• Nenhum resultado encontrado

Revista Casamata

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Revista Casamata"

Copied!
11
0
0

Texto

(1)

EM MÉDIA, ESTÁDIOS CATARINENSES NAS

SÉRIES A E B 2016 TIVERAM POUCO MAIS DE

UM QUARTO DE SUA CAPACIDADE OCUPADA

POR JOGO: O QUE EXPLICA OS NÚMEROS

BAIXOS E COMO OS CLUBES TRABALHAM

PARA ATRAIR O TORCEDOR?

JUNHO DE 2017 - ANO I - N

º 0001

VAZIO

> EXTERIOR: ENTREVISTA

(2)

índice

PÁGINA 9

Público: como os clubes

trabalham para atrair mais

torcedores aos estadios

PÁGINA 12

Taticamente: Como a

Chape se reconstrói

dentro de campo

PÁGINA 6

Entrevista. Hemerson

Maria: objetivos e desafios

de ser treinador

PÁGINA 15

Exterior: Guilherme

Siqueira fala da carreira de

sucesso na Europa

PÁGINA 18

Após episódio trágico,

Kindermann volta a ativa

com futebol feminino

12

6

15

18

9

Esta revista foi elaborada pelo

acadêmico Bruno da Silva, como

trabalho de conclusão de curso de

Jornalismo da Universidade Federal

de Santa Catarina, sob orientação da

Prof. Dra. Tattiana Gonçalves Teixeira.

Todo o conteúdo foi produzido

exclusivamente para o projeto. Por

ser um projeto de conclusão, esse

trabalho não possui fins comerciais ou

lucrativos

Edição, arte, infografia

e diagramação

Bruno da Silva

Equipe de redação

Bruno da Silva

Lucas Martins

Mariana Garboggini Sá

Vinícius Dutra

Fotos

Agência EFE

Bruno da Silva

Divulgação clubes

Getty Images

Foto de capa

Getty Images

Logo

Amanda Ribeiro Marques

Luiz Fernando N. Menezes

Sônia Cristina dos Santos

Impressão

Duplic Digital

Junho de 2017

Universidade Federal de Santa

Catarina

Centro de Comunicação e

Expressão

Departamento de Jornalismo

Foto: Divulgação/Joinville EC

Foto: Divulgação/SE Kindermann Foto: Divulgação/Valencia CF

Foto: Sirli Freitas/Chapecoense

A

edição número 1 de ‘Casamata’ é, acima de tudo, a

materialização de uma trajetória, sempre voltada

para a aquisição de conhecimento relacionado ao

esporte. O pré-projeto desta revista, que aborda

as-suntos relacionados ao estado de Santa Catarina, foi

adiantado no segundo semestre de 2016 e esta

pu-blicação foi desenvolvida entre março e junho deste

ano, mas o produto final é o resultado de toda uma

vida dedicada à leitura, pesquisa e gasto de tempo para adquirir e

ab-sorver a maior quantidade de informações possível sobre futebol.

A proposta desta edição é trazer à tona narrativas pouco contadas,

personagens com pouco espaço e memórias que devem ser

preser-vadas em um estado que tem muita história – exemplificada pelos

12 campeões estaduais que não jogam mais profissionalmente. Um

aspecto que circula por toda a publicação é a força de vontade de

pes-soas para com os seus clubes. Distante dos palcos mais glamorosos

desse esporte que faz circular tanto dinheiro, pessoas batalham para

que suas paixões continuem vivas.

‘Casamata’ também apresenta números, estatísticas e gráficos,

utilizados para que formem sequências de fatos e compunham

nar-rativas relevantes, que ajudem a entender outro lado do futebol: o

negócio.

Espera-se que ler ‘Casamata’ seja, além de uma fonte de

informa-ção, uma experiência de construção de conhecimento. Sem a

preten-são de ser perfeita, a revista espera ser relevante para quem a produz,

lê e se relaciona com os temas abordados.

Aproveite!

editorial

Bruno da Silva

[email protected]

(3)

redes sociais

http://paixao.com.br

A

pauta jornalística tem várias definições, mas, basicamente, é um instrumento de orientação para repórteres e produtores. Na maioria das vezes, o jornalista tenta pensar em um roteiro para desenvolver, inclusive com previsões de pergunta aos entrevistados. Mas, não é raro que o produto final tome rumos diferen-tes do que inicialmente foi pensado. Aqui, a ideia inicial era falar sobre a irreverência e as diferentes estratégias das redes sociais do In-ternacional de Lages. Mas, a repor-tagem produzida é muito mais do que isso. É uma história de como a paixão do torcedor pode ajudar a reerguer um clube de futebol.

“Quando você for escrever o texto, escreva tudo em caixa alta e negrito, que será o estagiário do In-ter de Lages falando”. É assim que o social media do Colorado Lageano, Patrick Cruz, 39, resume o espírito de seu trabalho.

Resumir a função dele a apenas

social media do Inter de Lages é

um equívoco. Conhecido nas redes sociais como ‘estagiário’ do Inter, Patrick atu-almente é vi-ce-presidente do clube. Mas a sua li-gação com o Colorado co-meçou bem antes dele ascender a essa posição. O início de seu trabalho na internet foi anterior ao retorno do Colorado à elite do futebol catarinense em 2015, ainda como meio informal de notícias da equipe.

“Em meados da década passada, o Inter estava com muitos problemas, dentro e fora de campo.

Em 2008, o Inter acabou rebaixado para a terceira divisão estadual e a administração era ruim… Quando a gente começou, nem havia Facebook, usávamos o Orkut e eu administrava uma página lá. Usávamos esses canais para algum tipo de canal de informação. As vezes as pessoas não tinham nem como se informar direito sobre o clube,

por-que não tinham onde encontrar. Eu ia no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF, no Google para informar o torcedor. Foi como começou”, explica.

O Colorado possui seis programas de sócio, com valores variando entre R$ 20 e R$ 120. Atualmente o clube tem cerca de 1,5 mil associados, mas apenas um terço deles é adimplente. Assim como em outras áreas, é comum na Serra Catarinense que o torcedor tenha um clube ‘grande’ e tenha simpatia pelo Inter. O clube considera que o potencial de sua torcida gira em torno de 330 mil pessoas, a população da região serrana.

Patrick Cruz é jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1999 e atuou por mais de 15 anos como jornalista de economia, passando por Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Portal IG, Revista Exame e Veja. Atualmente, é redator-chefe da revista GQ no Brasil. Patrick mora em São Paulo, mas nunca abandonou o seu time do coração. A partir de 2011, as redes sociais - ainda não-oficiais - foram ganhando ou-tras plataformas: Facebook, Instagram e Twitter eram as novas fontes de informação do Leão Baio, que viu sua fama aumentando.

Mesmo com o crescimento nas redes sociais, o Inter continuava nas divisões inferiores do futebol catari-nense. E a transformação dos meios de comunicação de Patrick Cruz para oficiais tem tudo a ver com a consolidação do clube no cenário do esporte do estado. “No fim de 2012, eu e algumas pessoas nos reunimos para tirar o presidente anterior. E, depois de muitas conversas, negocia-ções, ele saiu depois de mais 20 anos no comando do clube e esse grupo

assumiu a diretoria. Assim, os canais informais, que já tinham um bom número de seguidores, e já eram fonte de notícia, foram oficializados. Até para não começar-mos do zero, fizecomeçar-mos isso. Esse grupo, que foi formado em 2012, já mudou e eu sou o único que permaneceu. Eu sempre administrei as redes sociais mesmo de longe. Fazia e ainda faço voluntariamente, apesar de hoje eu participar das decisões do clube”, diz.

Na mudança de comando, em 2012, o presidente foi José Carlos Susin (Zezé), campeão estadual como jo-gador em 1965 - o ídolo do clube é hoje presidente do conselho deliberativo. Patrick Nunes e Mauricio Neves de Jesus, autor do livro “Aquelas Camisas Vermelhas”, que conta a história do Inter, foram os líderes e idealiza-dores do “levante” e está temporariamente afastado do trabalho no Inter, embora ainda contribua em algumas ações. No momento, o presidente é Cristopher Nunes, que não estava no grupo inicial.

