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Uso de nudges no combate à fraude em programas de integridade

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Academic year: 2022

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Universidade Presbiteriana Mackenzie Centro de Ciências Sociais e Aplicadas

Programa de Pós-Graduação em Controladoria e Finanças Empresariais

Uso de nudges no combate à fraude em programas de integridade

Barbara Padilha de Carvalho

São Paulo 2019

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Barbara Padilha de Carvalho

Uso de nudges no combate à fraude em programas de integridade

Trabalho aplicado de Conclusão apresentado ao Programa de Pós- Graduação em Controladoria e Finanças Empresariais, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, para a obtenção do título de Mestre em Controladoria e Finanças Empresariais.

Orientadora: Profª. Dra. Ana Maria Roux Valentini Coelho César

São Paulo 2019

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C331u Carvalho, Barbara Padilha de

Uso de nudges no combate à fraude em programas de integridade / Barbara Padilha de Carvalho.

104 f. : il. ; 30 cm

Dissertação (Mestrado Profissional em Controladoria e Finanças Empresariais) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,

2019.

Orientador: Profª. Drº. Ana Maria Roux Valentini Coelho César Bibliografia: f. 101-104

1. Fraude. 2. Teoria institucional. 3. Programa de integridade (compliance). 4. Nudges. I. César, Ana Maria Roux Valentini Coelho,

orientador. II. Título.

CDD 658.458

Bibliotecário Responsável: Aline Amarante Pereira – CRB 8/9549

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Dedico este trabalho a meus pais (in memorian), meus filhos e minha orientadora pelo constante apoio. E a todos os estudantes e profissionais que vislumbram transformar valores e culturas organizacionais por meio da integridade, com o objetivo de prover retorno positivo à Sociedade.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus e a toda energia positiva por Ele emanada, dando força, serenidade e estabilidade para conclusão dos mais variados trabalhos, incluindo a conclusão desta pesquisa. Em segundo lugar, imensa gratidão a meus pais, por serem um meio de concretizarem-me em vida, educando-me com base em valores que prezam integridade, honestidade e respeito; e à Universidade Presbiteriana Mackenzie, representada pelo Reitor Profº Dr. Ing. Benedito Guimarães Aguiar Neto e pela orientadora, Profª. Dra. Ana Maria Roux Valentini Coelho César, quem compartilhou generosamente os mais diversos conhecimentos durante todo o processo de elaboração desta pesquisa e quem me introduziu ao conceito de nudges, reconectando-me à economia comportamental, atuando sempre de forma inspiradora e, assim, aumentando a esperança de um mundo melhor. Toda orientação foi um processo construtivo e prazerozo, o qual deixará lembranças e as reticencias de uma continuidade!

Agradeço imensamente aos meus filhos, Andre e Gael, por me respeitarem enquanto estudante, profissional, mãe e mulher, sendo compreensivos durante a minha ausência para a elaboração desta pesquisa, e por ter sido a escolhida para ser o caminho deles a esta vida! A força deles apoiou muito a perseverança para a conclusão deste trabalho.

Agradeço também aos examinadores da banca Profª. Dra. Ana Lucia Fontes de Souza Vasconcelos e Felipe Dantas de Araújo pelo compartilhamento de críticas construtivas durante a banca de qualificação, agregando valor a esta pesquisa concluída. Agradeço ao corpo docente do Mestrado em Controladoria e Finanças Empresariais do Mackenzie por todo ensinamento e apoio, em especial aos docentes Prof º Dr. Henrique Formigoni, Prof º Dr. Octavio Ribeiro de Mendonça Neto, Profª. Dra. Cecilia Moraes Santostaso Geron, Prof.º Dr.José Carlos Tiomatsu Oyadomari, Prof º Dr. Luiz Carlos Perera e Profª. Dra. Liliane Cristina Segura, por compartilharem novas ideias, dando dinamismo e qualidade ao curso de Mestrado. Agradeço aos meus colegas do Mestrado, Evaldo Veiga, Angélica Pereira, Claudio Rosa, Diego Lima, Ângelo Yasui, Francisco Queiros e Camilla Gomes, pelo incentivo e companheirismo para concluirmos nossos trabalhos. Vamos manter contato!

Agradeço às pessoas que me apoiaram a ter estrutura, emocional e física, para a conclusão deste trabalho: Elisete Martins, por cuidar dos meus filhos durante a minha ausência; Luciana Barros Vieira, pela torcida de uma vida inteira; Daniele Bandeira, pela amizade, companheirismo e torcida forte para a conclusão deste trabalho; e Marcelo Ferraz, pelo tempo para conversas engrandecedores e espaço cedidos para concentrar-me e desenvolver o estado da arte desta pesquisa.

Por fim, agradeço aos honrosos e competentes entrevistados, que gentilmente concederam tempo e compartilharam conhecimento, que foi compilado como resultado obtido e apresentado nesta pesquisa. Foram encontros maravilhosos e enriquecedores.

#gratidaosempre!

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“Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito caráter, bondade, alegria e amor. Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente que insiste em viver, não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal.” (Milton Nascimento)

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RESUMO

Objetivo do trabalho: este trabalho teve como objetivo identificar quais nudges podem ser utilizados pelas organizações para institucionalizar a prevenção do risco de fraude, em programas de integridade, implementados à luz da Lei 12.846/2013. Em termos de teorias, a pesquisa foi embasada nos conceitos de fraude, teoria institucional, programa de integridade e nudges.

Design/metodologia/abordagem: Metodologicamente, este estudo classifica-se como qualitativo, sendo utilizado um modelo de pesquisa não-experimental, transversal, exploratório e descritivo. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas, nas quais foi aplicado um questionário de perguntas abertas, a oito profissionais que atuam como responsáveis pela implementação dos programas de integridade nas organizações (compliance officers), a profissionais responsáveis por auditoria interna, profissionais que atuam como auditores externos e profissionais que atuam em área de consultoria para fins de compliance (investigação, testes em controles). Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas e os dados foram examinados utilizando-se a Análise de Conteúdo.

