OS DIREITOS TRABALHISTAS DA MULHER
Léa Cristina Barboza da Silva Paiva1, Christiano Abelardo Fagundes Freitas2
RESUMO
A atual Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 5º, inciso I, preconiza que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.” A referida Carta Magna prevê expressamente, na categoria de direito fundamental social trabalhista, a “proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei” (art. 7º, XX).Nesse diapasão, quando se está diante da mulher empregada, deve-se observar os preceitos legais mais favoráveis à empregada insculpidos no texto da CLT e em leis trabalhistas esparsas.
Palavras-chave: Mulher. Direitos. Leis.
O Brasil é um país onde não se respeita a dignidade do eleitor, do trabalhador, das crianças, dos idosos, dos professores, dos enfermos, não se respeita a natureza, enfim, ainda falta muito, muito mesmo, para que esse cenário de descaso, de menoscabo seja extinto, passando a ter um viés apenas histórico. (FAGUNDES, Christiano. Vida Jagunça, pág. 36, editora Autografia, 2016).
A atual Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 5º, inciso I, preconiza que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
A referida Carta Magna prevê expressamente, na categoria de direito fundamental social trabalhista, a “proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei” (art. 7º, XX).
1 Advogada. Pós-graduada em Direito Privado pela Faculdade de Direito de Campos. Mestra em Planejamento Regional e Gestão de Cidade pela Universidade Candido Mendes. Professora do Curso de Graduação da UNIVERSO e da Candido Mendes. Professora do Curso de Pós-Graduação em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho da Faculdade de Direito de Campos-UNIFLU. Escritora.
2 Advogado. Pós-graduado em Direito e em Língua Portuguesa. Membro efetivo da Academia Campista de Letras (Cadeira nº19). Professor do Curso de Graduação da UNIVERSO, da Candido Mendes e da FDC.
Professor e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho da
Nesse diapasão, quando se está diante da mulher empregada, deve-se observar os preceitos legais mais favoráveis à empregada insculpidos no texto da CLT e em leis trabalhistas esparsas.
A mulher tem direito aos mesmos salários do homem, se o trabalho for de igual valor. Entende-se por trabalho de igual valor o que é feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço não seja superior a dois anos, nos termos do § 1º, art.
461, da CLT.
A partir de 1989, não há mais vedação para que a mulher trabalhe no horário noturno (das 22h às 5h), uma vez que a lei nº 7.855, de 24.10.1989, acabou com as exceções previstas na Lei nº 7.189, de 4 de junho de 1984, revogando os artigos 379 e 380, ambos da CLT. Aliás, percebe-se que as mulheres conquistaram o mercado de trabalho e muitas trabalham após as 22 horas. Nas atividades rurais, é considerado noturno o trabalho executado na lavoura entre 21h de um dia e 5h do dia seguinte, e, na pecuária, entre 20h de um dia e 4h do dia seguinte.
Quanto ao trabalho no domingo, dia em que, preferentemente, deve ocorrer o repouso semanal remunerado, há diferença entre a escala de revezamento para os empregados do sexo feminino e os do masculino. Para a mulher, deve haver a coincidência do repouso semanal aos domingos de 15 em 15 dias (art. 386, CLT), enquanto que, para o trabalhador do sexo masculino, a coincidência do repouso semanal aos domingos pode ocorrer de 7 em 7 semanas (art. 2º, b, Port. 417/66), ou, se for o caso, “deverá coincidir , pelo menos uma vez no período máximo de três semanas”(art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 10.101/2001).
Quanto à realização de horas extraordinárias, o art. 384, da CLT, disciplina que “Em caso de prorrogação do horário normal, será obrigatório um descanso de 15 ( quinze) minutos no mínimo, antes do período extraordinário do trabalho.”
Essa previsão legal foi considerada, por longos anos, por grande parte da doutrina e da jurisprudência, como inconstitucional, uma vez que não há tal exigência para o trabalho do homem, em caso de prorrogação da jornada. No entanto, recentemente, o Pleno do STF, em repercussão geral no RE 658.312, reconheceu que o mencionado art. 384, foi recepcionado pela Constituição.
Ainda, em abono à constitucionalidade do art. 384, da CLT, registramos o Enunciado nº 22, da 1ª Jornada de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, que o guindou ao patamar de norma de ordem pública, verbis:
22. ART. 384 DA CLT. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. RECEPÇÃO PELA CF DE 1988. Constitui norma de ordem pública que prestigia a prevenção de acidentes de trabalho (CF, 7º, XXII) e foi recepcionada pela Constituição Federal, em interpretação conforme (artigo 5º, I, e 7º, XXX), para os trabalhadores de ambos os sexos.
Hoje, já existe o entendimento, minoritário, de que a regra plasmada no artigo 384, da CLT, deve ser aplicada também aos homens, como constante do Enunciado acima, todavia esse pensamento ainda é minoritário nos TRTs e no TST. O Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região, por exemplo, determinou a edição de Súmula de Jurisprudência Uniforme nº 39, com a seguinte redação:
TRABALHO DA MULHER. INTERVALO DE 15 MINUTOS. ART. 384 DA CLT. RECEPÇÃO PELA CR/88 COMO DIREITO FUNDAMENTAL À HIGIENE, SAÚDE E SEGURANÇA. DESCUMPRIMENTO. HORA EXTRA. O art. 384 da CLT, cuja destinatária é exclusivamente a mulher, foi recepcionado pela CR/88 como autêntico direito fundamental à higiene, saúde e segurança, consoante decisão do Supremo Tribunal Federal, pelo que, está descartada a hipótese de cometimento de mera penalidade administrativa, seu descumprimento total ou parcial pelo empregador gera o direito ao pagamento de 15 minutos extras diários.
