M ESTRADO INTEGRADO EM ARQUITETURA E URBANISM O Vila Nova de Cerveira, M arço de 2015
M ESTRADO INTEGRADO EM ARQUITETURA E URBANISM O
TRANSFORM AÇÃO DA FORM A URBANA DA CIDADE DE BARCELOS
CARLOS M ANUEL DA ROCHA GUIM ARÃES CASANOVA
TRANSFORM AÇÃO DA FORM A URBAN A DA CIDADE DE BARCELOS
Aluno: CARLOS M ANUEL DA ROCHA GUIM ARÃES CASANOVA
Orientador: Prof. Dout or Arq. DAVID LEITE VIANA Coorient adora: Prof.ª Dout ora Arq.ª M ÓNICA ALCINDOR
PREÂM BULO
Dissert ação desenvolvida para a obtenção do grau de M est re em Arquit et ura e Urbanismo, apresent ado na Escola Superior Gallaecia, enquadrada na unidade curricular de Projet o Dissert ação do M est rado Int egrado em Arquit et ura e Urbanismo, foi apresent ada pelo aluno Carlos M anuel da Rocha Guim arães Casanova, Nº . 604-09, e orient ada pelo Prof. Doutor Arq. David Leit e Viana, t endo como coorient adora a Prof.ª Dout ora Arq.ª M ónica Alcindor, ent re Fevereiro de 2014 e M arço de 2015
AGRADECIM ENTOS
Ao meu orient ador, Prof. Dout or Arq. David Leit e Viana, pela sua dedicação, apoio, e compreensão, pela forma como a orient ou na part ilha de informação, experiências pessoais, conselhos e incent ivos demonst rados ao longo de t odo est e processo, t ambém à Coorient adora Prof.ª Dout ora Arq.M ónica Alcindor, no apoio e revisão dos cont eúdos.
À Câm ara M unicipal de Barcelos que prest ou um import ant e apoio logíst ico, nom eadament e ao meu amigo José Faria represent ant e do President e da Câmara na Divisão de Planeament o Urbaníst ico M obilidade e Ambient e, bem como o Arquit et o Rui Vieira, o m eu am igo Orlando Grego, topógrafo.
À Bibliot eca M unicipal na pessoa do Dout or Vít or Pinho, sem esquecer o meu grande amigo Bandeira.
À Arq. Isabel Ribeiro pela cedência de fot ografias e mapas da Cidade de Barcelos.
RESUM O
A Cidade de Barcelos, sit uada no Nort e de Port ugal, no Dist rit o de Braga, no Concelho de Barcelos, foi o caso de est udo escolhido para a realização do present e t rabalho, cent rado na t ransformação morfológica do t ecido urbano. A escolha dest e est udo recaiu fundament alment e na import ância do carát er hist órico e pat rimonial que t em a cidade. Não obst ante, o principal objet ivo surge a part ir das grandes alt erações verificadas nos últ imos cinquenta anos, frut o de diversos fat ores de caráct er social, económico e polít ico, especialmente após o estabelecimento do regime democrático do 25 de Abril de 1974, fizeram uma not ável t ransformação na sua forma urbana e, consequent ement e, causando grandes diferenças morfológicas ent re o cent ro e a periferia.
O crescim ent o dem ográfico m ot ivado pela especulação im obiliária, pelo dinam ism o da const rução civil, pelos processos imigrat órios dos ambient es rurais provocados pela ent rada de Port ugal à Comunidade Económica Europeia em 1986 (União Europeia na at ualidade), como increment o das atividades quer sejam elas no sect or prim ário, secundário ou terciário.
O int eresse geral dest a Dissert ação reside na transformação da forma urbana da Cidade de Barcelos, abordando a análise at ravés duma leit ura diacrónica das sucessivas alt erações morfológicas. Os objet ivos propost os cent ram-se em indicar os principais fat ores e element os urbanos que est rut uraram o t ecido urbano da cidade, permit indo, ent ão, det erminar a morfologia result ante que a caracteriza hoje, para além de ident ificar as suas perm anências e variáveis morfológicas.
