PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL
CATIVA TÊXTIL INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA.
CNPJ: 80.959.513/0001-63 CATIVA MS TÊXTIL LTDA.
CNPJ: 10.289.232/0001-65
CATIVA BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA.
CNPJ: 10.467.099/0001-90
CONDUTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA.
CNPJ: 04.302.276/0001-85
FENIXPAR PARTICIPAÇÕES S.A.
CNPJ: 09.911.601/0001-20
PROCESSO Nº 5001488-08.2020.8.24.0050/SC 1ª VARA CÍVEL - COMARCA DE POMERODE/SC
(AGOSTO – 2020)
2 SUMÁRIO
PARTE I – INTRODUÇÃO ... 3
1. DAS REGRAS DE INTERPRETAÇÃO ... 5
2. DAS EMPRESAS DO GRUPO CATIVA ... 5
3. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO - CONSOLIDAÇÃO SUBSTANCIAL ... 9
4. DA CRISE ECONÔMICA E FINANCEIRA ... 15
5. DOS OBJETIVOS DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL ... 18
PARTE II - DAS MEDIDAS PARA RECUPERAÇÃO ... 18
6. INTRODUÇÃO... 18
6.1. Da Reestruturação Organizacional ... 19
6.2. Reestruturação da Área Administrativa ... 19
6.3. Reestruturação da Área Comercial... 21
6.4. Da Reestruturação da Área Industrial ... 23
6.5. Reestruturação Do Mix De Produtos e “Lead Time” Produtivo ... 23
6.6. Do Destaque das Marcas ... 24
6.7. Implantação De Plano Orçamentário ... 24
6.8. Redução De Custos Financeiros ... 25
6.9. Crédito Junto a Instituições Financeiras e Fornecedores ... 25
6.10. Reescalonamento do Endividamento Geral ... 26
6.11. Do Período de Carência ... 26
6.12. Da Possibilidade de Cisão, Incorporação, Fusão ou Transformação ... 27
6.13. Trespasse ou arrendamento de estabelecimento ... 27
6.14. Da Venda de Ativos ... 27
6.14.1. Venda de Maquinários e Equipamentos ... 28
6.14.2. Venda de Veículos ... 28
6.14.3. Venda de Imóveis ... 28
6.15. Das Projeções Realizadas para o Plano de Recuperação Judicial ... 29
7. DA ADMINISTRAÇÃO ... 30
7.1. Continuidade das Atividades ... 30
7.2. Fomento Ligado a Atividade da Empresa ... 30
7.3. Da Obtenção de Recursos ... 31
PARTE III – PAGAMENTO DOS CREDORES ... 31
8. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS ... 31
8.1. Novação dos Créditos ... 31
8.2. Da Suspensão das Execuções e/ou Cobranças em face dos sócios e/ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos ... 33
8.3. Meios de Pagamentos ... 34
8.4. Valor dos Créditos ... 36
8.5. Regras de Distribuição ... 36
8.6. Revisão da Distribuição e Alocação dos Valores ... 36
8.7. Créditos Novos que Devem e/ou Podem Aderir ao Plano ... 37
8.8. Da Possibilidade de Renúncia do Crédito Total ou Parcial ... 38
8.9. Da Possibilidade de Compensação ... 38
8.10. Extinção do Débito Mediante Quitação ... 38
9. DO PAGAMENTO AOS CREDORES ... 39
9.1. Classe I - Trabalhista ... 39
9.2. Classe II – Garantia Real ... 40
9.3. Classe III - Quirografários ... 41
9.4. Classe IV – ME e EPP ... 42
9.5. Dos Credores Parceiros: Instituições Financeiras, Fornecedores de Matéria Prima, Insumos em Geral e Prestadores de Serviços ... 43
9.5.1. Condição de Pagamento para Credores Parceiros Instituição Financeira ... 45
9.5.2. Condição de Pagamento para Credores Parceiros de Natureza Operacional (Fornecedores matéria prima, e insumos em geral e prestadores de serviços) – Amortização Acelerada ... 46
9.6. Leilões Reversos ... 48
10. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS ... 48
10.1. Cessão de Créditos e Assunção de Dívida ... 48
10.2. Vinculação do Plano e Novação ... 49
10.3. Modificações do Plano de Recuperação Judicial ... 49
10.4. Encerramento do Processo de Recuperação Judicial ... 50
10.5. Divisibilidade das Previsões do Plano ... 50
10.6. Formas de Comunicação ... 50
10.7. Lei Aplicável ... 51
10.8. Eleição de Foro... 51
11. ANEXOS ... 52
3 PARTE I – INTRODUÇÃO
CATIVA TÊXTIL INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA., pessoa jurídica de direito privada, inscrita no CNPJ: 80.959.513/0001-63, com endereço a Rua Hermann Ehlert, 320, Centro, Pomerode/SC - CEP 89.107-000;
CATIVA MS TÊXTIL LTDA., pessoa jurídica de direito privada, inscrita no CNPJ:
10.289.232/0001-65, com endereço a Avenida Solum Padilha, s/nº, Loteamento Polo Empresarial, Campo Grande/MS - CEP 79.108-610; CATIVA BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA., pessoa jurídica de direito privada, inscrita no CNPJ: 10.467.099/0001-90, com endereço na BR 470, Km 96, s/nº, Bairro Ribeirão do Bode, Apiúna/SC - CEP 89.135-000; CONDUTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA. pessoa jurídica de direito privada, inscrita no CNPJ: 04.302.276/0001-85; FENIXPAR PARTICIPAÇÕES S.A., pessoa jurídica de direito privada, inscrita no CNPJ: 09.911.601/0001-20, com endereço a Rua Alfredo Hoge, nº 114, sala A, Centro, Pomerode/SC - CEP 89.107-000;
denominada simplesmente “GRUPO CATIVA”, propõem o seguinte PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL (“Plano RJ”), em cumprimento ao disposto no art. 53 da Lei nº 11.101/2005 (“Lei de Recuperação Judicial”), pelo qual deverão ficar sujeitos todos os credores cujos créditos tenham fato gerador anterior ao pedido da recuperação judicial e sejam a ela sujeitos.
O presente Plano recuperacional se faz necessário diante da forte crise econômica e política que assola nosso país, notadamente diante da PANDEMIA desencadeada pelo CORONAVÍRUS (COVID-19), situações essas que afetaram diretamente as vendas do varejo e, por consequência, da indústria de confecções, impactando drasticamente as relações de consumo, gerando queda nas vendas, causando aumento da inadimplência de seus recebíveis, que acabou reduzindo seu resultado e, por consequência, afetou fortemente o seu fluxo de caixa, causando um alto endividamento.
Salienta-se que a crise no setor têxtil vem se estendendo desde 2015, pela qual a Recuperanda já vinha sendo atingida, mas conseguia manter um certo equilíbrio em suas finanças, contudo, em 2020, a crise se agravou de forma descomunal, diante da PANDEMIA, com a decretação de estado de calamidade
4 pública, sendo editados inúmeros decretos e medidas governamentais impondo isolamento e distanciamento social, com a paralisação de comércios e indústrias, criando um cenário de grande impacto econômico (recessão econômica).