Em sentido diametralmente oposto ao transcrito acima, posicionou-se o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região na seguinte decisão:
EMENTA:RECURSO ADESIVO DA RECLAMANTE. INTERVALO DO ART. 384 DA CLT. ISONOMIA, NÃO DISCRIMINAÇÃO E NÃO RETROCESSO SOCIAL - Princípios Constitucionais que orientam a ressignificação do direito ao intervalo assegurado às mulheres pelo artigo 384 da CLT. 1. Inicialmente, cabe destacar que, na 1ª Jornada de Direito Material e Processual da Justiça do Trabalho, fixou-se o entendimento de que o art. 384 da CLT, que estabelece um intervalo
intrajornada de 15 minutos para a mulher entre a jornada ordinária e a extraordinária, foi recepcionado pela CF, estendendo a sua aplicabilidade também aos trabalhadores do sexo masculino, conforme se depreende do Enunciado nº 22. No caso dos autos, é aplicável a decisão proferida no incidente de inconstitucionalidade suscitado no Recurso de Revista nº 1.540/2005-046-12-00.5, no qual o Órgão Pleno do Tribunal Superior do Trabalho pacificou o entendimento de que o art. 384 da CLT não afronta a nova ordem constitucional. 2. Não obstante, a conquista de direitos por uma única parte da universalidade dos trabalhadores não implica em violação do princípio da isonomia, salvo quando comportar discriminação odiosa contra grupos sociais marginalizados e diferenciação irrazoável ou injustificada contra indivíduos. Não é o caso do artigo 384 da CLT que não contém, em si, nenhum tratamento discriminatório que reproduza mecanismos sociais de desqualificação das mulheres. De toda sorte, quando a consciência social ou jurídica não mais reconhecer como válida a diferenciação, repelindo como irrazoável o que antes fora concebido como razoável, os princípios constitucionais da proteção e o do não-retrocesso social orientarão a interpretação de modo a concretizar os direitos, universalizando-os de modo isonômico para todos, jamais excluindo-os de seus titulares originais. 3. Em caso de inconstitucionalidade por omissão, a melhor técnica para saná-la é a atuação positiva do Judiciário ampliando o raio de incidência da norma, para beneficiar os originariamente excluídos, ao invés de atuar negativamente suprimindo os direitos de todos. A isonomia entre homens e mulheres deve ser interpretada a partir da cláusula de vedação do retrocesso social e do princípio da proteção. RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA. HORAS EXTRAS. A prova oral demonstrou que os controles de ponto não eram idôneos, pois era possível marcar a saída e continuar trabalhando, houvesse ou não a marcação de horas extras. Assim, revela-se irretocável a decisão recorrida, que deferiu o pagamento de diferenças de horas extras, autorizando a dedução daquelas já pagas. Recurso patronal conhecido e desprovido, recurso obreiro conhecido e parcialmente provido. (RIO DE JANEIRO, TRT da 1.ª Região, RO Nº 0176100- 15.2006.5.01.0301, Relatora Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva, 7ª Turma, DJET 11/09/2012).
De acordo com o art. 390, da CLT, o empregador não pode colocar a mulher para exercer serviço que demande o emprego de força muscular superior a 20 quilos para o trabalho contínuo e 25 quilos para o trabalho ocasional.
Para o homem, o artigo 198, da CLT, disciplina que este pode remover, individualmente, até 60 quilos.
Entendemos perfeitamente a distinção feita acima, pois a mulher possui uma estrutura óssea diferente do homem, tendo também, como regra, uma força muscular inferior.
No que tange à mãe biológica, o tempo da licença-maternidade é de 120 dias, conforme previsto na Constituição ( art. 7º, XVIII) e na CLT ( arts. 392 e 393) .
Na hipótese de adoção ou de guarda judicial, de criança, a adotante ou guardiã também fará jus à licença maternidade de 120 dias, que será concedida mediante apresentação do termo judicial de guarda à adotante ou à guardiã (art. 392-A, CLT).
A Lei nº 11.770/2008 possibilita a prorrogação de 60 dias na licença- maternidade, passando de 120 para 180 dias, na hipótese de o empregador (pessoa jurídica) aderir ao Programa Empresa Cidadã.
Alfim, registramos que o art. 7º, inc. XX, da CRFB/88, contempla norma que busca corrigir as desigualdades materiais entre homens e mulheres, porquanto determina ao Estado editar leis de proteção ao mercado de trabalho da mulher.Com relação a essa proteção, em 1999, foi editada a Lei nº 9.799, que, de forma muito acanhada, inseriu, na Consolidação das Leis do Trabalho, o artigo 373-A.
REFERÊNCIAS
BARROS, Alice Monteiro. Curso de Direito do Trabalho, 10ª ed. São Paulo:
LTr, 2016.
FREITAS, Christiano Abelardo Fagundes; PAIVA, Léa Cristina Barboza da Silva. Manual de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho. Campos dos Goytacazes: Grafimar, 2010.
LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito do Trabalho. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016.
MARTINEZ, Luciano. Curso de Direito do Trabalho. 7ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2016.
MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 32ª ed. São Paulo Saraiva, 2016.