XI FATECLOG - OS DESAFIOS DA LOGÍSTICA REAL NO UNIVERSO VIRTUAL FATEC JORNALISTA OMAIR FAGUNDES DE OLIVEIRA
BRAGANÇA PAULISTA/SP - BRASIL 29 E 30 DE MAIO DE 2020
LOGÍSTICA REVERSA DE MEDICAMENTOS E SUAS RESPECTIVAS EMBALAGENS
FERNANDO FERREIRA DA SILVA (FATEC Prof. Jessen Vidal) [email protected] SERGIO DOMINGUES ARNEIRO JÚNIOR
(FATEC Prof. Jessen Vidal) [email protected] CARLOS EDUARDO BASTOS
(FATEC Prof. Jessen Vidal) [email protected]
RESUMO
Em tempos de conscientização ambiental, é mais do que necessário haver um estudo sobre o descarte de medicamentos e suas embalagens, devido à falta de informação sobre o correto procedimento acerca deste tema.
Os medicamentos em questão neste artigo abrangem as diferentes formas de apresentação: os líquidos, os comprimidos, em gel, sprays, entre outros. Tais produtos tem uma vida útil e, ao final desta ou ainda após o término do tratamento de um paciente, em muitas das vezes os medicamentos acabam por ser descartados de forma totalmente inadequada. O descarte destes deve ser feito com muita consciência e cautela, pois os componentes químicos utilizados na produção, causam sérios danos, tanto à saúde das pessoas, ao ingerir o medicamento vencido, como também ao meio ambiente em geral, quando descartados de forma irregular. A intenção deste trabalho é fazer uma análise comparativa entre os anos de 2015 e 2020, sobre o comportamento das pessoas sobre este assunto, o descarte correto dos medicamentos vencidos ou sem uso e estocados em suas residências. Como resultado pode-se perceber uma leve alteração para melhor na conscientização da ação do descarte adequado dos medicamentos e suas embalagens, identificando oportunidades para melhoria da comunicação das autoridades públicas com o consumidor.
Palavras-chave: Descarte, componentes químicos, meio ambiente.
A B S T R A C T
In times of environmental awareness, it is more than necessary to have a study on the disposal of medicines and their packaging, due to the lack of information on the correct procedure on this topic. The drugs mentionned in this article cover the different forms of presentation: liquids, tablets, gel, sprays, among others. Such products have a useful life and, at the end of this or even after the end of a patient's treatment, in many times the medications end up being discarded in a totally inadequate way. The disposal of these should be done with great awareness and caution, because the chemical components used in production cause serious damage, both to people's health, by ingesting the expired medication, as well as to the environment in general, when disposed of irregularly. The intention of this work is to make a comparative analysis between 2015 and 2020, on the behavior of people on this subject, the correct disposal of expired or unused drugs and stored in their homes. As a result, it is possible to notice a slight change for the better in the awareness of the action of the proper disposal of medicines and their packaging, identifying opportunities to improve the communication of public authorities to the consumer.
Keywords: Disposal, chemical components, environment.
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1. INTRODUÇÃO
Segundo Macedo (2000), o descarte inadequado de medicamentos após sua vida útil e suas embalagens, pode acarretar danos ao meio ambiente e prejuízos a saúde dos seres humanos e animais, por causa da grande quantidade de poluentes descartado de maneira incorreta que está crescendo de forma gradativa. Por isso, leis ambientais estão responsabilizando farmácias, hospitais e as empresas que faz o descarte dos resíduos e das embalagens de forma inadequada.
Portanto, está sendo cada vez mais preocupante para a população se manter em um ambiente sustentável, devido ao fato de as pessoas não respeitarem as normas ou desconhecerem sobre o descarte de forma correta. Desenvolvimento sustentável, é respeitar toda geração atual sem prejudicar as gerações futuras. (VALLE, 2004).
No entanto, garantir a preservação da qualidade de vida das pessoas e a saúde delas em relação ao meio ambiente é um tema extremamente preocupante. Moura (2008) afirma que as pessoas e a qualidade de vida delas estão comprometidas quando o lixo é jogado em qualquer lugar. Contudo, vem gerando um desgaste de fontes essenciais para a continuidade da vida na terra. Uma preocupação mundial produzida pela atividade humana.
2. EMBASAMENTO TEÓRICO
2.1 Logística
Segundo Ballou (2006), o planejamento, implantação e controle de fluxo são processos da Logística, o controle e a eficiência eficaz dos produtos, as operações de armazenagem de bens, serviços e informação estão relacionadas desde a sua origem até o ponto de consumo com o propósito de atender as necessidades dos clientes.
Novaes (2001) conclui que, com a logística existe uma busca constante de melhores condições para que as empresas venham obter capacidade competitiva ao se oferecer serviços de qualidade. A melhoria nos processos como um todo faz com que o produto final, seja ele qual for, seja de excelente qualidade ao consumidor final.
2.2 Logística Reversa
De acordo com Lacerda (2002) e Garcia (2006), a logística reversa é um processo complementar a logística tradicional. A função da logística tradicional é fazer com que o produto saia do fornecedor até o cliente intermediário ou ao cliente final, enquanto a logística reversa faz o caminho inverso da cadeia produtiva. As embalagens desses produtos passam muitas vezes por um processo de reciclagem até se perceber que a vida útil da mesma chegou ao fim.