Resultados: Dentre os resultados encontrados destaca-se a transformação da cultura organizacional para a legitimação dos programas de integridade nas organizações. Esse processo de legitimação deve partir da alta direção (tone at the top) para inspirar as pessoas a adotarem os controles internos de forma eficaz e eficiente. As oportunidades de fraude ocorrem mediante falhas no sistema e mediante a existência de pessoas que possuem a motivação e racionalizam uma fraude; portanto, como resultado deste trabalho, relacionaram-se as características importantes que os profissionais que atuam em gestão de programas de integridade devem apresentar em seus perfis. Adicionalmente, os resultados desta pesquisa apresentam controles chaves para mitigar o risco de fraude correlacionado aos mecanismos de legitimação dos programas de integridade. Por fim, os resultados apontam a os benefícios de implementação de programas de integridade, correlacionando os nudges que podem ser utilizados nestes programas para combater a fraude. Os nudges, por tratarem-se de mecanismos comportamentais, podem apoiar relevantemente nesse processo de transformação cultural e legitimação dos programas de integridade.

Implicações práticas: Este trabalho tem implicações práticas para organizações brasileiras que implementaram ou planejam implementar programas de integridade, tema em pauta em estudos nacionais, especialmente a partir da promulgação da Lei 12.846/2013 e do Decreto nº 8.420/15, bem como pela notoriedade dada ao tema após a deflagração das operações de investigações de corrupção, a partir de 2014, como por exemplo a Operação Lava Jato.

Originalidade e contribuições: Esse estudo visou contribuir para o processo de legitimação dos programas de integridade a serem adotados ou já adotados pelas organizações, por meio de uso de nudges, trazendo um conceito da economia comportamental para o campo do ambiente de controles internos, cujo objetivo, dentre outros, é prevenir e detectar fraudes nas organizações. As questões exploradas nesse estudam apoiam a institucionalização dos programas de integridade de forma mimética, ou seja, embasada nas melhores práticas de mercado em detrimento às formas coercitivas e/ou normativas. Ao abordar a forma mimética de institucionalização, abordou-se também o engajamento dos executivos responsáveis tanto pela Governança como pelas atividades das organizações em linha com os programas de integridade, de forma a apoiar a legitimação de uma nova cultura organizacional que enxerga os benefícios de uma implementação desses programas de forma qualitativa.

Palavras-chave: Fraude. Teoria Institucional. Programa de Integridade. Nudges.

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ABSTRACT

Objective of the Paper: This paper aimed to identify which nudges can be used by organizations to institutionalize fraud risk prevention in compliance programs, implemented in accordance to the Law 12.846 / 2013. In terms of theories, the research was based on the concepts of fraud, institutional theory, compliance program and nudges.

Design / methodology / approach: Methodologically, this study is classified as qualitative, using a non-experimental, transversal, exploratory and descriptive research model. Data collection was done through interviews, in which a questionnaire of open questions was applied, to eight professionals who are responsible for the implementation of compliance programs (compliance officers), professionals responsible for internal auditing, professionals who act as external auditors and professionals who work in the area of consulting for compliance purposes (investigation, testing on controls). All interviews were recorded and transcribed and the data were examined using Content Analysis.

Results: As a result of this paper, it is worth mentioning the transformation of the organizational culture to the legitimacy of compliance programs in organizations. This legitimization process must start at the top (tone at the top) to inspire people to adopt internal controls effectively and efficiently. The opportunities for fraud occur through failures in the system and through the existence of people who have the motivation and rationalize a fraud, therefore, as a result of this work, a list of the important characteristics that the professionals who act in the management of compliance programs should present in their profiles was provided. In addition, the results of this research have presented the key controls to mitigate the risk of fraud correlated with the legitimation mechanisms of compliance programs. Finally, the results point to the benefits of implementing integrity programs, correlating the nudges that must be used in these programs to avoid frauds. Nudges, once they are behavioral mechanisms, should support relevantly in this process of cultural transformation and legitimation of compliance programs.

Practical implications: This work has practical implications for Brazilian organizations that have implemented or plan to implement compliance programs, a topic in national studies, especially since the enactment of Law 12.846 / 2013 and Decree No. 8,420 / 15, as well as the notoriety given to the topic after the outbreak of operations of corruption investigations, starting in 2014, such as Operation Lava Jato.

Originality and contributions: This study aimed to contribute to the process of legitimizing compliance programs to be adopted or already adopted by organizations, through the use of nudges, bringing a concept of behavioral economics to the field of the internal control environment, whose objective, among others, is to prevent and detect fraud in organizations.

The issues explored in this study support the institutionalization of compliance programs in a mimetic way, that is, based on best market practices to the detriment of coercive and / or normative forms. In addressing the mimetic form of institutionalization, we also addressed the engagement of the executives responsible for both Governance and the activities of organizations in line with the compliance programs, in order to support the legitimation of a new organizational culture that sees the benefits of implementing these programs qualitatively.

Key-words: fraud. institutional theory. compliance programs. nudges.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1- Processo de incentivo ao combate à corrupção e à fraude, por meio de nudges ... 21

Figura 2 - Triângulo da Fraude ... 28

Figura 3 - Agrupamento P1 ... 63

Figura 4 - Agrupamento P2 ... 64

Figura 5 - Agrupamento P4 ... 65

Figura 6 - Agrupamento P5 ... 67

Figura 7 - Agrupamento P6 ... 70

Figura 8 - Agrupamento P9 ... 72

Figura 9 - Agrupamento P10 ... 73

Figura 10 - Agrupamento P7 ... 75

Figura 11 - Agrupamento P13, P15 e P16 ... 79

Figura 12 - Agrupamento P8 ... 80

Figura 13 - Agrupamento P11 ... 82

Figura 14 - Agrupamento P12 e P14 ... 85

Figura 15 - Agrupamento P3 ... 89

Figura 16 - Agrupamento P17 ... 92

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Histórico dos marcos legais da conformidade no Brasil ... 13

Quadro 2 - Pilares da análise institucional ... 34

Quadro 3 - Formas de isomorfismo institucional ... 36

Quadro 4 - Órgãos responsáveis por emissão de documentos e regras pertinentes ao Programa de Integridade ... 39

Quadro 5 - Tipos de nudges ... 44

Quadro 6 - Perfil dos entrevistados ... 51

Quadro 7 – Questões do roteiro de entrevistas e as teorias relacionadas a cada uma delas ... 52

Quadro 8 - Correlação entre Teorias Estudadas ... 56

Quadro 9 - Questões relacionadas à Oportunidade ... 58

Quadro 10 - Controles chaves que mitigam o risco de fraude citados em primeiro lugar nas entrevistas ... 59

Quadro 11 - Menções sobre legitimação dos controles que mitiguem o risco de fraude por entrevistado ... 68

Quadro 12 - Questões relacionadas à Motivação ... 74

Quadro 13 - Respostas correlacionadas aos tipos de nudges ... 76

Quadro 14 - Questões relacionadas à Racionalização ... 79

Quadro 15 - Respostas correlacionadas aos tipos de nudges ... 83

Quadro 16 - Questões relacionadas à Oportunidade, Racionalização e Motivação ... 85

