VINTE
TODO DIA
VINTE
TODO DIA
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
FIXCICLANDO
aviso importante
Este material está protegido por direitos autorais (Lei nº 9.610/98), sendo
vedada a reprodução, distribuição ou comercialização de qualquer informação
ou conteúdo dele obtido, em qualquer hipótese, sem a autorização expressa
de seus idealizadores. O compartilhamento, a título gratuito ou oneroso, leva
à responsabilização civil e criminal dos envolvidos. Todos os direitos estão
reservados.
Além da proteção legal, este arquivo possui um sistema GTH
anti-tem-per baseado em linhas de identificação criadas a partir do CPF do usuário,
gerando um código-fonte que funciona como a identidade digital oculta do
arquivo. O código-fonte tem mecanismo autônomo de segurança e proteção
contra descriptografia, independentemente da conversão do arquivo de PDF
para os formatos doc, odt, txt entre outros.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
DIREITO ADMINISTRATIVO
1
Pontos abordados:
13 Bens públicos. Conceito. Classificação. Características. Espécies. Afetação e desafetação.
Aquisi-ção e alienaAquisi-ção. Uso dos bens públicos por particular.
14 Intervenção do Estado na propriedade. Conceito. Fundamento. Modalidades.
13 Bens públicos. Conceito. Classificação. Características. Espécies. Afetação e desafetação. Aquisição e alienação. Uso dos bens públicos por particular.
Classificação dos bens públicos:
a) bens de uso comum do povo: são destinados ao uso da coletividade, sem distinção entre seus
usuários, o que pode decorrer da sua própria natureza, ou da lei.
b) bens de uso especial: são aqueles utilizados pela Administração para a prestação dos serviços
administrativos e dos serviços públicos em geral, ou seja, utilizados pela Administração para a satisfação de seus objetivos.
De acordo com Fernando Baltar, “os bens serão classificados como de uso especial nas seguintes situações:
1) utilizados pela Administração (repartições públicas, veículos empregados pela Administração); 2) utilizados por particular com exclusividade por meio de ato unilateral (autorização e permissão de uso) ou bilateral (concessão de uso);
3) os que possuem restrições ou para o qual se exige pagamento.”2
c) bens dominicais: ou dominiais ou bens do patrimônio disponível. Apesar de integrarem o
patri-mônio público não se encontram afetados para nenhum fim, podendo ser, ainda, alienados a qualquer tempo. Exs: terras devolutas, terrenos de marinha, prédios públicos desativados, móveis inservíveis, dívida ativa etc.
1 Por Mariana Aguiar.
2 Baltar Neto, Fernando Ferreira; Torres, Ronny Charles Lopes de. Direito Administrativo. Coleção Sinopses para Concursos volume 9. Salvador: JusPodium, 2015.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
Características:
Os bens públicos de uso comum do povo e os bens públicos de uso especial são inalienáveis, impe-nhoráveis, imprescritíveis e não podem ser onerados. Por outro lado, os bens dominicais possuem todas essas características, com exceção da inalienabilidade.
Inalienabilidade: não podem ser alienados enquanto afetados ao uso comum ou especial. Os bens
dominicais não possuem essa característica, podendo ser alienados, sendo necessário, em regra geral, autorização legislativa e licitação.
Imprescritibilidade: não corre a prescrição contra esses bens, logo ao podem ser objeto de
usuca-pião.
Impenhorabilidade: não podem ser penhorados para assegurar o pagamento das dívidas
contraí-das pelo Poder Público, pois o art. 100 da CF assegura que os créditos contra o Estado se submetem ao regime de precatório ou RPV.
Impossibilidade de oneração: não podem ser ofertados como garantia para obtenção de
emprés-timos, tendo em vista à submissão dos créditos contra o estado ao regime de precatórios.
#SELIGANAJURIS: É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado,
realiza-da anteriormente à sucessão desta pela União, não devendo a execução prosseguir mediante
precatório (art. 100, caput e § 1º, da Constituição Federal). STF. Plenário. STF. Plenário. RE
693112-MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/02/2017 (repercussão geral) (Info 853).
Os bens naturalmente afetados ao uso comum do povo não podem ser desafetados, são exemplos as praias e os rios. Mas aqueles que são afetados por lei, ato administrativo ou fato administrativo, podem ser desafetados pela mesma forma com que foram afetados (lei ou ato). É possível a desafetação por fato administrativo, quando por exemplo um terremoto destrói o prédio onde funcionava uma escola pública.
Os bens das empresas públicas e sociedades de economia mistas que prestam serviço público possuem natureza pública, revestindo-se das seguintes características: inalienabilidade, impenhorabilida-de, imprescritibilidade e impossibilidade de oneração.
#SELIGANAJURIS: As sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação
própria do Estado e de natureza não concorrencial submetem-se ao regime de precatório. STF. 2ª Turma. RE 852302 AgR/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2015 (Info 812).
Por outro lado, há divergência quanto ao regime de bens das empresas públicas e sociedades de economia mistas que exploram atividade econômica. No STF há decisão entendendo que tais bens são
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
privados (Informativo n. 259) e decisão entendendo que tais bens são públicos ao possibilitar a tomada de contas especial de uma SEM (Informativo n. 408)3.
Uso ordinário e uso extraordinário dos bens públicos: Tomemos o exemplo dos bens de uso
comum. Seu uso ordinário, ademais, não sujeita o usuário ao pagamento de qualquer taxa ou tarifa. Em situações especiais, todavia, tendo em vista o interesse coletivo, pode ocorrer variações nessas condições gerais relativas ao seu uso ordinário. As rodovias são facilmente identificadas como bens de uso comum. Se for instituída a cobrança de pedágios, não obstante se mantenha seu uso comum na medida em que o bem se destina à população e não à manutenção das estruturas administrativas do Estado, este uso passa a depender do pagamento da tarifa e irá caracterizar o uso extraordinário do bem.
Terras devolutas: As terras devolutas foram conceituadas pelo Decreto-Lei n. 9.760/46 e consistem
nas terras que não foram afetadas a um uso público federal ou estadual ou municipal e nenhum particular apresente título de proprietário. São bens dominicais (pois não afetados a nenhuma finalidade pública) e, via de regra, pertencem aos Estados. Pertencem à União as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei, nos termos do inciso II, do art. 20, da CF.