A logística reversa é definida de forma mais ampla por Leite (2003) da seguinte forma:
é uma área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo, além das informações logísticas relativas ao retorno dos produtos utilizados e descartados pelos consumidores ao ciclo produtivo, através de locais de distribuição reversos, dando-lhes valor de naturezas diversas, tais como: ecológico, legal, econômico, logístico, entre outras.
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2.3 Descarte de Medicamentos
A melhoria da qualidade de vida é um dos principais temas que foram abordados com a aprovação da Lei Nº 12.305 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ainda que os medicamentos não sejam abordados diretamente nela, mesmo assim considera-se um grande avanço para modificar o modo de produção e consumo em se tratando de desenvolvimento sustentável e questões ambientais.
O descarte correto dos medicamentos é estabelecido como obrigatoriedade pela PNRS.
As farmácias e drogarias devem aceitar os medicamentos vencidos e suas embalagens, fazendo assim a logística reversa dos mesmos, encaminhando-os ao seu destino sem causar nenhum risco de contaminação ao meio ambiente e à saúde das pessoas.
2.4 ANVISA
Em 2011 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou os riscos à saúde pública e ao meio ambiente que podem ser causados pelo descarte de forma incorreta dos medicamentos e suas embalagens. Eles passam a ser considerados resíduos perigosos, pois acabam gerando a contaminação do solo, lençol freático, alimentos e podendo ainda causar a intoxicação de animais e pessoas.
O tema entrou em debate entre o Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Saúde, Anvisa e o setor farmacêutico. O objetivo principal foi evitar ao máximo o impacto ambiental pelo descarte incorreto dos medicamentos, passando a responsabilidade e conscientização a cada uma das partes envolvidas: o setor farmacêutico, o poder público e a todos os usuários.
3. DESENVOLVIMENTO DA TEMÁTICA
Pesquisas realizadas sobre o tema descarte de medicamentos e suas Embalagens foram realizadas no ano de 2015 por um grupo de curso Técnico em Logística na ETEC de São José dos Campos. Foram colhidos dados através de pesquisas impressas e presenciais em salas de aula com alunos da ETEC, unidade descentralizada José Vieira Macedo, a respeito do assunto e os números daquele ano serão comparados aos números levantados neste ano de 2020, para se descobrir se houve melhora ou não sobre a conscientização das pessoas sobre o tema em questão. Comparando-se os dados será possível demonstrar através de números e gráficos a situação que se encontra o descarte dos medicamentos.
3.1 Questionário da pesquisa
Foi realizada uma pesquisa com 100 pessoas, alunos da Escola Técnica de São José dos Campos – ETEC - entre 01 de agosto de 2015 à 30 de setembro de 2015, onde foram propostas seis perguntas a esse público. Essas mesmas perguntas foram novamente feitas ao mesmo público, porém desta vez feito através de questionário Google Forms e enviado aos alunos da ETEC pelos grupos de redes sociais da escola entre os dias 01/05/2020 a 31/05/2020.
As perguntas propostas nos dois questionários foram:
1. O que você faz com os medicamentos e as embalagens após o uso?
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2. Você já encontrou pontos para o descarte de embalagens e medicamentos na cidade de São José dos Campos?
3. Sabemos que a cidade de São José dos Campos possui um grande número de farmácias e drogarias. Nestes estabelecimentos você já foi informado(a), sobre a existência de algum tipo de coletor para o descarte de embalagens e de medicamentos?
4. A sua farmácia de compra existe algum local para o descarte de medicamentos e suas embalagens?
5. Você conhece ou tem medicamentos sem utilidades, vencidos ou guardados em casa?
6. Na sua opinião a educação é a melhor forma de tornar pessoas responsáveis e conscientes?
3.2 Análise dos Gráficos
Serão analisados os gráficos das duas pesquisas realizadas nos anos de 2015 e 2020 com alunos da Escola Técnica de São José dos Campos – ETEC - sendo comparadas cada uma das perguntas e, dessa forma, chegando-se a uma conclusão, podendo ser ela tanto uma análise positiva ou não, conforme as respostas obtidas.
Figura 1: Gráfico 1 (2015)
Fonte: Autores
Figura 2: Gráfico 1 (2020)
Fonte: Autores
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Analisando os dois gráficos das pesquisas realizadas nos anos de 2015 e 2020, onde a pergunta se trata sobre o destino das embalagens e os respectivos medicamentos, percebe-se através dos números obtidos que a opção “DESCARTA EM LIXO COMUM” ainda tem um número elevado, devido principalmente ao fato de não haver campanhas de conscientização sobre esse assunto, porém, na pesquisa atual esse valor caiu 6 pontos percentuais. As outras opções de pesquisa somadas, totalizam 24%.
Figura 3: Gráfico 2 (2015)
Fonte: Autores
Figura 4: Gráfico 2 (2020)
Fonte: Autores
Nesta segunda pergunta realizada às pessoas, houve um aumento considerável e bastante positivo no que se trata do local adequado para o descarte de medicamentos e suas embalagens.