Quadro 17 - Características dos profissionais para atuação em gestão de risco de fraude e implementação/monitoramento de programas de integridade ... 86 Quadro 18 - Tipos de nudges e as situações do programa de integridade às quais se aplicam 93

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BACEN Banco Central do Brasil

CGU Ministério de Transparência e Controladoria-Geral da União CMN Conselho Monetário Nacional

COSO Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission CVM Comissão de Valores Mobiliários

ERM Enterprise Risk Management FCPA Foreign Corrupt Practices Act ISA International Standard on Auditing

ISSO Organização Internacional de Normatização IPC Índice de Percepção da Corrupção

NEI Nova Economia Institucional NSI Nova Sociologia Institucional

OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OEA Organização dos Estados Americanos

ONU Organização das Nações Unidas SEC Securities and Exchange Commission SOX Lei Sarbanes – Oxley

VEI Velha Economia Institucional

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 11

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ... 11

1.2. QUESTÃO DE PESQUISA ... 22

1.3. OBJETIVO GERAL ... 22

1.4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 22

1.5. JUSTIFICATIVA ... 23

1.6. CONTRIBUIÇÕES ... 24

2. REFERENCIAL TEÓRICO ... 26

2.1 CONCEITO DE FRAUDE ... 26

2.2 TEORIA INSTITUCIONAL ... 29

2.2.1 Definição e as linhas de pensamento da teoria institucional ... 29

2.2.2 A Velha Economia Institucional (VEI) ... 30

2.2.3 A Nova Economia Institucional (NEI) ... 31

2.2.4 Nova Sociologia Institucional ... 32

2.3 PROGRAMA DE INTEGRIDADE: A LEGITIMAÇÃO (INSTITUCIONALIZAÇÃO) DA LEI ANTICORRUPÇÃO 12.846/2013 ... 37

2.4 NUDGES – ELEMENTOS FACILITADORES PARA INSTITUCIONALIZAR MIMETICAMENTE A PREVENÇÃO DE FRAUDE EM PROGRAMAS DE INTEGRIDADE ... 40

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 47

3.1. ENFOQUE DA PESQUISA ... 47

3.2 TIPO DE PESQUISA ... 48

3.3 MODELO DE PESQUISA ... 48

3.4 AMOSTRAGEM ... 50

3.5 COLETA DE DADOS ... 51

3.6 ANÁLISE DE DADOS ... 54

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 56

4.1 CATEGORIA 1 – OPORTUNIDADE ... 57

4.1.1 – Controles chaves que mitigam o risco de fraude (pergunta 1)...58

(14)

4.1.1.1 Definição de missão, visão e valores – cultura organizacional... 59

4.1.1.2 Política de limites de alçadas, aberturas de contas correntes e políticas para operações de créditos... 60

4.1.1.3 Controles de monitoramento... 61

4.1.2 – Mecanismos de comunicação de fraude (pergunta 2) ... 63

4.1.3 – Barreiras para a implementação de programas de integridade (pergunta 4) ... 64

4.1.4 Motivação e forma (coercitivo, normativo e/ou mimético) para implementação de programa de integridade (pergunta 5) ... 65

4.1.5 Definição de programa de legitimação de controles que mitiguem o risco de fraude (pergunta 6)... 68

4.1.6 Avaliação de oportunidades para cometer uma fraude e comunicação das oportunidades aos responsáveis por governança (pergunta 9) ... 70

4.1.7 Ações que as empresas poderiam tomar para que as pessoas legitimem os programas de integridade (pergunta 10)...72

4.2 CATEGORIA 2 – MOTIVAÇÃO ... 74

4.2.1 Motivação mais comum de uma fraude (pergunta 7) ... 74

4.2.2 Perguntas que abordam tipos de nudges correlacionados à motivação (perguntas 13, 15 e 16) ... 76

4.3 CATEGORIA 3 – RACIONALIZAÇÃO ... 79

4.3.1 Exemplos de como racionalizar uma fraude (pergunta 8) ... 80

4.3.2 Complexidade dos programas de integridade e respectiva racionalização para cometer uma fraude atrelada a eventual complexidade (pergunta 11) ... 80

4.3.3 Perguntas que abordam tipos de nudges correlacionados à racionalização (perguntas 12 e 14) ... 82

4.4 CATEGORIA 4 – OPORTUNIDADE, MOTIVAÇÃO E RACIONALIZAÇÃO ... 85

4.4.1 Características e motivação dos profissionais que atuam em gestão de riscos e implementação de programas de integridade (pergunta 3) ... 86

4.4.2 Benefícios de implementar programa de integridade e o que fazer para influenciar pessoas a adotarem o programa (pergunta 17)...90

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 94

REFERÊNCIAS ... 98

(15)

1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

Em 2017, o Prêmio Nobel de Economia foi concedido a Richard Thaler, um dos autores que relacionaram economia e psicologia, mencionando que as escolhas são feitas pelos indivíduos de forma subjetiva, inspiradas por suas culturas, que pesam mais do que qualquer racionalidade. Essa linha de pensamento denomina-se economia comportamental, e representa um contraponto ao pensamento clássico econômico, sendo o primeiro trabalho marcante da economia comportamental a Teoria da Perspectiva, desenvolvida por Daniel Kahneman e Amos Tversky, em 1979, abordando que os indivíduos fazem escolhas que envolvem riscos e incertezas, propondo que uma perda tem um impacto emocional maior do que um ganho equivalente (KAHNEMAN e TVERSKY, 1979). A economia clássica pressupõe a existência de atores racionais, ou seja, a existência de indivíduos que fazem escolhas embasadas na racionalização dos motivos que os levaram a realizar tal escolha em detrimento de outra. Por outro lado, a economia comportamental está marcada pela imprevisibilidade característica da subjetividade, demonstrando que o comportamento das pessoas resulta em movimentos econômicos, que não podem ser totalmente previstos ou explicados, como era proposto pela economia clássica. Dessa forma, a economia comportamental aponta que os indivíduos realizam escolhas subjetivas e suscetíveis a erros oriundos de escolhas ruins (THALER, 2015).