#SELIGA: a ocupação de terras devolutas não gera direito de propriedade para o possuidor, em
razão da vedação constitucional à usucapião de bens públicos.
Terrenos de marinha: “são áreas banhadas pelas águas do mar ou dos rios navegáveis em sua foz,
estendem-se à distância de 33 metros para área terrestre contados da linha do preamar médio (média das maiores marés) de 1831. Pertencem à União, sendo o uso por particulares admitido, por enfiteuse”4.
A enfiteuse era prevista no CC/16, e atualmente está extinta, é aplicada apenas para os terrenos de marinha. Através da enfiteuse a União atribui a outrem o domínio útil do terreno de marinha. Aquele que recebe o domínio útil em troca deve pagar uma remuneração anual chamada foro. Há, assim, a trans-ferência da posse, do direito de uso e gozo perpétuos, mas não da propriedade do terreno de marinha.
O domínio útil consiste no direito de utilizar o bem de forma ampla e pode ser transmitido por ato inter vivos ou mortis causa, sendo devido o pagamento anual de foro. O domínio direto é o direito à propriedade do bem, despida do direito de uso. Assim, quando incide enfiteuse sobre um terreno de marinha, o particular exerce o domínio útil, e a União o domínio direto.
3 Baltar Neto, Fernando Ferreira; Torres, Ronny Charles Lopes de. Direito Administrativo. Coleção Sinopses para Concursos volume 9. Salvador: JusPodium, 2015.
4 Baltar Neto, Fernando Ferreira; Torres, Ronny Charles Lopes de. Direito Administrativo. Coleção Sinopses para Concursos volume 9. Salvador: JusPodium, 2015.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
#SELIGA: A transferência, para fins de desapropriação, do domínio útil de imóvel aforado da União
constitui operação apta a gerar o recolhimento de laudêmio. STJ. 2ª Turma. REsp 1296044-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15/8/2013 (Info 528).
#ATENÇÃO: É nulo o contrato firmado entre particulares de compra e venda de imóvel de
proprie-dade da União quando ausentes o prévio recolhimento do laudêmio e a certidão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ainda que o pacto tenha sido registrado no Cartório competente. Antes de o ocupante vender o domínio útil do imóvel situado em terreno de marinha, ele deverá obter autorização da União, por meio da SPU, pagando o laudêmio e cumprindo outras formalidades exigidas. Somente assim esta alienação será possível de ser feita validamente. STJ. 2ª Turma. REsp 1590022-MA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 9/8/2016 (Info 589).
Indígenas e suas terras:
CF. Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradi-ções, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambien-tais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
• São consideradas bens públicos de uso especial.
• A propriedade das terras indígenas é atribuída à União (art. 20, XI e ar. 231, CF).
• As terras indígenas são inalienáveis, indisponíveis e os direitos sobre elas são imprescritíveis. • Essas terras se destinam à posse permanente dos indígenas, cabendo-lhes o usufruto exclusivo
das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
• Exige-se que o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesqui-sa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas, só pospesqui-sam ser efetivados com autorização do
Congresso Nacional por lei complementar, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes
assegu-rada participação nos resultados da lavra, na forma da lei.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
(a demarcação é ato declaratório).
» Teoria do fato indígena: há a imposição de uma condicionante temporal para o reconhecimento
do direito às terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas. O território reivindicado deve estar na posse dos índios no dia 5 de outubro de 1988. Tal critério só pode ser afastado se ficar comprovado que os índios foram dele desalojados com violência, em situação de conflito ainda persistente durante o marco temporal (renitente esbulho). Teoria adotada pelo STF no caso Raposa Serra do Sol.
#SELIGA #AJUDAMARCINHO
REGRA EXCEÇÃO OBSERVAÇÃO
Somente são considera-das “terras tradicionalmente ocupadas pelos índios” aquelas que eles habitavam na data da promulgação da CF/88 (marco temporal) e, complementar-mente, se houver a efetiva relação dos índios com a terra (marco da tradicionalidade da ocupação).
Mesmo que, em 05/10/1988, os índios não ocupassem mais a terra, esta poderá ser consi-derada “terra tradicionalmen-te ocupada pelo índio” se tais povos foram expulsos (esbu-lhados) do local e mesmo assim continuaram lutando por aque-la área, de forma que a situa-ção de esbulho foi insistente (renitente).
Se os índios habitaram naque-la localidade e optaram por sair ou se foram dela expulsos muitos anos antes de entrar em vigor a CF/88 (e desistiram de lutar), não se configura o chamado “renitente esbulho”. Assim, renitente esbulho não se confunde com ocupação passada ou com desocupação forçada no passado.
#SELIGANAJURIS: As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20,
XI, da CF/88) e, portanto, não podem ser consideradas como terras devolutas de domínio do Estado-membro. STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 16/8/2017 (Info 873).
Instrumentos estatais de outorga de títulos jurídicos para uso de bens públicos:
Os instrumentos estatais de outorga de títulos jurídicos para uso de bens públicos por são: autori-zação de uso, permissão de uso, concessão de uso e concessão de direito real de uso. Esses instrumentos podem recair sobre bens públicos de uso comum, de uso especial ou dominicais.
Por sua vez os instrumentos privados de outorga de títulos jurídicos para uso exclusivo de bens públicos por particulares recaem apenas sobre os bens dominicais, que são aqueles alienáveis.
Autorização de uso: ato unilateral, independe de autorização legal e prévia licitação, discricionário
e precário. Através da autorização de uso a administração legitima o uso de um bem público por um particular, aqui não leva em conta o interesse da coletividade, mas sim do particular. Pode ser gratuita ou
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
onerosa. Pode ser simples (sem prazo) ou qualificada (com prazo). Quando houver a fixação de prazo a autorização perde o caráter da precariedade, recebendo certo grau de estabilidade.