Em 2015 esse número era de 17% e na pesquisa de 2020 subiu para 27%, um aumento significativo, levando-se em consideração a falta de campanhas de conscientização sobre tal assunto.
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Figura 5: Gráfico 3 (2015)
Fonte: Autores
Figura 6: Gráfico 3 (2020)
Fonte: Autores
Mais um aumento que pode se considerar bastante positivo. Em se tratando de informação nas farmácias sobre o local para descarte, essa informação para as pessoas subiu de 8 para 18% em 2020. Uma pessoa é orientada pelo estabelecimento onde tem esse descarte consciente e essa informação é passada adiante através de diversas formas, seja pessoalmente, numa conversa entre familiares ou amigos ou mesmo através de postagens em redes sociais, e- mails, entre outros.
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Figura 7: Gráfico 4 (2015)
Fonte: Autores
Figura 8: Gráfico 4 (2020)
Fonte: Autores
Na análise do quarto gráfico, o que mais surpreende não são as respostas positivas e muito menos as negativas, pois elas tiveram pequenas diferenças de uma pesquisa para a outra.
A maior diferença foi na opção “NÃO SEI INFORMAR”. Foram 7 pontos percentuais – 52%
em 2015 e 45% em 2020 – mostrando com isso que, por menor que seja a informação recebida a respeito do descarte correto dos medicamentos e suas embalagens, mesmo assim houve uma pequena melhora na conscientização das pessoas sobre o tema em questão.
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Figura 9: Gráfico 5 (2015)
Fonte: Autores
Figura 10: Gráfico 5 (2020)
Fonte: Autores
Na questão que trata sobre o ter ou não ter medicamentos vencidos ou sem utilidades em casa, a diferença de uma pesquisa para a outra foi bem elevada. Quando a resposta foi “sim”, houve uma queda de 23 pontos do ano de 2015 para o ano de 2020. Naquele ano, 57% das pessoas responderam que tinham medicamentos em suas casas contra os 34% da pesquisa atual.
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Figura 11: Gráfico 6 (2015)
Fonte: Autores
Figura 12: Gráfico 6 (2020)
Fonte: Autores
E por fim o último gráfico de comparação, o único que se manteve praticamente com os mesmos valores. A pergunta feita aos entrevistados foi sobre a questão de educação, se é realmente ela que pode mudar as atitudes e consequentemente tornar o ambiente melhor para todos. Em 2015, um total de 96% das pessoas respondeu que sim, contra os 95% do ano de 2020, percebendo-se com esse empate técnico nas respostas, que as pessoas praticamente têm o mesmo pensamento sobre essa questão, mesmo num intervalo de 5 anos.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme mencionado nos capítulos anteriores, a intenção deste artigo é a de mostrar como está o comportamento das pessoas em relação ao descarte de medicamentos vencidos ou sem uso e também as suas respectivas embalagens. A primeira pergunta neste estudo procurou
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saber dos entrevistados qual o destino dado aos medicamentos e suas embalagens e, nas duas pesquisas, as respostas do descarte em lixo comum foi a de maior número.
Nas perguntas seguintes os números mostraram leve alteração para melhor, mostrando com isto que, devido a alguma informação recebida pelas pessoas através de amigos, parentes ou mesmo através dos locais de venda e/ou distribuição dos medicamentos, a população passou a fazer o descarte de forma mais consciente.
Se o intervalo de tempo entre uma pesquisa e outra for levado em conta, de 2015 para 2020 são cinco anos de intervalo, o aumento no descarte consciente se torna pouco, devido principalmente ao fato de não haver campanhas educativas para a população sobre o tema em questão. A logística reversa de medicamentos é um serviço caro e somente empresas especializadas no assunto são autorizadas a fazer tais procedimentos, daí então conclui-se que este seja o principal empecilho para que não haja campanhas de conscientização para o correto descarte destes produtos.
Este trabalho servirá como base para trabalhos futuros sobre o tema e que estas pesquisas venham ajudar a conscientizar a população e também empresas a enxergar que o descarte errado é agressivo ao meio ambiente. Estes atos podem causar sérios danos à natureza e a saúde de pessoas e animais.
REFERÊNCIAS
BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, Porto Alegre: Bookman, 2006.
GARCIA, M.G. Logística Reversa: uma alternativa para reduzir custos e criar valor. XIII SIMPEP 2006, Bauru, SP, Brasil, 06 a 08 de novembro de 2006 Disponível em:
http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/1146.pdf. Acesso em: 04/2017.
LACERDA, L. Logística reversa: uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas. 2002.
LEITE, P. R. Logística Reversa – Meio Ambiente e Competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
MACEDO, J.A.B. As Indústrias Farmacêuticas e o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
Revista Fármacos & Medicamentos, 2000. V. 1, p. 46 – 50
MOURA, A. Gestão Hospitalar: da organização ao Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico. São Paulo: Manole, 2008.
NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, 2001. p. 452.
VALLE, C. E. Qualidade ambiental: ISSO 14000. 5 ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2004.
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