Thaler e Sunstein, em 2009, escreveram o best-seller denominado “Nudges”, palavra que é definida como um empurrão ou um gatilho para influenciar a tomada de decisão sobre consumo, respeitando-se a liberdade de escolha. Nudges são mecanismos que têm sido utilizados em políticas públicas, de forma a incentivar comportamentos de indivíduos, como por exemplo, incentivar que os impostos sejam pagos pontualmente (THALER; SUNSTEIN, 2009; ). Nesse sentido, o nudge apóia decisões, respeitando-se a liberdade de escolha. Um exemplo de nudge citado por Thaler e Sunstein (2009) seria a exposição de comidas mais saudáveis numa vitrine de uma lanchonete, de forma a facilitar a visão de alimentos mais saudáveis e assim incentivar o seu consumo, sem proibir o consumo de alimentos mais gordurosos.

Desta forma, com base na economia comportamental, esta pesquisa tem por objetivo estudar o uso de nudges como apoio no combate à corrupção e à fraude, de forma a incentivar

(16)

a adoção de programas de integridade pelas organizações, à luz da Lei Anticorrupção 12.846/2013 e, consequentemente, institucionalizar a adoção de controles internos que previnam, detectem e sanem os riscos de fraudes nessas organizações.

No campo da controladoria (contabilidade), os esforços de combate à corrupção e à fraude vêm sendo intensificados a partir dos episódios de corrupção detectados mundialmente.

Em 2018, o Brasil piorou posições no ranking da Transparência Internacional, uma organização não governamental fundada em 1993, em Berlim, com o propósito de estabelecer índices para medir e comparar países, em relação ao combate à corrupção e à fraude. Segundo Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado pela Transparência Internacional, em 2018, o país caiu nove posições, ocupando atualmente a 105ª posição em uma análise de 180 países, enquanto em 2017 ocupava a 96ª posição em uma análise de 180 países (TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL, 2018). Essa piora no ranking pode ser explicada pela visibilidade ao tema corrupção dada pela Operação Lava Jato e pela falta de propostas de reformas estruturais a serem lideradas pelo Governo, segundo análise efetuada pela Transparência Internacional (TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL, 2018)

O combate à corrupção e à fraude foi intensificado a partir de 2014 no país tanto pela promulgação da Lei 12.846/2013, como pela intensificação de operações de investigação de corrupção e de lavagem de dinheiro, como é o caso da Operação Lava Jato. Assim sendo, antes de se abordarem as leis de combate à corrupção e à fraude, há de se abordar os respectivos conceitos de corrupção e de fraude.

Como definido em dicionário da língua portuguesa, corrupção significa “1 Ato ou resultado de corromper; corrompimento, corruptela. / 2 Decomposição de matéria orgânica, geralmente causada por microrganismos; putrefação. / 3 Alteração das características de algo;

adulteração. / 4 Degradação de valores morais ou dos costumes; devassidão, depravação. / 5 Ato ou efeito de subornar alguém para vantagens pessoais ou de terceiros. / 6 Uso de meios ilícitos, por parte de pessoas do serviço público, para obtenção de informações sigilosas, a fim de conseguir benefícios para si ou para terceiros” (MICHAELIS, 2019). O presente estudo concentra-se nos significados 4 e 5 apresentados, que discorre sobre a dicotomia da corrupção:

agentes público e privado. Com base no dicionário jurídico, corrupção é o ato de causar perdas a terceiros, de forma intencional, para obter privilégios, constituindo assim um crime. Em termos da ciência política, a corrupção consiste em tirar proveito do Poder Público.

Nessa dicotomia, tem-se o Estado moderno, representado pelo governo, o qual é classificado nas esferas municipal, estadual e federal, sendo esse Estado operado pelos agentes

(17)

públicos, os quais deixam de cumprir normas internas para atender a interesses pessoais, obtendo vantagens individuais (FERREIRA FILHO, 1991). No outro lado da dicotomia, tem- se a esfera privada, representada pelas organizações, o mundo corporativo que, em busca de benefícios, oferece vantagens aos agentes públicos.

Dessa dicotomia nasce, portanto, a tipificação da corrupção, em:

- corrupção ativa: o indivíduo oferece dinheiro a um agente público, em troca de benefícios, para si ou para terceiros;

- corrupção passiva: o agente público requer dinheiro de um indivíduo, para oferecer vantagens.

Em termos de escala, a corrupção pode ser classificada em (ELLIOT, 1950):

- pequena corrupção (“petty corruption”): atos de corrupção que envolvam pequena escala de valor. São geralmente praticados em escritórios de atendimento ao público, em lugares pequenos, entre agente público e público.

- Grande corrupção (“grand corruption”): atos de corrupção que envolvam grandes escalas de valores e pessoas ligadas ao alto escalão do poder público, bem como do poder privado.

Assim sendo, a corrupção está ligada ao ato de se obterem vantagens ilícitas, por meio do contato do público com o privado.

Por outro lado, fraude refere-se a erro intencional. Ou seja, um indivíduo intencionalmente comete um erro, com o objetivo de obter vantagens, benefícios. A fraude pode ser exemplificada por adulteração de documentos, erro intencional em lançamento contábil, propaganda enganosa, entre outros tipos de fraudes elencadas no artigo 171 do Código Penal Brasileiro.

A presente pesquisa foca no estudo da fraude contábil, cujo conceito é: erro intencional nas demonstrações financeiras (ISA – International Standard of Auditing 240).

A operação Lava Jato foi legitimada pela Lei Anticorrupção, cujo objetivo é responsabilizar as pessoas jurídicas que pratiquem corrupção, em conexão com uma esfera do poder público, uma vez que a lei anteriormente vigente, Lei de Improbidade Administrativa, (Lei 8429/1992), previa punições apenas às pessoas físicas. Desta forma, pode-se afirmar que antes da operação Lava Jato, existiam outras leis em diferentes setores da economia, a fim de impedir tais crimes, conforme exposto no Quadro 1:

Quadro 1 - Histórico dos marcos legais da conformidade no Brasil

(18)

Ano Lei e aplicabilidade Órgão

2012 • Código Penal – define uma série de crimes ligados a corrupção: corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência, associação criminosa.

• Congresso Nacional:

atualmente foi enviada pelo Ministério da Justiça ao Congresso um projeto lei de alteração do Código Penal

1985

• Lei nº 7.347/85 (BRASIL, 1985) – por meio dessa lei, o Ministério Público pode exigir que os corruptos condenados paguem uma indenização por danos coletivos causados à sociedade.

• Congresso Nacional

1986

• Lei nº 7.492/86 (BRASIL, 1986) - define e penaliza os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Conhecida popularmente como Lei dos Crimes de Colarinho Branco

• Congresso Nacional

1990

• Lei nº 8.070/90 (BRASIL, 1990) – por meio do Código de Defesa do Consumidor, podem-se exigir indenizações de corruptos que tenham causado danos aos consumidores, de forma coletiva.