A m et odologia baseia-se na int erpret ação de dados desenhados e escrit os, pelo cruzament o e sobreposição dos mesmos. Aborda-se a context ualização polít ica, económica, social da década de 1960. Seguidament e, realiza-se a análise morfológica dos períodos det erminados, numa leit ura física e int erpret at iva da decom posição da f orm a urbana.
Com base em análise document al, nos dados recolhidos em organism os públicos e a part ir de ent revist as explorat órias, document os oficiais e privados, cart ografias, publicações lit erárias, fot ografias assim como element os de observação diret a.
A morfologia implica convergência e uso de dados provenient es de diversas disciplinas: economia, sociologia, hist ória, geografia, arquit et ura, et c. A comparação dos dados a part ir de diferent es áreas para servir de perceção da forma urbana, o seu processo de formação e a sua t ransform ação ao longo do t em po.
ABSTRACT
The Cit y of Barcelos, locat ed in t he Nort h of Port ugal, more precisely in t he Dist rict of Braga, municipalit y of Barcelos, w as t he case st udy select ed for t his w ork focused on t he t ransformat ion of t he morphological urban fabric. The choice of t his st udy fell primarily on t he im port ance of it s monument s and hist orical herit age. Nevert heless, t he main goal arises from t he major changes occurred in t he last fift y years, due t o social, economic and polit ical fact ors, especially aft er t he est ablishment of democrat ic regime on April 25, 1974 t hat has made a remarkable t ransformat ion in it s urban form, t hus causing large morphological differences bet w een t he center and t he periphery.
The demographic grow t h w as driven by est at e speculat ion, by t he dynam ism of civil const ruct ion, by t he process of imm igrat ion t o rural areas, caused by t he ent ry of Port ugal in t he European Economic Com munit y in 1986 (European Union t oday), mainly due t o an increase of act ivit ies in t he primary, secondary or t ert iary sect or.
The general int erest of t his dissert at ion lies on t he transformat ion of t he ur ban form of Barcelos cit y, addressing t he analysis t hrough a diachronic reading of successive m orphological changes. The proposed object ives are focused on indicat ing t he main fact ors and urban element s t hat had st ruct ured t he urban fabric of t he cit y, t hus allow ing t o det erm inat e t he result ing m orphology t hat charact erizes it t oday, in addit ion t o ident ifying t heir perm anence and m orphological variables.
The met hodology is based on t he int erpret ation of designed and w rit t en dat a, int ersected and overlapped. It also deals w it h t he polit ical, economic and social cont ext ualizat ion of t he 1960s and perform s t he morphological analysis of cert ain periods, in a physical and int erpret ive reading of t he decay of urban form.
It is based on document s analysis, on t he dat a collect ed in public bodies, on some explorat ory int erview s, on official and privat e document s, cart ographies, lit erary publicat ions, photographs and also it em s of direct observat ion.
The m orphology implies convergence and use of dat a t hat came from different subject s: economics, sociology, hist ory, geography, archit ect ure, et c. It also implies t he comparison of dat a from different areas t o serve as a perception of the urban form, it s format ion process and it s t ransform at ion over t ime.