Depois dessa mudança na administração, o Colorado vem subindo degraus. Foi campeão da terceira divisão estadual em 2013, da segunda em 2014, o que recolocou o Inter entre os grandes do futebol catarinense. Em seu retorno à elite do Catarinense após 13 anos, alcançou a quarta colocação, uma das cinco melhores campanhas do clube na história e a melhor em 30 anos, além de levar de volta o clube para competições nacionais (Série D e Copa do Brasil) depois de 49 anos de ausência

As redes sociais

Patrick reconhece que não é o ideal administrar as redes sociais de tão longe, já que algumas novas ferra-mentas de publicação instantânea, como InstaStories e

Snapchat, são impossíveis de serem utilizadas de longa

distância. Mesmo assim, o jornalista se diz muito orgu-lhoso do trabalho que faz, sozinho, já que o clube, por conta do dinheiro limitado, não tem uma assessoria de imprensa. O orçamento para o ano é de cerca de R$ 1,5 mi, oriundos de cotas de televisão, patrocínios, bilhete-ria e sócio-torcedor. A folha salabilhete-rial para a Série D é de

R$ 60 mil. No Estadual, o valor era quase o triplo. Essa diminuição para a competi-ção nacional foi uma estratégia do clube para reduzir gastos.

“O Inter tem um peso muito grande de dívidas contraídas por administrações passadas. Desde 2013, temos um acordo com a Justiça do Trabalho pra pagar pau-latinamente pendências com ex-atletas e funcionários. Esse dinheiro vai para um fundo, que depois é distribuído pela justi-ça, em concordância com os advogados”, explica.

Ver a popularização e o crescimento da marca Inter de Lages no Brasil, compara-do ao que existia há 10 anos, é o que o faz mais feliz. “Se você procurasse no Google ‘Inter de Lages’, em 2009, você não

encon-trava nada. Absolutamente nada. Tinha um verbete no

Wikipedia, com duas linhas. Agora está atualizado, e

quem escreve sou eu. Eu mesmo faço os releases, falo com a comissão técnica, faço mail-in, e mesmo não

es-tando lá, estou sempre atualizando as redes so-ciais, tem notícias todos os dias. Tenho um en-volvimento como torce-dor, mas também como profissional, gosto das coisas bem feitas. Doía ver o Inter ser tratado como qualquer coisa”, admite.

Mesmo com essas dificuldades, as páginas oficiais do Internacional de Lages estão sempre atuali-zadas. Todos os jogos, todos os gols, de todas as competi-ções, estão organizados no Youtube. No flickr, são mais de oito mil fotos disponíveis, colaboração de fotógrafos da cidade, que também fazem o trabalho de graça. Greik Pacheco, Fom Conradi, Nilton Wolff e Zé Rabelo são os mais assíduos, mas há outros, que contribuem com me-nos frequência; Leandro Barroso colabora com o design gráfico.

Fom Conradi, tem sua agência própria, a Fomtogra-phy, e produz material para outras agências e veículos. O trabalho voluntário que ele e outros fotógrafos fazem ao Inter de Lages, fornecendo as fotografias de graça, é a forma que encontraram para ajudar o time da ci-dade. Seu primeiro trabalho para o clube foi em 2014. “Fui convidado pelo Dr. Maurício Neves para fotografar

>>

PÁGINAS DO

INTER DE LAGES

NA INTERNET GANHAM RECONHECIMENTO COM BOM HUMOR E

FANATISMO ABASTECIDAS COM TRABALHO VOLUNTÁRIO DE APAIXONADOS PELO CLUBE E PELA CIDADE

O início do trabalho de

Patrick foi anos antes do

retorno do Colorado à elite

do futebol catarinense

ainda como meio informal

>

por BRUNO DA SILVA

“Eu sabia que o

Inter não era só

aquela foto amarela

na parede, não era

um time qualquer”

o ‘Leoa do Mês’, na revista O Bem Amado, projeto focado no Inter que circulou até 2015. Esse editorial de linge-ries foi meu primeiro trabalho especificamente para o Inter”, relembra. Fom conta que sempre envia fotos du-rante o jogo, para que elas possam ser divulgadas pelas redes sociais do Colorado.

O crescimento do Inter de Lages não só na esfera estadual, chamou atenção do Confederação Brasileira de Futebol, que publicou em seu site oficial o material enviado pelo Colorado. Mais uma pequena conquista para quem começou todo esse trabalho do zero. “Dá or-gulho, porque é uma coisa do torcedor tirar o time das profundezas. Sendo um torcedor mais velho, eu já tinha visto o Inter fazer grandes campanhas. Eu sabia que o Inter não era só aquela foto amarela na parede, não era um time qualquer, eu tinha essa convicção, não só como torcedor, mas também como conhecedor da história do futebol catarinense”.

Patrick nunca viu o Inter de Lages campeão da elite do Catarinense. O único título importante foi em 1965. Mas o orgulho do ‘estagiário’ é ver o clube de volta ao cenário que ele merecia. Mas, a trajetória do Colorado não acaba aí. E uma inspiração que vem do Oeste o faz acreditar. “A Chapecoense, por exemplo, há 10 anos, era um clube mais ou menos do tamanho do Inter, e o gru-po, que antes era de quatro grandes no estado, agora tem cinco. Outra convicção que eu tenho, é que daqui há 10 anos, esse grupo de cinco grandes, terá seis grandes e o sexto será o Inter. O Inter sempre teve grande torcida. Na 3ª divisão, houve anos que teve média maior que o Avaí. A torcida se importa com o time, então, ao decorrer dos anos, eu espero que o Inter se inclua nesse grupo. E não descanso enquanto isso não acontecer”.

Atacante Abner comemora gol da vitória por 1 a 0 sobre o Novo Hamburgo (RS): Internacional disputa a Série D pelo segundo ano seguido Foto: Fábio Riscarolli/Inter de Lages Fom tem sua própria agência, mas sempre colabora com fotos para as páginas do Inter

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

(4)

O dom de

LIDERAR

A

história de como Hemerson Maria tornou-se técnico de futebol está ligada a sua falta de habilidade com os pés. Dife-rente de casos onde jogadores, após suas carreiras profissionais, mantém--se no mundo do futebol, mas com uma nova função, resolveu pular uma etapa. Hemerson encontrou no papel de coman-dante uma forma de utilizar o dom que sempre teve para ser um líder.

Sua trajetória é marcada por impor-tantes metas alcançadas. Referência no desenvolvimento, organização em cate-gorias de base e revelação de jogadores, o treinador elevou seu patamar, conquistan-do títulos importantes e também fazenconquistan-do campanhas relevantes, principalmente no futebol de Santa Catarina.

Quem conhece Hemer-son, ou mesmo só o viu na televisão e o ouviu no rádio, percebe sua personalidade serena, calma, de quem sabe o que está falando, porque se preparou para isso. O técnico não se esquiva de assuntos polêmicos e não se impõe no grito, mas no conheci-mento e na experiência que adquiriu. Convicto de sua

capacidade, continua se aperfeiçoando e se capacitando, para seguir ascendendo na carreira que escolheu.

Hemerson Maria, 45, atualmente no Vila Nova-GO, um exímio conhecedor do trabalho em uma Casamata, falou sobre sua origem, seus trabalhos, planos e sobre o que é ser técnico no Brasil.

Falta de talento no futebol e início como treinador

Iniciei jogando com meus tios, time de várzea e com 8 anos ingressei nas catego-rias de base do Figueirense e fiquei lá até os 20 anos. Vi que eu não tinha muito ta-lento, mas persisti um pouco mais, joguei na segunda divisão do Catarinense pelo Flamengo de Capoeiras. Mas aí com 23 anos, percebi que eu não ia chegar muito

longe e desisti da carreira como jogador profissional, mas eu sempre fui um líder dentro de campo, sempre fui capitão dos times que eu joguei, até quando era ado-lescente, eu era capitão em times de várzea. Ser líder era meu dom. Aí eu me dediquei aos estudos, comecei o curso de Educação Física e em 1995 comecei a trabalhar como treinador no projeto Moleque Bom de Bola em Antônio Carlos e eu fui fazendo essa es-cada, construindo minha carreira a partir daí, sendo meu primeiro clube realmente o Guarani de Palhoça, onde cheguei a trei-nar o time profissional em 2001.

