Comissão Permanente de Licitações
Informação n.º 093/2013
1. Trata-se de impugnação tempestivamente apresen-tada por THYESSENKRUPP ELEVADORES S.A., ao edital de Pregão Eletrônico n.º 45/2013 desta PGJ/MPRS, cujo objeto é a contratação dos serviços de manutenção preventiva e corretiva, bem como atendimento de emergência, com fornecimento de peças originais de reposição, para um elevador instalado na Promotoria de Justiça da Comarca de Montene-gro, pelo período de 12 meses, conforme especificações constantes do instrumento convocatório e seus Anexos.
Na interpelação, a interessada ataca o ato convocató-rio, pedindo alterações de redação e acréscimos de informações.
Manifestou-se a área técnica.
Breve relato.
2. Conhece-se da impugnação, a qual merece acura-da análise.
A) Do fornecimento de peças originais de reposição A licitante irresigna-se contra dispositivos do Edital, que prevê a reposição de peças:
Anexo II
4.1. Sempre que se fizer necessário, serão substituídas peças defeituosas cujo valor é parte integrante do contrato, não haven-do portanto quaisquer ônus para o contratante. Para tanto a con-tratada deverá manter estoque regular de peças de reposição o-riginais mais frequentes e providenciará a compra de outras pe-ças eventualmente danificadas imediatamente após a constata-ção do dano.
Anexo III
6.2.h) utilizar somente peças novas, originais de fábrica, não sendo permitido o uso de peças similares ou recondicionadas; A impugnante argumenta que a exigência de peças originais é ilegal e restringe o caráter competitivo do certame. Aduz que
exigir peças originais seria exigir “marca”. Refere que não há prejuízo téc-nico em se aceitar peças compatíveis e/ou similares.
Sob o ponto de vista jurídico, totalmente equivocado o impugnante.
A uma, embora alguns órgãos venham aceitando pe-ças similares e/ou compatíveis, vários são os procedimentos licitatórios em que são exigidas peças originais e, nem por isso, são procedimentos ilegais.
O objeto da licitação é a manutenção do elevador, de modo a não interferir no funcionamento normal da Promotoria de Justiça. A Contratada deve realizar as intervenções preventivas e corretivas, for-necendo serviço e peças, para salvaguardar o interesse público e o bem comum, representados na importância da funcionalidade do equipamento nas atividades e nas atribuições constitucionais e legais do Ministério Pú-blico.
Estes dois valores (interesse público e bem comum) devem ser sempre observados pela Administração quando esta faz uso de seu Poder Discricionário para escolher qual o tipo de serviço que dese-ja contratar. O conhecimento sobre a necessidade da Administração é dela própria, jamais vai depender da avaliação da Contratada.
A manutenção que se deseja contratar deve manter o elevador funcionando, com segurança, sem que haja interferência no an-damento dos trabalhos da Promotoria de Justiça onde está localizado.
O não fornecimento de determinada peça necessária à manutenção, o que poderia resultar na restrição ou na impossibilidade de uso do elevador, é justamente a situação que se quer evitar.
Este tipo de contratação, com fornecimento de peças, já é usual nas licitações deste órgão, tendo sempre havido êxito nos cer-tames – o mercado de manutenção de elevadores tem crescido e novas empresas têm surgido, oferecendo preços compatíveis com as pesquisas realizadas pelo órgão.
A duas, os dispositivos citados não excluem ninguém do certame, pois dizem respeito à execução do contrato e não à licitação.
A três, mesmo na execução do contrato, não é veda-do ao contrataveda-do, ainda que não seja o fabricante veda-do elevaveda-dor, comprar peças originais de outro fabricante. Talvez essa compra não seja econo-micamente vantajosa para o licitante que não seja o fabricante, mas isso
não configura impeditivo para participação na licitação, o que afasta a in-cidência do artigo 3º da lei de licitações.
Segundo a área técnica, hoje já existem empresas especializadas apenas na comercialização de peças e na manutenção de estoques destes componentes, tanto sob a sua forma original, quanto como similares.
Se fosse ilegal a previsão editalícia, a impugnante de-veria impugnar também os certames para manutenção de elevadores da sua própria fabricação. Mas não é o que acontece, pelo menos nos pro-cessos licitatórios deste órgão. A ilegalidade não escolhe fabricante – se é ilegal em um, deve ser ilegal em todos os certames, seja de que fabrican-te for.
A quatro, argumentar que exigir peças originais é exi-gir “marcas” não mereceria comentário, mas, por força do hábito, far-se-á uma colocação: exige-se marca de um bem que se quer adquirir. O pre-sente certame prevê uma contratação de prestação de serviços – não se exige marca de serviço1.
A presença das palavras “marcas” e “serviços” em um mesmo dispositivo não significa que tenham relação direta. No artigo 7º, §5º, da Lei n.º 8.666/1993, “marcas” dizem respeito a “bens”, enquanto que “características exclusivas” dizem respeito a “serviços”.
Veja-se que nem se trata de ser uma característica exclusiva a utilização de peças originais no serviço que ora se contrata, pois as mesmas podem ser compradas, por outro fabricante, do fabricante do elevador.