Assim, no primeiro semestre de 2020, apesar de todos os esforços, não foi possível atingir o ponto de equilíbrio financeiro, eis que houve um grande arrefecimento do mercado, com sucessivas quedas no faturamento, as quais contribuíram para que o GRUPO CATIVA necessitasse reorganizar suas operações e ajuizasse o Pedido de Recuperação Judicial, conforme dispõe a Lei n° 11.101/2005 – que foi distribuído e autuado sob nº 5001488- 08.2020.8.24.0050/SC, em tramite na 1ª Vara Cível da Comarca de Pomerode/SC;
Diante da necessidade de apresentação de um Plano de Recuperação Judicial, a fim de recompor seu endividamento, de forma a permitir condições e meios de pagamento aos credores e ao mesmo tempo assegurar a manutenção e preservação das atividades da empresa, apresenta o presente plano recuperacional, que deverá ser processado mediante consolidação substancial com as demais empresas Recuperandas que formam o GRUPO CATIVA, o qual contém a discriminação dos meios de recuperação que deverão ser empregados, conforme o art. 50 da LRF, demonstrando sua viabilidade econômica, o laudo econômico-financeiro e a avaliação dos bens e ativos da Recuperanda, subscritos por profissional legalmente habilitado e/ou empresa especializada, atendendo a todos os requisitos impostos pela Lei n°
11.101/2005.
Através deste Plano Recuperacional, as demais empresas do GRUPO CATIVA buscam superar sua crise econômico-financeira e reestruturar seus negócios, com o objetivo de (i) preservar sua atividade empresarial, (ii) manter- se como fonte de riquezas, tributos e empregos e (iii) renegociar o pagamento de suas dívidas, de forma a atender os interesses de seus Credores, dentro de uma distribuição de ônus e obrigações que lhe permitam assegurar a manutenção e preservação das atividades empresárias, a fim que continue cumprindo sua importante função social.
5 Portanto, com base nas considerações descritas acima, as Recuperandas buscam readequar-se dentro do mercado de Confecções, propondo mediante este Plano Recuperacional, novas condições de pagamento aos credores, bem como os meios e condições de soerguimento que deverão ser submetidas a deliberação e aprovação da Assembleia Geral de Credores, a ser convocada nos termos do Artigo 56 da LRF, bem como, à homologação judicial.
Desta forma, passa-se a delimitar todos os direitos, deveres e obrigações as quais as Recuperandase seus CREDORES deverão se submeter, consoante as condições e termos que passa a expor.
1. DAS REGRAS DE INTERPRETAÇÃO
Este Plano deverá sempre ser interpretado, na sua aplicação prática, de modo que as condições e disposições nele contidas sejam sempre consideradas em benefício e de modo a facilitar o soerguimento da empesa, assegurando sempre meios e condições mais favoráveis a manutenção e preservação das Recuperandas, observando os objetivos do art. 47 da Lei de Recuperação Judicial.
Assim, havendo dúvidas ou necessitando esclarecimentos aos termos, condições, cláusulas ou qualquer assunto previsto no plano recuperacional, ficará a cargo da Recuperanda esclarecer o que o Plano Recuperacional está dispondo e como deve ser cumprido, visando a manutenção e preservação das Recuperandas, de forma a assegurar os objetivos da Lei de recuperação judicial.
2. DAS EMPRESAS DO GRUPO CATIVA
A Grupo CATIVA iniciou suas atividades em setembro/1988, com a fundação da empresa CATIVA TÊXTIL IND. E COM. LTDA., na cidade de Pomerode/SC, tendo como objeto social o ramo da indústria e comércios de artigos de vestuário.
6 Em 1995 foi constituída a CATIVA BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA., unidade fabril localizada em Apiúna/SC, destinada a realização de procedimentos de beneficiamento e tingimentos das malhas industrializada pelo CATIVA TÊXTIL.
Em 2001 foi constituída CONDUTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA., unidade fabril localizada na cidade de Mafre/SC, destinada aos processos de costura, revisão e embalagem das malhas cortadas e industrializando sob encomenda para a CATIVA TÊXTIL.
Em junho de 2008 foi constituída a FENIXPAR PARTICIPAÇÕES com a integralização das quotas sociais da CATIVA TÊXTIL e passou a ser sócia controladora de todas as sociedades do GRUPO CATIVA.
E em julho de 2008 foi constituída a CATIVA MS TÊXTIL LTDA., unidade fabril localizada na cidade de Campo Grande/MS, destinada aos processos de costura, revisão e embalagem das malhas cortadas e industrializando sob encomenda para o GRUPO CATIVA.
Atualmente as empresas Recuperandas que formam o GRUPO CATIVA possuem unidades fabris muito bem estruturadas, com maquinários de alta tecnologia, tendo grande capacidade de produção.
As empresas que constituem GRUPO CATIVA se trata de um conjunto de empresas sérias e sólidas, que desde a fundação da primeira unidade fabril do grupo, vem investindo pesado em suas atividades, tendo desenvolvido uma marca com personalidade, focada no que existe de melhor no mundo da moda e vestuário.
Assim, o GRUPO CATIVA conquistou grandes lojas e consumidores em todo o país, pois, prima pela matéria-prima de qualidade, com um time de profissionais qualificados e comprometidos com desenvolvimento da marca, buscando sempre inovação, vestuários ricos em detalhes e cheios de inspiração.
7 Esta combinação, aliada a estratégias de marketing eficientes, assegurou à marca uma posição sólida no mercado.
Destaca-se que o GRUPO CATIVA é uma indústria de moda que gerencia 4 coleções por ano e trabalha com linhas de produtos para os públicos feminino, masculino, infantil e juvenil, tendo licenças de marcas famosas para produção de seus vestuários o que lhe permite uma maior exposição e alcance:
Todas as roupas e acessórios são criados a partir do acompanhamento constante de mercado, pesquisas de tendências e viagens internacionais, de inovação em processos e materiais, de atenção ao design e voltado a satisfação no relacionamento com o cliente.
Com várias estratégias implementadas no mercado durante sua existência, o GRUPO CATIVA conseguiu construir uma imensa gama de produtos que podem ser encontrados em diversas lojas espalhadas por todo o país, em mais de 14 mil pontos de venda, bem como podem ser encontrados pelo site oficial https://www.cativastore.com.br/.
O GRUPO CATIVA possuem uma grande rede de vendas por representantes comerciais capacitados para atender lojistas de norte a sul do país, formando um amplo corredor comercial, todo informatizado e que foi
8 pensado para combinar com informações que agilizam a retirada e entrega de pedidos.
O GRUPO CATIVA conta ainda com as mídias sociais com presença marcante no FACEBOOK e INSTAGRAM, tendo mais de 261 MIL seguidores no FACEBOOK (https://www.facebook.com/pg/cativatextil/) e são cerca de mais 66 MIL seguidores no INSTAGRAM (https://www.instagram.com/cativa/) que recebem diariamente novidades e mergulham em seus conteúdos, permitindo alcance de milhares de consumidores.
Destaca-se que o GRUPO CATIVA adota o processo de produção industrial verticalizado, executando internamente todas as suas etapas, com os processos internos de tecelagem, tinturaria, bordado, revisão, corte, estamparia, costura, acabamento e expedição, tendo capacidade de produzir anualmente mais de 10.000.000 de peças de qualidade.
Como se vê, o GRUPO CATIVA é uma das grandes marcas de moda deste país, sendo referência quando o assunto é moda de qualidade, estando sempre laçando tendências materializadas em novos produtos e não abre mão de coleções cheias de estilo e personalidade que já conquistaram todo o Brasil.
Destaca-se que são gerados milhares de empregos diretos e indiretos com as atividades das empresas do GRUPO CATIVA, que integram toda a cadeia produtiva, da confecção até a venda, tendo, portanto, evidente capacidade de gerar impacto social no cenário econômico regional e nacional, com capacidade de promover considerável arrecadação tributária, geração de empregos e renda, fomentado a economia deste país.
Com todo esse know-how, as empresas do GRUPO CATIVA demonstram que se tratam de empresas sólidas, com uma marca e nome sedimentados no mercado da moda, com estrutura e profissionais capacitados a fazer sua atividade empresarial ficar ativa e operante, fomentando o mercado, gerando empregos e rendas.
