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Dental Press J. Orthod. vol.21 número1

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Academic year: 2018

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© 2016 Dental Press Journal of Orthodontics 13 Dental Press J Orthod. 2016 Jan-Feb;21(1):13-4

edito

rial

Revisões sistemáticas são sínteses reproduzíveis das melhores evidências disponíveis para facilitar a tomada de decisões clínicas mais coniáveis. Da tríade de fatores que constituem a Odontologia Baseada em Evidências — a experiência do clínico, os anseios e as preferências do paciente, e as evidências cientíicas disponíveis — as revisões sistemáticas certamente se encaixam no ter-ceiro fator. Mas é importante ressaltar que a evidência cientíica não deveria ser a única a direcionar os cuida-dos prestacuida-dos ao paciente.

Por que um clínico preferiria considerar uma re-visão sistemática em detrimento de qualquer outro artigo? Primeiro e mais importante é o fato de que é possível encontrar, em apenas um trabalho, uma síntese de “tudo” o que foi publicado sobre aquele determi-nado tema. Isso evita que o clínico tenha que procu-rar, pagar (na maioria dos casos) e, por im, resumir as informações fornecidas em incontáveis artigos. Parece muito tentador. Porém, há alguns perigos envolvidos nesse processo e um deles, importante, é o de aceitar cegamente as conclusões de qualquer revisão sistemá-tica. Há indivíduos envolvidos no processo que, como qualquer um de nós, podem, inadvertidamente, co-meter erros. Ainda, existe a possibilidade de que nem tudo o que foi escrito sobre aquele tema especíico te-nha sido identiicado. Às vezes, airma-se que o que foi publicado é apenas a ponta de um iceberg e que muitas

informações pertinentes não podem ser facilmente re-cuperadas e permanecem “sob o nível visível da água”. E, por  im, os clínicos precisam decidir se essas infor-mações são aplicáveis em seus pacientes.

As características metodológicas mais importantes que qualquer revisão sistemática deve ter encontram-se

muito bem resumidas nas recomendações PRISMA1,

sendo altamente recomendável que elas sejam seguidas à risca, tanto quanto possível. Elas são um guia fácil de ser seguido sobre onde e como relatar características chave das revisões sistemáticas. Em suma, os autores devem fornecer argumentos convincentes de que o tema apresentado justiica uma síntese. Caso já existam revisões sistemáticas publicadas sobre um determinado tópico, deve-se fornecer um argumento sólido que jus-tiique a realização de uma nova revisão. O processo não deve apenas explicar de maneira clara onde e como as evidências disponíveis foram identiicadas, mas tam-bém como foram selecionadas. Os artigos incluídos de-vem, então, ser individualmente analisados — de ma-neira crítica — com relação a qualquer potencial risco de viés, utilizando-se ferramentas de avaliação validadas e especíicas. Esses processos devem ser realizados, pelo menos, em duplicata e de maneira independente.

As metanálises devem ser realizadas somente se houver dados disponíveis suicientes e, mais impor-tante, se izer sentido, clínica e metodologicamente,

Como citar essa seção: Flores-Mir C. Systematic reviews: knowledge translation? Dental Press J Orthod. 2016 Jan-Feb;21(1):13-4. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2177-6709.21.1.013-014.edt

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2177-6709.21.1.013-014.edt

Carlos Flores-Mir1

Revisão sistemática: a tradução do conhecimento?

1 Professor e Diretor do Programa de Pós-graduação em Ortodontia, University of Alberta, Canadá.

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© 2016 Dental Press Journal of Orthodontics 14 Dental Press J Orthod. 2016 Jan-Feb;21(1):13-4

Editorial

combinar esses dados. Além disso, a análise do risco de viés deve ser parte integrante do processo de tanálise. Em alguns casos, resultados obtidos em me-tanálises realizadas a partir de um processo de síntese injustiicável podem dar aos leitores a falsa impressão de evidências de alta qualidade. Atualmente, o uso das recomendações do sistema GRADE começa a se tornar uma norma, para ajudar os clínicos a ponde-rarem o nível das evidências disponíveis2.

Do ponto de vista do clínico, informações sinteti-zadas são ótimas, pois economizam um tempo valio-so; mas, no im das contas, o que realmente importa é como traduzir aos pacientes, de maneira consistente e satisfatória, as conclusões publicadas. Essa é uma área pouco explorada e pouco apresentada nas revisões sis-temáticas existentes — formalmente chamada de “tra-dução do conhecimento”.

Incerteza é o novo nome do jogo. Ao longo do úl-timo século, nos concentramos nos valores médios das alterações avaliadas; atualmente, deveríamos conside-rar uma informação ainda mais importante: a variabi-lidade das respostas individuais. Em outras palavras, quais seriam as piores e as melhores situações possíveis para cada paciente. Aqui é onde o desvio-padrão e os intervalos de coniança entram em cena. Deveria-se atribuir maior importância a essa área, pois permite que os clínicos ofereçam aos pacientes expectativas mais realistas e melhores resultados nos tratamentos. Nesse sentido, metanálises bem conduzidas nos per-mitem relatar esse potencial de variabilidade dos da-dos, em vez de um mero relato qualitativo, como nas revisões sistemáticas sem metanálise.

Por im, uma questão ilosóica: As revisões sis-temáticas estão se tornando cada vez mais popula-res entre os pesquisadopopula-res em função dos motivos certos? Seria porque permitem que os pesquisado-res publiquem um artigo cientíico em um tempo relativamente curto, sem depender de fatores re-lacionados ao tempo e custos necessários para se coletar uma amostra, como em desenhos de estu-do mais tradicionais? Ou é porque o seu impacto nos cuidados prestados aos pacientes é realmente quantiicável? Eu, sinceramente, acredito que de-veria ser pelo segundo motivo. Vamos juntos abra-çar essa causa.

Ainda este ano, a revista DPJO terá uma edição in-teira dedicada às revisões sistemáticas. Aguardamos as suas submissões.

Carlos Flores-Mir – editor adjunto ([email protected])

1. Moher D, Liberati A, Tetzlaf J, Altman DG, The PRISMA Group (2009). Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: The PRISMA Statement. BMJ 2009;339:b2535. Doi: 10.1136/bmj.b2535.

2. GRADE working group. GRADE guidelines - best practices using the GRADE framework. Available from: http://www.gradeworkinggroup.org/publications/ JCE_series.htm. Accessed: December 23, 2015.

REFERÊNCIAS

Edição especial sobre REVISÕES SISTEMÁTICAS

Pesquisadores, estudantes de pós-graduação e especialistas da área estão convidados a submeter artigos para essa edição especial, temática, sobre as Revisões Sistemáticas (RevSis). Os artigos que se enquadrarem nessa categoria (RevSis) serão preferidos para integrar a edição — após terem passado pelo processo padrão de revisão por pares.

O prazo para submissão de artigos para essa edição se encerra em 31/5/2016. Os artigos selecionados serão publicados

na edição nov./dez 2016, vol. 21, n. 6.

Estamos aguardando sua participação,

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