Para finalizar a exegese do dispositivo, a vedação de “marca” ou de “característica exclusiva” não é absoluta, já que o próprio dispositivo registra possibilidade de exceção, tecnicamente justificável, para estes casos.
Assim, fosse a impugnação depender de
argumen-tação jurídica, não teria provimento.
Todavia, a área técnica, atenta à movimentação do mercado, entende que há vantagem econômica e operacional em se
1 A referência do Anexo I à marca/modelo decorre do padrão estabelecido para o formu-lário de propostas da PGJ/MPRS, não sendo exigível para este pregão – tanto é que os dispositivos sobre “marca/modelo” não constam do item 5 do edital, como costumeira-mente constam dos instrumentos convocatórios de aquisições deste órgão.
tar, além das peças originais, as similares e as compatíveis, desde que haja manutenção, ou até melhoramento, das características básicas de conforto, segurança e eficiência do projeto original do equipamento, sen-do ainda vedada a utilização de peças recondicionadas.
Vale transcrever a opinião técnica:
Somos testemunhas também do reposicionamento do mercado de serviços, no qual hoje verificamos que as principais montado-ras de elevadores não mais apenas atendem aos seus elevado-res mas também pelevado-restam serviços de manutenção e assistência técnica aos equipamentos de outras marcas. Para tanto desen-volveram uma estrutura de serviços multimarcas igualmente a-companhada por outras empresas especializadas que sequer apresentam-se como fabricantes mas da mesma forma vêm prestando bons serviços nos últimos anos.
Na prática o que pode acorrer em algumas situações pontuais de defeitos e necessidade de trocas de peças, especialmente as re-lacionadas às placas eletrônicas do quadro de comando, é que a empresa não fabricante da peça tenha maior dificuldade/custo para efetuar a substituição/correção e o elevador permaneça mais tempo fora de operação. Não obstante, também é fato de que hoje já existem empresas especializadas apenas na comer-cialização destas peças e na manutenção de estoques destes componentes tanto sob a sua forma original quanto como simila-res.
Cumpre-me ainda destacar que para o caso de "contrato inte-gral", onde estão inclusos no valor mensal a ser pago toda e qualquer necessidade de substituição de peças (sem custo adi-cional para o contratante), não há prejuizo nenhum ao contratan-te o eventual sobre-preço de icontratan-tens de difícil obcontratan-tençâo por parcontratan-te do contratado prestador de serviço; naturalmente, é fundamental prever em contrato os tempos máximos de atendimento e reco-locação do elevador em funcionamento no caso de paradas não programadas.
Diante do exposto, posiciono-me pelo acolhimento desta tese do reclamante e consequente substituição da expressão "peças ori-ginais do fabricante" para "peças oriori-ginais e/ou simila-res/compatíveis novas que mantenham ou melhorem as caracte-rísticas básicas de conforto, segurança e eficiência do projeto o-riginal do equipamento". Destaque-se ainda que julgo conveni-ente que seja mantida a vedação à utilização de peças recondi-cionadas.
Nesse diapasão, a PGJ/MPRS está promovendo a al-teração de dispositivos do Edital, a fim de que sejam aceitas peças simila-res e/ou compatíveis.
(a) Item 01 do Edital2
1. OBJETO
Contratação dos serviços de manutenção pre-ventiva e corretiva, bem como atendimento de emergência, com fornecimento de peças de re-posição, para 01 (um) elevador instalado na Promotoria de Justiça da Comarca de Monte-negro (RS), pelo período de 12 (doze) meses, conforme especificações constantes deste Edi-tal e seus Anexos.
(b) Subitem 1.1 do Anexo II – Termo de Referência3
1. OBJETO
1.1 Prestação de serviços técnicos especializa-dos de manutenção preventiva e corretiva com reposição de peças, sem ônus adicional para a Contratante, em um Elevador de Uso Restrito da marca Ortobras.
(c) Subitem 4.1 do Anexo II – Termo de Referência4
4.1. Sempre que se fizer necessário, serão substituídas peças defeituosas cujo valor é parte integrante do contrato, não havendo por-tanto quaisquer ônus para o contratante. Para tanto a contratada deverá manter estoque re-gular de peças de reposição mais frequentes e providenciará a compra de outras peças
2 Redação original: 1. OBJETO Contratação dos serviços de manutenção preventiva e cor-retiva, bem como atendimento de emergência, com fornecimento de peças originais de reposição, para 01 (um) elevador instalado na Promotoria de Justiça da Comarca de Mon-tenegro (RS), pelo período de 12 (doze) meses, conforme especificações constantes deste Edital e seus Anexos.
3 Redação original: 1.1. Prestação de serviços técnicos especializados de manutenção pre-ventiva e corretiva com reposição de peças originais, sem ônus adicional para a Contra-tante, em um Elevador de Uso Restrito da marca Ortobras.