RESUM O
PREÂM BULO
AGRADECIM ENTOS
RESUM O
ABSTRACT
Índice de conteúdos
CAPITULO I ... 1
1 - Introdução ... 1
1.1 - Cont extualização da invest igação ... 1
1.2 - Just ificação da problem át ica ... 2
1.3 - Objetivos ... 4
1.4 – M etodologia ... 5
1.5 – Estado da art e em Portugal ... 9
1.6 – Estrut uração dos conteúdos ... 13
CAPITULO II ... 17
2 - Fundam entação t eórica... 17
2.1 – Abordagem introdut ória ... 17
2.2 - M orfologia Urbana: ... 32
2.2.1 – O espaço planeado ... 32
2.2.2 – Espaço avulso ... 33
CAPITULO III ... 35
3 - Cont extualização ... 35
3.1 - Enquadrament o geral do processo de formação de Barcelos, e seus principais constit uint es m orfológicos. ... 35
3.2 - A origem de Barcelos – século XIV ... 37
3.2.1 – O significado da ponte - 1325 ... 40
3.2.2 – A im portância da Igreja M atriz - 1382 ... 42
3.3 - A Expansão ... 44
3.3.1 - Intra M uros ... 44
3.2.2 - Extra M uros ... 48
3.4 – M utações do século XIX ... 58
3.4.2 - A Consolidação indust rial ... 63
CAPITULO IV ... 67
4 - Transformação da forma urbana de Barcelos, na segunda met ade do século XX ... 67
4.1 – Int rodução aos crit érios de seleção e descrição das fases em análise ... 67
4.2 – Cont exto polít ico, económico, social e cult ural da década de 1960 ... 70
4.2.1 – O século XIX ao século XX – 1801 a 1960 ... 73
4.3 – A influência das habitações sociais na form a da Cidade... 77
4.4 – Escala t erritorial: Ordenam ent o do t erritório ... 101
4.4.1 – Localização e lim it es do estudo ... 125
4.4.2 – Caraterização do m eio em análise e os seus elem ent os de paisagem ... 130
4.4.3 – O fenómeno sócio- económico – 1960 a 2011 ... 137
4.5 - Década de 1960 ... 151
4.5.1 - Evolução da est rut ura urbana ... 151
4.5.2 - Form as de crescim ent o ... 155
4.5.3 - Tecido construído e t ipologias dom inantes ... 158
4.5.4 – Densidades e atividades ... 163
4.5.5 - Equipam ent os e Serviços ... 167
4.6 – Período de 1960-1990... 171
4.6.1 - Evolução da est rut ura urbana ... 171
4.6.2 – Form as de crescim ent o ... 175
4.6.3 – Tecido const ruído e t ipologias dom inantes ... 178
4.6.4 – Densidades e atividades ... 181
4.6.5 – Equipam ent os e serviços ... 185
4.7 – Período de 1990-2011... 191
4.7.1 - Evolução da est rut ura urbana ... 191
4.7.2 – Form as de crescim ent o ... 200
4.7.3 – Tecido const ruído e t ipologias dom inantes ... 203
4.7.5 – Equipam ent os e serviços ... 214
CAPITULO V ... 221
Considerações Sínt ese ... 221
Sist em at ização ... 221
Conclusão ... 235
Bibliografia ... 239
CAPITULO I
1 - Introdução
1.1 - Contextualização da investigação
A cidade de Barcelos combina t rês est ratificações espaciais:
- A prim eira fase, a m ais ant iga, desde a época de Bronze ao fim do século XVII, result a da organização após a origem de Barcelos at é à Vila Ducal int ramuros que devido à presença de uma m ancha granít ica cont ínua para sul, possibilit ava um sít io mais ajust ado para se const ruir uma pont e medieval, com sólidos contrafortes e uma boa alt ura. A jusant e, o leit o firme e pouco fundo do Rio Cávado que oferecia condições para a sua t ravessia a pé abaixo da at ual pont e medieval, facilit ada por um vau do qual ainda hoje se vêm pedras quando o caudal do rio é m enor, est a na origem do desenvolvim ent o dest a ant iga vila;
- A segunda fase ent re séculos XVIII e XIX, vai desde a Vila Ducal ext ra m uros at é ao im pact o do caminho-de-ferro, a const rução int ra e ext ra muros, os eixos ordenadores da cidade, os t raçados urbanos, um fat or import ant e para o desenvolviment o da cidade;
- A t erceira fase t em início do século XX at é ao ano 2011, diz respeit o à Cidade de Barcelos.
Para levar a cabo a análise da t ransformação da forma urbana da cidade de Barcelos, foram selecionados t rês períodos, respondendo aos objet ivos enunciados, t endo como base carateríst icas da cidade, o descrit o nos capít ulos III e IV. Anos mais t arde, em 1963, é apresent ado o Esbocet o Geral de Urbanização da aut oria dos arquit et os David M oreira da Silva e M aria José M . M oreira da Silva.
Em Barcelos, as primeiras fases de expansão est ão relacionadas com a const rução da linha do caminho-de-ferro e com a indust rialização das áreas na envolvent e da cidade, com impact o nas condições físicas da est rut ura urbana, para além dos aspet os sent idos ao nível da t ransformação das t ipologias exist ent es e de out ras que surgiram ent retant o result ant es desde processo, que alt erou ainda as variáveis demográficas da cidade.