Categorias de base do Figueirense Cheguei no Figueirense em setembro de 2001, e, neste mesmo ano, o Figueirense

conseguiu o acesso à Série A do Brasi-leiro, com nenhum jo-gador sequer vindo das categorias de base. No final deste ano, o p r e s i d e n t e Paulo Prisco fez uma reunião e colocou como meta para o ano de 2002 o time ter pelo menos dois jogadores da base no time profissional. Acabou que a gente terminou esse ano com 10 atletas formados no clube no elenco. Nós superamos a meta. Aí o Figueirense foi se estruturando e se tornou clube modelo na categoria de base. Nós profissionaliza-mos toda essa parte das categorias de base. Naquela época, estavam comigo o Erasmo Damiani, que trabalhou na CBF, o Rogério Micale, treinador, Raul Cabral, treinador do Tombense, Fernando Gil, Tomas Koeri-ch, observador da CBF… uma turma mui-to boa. O clube viveu um momenmui-to espeta-cular na questão de formação. O ápice foi na decisão da Copa do Brasil 2007 contra o Fluminense, quando dos 18 jogadores rela-cionados, 14 eram formados no Figueiren-se. Participei da formação de André Santos

>>

Hemerson Maria fala de sua carreira,

objetivos, experiências e obstáculos de ser

técnico no Brasil

(ex-Seleção Brasileira), Felipe Santana (Atlético-MG), Filipe Luís (Atlético Madrid), Roberto Firmino (Liverpool), Clayton (Corinthians), Guilherme Siqueira (Valencia), vários joga-dores, que se eu for citar todos, vamos ficar aqui por muito tempo.

Transferência Figueirense-Avaí e chance no pro-fissional

Fiquei 10 anos no Figueirense e, no meu último ano, em 2010, fui auxiliar-técnico do Márcio Goiano, quando o time conseguiu novo acesso à Série A. E eu vi que já tinha passado por todas as categorias, e que não tinha mais espaço ali, e o próximo passo seria ser treinador profissional. Então recebi proposta para que ajudasse a organizar o departamento de base do Avaí. Che-guei no clube em janeiro de 2011. A

gente reformulou, junto com o Diogo Fernandes, que é hoje o coordenador, e ali surgiu o Rodinei (Flamengo), Luciano (Leganés-ESP), Walace (Hamburgo) e outros vários jogado-res, sendo que o último jogador de importância que o Avaí tinha revelado era o Marquinhos, praticamente, a partir dali isso cresceu. Hoje o time tem jogadores em seleção de base, antigamente nem jogava Copa SP de Futebol Júnior, então isso foi um marco na retomada do time no trabalho de base. Permaneci esse ano na base e, em fevereiro de 2012, num belo dia, o Carlos Arini (então diretor de futebol) telefonou

para minha casa para que eu comparecesse a uma reunião à tarde. E aí, para minha surpresa, não era para auxiliar o Emerson Nunes, e, sim, para assumir o comando. Fomos conseguindo resultados, sequência de vitórias, vencemos a semifinal da Chapecoense, fomos campeões contra o Figuei-rense. Fizemos um trabalho de resgate da autoestima dos jo-gadores, trabalhamos a questão de motivação, e eu contava com vários jogadores experientes, então ajeitamos posicio-namento e, com uma defesa forte, ganhamos confiança e

caminhamos rumo ao título.

Experiência no Red Bull Brasil e CRAC-GO

A experiência que tive no Red Bull Bra-sil me auxiliou muito em minha formação. Às pessoas que traba-lham comigo, indico que trabalhem por lá e anualmente eu faço uma visita lá. Eles são filiados ao RB Salzburg, da Áustria, então, todos os treinadores falam inglês e trimes-tralmente viajam à Europa para fazer aperfeiçoamento, e vêm profissionais para cá também, como um intercâmbio. Aprendi demais. Depois fui para o CRAC-GO, onde salvamos o time do rebaixamento e fizemos grande campanha na Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Santos. O trabalho lá foi também muito fora de campo pela falta de recursos. Um dia antes do meu primeiro jogo, após o treino, diferente do

comum, os jogadores estavam pegando o carro e indo em-bora. Chamei o diretor do clube e perguntei o que aconteceu e ele me disse que eles estavam indo para casa e só voltariam à noite. Mandei voltar todo mundo, como que o jogador vai ficar solto um dia antes do jogo? Aí reuni todo eles e quando levei os jogadores para o hotel, perguntei para o supervisor sobre o cardápio do almoço. E ele me disse: ‘Como cardápio?’ Eles não tinham nada. Então liguei para amigos meus para desenvolver isso. Ajudei até nesse processo de profissionali-zação do clube.

Sentimento em relação ao Joinville

Eu fui contratado em dezembro de 2013, para fazermos um trabalho de reformulação que resultou no título da Série B em 2014, o título catarinense em 2015 (que acabou sendo transferido ao Figueirense por conta de uma escalação irre-gular), que nós ganhamos no campo, e eu permaneci cinco rodadas na Série A, quando eles optaram pela minha saída. Eu não tenho nenhuma mágoa com o Joinville, muito pelo contrário, só tenho que agradecer, porque o tempo que pas-sei lá fui muito bem recebido. Só que é a pressão de um time pequeno jogando a Série A e começa mal; aí tem pressão da imprensa, do torcedor, e eles acharam que era o melhor momento para mudar e eu acatei. Tanto é que eu voltei para lá em 2016 e tenho uma boa relação com todos, é um clube maravilhoso de trabalhar e torço muito por eles. O que eu faria de diferente, na época, é que eu montaria o time para a Série A desde o começo do ano, não deixaria para investir apenas depois do Estadual, porque aí o mercado fica mais inflacionado e é mais difícil contratar.

“Com 23 anos,

vi que não ia

chegar muito

longe e desisti

de ser jogador”

Foto: Divulgação/Joinville EC

“Acredito em trabalho

semanal, planejamento,

atendimento individual

e em grupo. E não vou

mudar meu perfil, não”

entrevista

Primeiro título veio com o Avaí em 2012

Foto: Jamira Furlani/A

vaí FC

Falta de oportunidades em times maiores Em 2014, quando eu estava no Joinville, éramos líde-res da Série B, e, como eu estava me destacando, recebi três propostas para trabalhar na Série A daquele ano, de fora do estado, mas optei por ficar no Joinville. Então saí do JEC na metade de 2015, e aí, o que muita gen-te desconhece, eu tive um problema de saúde e fiz uma cirurgia de quadril, para implantar uma prótese. Então eu fiquei esses seis meses finais do ano me recuperando, e em 2016, o primeiro convite que recebi foi justamente do Joinville. Mas, nesse período que estava me recupe-rando, recebi propostas de diversos clubes: Goiás, Ceará, Fortaleza…

Pressão em Fortaleza

O Fortaleza não sobe para Série B não só por falta de sorte e ansiedade. Tem o fator psicológico, mas também por conta de má administração, falta de planejamento e organização e também muita pressão, porque é uma ci-dade muito dividida entre dois times e sofre muita influ-ência da torcida. É um time de Série C, mas uma torcida de Série A. O presidente, por exemplo, está em mais de 60 grupos de WhatsApp, imagina o que é isso após uma derrota? Foram duas derrotas em 13 jogos sob meu co-mando, mas acabei sendo demitido após ser eliminado na Copa do Brasil. 2001 Guarani de Palhoça 2001-10 Figueirense Cat. base 2011-12 Avaí Campeão Catarinense 2012 2013

RB Brasil CRAC-GO Avaí

2014-15 / 2016 Joinville Campeão Série B 2014 Vice Catarinense 2014-15-16 2016-17 Fortaleza 2017 Vila Nova

TRAJETÓRIA

Nova geração de técnicos Vejo como muita positiva essa mudança, com a entrada de novos nomes no cenário do futebol brasileiro. O futebol evo-luiu muito e quem não estudar, não se atualizar, vai ficar para trás. O brasileiro, até por uma questão cultural, acha que já nasceu com o dom, que ele não precisa estudar. Todo o futebol sul-americano evoluiu, en-quanto achamos que ganharía-mos só com talento individual. Por isso, todo ano, procuro me atualizar, participar de cursos, sair para conversar com outros treinadores.

Postura calma como técnico

Quando um time tá mal, normalmente se diz que o grupo de jogadores está rachado e que precisam de um treinador disciplinador que vai gritar, mas isso aí é uma situação imediata, paliativo. Eu acredito num trabalho semanal, planejamento, trabalho audiovisual com os jogadores, individual e em grupo. E não vou mudar meu

perfil, não. Eu tenho esse jeito tranquilo, mas no treinamento eu cobro muito. Du-rante o jogo, não adianta gritar muito. A discussão com bandeira, árbitro, torcida, adversário, só faz perder o foco no jogo.