9 3. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO - CONSOLIDAÇÃO
SUBSTANCIAL
Diante da íntima ligação e interdependência das empresas do GRUPO CATIVA, necessário se faz que a recuperação judicial se processe mediante
“Consolidação Substancial”, mediante plano unificado entre as empresas do Grupo, a ser deliberado em assembleia e votação unificada a fim de que as Recuperandas consigam atingir os objetivos esculpidos na Lei 11.101/2005.
Cada empresa Recuperanda que compõe o GRUPO CATIVA promove uma fase do processo de industrialização, beneficiamento e comercialização no ramo de confecção e vestuário, assim, todas as empresas atuam para um objetivo comum de industrialização e venda de peças de vestuário e confecção.
Destaca-se que a FENIXPAR PARTICIPAÇÕES S.A. é a empresa sócia e controladora de todas as demais empresas, estando todas sob mesma direção e controle, tendo interdependência econômica e organizacional umas das outras, assim, sofre severamente todo o impacto da crise que as demais estão suportando.
A CATIVA BENEFICIAMENTOS se trata de empresa que adquiri os fios e promove o beneficiamento dos mesmos, os transformando em malhas beneficiadas que são vendidas à Cativa Têxtil e o mercado em geral.
A CATIVA TÊXTIL é a empresa que desenvolve as peças, os designs e modelagem, fazendo a tecelagem, promovendo o corte, estampa e bordagem dos produtos.
A CONDUTA e CATIVA MS são empresas que promovem a costura, revisão e embalagem dos produtos para venda aos clientes multimarcas.
Assim, as empresas têm os mesmos fornecedores, promovem negociações de compra e venda de produtos e serviços entre si, vendem e compram produtos e serviços entre si, prestam garantias cruzadas aos seus
10 credores, possuindo grande interdependência econômica e estrutural uma da outra.
Com efeito, as empresas do GRUPO CATIVA se configuram como se fossem uma única unidade, de modo que se enquadram perfeitamente nos requisitos e pressupostos da CONSOLIDAÇÃO SUBSTANCIAL, eis que, embora cada empresa tenha personalidade jurídica própria, estão intimamente interligadas sobre mesmos objetivos, sob mesma direção e controle, tendo interdependência econômica e organizacional, com fornecedores e credores em comum, prestando garantias cruzadas, com relações de crédito intercompany, sendo que o endividamento de uma afeta a outra, assim como o (in)sucesso de uma empresa, afeta as outras empresas do Grupo.
A individualização das empresas do GRUPO como unidades isoladas irá comprometer a própria eficácia do processo recuperacional, afetando o soerguimento de todas as empresas que formam o grupo econômico.
Destaca-se que as Recuperandas se constituem em um grupo societário com o objetivo de atender às necessidades do desenvolvimento dos processos de produção, racionalizando a exploração empresarial, baixando custos e aumentando os lucros. Logicamente, há interesse de toda e qualquer pessoa jurídica integrante de grupo econômico nos atos de qualquer outra integrante, notadamente, como no caso em tela, onde as empresas do GRUPO CATIVA se tratam de grupo econômico que se valem de confusão gerencial e financeira.
Desta forma, o interesse comum é justificado pela unidade de direção ou controle, com objetivos finais idênticos de todos os entes agrupados. Há claro aproveitamento das pessoas jurídicas que formam o grupo econômico com as atividades desempenhadas por qualquer delas, pois agem por coordenação ou subordinação.
Se as empresas do GRUPO CATIVA respondem solidariamente ou subsidiariamente pelo endividamento de qualquer uma delas, também se faz necessário neste momento de crise e perpassando por um processo de
11 reorganização e reestruturação (recuperação judicial) que as empresas do GRUPO CATIVA sejam encaradas como uma unidade só, apresentando proposta mediante consolidação substancial para pagamento de seus credores e soerguimento do Grupo.
Salienta-se que a consolidação substancial se mostra perfeitamente aplicável, diante da interconexão das empresas Recuperandas do GRUPO CATIVA que se apresentam como um bloco único de atuação e são vistas pelo mercado como uma unidade para fins de responsabilidade patrimonial, bem como possuem um liame de interdependência entre as componentes do grupo, por diversos fatores comerciais e jurídicos, sendo empresas que estão sob mesma administração e direção, de forma totalmente interligadas no ramo de confecções/vestuário, cada uma processado fases distintas do processo de industrialização, beneficiamento e comercialização dos produtos têxtil.
Além do mais destaca-se que consolidação substancial é fundamental para manutenção dos benefícios econômicos e sociais que decorrem da preservação da atividade empresarial das empresas que formam o GRUPO CATIVA, eis que incontestavelmente atuam em conjunto e interligadas no mercado, sendo que o tratamento diferenciado entre as empresas afeta todas as empresas do Grupo.
Encontrando-se diante de um grupo econômico, onde existe uma comunhão de direitos e obrigações, o pedido de recuperação judicial é necessário para uma reestruturação de todo o Grupo, já que a crise econômica que afetou uma das empresas devedoras, de alguma forma, seja estrutural, organizacional ou financeira, afeta todas as empresas do Grupo.
Que não se perca de vista que a consolidação substancial possui um viés de caráter organizacional e econômico na recuperação judicial, por funcionar como estratégia operacional e financeira destinada ao soerguimento das atividades do GRUPO.
12 A interdependência das sociedades atuais é de relevância extrema em cenários de crise, já que, normalmente, os grupos empresariais possuem emaranhamentos contratuais que trazem consequências e responsabilizações cruzadas.
Não se pode deixar de levar em consideração que o GRUPO CATIVA se compõem de empresas que estão interligadas no mesmo setor produtivo, promovendo processos de produção de interdependência, como objetivo comum de produzir peças de vestuário para serem vendidas, e se esse produto final não está tendo saída, como é caso instaurado pela PANDEMIA, todas as empresas do GRUPO são afetadas pela crise, sendo necessário o ingresso, em conjunto, com um pedido de recuperação judicial, a fim de que possam enfrentar a crise como uma única entidade.
Assim, a consolidação substancial é uma medida indispensável para o GRUPO CATIVA, a fim de assegurar o pagamento de todos os créditos sujeitos à recuperação judicial, sem discriminação de qual sociedade do grupo gerou o determinado débito.
E no caso em tela temos o preenchimento dos requisitos necessários para adoção da consolidação substancial, que se mostra fundamental para que o GRUPO CATIVA consiga manter os benefícios econômicos e sociais que decorrem da preservação da atividade empresarial (empregos, riquezas, produtos, serviços, tributos etc.), que devem prevalecer sobre o interesse particular de credores e devedores.
Evidencia-se o preenchimento dos requisitos da consolidação substancial que a doutrina e a jurisprudência vêm considerando:
a) Interconexão das empresas: as empresas do GRUPO CATIVA são intimamente ligadas entre si atuando todas no ramo de confecções (TÊXTIL), cada uma desenvolvendo uma das diversas fases do processo de industrialização dos produtos comercializados pelo Grupo;
13 b) Existência de garantias cruzadas: as empresas do GRUPO CATIVA possuem garantias cruzadas, conforme os contratos firmados com diversos credores onde existem operações de avais ou as empresas são garantidores de operações uma das outras;
c) Confusão de patrimônio e de responsabilidade: as empresas do GRUPO CATIVA, assumem responsabilidade solidária/subsidiária entre as empresas do grupo econômico, sendo que o patrimônio de todas acaba respondendo pelas dívidas das empresas do Grupo;
d) Atuação conjunta das empresas integrantes do grupo econômico no mercado: as empresas do GRUPO CATIVA atuam em conjunto, sob a mesma administração e direção, desenvolvendo as mesmas atividades de forma interligada no ramo de confecções/vestuário, porém, cada uma direcionada a fases distintas do processo de industrialização, beneficiamento e comercialização dos produtos;
e) Existência de coincidência de diretores: as empresas do GRUPO CATIVA estão sob a mesma administração e direção;
f) Existência de coincidência de composição societária: as empresas do GRUPO CATIVA, consoante demonstram os contratos sociais, possuem mesma composição societária;
g) Relação de controle e/ou dependência: as empresas do GRUPO CATIVA atuam sob mesmo controle e subordinação, sendo totalmente dependentes uma da outra, pois, a Cativa Têxtil depende dos serviços de Administração, Costura e Beneficiamento das demais, enquanto que as demais empresas dependem da Cativa Têxtil para ter demanda de serviços, pois atuam praticamente de forma exclusiva para Cativa Têxtil, sendo que, em conjunto, desempenham todas as fases de industrialização dos produtos do Grupo Cativa.