Permissão de uso: ato unilateral, discricionário e precário. Via de regra também independe de
autorização legal e de prévia licitação, salvo quando há exigência de lei específica e quando se tratar de permissão qualificada (com prazo). É conferida no interesse da coletividade e sua precariedade é mitiga-da em relação à autorização de uso. Pode ser gratuito ou oneroso. Quando houver a fixação de prazo a autorização perde o caráter da precariedade, recebendo certo grau de estabilidade.
Concessão de uso: contrato administrativo, logo, ato bilateral e estável. Pode ser remunerada ou
gratuita, possui tempo certo, sempre será precedida de autorização legal, e normalmente de licitação para o contrato. É intransferível sem anuência da Administração. Através da concessão de uso a Adminis-tração legitima o uso exclusivo de bem público a particular. Deve ser precedida e de autorização legal, e normalmente, de licitação para o contrato.
Concessão de direito real de uso: contrato pelo qual a Administração transfere o direito real de
uso de terreno público ou do seu espaço aéreo, de forma remunerada ou não. Regulado pelo Decreto-Lei n. 271/67. É transmissível por ato inter vivos ou mortis causa. Depende de autorização legal e de concor-rência prévia, sendo dispensada esta quando o beneficiário for outro órgão ou entidade da Administração Pública. #TABELASALVANDOVIDAS: CRITÉRIO DA AFETAÇÃO PÚBLICA USO COMUM
DO POVO Bens destinados ao uso da coleti-vidade em geral (rios, praças...) Não podem ser alienados.
DE USO ESPE-CIAL
Bens especialmente afetados aos serviços administrativos e aos serviços públicos (aeroportos, escolas e hospitais públicos...)
Não podem ser
alienados.
DOMINICAIS
Bens públicos desafetados, ou seja, que NÃO são utilizados pela coletividade ou para prestação de serviços administrativos e públicos.
Podem ser aliena-dos na forma da lei
(= bens públicos disponíveis/domínio privado do Estado) REGIME JURÍDI-CO Alienabilidade relativa Impenhorabilidade Imprescritibilidade Não onerabilidade
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO
Afetação é o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação pública especial de interesse direto ou indireto da Administração. A afetação pode decorrer de: (i) lei; (ii) ato administrativo; (iii) fato administrativo. Desafetação é o inverso.
USO PRIVATIVO DE BEM PÚBLICO
AUTORIZAÇÃO PERMISSÃO CONCESSÃO
É ato administrativo, discricionário, precá-rio, editado pelo Poder Público para consen-tir que determinada pessoa utilize privativa-mente um bem públi-co. Há preponderância do interesse particular e, por se tratar de ATO,
NÃO precisa de
licita-ção.
É ato administrativo, discricionário, precá-rio, editado pelo Poder Público para consen-tir que determinada pessoa utilize privativa-mente um bem públi-co. Há preponderância do interesse PÚBLICO e, por se tratar de ATO,
NÃO precisa de
licita-ção.
É contrato administra-tivo através do qual a Administração Pública confere a pessoa deter-minada o uso privativo de determinado bem público. Por ser contra-to, PRECISA DE
LICITA-ÇÃO.
14 Intervenção do Estado na propriedade. Conceito. Fundamento. Modalidades.
A intervenção na propriedade decorre do PODER DE POLÍCIA e tem dois fundamentos: cumpri-mento da função social da propriedade e satisfação do interesse público.
Formas de intervenção do Estado na propriedade: a doutrina destaca as seguintes modalidades
de intervenção do Estado na propriedade limitação administrativa, servidão administrativa, ocupação temporária, requisição, tombamento e desapropriação.
As modalidades de intervenção na propriedade privada podem ser:
1. Restritivas (ou brandas): Há uma restrição, mas a propriedade continua com o titular inicial.
Exemplos: servidão, tombamento, ocupação, limitação e requisição.
2. Supressiva (ou drásticas): A única hipótese supressiva é a desapropriação. O dono perde a
propriedade. Obs. Celso Antônio chama a desapropriação de sacrifício de direito.
#ISTOÉUMPLUS: Muitas vezes, o Estado simula uma intervenção restritiva, quando na verdade
se trata de forma supressiva. É uma desapropriação indireta (desapropriação sem procedimento próprio).
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
Limitação administrativa: atinge o caráter absoluto do direito de propriedade, pois gera
restri-ções gerais e abstratas. Tem por fundamento o Poder de Polícia, pois gera uma limitação ao particular em razão de interesse público legítimo. Impõe obrigações negativas e positivas aos proprietários, com o objetivo de atender a função social da propriedade. Pode ter por objeto bens (móveis e imóveis) e os serviços. São impostas, primariamente, por lei e, secundariamente, por atos administrativos normativos, e são extintas da mesma forma. Ex: limite de altura para edificação de prédios.
Não geram, em regra, o dever de indenizar, pois as restrições à propriedade são fixadas de maneira genérica e abstrata. EXCEÇÃO: Serão indenizáveis quando: acarretarem danos desproporcionais ao parti-cular ou grupo de partiparti-culares; ou configurarem verdadeira desapropriação indireta.
#TABELASALVANDOVIDAS:
LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA Conceito
DI PIETRO: medidas de caráter geral, previstas em lei, com fundamento no PODER DE POLÍCIA do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas e negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. Pode ser exigência de obrigação positiva, negativa ou permissiva.
Objeto Atinge bens móveis, imóveis e serviços.
Instituição Por ser unilateral, DEVE DECORRER DE LEI (Ex.: PDU – plano diretor urbano). José dos Santos Carvalho Filho fala também em atos administrativos norma-tivos.
Indenização Será devida se houver comprovação do dano pelo particular, se reduzir o valor econômico do bem. Servidão administrativa: consiste no direito real público que autoriza o Poder Público a usar a
propriedade imóvel para permitir a execução de obras e serviços de interesse público. Incide sobre o caráter exclusivo da propriedade. Ex: colocação de postes de energia. Incide apenas sobre imóveis, que precisam ser vizinhos (prédio dominante e prédio serviente), mas não precisam ser contíguos. Nela se estabelece uma relação entre a coisa serviente (propriedade que possui o encargo real de suportar a servidão) e a coisa dominante (serviço público concreto ou bem afetado à utilidade pública). Só gera direito à indenização quando demonstrada a ocorrência de dano.
