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Anco márcio - prova

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Academic year: 2021

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Análise formalista e estruturalista do poema Livro de sonetos (Jorge de Lima) Análise formalista e estruturalista do poema Livro de sonetos (Jorge de Lima)

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(1) A torre de A torre de marfim, a tomarfim, a torre alada,rre alada, (2)

(2) esguia e esguia e triste sob o triste sob o céu cinzento,céu cinzento, (3)

(3) corredores corredores de bde bruma cruma congelada,ongelada, (4)

(4) galerias de galerias de sombras e sombras e lamentos.lamentos.

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(5) A torre de marfim fez-se A torre de marfim fez-se esqueletoesqueleto

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(6) e o ese o esqueleto desfezqueleto desfez-se num -se num momento,momento, (7)

(7) Ó! não Ó! não julgueis as cjulgueis as coisas pelo oisas pelo aspectoaspecto (8)

(8) que as coisaque as coisas mudam cs mudam como muda o omo muda o vento.vento. (9)

(9) E com o E com o vento revive o qvento revive o que era inerme.ue era inerme. ((1100)) OOs s ppeeiixxees s ttaammbbéém m ppooddeem m ccrriiaar r aassaass ((1111)) aas s aassaas bs brraannccaas s ppooddeem m ggeerraar r vveerrmmeess.. ((1122)) OOllhheei i a a ttoorrrre e dde e mmaarrffiim m eexxaanngguuee

((1133)) e e vvi i a a ttoorrrre e ttrraannssffoorrmmaarr--sse e eem m bbrraassaa

((1144)) e e a a bbrraassa ra ruubbrra a ttrraannssffoorrmmaarr--sse e eem m ssaanngguuee..

Inicialmente, faremos uma análise dos aspectos formais: o poema é

Inicialmente, faremos uma análise dos aspectos formais: o poema é compostocomposto por catorze versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos, trata-se, portanto, de por catorze versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos, trata-se, portanto, de um

um sosoneneto to ititalaliaianono. . NoNotata-s-se e quque e o o sosoneneto to é é dedecacassssílaílabo bo (p(preredodomimina na o o veversrsoo heróico

heróico11). No poema, há incidência de rimas externas, sinalizadas por ABAB ABAB). No poema, há incidência de rimas externas, sinalizadas por ABAB ABAB

CDC EDE, graves (devido às terminações por palavras paroxítonas), prevalecendo CDC EDE, graves (devido às terminações por palavras paroxítonas), prevalecendo as rimas ricas (nas estrofes 1, 3 e 4) e a ocorrência de uma estrofe com rimas as rimas ricas (nas estrofes 1, 3 e 4) e a ocorrência de uma estrofe com rimas pobres (estrofe 2

pobres (estrofe 222), rimas internas, pela assonância existente nas estrofes: na 1ª), rimas internas, pela assonância existente nas estrofes: na 1ª

pela vogal “A” aberta (alAda, congelAda) e aliteração do fonema /S/ nos versos 2 pela vogal “A” aberta (alAda, congelAda) e aliteração do fonema /S/ nos versos 2 (e

(eSgSguiuia, a, trtriSiStete, , SoSob, b, CéCéu, u, CiCinznzenentoto), ), 4 4 (g(galalereriaSiaS, , SoSombmbraraS, S, lalamementntoSoS), ), 5 5 e e 66 1

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Em Livro dos sonetos podemos notar a predominância de rimas do tipo heróicas e sáficas, postas de forma Em Livro dos sonetos podemos notar a predominância de rimas do tipo heróicas e sáficas, postas de forma desordenada. Estranhamente, encontramos no 6º verso uma rima do tipo martelo agalopado, que dá uma maior  desordenada. Estranhamente, encontramos no 6º verso uma rima do tipo martelo agalopado, que dá uma maior  variedade à entoação.

variedade à entoação.

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Na 2ª estrofe não parece haver realmente uma

Na 2ª estrofe não parece haver realmente uma rima entre as palavras ESQUELETO e rima entre as palavras ESQUELETO e ASPECTO, pois na sílabaASPECTO, pois na sílaba tônica da primeira palavra o “E” é fechado e na 2ª palavra, o som da letra “E” é aberto, mas consideraremos tônica da primeira palavra o “E” é fechado e na 2ª palavra, o som da letra “E” é aberto, mas consideraremos rimas por ambas as palavras terminarem em TO, formando assim como na 1ª estrofe uma rima ABAB.

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(eSqueleto, fez-Se, desfez-Se) e 7 ( julgueiS, aS, coisaS, aSpecto), o que nos remete a impressão do som produzido pelo vento.

De acordo com a regra estruturalista de imanência, na qual analisamos o sistema por si sem a necessidade de elementos externos, temos na escolha do título “Livro de Sonetos” 3 a informação implícita de que trata-se do árduo processo de

criação poética, o título remete a idéia de um conjunto dos poemas que tem como característica 14 versos – tradicionalmente dispostos em dois quartetos e dois tercetos – geralmente decassílabos – denominados sonetos. A partir deste pensamento temos uma relação entre a o sistema como um todo e o sintagma/substantivo feminino “torre” – que se repete na 1ª, 2ª e na 4ª estrofe do poema – sinônimo de fortaleza, solidez, o eu-lírico quer explicitar quanto a rigorosidade.