14 Assim, diante da interconexão das empresas, da existência de garantias cruzadas, da atuação conjunta das empresas integrantes do grupo econômico no mercado, da existência de coincidência de diretores/administradores, da existência de coincidência de composição societária e diante da relação de controle e/ou dependência das empresas, é plenamente viável e necessário a consolidação substancial do presente plano de recuperação judicial.
Com efeito, o processamento da presente recuperação judicial deve se dar mediante apresentação de plano com CONSOLIDAÇÃO SUBSTANCIAL, pois, as empresas estão intimamente ligadas, sendo totalmente dependentes uma das outras, e se tratadas distintamente o (in)sucesso de uma poderá desmoronar todo o Grupo.
A consolidação substancial tem por objetivo o pagamento de toda a dívida de um GRUPO, utilizando-se de uma reorganização empresarial em prol dos credores, que poderão contar com os esforços e patrimônio de todas as empresas, para satisfazer todos os créditos, o que se monstra inclusive favorável aos interesses dos credores.
O propósito da consolidação substancial é preservar o conglomerado econômico que reúne diversos interesses e interdependências, sendo que sem esta medida seria difícil a superação da crise.
A unificação da lista de credores, com apresentação de plano único, AGC única e votação unificada é medida que se impõe para o sucesso do soerguimento da Recuperanda e demais empesas do GRUPO CATIVA, pois, se assim não for, as chances de soerguimento de todas as empresas fica em risco, tendo em vista que são como uma engrenagem, que se faltar um elo de ligação, toda cadeia de produção pode desmoronar.
Assim, a Recuperanda pugna para que seja aceito o presente plano de recuperação judicial mediante consolidação substancial com as demais Recuperandas do GRUPO CATIVA, eis que melhor se amolda como meio de soerguimento das empresas.
15 4. DA CRISE ECONÔMICA E FINANCEIRA
As situações que levaram as empresas do GRUPO CATIVA para crise econômica e financeira foram discorridas com profundidade na petição inicial do pedido de recuperação judicial, sendo que neste plano faremos breves comentários à cerca de tais situações.
A queda acentuada de receita de vendas pode ser considerada como ponto forte que levou as empresas ao desequilíbrio financeiro e econômico.
A crise se instalou de maneira severa para as empresas do ramo têxtil ou do vestuário, de todo país, que vem sofrendo grande impacto da crise econômica e política em que o Brasil mergulhou nos últimos anos e que vem atingindo em cheio o setor da confecção.
Consoante reportagem veiculada no website “NEGÓCIOS”: "Os anos de 2015 e 2016 foram uma catástrofe. Em 2017, crescemos. Terminamos o ano numa trajetória positiva, e nosso prognóstico para 2018 era um PIB com crescimento em torno de 3%", lembrou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel. Segundo Pimentel, 2018 ia razoavelmente bem até abril. Em maio, a greve de caminhoneiros começou a mudar o rumo do setor. "Esse quadro foi muito frustrante", definiu Pimentel. A greve dos caminhoneiros provocou uma desorganização da produção industrial brasileira, reforçou Bernardo Almeida, analista da Coordenação de Indústria do IBGE. "Além disso, as incertezas eleitorais prejudicaram as decisões tanto de consumo quanto de investimentos."
(https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2019/02/epoca-negocios-40-da-industria- fechou-o-ano-passado-em-crise.html)
Em 2019, com troca de governos e perspectivas de implantação de reformas, notadamente a reforma da previdência, se esperava uma reação da economia e por corolário do setor têxtil, porém, as reformas não foram aprovadas no primeiro semestre, gerando mais uma vez resultados negativos em 2019.
16 E em 2020 a crise se agravou de forma mais severa, diante da PANDEMIA do Corona vírus (COVID-19), com a decretação de estado de calamidade pública pelo Governo Federal, sendo por conseguinte editados inúmeros decretos e medidas governamentais impondo isolamentos e distanciamento social, bem como a paralisação dos comércios e industrias, criando um cenário de grande impacto econômico, diante da diminuição do consumo (recessão econômica).
O mercado têxtil brasileiro que já vinha de um cenário de grande instabilidade, acabou sendo mais uma vez fortemente atingindo, causando grande impacto na empresa “Recuperanda”.
A crise nacional é pública e notória, notadamente neste período de calamidade pública, que levou a redução de consumo e fechamento de atividades empresárias, o que reflete diretamente na queda da produção industrial e na comercialização dos produtos tidos como não essenciais.
Em vista dessa complicada situação do mercado em geral, elevado de forma expoente pela PANDEMIA do COOVID-19, as Recuperandas viram suas receitas/faturamento cair drasticamente.
Assim queda de receitas que veio se acentuando nos últimos anos diante da crise nacional que o setor passava, com a PANDEMIA, em 2020, se intensificou de forma muito expressiva.
Todas as empresas do GRUPO CATIVA, que são intimamente interligadas e interdependente entre si, perderam consideráveis receitas, com queda de faturamentos, o que acabou por desestabilizar as finanças do GRUPO
Neste cenário de crise a rentabilidade liquida do GRUPO CATIVA caiu drasticamente gerando um percentual negativo, diante da grande perda de faturamentos por conta das medidas de isolamento e distanciamento social, oriundas da queda de consumo, em razão da crise que atravessa o País.
17 Assim, a crise do setor têxtil que vinha impactando desde o ano de 2015/2016, se intensificou em 2019 e 2020, sendo que o maior fator de agravamento da crise financeira das empresas do GRUPO CATIVA tem sido a queda da receita por problemas mercadológicos e de força maior, provocados pelas medidas desencadeadas pela PANDEMIA do COVID-19, que tem gerado determinações governamentais de fechamento de comércios e industrias, condições que vem gerando grande impacto nas relações de consumo e no faturamento da “Recuperanda” e de todas as empresas do grupo, o que lhes colocou em necessidade premente de promover o alongamento dos prazos e diminuição dos encargos, além da aplicação de novas estratégias e condições para poder ser possível o reerguimento das empresas.
Neste cenário, para as empresas do GRUPO CATIVA consigam superar este temporário estado de crise, é necessário que as dívidas junto às instituições financeiras, fomento e fornecedores e prestadores de serviços, enfim, todos os seus credores, sejam repactuados, alongadas e reajustados, para que a empresa possa recompor seu capital de giro e sua capacidade de pagamento, sendo essa a finalidade da recuperação judicial ora pleiteada.
Os juros e encargos financeiros, que nos últimos anos vem se elevando, somado as perdas de receitas decorrentes de um mercado nacional em crise, tem efetivamente comprometido o fluxo de caixa e os resultados da
“Recuperanda”.
A necessidade de fluxo de caixa para gerir a atividade produtiva e superar a crise econômica impacta diretamente no aumento da dívida bancária, a curto prazo, que fomenta a captação de giro para as atividades das empresas.
Assim, o GRUPO CATIVA que já vinha com um endividamento alto, diante das circunstancias criadas e produzidas pela PANDEMIA do COVID-19 no ano 2020, acabou sofrendo uma drástica perda de receitas, o impôs se socorrer do instituto da recuperação judicial, conforme bem delineado na petição judicial e reconhecido com a decisão judicial que deferiu o processamento da recuperação judicial.