M aria José M . M oreira da Silva. Perspet ivou-se dest e modo abordar os fenómenos que influenciaram a t ransformação da Barcelos naquela época, num a t ent ativa de perceber e compreender a forma urbana da cidade de Barcelos e os fenómenos que lhe deram origem, assim como relacionar com as décadas seguint es. A Cidade como element o carat erizador dos espaços urbanos, cat alisador da dinâmica, vai expressar-se na sua m orfologia, na organização dos espaços de um m odo est rut urado de funcionament o e na forma como se dist ribuíram, por exem plo: as praças, avenidas, ruas et c., ou na organização do edificado.
1.2 - Justificação da problemática
As impressões que as pessoas t êm sobre a cidade ou um lugar vão além da perceção visual e física, pois a cidade como espaço const it uído, ocupado, agregador de hist órias e vivências, oferece uma infinidade de sensações ao observador mais capcioso. Os fat os e a hist ória, entre out ros element os que compõem as vivências, proporcionam perceções dist int as enquant o conjuntos, paisagens e vida urbana e afet am e int eragem distint ament e em cada pessoa, conforme os seus referenciais. Esta invest igação foca a morfologia urbana da Cidade de Barcelos, sit uada no dist rit o de Braga, Concelho de Barcelos, e suas carateríst icas. O cresciment o da cidade de Barcelos processou-se em várias et apas dist int as que deixaram ao longo do t em po m arcas na morfologia do seu t ecido ur bano.
Nest e sent ido, esta invest igação t em como propósit o colmat ar a ausência de est udos sobre a evolução da forma urbana da Cidade de Barcelos. É na const rução da Cidade que se deve procurar indícios e pist as pois nela se reflet em as condições mat eriais, hist óricas, sociais, cult urais, et c. que, em cada época, condicionaram as suas sucessivas fases de crescim ent o, cont ribuíram para a compreensão do sít io e a definição de bases para o seu projet o de t ransformação.
A propost a de invest igação será realizada a part ir da plant a aerofot ogramét rica da cidade de Barcelos, (ano 2005, à escala 1/ 2000), complem ent ada com cart as de 1948 à escala 1/ 1000, de 1975 à escala 1/ 2000 e de 1990 à escala 1/ 1000, procurando carat erizar leit uras por níveis de inform ação, nos diferent es quadrant es do est udo, que se pret ende realizar para se atingirem os objet ivos indicados.
A met odologia desenvolvida ident ificou t ransformações que a cidade de Barcelos t eve no t empo e espaço, at ravés do redesenho cart ográfico, efet uando uma regressão no desenho até ao séc. XVIII, realizando, ao mesm o t empo, uma análise quant it at iva, t rabalhando t ambém a abordagem qualit at iva. Conforme refere It alo Calvino no seu livro As Cidades Invisíveis. “ Os olhos não vêm coisas m as sim figuras de coisas que significam outras coisas." (1979, p.17).
A invest igação propõe uma abordagem analít ica de Barcelos, em que se verifica: a cidade que se projeta e ant ecipa; a cidade que se concret iza e experiment a. Trat a-se de explorar a cidade enquant o espaço de ação sujeit o à const rução e ocupação no t em po.
Part e-se do princípio que qualquer int ervenção no espaço urbano, independent ement e da escala, implica um a m udança, ou seja, uma convergência de t ensões, cuja repercussão não est ará apenas cingida ao espaço e ao t empo da sua execução. Est as reações irão reflet ir-se necessariament e no homem e na sua memória.
A cidade é um espaço que depende da vivência de cada ser hum ano, vivência essa que induz uma nova dimensão, de origem part icular.
A cidade assume import ância crescent e, nomeadament e devido aos fat ores de proximidade e de coexist ência plural que est ão no centro dos processos de inovação. É essa proximidade e bem-est ar que t orna as cidades am igáveis, onde a vida urbana se constit ui como um fat or de localização para as at ividades mais significativas de inovação, sendo nest e envolviment o ent re proxim idade, criat ividade e bem-est ar que as cidades atuais se t ornarão polos crescentes de produção de civilidade.