• Congresso Nacional

1990

• Lei nº 8.137/90 (BRASIL, 1990) – conhecida como lei dos crimes econômicos, que visa a punir indivíduos, por condutas ilegais que gerem alguma ofensa à ordem econômica.

• Congresso Nacional

1992

• Lei nº 8.429/92 (BRASIL, 1992) - dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos, nos casos de enriquecimento ilícito, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências.

• Congresso Nacional

1993

• Lei nº 8.666/93 (BRASIL, 1993) – lei das licitações, que visa a punir fraudes, em processos de licitação para prestação de serviços ao poder público.

• Congresso Nacional

1998

• Lei n° 9.613/98 (BRASIL, 1998) - regulamenta os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Determina a adoção de políticas, procedimentos e controles internos compatíveis com o porte e volume de operações da organização

• Congresso Nacional

1998

• Resolução n° 2.554/98 (BACEN, 1998) - delibera acerca da implantação do sistema de controles internos, de acordo com a Avaliação de Controles Internos do Comitê da Basileia (resolução alterada em 2002 pela Resolução n°

3.056/02 (BACEN, 1998), que apresenta a realização de auditoria sobre os controles internos)

• Banco Central Brasileiro (BACEN)

(continua)

(19)

Ano Lei e aplicabilidade Órgão (continuação)

2004

• Resolução n° 3.198/04 (BACEN, 2004) - regulamenta a atividade de auditoria independente e a instituição do Comitê de Auditoria, de acordo com a lei americana Sarbanes-Oxley Act (SOX) (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, 2002 apud KPMG, 2006)

• Conselho Monetário Nacional (CMN)

2004

• Circular Susep 249/04 (SUSEP, 2004) - determina a implantação de controles internos efetivos, de acordo com a atividade da organização

• Mercado Segurador Brasileiro (MSB)

2006

• Resolução n° 3.380/06 (BACEN, 2006) - dispõe a respeito da implantação do gerenciamento de risco operacional

• Conselho Monetário Nacional (CMN)

• Resolução n° 3.416/06 (BACEN, 2006b) - altera a Resolução n° 3.198/04 (BACEN, 2004), apresentando as premissas básicas para a constituição do comitê de auditoria, em instituições financeiras de capital fechado

2007 • Resolução n° 3.464/07 (BACEN, 2007) - dispõe a respeito da implantação do gerenciamento de risco de mercado

2012

• Lei nº 12.683/12 (BRASIL, 2012) - altera a Lei 9.613/98 (BRASIL, 1998), a fim de fortalecer as sanções penais dos crimes de lavagem de dinheiro

• Congresso Nacional

2013

• Lei nº 12.846/13 (BRASIL, 2013) - responsabiliza as pessoas jurídicas, por atos lesivos praticados contra a Administração Pública, nacional ou estrangeira

• Congresso Nacional

2013

• Lei nº 12.850/13 (BRASIL, 2013) – lei das organizações criminosas, cujo objetivo é responsabilizar os agentes do poder público, que atuarem na corrupção, de forma sistêmica.

• Congresso Nacional

2015 • Decreto 8.420/15 (BRASIL, 2013) - regulamenta a Lei

12.846/13 (BRASIL, 2013) • Congresso Nacional

2016

• Projeto Lei 303/2016 (BRASIL, 2016) – projeto lei em tramitação no Senado Federal que visa a regulamentar as estratégias de integridade, a serem adotadas pela Administração Pública.

• Senado Federal

2017

• Lei nº 7.753/17 (RIO DE JANEIRO, 2017) – lei que dispõe sobre programas de integridade, a serem adotados por empresas que fizerem negócios com a administração pública

do Estado do Rio de janeiro. • Congresso Estadual

(20)

Ano Lei e aplicabilidade Órgão (continuação)

2018

• Projeto Lei nº 498/18 (SÃO PAULO, 2018) – lei que dispõe sobre programas de integridade, a serem adotados por empresas que fizerem negócios com a administração pública do Estado de São Paulo.

• Congresso Estadual

2018

• Lei nº 6.112/18 (DISTRITO FEDERAL, 2018) – lei que dispõe sobre programas de integridade, a serem adotados por empresas que fizerem negócios com a administração pública do Distrito Federal.

• Congresso Estadual

Fonte: Adaptado de Levorato e complementado pela autora, com base em informações públicas (2019)

A Lei Anticorrupção legitimou e deu novas formas a operações de investigação, notadamente, a operação Lava Jato, que adotou formas diferenciadas de investigação, incorporando acordos de leniência como provas, entre outras ações sancionadas pela referida lei (BRASIL, 2013). Em 2013, o Poder Executivo elaborou a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), em virtude de compromissos internacionais assumidos em convenção da Organização das Nações Unidas (ONU), de 31 de Outubro de 2013; em convenção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 17 de dezembro de 1997; e em convenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), de 29 de março de 1996. Essa Lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em abril de 2013; pelo Senado, em julho de 2013; foi publicada no Diário Oficial da União, em 02 de agosto de 2013 e passou a vigorar em 29 de janeiro de 2014 (BRASIL, 2013).

O objetivo da Lei Anticorrupção é responsabilizar as pessoas jurídicas que pratiquem corrupção, em conexão com uma esfera do poder público, uma vez que a lei anteriormente vigente, Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8429/1992), previa punições apenas às pessoas físicas, conforme postulado por Carvalho Filho:

[...] De qualquer forma, o terceiro jamais poderá ser pessoa jurídica. As condutas de indução e colaboração para a improbidade são próprias de pessoas físicas. (...) Demais disso, tal conduta, como vimos, pressupõe dolo, elemento subjetivo incompatível com a responsabilização de pessoa jurídica.

Essa lei visa a burocratizar as organizações, por meio de programas de integridade. O processo de burocratização representa a manifestação organizacional do espírito racional, visa a tornar controláveis as ações de indivíduos que atuem em organizações, em prol do coletivo.

Conforme afirma Weber, a burocracia é um meio eficiente de controlar homens e mulheres;

uma vez implementada, a burocracia tende a tornar-se irreversível (WEBER, 1968).

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Ainda em alusão ao pensamento de Weber (1968), apesar de mudanças nas formas de racionalização ao longo do tempo, as causas da burocratização são três: (i) competição entre organizações capitalistas no mercado; (ii) competição entre Estados, aumentando a necessidade do Estado mor controlar as ações dos indivíduos; e (iii) demandas burguesas por proteção igualitária perante a lei (igualdade). Dessas três, segundo Weber, a mais importante seria a competição entre organizações.