18 Essa delicada situação econômico-financeira que as empresas Recuperandas do GRUPO CATIVA se encontram, justificam a necessidade de um processo de recuperação judicial, a fim de possibilitar a continuidade da atividade empresarial, a fim de que possa manter o maior número de empregos possíveis, diretos e/ou indiretos, mantendo as relações contratuais assumidas e adimplindo-as de uma forma que seja possível a reestruturação das empresas.
5. DOS OBJETIVOS DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Este Plano tem como principal objetivo propor e apresentar as medidas que visam a recuperação econômica e financeira da “Recuperanda”, assim como determina o cerne da Lei n° 11.101/2005 em seu Artigo 47 que traz: “A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica”.
Devido a tudo que as empresas do GRUPO CATIVA representam e devido a tudo que ainda podem vir a representar, pois, tem experiência de atuação no seu mercado, possuem produtos bem posicionados e uma carteira com mais de 14.000 clientes ativos espalhados por todo território brasileiro, não há dúvidas que esses fatores combinados com a alongamento das dívidas e redução dos custos financeiros serão determinantes para a recuperação econômica e financeira do Grupo.
PARTE II - DAS MEDIDAS PARA RECUPERAÇÃO
6. INTRODUÇÃO
Com base no artigo 50 da Lei n° 11.101/2005, que traz um rol não exaustivo de medidas que podem ser adotadas pela Administração da empresa, visando seu processo de recuperação, descrevemos a seguir, nesse plano de recuperação judicial, as medidas que o GRUPO CATIVA estará utilizando para
19 alcançar a sua recuperação econômico-financeira, e com isso, gerar empregos, renda e arrecadação de impostos.
O Plano para recuperação econômica e financeira está voltado para uma reestruturação de seu endividamento e na redução de custos e despesas, que envolve a reestruturação de suas áreas e departamentos, aumento da carteira de clientes, ampliando com isso mercado de atuação, readequação da área comercial, que envolve a reestruturação da equipe de representantes e até uma revisão na gestão de alguns clientes maiores, etc.
A seguir estaremos sintetizando os meios de recuperação a serem adotados para que uma nova perspectiva de retomada de crescimento se estabeleça doravante, buscando o restabelecimento da boa ordem e da saúde da empresa como um todo.
6.1. Da Reestruturação Organizacional
Todos os processos estão sendo reavaliados e reorganizados a fim de reduzir despesas e custos operacionais, de forma a tornar a estrutura mais eficiente.
6.2. Reestruturação da Área Administrativa
A área administrativa é responsável por centralizar todas as informações gerenciais, recursos humanos, obrigações trabalhistas, compras, vendas, tecnologia da informação, contas à pagar, contas à receber, crédito e cadastro, contabilidade e controladoria, desenvolvimento de produto, engenharia de produção e até planejamento e controle de produção. A geração de informação será priorizada e alimentação de dados sistematizada para gerar embasamento na tomada de decisão.
Assim serão tomadas medidas para ajustar o tamanho das Recuperandas, a sua nova realidade pós-pandemia, se promovendo reorganização e reestruturação dos setores administrativos, com corte de
20 pessoas e custos operacionais, com redirecionamento de responsabilidades e funções entre diretores, gerencias e chefias, eliminando mão de obras ociosas ou de pouca atividade, enxugando e qualificando os setores para que produzam com máxima eficiência.
Algumas medidas já em desenvolvimento:
• Revisão e redirecionamento dos lançamentos contábeis e financeiros, com intuito de alocar os custos e despesas de maneira que permitam melhor identificar a rentabilidade da empresa ou departamento, e assim ações de redução ou controle sejam adotadas, evitando que existam Custos e Despesas fixas sem a devida previsão orçamentária ou produtiva;
• Implantação de processos relacionados à análise de Crédito, melhor estruturando cadastro de clientes, perfis de compras e limites a serem concedidos, buscando diminuir consideravelmente o índice de inadimplência.
• Adoção de medidas que visam recuperar valores inadimplentes de períodos anteriores (anos), encaminhamento de processo de cobrança sistêmica, com o consequente encaminhamento das medidas administrativas e/ou judiciais cabíveis. Isso permitirá o incremento dos
“recebíveis” reduzindo a necessidade de captação de capital de giro de terceiros.
• Estruturação de demonstrativos financeiros, orçamento e fluxo de caixa, melhorando o acompanhamento diário de cada área. Tais controles financeiros permitirão melhor visualização da situação corrente da empresa, inclusive por departamento, loja, marca utilizada ou diferentes canais de venda. Isso trará além de informações confiáveis, o melhor acompanhamento produtivo e comercial para as áreas responsáveis.
• Reestruturação de departamentos, análise e melhoria de processos, corte de despesas e melhor efetividade por função.
• Elaboração de Organograma detalhado por função e atividades desempenhadas por cada pessoa, buscando readequação de funções e possíveis reduções de custo.
21
• Definição de procedimentos no setor de contas a receber, implantando nova sistemática de cobrança própria, terceirizada e/ou encaminhamento ao jurídico para ajuizamento quando necessário.
6.3. Reestruturação da Área Comercial
Uma reestruturação completa da área comercial está em curso, na qual a Recuperanda destinará foco comercial em estratégias de vendas que elevem o conceito da marca no mercado e tragam a satisfação plena do consumidor, por vezes prejudicada no processo anterior. O foco no resultado deve estar presente tanto para quem quer comprar, quanto para quem quer vender, portanto, todos os canais de distribuição serão acompanhados de forma privilegiada com atenção diferenciada no cliente.
Um dos objetivos primordiais desta nova visão, será a ampliação da carteira de clientes em todo território nacional, sendo que a redução de seus volumes produtivos já foi uma das medidas já adotadas pela Gestão da Recuperandas, com foco em qualificação das vendas e rentabilidade.
Os Representantes Comerciais distribuídos por todo o território Brasileiro, estavam bastante segmentados em muitas regiões, tendo por vezes representante que vende apenas uma linha de produtos específica e ainda muitos destes representantes, tem outras representadas, ou seja, dividem a atenção com outras fábricas.
Assim já estão sendo feitas reestruturações para que os representantes passem a atuar por regiões, com acesso a todas as linhas de produtos, reorganizando toda a formação de vendas de estrada.
As equipes de representantes estão sendo reestruturadas, com implantações de novos sistemas de bonificações e premiações para os representantes e de níveis de descontos dados nos produtos, que passam a ser medidos pelo desconto médio e prazo médio concedidos, visando o incentivo e ampliação de vendas.
22 As formas de comissionamento comercial estão sendo revisadas e os salários de toda a empresa estão sendo reavaliados de acordo com o cargo e a média do mercado.
Também estão sendo estabelecidas novas rotinas de atendimento aos principais clientes e potenciais novos clientes, pelo corpo gerencial. O estabelecimento de metas e o acompanhamento das mesmas está sendo realizado e monitorado, dando maior com o apoio para os profissionais com baixo desempenho.
As vendas no módulo “E-commerce” estão sendo reavaliadas e reorganizadas visando ampliar os canais de vendas, com ampliação de pessoal e a aquisição de um novo software para a gestão das equipes.
Serão ampliados os sistemas de controles de regiões não atendidas por representantes comerciais, que passarão a receber listagens de clientes espalhados pelo Brasil, por regiões, para buscar atingir um maior número de clientes.
Estão sendo estruturados os procedimentos de atendimentos e vendas por telefone, visando um maior contato com clientes, contactando e orientando os acessos pelo portal da internet ou a representantes.
Irão ser implementadas medidas para vendas pelo canal B2B e B2C, investindo nestas ferramentas, aproximando-se cada vez mais do consumidor final, recebendo deste as melhores informações sobre aceitação de produto, que farão a empresa desenvolver cada vez mais suas coleções de maneira mais assertiva.