4 Redação original: 4.1. Sempre que se fizer necessário, serão substituídas peças defeituo-sas cujo valor é parte integrante do contrato, não havendo portanto quaisquer ônus para o contratante. Para tanto a contratada deverá manter estoque regular de peças de reposi-ção originais mais frequentes e providenciará a compra de outras peças eventualmente danificadas imediatamente após a constatação do dano.
ventualmente danificadas imediatamente após a constatação do dano. As peças deverão ser novas, originais e/ou similares e/ou compatí-veis, que mantenham ou melhorem as caracte-rísticas básicas de conforto, segurança e efici-ência do projeto original do equipamento. É ve-dada a utilização de peças recondicionadas.
(d) Cláusula Primeira do Anexo III – Minuta de Contrato5
CLÁUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO
É objeto do presente contrato a prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva, bem como atendimento de emergência, com fornecimento de peças de reposição, de 01 (um) elevador de uso restrito instalado no pré-dio sede das Promotorias de Justiça de Monte-negro/RS, localizado na Rua Amaury Daudt Lampert, nº. 333, bairro Timbauva, com as se-guintes características:
(e) Cláusula Sexta do Anexo III – Minuta de Contrato6
CLÁUSULA SEXTA - DOS DIREITOS E DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA
(...)
6.2 Constituem obrigações da CONTRATADA: (...)
g) manter estoque de peças de reposição de u-tilização mais frequente e providenciar a
5 CLÁUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO - É objeto do presente contrato a prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva, bem como atendimento de emergência, com fornecimento de peças originais de reposição, de 01 (um) elevador de uso restrito instalado no prédio sede das Promotorias de Justiça de Montenegro/RS, localizado na Rua Amaury Daudt Lampert, nº. 333, bairro Timbauva, com as seguintes características: 6 Redação original: CLÁUSULA SEXTA - DOS DIREITOS E DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA - (...) - 6.2 Constituem obrigações da CONTRATADA: - (...) - g) manter estoque de peças originais de reposição de utilização mais frequente e providenciar a compra de outras peças eventualmente danificadas imediatamente após a constatação do dano; h) utilizar somente peças novas, originais de fábrica, não sendo permitido o uso de peças similares ou recondicionadas;
pra de outras peças eventualmente danificadas imediatamente após a constatação do dano; h) utilizar somente peças novas, originais e/ou similares e/ou compatíveis, que mantenham ou melhorem as características básicas de confor-to, segurança e eficiência do projeto original do equipamento. É vedada a utilização de peças recondicionadas.
Portanto, procede, por razão técnica, este aspecto da impugnação.
B) Do valor estimado para a contratação
Neste ponto, a impugnante refere faltar ao edital o in-ciso II do parágrafo segundo do artigo 40 da Lei de Licitações, que diz ser imprescindível integrar o instrumento convocatório o orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários.
A irresignação não merece prosperar.
Quanto ao valor estimado para a contratação, ele consta dos autos do processo, que permanece à disposição para consulta pelos interessados, conforme item 13.12 do Edital. Espera-se que os lici-tantes ofertem preços baseados na realidade de mercado e de acordo com a legislação vigente.
A respeito da legislação, o TCU já vem a interpretan-do no sentiinterpretan-do de que, nos termos interpretan-do art. 3º, da Lei 10.520/2002, a Admi-nistração não está obrigada a anexar ao edital o orçamento de referência que elaborou na fase interna da licitação. Este deve constar, obrigatoria-mente, apenas dos autos do processo administrativo referente à licitação. Nesse último caso, deve constar do instrumento convocatório a informa-ção sobre os meios pelos quais os interessados poderão ter acesso ao documento. Dentre as decisões nessa linha, citem-se os Acórdãos 1.248/2009, 114/2007 e 1935/2006, todos do Plenário.
Ressalte-se, a despeito de a publicidade ser imperati-va na Administração Pública, em situações similares à ora examinada, “o acesso ao referido orçamento colidiria com outros princípios não menos importantes, como o da busca da proposta mais vantajosa para a admi-nistração”. E mais: “a manutenção do sigilo do orçamento estimativo tem-se revelado benéfica para a Administração, com a redução dos preços das contratações, já que incentiva a competitividade entre os licitantes,
evitando assim que os concorrentes limitem suas ofertas aos valores pre-viamente cotados pela Administração”. Precedentes: Acórdãos n.ºs 1.248/2009, 114/2007 e 1935/2006, todos do Plenário. (Acórdão n.º 2080/2012-Plenário, TC-020.473/2012-5, rel. Min. José Jorge, 8.8.2012).
Assim, improcede a impugnação quanto a este ponto.
3. Por todo o exposto, conhece-se da impugnação pa-ra, no mérito, considerá-la parcialmente procedente, para modificar o item 1 do Edital, os subitens 1.1 e 4.1 do Anexo II – Termo de Referência –, bem como a cláusula primeira e as subcláusulas 6.2.”g” e 6.2.”f” do Anexo III – Minuta de Contrato – do Edital de Pregão Eletrônico nº 45/2013, man-tendo-se a redação dos demais dispositivos.
Diante dessas alterações, o certame será
rea-gendado para o dia 22 de julho de 2013, com abertura das
propos-tas às 09 horas e disputa de lances às 14 horas.
Cientifique-se e Publique-se.
CPLIC, 08 de julho de 2013.
Luís Antônio Benites Michel,