Conectando-se a burocratização weberiana com o contexto atual, nota-se que a burocratização existe com o objetivo de tornar as organizações homogêneas e competitivas entre si por meio da adoção de regras, embasadas em leis ou em cultura organizacional. Nesse contexto, em 2013, foi promulgada a Lei Anticorrupção (BRASIL, 2013), com o objetivo de burocratizar e normatizar os programas de integridade a serem adotados pelas organizações brasileiras.

A Lei Anticorrupção, vigente desde 29 de janeiro de 2014, tem como principal objetivo coibir a de atos lesivos à administração pública, nacional ou estrangeira, de forma a estender a responsabilidade civil e administrativa para as pessoas jurídicas, independentemente de sua composição societária (sociedades anônimas, limitadas, associações, fundações, etc.) (BRASIL, 2013).

[...] Aplica-se o disposto nesta Lei às sociedades empresárias e às sociedades simples, personificadas ou não, independentemente da forma de organização ou modelo societário adotado, bem como a quaisquer fundações, associações de entidades ou pessoas, ou sociedades estrangeiras, que tenham sede, filial ou representação no território brasileiro, constituídas de fato ou de direito, ainda que temporariamente.

(Parágrafo único do artigo 1º.).

A lei brasileira foi elaborada com base em leis vigentes em outros países, as quais:

(a) aprovado em 1977 pelo Congresso Americano, o FCPA - Foreign Corrupt Practices Act (Ato de Práticas de Corrupção no Exterior), foi elaborado em função de exigência da SEC - Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários), a qual constatou que mais de 300 empresas americanas pagaram milhões de dólares a governos estrangeiros, por realizações de negócios no exterior.

Essa lei foi formulada após as investigações ocorridas no caso Watergate deflagrarem uma estrutura de pagamentos efetuados por empresas a funcionários públicos, intermediados por partidos políticos. Esse esquema de pagamentos por meio de doações ficou popularmente conhecido como “caixa dois” e tecnicamente conhecido como lavagem de dinheiro (Money laudering concept by Interpol) (DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA, EUA, 2017).

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(b) United Kingdom Bribery Act (Ato do Reino Unido contra subornos) (lei do suborno): a lei britânica foi adotada por seu parlamento, em abril de 2010 e entrou em vigor em 1º. de julho de 2011. Como exposto anteriormente, essa lei originou- se de uma tendência internacional e possui uma aplicação mais ampla que o FCPA, já citado; o objetivo dessa lei é estabelecer normas de combate e prevenção à corrupção, sendo considerada uma das leis mais severas do mundo no combate à corrupção. Sua abrangência é transnacional, na medida em que se aplica a pessoas coletivas, com sede (ou no limite, com representação societária) no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte), mas também àquelas que realizem negócios com pessoas coletivas estabelecidas no Reino Unido (Gin, 2016).

Em geral, as leis anticorrupção adotadas nos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil normatizam os seguintes conceitos: (i) corrupção ativa e passiva; (ii) programas de integridade;

(iii) responsabilidades objetivas e subjetivas; e (iv) sanções. Dissecando-se os conceitos, ter-se- á uma breve descrição:

(a) corrupção: corresponde a atos lesivos à sociedade, praticados no âmbito das pessoas jurídicas, sendo esses atos descritos no o artigo 5º da Lei 12.846/13. Segundo Paulo Carvalho, entende-se por corrupção:

[...] Com efeito, a corrupção tem três características que a diferenciam dos demais ilícitos e dificultam a utilização de técnicas convencionais de repressão. Em primeiro lugar, a corrupção é invisível e secreta: trata-se de um acordo entre o corrupto e o corruptor, cuja ocorrência, em regra, não chega ao conhecimento de terceiros. Além disso, a corrupção não costuma deixar rastros: o crime pode ser praticado mediante inúmeras condutas cuja identificação é dificílima, e, ainda que provada uma transação financeira, é ainda necessário demonstrar que o pagamento tinha realmente por objetivo um suborno. Por fim, a corrupção é um crime sem vítima individualmente determinada – a vítima é a sociedade -, o que dificulta sua comunicação às autoridades, já que não há um lesado direto que se sinta obrigado a tanto.

(CARVALHO, 2015, p.39).

(b) Responsabilidades objetivas e subjetivas: a tipificação de responsabilidade entre objetiva e subjetiva está diretamente ligada à adoção ou não de programas de integridade. A responsabilidade objetiva é aquela em que a pessoa jurídica é culpabilizada, independentemente de quem seja o causador de danos à Administração Pública (CAMPOS, 2015), ou seja, uma análise objetiva, independente da culpa. A responsabilidade subjetiva, por sua vez, corresponde à culpabilidade do indivíduo (CAMPOS, 2015).

(c) Programas de integridade: com base nas leis anticorrupção, os programas de integridade são definidos pelos controles internos adotados pelas organizações, com o objetivo de garantir que a totalidade das atividades empresariais estejam em

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conformidade com as normas vigentes, bem como com o objetivo de prevenir e/ou detectar prática de atos ilícitos, além de mitigar riscos (BRASIL, 2015). Os programas de integridade foram definidos no Decreto IV, capítulo do Decreto nº 8.420/15. No artigo 41 do referido Decreto, tem-se a seguinte definição:

[...] programa de integridade consiste, no âmbito de uma pessoa jurídica, no conjunto de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e na aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes com objetivo de detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública, nacional ou estrangeira (BRASIL, 2015).

O título “Programa de Integridade” varia de uma organização para outra, em conformidade com suas políticas internas; entretanto, a abordagem literária mais amplamente adotada denomina como: programa de integridade, programa de conformidade, entre outros (BRASIL, 2013). Pode-se sumarizar que os programas de integridade visam a desenhar os controles internos que serão adotados pelas organizações, com o objetivo de prevenir, detectar e sanar o risco de fraude. Por outro lado, as atividades de conformidade referem-se à verificação sobre “se as condutas e práticas internas estão compatíveis com as diversas regras, normativos e legislações vigentes” (SERPRO, Serviço Federal de Processamento de Dados). O objeto deste trabalho está focado em programas de integridade e respectivos julgamentos dos profissionais sobre o desenho de controles internos a ser implementado e/ou implementado.