1.3 - Objetivos
O objet o de est udo sobre o qual se cent ra a Dissert ação é a t ransformação da forma urbana da Cidade de Barcelos. A invest igação implicou leit uras sobre a forma urbana da Cidade, usando abordagens diversas, explicadas no enquadrament o t eórico.
A leit ura foi efetuada em diferent es períodos de t empo, a fim de est abelecer um a sucessão t emporal e evolut iva da form a urbana. Além disso, a análise incidiu sobre a ident ificação de int ervenient es que condicionaram a configuração do t ecido urbano da Cidade de Barcelos.
Para ent ender a transformação verificada est abeleceram-se os seguint es objet ivos:
- Ident ificar e caract erizar as principais et apas e processos de t ransformação da forma urbana da Cidade de Barcelos. Consideraram-se os principais condicionalism os e constrangiment os que marcaram o processo de t ransformação de Barcelos, desde 1877 a 2011. A Cidade como est rut ura caract erizadora de espaços, catalisadora de dinâmicas, expressa-se na sua morfologia, na organização dos element os comuns os quais configuram no modo como est es se dist ribuem .
- Det erminar os constit uint es morfológicos da cidade de Barcelos. Preconizadas as t ransformações verificadas ao longo do tempo, no espaço urbano de Barcelos, enquadraram -se os principais elem ent os urbanos que organizam a at ual Cidade de Barcelos, reconhecendo processos e variáveis, que se expressam em Ruas, Avenidas, Praças, conjunt os edificados e t ipologias que definem as caract eríst icas morfológicas da Cidade de Barcelos.
Est e objet ivo será o passo final do present e t rabalho, um a vez ident ificados os principais element os que det erminaram a t ransformação m orfologia da cidade e as suas causas e result ados, a fim de se poder est abelecer um conjunt o de indicadores.
1.4 – M etodologia
M odos de investigação
O mét odo de est udo é um est udo comparat ivo sobre a t ransformação da form a urbana da Cidade de Barcelos. Este consist irá em ident ificar t ransformações que a cidade Barcelos t eve no t empo e no espaço. A met odologia de análise morfológica consist irá no desenho cart ográfico, efet uando uma regressão no desenho at é ao séc. XVIII, t rabalhando t ambém a análise qualit at iva.
Este t ipo de pesquisa, que segundo Benavent e (1993) e Yin (2003), obedece ao seguint e princípio:
O est udo det alhado de um a sit uação singular, que t em valor em si m esm o, e t em sim ult aneament e, as carateríst icas seguint es:
- Visa a descobert a - est ar at ent o a t odos os elem ent os novos; - Privilegia a int erpret ação em cont ext o;
- Ret rata a realidade/ problema de forma complet a e profunda; - Coloca em relevo a com plexidade das sit uações e int er-relações; - Ut iliza uma variedade de font es de invest igação;
- A informação é recolhida de diversas formas/ t écnicas/ inst rument os para se poder cruzar a informação, nest e caso centrara na análise morfológica. Com est e t rabalho pret ende-se relacionar a forma urbana da cidade de Barcelos e os fenómenos que lhe deram origem. Para isso, há a necessidade da exist ência de inst rument os que permit am a leit ura, e dest a forma est ruturar os seus elem ent os.
As principais escolas de pensamento concordam que a morfologia implica convergência e uso de dados provenient es de diversas disciplinas, como são os casos da: economia, sociologia, hist ória, geografia, arquit et ura, et c.
A comparação dos dados a partir de diferent es áreas para servir de perceção da forma urbana, o seu processo de formação e a sua t ransformação ao longo do t empo.
com o um sist em a est rut urado, em que se est abelecem os conceit os de praça, rua e t ram a como elem ent os básicos; est ando est es int er-relacionados.
Ao analisar est es element os e sua organização espacial e funcional, conseguimos assim definir a realidade urbana. Lamas (2010) fornece uma classificação dos aspet os que se mat erializam: - Aspet os quant it at ivos: aspet os da realidade urbana que podem ser quant ificáveis: densidades superfícies, fluxos, volum es, formas, etc.;
- Aspet os da organização funcional: as at ividades hum anas e usos dos espaços e edifícios; - Qualit at iva: espaços de t rat ament o, o confort o do usuário, a adapt ação clima, acessibilidade, et c.;
- Figuras simbólicas: relacionam-se com a comunicação est ét ica.