Foram revistos os cálculos de custos de produção, com definição de MARK UP condizente com a realidade atual.
23 Além das vendas por loja virtual (e-commerce), há um planejamento de ampliação e divulgação dos produtos e marcas pelas plataformas das redes sociais, buscando expansão dos negócios através do estímulo comercial em outros meios eletrônicos como sites, rede de relacionamentos e de notícias.
Além disso, serão veiculados anúncios dentro de plataformas de buscas como
“google”, dentre outros.
6.4. Da Reestruturação da Área Industrial
Será desenvolvida uma reestruturação da área industrial visando a diminuição dos custos com a seguintes ações:
• Análise dos custos industriais para identificar o histórico e observações
"in loco", qual o gasto orçado/planejado (base zero) para cada tipo de despesa e centro de custo/unidade;
• Diminuição do custo final do produto a partir da otimização no consumo de matéria-prima,
• Teste de aderência aos controles: recebimento de mercadorias, controle de estoques, apontamentos, expedição, etc.;
• Acompanhamento de todas as rotinas da produção, em consenso com a gerencia, para corrigir as que representarem distorções às melhores práticas.
• Otimização, redução e enquadramento do quadro funcional.
6.5. Reestruturação Do Mix De Produtos e “Lead Time” Produtivo Buscando implementar seus produtos no mercado para aumentar sua abrangência em termos de perfil econômico/financeiro dos consumidores, a empresa buscará reajustar seu mix de produtos, reduzindo o número de SKU para cerca de 20.000 por ano, bem como pretende reduzir sua atuação em nichos muito competitivos e com muitos concorrentes, como é o caso das linhas infantis, e irá focar naquilo que é e sempre foi seu DNA, moda adulto e feminino.
24 A Recuperanda buscará também fazer ajustes no lead time produtivo reduzindo o número de dias de produção, para que seus produtos sejam produzidos em menor tempo, o que permitirá atendimento dos pedidos de forma mais célere, além de reduzir a necessidade de estoques e de capital de giro.
Consequentemente, trará a melhoria das margens de contribuição para a empresa.
6.6. Do Destaque das Marcas
O GRUPO CATIVA desenvolve produtos para os públicos feminino, masculino, infantil e juvenil, tendo licenças de marcas famosas para produção de seus vestuários, o que lhe permite uma maior exposição e alcance de destaque a nível nacional.
Com o vasto know-how de produção e comercialização, as empresas criam e produzem suas roupas e acessórios, a partir do acompanhamento constante de pesquisas de tendências de mercado, buscando implantar inovação em processos e materiais, sempre com atenção ao design e principalmente visando muita satisfação no relacionamento com os clientes, o que tornam suas marcas bem estruturadas.
Portanto, associando as marcas ao “Know-How” na produção de seus produtos, com um nome sedimentado no mercado da moda, com estrutura e profissionais capacitados a fazer sua atividade empresarial ficar ativa e operante, fomentando o mercado, gerando empregos e rendas, a empresa pretende buscar a sua recuperação econômica e financeira, trilhando uma nova linha de gestão, que seja saudável e lucrativa.
6.7. Implantação De Plano Orçamentário
Implantação do Plano Orçamentário com o estabelecimento de metas de despesas, compras, vendas, sendo que os valores orçados serão confrontados mensalmente (reunião mensal de resultados) com os valores realizados para uma tomada de decisão rápida.
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6.8. Redução De Custos Financeiros
Redução gradual de custos financeiros da empresa em patamares aceitáveis para o reequilíbrio econômico e financeiro, bem como se buscará parceiros para operacionalização de linhas de crédito que apresentem taxas de juros mais atrativas.
6.9. Crédito Junto a Instituições Financeiras e Fornecedores
Muito embora o Plano de Recuperação Judicial traga o “fôlego”
necessário para a continuidade das atividades da empresa, será necessário ainda a disponibilidade de recursos financeiros e de crédito junto aos fornecedores, visando compor a necessidade de capital de giro gerado pelo longo ciclo financeiro que a própria atividade das empresas impõe.
Portanto, as empresas usarão de forma mais eficiente este recurso para reduzir a dependência de dinheiro de terceiros (Bancos, FIDIC’s e Securitizadoras), o que não implica dizer que não irá utilizar recursos desta natureza, mas sim, continuará com as parcerias com Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDIC’s) e demais Instituições Financeiras para manejar recursos de terceiros de maneira mais saudável.
As empresas mantiveram o seu crédito junto aos grandes fornecedores da principal matéria prima que são tecidos e fios, ou seja, vem recuperando o seu processo produtivo e já projeta sua recuperação baseada em parte com o crédito que vem obtendo junto aos Fornecedores e FIDIC´s.
A manutenção do crédito junto aos principais fornecedores, após o pedido de recuperação judicial, demonstra a confiança e a credibilidade que a empresa possui no seu mercado, além de demonstrar a confiança de que conseguirá se recuperar econômica e financeiramente.
26 6.10. Reescalonamento do Endividamento Geral
Para a viabilidade e sucesso do Plano de Recuperação Judicial, a novação da dívida está sendo apresentada de maneira geral, com exceção dos créditos de natureza trabalhista e de credores parceiros, tendo as seguintes condições de reescalonamento do endividamento: a) prazos de pagamento alongados em até 240 (duzentos e quarenta) meses; b) pagamentos semestrais;
c) correções monetárias sobre o valor da parcela a ser paga, a partir da homologação do plano e será aplicada, antes dos juros simples, mediante Taxa Referencial – TR mensal; d) juros mais brandos a serem considerados, a partir da homologação do plano e que incidirão sobre o valor da parcela a ser paga (deduzida do deságio); e) deságios sobre o valor do crédito inscrito na recuperação judicial, que deve ser aplicado separadamente sobre cada parcela a ser paga.
As condições dispostas acima, são de fundamental importância para que o Plano de Recuperação Judicial atinja o seu objetivo, que é fazer com que todas as empresas do GRUPO CATIVA voltem a ser viáveis econômica e financeiramente.
6.11. Do Período de Carência
O período de carência é fundamental dentro do Plano de Recuperação Judicial, pois esse período é necessário para que as empresas do GRUPO CATIVA possam recompor seu capital de giro e restabelecerem em seu mercado, sem que seja necessário onerarem suas atividades, recorrendo a empréstimos de curto prazo, procedimento este que poderia novamente inviabilizar as atividades.
Portanto, sem o período de carência estipulado nesse Plano de Recuperação Judicial, não há como as Recuperandas formarem parte de um capital de giro próprio, conforme é exigido pelo ciclo econômico e financeiro das empresas.
27 6.12. Da Possibilidade de Cisão, Incorporação, Fusão ou
Transformação
As Recuperandas poderão ainda se valer como meio de recuperação judicial, consoante prevê o inciso II, do art. 50, da Lei 11.101/2005, dos institutos de cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral e cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente, conforme seus interesses e conveniências, visando criar melhores condições de se reorganizarem e reestruturarem de forma que tais medidas propiciem melhores condições para o soerguimento das empresas do GRUPO CATIVA.
6.13. Trespasse ou arrendamento de estabelecimento
As Recuperandas poderão promover como meio de recuperação judicial, consoante prevê o inciso VII, do art. 50, da Lei 11.101/2005, o trespasse ou arrendamento de seus estabelecimentos, conforme seu interesse e conveniência, visando criar melhores condições de se reorganizar e reestruturar de forma que tais medidas propicie melhores condições para soerguimento das empresas do GRUPO CATIVA.
6.14. Da Venda de Ativos
Visando melhor fomentação do fluxo de caixa, meios para assegurar a manutenção e preservação da empresa, bem como para saldar seus débitos junto a seus credores, as Recuperandas propõe a venda de seus ativos como meio de recuperação judicial, consubstanciado na venda de máquinas/equipamentos, veículos e imóveis.
