; Bibliotecon.&Com. 1(11: 20 - 22 jan./jun. t986 21 'do em lel. Logo, nã'o e s6 o Uen_
o" que toma a pessoa ãpta a ar uma biblioteca escolar, mas a lo profIssional pertinente,
alia-sem
dúvida, a conhecimentosso-a
educaçã'o em geral, o ensino, o íduo e a realidade social.Prosseguindo, o autor indica que preferência deve recair num lugar uito movimento de escada, de en-s e en-saídaen-s, cantoen-s de en-subida e deen-s- des-,..". Por que um lugar qualquer a biblioteca, quando instituições 'cas primam pelo luxo e tamanho suas instalações físicas'! Por que um precário, quando se sabe que is-conduz a um baixo rendimento? ·se ter em mente pelo menos a funcionalidade; é preciso um es-para a movimentação das pes-entre as informações, e nlro "um movimentado". A biblioteca de-estar situada em local de fácil aces-onde as pssoas se encontrem, tro-idéias, enfim, onde seja pos-1
um
contao direto com oçonhe-nto e sua discuss4'o crítica. A biblioteca escolar tem uma onsabilidade específica para com a 'edade, que é a de informar, instruir ducar, pois seu papel é educativo e, . .sendo, é uma instituiçlro im-ante no processo de rendvação transformaçlfo social. Portanto, é damental a atuaçfo do bibliotecá-como apoio do trabalho do profes-, base para a formaçlfõ de uma po-açã'o crítica, consciente dos. recur-disponíveis, no apoio ao pro-a de ensino e no desenvolvimento telectual geral do aluno.
Sabe-se muito bem o quanto é .do. o entusiasmo com que todo professor que se envolve com uma blioteca realiza sua funçã'o. Mas e o ibliotecário? Para que formá-lo às zenas anos a ano, se um professor otivado pode realizar a contento as esmas funções? E, ainda mais, trei-do em quinie dias, conforme su-stlro do autor, アオセ、ッ ele depende
quatro anos para fazer o mesmo? Indo além, o próprio autor mos--se um entusiasta ferrenho da bi-Iioteca, ao relatar uma experiência ssoal em que, a partir de campa-as de doações, conseguiu organizar a vasta biblioteca (Organizar não só reunir livros; esta é apenas a efa inicial e, mesmo para reali-'-la, é preciso nã'o só recursos fI-ceiros, mas também de amplo nhecimento para a seleçã'o das obras dispensáveis e adequadas ao usuá· '0). Trata-se, sem dúvida, de um
exemplo a ser seguido, que lança uma alternativa para ultrapassar a barreira da falta de verbas através do envolvi-mento comunitário. Contudo, entra aí
um
elemento básico a ser questionado: se a biblioteca é importante para a es-cola, por que passar para professores e alunos um encargo da própria orga-nizaçfo educacional? Nfo é uma trans-ferência inadequada?"Livros••• livros•.. muitos livros. A compra?' De .preferência em uma só livraria (pelo desconto •••)", Um dos critérios na seleçlfo deve ser a qualidade' e nlfo a quantidade do ma-terial. Para um bibliotecário,' é im-possível restringir-se ao desconto dado por uma livraria, e, muito menos, li-mitar-se às obras que ela dispõe. A biblioteca signiftca algo mais do que um simples amontoado de livros; significa tomar conhecida e utilizá-' vel a informaçlfo contida nos livros e outros materiais; representa milhares de aulas impressas. Além disso, há mui-to que o livro didático deixou de ser elemento único e absoluto no proces-so de aprendizagem; a biblioteca deve
o
bibliotecário
é
o
agente que
concilia
o
conhecimento e
técnicas indispensáveis no
desempenho da Biblioteconomia
e por isso, deve ser o ocupante
legftimo desse espaço.
dispor nã'o só de livros, mas também de publicações periódicas, imprescin-díveis para uma atualização permanen-te, contribuindo para a aprendizagem integral do estudante como ser huma-no em formaçã'o. Isso sem mencionar outros tantos materiais que servem para o mesmo fIm, tais como mmes, discos, audiovisuais, etc.