A servidão pode ser constituída por: ação judicial (art. 40, Decreto-Lei 3.365/40), por acordo entre as partes, após ato declaratório de utilidade pública, ou diretamente por lei independente de qualquer ato administrativo. É possível servidão sobre bens públicos, desde que respeitado o princípio da
hierar-20 TODO DIA
FIXCICLANDO
quia administrativa e a necessidade de autorização legislativa do ente inferior.
#ATENÇÃO: a servidão carece de autoexecutoriedade. É necessária a averbação da servidão no Cartório de Registro de Imóveis para que produza efeitos erga omnes. Em regra, é perpétua. É possí-vel apontar algumas hipóteses de extinção: desaparecimento do bem gravado; incorporação do bem serviente ao patrimônio público; desafetação do bem dominante (ex.: desafetação do imóvel que era utilizado como hospital público).
Ocupação temporária: restringe o caráter exclusivo da propriedade, nos casos de necessidade
pública. Previsto no art. 36, do Decreto-Lei 3.365/40. Atinge em regra apenas bens imóveis*, é gratuita e transitória, porém pode gerar indenização se causar dano. O Estado ocupa propriedade privada para execução de obra pública ou a prestação de serviços públicos. É sempre indenizada, independentemen-te de dano, a ocupação independentemen-temporária sobre independentemen-terrenos vizinhos a obras públicas vinculadas ao processo de desapropriação (art. 36 do Decreto-Lei 3.365/41).
Art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização.
*ATENÇÃO: O art. 8º, da Lei n. 8.666/93 também faz remissão ao instituto da ocupação temporária
e nesse caso previu a ocupação de bens móveis e imóveis, assim há uma exceção à regra geral de que a ocupação incide sobre imóveis.
Requisição administrativa: De acordo com Raquel Carvalho, “a requisição administrativa é um ato
administrativo unilateral e auto-executório que consiste na utilização de bens ou de serviços particulares pela Administração, para atender necessidades coletivas em tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente, mediante pagamento de indenização a posteriori”5, se comprovada a ocorrência de
dano. É provisória. Competência privativa da União legislar sobre requisição (art. 22, III, da CF), mas todos os entes públicos podem executar a requisição, presentes os requisitos constitucionais e legais.
No julgamento do MS 25295, o STF decidiu que não era possível a requisição de bens municipais pela União em situação de normalidade institucional, sem decretação de Estado de Defesa ou de Sítio. Todavia, ressaltou a admissibilidade, em tese, de requisição, pela União, de bens e serviços municipais para atendimento de situações de comprovada calamidade e perigo público.
5 Baltar Neto, Fernando Ferreira; Torres, Ronny Charles Lopes de. Direito Administrativo. Coleção Sinopses para Concursos volume 9. Salvador: JusPodium, 2015.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
REQUISIÇÃO X OCUPAÇÃO: A requisição pressupõe iminente perigo público, e a ocupação
temporária pressupõe apenas interesse público.
Tombamento: O tombamento é um ato administrativo vinculado e gera obrigações para o
proprie-tário, para o poder público e para toda a comunidade. O tombamento gera uma restrição à propriedade, com o objetivo de proteger o patrimônio cultural, podendo incidir sobre quaisquer bens (móveis, imóveis, materiais, imateriais, público e privados). Atinge, portanto, o caráter absoluto da propriedade, na medida em que seu proprietário deverá observar as limitações impostas pelo tombamento em si.
Tendo em vista que a proteção ao meio ambiente cultural é comum a todos os entes federativos, a competência para praticar os atos necessários ao tombamento de bens públicos ou privados é concor-rente entre os entes federativos.
Naturalmente, o tombamento gera efeitos tanto para o proprietário quanto para o ente que reali-zou o tombamento e terceiros. Por exemplo, o proprietário não poderá usar e gozar o bem de forma a desnaturar o bem tombado; o ente que tombou possui a incumbência de vigiar e fiscalizar o cumprimen-to da finalidade do cumprimen-tombamencumprimen-to e; o terceiro não poderá realizar construções que impeçam ou reduzam a visibilidade do bem tombado sem prévia autorização do competente.
Existindo hipossuficiência do proprietário para conservação e reparação do bem, este tem a obri-gação de notificar o Poder Público, que deverá se incumbir de reparação e conservação, sob pena de permitir ao proprietário que solicite o cancelamento do tombamento.
Matriz constitucional: art. 216, §1º, CF.
Fundamento infraconstitucional: Decreto 25/1937
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos dife-rentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artís-tico-culturais;
paleontológi-20 TODO DIA
FIXCICLANDO
co, ecológico e científico.
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultu-ral brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Decreto-Lei n. 25/1937. Art. 19. O proprietário de coisa tombada, que não dispuzer de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que fôr avaliado o dano sofrido pela mesma coisa.
§ 1º Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis mezes, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa.
§ 2º À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário reque-rer que seja cancelado o tombamento da coisa. (Vide Lei nº 6.292, de 1975)
§ 3º Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a inicia-tiva de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude êste artigo, por parte do proprietário.
O tombamento pode ser cancelado (“destombamento”), de ofício ou mediante recurso, pelo Presi-dente da República, tendo em vista razões de interesse público (Decreto 3.866/1941).
Decreto 3.866/1941. Artigo único. O Presidente da República, atendendo a motivos de interesse públi-co, poderá determinar, de ofício ou em grau de recurso, interposto pôr qualquer legítimo interessado, seja cancelado o tombamento de bens pertencentes à União, aos Estados, aos municípios ou a pessoas naturais ou jurídicas de direito privado, feito no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, de acordo com o decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937.
Formas de constituição:
1) de ofício: aquele que incide sobre bens públicos, se dá através de notificação a entendida
proprie-tária para que se produzam os efeitos necessários.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
por ordem do diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer, ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada, afim de produzir os necessários efeitos.
2) voluntário: incide sobre bens particulares e se dá por requerimento do proprietário do bem ou
por sua concordância.
Art. 6º O tombamento de coisa pertencente à pessôa natural ou à pessôa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsóriamente.