Planos para o futuro

Eu penso em me fixar como um treina-dor de Série A no Campeonato Brasileiro, trabalhar em equipes do eixo Rio-São Pau-lo. Não adianta chegar a um time gigante, o que eu acho que ainda não estou preparado. Mas, sempre estou trabalhando com muita calma, galgando degrau por degrau. Além de futebol, eu faço cursos na área de psico-logia, tudo que se relaciona ao rendimento do atleta, eu estou sempre estudando. Mercado para técnicos negros

Isso é um tema que muita gente foge, mas nós negros temos uma certa dificuldade. Eu sinto que, dependendo da região, do clube, há um certo preconceito. Eu não so-fri isso, mas não sou hipócrita. Existe e é uma coisa ve-lada. Eu conheço vários treinadores negros que possuem muita capacidade, mas que têm um espaço limitado no futebol.

(5)

RESISTÊNCIA

APOIADO EM

SONHOS

>>

sem incentivo de empresários, prefeitura ou federação,

imbituba

parte da terceira divisão pela força de vontade

de diretoria e atletas

>

por BRUNO DA SILVA

L

onge do dinheiro, das grandes arenas, das telas de televisão, clubes por todo o Brasil sobrevivem à mercê dos sonhos que os movem. O Imbituba Futebol Clube é um clube-empresa fundado em 2007 com futebol profissional que, em uma ascensão surpreendente chegou até a elite do futebol catarinense em 2010, quando terminou a competição em quarto lugar. Mas a falta de patrocínio, de apoio da cidade e da Federação não permitiram ao clube a estabilidade necessária para continuar crescendo. Entre 2014 e 2015, temendo pela falta de recursos para honrar com seus compromissos, o Imbituba esteve licenciado das competições oficiais, e, desde o ano passado, retoma sua caminhada da ter-ceira divisão estadual.

A Série C de SC é composta por cinco times, portan-to, cada um tem apenas oito jogos oficiais garantidos para todo o ano, distribuídos entre junho e agosto. Como um incentivo à utilização de jovens atletas,

cada clube só pode inscrever três jogadores acima de 24 anos. O gasto total do Imbituba para a disputa da competição é de cerca de R$ 250 mil.

De acordo com o fundador e diretor-proprietário, Roberto Luiz Rodrigues, 57, que também é vereador da cidade, o clube não recebe nenhum apoio financei-ro da Federação Catarinense de Futebol - informação confirmada pelo assessor de imprensa da FCF, Alexan-dre Monteiro - e os gastos e taxas de arbitragem, poli-ciamento, ambulância e transportes são inteiramente cobertos pelo Imbituba, que busca patrocínios e apoio da prefeitura para viabilizar seu funcionamento. Por jogo, os gastos totais giram em torno de R$ 4 mil. A renda dos dois jogos do Imbituba no primeiro turno da competição foi de R$ 2,8 mil, com 300 pagantes totalizados.

O que inspira alguém a investir seu tempo e insistir em continuar esse projeto? Para Rodrigues, o desejo de ajudar a cidade e os jovens a alcançarem seus sonhos é o que ainda o move. Mantendo a esperança de ver o Imbituba de novo entre os grandes, mas com pés no chão, o diretor espera que ao menos deixar uma mar-ca para a cidade de 40 mil habitantes.

“Gradualmente, com a experi-ência que eu adquiri, acabei desco-brindo que o futebol é interessante para as cidades, para os jovens, para as famílias. Não tenho mui-ta pressa de subir. Se tivéssemos apoio financeiro podíamos voltar, mas sozinho eu não consigo. É im-portante que prefeitura e empre-sários se esforcem para manter as crianças sonhando e manter esco-linhas na cidade Hoje a nossa meta é devolver o futebol para a cidade e dar oportunidade aos jovens para sonhar. Se tivéssemos mais par-ceiros que ajudassem e tivessem interesse, poderíamos voltar para a divisão principal”, garante.

O clube tem uma área de 40 mil m² no centro da cidade, onde está o Estádio Emília Mendes Rodrigues, com capacidade para 5 mil pessoas, e também dois campos para treina-mento, e alojamento. Além da Tercei-ra Divisão, que é disputada pelo time profissional, o Imbituba participa dos campeonatos catarinenses do mesmo escalão nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20.

O técnico Walter José Roussenq Sou-za, 46, destaca que seu grande objetivo, além dos resultados dentro de campo, também é dar oportunidade aos atle-tas se destacarem. O elenco começou a pré-temporada cerca de 20 dias antes de estrear na Terceira Divisão. O plan-tel é composto por jovens de diversas localidades - São Paulo, Rio Grande do Sul, outras cidades de SC -, indicados por empresários e conhe-cidos do clube. Neste ano, ocorreu uma seletiva antes deles serem incoporados ao clube ou não. Souza afir-ma que a afir-maioria dos selecionados já chega com uafir-ma preparação física razoável, e que, pela falta de tempo de trabalho, os que precisam de mais aprimoramento normalmente são dispensados.

“Temos sempre um cronograma de trabalhos para semana, para nos assemelhar o máximo pos-sível a uma equipe grande. Essa rotina é importan-te, porque, se algum jogador se transferir, ele já está mais preparado. Nosso objetivo é dar chance para os garotos realizarem seus sonhos e chegarem a times maiores, até porque, se alguém for negociado, o clube tem uma participação financeira”, conta o técnico.

Alguns jogadores se profissionalizaram exclusi-vamente para a disputa da competição, processo que custa aproximadamente R$ 5 mil, pagos pelo joga-dor. Com salários simbólicos, esse é um gasto rela-tivamente alto, mas que vale a pena para seguir em busca do sonho. O volante Willian Leonel da Silva, 21 anos, atuou nas categorias de base do Figueirense e

Por jogo, os gastos totais giram

em torno de R$ 4 mil. A renda

dos jogos do Imbituba no

primeiro turno da competição

foi de R$ 2,8 mil e 300 pagantes

do Guarani de Palhoça, mas nos últimos anos dispu-tou campeonatos amadores da Grande Florianópolis e foi indicado para a diretoria do clube. Até pela idade, ele não hesitou em agarrar a chance de ter sua carteira de trabalho assinada como jogador profissional.

“Trabalhava em uma farmácia há três anos e es-tava no segundo semestre da faculdade de Educação Física, mas deixei isso para trás para jogar no Imbitu-ba. Fiz isso porque eu me vejo em condições de jogar profissionalmente e chegar entre os melhores, alcan-çar coisas grandes. Eu nunca desisti. Com 21 é mais di-fícil de se profissionalizar, essa foi uma oportunidade que eu tive e aceitei para tentar realizar o meu sonho”, explica.

Abastecido por sonhos dos jogadores, do técnico e dos dirigentes, o Imbituba é só um exemplo do que acontece nos rincões do futebol brasileiro: poucos re-cursos, mas insistência para buscar os objetivos.

Volante Willian assinou primeiro contrato profissional com o Imbituba

Foto: Divulgação/Imbituba FC

Presidentes do clube (esq) e da FCF, Rubens Angelotti, se reuniram antes do início da Terceirona Foto: Divulgação/FCF /

como atrair

o torcedor?

O

s fatores que mais afastam o torcedor catarinense do estádio são

custos, programação esportiva na televisão, compromissos e falta de sucesso. É o que aponta uma pesquisa que ouviu 4.976 pessoas, realizada por Gabriela Pauline Stähelin em 2016 como Trabalho de Conclusão de Curso na Universidade do Sul de Santa Catarina.

Apesar dos custos serem apontados como maior problema, se-gundo o IBGE, SC tem o quarto maior PIB per capita do Brasil - R$ 36.055,00 -, apenas atrás de São Paulo, Distrito Federal e Rio de Janeiro. O Campeonato Catarinense de 2017 teve média de 2.986 torcedores, o que representa 23% de ocupação - em relação à edição anterior, houve um crescimento de apenas 1,8%. O ticket médio foi de R$ 18, valor igual ao dos Campeonatos Baiano e Goiano. Se comparado a outros estaduais de maior importância, o valor fica bem abaixo. Um ingresso para o Paulistão custou em média R$ 40. No Rio de Janeiro, R$ 38, no Rio Grande do Sul, R$ 39 e no Campeonato Mineiro, R$ 27.

