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Boletim 1058/2016 – Ano VIII – 09/09/2016
Reforma prevê ampliar terceirização
- As relações trabalhistas foram postas na mesa pelo novo governo Michel Temer. A nova gestão tenta correr para aprovar mudanças na CLT e sinalizar aos aliados e ao mercado uma ação para acelerar o crescimento da economia.
Apesar da iniciativa, a proposta tem as eleições como obstáculo e até o momento não se sabe a sua real extensão. Pontualmente, o governo tem informado alguns pontos do projeto, sem detalhar todas as medidas que pretende implementar.
Para analistas, o tripé da reforma proposta pela nova equipe está centrado na
terceirização, permanência do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e flexibilização da CLT, ao permitir que acordos feitos entre o sindicato e a empresa prevaleçam sobre o que determina a legislação.
Além disso, está no radar a criação de duas novas modalidades de contrato de trabalho: parcial e intermitente, com jornadas inferiores a 44 horas semanais e salários
proporcionais
Os ajustes dividem opiniões. De um lado, defende-se a reforma da CLT, de 1940, para diminuir custos e burocracia. De outro, teme-se que a reforma leve a uma precarização das condições de trabalho.
A Câmara dos Deputados concluiu no fim de agosto a votação do projeto de lei da terceirização (PL 4330/04), que agora segue para o Senado. Foi aprovada em plenário uma emenda que permite a terceirização de todas as atividades do setor privado, ponto mais criticado do tema.
Hoje, somente as atividades-meio, que não têm a ver com o produto ou serviço final da empresa, podem ser terceirizadas.
Por exemplo, um banco pode terceirizar os serviços de limpeza e segurança, mas não pode terceirizar o empregado que abre conta. /Agências
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Justiça isenta banco em caso de terceirização
Vendedora de seguros tentou comprovar vínculo de emprego para obter indenização com base em benefícios da categoria de bancários, como a jornada de seis horas, mas pedido foi rejeitado
São Paulo - Em decisão incomum, a Justiça do Trabalho do Paraná isentou um banco de qualquer responsabilidade por uma vendedora de seguros que atuava dentro de uma agência e tinha acesso à carteira de clientes da instituição.
Segundo a sentença, a funcionária pretendia comprovar que apesar de ter sido contratada por uma seguradora, na verdade prestava serviços para o banco.
Em razão da alegada "contratação fraudulenta", ela pedia indenização pelos benefícios não recebidos da categoria dos bancários, como jornada de trabalho de seis horas. Nesse cenário, o sócio do escritório Rezende Andrade, Lainetti e Voigt Advogados, Luis Fernando Voigt, conta que normalmente as decisões judiciais são desfavoráveis às empresas.
Isto é, o vínculo de emprego entre funcionária e banco seria reconhecido, aumentando muito a indenização trabalhista.
Além disso, o advogado também aponta que em muitos casos a Justiça reconhece que o banco deve ser responsabilizado de forma solidária (em igual intensidade) ou subsidiária (em substituição) à corretora de seguros, que era a contratante da funcionária.
Nos dois casos, conta Voigt, o banco poder acabar tendo que pagar a indenização do trabalhador.
Mas na sentença da 6ª Vara de Trabalho de Curitiba (PR) nenhum desses cenários se concretizou.
O juiz Amaury Haruo Mori apontou que as atividades desenvolvidas pela funcionária não guardavam relação com o ramo bancário.
Diante disso, ele acrescentou que a atuação dentro da agência bancária e eventual uso da carteira de clientes nada influenciavam no caso. "Nada há de ilícito no fato de empresas unirem esforços, cada qual na sua atividade econômica, como por exemplo, ceder espaços ou carteiras de clientes para outras", disse ele.
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Apesar de não ter ficado claro se banco auferia qualquer ganho com o trabalho da
funcionária, o magistrado se mostrou convencido de que a relação entre as empresas não era de prestação de serviços, mas sim de colaboração.
"Ante o exposto, não [ficou] demonstrada a situação de tomador de serviços do primeiro réu, nos termos definidos pelo item quatro da súmula 331 do TST [Tribunal Superior do Trabalho]", acrescentou o juiz.
Perspectivas
Mesmo que se trate de uma decisão de primeiro grau, que ainda será reavaliada pelo tribunal regional e talvez pelo TST, os especialistas apontam que esse tipo de sentença mostra que o Judiciário está fazendo análises mais detidas sobre a questão da
terceirização.
O advogado trabalhista do escritório L.O. Baptista-SVMFA, Peterson Vilela, também possui casos em que foi possível demonstrar que as atividades desenvolvidas por profissionais de ramos como tecnologia são diferentes das atividades dos bancários. "As perspectivas são boas. Temos percebido que o Judiciário tem avaliado de forma minuciosa cada caso.
Isso é um elemento que traz alguma segurança jurídica para que os empresários que pretendem firmar contratos de terceirização", diz Vilela, apesar de entender que a terceirização precisa ser disciplina por uma regulamentação específica.
Voigt tem raciocínio parecido. "Há 11 anos advogo para bancos e nunca tinha visto sentença nesse sentido.
Quer dizer, a empregada trabalhava dentro das dependências de uma agência mas o magistrado afastou qualquer responsabilização do banco", afirma.
Para ele, isso mostra que os juízes estão atentos sobre a questão da responsabilização dos bancos. "Nesse caso da corretora de seguros, caminhou-se para uma tese mais vanguardista."