Art. 7º Proceder-se-à ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional, a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou sempre que o mesmo proprietário anuir, por escrito, à notificação, que se lhe fizer, para a inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo.
3) compulsório: também incide sobre bens privados, se dá mediante processo após a recusa do
proprietário.
Art. 8º Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscri-ção da coisa.
Art. 9º O tombamento compulsório se fará de acôrdo com o seguinte processo:
1) o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, por seu órgão competente, notificará o proprietário para anuir ao tombamento, dentro do prazo de quinze dias, a contar do recebimento da notificação, ou para, si o quisér impugnar, oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impug-nação.
2) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. que é fatal, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por símples despacho que se proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo.
3) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado, far-se-á vista da mesma, dentro de outros quinze dias fatais, ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento, afim de sustentá--la. Em seguida, independentemente de custas, será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que proferirá decisão a respeito, dentro do prazo de sessenta dias, a contar do seu recebimento. Dessa decisão não caberá recurso.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
Quanto à eficácia o tombamento pode ser:
1) definitivo: após a inscrição no livro de tombamento.
2) provisório: após a notificação. Esses efeitos do tombamento são provisoriamente observados
desde a notificação do particular no curso do processo de tombamento.
Art. 10. O tombamento dos bens, a que se refere o art. 6º desta lei, será considerado provisório ou definitivo, conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo.
Quanto aos destinatários, o tombamento pode ser: 1) individual: quando incidir sobre um bem específico.
2) geral: quando incidir sobre determinado conjunto, por exemplo, um bairro ou uma cidade.
Entende-se que nesse caso de tombamento geral não é necessária a intimação individual de cada um dos proprietários dos bens abrangidos pelo tombamento.
#SELIGANAJURIS:
1. Não é necessário que o tombamento geral, como no caso da cidade de Tiradentes, tenha proce-dimento para individualizar o bem (art. 1º do Decreto-Lei n. 25/37). As restrições do art. 17 do mesmo diploma legal se aplicam a todos os que tenham imóvel na área tombada. Precedente. (...)
(REsp 1098640/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/06/2009, DJe 25/06/2009)
É possível que o Estado realize o tombamento de bem da União, pois neste instituto não se aplica o princípio da hierarquia verticalizada previsto no Decreto-Lei n. 3.365/1941 que regula as desapropriações. Outrossim, a proteção ao patrimônio histórico-cultural é competência comum aos entes federativos, de modo que, ante ao princípio da unidade da Constituição, o tombamento de um bem público por outro ente federativo é admissível.
#DIZERODIREITO: O princípio da hierarquia verticalizada, previsto no Decreto-Lei 3.365/1941, não
se aplica ao tombamento, disciplinado no Decreto-Lei 25/1937. A lei de tombamento apenas indica ser aplicável a bens pertencentes a pessoas físicas e pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. Ademais, o tombamento feito por ato legislativo possui caráter provisório, ficando o tombamento permanente, este sim, restrito a ato do Executivo. Por fim, o tombamento provisório
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
por ato legislativo não precisa ser precedido de notificação prévia da União, exigência restrita ao procedimento definitivo promovido pelo Executivo estadual.
STF. Plenário. ACO 1208 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 24/11/2017 (não divulgado em info).
#SELIGANAJURIS: “Como o tombamento não implica em transferência da propriedade, inexiste a
limitação constante no art. 2º, §2º do Decreto-Lei 3.365/41, que proíbe o Município de desapropriar bem do Estado”. (STJ, RMS 18.952).
#ISTOÉUMPLUS: Enquanto o tombamento é regulado pelo Decreto-lei 25/1937 e visa proteger
os bens imóveis e móveis, o registro é tratado no Decreto 3.551/2000 e tem por objetivo a prote-ção dos bens imateriais de valor cultural. O objetivo é o mesmo (proteprote-ção da cultura), a entidade responsável pela proteção é a mesma (em âmbito federal: IPHAN) e a proteção ocorre por meio de procedimentos semelhantes (inscrição do bem em Livro específico).
Indenização: depende comprovação do dano pelo particular. O prazo prescricional para propositu-ra da ação indenizatória é de cinco anos (art. 10, parágpropositu-rafo único, do DL 3.365/1941).
#OLHAOGANCHO! Bem público tombado é inalienável, ressalvada a possibilidade de transferência
entre os entes federados.
#DEOLHONAJURIS: Conforme decidido pelo STF, no julgamento da ADI 1.706/DF: “O
tombamen-to é constituído mediante ATO DO PODER EXECUTIVO”.
#TABELASALVANDOVIDAS:
TOMBAMENTO
CONCEITO
É um procedimento ou ato administrativo pelo qual o Poder Público sujeita a restrições parciais os bens de qualquer natureza cuja conservação seja de interesse público, por sua vinculação a fatos memoráveis da história ou por seu excepcional valor arqueológico ou etnológico, bibliográfico ou artístico. É SEMPRE UMA RESTRIÇÃO PARCIAL.
QUANTO À CONSTITUIÇÃO OU
PROCEDIMENTO
DE OFÍCIO: Recai sobre bem público. Processa-se mediante simples notificação à entidade a quem pertencer ou sob cuja guarda estiver a
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
VOLUNTÁRIO: Não há resistência por parte do proprietário. Há anuên-cia ou pedido do proprietário.
COMPULSÓRIO: Há resistência por parte do proprietário, que se opõe à pretensão de tombar do poder público. A oposição ocorrerá no prazo de 15 dias da notificação de interesse de tombamento do bem. A notifi-cação gera efeitos de um tombamento provisório.
QUANTO À EFICÁCIA
PROVISÓRIO: É gerado pela simples notificação. Ocorre quando ainda está em curso o processo administrativo instaurado pela notificação.
Produz os mesmos efeitos do definitivo, apenas dispensando a
trans-crição no registro de imóveis.
DEFINITIVO: Ocorre com o efetivo registro no livro do tombo. QUANTO AOS
DESTI-NATÁRIOS
GERAL: que atinge todos os bens situados em um bairro ou em uma cidade.
INDIVIDUAL: que atinge um bem determinado.
