espada, Trichiurus lepturus, apresenta um corpo muito longo e comprimido que faz lembrar uma espada, daí o nome de peixe-espada. Todo o corpo dele não tem escama e

com uma ponta terminal sem causa. Uma nadadeira dorsal muito longo, que se estende ao

(28)

Apresenta sexo separado, sem o dimorfismo e fecundação externa. A coloração é

prateada. O comprimento total médio pode chegar a 80 cm.

Distribui-se em todo o Atlântico ocidental desde os Estados Unidos até Argentina. Na

costa africana, é encontrado desde Marrocos até Angola. Capturado principalmente que

profundidade que varia de 20 a 120 m. É uma espécie semi-pelagica, que habita as zonas de

convergência, tanto a nível oceânico com estuário. Forma grandes cardumes, dependendo da

época do ano. Acredita-se que a sua abundância é maior no período do verão. É um predador

voraz, que se alimenta de pequenos peixes, tais como merlusa e anchova. Também se alimenta

de moluscos e crustáceos, especialmente de camarão. É capturado com parte da fauna

acompanhante durante o arrasto de camarão, todavia, pode ser capturada com rede-de-cerco,

espinhel e pesca de linha-e-anzol.

3.2.3 -Moluscos

Família: Sepiidae

Nome vulgar: choco

Nome cientifico: Sepia spp.

A família Seppidae representa outra categoria da classe molusco que tem grande

importância na fauna acompanhante de pesca de camarão ao longo da costa da Guiné-Bissau.

Como a classe cefalópode, todos os indivíduos capturados pela pesca industrial são agrupados

como choco-comum, porque os observadores enviados para acompanhar a atividade pesqueira

não são treinados o suficiente para reconhecer e separar as diferentes espécies. Deste modo, as

capturas em toneladas desembarcadas são compostas de três espécies de chocos que ocorrem

na costa africana. Porém sabe-se que Sepia officinalis é a espécie mais abundante e de maior interesse comercial nas áreas de sua abrangência.

Esta espécie apresenta o corpo longo, oval e dorsalmente limitado por barbatanas

estreitas que não se conecta ao fim posterior (Mangold, 1989). Os olhos estão cobertas por

uma córnea protetora. Os braços ventrais são os mais longos e mais largos. Os tentáculos são

completamente retráteis em bolsos que ocupam a região ventral de cabeça. Os jovens se

assemelham aos adultos quando nascem e também são bentônicos. Geram ovos grandes que

são armazenados no oviduto da fêmea. Durante a geração de ovos, eles são cobertos com

secreção de oviducal, e depositados isoladamente em um substrato (Boletzky, 1983). A

duração de desenvolvimento embrionário desta espécie depende, principalmente, da

(29)

regiões temperadas. Os jovens nascem com uma reserva de nutrientes que lhes permite

sobreviver por alguns dias na ausência de comida. E após alguns dias os recém-nascidos

começam a caçar suas presas, que são caranguejos e outros crustáceos bentônicos.

Os indivíduos juvenis e adultos alimentam-se, principalmente, de presas maiores como

peixes e outros organismos bentônicos (Guerra, 1985; Castro & Guerra, 1989, 1990). Prefere

águas com temperatura entre 10º - 25º C e salinidade alta (INIP/LBM,1992).

Em águas tropicais e subtropicais, os indivíduos crescem mais rápido e atingem a

maturidade sexual mais cedo e com um tamanho menor do que os que vivem em regiões

temperadas. Portanto, a maturidade sexual pode ser regularizada, pelas variações da

temperatura da água. Mesmo em regiões tropicais e subtropicais este efeito da temperatura

pode exercer papel fundamental no processo do desenvolvimento embrionário, uma vez que,

se a temperatura baixar muito, este processo pode ser controlado através do sistema nervoso

central.

Em espécies tropicais, a câmara de ar pode ser formada diariamente, de forma que o

número de septas corresponde à idade em dias. Porém, em regiões temperadas, este processo

pode levar 2 a 3 dias para se formar (Boletzky, 1983). O número de ovos maduros encontrados

no ovário de qualquer fêmea não é um indicador de fecundidade porque em S. officinalis o total de ovos ultrapassa a capacidade de geração do ovário. Um aspecto que merece destaque

na biologia e no comportamento da maioria das espécies da família Sepiidae é a migração

realizada apenas pelas espécies que vivem em águas temperadas. Fato ausente nas espécies

encontradas em regiões tropicais e subtropicais. Por exemplo, o choco europeu faz uma

migração desde a região sul da Espanha até o norte de Portugal. Os indivíduos da maioria das

espécies que pertencem a esta família podem viver de 1 a 3 anos, de acordo com as condições

do meio ambiente. O gênero Sepia inclui numerosas espécies que vivem em águas tropicais, subtropicais e temperadas. É encontrado em todos os oceanos e mares do mundo, incluindo

toda a costa das Américas (Adam, 1979; Nesis, 1982).