Roberto Dumke
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Reforma trabalhista prevê contrato por produtividade e jornada
de até 12 horas por dia
Em reunião com sindicalistas, ministro do Trabalho detalhou proposta do governo
Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A reforma trabalhista que será proposta pelo governo do presidente Michel Temer poderá ampliar as modalidades permitidas de contrato formal de trabalho. Hoje, o único formato possível é o que prevê jornada de trabalho, mas estão sendo aventados outros dois tipos: por horas trabalhadas ou por produtividade.
O governo também pretende limitar a jornada de trabalho a 48 horas semanais (44h regulares e 4h extras), com um teto de 12 horas diárias.
A principal mudança neste caso seria em relação à jornada diária, que hoje é limitada a 8 horas, mas, pela proposta, poderá ser estendida para 12 horas, respeitada a jornada de 48 horas semanais prevista na legislação corrente, segundo o Ministério.
Os planos do governo foram detalhados hoje pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, durante encontro de sindicalistas da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em Brasília. “Vamos colocar freios na lei com teto de jornada em 48h semanais, sendo até 12h diárias”, disse o ministro. Segundo ele, a reforma trabalhista vai assegurar que as convenções coletivas possam estabelecer como se dará a divisão de horas ao longo da semana. As entidades, no entanto, não terão poder de decidir sobre aumento ou redução da jornada. “Juízes são legalistas, julgam pelo que está explícito na lei. Não dá para ignorar que temos CLT, Constituição, normas e súmulas”, disse.
Nogueira fez questão de frisar que a reforma não vai suprimir direitos dos trabalhadores. “No contrato por hora trabalhada, o trabalhador vai receber no contrato dele pagamento do FGTS proporcional, férias proporcionais e 13º proporcional”, disse o ministro.
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Em relação aos novos tipos de contrato, por hora e por produtividade, o próprio Ministério fornecerá os modelos para os novos contratos e fará uma fiscalização incisiva.
“O trabalhador vai ter um cartão com chip, onde estará a vida funcional dele, e vai escolher se será contratado por jornada ou por produtividade”, disse.
“O contrato de trabalho terá numeração com código, a fiscalização já vai ficar sabendo e fará checagens permanentes para essa relação, tanto com trabalhador por produtividade, por hora trabalhada ou por jornada de trabalho”, frisou Nogueira.
Segundo ele, será uma medida importante para criar novas oportunidades de ocupação com renda para os brasileiros. Hoje, o desemprego atinge mais de 11 milhões, destacou o ministro.
Para centrais sindicais, reforma trabalhista representa 'total
desconhecimento' do mercado
Presidente da CUT desafiou ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira a apresentar propostas ao 'chão de fábrica'
Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - As três maiores centrais sindicais do País reagiram com indignação às propostas de reforma trabalhista divulgadas hoje pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.
Representantes dos trabalhadores também questionaram a "legitimidade" do governo do presidente Michel Temer para propor modificações tão "radicais" nas condições de trabalho.
O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Paulo Cayres, desafiou o ministro a apresentar essas mudanças em uma assembleia de trabalhadores no chão da fábrica. "Ele vai ouvir a mesma coisa que o Michel Temer ouviu na abertura da Paralímpiada", ironizou.
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Segundo o sindicalista, essas modificações sugeridas por Nogueira - como a flexibilização da jornada diária para até 12 horas - representam "total desconhecimento" da situação atual do mercado de trabalho.
"Qualquer governo que afronta os direitos dos trabalhadores, somos contrários, mesmo quando eleitos. Imagina um governo que não foi eleito. Eles acham que vão conseguir aprovar esse absurdo?", questionou Cayres.
Para João Carlos Gonçalves, o Jurana, secretário-geral da Força Sindical, essa
informações sobre detalhes de uma provável reforma trabalhista estão sendo divulgadas aos poucos, a conta gotas, para servir de "balão de ensaio" para o governo.
"A experiência internacional aponta que a retirada dos direitos dos trabalhadores não melhora a situação do mercado de trabalho. Veja o exemplo da Espanha", criticou. Jurana disse que a equipe de Temer não está cumprindo com o acordo de discutir as alterações nas relações de emprego em um grupo com representantes dos empregadores, dos trabalhadores e do governo.
Ele lembrou que o ministro do Trabalho havia prometido às centrais que o governo só mandaria uma proposta de reforma trabalhista depois de um consenso nesse grupo, que nem chegou a se reunir. O sindicalista defendeu mudanças na condução da política
econômica para aumentar a geração de empregos. "O resto é conversinha para boi dormir. Isso não passa no Congresso", sentenciou.
O presidente da UGR, Ricardo Patah, disse que o momento de recessão econômica não pode ser usado como pretexto para retirar direitos adquiridos há muito tempo pelos trabalhadores. Sobre a proposta de incluir contratos por produtividade e por horas
trabalhadas, além da opção atual, por jornada de trabalho, Patah afirmou que são medidas que precarizam as condições de emprego e colocam em risco a saúde do trabalhador. "Parece que o governo Temer é composto por empresários. Parece que o empresariado tomou o poder e quer colocar tudo na conta dos trabalhadores", afirmou. Segundo Patah, antes de mexer em direitos dos trabalhadores, o governo deveria fazer a lição de casa e levar a cabo uma reforma da administração públicas, com vistas à economia dos gastos. "Olha o salário médio de um trabalhador e compara com o de um parlamentar, um ministro e um juiz. A corda não pode arrebentar do lado mais fraco", disse.
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