Em 2016, por conta das novas arenas e de administração mais inteligentes de alguns clubes, a taxa de ocupação do Campeonato Brasileiro da Série A foi de 42%, quase o mesmo número do Brasileiro anterior (43%), segundo números do Globoes-porte.com. Contando somente os times catarinenses que disputaram a competição (Figueirense e Chapecoense), os números caíram mais: 34%. Em 2015, quando quatro

>>

com taxa de ocupação de 29,4% no campeonato

brasileiro em 2016, grandes catarinenses buscam

novas estratégias para empolgar seu público

>

por BRUNO DA SILVA

Foto: Jamira Furlani/Avaí FC

(6)

catarinenses estavam na elite do futebol estadual - os dois comentados anteriormente, além de Avaí e Join-ville -, a taxa de ocupação foi de 44%.

A pesquisa citada acima revelou uma tendência que já foi apontada por outras fontes em âmbito na-cional. Mais do que de seu time do coração, o bra-sileiro gosta de vencer. E os catarinenses também. A oscilação de público para mais ou para menos é muita relacionada ao sucesso da equipe. O exemplo do Joinville é simbólico. O clube teve média de quase 10 mil torcedores no Brasileiro 2014, quando foi cam-peão da Série B, e no ano seguinte, quando estava na Série A. Mas a falta de uma administração eficiente levou o clube para a Série C em 2017. Neste ano, o clube leva em média pouco mais de 2,5 mil pesso-as por jogo. O clube, logicamente, não está satisfeito com esses números.

De acordo com o diretor de marketing do Joinvil-le, Diego Amato, o dinheiro que vem do programa de sócio-torcedor representa um terço do orçamento do clube, que vem caindo desde o rebaixamento à Série B em 2015. Diferente das divisões acima, a Terceirona do Brasileirão não distribui nenhum real em direitos de transmissão - apesar do campeonato ser transmi-tido pelo canal Esporte Interativo. Dois anos atrás, o JEC recebeu R$ 17 mi da TV Globo por conta de sua participação na Série A.

O número de sócios acompanhou essa queda. Em 2015, o clube chegou a ter 12,1 mil torcedores adim-plentes, que representavam uma receita de R$ 800 mil por mês. Em 2016, o time começou o ano com aproximadamente 9 mil associados, e chegou a cair para 3,8 mil em 2017.

Amato conta que o clube precisou refazer total-mente suas

estra-tégias para atrair de volta os torce-dores. “Mudou o site, abordagem nas redes sociais, fornecemos des-contos para sócios que trouxerem outro, criamos o sócio-estudante, que agora tem 50% de desconto. Isso

está ajudando a aumentar os números novamente. Mesmo não vivendo uma boa fase em campo, temos recebido novas adesões todos os dias, por conta dessas ações”, explica.

Atualmente, o Joinville tem 5,8 mil sócios adim-plentes, e a meta é alcançar 8 mil até o fim do ano. O programa “JEC de todos” mais simples custa R$ 9,90, onde o torcedor tem desconto de 20% no ingresso de cada partida. As modalidades que permitem entrada gratuita a todas as partidas na Arena variam entre R$ 65 e R$ 180.

Para o Criciúma, a percepção é que a crise econô-mica é um dos motivos que mais afastaram o sócio--torcedor. Segundo a gerente comercial do Tigre, Vi-viani Olímpio, o clube acredita que a fase vivida pelo time e também a facilidade de se assistir as partidas em casa também influenciam para o esvaziamento do Heriberto Hülse. “Quando estávamos na Série C, conseguíamos encher o estádio em várias oportuni-dades. Então não importa muito a divisão que esta-mos, mas sim a fase que viveesta-mos, que, no momento, não é boa”, admite.

O time do Sul do estado também não está satisfei-to com suas estatísticas. No fim de 2016, o Criciúma tinha 4,5 mil sócios adimplentes. A meta para 2017 era chegar aos 7 mil, mas o número caiu para 4 mil. Longe da Série A desde 2014, quando teve média de público de mais de 9 mil no Campeonato Brasileiro, em 2017, apenas 2.611 pessoas compareceram ao Heriberto Hülse por jogo, apesar de que valor do ingresso médio ser de R$ 17 e, além disso, no Campeo-nato Estadual, cada sócio em dia poderia levar outro torcedor de forma gratuita.

Estratégias de marketing estão sendo desenvolvidas pelo clube. A modalidade mais bara-ta cusbara-ta R$ 10, mas o torcedor não tem direito a ingresso, nem desconto nas entradas para os jogos - esta custa R$ 30 -, e conta apenas com redução de preços na loja do clube e conteúdos exclusivos no site. Os programas que dão acesso livre a todos os jogos cus-tam R$ 90 e R$ 100, e o clube cus-também disponibiliza outras opções para compras em família ou empresas. No total, são 13 possíveis vantagens que se pode ad-quirir sendo sócio do Criciúma.

“Usamos todos os canais de comunicação, redes sociais, tentando motivar o torcedor com contrata-ção, e mostrando coisas positivas para motivar. Em um mês, nós desenvolveremos nova campanha pu-blicitária para buscar novas adesões, mas não dimi-nuiremos os preços. Trabalhamos com as vantagens que o sócio tem além de ir no jogo”, explica a gerente comercial.

O Figueirense vive uma realidade diferente dos últimos anos. Depois de disputar por três vezes em sequência a Série A do Brasileirão, o time foi

rebai-xado e sente os impactos dessa queda no públi-co médio pre-sente no Orlando Scarpelli. O ge-rente de marke-ting, Fernando K l e i n m a n n , admite que o clube não está satisfeito com a presença do tor-cedor em 2017.

Além da diminuição do comparecimento do torce-dor alvinegro, Kleinmann ressalta que o número de torcedores visitantes também diminui com a queda para a Série B. “Os adversários de menor expressão empolgam menos a nossa torcida e, além disso, au-menta a dificuldade da vinda da torcida adversária. Muitos clubes são de cidades distantes e/ou não tem muita tradição”.

O torcedor alvinegro tem três modalidades para se associar ao Figueirense. A categoria ‘Sócio Furacão’

Todas as

competições Brasileiro Estadual Brasileiro Estadual Brasileiro Estadual

Na Série C, o Joinville não

recebe cotas por transmissão

de televisão e o programa de

sócios representa um terço

de seu orçamento mensal

2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 9.000 10.000 11.000 2014 2015 2016 2017

MÉDIA DE PÚBLICO - BRASILEIRO

Chapecoense Criciúma Joinville Avaí Figueirense

Curvas do gráfico mostram tendência de que a fase dos clubes influencia na presença de público do torcedor nos estádios. Em 2015, quando quatro clubes estavam na Série A, todos superaram 7 mil de média de público. Em 2017, Chapecoense e Avaí, que disputam a elite, tem média superior ao dobro de seus rivais. Com exceção de 2014, os maiores números sempre estão com os times da Primeira Divisão. Naquele ano, o Joinville, que teve média próxima a 10 mil, foi campeão da Série B

Fontes: Globoesporte.com, Site Oficial da CBF

Fontes: Globoesporte.com, Site Oficial da CBF - Dados atualizados em 19 de junho de 2017

custa R$ 9,90/mês e dá 40% de redução no valor dos in-gressos de todos os jogos. Nas outras duas, que custam R$ 60 e R$ 120, a entrada para todos os jogos é livre, com a diferença no setor - a mais cara também permite adquirir mais uma entrada com desconto. Além disso, o Figueira ainda tem nove outros tipos de benefícios, que são oferecidos de acordo com o programa escolhido.

O quadro atual de associados adimplente do Figuei-rense é de 8,5 mil torcedores e a meta é chegar aos 15 mil. De acordo com o gerente de marketing, isso in-fluencia em 25% do orçamento anual da equipe. Em relação ao ano anterior, houve uma queda significativa nas cotas de televisão, que é a maior fonte de renda do time. Em 2017, o clube recebeu R$ 6,4 mi, uma redução de R$ 13,6 mi em relação ao ano anterior.

No Avaí, a presença de público de 2017 está dentro do projetado, mas o clube espera que esse número suba no decorrer dos meses. O Leão trabalha com a meta de alcançar sua capacidade máxima de associados - 13 mil - até o fim do ano. Para isso, precisa angariar mais 3,5 mil torcedores para o programa “Sempre Avaí”. Existem quatro modalidades básicas para quem deseja ser sócio da equipe, com valores variando entre R$ 30 e R$ 120, com entrada gratuita em todas as partidas. Existe ainda o plano mirim, para menores de 12 anos, que custa R$ 15 mensais. A outra opção é o ‘Nação Avaiana’, que fornece desconto de 60% na compra de ingressos na Ressacada e custa R$ 20 por mês.

