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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 número2

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Academic year: 2018

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Rev. bras. hematol. hemoter. 2003;25(2):79-80 Edi tori al

Edi tori al

Chefe do Departamen to de Patologi a e Medi ci n a Legal da Facu ldade de Medi ci n a de São José do Ri o Pr eto – FAMERP.

Cor r espondência par a: Dra. Patríci a Malu f Cu ry Av. Bri gadei ro Fari a Li ma, 5416

15090-000 – São José do Ri o Preto -SP E-mai l: pmcu [email protected]

Biópsia de medula óssea e sua interpretação – o papel do

hematopatologista

Bone mar r ow biopsy – the r ole of the hematopathologist

Patri ci a M. Cu ry

A biópsia de medula óssea (BMO) é um procedimento amplamente utilizado na prática médica, não só para o diagnóstico de diversas doenças hematológicas ou metastáticas mas tam-bém no acompanhamento das primeiras.1

Desde o início do século passado, alguns pesquisadores tentaram obter fragmentos de me-dula óssea com o intuito de estudar o tecido medular.2 Entretanto, Arinkin, em 1929, foi o

primeiro a utilizar o método da punção aspirativa da medula óssea para o estudo citológico siste-mático, propiciando o reconhecimento e des-crição das células precursoras. Em 1958, Macfarland descreveu as vantagens da retirada de um fragmento ósseo, utilizando a agulha de Silverman. Com esse método, obtinha-se uma maior quantidade de material medular, o que possibilitava um maior número de cortes e de colorações histológicas. Já Jamshidi introduziu uma nova agulha de BMO, em 1971, a qual apresentava a vantagem de ser menos traumá-tica e mais confortável ao manuseio, conse-guindo boa quantidade de material medular, além de preservar melhor o fragmento. A agu-lha original de Jamshidi foi modificada por Inwood alguns anos após, o qual conseguiu melhorias da obtenção do material celular. Des-de então, existem inúmeras agulhas para uso clínico, de diversas procedências.

Embora o mielograma (punção aspirativa) seja um procedimento mais simples e confortá-vel do que a BMO, esta última acaba fornecen-do dafornecen-dos importantes de maneira melhor que a citologia, como, por exemplo, o grau de celu-laridade medular e o diagnóstico de mielofibrose e mieloesclerose. Nos linfomas, a natureza fo-cal de algumas lesões faz com que, freqüen-temente, as agulhas de punção não sejam efi-cazes. Outro exemplo seria o uso da BMO no transplante de medula óssea, procedimento es-sencial para o seguimento desses pacientes. Atualmente, a BMO tem indicação no diagnós-tico de aplasia medular, das síndromes mielo-proliferativas, dos linfomas, do mieloma múlti-plo, dos carcinomas metastáticos, das doenças de depósito e inclusive de doenças infecciosas.1

Praticamente não existe contra-indicação para a realização da BMO, sendo esse procedi-mento realizado inclusive em portadores de do-enças hemorrágicas sem observação de maio-res danos.3

O diagnóstico através de uma BMO, por-tanto, é de vital importância clínica. Por conse-qüência, o hematopatologista tem um papel fundamental. Além da avaliação morfológica das diversas linhagens celulares existentes na me-dula, este especialista tem que ter um conheci-mento profundo dos métodos complementares de diagnóstico, principalmente dos inúmeros marcadores imunofenotípicos. Estes marcadores vão contribuir não só na determinação da

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linhagem celular como também na subpopu-lação e no estágio de diferenciação da popula-ção linfóide envolvida em uma doença linfo-proliferativa, por exemplo.

A correta interpretação dos nódulos linfói-des, como mencionada no artigo desse número por Magalhães e colaboradores, é um exemplo das dificuldades de diagnóstico que o hemato-patologista enfrenta. Os nódulos linfóides po-dem ser confundidos pelo patologista menos experiente como infiltração neoplásica, o que mudaria completamente a conduta.4 Por isso

tudo, a experiência do hematopatologista, as-sociada a métodos complementares, é funda-mental para o diagnóstico correto de uma BMO.5,6

Referências bibliográficas

1. Diebold J, Molina T, Camilleri-Broet S, Tourneau A, Audin J. Bone marrow manifestations of infections and systemic diseases observed in bone marrow trephine biopsy. Histopathology 2000;37:199-211.

2. Wintrobe MM, Lee G, Boggs RG et al. Clinical Hematology. Lea & Febiger, Philadelphia. 8th edition 1981.

3. Hernandez Nieto L, Rozman C. Biópsia medular en la clinica hematologica. Salvat Editores SA, Barcelona-Espanha, 1980.

4. Thiele J, Zirbes TK, Kvasnicka HM, Fisher R. Focal lymphoid aggregates (nodules) in bone marrow biopsies: differentiation between benign hyperplasia and malignant lymphoma – a pratical guideline. J Clin Pathol 1999;52:294-300.

5. Knowles DM. Immunophenotypic and immuno-genotypic approaches useful in distinguishing benign and malignant lymphoid proliferations. Sem Oncol 1993; 20:583-610.

6. Maes B, Achten R, Demunter A, Peeters B, Verhoef G, De Wolf Peeters C. Evaluation of B cell lymphoid infiltrates in bone marrow biopsies by morphology, immunohistochemistry and molecular analysis. J Clin Pathol 2000;53:835-40.

Recebi do: 15/06/03 Acei to: 27/06/03

Referências

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