Para orientar as organizações com relação à implementação da Lei Anticorrupção, a Controladoria Geral da União (CGU) vem divulgando diretrizes a serem seguidas, de forma a incentivar a adoção de programas de integridade nas empresas privadas. Nesse sentido, a cartilha elaborada pela CGU menciona:

“a orientação da CGU estrutura o programa de integridade em cinco pilares: (i) comprometimento e apoio da alta direção; (ii) instância responsável pelo programa de integridade; (iii) análise de perfil e riscos; (iv) estruturação das regras e instrumentos;

e (v) estratégias de monitoramento contínuo.” (BRASIL, 2015).

Nota-se que cada um desses pilares possui seus desmembramentos em conformidade com o Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2013), sendo que No artigo 41 do referido Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2013), define-se o conceito de programa de integridade a ser implementado pelas organizações com o “objetivo de detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública, nacional ou estrangeira”, mencionando que tais programas devem possuir uma estrutura racional e em conformidade com os riscos identificados em cada organização. O artigo 42, nesse mesmo decreto, apresenta os parâmetros a serem adotados em programas de integridade, elencando procedimentos a serem observados, para a implementação qualitativa desses programas (BRASIL, 2013).

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Tal estrutura envolve uma reorganização baseada em práticas ideais de governança, voltadas ao favorecimento da implementação de ações dirigidas ao monitoramento de riscos, sistemas de controles internos e à incorporação de procedimentos destinados à prevenção e ao combate à corrupção e à fraude.

Para que o processo de implementação do programa de integridade esteja em conformidade com a Lei 12.846/2013 (BRASIL, 2013), as seguintes áreas são envolvidas: a) internamente: alta administração; controles internos; auditoria interna e gestão de riscos;

externamente: auditoria externa e agências reguladoras públicas.

A escolha dos controles e procedimentos para prevenir, detectar ou sanar os riscos de fraude, a serem adotados pelas organizações, é feita por indivíduos que atuam geralmente nas áreas de controles internos, alta administração, auditoria interna e gestão de riscos, tratando-se, portanto, de uma escolha que possui caráter subjetivo e cultural, a qual depende do julgamento destes responsáveis pela área de programa de integridade, que garantirão a implantação e operacionalização dos sistemas.

Dessa forma, apesar da regulamentação, o processo de implantação de programas de integridade varia de organização para organização, precisando ser adaptado de acordo com o ambiente no qual a organização estiver inserida e com base no julgamento dos indivíduos responsáveis pelas áreas de integridade, que devem realizar as escolhas sobre quais controles integrarão esse programa, com o objetivo de prevenir, detectar ou sanar o risco de fraude, como requerido nos artigos 41 e 42 do decreto nº 8.420/15. Assim sendo, esta pesquisa abordará o conceito de nudges, cuja definição é, segundo Kessler (2015): “um empurrãozinho (de preferência para melhor) na direção de um maior bem-estar para todos nós. A intenção é a de facilitar a tomada de decisão, em prol daquilo que teoricamente seria mais benéfico para a sociedade”, respeitando-se a liberdade de escolha dos indivíduos responsáveis pela implementação e monitoramento dos programas de integridade

Nesse sentido, considerando-se que a adoção de um programa de integridade deva ser embasada em julgamentos dos responsáveis por essa implantação, a qual consiste na definição dos controles internos que mitigam inclusive o risco de fraude, e que tais julgamentos devam obedecer a princípios morais, culturais e atitudinais, ressaltando-se a liberdade de escolha desses responsáveis - entende-se como oportuno estudar quais nudges poderão ser utilizados pelas organizações, de forma a prevenir o risco de fraude. Ou seja, quais medidas influenciadoras (nudges) poderão ser implementadas para dar um “empurrãozinho” na escolha

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mais correta dos controles a serem adotados em programas de integridade, com o objetivo de prevenir o risco de fraude, como demonstrado na Figura 1.

Figura 1- Processo de incentivo ao combate à corrupção e à fraude, por meio de nudges

Fonte: Elaborado pela autora.

A figura 1 demonstra que o uso de nudges em programas de integridade pode legitimar a adoção de controles internos eficientes no processo de mitigação do risco de fraude, tendo como base os três pilares da teoria institucional, a saber: pilar do regulador (existência de regras sancionadas legalmente), pilar normativo (existência de normas institucionalizadas moralmente) e cognitivo-cultural (institucionalização por meio mimético).

Para que se atinja o objetivo da pesquisa, serão apresentados no próximo capítulo, os fundamentos da teoria institucional, dos conceitos de fraude/corrupção, de programas de integridade e de nudges. Posteriormente, será exposto o procedimento metodológico de pesquisa aplicada ao estudo; por fim, serão discutidos os dados e resultados obtidos.

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1.2. QUESTÃO DE PESQUISA

Com base no exposto, visando ao alcance dos objetivos deste estudo, construiu-se a seguinte questão de pesquisa a ser respondida: quais nudges poderiam ser utilizados pelas organizações, para prevenção de fraude em programas de integridade?

1.3. OBJETIVO GERAL

O presente trabalho tem como objetivo geral: identificar quais nudges podem ser utilizados pelas organizações, a fim de incentivar a adoção de controles internos eficientes para a prevenção de fraude, em programas de integridade. Em outras palavras, identificar quais nudges podem influenciar a não propensão à fraude, considerando-se os três pilares que levam uma pessoa a ter ações que sejam consideradas fraude: a motivação, a racionalização e a oportunidade.

O estudo será fundamentado na Teoria Institucional, de forma a abordar como as atitudes e comportamentos dos indivíduos em relação à fraude causam impactos nos objetivos das organizações, para definir quais controles internos serão implementados, em conformidade com o programa de integridade, fundamentados na Lei Anticorrupção 12.846/2013.

As definições sobre integridade e fraude serão explicadas no decorrer da presente pesquisa, de forma a: embasar a escolha de nudges a serem implementados pelas organizações;

e incentivar uma escolha livre de controles internos a serem adotados para mitigar o risco de fraude em programas de integridade, de acordo com a Lei Vigente, 12.846.

1.4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

A fim de atingir o objetivo principal, o estudo tem os seguintes objetivos específicos:

1) Caracterizar formas de legitimar a lei anticorrupção e os programas de integridade existentes no setor privado – regulador, normativo ou mimético;

2) Identificar ações que apoiem a legitimação da adoção de programas de integridade de forma mimética;

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3) Analisar quais são os controles chave que mitigam o risco de fraude em programas de integridade, conforme proposto pela Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2015).

4) Identificar características pessoais/profissionais essenciais às pessoas que atuam em programas de integridade, contribuindo com as as áreas de recursos humanos das organizações por traçar um perfil do profissional a ser selecionado.

