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Número: Data Autuação: 13/09/2016

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Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região - 1º Grau PJe - Processo Judicial Eletrônico

Consulta Processual

03/10/2016

Número: 0011456-85.2016.5.09.0041

Data Autuação: 13/09/2016

Classe: INTERDITO PROIBITÓRIO

Valor da causa: R$ 35.500,00

Partes

Tipo Nome

AUTOR BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

ADVOGADO HENRIQUE JOSÉ PARADA SIMÃO - OAB: PA14559-A

RÉU SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCARIOS E FINANCIARIOS DE CURITIBA E REGIAO

ADVOGADO RICARDO NUNES DE MENDONCA - OAB: PR35460 TERCEIRO INTERESSADO MINISTERIO PUBLICO DO TRABALHO

Documentos

Id. Data de Juntada Documento Tipo

4c36a f3

30/09/2016 14:30 Sentença Sentença

(2)

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 9ª REGIÃO 21ª VARA DO TRABALHO DE CURITIBA

Interdito 0011456-85.2016.5.09.0041

AUTOR: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

RÉU: SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCARIOS E FINANCIARIOS DE CURITIBA E REGIAO

Vistos,

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., devidamente qualificado nos autos, apresenta ação de interdito proibitório em face do SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS , afirmando, em síntese, que o BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO

Sindicato-requerido estaria utilizando instrumentos ilegais de pressão em face da instituição bancária, de modo a impedir a abertura e o atendimento prestado nas agências e centros administrativos do Banco, ora requerente, interferindo no direito de ir e vir dos usuários, clientes e empregados. Apresentou atas notariais (Num. c7fda67).

Num primeiro momento, foi deferida decisão liminar (Num. 21d1664), com ordem judicial de expedição de mandado proibitório a fim de que o Sindicato-requerido "se abstenha de bloquear ou dificultar as entradas do Banco requerente, principais e secundárias, permitindo aos seus empregados sindicalizados ou não, assim como aos diversos prestadores de serviços, e em especial aos clientes, o livre exercício do direito de ir e vir, bem como o livre acesso e saída, sem qualquer tipo de embaraço, sob pena de pagamento de multa diária no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por agência ou centro

" (Num. 21d1664 - Pág. 2).

administrativo que tenham o acesso impedido.

Sendo, naquela ocasião, determinado a expedição imediata de mandado de constatação "a ser cumprido nos endereços daquelas agências bancárias mencionadas nas atas notariais da petição inicial (Num.

c7fda67), em horário comercial, a fim de se averiguar in loco as alegações de turbação que

"

fundamentam o pedido, e consubstanciar elementos probantes para decisão futura e definitiva de mérito.

(Num. 21d1664 - Pág. 2).

Intimado o Sindicato-requerido apresentou defesa (Num. cf66ee5), na qual rechaça as alegações da peça de ingresso, aduzindo que "Os documentos trazidos aos autos pelo autor, por sua vez, denunciam apenas e tão somente o legítimo exercício dos direitos constitucionais de greve e manifestação, mas não

" (Num. cf66ee5 - Pág. 2), e que "

demonstram qualquer risco de esbulho ou turbação O autor não sofreu

qualquer esbulho ou turbação da posse do seu imóvel. Não houve qualquer prejuízo à sua atividade, como o receio alegado na inicial, além, evidentemente, dos que decorrem da natureza da paralisação do

" (Num. cf66ee5 - Pág. 6). Apresentou, igualmente, atas notariais (Num.

trabalho pelos empregados 1a2e611; Num. febc738).

Oficiado o Ministério Público do Trabalho apresentou manifestação (Num. 6770e5f), na qual o Parquet entendeu pela improcedência da demanda e revogação da decisão liminar, argumentando que "no caso dos autos, o requerente não comprovou satisfatoriamente a prática de atos pelo réu que demonstrassem,

" (Num. 6770e5f - Pág. 3).

objetivamente, o justo receito de turbação ou esbulho

Cumpridos, os mandados de constatação por Oficial de Justiça foram anexados aos autos (Num. 322cac3;

Num. 9aa7f27).

Sem mais, vieram os autos conclusos para julgamento.

É o relatório.

Num. 4c36af3 - Pág. 1

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: THAIS CAVALHEIRO DA SILVA MULLER MARTINS

(3)

D E C I D O

. 1. DA CARÊNCIA DA AÇÃO (FALTA DE INTERESSE DE AGIR)

A carência da ação condiciona-se à ausência de uma das condições da ação. No caso, estando presentes todas as condições da ação, quais sejam, a possibilidade jurídica do pedido (as pretensões deduzidas na petição inicial não são vedadas pelo ordenamento jurídico), o interesse de agir (há necessidade e utilidade de buscar a via judicial para obtenção dos bens jurídicos pleiteados) e a legitimidade ad causam (as partes que integram os polos da relação jurídica processual correspondem às partes da alegada relação de direito material), não se verifica a carência de ação alegada.