Desapropriação: procedimento administrativo pelo qual o Poder Público transfere para si a
proprie-dade de terceiro, por razões de utiliproprie-dade pública, necessiproprie-dade pública ou de interesse social, mediante o pagamento de prévia e justa indenização (art. 5º, XXIV, CF).
Pressupostos:
a) necessidade pública: situação de emergência, cuja solução requeira a transferência da
proprie-dade do bem para o Poder Público. Ex. desapropriação de imóveis em situação de risco. Regulada pelo Decreto-Lei 3.365/1941.
b) utilidade pública: é conveniente e vantajosa ao interesse coletivo, mas não imprescindível. Ex.
desapropriação para abertura de uma nova via pública. Regulada pelo Decreto-Lei 3.365/1941.
c) interesse social: realça a função social da propriedade, servindo a transferência do domínio do
bem para a distribuição ou o condicionamento da propriedade para seu melhor aproveitamento, utili-zação ou produtividade em benefício da coletividade ou de categorias sociais merecedoras de amparo específico. Ex. desapropriação para reforma agrária. Regulada pelo Decreto-Lei 4.132/1962.
CF. Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
Existem ainda as seguintes espécies de desapropriação:
d) desapropriação urbanística: executada pelo Município quando o proprietário do solo urbano
não edificado, subutilizado ou não utilizado não promova o seu adequado aproveitamento, e após o parcelamento ou edificação compulsórios e incidência de IPTU progressivo. A indenização pela desa-propriação urbanística é feita mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegu-rados o valor real da indenização e os juros legais. Prevista no art. 182, §4º, III, da CF e na Lei n. 10.257/01.
CF. Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. (Regulamento) (Vide Lei nº 13.311, de 11 de julho de 2016)
§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.
§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano dire-tor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade). Art. 8º Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública.
§ 1º Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo Senado Federal e serão resgatados no prazo de até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indeni-zação e os juros legais de seis por cento ao ano.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
§ 2º O valor real da indenização:
I – refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o mesmo se localiza após a notificação de que trata o § 2º do art. 5º desta Lei;
II – não computará expectativas de ganhos, lucros cessantes e juros compensatórios.
§ 3º Os títulos de que trata este artigo não terão poder liberatório para pagamento de tributos. § 4º O Município procederá ao adequado aproveitamento do imóvel no prazo máximo de cinco anos, contado a partir da sua incorporação ao patrimônio público.
§ 5º O aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado diretamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou concessão a terceiros, observando-se, nesses casos, o devido procedimento licitatório. § 6º Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos termos do § 5º as mesmas obrigações de parce-lamento, edificação ou utilização previstas no art. 5º desta Lei.
#ATENÇÃO: Não há impedimento para desapropriação de área urbana de até 250m²!!! Isso é para
usucapião, não confundir!!!
e) desapropriação para reforma agrária: executada pela União, quando o imóvel rural não estiver
cumprindo sua função social, mediante previa e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláu-sula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. As benfeitorias necessárias e úteis indenizadas em dinheiro. Está prevista nos arts. 184 a 196, da CF, na LC 76/93 e na Lei nº 8.629/93.
CF. Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.
§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.
§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
f) expropriação ou desapropriação confisco: terras em que sejam cultivadas plantas
psicotrópi-cas ilegais ou em que haja exploração de trabalho escravo. NÃO há indenização. Prevista no art. 243 da CF e na Lei nº 8.257/91.
Hipóteses:
1) Propriedade urbana ou rural utilizada na plantação do psicotrópico proibido = área destinada à
reforma agrária e programas de habitação.
2) Propriedade rural ou urbana utilizada para a exploração do trabalho escravo = área destinada a
reforma agrária e programas de habitação.
3) Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de
entor-pecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprie-tário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilíci-to de enilíci-torpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.
#SELIGANAJURIS: A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada,
desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in
eligen-do. STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).
Efeitos da declaração de necessidade/utilidade/interesse público:
1) fixa o estado em que se encontra o bem. Di Pietro entende que todas as benfeitorias são
indeni-záveis até antes do decreto. Depois só as necessárias e úteis;
2) direito do Poder Público de penetrar no bem para verificações e medições, inclusive com uso da
força policial.
3) início do prazo de caducidade da declaração (5 anos, salvo no caso de desapropriação por
inte-resse social, cujo prazo é de 2 anos).
Competências para declaração:
a) Legislativa: privativa da União, pode ser delegada por LC a Estados e DF. b) Declaratória: de todos os entes, bem como do DNIT e da ANEEL.
c) Executória: de todos os entes (Administração direta e indireta), bem como concessionárias
e permissionárias, se autorizadas em lei ou contrato. Esta fase pode ser administrativa ou judicial. No primeiro caso, há acordo entre as partes, formalizada por escritura pública, em regra. Se é necessário mover a ação desapropriatória, vale lembrar que nesta só se pode discutir o valor da indenização ou vício processual; outros assuntos devem ser tratados em ação própria (art. 20 do DL 3365/41). Havendo acordo, a homologação judicial serve para a transcrição no CRI. Desistindo o expropriante, o expropriado pode receber indenização.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
#SELIGANAJURIS: O ente desapropriante não responde por tributos incidentes sobre o imóvel
desapropriado nas hipóteses em que o período de ocorrência dos fatos geradores é anterior ao ato de aquisição originária da propriedade. (STJ, Info 606)
#SELIGANAJURIS: É ônus do expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de
desistência da desapropriação. (STJ, Info 596)
Ônus reais: se incidentes sobre bem expropriado, credor se sub-roga no preço recebido na
inde-nização (art. 31 do DL 3365/41).
Art. 26, Decreto-Lei nº 3.365/41: “no valor da indenização, que será contemporâneo da avaliação, não se incluirão os direitos de terceiros contra o expropriado.” Refere-se à avaliação efetivada em juízo, e não à avaliação administrativa.
Se, em procedimento de desapropriação por interesse social, ficar constatado que a área medi-da do bem é maior do que a escrituramedi-da no Registro de Imóveis, o expropriado receberá indenização correspondente à área registrada, ficando a diferença depositada em Juízo até que, posteriormente, se complemente o registro ou se defina a titularidade para o pagamento a quem de direito.