A venda de ativos como meio de soerguimento das empresas é plenamente possível, uma vez que a venda parcial de bens, está expressamente prevista no art. 50, XI, da Lei 11.101/2005, a fim de assegurar os objetivos da lei de regência.
28 6.14.1. Venda de Maquinários e Equipamentos
Como meio de Recuperação Judicial, as Recuperandas ficam autorizadas a vender até 60% de seus maquinários, relacionados em seus ativos imobilizados (anexo), que sejam considerados pelas empresas como bens não essenciais as suas atividades nesse novo processo de restruturação, bem como aqueles que se tornem bens não mais necessários ou, ainda, se tornem bens dispendiosos por conta de sua antiguidade, manutenção, guarda e utilização.
A venda será realizada, mediante preço mínimo de até 70% da avaliação dos bens, a ser feita a época da venda, considerando seu estado de conservação e uso, que será anunciada por meio de Edital a ser veiculado em jornal de grande circulação regional, com as condições de venda do bem posto em alienação, sendo efetivada pela melhor proposta.
6.14.2. Venda de Veículos
Como meio de Recuperação Judicial, as Recuperandas ficam autorizadas a vender 60% de sua frota de veículos, relacionados em seus ativos imobilizados (anexo), que se tornem não essenciais a sua atividade ou não mais necessários, ou ainda se tornem dispendiosos, onerando as Recuperandas por conta de sua antiguidade, manutenção, guarda e utilização.
A venda será realizada, mediante preço mínimo de até 65% da avaliação dos bens, considerando a tabela FIPE e seu estado de conservação e uso, a época da venda, que será anunciada por meio de Edital a ser veiculado em jornal de grande circulação regional, com as condições de venda do bem posto em alienação, sendo efetivada pela melhor proposta.
6.14.3. Venda de Imóveis
Como meio de Recuperação Judicial, as Recuperandas ficam autorizadas a venderem seus imóveis, relacionados em seus ativos imobilizados (anexo), com a finalidade de auferir fluxo de caixa para sua atividade, assegurar
29 pagamento de credores e saldar dívidas pelas as quais seus bens estejam sob garantia real ou de alienação fiduciária.
Assim, em especial, fica autorizada a venda ou dação em pagamento dos imóveis abaixo descritos:
a) Imóvel de Matricula 6017, com 127.050,28m2, com edificação comercial, localizado na BR 470, Km 96, s/nº, Bairro Ribeirão do Bode, Apiúna/SC e demais descrições constantes na matricula, bem que em está em garantia fiduciária ao Banco Bradesco;
b) Imóvel de matricula 12.431, com 12.500,19m2, com edificação comercial, localizado a Rua Hermann Ehlert, 320, Centro, Pomerode/SC e demais descrições constantes na matricula, que está em garantia fiduciária ao Banco Santander
c) Imóvel de matricula 12.767, com 30.942,24m2, com edificação comercial, localizado a Rua 15 de Novembro, Centro, Pomerode/SC e demais descrições constantes na matricula. que está em garantia fiduciária ao Banco Santander.
d) Imóvel de matricula 57.506, 33,33% do Sitio denominado Alvorada, situado no Bairro Sete Fogões, no município de Rafard, São Paulo, com 7,50 alqueires e demais descrições constantes na matricula.
Toda e qualquer venda de bens somente ocorrerá por discricionariedade exclusiva das Recuperandas, conforme seus interesses e conveniências, diante das medidas e meios que entenderem necessários para seu soerguimento e cumprimento do plano de recuperação judicial.
6.15. Das Projeções Realizadas para o Plano de Recuperação Judicial
As projeções econômico-financeiras foram desenvolvidas considerando o crescimento contínuo do mercado em que atuam as Recuperandas. Os efeitos das medidas de melhorias foram projetados considerando a reestruturação organizacional que a Administração da empresa vem fazendo, bem como foram calculadas com base em um cenário econômico realista, sendo as projeções possíveis de serem atingidas.
30 Para elaborar este Plano de Recuperação Judicial e estimar os resultados operacionais esperados para o período de recuperação, a gestão das empresas utilizou como base e fonte de informações dados históricos da própria Recuperanda, os quais envolveram as receitas, os custos e as despesas, bem como foram utilizados dados econômicos vinculados ao índice de inflação e projeções futuras, baseadas nas análises das informações de mercado e da evolução que esperamos que se realize em relação à empresa, principalmente diante das mudanças que estão em andamento.
As projeções econômicas e financeiras estão evidenciadas no “Fluxo de Caixa Projetado”, onde constam os valores a serem pagos referentes aos créditos inscritos na recuperação judicial.
O Fluxo de Caixa Projetado consta como “ANEXO” a esse Plano de Recuperação Judicial.
7. DA ADMINISTRAÇÃO
7.1. Continuidade das Atividades
As Recuperandas ficam sujeitas as limitações impostas no Plano de Recuperação Judicial, mas ainda tem o direito de desenvolver suas atividades e de realizar todos os atos consistentes com seu objeto social, bem como nomear e destituir administrador, gerente ou qualquer outro cargo de administração, podendo realizar quaisquer alterações de seu Contrato Social, esse último respeitando a prestação de informações ao Juízo do processo de Recuperação Judicial.
7.2. Fomento Ligado a Atividade da Empresa
As Recuperandas poderão desenvolver atividades de fomento, por meio de adiantamento de valores a seus fornecedores de bens e serviços, visando a garantia de fornecimento de insumos e serviços.
31 7.3. Da Obtenção de Recursos
As Recuperandas poderão obter uma ou mais linhas de empréstimos e financiamentos, com o objetivo de desenvolver suas atividades, e poderá constituir garantias reais e/ou fiduciárias sobre seus bens, desde que não afete ou prejudique as garantias reais ou fiduciárias já constituídas ou que venham a ser constituídas em razão e nos termos deste Plano, ou que tiverem sido mantidas a qualquer Credor nos termos deste Plano, sempre com o objetivo de garantir o pagamento de tais empréstimos e financiamentos.
Esclarecendo, ainda, que a Administração das Recuperandas está e estará empenhada em se recuperar junto ao mercado (Instituições Financeiras, Fornecedores e Outros).
PARTE III – PAGAMENTO DOS CREDORES 8. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
8.1. Novação dos Créditos
O Plano de Recuperação Judicial das Recuperandas obriga a todos os Credores sujeitos a este Plano, observado o disposto no Artigo 59 da Lei n°
11.101/2005, ensejando a novação de todos os seus créditos, a fim de contribuir para que a empresa possa superar a sua crise econômico-financeira.
Desta forma, com a aprovação do Plano de Recuperação Judicial em Assembleia Geral de Credores e/ou com a Homologação Judicial do Plano de Recuperação Judicial, os Credores se comprometem em:
a) Não reclamar quaisquer direitos de compensação contra quaisquer créditos devidos à Recuperanda, com seus créditos inscritos na recuperação judicial;
b) Abster-se de efetuar protestos junto aos Cartórios de Protestos e de efetuar apontamentos junto aos órgãos de proteção ao crédito, tanto
32 do devedor Recuperanda, como de seus sócios e garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos;
c) Abster-se de efetuar protestos junto aos Cartórios de Protesto e de efetuar apontamentos junto aos órgãos de proteção ao crédito em nome de terceiros, no caso de possuir títulos de terceiros em garantia de qualquer natureza;
d) Abster-se de efetuar protestos junto aos Cartórios de Protesto e de efetuar apontamentos junto aos órgãos de proteção ao crédito, relativos a títulos (Cheques, duplicatas e Promissórias, Confissões de Dividas e outras formas existentes) emitidos pela própria Recuperanda;
e) Abster-se de ajuizar ou prosseguir qualquer ação ou processo judicial ou extrajudicial de qualquer tipo relacionado a qualquer crédito contra a Recuperanda, seus sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos;
f) Abster-se de fazer quaisquer apontamentos ou averbações de restrição ou constrição, judicial ou extrajudicial, sobre bens e direitos da Recuperanda, seus sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos;
g) Abster-se de criar, aperfeiçoar ou executar qualquer garantia real ou fidejussória sobre bens e/ou direitos da Recuperanda, seus sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos;
h) Retirar os protestos lavrados junto aos cartórios de protestos, bem como retirar os apontamentos existentes junto aos órgãos de proteção ao crédito, tanto da Recuperanda, como de seus sócios e garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos;
i) Retirar os protestos lavrados junto aos cartórios de protestos, bem como retirar os apontamentos existentes junto aos órgãos de proteção ao crédito, relativos a quaisquer títulos de qualquer natureza, emitidos por terceiros;
j) Retirar quaisquer apontamentos ou averbações de restrição ou constrição, judicial ou extrajudicial, sobre bens e direitos da Recuperanda, seus sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos;
33 k) Devolver todos os títulos (cheques, duplicatas, promissórias, etc.) da Recuperanda e/ou de terceiros que estejam de posse dos credores, relacionados aos créditos inscritos na recuperação judicial.