Cumpre inicialmente destacar que a Emenda Constitucional n.º 45, de 08/12/2004, deu nova redação ao art. 114 da Constituição Federal, estabelecendo, no inciso II, que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar "as ações que envolvam exercício do direito de greve", sendo certo que a medida ora perseguida pelo Banco-requerente decorre do exercício do direito de greve dos representados pelo Sindicato-requerido, direito este garantido pela Constituição Federal (art. 9º).

Assim, a questão preliminar debatida pelo Sindicato-requerido é puramente meritória, não havendo que ser tratada sob o prisma das condições da ação.

Rejeito.

2. DO INTERDITO PROIBITÓRIO. DA AMEAÇA À POSSE. DO DIREITO DE IR E VIR. DA VIOLAÇÃO À LEI DE GREVE. DA REVOGAÇÃO DA DECISÃO LIMINAR. DA MULTA. DA INDENIZAÇÃO PELOS DANOS. DOS LUCROS CESSANTES.

A ação de interdito proibitório é fundada no justo receio de que o possuidor seja molestado em sua posse, consoante previsão do art. 567 do NCPC/2015, in verbis:

Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso transgrida o preceito.

Ao passo que o direito de greve é assegurado constitucionalmente, por expressa disposição do art. 9º da Constituição Federal ("É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a

" - art. 9ª, , da oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender caput C.F.).

Trata-se, pois, de direito fundamental social, contudo, assim como os demais direitos, não tem caráter absoluto e não pode ser exercido de forma abusiva. Daí a necessidade de estrita observância dos limites impostos pela Lei nº 7.783/89, que regula o exercício do direito de greve. Dispõe a referida legislação que:

Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador.

(...)

Art. 6º São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:

I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;

II - a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.

(4)

§ 1º Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores . poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem (grifei)

§ 2º É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.

§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou

. (grifei) pessoa

Diante dessa conformação legal, qualquer conduta do movimento grevista que impeça a entrada de clientes e funcionários não grevistas nas agências do Banco-requerente vai de encontro ao disposto nos parágrafos 1º e 3º do art. 6º da referida norma. Ademais, viola o direito à livre circulação, assegurado no art. 5º, XV, da C.F.; agride o direito ao livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão que assiste aos demais empregados que não aderiram à greve (art. 5º, XIII, da C.F.); e, atenta contra a posse da reclamada, que resulta como um dos corolários do direito de propriedade, também assegurado constitucionalmente (art. 5º, XII, da C.F.).

Com efeito, o exercício desse direito deve observar os limites impostos por lei, pela simples razão de que também aos não grevistas e ao empregador assistem liberdades e garantias fundamentais, as quais não podem ser ignoradas.

Todavia, no caso dos autos, ainda que num primeiro momento este Juízo tenha-se convencido pelas argumentações do Banco-requerente, em especial pelas atas notarias trazidas com a inicial (Num.

c7fda67), o desenrolar da fase instrutória, com a oportunização do contraditório à parte adversa e com as constatações in locu do Oficial de Justiça, tenho, por certo, que não há nenhuma demonstração de que os integrantes do movimento paredista em apreço estejam ultrapassando os limites legais do regular exercício do direito de greve.

Veja-se que as constatações da ata notarial trazida com a defesa (Num. 1a2e611; Num. febc738) são antagônicas àquelas da exordial (Num. c7fda67), e de igual fé pública. Ademais, como bem salientou o (Num. 6770e5f - Pág. 4), deixou o Sr. Tabelião (na ata de Num. c7fda67) de identificar com Parquet

precisão e transparência quem seriam aquelas pessoas supostamente contratadas pelo Sindicato-requerido para impedirem a entrada de funcionários na agência, calcando as conclusões em meras verbalizações.

Por outro lado, as constatações do Oficial de Justiça, Sr. Sergio Ricardo da Silva Almeida (Num.

322cac3), são contundes no sentido de não identificar nas agências do Banco-requerente qualquer problema ou obstáculo à livre circulação de pessoas. Note-se que o referido meirinho certificou, para todas as unidades bancárias vistoriadas, o seguinte: "Certifico que adentrei a agência sem problemas e pude constatar não haver qualquer obstáculo à livre circulação de pessoas. No local há adesivos e faixas fazendo alusão à greve, mas nenhuma que obstruísse qualquer passagem. Também constarei

"

estar em funcionamento a agência e que no local não há qualquer manifestação no dia de hoje (...).

Conquanto a diligência judicial tenha registrado que nas agências da Rua XV de Novembro n.º 268 e da Rua Marechal Deodoro n.º 195 e n.º 665, "em, dias anteriores, o movimento grevista restringia o número

", tal informação, colhida das respectivas gerências, não evidencia qualquer o ilícito, de funcionários

pressuposto indispensável à concessão da tutela inibitória. Uma vez que, o exercício do direito de greve, em essência, nada mais é do que a paralisação da prestação de serviço pelos empregados.