Mas, dentro da proposta, depois da campanha de doações, o que falta? . "E depois, depois é só um simples registro e um bom controle de emprés-timo, O resto, corre por conta dos lei-tores-doadores ",
E, decorridas duas semanas, o au-tor sugere que seja feito o fichário, com registro feito pelo sobrenome do autor e do título, mas, segundo ele, é dispensável a entrada por assuntos, por se tratar de literatura infantil. Mas um simples registro nlfo propor-ciona uma rápida armazenagem e recu-peração da informaçã'o, indispensá-vel para um bom atendimento, o que é essencial. Sem falar no valor do ca-tálogo por assunto, visto que grande
número de pequenos usuários voltam pedindo outros livros· sobre "pinti-nhos, jacarés ou bichinhos que falam", porque gostaram do livro anterior.
Daí 、ゥウ」ッイ、。イMウセ também da
afIr-maçfo do autor, de que é dispensável a entrada por assunto.
Depois, sentar e ・セー・イ。イN Parece uma atitude passiva, incompatível com o dinamismo de uma biblioteca. Ela é antes de tudo um 6rglfo vivo, atuan-te. Uma constante atualização se faz necessária, para que, conseqüente-mente, o usuário fique sempre em dia com as novas informações. A simples organizaçã'o inicial não é sufIciente, pois condena a biblioteca a esperar pela chegada do usuário. Na maioria das vezes a biblioteca é que vaiàsua procura, através de diversas atividades de extensão, tais como hora do conto, exposições, boletins para divulgação de materiais, gincanas, atividades ex-tracurriculares, etc. A motivação do aluno nlfo se restringe a uma capaco-lorida...
E quanto ao empréstimo? "Per-deu o livro, reposição imediata" (., ,) Atrasou na devolução? Deixa de reti-rar por duas semanas (" ,), Renova-ção? Não. Isto fará com que oaluno se programe a ler o livro em uma se-mana (...IGセ Apreride-se, no curso de Biblioteconomia, que é muito impor-tante a formação do gosto pela leitura, e por isso é preciso .que o aluno seja incentivado, e não punido. Não se po-de. esquecer que crianças e jovens sã'o pessoas, que devem ser tratadas como tal; devem ter a liberdade de ler no seu próprio ritmo e de escolher leituras que venham ao encontro de seus in-teresses.
Não há motivo para ter medo da daniflcaçã'o do material e sim o in-teresse de que o usuário, uma crian-ça ainda, se familiarize com a biblio-teca, já que ele é o elemento mais im-portante; sem ele, a biblioteca não existe. E, quanto menos democrá-ticas as relações dentro dela, menores serão as chances de crescimento inte-lectual de seus freqüentadores.
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te. E, se bibliotecários são contratados, o são no cargo de professores.
Outro aspecto refere-se ao treina-mento, cadá vez mais usual, de leigos para atuarem em bibliotecas; na. falta de bibliotecários, pessoas com forma-çãoeducacional diversificada recebem uma orientação geral de como exercer as funções de bibliotecário. Daíイ・セ[オャᆳ ta um exercício indevido da Biblio-teconomia, ou pior, a atuação de pessoas que, mal informadas, podem cometer erros irreparáveis, como, por exemplo, o afastamento do usuário. E, muitas vezes, esse pessoal é contra-tado em substituição a profissionais, por desconhecimento ou, mesmo, com o objetivo de obter mã'o-de-obra mais barata.
O treinamento tem uma abrangên-cia restrita; falta o embasamento teó-rico para que o trabalho seja eficaz. Daí resulta mais uma distorção pro-fissional, apesar de que, em forma in-versa, alguns desses elementos, cons-cientes da necessidade de uma melhor formação, procuram o curso de Biblio-teconomia.
Prosseguindo, outro exemplo de desvio profissional foi encontrado atra-vés da imprensa, em anúncio veiculado pelo jornal Zero Hora, seção de classi-ficados, referindo-seàvaga de bibliote-cário. Procurando maiores detalhes, alunos do curso de Biblioteconomia foram informados de que a mesma destinava-se a uma empresa de grande porte de Porto Alegre, que possui uma biblioteca organizada e. . . ne· nhum bibliotecárioI Então questio-na-se: como pode um auxiliar de biblioteca atuar sem a supervisão de um profissional? Pelo menos com o qile se aprende no curso de Bibliote-conomia, isso é impossível. Trata-se, pois, de mais uma agressão profissio-nal, já que, além dos conhecimentos presumíveis que o candidato deve ter, precisa dominar nada menos do que quatro idiomas: inglês, francês, alemão e espanhol. Enquanto isso, no curso, aprendem-se somente inglês e francês, em nível instrumental. Será que o cur-rículo está incompleto, ou será que é exigência demasiada, ainda mais para um auxiliar de biblioteca? Será que a vaga não caberia a uma secretária po-liglota, restando as funções específicas para um bibliotecário?