Desapropriação indireta: A desapropriação indireta é um fato administrativo, equipara-se ao
esbu-lho. Consiste na tomada dos bens pelo poder público sem a observância do procedimento legal. É uma desapropriação sem as formalidades necessárias. O pagamento na via judicial é por meio de precatórios.
Requisitos criados pela jurisprudência (STJ) – cumulativos:
1) Apossamento (fato consumado) do bem pelo Estado sem prévia observância do procedimento
legal. (A partir daqui não pode mais o ex-proprietário ser cobrado pelo IPTU - STJ).
2) Afetação do bem: destinação pública
3) Irreversibilidade da situação fática e tornar eficaz a tutela judicial específica. Mesmo que o
Judi-ciário mande devolver isso é irreversível.
Obs: a jurisprudência também reconhece como desapropriação indireta o esvaziamento
econô-mico do bem, ou seja, a sua total desvalorização. Ex. tornado área de preservação ambiental (não pode fazer nada).
#ISTOÉUMPLUS: Como evitar a desapropriação indireta? Ação de interdito proibitório
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
tudo isso ele incorporou, afetou e é irreversível, já era. Se mesmo assim eu entrar com reintegração de posse será convertida em ação de desapropriação indireta (indenização por precatório).
A desapropriação indireta enseja tão somente a afetação do bem, e NÃO a efetiva transferência de propriedade, a qual se sucede apenas após o pagamento de indenização ao proprietário ou, caso pres-crito o direito deste, por intermédio de usucapião. Segundo o STJ (Info 523), o prazo prescricional para requerer a indenização é de 10 anos, em analogia à prescrição da usucapião extraordinária (art. 1238, parágrafo único, do CC).
#SELIGANAJURIS: STF RE 748252” A desapropriação indireta exige, para a sua configuração, o
desapossamento da propriedade, de forma direta pela perda da posse ou de forma indireta pelo esvaziamento econômico da propriedade. 3. A proibição do corte, da exploração e da supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica (Decreto 750 /93) não significa esvaziar-se o conteúdo econômico”
#SELIGANAJURIS: INDENIZAÇÃO PAGA AO PROMISSÁRIO COMPRADOR NO CASO DE
DESA-PROPRIAÇÃO INDIRETA. O promissário comprador do imóvel tem direito de receber a indeniza-ção no caso deste imóvel ter sofrido desapropriaindeniza-ção indireta, ainda que esta promessa não esteja registrada no Cartório de Registro de Imóveis. STJ. 2ª Turma. REsp 1.204.923-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/3/2012 (Info 493).
Desdestinação: envolve a supressão da afetação do bem desapropriado. Na hipótese, o bem
desa-propriado é inicialmente afetado ao interesse público, mas, posteriormente, ocorre a desafetação;
Adestinação: ausência de qualquer destinação ao bem desapropriado, revelando hipótese de
completa omissão do Poder Público.
Desapropriação de bens públicos: É sim possível a desapropriação de bens públicos, todavia
deve ser observada a hierarquia entre os entes federativos, dessa forma a União pode desapropriar bens do Estado e do Município, ao passo que o Estado pode desapropriar bens do Município, sendo ainda exigível em qualquer desses casos autorização legislativa. Nesse sentido dispõe o Decreto-Lei n. 3365/41:
Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios.
§ 1º A desapropriação do espaço aéreo ou do subsolo só se tornará necessária, quando de sua utili-zação resultar prejuízo patrimonial do proprietário do solo.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
§ 2º Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa.
§ 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. (Incluído pelo Decreto-lei nº 856, de 1969)
#ISTOÉUMPLUS: Raquel de Carvalho defende a inconstitucionalidade da regra no §2º acima
trans-crito, afirma que é incompatível com o equilíbrio e a ausência de hierarquia entre os entes fede-rativos estabelecidos pelo constituinte pátrio. Mas prevalece para provas de concurso a regra da hierarquia para a desapropriação.
Em regra, a posse do Poder Público somente ocorre quando tiver terminado o processo de desa-propriação e paga a indenização, todavia é possível a imissão provisória na posse durante o processo de desapropriação, em caso de urgência da medida e desde que seja depositado o valor do bem, nos termos do art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365/1941.
#DEOLHONAJURIS: O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou
às seguintes conclusões: 1) em relação ao “caput” do art. 15-A do Decreto-Lei 3.365/41: reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros compensatórios de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público na posse de seu bem; 1.a) declarou a inconsti-tucionalidade do vocábulo “até”; 1.b) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros compensatórios sobre a diferença entre 80% (oitenta por cento) do preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem fixado na sentença; 2) declarou a constitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 15-A do DL 3.365/41; 3) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A do DL 3.365/41; 4) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A do DL 3.365/41; 5) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo e máximo para a concessão de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27 do DL 3.365/41. STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha havido o pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se consolidado a transferência da propriedade do expropriado para o expro-priante); e b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus do expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de desistência da desapropriação. STJ. 2ª Turma. REsp 1368773-MS, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em 6/12/2016 (Info 596).
#TABELASALVANDOVIDAS
DESAPROPRIAÇÃO CONCEITO
É a intervenção através da qual o Estado se apropria da propriedade alheia, após o devido processo legal, transferindo-a compulsoriamente e de maneira originária para o seu patrimônio, com fundamento no interesse
público e, normalmente, mediante indenização. CARACTERÍSTICAS
Aquisição originária (livre, portanto, de todos os ônus).
Todo e qualquer bem ou direito que possua valor econômico pode ser desapropriado.
Competência LEGISLATIVA é PRIVATIVA da União.
COMPETÊNCIA DECLARATÓRIA E
EXECUTIVA
A competência DECLARATÓRIA (1ª fase do procedimento) é apenas dos entes políticos (atribui-se competência, igualmente, ao DNIT e à ANEEL). Para fins de reforma agrária, a competência é EXCLUSIVA DA UNIÃO. Por outro lado, a competência EXECUTIVA (para ajuizar a ação de desa-propriação, pagar o preço...) pode ser repassada, por meio de lei ou contrato, à administração indireta e aos concessionários/permissionários.