Mais do que de seu time, o

brasileiro gosta de vencer. E o

torcedor catarinense também.

A oscilação de público segue o

sucesso dentro de campo

O acesso à Série A teve influência grande nessas estatísticas. Na metade de 2016, quando estava dis-putando a Segunda Divisão do Brasileiro, o clube tinha 5 mil sócios adimplentes, número que quase dobrou: agora são 9 mil. O diretor de negócios do Avaí, Thiago Pravatto, reforça que estar disputando competições mais importantes é essencial para o sucesso das estratégias de marketing. “A motivação do torcedor e a qualidade do produto/espetáculo é bem superior em relação aos jogos da Série B. En-tão para o sucesso de uma campanha de sócios e também a presença de público no estádio foi fun-damental o acesso”, afirma.

Com o objetivo de aproximar cada vez mais o torcedor do time, o Avaí proporciona experiências para o torcedor no estádio, com promoções nas re-des sociais, como a ‘Ressacada Experience’, onde associados são sorteados para participar de um tour no estádio antes das partidas, além de incre-mentar o programa de sócios com descontos em vários estabelecimentos e na loja oficial. Na visão do clube, isso é essencial para fidelizar o fã.

“Realizamos diversas ações e benefícios para que o torcedor possa consumir cada vez mais o Avaí. A ideia é deixar o time mais próximo do tor-cedor e fazer com que ele sinta a necessidade em estar contribuindo, sempre sendo retribuído de al-guma forma”, explica.

Outra realidade

A Chapecoense atualmente está em outro patamar quando se trata de número de sócios. Com o reconheci-mento que adquiriu em 2016, a Chape criou modalidades diferentes dos outros clubes catarinenses. Além dos planos tradicionais, que permitem a entrada a todos os jogos - que custam entre R$ 65 e R$ 120 -, o clube desenvolveu o ‘Sócio Contribuinte Condá’ e o ‘Sócio Mundo Condá’. Esses não dão direito a entrada gratuita nas partidas, mas re-duzem o valor na compra de ingressos e são uma forma de torcedores e simpatizantes colaborarem. No primeiro, os valores variam de R$ 20 a R$ 100 e, no segundo, entre $ 20 e $ 50 (dólares). A Chapecoense ainda tem parceria com mais de 180 estabelecimentos dos setores de ali-mentação, lazer, automotivo, saúde, onde os sócios têm desconto.

De acordo com Juliana Sá Zonta, gerente de marke-ting, a Chape tem atualmente 45 mil associados adim-plentes entre todas as modalidades - ano passado eram 11 mil, aumento de mais de 300%. Para efeito de compara-ção, os outros quatro grandes catarinenses têm somados 27,6 mil. Toda a comoção que aconteceu no fim do ano passado angariou mais fãs e também mais público para a Arena Condá.

“Há total influência da participação na Libertadores e tudo que o clube

viveu em 2016, sim. A visibilidade da Chapecoense tem aumentado muito nos últimos anos e, em 2017, em específico, estamos vivendo uma situação boa. Tendo como base a última edição do Campeonato

Catarinense, dobramos a presença de público no estádio”, lembra. Na edição do Estadual do ano passado, a Arena recebeu em média 5.679 pessoas por jogo. Em 2017, esse número subiu para 8.405, um aumento de 48%.

Com um quadro de associado já grande, o clube não estipula uma meta para ampliar o número. A ampliação

Todas as

competições

Brasileiro

Estadual

Brasileiro

Estadual

Brasileiro

Estadual

Fonte: Dep. de Marketing dos clubes

“Nossa meta é fidelizar e

manter nossos sócios. Não se

trata de números. Procuramos

proporcionar sempre uma

melhor vivência e satisfação”

do clube de benefícios, campanhas digitais e eventos que envolvam o torcedor são ações desenvolvidas para agra-dar o torcedor. “A nossa meta é fidelizar e manter nossos sócios. Não se trata de números. Procuramos propor-cionar sempre uma melhor vivência e satisfação aos nossos torcedores e simpatizantes”, destaca Juliana.

Foto: Sirli Freitas/Chapecoense

(7)

REFORçAR é UMA

NECESSIDADE

O

objetivo principal do Avaí é permanecer na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Após retornar à elite do futebol nacional com a segunda melhor campanha da Série B, a equipe treinada por Claudinei de Olivei-ra não sofreu gOlivei-randes alteOlivei-rações em linhas gerais em sua estrutura tática e técnica. O exemplo disso foi a solidez defensiva demonstrada no primeiro turno do Campeonato Catarinense, que foi vencido pelo Leão de forma invicta e sofrendo apenas dois gols. Na segunda volta da competição, no entanto, por questões de lesões e relaxamento natural, o conjunto da Ressacada acusou al-gumas debilidades em seu jogo, que podem ser capitais na disputa do Brasileirão.

Um dos pontos a serem melhorados é a falta de profun-didade de elenco, algo que foi evidenciado principalmente no início do returno do Catarinense quando a equipe con-tou com seguidas mudanças em seu onze inicial por conta de ausências dos considerados titulares. Projetando a dis-puta para a Série A, uma competição severamente mais longa, a necessidade de trazer reforços torna-se basica-mente obrigatória. Neste sentido, a

direção precisa buscar nomes para posições específicas como para as duas laterais, volantes, com perfis que sejam diferentes dos atuais, e meia-atacante, função atualmen-te ocupada pelo veatualmen-terano e capitão Marquinhos, que prejudica inten-samente o ritmo do Avaí, que, com ele, conta com possessões lentas e apresenta dificuldades quando o adversário aposta por pressionar alto.

As outras fraquezas estão relacionadas ao jogo do pró-prio Avaí e para abordá-las é preciso entender como joga o time de Claudinei Oliveira. O esquema tático usado é o 4-2-3-1, que prioriza a verticalização e que não costuma circular a bola por longos períodos. Em um contexto em que o adversário obriga-o a propor a partida, o natural é que o time não apresente argumentos/mecanismos para essas situações, caindo no chamado “atasco” ofensivo, onde o circuito de passes acaba sendo horizontal, envol-vendo zagueiros e volantes. E diante de marcações adian-tadas, o tema Marquinhos surge. Para fugir disso e ganhar desafogo e ritmo, a ação dos laterais é fundamental.

O momento defensivo do Avaí é marcado pela varia-ção para o 4-4-2 (4-4-1-1 se esmiuçado) para cobrir os espaços sem a bola. É nesta fase que os melhores aspectos coletivos da equipe surgem. A variação do bloco fica entre médio e baixo, com marcações mescladas entre individu-ais (as perseguições são curtas) e por zona. Desta forma, o time consegue curto-circuitar o adversário em saída de bola, ou seja, eliminar basicamente quase todas as linhas de passes em zonas importantes do campo, criando assim uma constante vantagem defensiva sobre o rival. Neste sentido, a partida realizada contra o Joinville, pela quinta rodada do returno do Catarinense, serve como um grande exemplo: em nenhum momento do primeiro tempo o JEC conseguiu atravessar o campo com claridade para estabe-lecer seus ataques e contar com fluidez ofensiva.

Ainda nesta partida, vencida pelo Avaí no último lance (gol do centroavante Júnior Dutra), que Claudinei usou

A direção do clube precisa buscar

nomes para meia-atacante, função

ocupada por Marquinhos, que

prejudica muito o ritmo do time

>>

Avaí

manteve base e esquema de jogo da

Série B, mas, para o Brasileirão, precisa de

novas alternativas

>

por VINÍCIUS DUTRA

Estudante de Jornalismo da PUC-RS e blogueiro d’O Centrocampismo

Imagem 2: O 4-2-2-2 avaiano para o terço final do duelo contra o JEC. Carece de continuidade e ajustes, mas o esquema foi interessante porque favoreceu boas projeções dos laterais, volume em zonas centrais a partir da dupla de meias, que ofereceram mais ritmo na circulação embo-ra isso não tenha representado controle do jogo. Imagem 1: O 4-4-2 em fase defensiva do Avaí contra o Joinville: Dutra-Marquinhos reduzem o espaço territorial dos zagueiros; extremos que acompanham os laterais adversários; meias nos meias (passivo para não ceder tanto espaço entre linhas) e laterais nos pontas

Após conquistar acesso, tarefa de Claudinei é manter o Avaí na Série A Foto: Divulgação/Avaí FC

RETOMADA

NAS QUATRO LINHAS

A

apresentação oficial do treinador Vág-ner Mancini pela Chapecoense, em 9 de dezembro de 2016, deu partida ao duro processo de remontagem espor-tiva protagonizado pelo clube. Após todos os acontecimentos na Colômbia que fizeram o Brasil chorar repetida e copiosamente, o momento era de remontar as bases futebolísticas donas do primeiro título continental per-tencente à Santa Catarina: a Copa Sul-Americana 2016. Alguns meses e muito trabalho depois, em um espaço de tempo até inesperado, é possível dizer sem problemas: a Chape retomou seu norte dentro de campo. Enquanto manteve o modelo administrativo para refazer comple-tamente o departamento, apostando em atletas pouco ou nada consagrados, o estilo de futebol também não diferiu tanto. Com apenas algumas especificações natu-rais, Mancini dá sequência ao projeto tático cronológico do Verdão e já começou o ano comemorando o título catarinense.