E, finalmente, outro anúncio ofe-rece uma vaga para bibliotecária (fe-minina, portanto discriminando a pro-fissão pelo sexo), com ótimll apresen-tação, experiência em classificação de materiais, etc., mas, para serviços tem-porários.
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Do exposto, podem ser extraídas algumas considerações finais. Em pri-meiro lugar, verifica-se que, se de um lado a profissão de bibliotecário mu-dou substancialmente com o avanço tecnológico do século:XX,não se pode dizer, de outro, que ela tenha se afir-mado socialmente. Constata-se, ainda, uma grande distância entre a noção que o bibliotecário tem de seu espaço, e o que a comunidade pensa dele; em-bora seja uma profissão que não en-frente saturação do mercado de tra-balho, há um desvio de funções, onde muitas atribuições que são específicas de Biblioteconomia, são feitas por ou-trosprofissionais. Assim, apesar da im-portância dos processos de preserva-ção e disseminapreserva-ção de informações, cada vez maior, o bibliotecário é um . ente dispensável.
Em especial na biblioteca escolar, parece que a sua colaboração no pro-cesso educacional não está clara, quan-do se lê um artigo onde, apesar de toda a caracterização do perfil de uma pes-soa responsável pela biblioteca, não é
Fala-se que as pessoas não lêem. Mas como poderão fazê-los
não são incentivas a isso desde a escola?
Ogosto pela leitura não
é
algo inato, mas que precisa ser cultivado.
citada nenhuma vez a necessidade de que tal pessoa seja um bibliotecário. Além disso, constata-se uma grande discrepância entre o que é ensinado no curso, a respeito da participação do bibliotecário como auxiliar direto do professor, com a realidade, onde este é que assume o papel daquele, num ca-racterístico desvio profissional. E ale-gar-se, justificando essa situação, que isso é provocado pela falta de um pro-fissional bibliotecário, não deixa de ser verdade, uma vez que, no próprio plano de carreira dos servidores do Estado do Rio Grande do Sul, a la-cuna persiste.
Outro ponto a destacar é o da re-laç[o bibliotecário-usuário que, se com a presença de um profissional forma-do, que aplica toda uma gama de di-retrizes teóricas, baseadas no estudo de usuários, já apresenta problemas, sem ele se torna ainda pior. Por mais entusiasmado que esteja o professor, falta-lhe a base metodológica de atua-ção, baseada nos estudos já feitos por sobre o assunto.
A conseqüência mais significativa que decorre da "dispensabilidade" do profissional, daí advindo o descrédito da própria biblioteca escolar, é tão comum falta do hábito de leitura en-tre adultos e, pior que isso, do pró-prio gosto pela leitura. Fala-se que as pessoas não lêem. Mas como poderão fazê-lo se não são incentivadas a isso desde a escola? O gosto pela leitura não é algo inato, mas que precisa ser cultivado. Se a escola não o faz, na me-dida em que a biblioteca escolar não passa, na maioria das vezes, de apenas um depósito de livros e de pessoas, sem um agente dinamizador, quem a substitui? Nos casos em que isso nã'o acontece, deve-se ao estímulo da pró-pria faml1ia, em substituiçãoàescola.
A biblioteca escolar não é uma sala de pessoas que estão "sobrando", sejam professores, ou sejam até mesmo bibliotecários, mas sim um lugar que deve atrair o usuário em potencial, que é a criança em processo de aprendiza-gem. Infelizmente, a imagem que gran-de parte dos alunos têm da "biblio-tecária", e que levam consigo para o resto da vida, é a de uma figura anti-pática, agressiva e intolerante que, em
vez de motivá-los, afasta-os.
De tudo isso, é essencial que, tan-to no meio bibliotecário, quantan-to na sociedade, incluindo-se desde o gover-no até o pequegover-no leitor, seja enfatiza-do o sentienfatiza-do real de uma biblioteca, especialmente a escolar. E, dentro la, que o papel do bibliotecário seja de-finido, de forma que, com o tempo, perca o sentido questionar-se: biblio-tecários, para quê?
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA