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TOMADA DE PREÇOS: 09/2017- PROCESSO INTERNO: 168/17 TIPO DE LICITAÇÃO: MENOR PREÇO

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TOMADA DE PREÇOS: 09/2017- PROCESSO INTERNO: 168/17 TIPO DE LICITAÇÃO: MENOR PREÇO

OBJETO: CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA EM ESPELEOLOGIA DA UNIDADE INDUSTRIAL DE CALCÁRIO DA CODEMIG NOS MUNICÍPIOS DE ARCOS E PAINS – MG

DECISÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO RECORRENTE: Geoline Engenharia Ltda.

RECORRIDA: Comissão Permanente de Licitação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

A Comissão Permanente de Licitação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais - CODEMIG, no exercício da competência que lhe confere o parágrafo 4º do artigo 109 da Lei 8.666/93 e, de acordo com as normas previstas no edital em epígrafe, julga e responde o recurso interposto, tempestivamente, pela licitante GEOLINE ENGENHARIA LTDA contra o resultado do julgamento no certame licitatório TOMADA DE PREÇOS 096/2017, que tem por objeto a contratação de empresa especializada em espeleologia da Unidade Industrial de Calcário da CODEMIG, nos municípios de Arcos e Pains - MG, pelos fatos e razões a seguir especificados:

Em julgamento publicado em 28.07.2017, foi procedida a seguinte decisão:

Resultado de julgamento de habilitação em processo licitatório TOMADA DE PREÇOS: 09/2017- PROCESSO INTERNO: 168/17 Tipo: Menor Preço

Objeto: Contratação de empresa especializada em espeleologia da Unidade Industrial de Calcário da CODEMIG, nos municípios de Arcos e Pains - MG. LICITANTES INABILITADAS

Ecossistema Consultoria Ambiental Ltda - ME: não atendimento do item 8.5.1 do edital;

Geoline Engenharia Ltda: não atendimento do item 8.5.1 do edital.

Os autos do processo encontram-se com vista franqueada pelo prazo legal para interposição de recurso administrativo, de cinco dias úteis.

Belo Horizonte, 27 de julho de 2017. Comissão Permanente de Licitação

Diante da publicação, foi aberto o prazo de vista do processo para interposição de recurso administrativo, vigente entre os dias 31.07 e 04.08.2017.

DA SÍNTESE DO RECURSO APRESENTADO

Inconformada com o resultado do julgamento da fase de habilitação, a licitante GEOLINE ENGENHARIA LTDA interpôs recurso em 04.08.17, protocolo 017604-2/2, contra a decisão da Comissão Permanente de Licitação, alegando em síntese:

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Que a Comissão de Licitação alegou que a Recorrente não apresentou informações

sólidas que comprovem a experiência da licitante na parcela relevante “Definição da área de influência e perímetro de proteção”;

• Que, no entanto, no atestado apresentado em nome do profissional Allan Buchi, das

empresas Atex do Brasil e Orientadora e Participações, pode ser verificada a informação: “Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental Apa Carste”, ou seja, os estudos de definição da área e influência do perímetro de proteção foram realizados, por se tratar de uma área de proteção ambiental;

• Que, apesar de o atestado não estar explícito, nada impede que o profissional possa realizar o trabalho;

• Que todos os atestados apresentados pela Recorrente estão chancelados pelo CREA, órgão que fiscaliza a veracidade das informações referente aos trabalhos realizados pelos profissionais competentes;

• A Recorrente apresenta, na oportunidade e como fonte de referência, 02 ART’s onde

demonstra que o profissional tem plena experiência e condição de realizar os trabalhos de acordo com o que foi solicitado no edital;

• Que é dever do agente público responsável por um procedimento licitatório adotar

as medidas que ampliem – e não reduzam – a competitividade do certame;

• Requer o acolhimento e provimento do recurso interposto.

Recebido o recurso em seu efeito devolutivo e suspensivo, nos termos do parágrafo 3º do artigo 109 da Lei 8.666/93, o mesmo foi oferecido à apreciação das demais licitantes, para os fins de apresentação de contrarrazões, no período de 08 a 14.08.2017, com registro de impugnação pela Ecossistema Consultoria Ambiental Ltda – ME, em 10.08.17, protocolo 003004-1/2, cujas razões, integrantes do processo licitatório em referência, foram apreciadas para a fundamentação e decisão que segue abaixo.

DA ANÁLISE DO RECURSO APRESENTADO

Inicialmente acerca da admissibilidade, vislumbramos estarem presentes os seus

pressupostos, a saber: legitimidade, manifestação tempestiva, inclusão da

fundamentação e do pedido de reforma da decisão recorrida.

Acerca da fundamentação da Recorrente, tem-se que:

Nossa Magna Carta consagra entre seus princípios que "a administração pública direta,

indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade..." (art. 37, CF/88).

Em nível infraconstitucional, o legislador estabeleceu a licitação como o procedimento destinado a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração, dentre as que preencherem os requisitos legais.

A legislação aplicável à matéria prevê que “A Licitação destina-se a garantir a observância

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Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhe são correlatos”, inteligência do artigo 3º da Lei 8.666/93.

O edital é o regramento interno do procedimento licitatório, e, por isto, faz lei entre o Poder Público e a parte licitante.

A Lei de Licitações, em seu artigo 41, determina que “A Administração não pode

descumprir as normas e condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada”.

Ora, nesse entendimento, a Comissão de Licitação vinculada está ao cumprimento das determinações previstas em edital, eis que este, aceito pelas partes, obriga à sua estrita observância, não cabendo à Comissão, em vista dos princípios a que está subordinada, tolerar situações que comprometam o caráter competitivo do certame.

A habilitação técnica prevista na fase da habilitação deve ser observada para cumprimento das disposições legais e diz respeito à pessoa da licitante, sendo que, nesta fase, serão analisados os atributos técnicos subjetivos da proponente, ou seja, suas condições técnicas para executar o objeto do certame, mediante a aferição da capacidade através de demonstração de desempenho anterior satisfatório, em contratações similares àquela objetivada pelo Poder Público, conforme o previsto no art. 30, da Lei nº 8.666/93. Para cumprir a Lei e no que interessa ao caso concreto, do edital em análise constou expressamente a respeito da qualificação técnica:

“8.5.1. Comprovação de experiência anterior da licitante, pertinente e compatível com o objeto da licitação, através de Atestado de Capacidade Técnica do mais expressivo serviço realizado e concluído, similar ao do objeto licitado, fornecido por pessoa jurídica de direito público ou privado. O atestado só será considerado, quando devidamente certificado pelo CREA ou órgão de classe do profissional responsável, mediante emissão da respectiva CAT (Certidão de Acervo Técnico) ou similar. O atestado poderá ser apresentado em nome da empresa ou de qualquer técnico de nível superior pertencente ao seu quadro permanente (que, evidentemente, integre a equipe do projeto), comprovada esta condição mediante apresentação de registro em sua Carteira de Trabalho ou de contrato de trabalho entre as partes, devidamente acompanhado do registro no órgão de classe do profissional e da CAT respectiva.

Já o tem 6.3.1.1 do Termo de Referência, Anexo I do edital, informou que “As

parcelas de maior relevância do objeto contratado, para as quais a CONTRATADA deverá demonstrar experiência prévia, são: prospecção espeleológica; análise de relevância de cavidades; e definição de área de influência e perímetro de proteção.”

Conforme fundamentação constante da Ata de Julgamento da Habilitação, datada de 27.07.2017, a licitante GEOLINE ENGENHARIA LTDA foi inabilitada por descumprimento do item 8.5.1 do edital, conforme fundamentação citada a seguir:

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“Para comprovação de aptidão técnica e considerando as premissas constantes dos itens do edital acima citados, a licitante apresentou as seguintes Certidões de Acervo Técnico e seus respectivos atestados que foram consideradas na análise: I. CAT 006.495/11 CREA/MG (Victoria da União Emp. Imobiliários)

Contratada: Geoline Engenharia Ltda RT Charston de Sousa Pereira

Atividade Técnica (considerada): Levantamento espeleológico das feições cársticas identificadas na área de influência.

II. CAT 003.977/11 CREA/MG (Construir Emp. Imobiliários) Contratada: Geoline Engenharia Ltda

RT Charston de Sousa Pereira

Atividade Técnica (considerada): Levantamento espeleológico das feições cársticas identificadas na área de influência.

III. CAT 003.973/11 CREA/MG (Victoria da União Emp. Imobiliários) Contratada: Geoline Engenharia Ltda

RT Charston de Sousa Pereira

Atividade Técnica (considerada): Levantamento espeleológico das feições cársticas identificadas na área de influência.

IV. CAT 1420170003967 CREA/MG (SPE Construir – NKR Seven Business Park Ltda)

Contratada: Geoline Engenharia Ltda RT Bruno Vieira Pereira

Atividade Técnica (considerada): Estudos espeleológicos. V. CAT 1420160001480 CREA/MG (Mineração Belocal Ltda)

Contratada: --- RT Allan Buchi

Atividade Técnica (considerada): Laudo de Prospecção Espeleológica.

VI. CAT 1420160001480 CREA/MG (Atex do Brasil Locação de Equipamentos Ltda)

Contratada: --- RT Allan Buchi

Atividade Técnica (considerada): Laudo de prospecção espeleológica.

VII. CAT 1420160001480 CREA/MG (Orientadora Participação e Adm. Ltda)

Contratada: --- RT Allan Buchi

Atividade Técnica (considerada): Laudo de prospecção espeleológica.

VIII. CAT 1420150007976 CREA/MG (Plena Participação e Emp. Imobiliários

Ltda)

Contratada: ---

RT Elen da Conceição Menez

Atividade Técnica (considerada): Prospecção, identificação e caracterização espeleológica, com espeleotopografias, mapeamento e estudos específicos visando o licenciamento ambiental.

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Da análise dos Atestados e suas respectivas Certidões de Acervo Técnico, a Comissão, com o apoio da área técnica, concluiu que foram encontradas comprovações explícitas das parcelas “prospecção espeleológica” e “análise de relevância de cavidades”.

Por outro lado, não conseguiu se extrair, da documentação apresentada, informações sólidas que comprovem a experiência da licitante na parcela relevante “Definição da área de influência e perímetro de proteção”.

Portanto, não cumprida, na íntegra, a exigência constante do item 8.5.1 do edital.”

Alega a Recorrente que no atestado apresentado em nome do profissional Allan Buchi, das empresas Atex do Brasil e Orientadora e Participações, pode ser verificada a informação: “Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental Apa Carste”, ou seja, os estudos de definição da área e influência do perímetro de proteção foram realizados, por se tratar de uma área de proteção ambiental, juntando, ainda, como fonte de referência, 02 ART’s onde demonstra que o profissional tem plena experiência e condição de realizar os trabalhos de acordo com o que foi solicitado no edital.

De fato, nos Atestados de Capacidade Técnica das empresas Atex do Brasil e Orientadora & Participações, apresentados em nome do profissional Allan Buchi, pode ser verificada a informação: “Unidade de Conservação Área de Proteção Área de Proteção Ambiental APA Carste”. Entretanto, este fato, por si só, não atesta que os estudos de definição da área de influência e do perímetro de proteção foram realizados por este profissional. Até porque os Atestados são claros quanto à parcela desenvolvida pelo profissional: Prospecção Espeleológica. A Instrução de Serviço 08/2017 da SEMAD, por exemplo, define prospecção espeleológica como: “processo que envolve todos os trabalhos desenvolvidos em escritório e em campo, necessários ao reconhecimento e à caracterização inicial do conjunto de ocorrências espeleológicas de uma área. Na etapa de prospecção, as ocorrências espeleológicas são identificadas, localizadas geograficamente, cadastradas e caracterizadas”. Depreende-se, assim, que os estudos de definição de área de influência e do perímetro de proteção não integram esta etapa do licenciamento ambiental.

Compreende-se que a cargo do órgão gestor de uma Área de Proteção Ambiental (APA) podem ser demandados estes estudos. No entanto, no caso específico da APA Carste há apenas a determinação, via Plano de Manejo, de proteger o patrimônio espeleológico, sendo vedada a supressão de cavidades naturais. Desta forma, o licenciamento ambiental – no âmbito da espeleologia – nesta unidade é regido pelo Decreto MMA nº 6.640 de 7 de novembro de 2008, pela Resolução nº 347 de 10 de setembro de 2004 e pela Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente nº 02 de 20 de agosto de 2009.

Em nenhum destes instrumentos extrai-se que a etapa de “prospecção espeleológica” engloba ou exime (a necessidade da) a etapa de definição da área de influência e do perímetro de proteção. Sendo, portanto, necessários estudos distintos para cada uma destas etapas.

Lembrando que a definição de área de influência citada no § 3º do art. 4º da Resolução nº 347 se dá de forma provisória até que sejam elaborados estudos mais aprofundados. Destarte, a adoção de uma projeção horizontal com um raio de 250 (duzentos e cinquenta)

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metros no entorno da cavidade, em forma de poligonal convexa, não substitui a necessidade de determinação da área de influência e do perímetro de proteção de uma cavidade natural.

Neste mesmo sentido, salienta-se que a Comissão, de forma alguma, intencionou restringir a competição ao solicitar atestados de capacidade técnica para as parcelas: “prospecção espeleológica”, “análise de relevância” e “definição de área de influência e do perímetro de proteção”. Essa o fez para buscar as melhores práticas de mercado e a fim de atender – com a máxima eficiência – aos questionamentos e demandas do órgão ambiental, no qual seu processo de licenciamento tramita.

Paralelamente, não se duvida da capacidade da licitante ou dos seus profissionais em realizar os serviços em questão. Contudo, os documentos apresentados durante a fase de habilitação não estão de acordo com os parâmetros estabelecidos no Edital.

A Comissão esclarece, por derradeiro, que os documentos de habilitação de todas as licitantes foram analisados em obediência aos princípios públicos que regem a licitação, com a melhor técnica e o devido cuidado, não cabendo outra intepretação senão aquela obtida e na qual resultou o julgamento da habilitação, na forma publicada em 28.07.2017. Não há razão, portanto, para que seja revisto o julgamento da fase de habilitação.

DA DECISÃO

Por todo o exposto, a COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO da CODEMIG, no prazo legal, decide conhecer do recurso interposto pela GEOLINE ENGENHARIA LTDA para, no mérito, julgá-lo IMPROCEDENTE, mantendo a decisão de inabilitação de todas as participantes, conforme publicado em 28.07.17, restando a licitação fracassada, e submetendo a decisão ao Diretor Presidente da CODEMIG, para sua ratificação ou reconsideração, cuja decisão será publicada no jornal MINAS GERAIS e comunicada aos participantes, para a produção dos jurídicos e legais efeitos.

Belo Horizonte, 17 de agosto de 2017.

COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO

DENISE LOBATO DE ALMEIDA – Presidente

BRUNA DE CAMPOS FORTES FAGUNDES

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