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É espécie de grande interesse comercial em quase todo o mundo. Vive em águas rasas,

embora possa ser encontrada em profundidades que chegam a 600 m (Lu & Roper, 1991)

desde Marrocos até o sul da África do Sul, e também é no Mediterrâneo e mares adjacentes.

Também é conhecido como peixe-tinta, é pelágica costeira e oceânica, ocorrendo em

profundidades entre 10 – 50 metros com a temperatura da água variando entre 10º C e 25º C, e

salinidade alta (INIP/LBM, 1992).

Família: Octopodidae

Nome vulgar: polvo

Nome cientifico: Octopus spp.

A classe cefalópode compreende cerca de 700 espécies, distribuídas em 140 gêneros e 45

famílias (Sweeney & Roper, 1998). À exceção das espécies da subclasse Nautiloidea, os

cefalópodes contemporâneos pertencem à subclasse Celeioidea, que se caracteriza por possuir

concha interna ou ausente, um único par de brânquias, 8 a 10 apêndices, saco de tinta, grande

“cérebro” e olhos (Roper et al., 1984; Hanlon & Messenger, 1998). Quatro ordens contêm a maior parte das espécies de Celeioidae: Sepiolida, Seppidae, Teuthidae e Octopodidae,

ocorrendo em todos os ambientes marinhos de baixas a grandes profundidades (Nesis, 1982).

Na família Octopodidae, destaca-se pela sua abundância o gênero Octopus com 112 espécies descritas atualmente e distribuídas em águas rasas tropicais.

Nos últimos anos, têm sido realizados trabalhos com o objetivo de elucidar as lacunas

existentes na sistemática dos octópodes (Villanueva et al., 1991; Mangold, 1998; Guerra et al., 1999), sendo a fauna do Atlântico Ocidental, a menos estudada. Os primeiros registros da

fauna de octópodes desta região foram baseados em exemplares coletados durante expedições

exploratórias dos séculos Octopus vulgaris, originalmente descrito por Cuvier, foi por muito tempo considerado uma espécie cosmopolita (Robson, 1929), não existindo um exemplar tipo.

Um neótipo foi designado em 1988, restringido sua distribuição geográfica às áreas do

Mediterrâneo e Atlântico Oriental (Mangold, 1991). Considera-se que sob a denominação de

Octopus vulgaris, foram incluídas várias espécies semelhantes de diversas regiões tropicais e temperadas do mundo (Guerra, 1992; Mangold, 1989). Mais recentemente, os exemplares

originários da América do Sul e outras regiões passaram a ser designados temporariamente

como Octopus vulgaris, embora possam tratar-se de outras espécies (Soller et al., 2000).

(31)

vulgaris é a mais abundante em termos da biomassa, e a mais importante sob o ponto de vista comercial. A estatística pesqueira da Guiné-Bissau agrupa todas as espécies numa única

categoria como sendo polvo comum, por não se ter condições de fazer a identificação e

separação das três espécies que ocorrem na costa africana.

Considerado uma espécie de ampla distribuição geográfica, as populações concentram-se

plataforma continental até 100-150 m de profundidade sobre diversos tipos de substratos

(arenosos, cascalho, rochosos), em limites de temperatura entre 7º a 33º C e de salinidade entre

32 e 40 ‰. Têm-se observado migrações estacionais desta espécie até a costa. (este

comportamento é relacionado à reprodução), além das zonas profundas, onde crescem e

amadurecem sexualmente. Com características distintivas, da espécie observa-se que, nos

machos, as ventosas 15 e 17 do segundo e terceiro par de tentáculos são maior que as demais.

Ainda a presença de 4 manchas brancas: duas entre o olho e outras duas embaixo da papila

dorsal (Guerra, 1992).