Técnicas de recolha de informação
A análise document al, segundo Saint -Georges (1997), concent ra dois t ipos de font e fundament ais: escrit as e não escrit as. No que respeita às font es não escrit as serão ut ilizadas, para efeit os da present e invest igação a iconografia, as font es orais e a imagem; quant o às fontes escrit as serão privilegiados os document os oficiais públicos (cart as aerofot ogramét icas, at as de reuniões da Câmara M unicipal, cartografias ant igas, PDM , legislação e outros document os encont rados no decorrer do t rabalho), assim como font es não oficiais como: a im prensa, revist as, publicações, livros e document os int ermédios.
A análise document al na sua perspet iva hist órica envolve a recolha de dados que vai ajudar a enquadrar a análise m orfológica post erior, bem como a realização do primeiro objet ivo do t rabalho.
- Observação (Gil, 1995; M arconi et al., 1986))
A observação nat uralist a da est rut ura urbana, foi pela primeira vez usada para est udar os acontecimient os que ocorreram na Cidade de Barcelos. Est a observação espont ânea e inform al permit iu a obt enção de dados que, uma vez analisados e int erpret adas, cont ribuíram para a elaboração acerca da problemát ica em quest ão.
- Fotografia (Bogdan & Biklen, 1994)
As fot ografias de aut or como regist o de sit uações part iculares da est rut ura urbana, como sejam os casos de edifícios desde a época de oit ocent ist as, até ao ano 2011 quer sejam de carat eríst icas públicas, eclesiást icas ou privadas, bem como espaços públicos.
- Notas de campo (Bogdan & Biklen,1994)
Os regist os descrit ivos e reflexivos, complementares aos fotográficos, para descrever objet ivament e e rever os aspet os m ais relevantes do carát er urbano da Cidade de Barcelos, permit indo descobrir aspet os que não são percebidos na análise document al.
Análise e tratamento de informação
O enquadrament o geral do processo de transformação de Barcelos, numa primeira fase será realizado at ravés da evolução hist órica da vila, enquadrament o esse que será baseado na bibliografia existent e Análise (De Bruyne et al., 1991), onde serão abordados aspet os, polít icos, económicos, sociais, et c., (mat riz quant it ativa) t ent ando assim conseguir a relação da génese da forma urbana da Cidade. Tudo ist o será complement ado com mapas int uit ivos. Post eriorment e a part ir do século XIX, pret endem os identificar a form ação do t ecido urbano, analisando os principais element os morfológicos e t ipologias dominantes.
A informação obt ida foi alvo de uma análise de dados, demonst rada at ravés do cruzament o, sob reposicionament o e int erpretação em diferent es escalas de abordagem e diversas técnicas analít icas, gráficas e document ais. Este mét odo permite a obt enção de result ados relat ivos às t ransformações morfológicas da Cidade de Barcelos
Est e processo de análise é baseado numa const ante análise diacrónica. Os dados recolhidos sempre ancorados a t ext os, desenhos int erpret at ivos e fot ografias são analisados pela combinação de diferent es dim ensões de visualização e leit ura. Elaboraram-se componentes gráficas de int erpret ação baseadas nas cartografias reais e t raduzidas numa informação concept ual, mais clara e legível. Por fim, est abelecem-se os principais result ados obt idos no est udo m orfológico.
M acro
M ezzo
M icro
Fig. 1: Esquema int erpret ativo da met odologia ut ilizada
BARCELOS CONCEITOS TEÓRICOS
M ORFOLOGIA URBANA
Análise document al; Bibliografias geral
Conceit os de mor f ologia urbana; Elem ent os de f orma urbana; Evolução e t ransfor mação da f orm a; M et odologia de análise m orfológica; M et odologia de análise t opológica
CONVERGENCIA DE DADOS - INTERPRETAÇÃO CRITICA ANALISE
TEM PORAL E ESPACIAL
ELEM ENTOS QUE DETERM INARAM A FORM A URBANA DE BARCELOS
CONCLUSÕES
Análise document al; Bibliografia local; Evolução hist órica da vila; Dados socio económicos; Est at íst icas;
Normas ur baníst icas; Docum ent ação gr áfica: -Fot ogr afias;
1.5 – Estado da arte em Portugal
As primeiras duas obras Port uguesas com dim ensão morfológica foram realizados, em meados do século XX. A prim eira é de Silveira (1951) que reuniu a iconografia de cidades coloniais port uguesas no m undo. Est e est udo est á est ruturado de acordo com set e áreas geográficas; M arrocos, Açores e M adeira, África Orient al, África Ocident al, Ásia Ocident al, Ásia Orient al, e Brasil.