As retiradas dos protestos, das restrições de cadastro de proteção ao crédito, apontamentos ou averbações de restrição ou constrição, judicial ou extrajudicial, sobre bens e direitos das Recuperandas, seus sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza ou sob quaisquer títulos deverão ocorrer às expensas de quem levou o título a protesto ou restrição de crédito ou que promoveu apontamentos ou averbações de restrição ou constrição, no prazo de 30 (trinta) dias corridos, a contar da data da publicação da decisão que homologar o plano de recuperação.
Os Créditos dispostos neste Plano deverão ser pagos na forma e condições previstas para cada respectiva Classe, salvo se o Credor concordar com um tratamento menos favorável para o recebimento de seu respectivo Crédito.
Com a homologação judicial do presente Plano recuperacional se ensejará a novação dos débitos, razão pela qual todas as ações de execução deverão ser extintas, ficando as Recuperandas autorizadas a informarem aos juízos das ações de execução e/ou cobrança a novação e/ou quitação os débitos solicitando a extinção da ação.
8.2. Da Suspensão das Execuções e/ou Cobranças em face dos sócios e/ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos
Os créditos inscritos no processo de recuperação judicial conservarão seus direitos e garantias em face de terceiros coobrigados, na forma do artigo 49, parágrafo 1º da Lei n. 11.101/2005, todavia, estes deverão garantir as mesmas condições e termos devidas pela Recuperanda
Enquanto as Recuperandas estiverem dando cumprimento ao pagamento do Plano de recuperação judicial, deverão ficar suspensas todas e quaisquer
34 ações judiciais ou extrajudiciais, de execução, cobrança ou incidentes processuais a ele inerentes, em face dos sócios e/ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos.
Destaca-se que o não cumprimento do Plano por caso fortuito, força maior ou decisão judicial autorizando a suspensão de cumprimento do plano, asseguram a permanência da suspensão dos atos de execução e cobrança em face dos sócios e terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos.
Os sócios e/ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos, permanecerão como garantidores, tão somente, dos exatos valores e condições devidas pela devedora principal, nos termos do Plano.
Enquanto o Plano de recuperação judicial vier sendo fielmente cumprido, os credores não poderão tomar qualquer medida em face dos sócios ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos, não podendo ser executados e nem ser objeto de pedidos de desconsideração da personalidade jurídica por créditos sujeitos ao plano de recuperação judicial.
Destaque-se, ainda, que a suspensão da exigibilidade das referidas garantias em face dos sócios e/ou terceiros garantidores de qualquer natureza e sob quaisquer títulos, está fundamentada no artigo 49, parágrafo 2º da Lei n.
11.101/2005, diante da previsão legal da possibilidade do plano dispor de modo diverso no que tange às obrigações anteriores à recuperação judicial.
8.3. Meios de Pagamentos
Os valores devidos aos Credores, nos termos deste Plano, serão pagos preferencialmente por meio de depósito ou transferência bancária em conta indicada pelo Credor (DOC ou TED), se prestando o extrato de tal depósito ou transferência bancária como comprovante de quitação.
35 Assim, os Credores deverão, obrigatoriamente e sob sua exclusiva responsabilidade, informar à Recuperanda suas respectivas contas bancárias para fins de recebimento dos valores inscritos na recuperação judicial e nos termos previstos no Plano, até o prazo de 10 (dez) dias úteis, a contar da Homologação Judicial do Plano de Recuperação Judicial.
Caso algum credor não deseje receber valores mediante deposito/transferência bancária, o mesmo deverá comunicar as Recuperandas tal condição, de forma expressa, no prazo de 10 (dez) dias úteis, a contar da Homologação do Plano de Recuperação Judicial. Ficará a critério exclusivo da Recuperanda em aceitar ou não em promover os pagamentos de forma direta ao credor, mediante recibo, pois, tal condição deverá ser exceção, considerando o volume e valores que podem inviabilizar a operacionalização e disponibilidade de caixa em espécie.
Os pagamentos que não forem realizados, em virtude de o credor não ter informado conta bancária ou não ter comunicado expressamente outra forma de recebimento, não serão enquadrados no conceito de descumprimento do Plano de Recuperação Judicial ou, até mesmo, de descumprimento de ato vinculado ao processo de recuperação judicial.
O Credor que informar sua conta bancária após o início dos pagamentos dos demais credores, terá seu pagamento iniciado (primeira parcela), no mês seguinte ao da informação da conta bancária, seguindo ordem cronológica de pagamento da primeira até a última parcela, conforme número de parcelas e condições de pagamento da classe que for inserido.
Não haverá a possibilidade de incidência de qualquer multa, juros ou encargos moratórios, para os casos em que o pagamento deixar de ocorrer em virtude do Credor não ter informado Banco/Conta ou, até mesmo, informar de maneira errada os dados para depósito/transferência bancária, ou se não fizer o comunicado de que não deseje receber valores mediante deposito/transferência bancária.
36 8.4. Valor dos Créditos
Os valores dos créditos considerados para elaboração deste plano são os que constam na lista de Credores, a qual ainda está em fase de verificação e confirmação por parte do Administrador Judicial, segundo o Artigo 7º da Lei n°
11.101/2005.
Portanto, a Lista de Credores poderá sofrer mudanças quanto a Credores e valores, conforme dispõe o § 1º do Artigo 7º da Lei n° 11.101/2005 e o texto normativo do artigo 55 da mesma Lei.
Nesse caso, se ocorrer mudanças na lista de Credores, desde que essa mudança seja definitiva, ou seja, esgotadas todas as fases de impugnação de valores, a lista de Credores que passa a fazer parte deste plano de recuperação é aquela que for gerada em definitivo pelo Administrador Judicial e homologada pelo Juízo da Recuperação judicial.
8.5. Regras de Distribuição
Os Credores serão de maneira equitativa conforme sua classe ou subclasse, de modo a não beneficiar qualquer credor dentro do mesmo grupo.
8.6. Revisão da Distribuição e Alocação dos Valores
É válido ressaltar que a projeção do pagamento dos Créditos que estão sendo apresentados no Fluxo de Caixa projetado para este Plano, foi realizada com base em valores constantes na lista de credores da empresa, quaisquer alterações que possam ocorrer posteriormente com a publicação da Lista oficial de Credores confeccionada pelo Administrador Judicial, poderá acarretar em alteração de percentuais do pagamento no valor total que será distribuído entre Credores de cada grupo.
Em nenhuma das circunstâncias haverá a majoração: (I) do fluxo de pagamento; e (II) do valor total a ser distribuído entre os Credores a cada período, salvo nos casos em que o credor estiver habilitado como Credor