Octopus vulgaris se alimenta de poliquetas, crustáceos, moluscos, peixes, podendo ser ainda observado o canibalismo. Para este tipo de alimentação, a presa é localizada com os

olhos bem desenvolvidos e a captura é efetuada pelos tentáculos. As espécies são dióicas

durante todo o ciclo de vida. O dimorfismo sexual externo é muito acentuado, sendo observada

apenas a presença do hectocótilo. O terceiro braço dianteiro dos machos é hectocotilizado onde

a lígula é pequena e tem a forma de uma colher (Guerra, 1992). A identificação dos sexos é

feita através da observação dos órgãos reprodutores internos, sendo possível, em qualquer

altura do ciclo de vida distinguir os machos das fêmeas.

O seu comportamento individualista é apenas interrompido durante a cópula e a postura.

Os machos possuem um testículo que se abre num gonoduto impar do lado esquerdo do ânus.

A fêmea possui também um único ovário, mas este se abre em dois gonoduto, um de cada lado

dos ânus. Reproduz-se próximo a costa, a pouca profundidade, durante o inverno, e permanece

no litoral desde a primavera até o outono. Os machos se tornam maduros sexualmente a partir

de 150 g, enquanto que as fêmeas não antes de atingir 700 g (Gonçalves, 1993).

Sua fecundidade oscila entre 100.000 a 400.000 ovos por fêmea, dependendo do tamanho

(Guerra, 1992). Os ovos são pequenos e formam cachos, tendo sido observado o cuidado das

fêmeas com a postura. O período de postura é dilatado, podendo estender por todo o ano, em

zonas tropicais (Gonçalves, 1993). Parecem existir dois períodos de maior atividade sexual no

(32)

embrionário depende da temperatura (20-25 dias a 25º C, 125 dias a 13ºC). Os jovens medem

aproximadamente 2 mm de comprimento do manto e são planctônicos e, depois de certo

tempo, se tornam bentônicos (Guerra, 1992).

Segundo Hernández-Garcia et al., (2002), na costa das Ilhas Canárias, o período de cópula e postura de O. vulgaris ocorre durante todo o ano. No entanto, foi observada a existência de dois períodos de máxima atividade reprodutiva, como o proposto por Guerra

(1992) para o Atlântico, um em janeiro a junho, com um pico em abril, e o segundo, em

outubro – novembro.

Gonçalves (1991), nas Ilhas de Açores (Portugal), registrou a existência de dois picos

reprodutivos: um principal em setembro e um secundário em maio. Guerra (1981) observou

um período de reprodução para esta espécie no mês de outubro, considerado como o período

de máxima reprodução para O. vulgaris.

Além destes trabalhos, outros realizados como o de Caverivière (1999), na costa do

Senegal, (país vizinho da Guiné-Bissau), observou que o pico reprodutivo para esta espécie

coincide com os relatados por Guerra (1992). Este ainda mostra que a uma temperatura de 26º

C a duração do desenvolvimento embrionário foi de 15 a 42 dias.

Ao nascer, os jovens pesam 2 mg, e adultos pesam de 2 a 3 kg em 12 a 18 meses

(Mangold et al., 1983). O processo de maturação é semelhante ao de outros cefalópodes e o número de estágios de maturação pode variar de acordo com a espécie.

A maturação ocorre primeira nos machos, com menor tamanho e, provavelmente, com

menor idade. Esta espécie é caracterizada ainda por elevada taxa de crescimento, em que as

fêmeas atingem dimensões superiores aos machos, sendo ainda caracterizada por padrões de

recrutamento complexos, com muitas coortes durante o ano (Borges, 1999).

Portanto, podemos perceber que o período reprodutivo de O. vulgaris varia e a temperatura exerce uma influência bem grande em sua reprodução, em diferentes áreas de

ocorrência.

Dos principais recursos pesqueiros capturados juntamente com o camarão na pesca de

arrasto, nas águas da plataforma continental da Guiné-Bissau, o polvo constitui uma espécie de

grande importância e de interesse para as frotas da Comunidade Econômica Européia e a

Imagem

Figura 1 - Costa da Guiné-Bissau, na África Ocidental, tendo ao norte o Senegal e ao sul a  Guiné-Conakri
Tabela I - Quadro recapitulativo dos protocolos relativos aos Acordos de Pesca União  Européia/Guiné-Bissau
Figura 3 – Corrente de superfície e zonas de afloramento durante a  estação fria  (fevereiro – abril) na costa africana
Figura 4 - Anatomia externa de um camarão peneideo.
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Referências

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