Antes da conhecida epopeia sob comando de Caio Júnior, a Cha-pecoense já possuía um padrão de jogo constante, preferencial-mente reativo e respon-sável pela manutenção do Verdão do Oeste na Série A desde a parti-cipação inaugural, em 2014. Sendo assim, a priori, Guto Ferreira foi quem melhor potencia-lizou tal característica, disputando a primeira partida internacional do clube - em 2015, a equipe esteve bastante perto de eliminar o Ri-ver Plate da Copa Sul--Americana - e deixan-do Chapecó por vontade própria após convite do Bahia. Caio Júnior sou-be dar sequência ao estruturado trabalho a partir de um 4-1-4-1 no qual os índices de posse

da bola e acerto nos passes não eram estrondosos, onde fazer o jogo sobre o terreno oponente tampouco era o normal. Gols de bola parada? Aos montes. Porque sua versão de Chape, a exemplo do que está a ser realizado com Vágner Mancini, respeitou pretensões sem tocar a utopia.

Seja com Tiaguinho, Ananias ou Lucas Gomes, os pontas eram agudos e mantinham ao máximo a posi-ção aberta para espaçar as linhas adversárias e buscar cruzamentos. Os laterais, sendo Dener, Gimenez, Alan Ruschel ou outros quaisquer, tinham presença ofensiva

forte chegando ao fundo do gramado e fazendo dobradi-nhas com o extremo do setor - só avançava um por vez, entretanto. Nas meias, Cléber Santana controlava o rit-mo para Gil chegar à frente

como surpresa. Já no ataque, Bruno Rangel e Kempes al-ternavam a titularidade sempre no equilíbrio entre mobilidade e ocupação do centro. Sem a bola, ou seja, na maior parte do tempo, todos recuavam rapidamen-te e permaneciam atrás em um sistema defensivo que já realizava as tarefas de

maneira automática - as coberturas encadeadas, alme-jando o contra-ataque veloz em sequência, são o melhor exemplo disso. Longe de exageros, foi a rígida mecânica de jogo citada o principal motivo para as glórias

imorta-lizadas na história verde. A começar pela retaguar-da, existem pequenas dispa-ridades em relação ao grupo de Mancini. Porém, antes de tudo é importante destacar os estágios de trabalho opostos: enquanto um estava no auge, este engatinha. Pois bem, permanece o 4-1-4-1 capaz de virar 4-2-3-1 em determi-nados momentos, mas a va-riação na marcação passou de zonal para individual por setor; como diz o nome, agora cada jogador encaixa em um rival dentro de sua área. Com isso, a Chape se tornou mais agres-siva (a intensidade física no intuito de roubar a redonda é maior) e ao mes-mo tempo menos coordenada, porque por vezes falta apro-ximação no meio--campo. Também para corrigir tal fato, a defesa ganhou altura podendo antecipar em maior número, ainda que esteja exposta em várias ocasiões. Todavia, com Douglas Grolli e Nathan na zaga, a arte de cortar cruzamentos, outrora pertencente à Thiego e ao sobrevivente Neto, continua intacta. O Verdão do Oeste segue sabendo sofrer.

Ofensivamente, o foco de produção mudou. Se antes Cléber Santana indicava os caminhos por dentro duran-te a saída de bola, em 2017 o extremo Rossi assumiu o papel principal e indiretamente faz a Chapecoense iniciar as jogadas pelos flancos. Assim, os laterais Apodi

e Reinaldo passaram a pensar as investidas, enquanto os meio-campistas Andrei Girotto, Luiz Antonio e Moi-sés Ribeiro (ou mesmo João Pedro, jovem

lateral-di-reito convertido em meia por Vágner) direcionam as atenções a apoiá-los e/ou aproximar da área inimiga para definir. Neste sentido, a queda em riqueza tática torna-se evidente. Cresceram ao mesmo passo as liga-ções diretas catarinenses, até pela preponderância física dos centroavantes Wellington Paulista e Túlio de Melo, estimulados a “amaciar” os lançamentos longos. Por consequência, os pontas, Rossi e Arthur Caike, circulam sobre doses maiores de liberdade para interagir com o atacante escolhido.

Passados todos os pontos, parece injusto comparar dois pedaços tão distintos, embora cronologicamente próximos, da história chapecoense. Sobre a frieza da análise, a equipe atual é limitada em conceitos se com-parada àquela. O leque de alternativas não é tão vasto, a execução das tarefas perdeu qualidade.

Vágner Mancini simplesmente não detém todo o pragmatismo tático, no melhor e mais complexo sen-tido da expressão, acumulado por Caio Júnior ao longo da vida. Por outro lado, trata-se de uma reconstrução dolorosa. Portanto, Mancini dá prosseguimento ao le-gado de Caio e Guto Ferreira, ainda que transportando a ideia principal ao seu mundo metodológico. Os resulta-dos dificilmente poderiam ser superiores, a Chape recu-sou ser vítima das circunstâncias. Dito isso, a retomada funciona também nas quatro linhas.

>

por lucas martins

Blogueiro d’O Centrocampismo

>>

após tragédia na colômbia,

chapecoense

mantém bases e

metodologias para continuar disputando em alto nível

Ofensivamente, o foco de produção

mudou. Antes C. Santana indicava

os caminhos por dentro, agora Rossi

assumiu o papel principal e faz a

Chape iniciar as jogadas pelos flancos

Ícones verdes representam equipe-base de 2016, brancos a de 2017. Sem uma figura central no meio campo como Cleber Santana, Chape de Vagner Man-cini utiliza mais seus pontas para criação de jogadas

Vindo do Goiás, Rossi desempenha papel fundamental no atual elenco do Verdão Foto: Sirli Freitas/Chapecoense

taticamente falando

um inovador (para o time) 4-2-2-2 na etapa comple-mentar em resposta ao recuo do Joinville (ver Imagem 2), que, frustrado por não conseguir ameaçar com bola, resolveu adotar uma proposta reativa na reta final do confronto. Apesar de apresentar deficiências, o desenho se mostrou interessante por potencializar virtudes pelas laterais, principalmente por parte do lateral-esquerdo

Capa, que, além de ser uma peça para o desafogo nos primeiros toques, é um jogador tremendamente pro-dutivo quando aparece nos metros finais para realizar cruzamentos (Júnior Dutra como um grande receptor) e gerar ocasiões. Ademais, o lateral-direito Leandro Silva também consegue oferecer velocidade ao time mesmo sendo um perfil que busca passes longos desde sua po-sição inicial.

Jogos grandes: prévias para o Brasileirão Chapecoense e Figueirense foram rivais interessantes no returno do Catarinense porque ambos fizeram jogos semelhantes em termos de velocidade, ritmo e intensida-de ao que o Avaí terá na Série A. Os dois times, ao con-trário das equipes humildes do estadual, não adotaram posturas passivas em suas fases defensivas, pressionaram alto e encontraram deficiências no jogo entre linhas do Leão quando este não foi eficaz na maneira de defender. Em suma, nestas situações, o time de Claudinei fica per-dido na maioria das vezes em que o adversário consegue superar o primeiro nível de marcação e bater linhas a partir do passe para encontrar o receptor entre setores, que, dominando com tempo-espaço, pode gerar uma ocasião que termine em gol.

Visando uma competição maior e competitiva como a do Brasileirão, é necessário que Avaí e Claudinei Oliveira busquem reforços e soluções que possam sanar os proble-mas táticos e técnicos do Leão, que planeja evitar o rebai-xamento à Série B no ano seguinte à conquista do acesso.