O poema é composto por versos herméticos, ou seja, o poeta utilizou-se de termos obscuros, de difícil entendimento para o público (se esse não tiver um conhecimento amplo da linguagem), mas o poeta demonstra não se preocupar com o entendimento de terceiros, mas sim com a necessidade de expressar o que se passa com ele próprio. Isso fica claro na 1ª estrofe, quando faz uso da expressão “torre de marfim” e “torre alada”, o eu-lírico posiciona-se na condição de ser sublime, superior, apenas limitado pela imagem do “céu”. Apesar dessa superioridade, nos versos 2,3 e 4, diante de expressões tais como “esguia e triste” e “galerias de sombras e lamentos”, temos a percepção de algo solitário, melancólico, frágil. Essa fragilidade é notória no 5º verso, de marfim (algo tenaz) sua “estrutura” passa para algo não tão concreto (esqueleto), tornando o eu-lírico mais humano, ate desfazer-se em dado momento.

Ao longo do poema é perceptível a presença de inúmeras figuras de pensamento, tais como: antítese presente entre os versos 3 e 13, “corredores de bruma congelada” e “e vi a torre transformar-se em brasa”; paradoxo ao adjetivar por  “marfim”, “alada” e “esguia” a torre (estrutura fixa); no verso 7º, utilizando a apóstrofe, o interlocutor procura criar uma interação com o receptor “Ó! não julgueis as coisas pelo aspecto”. Podemos perceber ainda na 2ª estrofe uma idéia de efemeridade quando o eu-lírico diz para que o receptor não se prenda à imagem das

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Os sonetos constantes no Livro de Sonetos de Jorge de Lima não possuem título, porém neste trabalho estabelece-se como tal o nome do conjunto da obra.

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coisas, pois essas mudam de aspecto de forma corrente, tal qual a velocidade do vento.

Já na 3ª estrofe o eu-lírico retoma o conceito (no verso 9) de que o vento é agente responsável pela ação metamórfica sofrida pela torre. Nos versos 10 e 11, o eu-lírico alerta para o risco do uso excessivo de criatividade, pois pode quebrar o automatismo perceptivo do receptor.

Na quarta estrofe o interlocutor coloca-se na condição de testemunha, que acompanha desde a notória debilidade da “torre de marfim”, expressa no verso 12 (percebemos pelo uso do termo exangue); passando pelo começo de uma reação no verso 13 (de algo apagado ela passa à “brasa”: um fogo que não está extinto, ainda arde) e finalmente, no verso 14, a sua ressurreição simbolizada pela imagem do “sangue”, que se contrapõe à idéia de “exangue”, restabelecendo a vitalidade da torre.

Segundo a regra estruturalista da comutação, uma mensagem transmitida permanece inalterada, mesmo que haja a seleção e troca de itens, pois se preserva a relação entre eles, responsável pelo sentido. Assim, sendo, é correto afirmar  que se realizarmos a troca do termo “peixes” (estrofe 3) por outro que animal que não voa, contudo paroxítono, a fim de se conservar o ritmo nos versos 9, 10 e 11, posto que conforme Eikhenbaum, o ritmo é “fator construtivo e fundamental do verso”.

A regra de compatibilidade baseia-se na distinção dos termos pertencentes ao sintagma, bem como os pertencentes ao sistema. Conclui-se que estes versos (3 e 4, 7 e 8, 10 e 11, 13 e 14) são termos de três sistemas distintos (as estrofes) assumem a mesma função no poema (sintagma) explanam quanto às mudanças ocorridas, portanto relacionam-se quanto a compatibilidade.

Quanto à variação diacrônica podemos estabelecer a seguinte relação: nos dois primeiros versos dos quartetos (1º quarteto: “A torre de marfim, a torre alada / esguia e triste sob o céu cinzento”, 2º quarteto: “A torre de marfim fez-se esqueleto / e o esqueleto desfez-se num momento”) enquanto que no primeiro verso de cada terceto (1º terceto: “E com o vento revive o que era inerme.”, 2º tercetos: “Olhei a torre de marfim exangue”) os versos mencionados exprimem a idéia de mutação da matéria seguindo uma linha temporal, aplica-se aqui a regra de integração: esta continuidade lógica no desenvolvimento do eu-lírico.

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A escolha dos termos ”marfim”, “alada”, “esguia“ e ”triste” para designar a “torre” merece destaque, pois são pertinentes ao transmitir a inquietação do eu-lírico sobre algo real em sua complexidade que ele não consegue representar de forma exata devido ao caráter mutável.

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Referências bibliográficas

EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins, 1983. P. 97-135.

EIKHENBAUM, B. A Teoria do “Método formal”. In: TOLEDO, Dionísio de Oliveira (Org.). Teoria da literatura: formalistas russos. Porto Alegre: Editora Globo,

1978. P. 3-38.

JIRMUNSKI, V. Sobre a questão do “Método Formal”. In: TOLEDO, Dionísio de Oliveira (Org.). Teoria da literatura: formalistas russos. Porto Alegre: Editora Globo,

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Teoria da literatura I

Anco Márcio Tenório Vieira

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO

DEPARTAMENTO DE LETRAS

Amanda de Fátima Santos Pacífico Rayssa Santos da Silva

Referências

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