Ademais, a fixação de cartazes e faixas indicando o estado de greve e a presença dos grevistas em frente à agência é conduta legal, pois tendente a persuadir (o que não se confunde com "constranger" ou

"compelir") os demais trabalhadores a aderirem à greve, bem como sensibilizar a comunidade quanto à causa por eles defendida.

Num. 4c36af3 - Pág. 3

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: THAIS CAVALHEIRO DA SILVA MULLER MARTINS

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Não se percebe, ainda, da prova produzida pelo Banco-requerente, e das constatações do mandado judicial, que o Sindicato-requerido venha impedindo o acesso da população às agências bancárias ou que esteja em curso, por qualquer meio ou modo, ato de turbação da posse.

Ou seja, não há indícios que o direito de greve dos empregados do Banco-requerente esteja sendo exercido de forma abusiva e em desrespeito aos direitos e garantias fundamentais insculpidos na Constituição Federal de 1988.

Importa, por fim, destacar que é salutar ao regime democrático e coerente com um dos fundamentos da República ("os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa" - art. 1º, IV, C.F.) que o direito de greve seja exercido em sua plenitude e com ampla liberdade pelas categorias profissionais.

Neste cenário, revogo a decisão liminar outrora conferida (Num. 21d1664), pois a instrução processual demonstrou não subsistir ameaça ou qualquer evidência concreta de existência o ato ilícito, requisito à concessão da tutela inibitória.

Indevida, ainda, a aplicação da multa, visto que não ocorreu, por parte daqueles que aderiram à greve, qualquer ato de turbação ao direito de propriedade, ou qualquer ameaça à integridade física dos demais trabalhadores; assim como nenhuma restrição do direito de ir e vir de clientes e empregados foi constatada.

Pelos mesmos fundamentos, também, não há de se falar em indenização pelos danos e ou lucros cessantes, aliás, os quais sequer foram quantificados pela parte autora interessada (ônus que lhe pertencia a teor dos artigos 818 da CLT e 373, I, do NCPC/2015). Rejeito.

E, por fim, no mérito, com fulcro no art. 355, inciso I do NCPC/2015 (aplicável de forma subsidiária - CLT, art. 769), rejeito em definitivo os pedidos formulados nesta demanda judicial, uma vez que se faz possível verificar, pelas provas apresentadas nos autos, que o direito de greve foi e tem sido exercido de forma mansa e pacífica, nos termos preconizados pelo art. 9ª da Constituição Federal e com observância dos limites impostos pela legislação comum, sem violação à lei de greve (Lei nº 7.783/1989).

3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.

Não se tratando de ação fundada na relação de emprego, mas sim de ação decorrente da ampliação da competência da Justiça do Trabalho pela Emenda Constitucional nº 45/2004, é cabível o pedido de honorários advocatícios, nos termos do art. 5º da Instrução Normativa nº 27 do C. TST, e do inciso III da Súmula 219 do TST. Sendo assim, condeno o Banco-autor, ora requerente, ao pagamento dos honorários advocatícios, os quais são fixados em 15% sobre o valor atribuído à causa (R$ 35.500,00).

4. CUSTAS PROCESSUAIS.

Custas processuais pela parte autora sucumbente na demanda, no importe de R$ 710,00, calculadas sobre o valor da causa de R$ 35.500,00 (art. 789 da CLT).

C O N C L U S Ã O

Ante o exposto, e por tudo o mais que dos autos consta, na ação ajuizada por BANCO SANTANDER em face do

(BRASIL) S.A. SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS , decido por:

BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO

a) REJEITAR o pleito liminar, revogando a decisão cautelar outrora proferida nestes autos (Num.

21d1664); e

b) REJEITAR, no mérito, em definitivo, os demais pedidos formulados nesta demanda judicial, de modo que não reconheço nenhum ato ilícito do movimento paredista em apreço, vez que o direito de greve foi e tem sido exercido de forma mansa e pacífica, nos termos preconizados pelo art. 9ª da Constituição Federal

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e com observância dos limites impostos pela legislação comum, sem violação à lei de greve (Lei nº 7.783/1989).

Condeno, contudo, o Banco-autor, ora requerente, ao pagamento dos honorários advocatícios, os quais são fixados em 15% sobre o valor atribuído à causa (R$ 35.500,00).

Custas processuais pela parte autora, no importe de R$ 710,00, calculadas sobre o valor da causa de R$

35.500,00 (art. 789 da CLT).

Intimem-se as partes.

Nada mais.

CURITIBA, 30 de Setembro de 2016

THAIS CAVALHEIRO DA SILVA MULLER MARTINS Juiz do Trabalho Substituto

Num. 4c36af3 - Pág. 5

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: THAIS CAVALHEIRO DA SILVA MULLER MARTINS

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