5) Explorar a compreensão, assim como o desdobramento em ações, do conceito de nudges em programas de integridade;

1.5. JUSTIFICATIVA

A presente pesquisa justifica-se cenário mundial no qual se vem discutindo a transparência nas organizações, como fonte de aprimoramento dos controles e maximização de resultados, de forma ética. No contexto brasileiro, a partir da implementação da Lei Anticorrupção n° 12.846, de 2013 (BRASIL, 2013), muitos atos de corrupção foram deflagrados, aumentando o debate entre Estado e organizações, com relação à necessidade de implantação de programas de integridade nas organizações, de forma a burocratizar as organizações (WEBER, 1968) e minimizar o risco de fraude.

O momento, portanto, demonstra-se oportuno para se estudar o tema de implementação de programas de integridade e como o uso de nudges poderá contribuir para que controles internos sejam adotados, com o objetivo de prevenir fraudes, sendo que a área de integridade, nas organizações, é responsável pela implementação e monitoramento do programa de conformidade, descrito no Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2015). Esse programa utiliza o sistema de controles internos, com o intuito de mitigar os riscos da operação e assegurar a confiabilidade das informações, conforme descrito no inciso VII do art. 42 do Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2015). A mitigação de riscos envolve a detecção e/ou prevenção do risco de fraude.

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1.6. CONTRIBUIÇÕES

Considerando a relação entre as teorias institucional e conceituação de fraude, este trabalho pode contribuir com a Controladoria Geral da União e com as organizações que atuem no Brasil, à medida que discute e busca identificar quais nudges poderão ser utilizados pelas organizações, para prevenção de fraudes, em programa de integridade, de acordo com o Decreto nº 8.420/15 (BRASIL, 2015). Vale ressaltar que esse tema está presente em estudos nacionais, principalmente a partir das operações relacionadas ao combate à corrupção, que têm sido deflagradas.

[...] o compliance não vinha sendo muito difundido nas empresas nacionais. São raras as empresas 100% brasileiras que operam algo dessa natureza. Mas existem milhares de empresas locais, de todos os portes e setores da economia, que já têm conhecimento da nova lei e, nesse momento avaliam como adequar suas operações para essa nova realidade, analisando o impacto sobre os seus negócios, sobretudo, as empresas com maior atuação no setor público (BLOK, 2017, p.92).

Explorar o estudo sobre o uso de nudges para auxiliar na prevenção de fraudes, em programa de integridade, pode representar um ganho para o meio acadêmico, organizacional e para a Controladoria Geral da União. Ao se abordar o tema nudges, há que se respeitar a liberdade de escolha, tanto dos responsáveis pela implementação de programas de integridade, como dos usuários dos programas nas organizações, cabendo conectar essa liberdade de escolha, ao processo de mitigação de fraude, em linha com a Lei 12.846/2013.

Nesse sentido, a contribuição dessa pesquisa está no fato de incentivar, por meio do mecanismo de nudges, cujo custo de implementação é baixo (SUNSTEIN, 2016), as escolhas no sentido de prevenir, detectar e sanar fraudes nas organizações. O processo de mitigação de riscos de fraude diminui a vulnerabilidade das organizações, aos custos de investigações, ou a punições por violação à Lei Anticorrupção, 12.846/2013. Ou seja, a prevenção, detecção e correção do risco de fraude aumenta a lucratividade nas organizações sendo, portanto, fator de contribuição desta pesquisa. Um programa de integridade, implementado em conformidade com as melhores práticas de mercado, diminui sanções diante de eventual violação da referida Lei Anticorrupção, representando minimização de gastos.

Cabe ressaltar que, adicionalmente, o estudo pode contribuir com o desempenho dos indivíduos que atuem em programas de integridade, à medida em que são abordados no presente estudo temas comportamentais referentes a atitudes que possam aumentar o risco de fraude.

Abordando-se a racionalização da fraude, em contraponto à humanização dos nudges, pode-se entender que os nudges contribuem para minimizar esse processo de racionalização da fraude,

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sendo que programas de integridade, se bem implementados, reduzem sanções, pelo fato de evidenciarem uma forte estrutura de controles internos, suficientes análises de riscos, periódicas e comunicação voluntária de violações cometidas, às agências regulatórias. Ao reduzir sanções, por meio de contratos de leniência, as organizações melhoram sua reputação, o que aumenta o valor de suas ações e, assim, seu valor de mercado.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

A fim de alcançar os objetivos da pesquisa, apresentam-se neste capítulo alguns elementos teóricos, para fundamentação do estudo, elencados mediante revisão da literatura sobre o conceito de fraude, ética, teoria institucional e programa de integridade .

2.1 CONCEITO DE FRAUDE

Com o aumento das discussões sobre fraude, a promulgação da lei anticorrupção e a ampliação da necessidade de um ambiente organizacional com melhores controles internos (integração de sistemas, por exemplo), as organizações passaram a valorizar a importância de Governança e de compliance, sem considerar seus conceitos como mero cumprimento normativo, mas entendendo-os como um conjunto de regras e normas, procedimentos éticos e legais, que visam a orientar o comportamento da empresa, no mercado em que atua; além disso, tem-se entendido que tais programas devam modificar as atitudes e os comportamentos dos funcionários, dentre eles, os profissionais responsáveis pela implementação da área de programa de integridade (CANDELORO; RIZZO; PINHO, 2012).

Da parte do Governo, após a promulgação da Lei Anticorrupção, os órgãos regulamentadores e fiscalizadores, como por exemplo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), passaram a ter uma responsabilidade maior, no sentido de implementar controles que mitiguem operações fraudulentas, nas organizações, durante suas análises. Da parte das organizações, metodologias que abordam o gerenciamento de riscos foram desenvolvidas e vêm sendo aplicadas. Como exemplo, cita-se a ISO 31000 (International Organization for Standardization – Organização Internacional para Padronização), criada em 2009, com o objetivo de fornecer um padrão de controles internos voltados ao gerenciamento de riscos. A ISO 31000 criou uma ferramenta para gestão de diversos tipos de riscos, a ser otimizada em qualquer organização, independentemente do segmento em que esteja inserida e de seu porte.

Outra iniciativa do setor privado no processo de desenvolver ferramentas para orientação sobre controles internos, gerenciamento de riscos e prevenção de fraude, é o projeto do Committee of Sponsoring Organizations of Treadway Commission (COSO – Comitê de Organizações Patrocinadoras da Comissão Treadway). Essa ferramenta, desenvolvida pelo COSO, auxilia as

Referências

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