ESPÉCIES
Comum/ordinária/regular: justificada por utilidade/necessidade pública
ou por interesse social.
Florística: proteção ambiental. Sancionatória: divide-se em:
Urbana (prevista no estatuto da cidade);
Rural para fins de reforma agrária (previsão no art. 184/CF, LC 76 e lei nº
8.629/93);
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
PROCEDIMENTO DA DESAPROPRIAÇÃO
COMUM.
1ª FASE (DECLARATÓRIA) = Publicação de ato de declaração da
expro-priação (decreto ou lei de efeito concreto), declarando o bem de utili-dade pública ou de interesse social. Manifesta a vontade de possuir o bem.
EFEITOS IMEDIATOS DO ATO DECLARATÓRIO: (a) Fixa o estado do bem: só serão indenizadas benfeitorias posteriores se necessárias ou úteis,
caso autorizadas essas últimas; (b) Submete o bem ao poder
expro-priatório estatal: o Estado ainda não é proprietário, mas pode exercer
alguns poderes sobre o bem. Ex.: entrar para realizar medições. (c)
Confe-re ao Poder Público o poder de penetrar no bem, desde que não haja excesso e (d) Inicia o prazo de CADUCIDADE (deve a Administração
tentar efetivar administrativamente a desapropriação ou, ao menos, ajuizar a ação de desapropriação). Veja os prazos:
UTILIDADE ou NECESSIDADE PÚBLICA: prazo de 05 anos (renova +5); INTERESSE SOCIAL: prazo de 02 anos.
2ª FASE (EXECUTIVA): Adoção dos atos materiais (concretos) pelo Poder
Público ou seus delegatários, devidamente autorizados por lei ou contrato, com o intuito de consumar a retirada da propriedade do proprietário origi-nário. Pode ser: (a) ADMINISTRATIVA: depois da declaração, a Adminis-tração propõe valor, o qual é ACEITO (nesse caso, há verdadeiro contrato de compra e venda) ou (b) JUDICIAL: o valor NÃO É ACEITO (ou não se conhece o PROPRIETÁRIO DO BEM). Nesse caso, deve ser ajuizada AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO.
AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO
(i) POLO ATIVO: Poder Público (Adm. direta ou indireta) ou delegatários.
Obs.: a) Desapropriação Sancionatória Urbanística: legitimidade ativa EXCLUSIVA DO MUNICÍPIO; b) Desapropriação para fins de reforma agrá-ria: legitimidade ativa EXCLUSIVA DA UNIÃO.
(ii) POLO PASSIVO: proprietário do imóvel.
(iii) Requisitos da PETIÇÃO INICIAL: (a) Oferta do preço; (b) Cópia do
contrato ou do diário oficial em que houver sido publicado o decreto expropriatório; (c) Planta ou descrição do bem a ser desapropriado e suas confrontações.
(iv) CONTESTAÇÃO: Só pode versar sobre: vício no processo
(prelimina-res) ou preço.
(v) IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE:
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia
arbitra-da de conformiarbitra-dade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imiti-lo provisoriamente na posse dos bens;
§2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada,
obriga-rá o expropriante a requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias.
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
§3º Excedido o prazo fixado no parágrafo anterior não será concedida a imissão provisória.
§4º A imissão provisória na posse será registrada no registro de imóveis competente.
(vi) PROVA PERICIAL: É plenamente cabível na ação de desapropriação.
É importante para a fixação do valor. Deve haver a apresentação do laudo em até 05 dias antes da audiência.
(vii) SENTENÇA E TRANSFERÊNCIA DO BEM: (a) Fixa o valor da
inde-nização (após o pagamento, consuma-se a desapropriação); (b) Autoriza a imissão definitiva na posse; (c) Constitui título hábil para registro. (d) É o pagamento do valor, ou sua consignação judicial, que promove a transfe-rência do bem.
DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA
É fato administrativo pelo qual o Estado se apropria de bem
particu-lar, sem observância dos requisitos da declaração e da indenização prévia. De acordo com o artigo 35 do Decreto 3365/41, uma vez
incorpo-rado ao patrimônio público, não será possível a sua reivindicação pelo
particular. Diante disso, o particular deve ajuizar uma ação de
desapro-priação indireta, que, a rigor, é uma ação de indenização. Hoje, prevalece
o entendimento de que o prazo prescricional para que o particular prejudicado ajuíze a ação de desapropriação indireta é de 10 anos. DIREITO DE
EXTEN-SÃO
É aquele pelo qual o expropriado requer que a desapropriação e a
respectiva indenização incidam sobre a totalidade do bem, pois a
parte não abarcada ficou inservível ou esvaziada de interesse patrimonial. São para os casos de desapropriação parcial.
TREDESTINAÇÃO
É a mudança da destinação do bem expropriado. Poder Público diz que faria uma coisa no decreto, mas depois faz outra.
Será ilícita quando houver DESVIO DE FINALIDADE (o bem não foi usado para atender o interesse público), caso em que o particular deve ser reintegrado (retrocessão).
Será lícita quando, embora divergente do planejamento inicial,
perma-nece atendendo o INTERESSE PÚBLICO. Ex.: iria construir escola, mas
constrói hospital. Nesse caso, o particular não poderá reaver o bem.
RETROCESSÃO O direito de o expropriado exigir a devolução do bem desapropriado que não foi utilizado pelo Poder Público para atender o interesse público. Há controvérsia sobre qual seria o prazo para o particular ajuizar a ação.
#NOVIDADELEGISLATIVA
20 TODO DIA
FIXCICLANDO
Art. 34-A. Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imis-são provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
§ 1º A concordância escrita do expropriado não implica renúncia ao seu direito de questionar o preço ofertado em juízo. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
§ 2º Na hipótese deste artigo, o expropriado poderá levantar 100% (cem por cento) do depósito de que trata o art. 33 deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
§ 3º Do valor a ser levantado pelo expropriado devem ser deduzidos os valores dispostos nos §§ 1º e 2º do art. 32 deste Decreto-Lei, bem como, a critério do juiz, aqueles tidos como necessários para o custeio das despesas processuais. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)