(8)

EXTERIOR

GUILHERME

SIQUEIRA

>>

FORMADO NO FIGUEIRENSE E COM

PASSAGEM PELO AVAÍ, LATERAL TEM

CARREIRA CONSOLIDADA NA EUROPA

G

uilherme Siqueira é um dos

mui-tos casos de jogadores brasileiros que pouco atuaram no futebol nacional e se tornam atletas reco-nhecidos e importantes na Euro-pa. O lateral-esquerdo de 31 anos chegou ao Velho Continente wm 2004 e atuou na última temporada pelo Valencia, além de ter atuado em Udinese e Ancona na Itália, Granada e Atlético de Madrid, na Espanha, além do Ben-fica, de Portugal.

Siqueira sempre jogou nas ligas europeias mais competitivas e conquistou títulos impor-tantes. Vice-campeão da Uefa Europa League e com títulos do Campeonato Português, da Taça de Portugal e da Copa da Liga Portuguesa pelo Benfica em 2014, além da conquista da Super-copa da Espanha pelo Atlético de Madrid em 2015, Siqueira se destacou pela consistência e também pela qualidade nas finalizações e na bola parada.

Muito focado na carreira, o lateral-esquerdo falou sobre possibilidades para o futuro, como foi sair de Santa Catarina para Milão aos 18 anos, Diego Simeone e jogos marcantes no fu-tebol europeu.

Casamata: Como aconteceu sua mudança das categorias de base do Figueirense para a Inter-nazionale quando você ainda era muito jovem? Como foi morar sozinho na Itália com apenas 18 anos?

Guilherme Siqueira: Eu estava no Figueirense desde os 15 anos, e com 16, fui convocado para um torneio de Seleção de Esta-dos, que eu não sei se exis-te mais, e um empresário italiano me percebeu, se interessou e fez uma pro-posta. Eu assinei com ele e me levou para a Itália para um período de testes na Internazionale, e aí assinei um contrato. Mas

eu ainda não podia ir definitivamente para Milão antes dos 18 anos, então eu viajava de três em três meses para a Europa para ir me acostumando. Seis meses antes de me mudar para Milão, surgiu uma oportunidade e eu acabei jogando no juvenil no Avaí, para ficar mais perto da minha família. A mudança para a Europa foi mui-to grande. Eu morava lá sozinho e naquela época, não existiam as mesma facilidades que temos agora, como

Facetime, além da dificuldade de outro idioma. Mas,

mesmo assim, eu sempre fui muito focado, então essas dificuldades eu tirei de letra, porque meu objetivo era ser um atleta profissional. Na primeira temporada eu morava no alojamento do clube com outros jogadores, até que eu me mudei para uma casa, com mais confor-to, comodidades, internet livre etc..

CM: As últimas temporadas do Valencia não fo-ram muito positivas, muitas mudanças de técnico e, apesar do time ter dinheiro e ter feito várias contratações, não conseguiu grandes campanhas. Quais foram os motivos para essa fase ruim?

GS: Acho que tem muito a ver com os novos proprietários. Além desses motivos que você já falou, eles chegaram com as melhores inten-ções, mas com pouco conhecimento do futebol espanhol e na questão do dia a dia pecaram em alguns aspectos. Além disso, nem coletiva-mente foram boas temporadas, mas também individualmente acho que não rendi o meu melhor. Apesar disso, foi um ano e meio de muito aprendizado. Estive num clube muito exigente e amadureci bastante.

CM: Qual foi o melhor técnico com quem você já trabalhou?

GS: Isso é muito relativo, porque quando jogamos bem, é porque o treinador é bom, e vice-versa (risos). Mas especialmente dois me fizeram crescer muito. Um é o Jorge Jesus, que agora está no Sporting e trabalhou comigo no Benfica. Ele é um técnico muito inteligente e tem uma característica diferenciada de trabalhar com o grupo. O outro, claro, é Diego Simeone, que tem mui-ta garra e ele transmite isso para o time. É conmui-tagiante trabalhar com ele. É por isso que ele mudou o patamar do Atlético de Madrid, que agora briga contra os maio-res times da Europa.

Foto: Divulgação/Valencia CF

>>

Primeiro clube na base foi o Figueirense

Foto: Arquivo Pessoal

HISTÓRIA

fiCARAM NA

MEMóRIA

>>

dos 24 campeões catarinenses,

metade abandonou o

futebol profissional

, um recorde no brasil

>

por BRUNO DA SILVA

A

disputa de 2017 do Campeonato Catarinense, vencida pela Chape-coense, foi a 92ª edição da divisão de elite do futebol no Estado de Santa Catarina. A Chape chegou ao seu sexto título, o quarto nos últimos seis anos. Com seis taças, o time do Oeste é o 5º maior cam-peão estadual, atrás de Figueirense, 17 títulos, Avaí, 16, Joinville, 12, e Criciúma, 10. Mas, nessa lista de campeões estão mais 19 times, sendo que 12 deles, que somam 22 conquistas, não tem mais nem mesmo futebol profissional, um recorde entre os campeonatos estaduais no Brasil.

Um dos exemplos é o Paula Ramos Esporte Clube, de Florianópolis, campeão catarinense de 1959. O PREC foi fundado em 1937, como um time de futebol, por um grupo de amigos que se reunia no Trapiche Vitorino Paula Ramos na Praia de Fora, onde atualmente se localiza a Beira-Mar Norte. O clube disputou competi-ções amadoras até 1943, e, no ano

seguinte, profissionalizou-se. Ven-ceu os campeonatos citadinos de 1947 e 1948, o vice do estado em 1949 e, 10 anos depois, conquistou o Campeonato Catarinense contra o Caxias, de Joinville. Cinco anos após seu título mais importante, foi adquirido o terreno no bairro Trindade, onde foi construído um campo de futebol na época, e ain-da onde o clube se baseia até hoje. Antes de encerrar as atividades de futebol profissional, ainda con-quistou os campeonatos da cidade de Florianópolis em 1961, 1962 e 1964, mas em 1969 se tornou in-viável para o Paula Ramos conti-nuar com o projeto. A partir daí, o PREC partiu para a construção de complexos poliesportivos, inicial-mente com piscinas de natação e quadras de tênis.

A sede passou por algumas

re-formas e diminuiu de tamanho em 2008, como uma forma de diminuir gastos, driblando a crise e mantendo o clube ativo. Atual diretor geral do Paula Ramos, Cláudio Antonio Albé diz que os cerca de 400 títulos patrimoniais do Paula Ramos atualmente estão todos vendidos e que não há intenção em ampliar o quadro de titulares. Apesar disso, Albé explica as atividades são abertas ao público em geral, que pode usufruir das instalações através do pagamento de mensalidades. Atual-mente, o PREC tem quadras de futebol society, tênis, musculação, natação, sauna, salão de eventos, academia e pilates, entre outras atividades.

Alguns dos campeões catarinenses que não seguiram com futebol profissional, tiveram o mesmo destino que o Paula Ramos, e tornaram-se clubes poliesporti-vos. Outros, se fundiram com outras agremiações para criar novos times. En-quanto alguns deles desapareceram definitivamente, deixando apenas resquícios de história para contar.

Taça do título catarinense do PREC, na sede do clube

Referências

Documentos relacionados

A razão do meu moderado não pessimismo resulta, como os meus eventuais eleitores já perceberam, na ideia (para mim impensável) da Europa poder cair no abismo, como

A partir de tais contribuições, é essencial observar que não buscamos um gênero neutro ao mencionar “pessoas com útero”, mas sim ampliar para a diversidade de gêneros

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a

Na faculdade de tecnologia FIAP, o diretor acadêmico do Centro de Pós-Graduação, Francisco  Amaral, utiliza a comunidade de 1.250 alunos dos cursos de pós-gra- duação

De fato, a aplicação das propriedades da regra variável aos estudos lingüísticos além da fonologia não constitui assunto tranqüilo, seja porque a variável passa a ser

— Mas se você decidir que não quer mais ficar com ele, minha porta está aberta..

Foram feitas sete entrevistas pessoalmente (uma com cada personagem) – algumas na própria casa do personagem, outras no ambiente de trabalho. Após a decupagem total dessas

Suspiro uma, duas, centenas de vezes… Levo as mãos à cabeça…Bagunço cabelo,  escorre uma lágrima… arrumo o cabelo e o travesseiro leva um tapa.. Estalo os dedos  mordisco