Silveira argum ent a que Port ugal t eve um papel pioneiro na criação e est abeleciment o das modernas cidades coloniais, apresent ando as semelhanças e as diferenças ent re as cidades port uguesas em Port ugal e nas diferent es colónias port uguesas.
A segunda obra é de Chicó (1956) que publicou um art igo sobre a influência do planeam ent o das cidades ideais da Renascença, sobre a est rut ura das cidades port uguesas na Índia. Com para as formas da const rução das cidades port uguesas, aparent ement e mais orgânicas, com as cidades espanholas, dit as mais “ racionais” .
No final da década de 1950, M ot a e Cort esão (1960) publicam “ Port ugaliae M onum ent a Cart ographica” , uma ext ensa coleção de cart as manuscrit as, acrescent ando ao contribut o da hist ória da cart ografia port uguesa. É compost a por seis volumes que abrangem o período entre os séculos XV e XVII.
A obra “ Lisboa Pombalina e o Iluminismo” (França, 1966), publicada em meados dos anos de 60, t rata da análise hist órica da capit al de Port ugal, ou seja, analisa a reconst rução da Baixa de Lisboa após o t erramot o de 1755, realizada de acordo com um plano elaborado por Eugénio dos Sant os e Carlos M ardel. Est e é um dos prim eiros exem plos de urbanism o que serviu de modelo para cidades port uguesas e coloniais.
Exist em ainda t rês obras de âmbit o arquit et ónico que abordam a morfologia urbana. A prim eira é do Arquit et o Raul Lino com a obra “ Casas Port uguesas” (Lino, 1933), cujo t rabalho foi desvalorizado devido à sua associação ao regime dit at orial ent re 1926 e 1974. Est e est udo é result ant e de uma análise cuidada da t ipo-morfologia consequent e da anot ação das principais carat eríst icas dos edifícios residenciais port ugueses, com int uit o de descoberta de uma arquit et ura especificament e port uguesa.
A t erceira obra, de Carlos Azevedo (1969), analisa um det erminado t ipo residencial, a “ casa nobre” , designadament e os solares portugueses no Nort e de Port ugal. Sensivelm ent e no mesm o período, pode-se ainda referir o t rabalho de pesquisa de t rês geógrafos port ugueses: Orlando Ribeiro, Pereira de Oliveira e Jorge Gaspar Ribeiro (1962). Oliveira (1973) desenvolvem, pela primeira vez, uma t ese em geografia urbana, em que foca a sua dissert ação na cidade do Port o. Gaspar (1969) analisa “ a morfologia de padrão geomét rico na Idade M édia” . São analisadas diversas cidades que se est abeleceram, no século XIII.
O I.S.C.T.E. (Inst it ut o Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), segundo a coordenação de M anuel C. Teixeira e com a colaboração de Rosália Guerreiro, Teresa M adeira, Teresa M arat -M endes e M argarida Valla, contribuíram para o est udo da evolução das cidades port uguesas durant e a últ ima década. “ Imagens do Arquivo Virt ual de Cart ografia Urbana Port uguesa” (Teixeira, 2000) foi o primeiro dos cont ribut os dest e grupo de invest igação.
O trabalho consist e na const rução de um arquivo digit al de cartografias urbanas, compost o por um banco de dados digit ais, com referências e im agens referent es à cartografia e iconografia urbana. Foram igualmente edit adas out ras obras relat ivas aos m esmos aut ores. Teixeira e Valla (1999) apresent am uma reflexão sobre a influência dos est udos brit ânicos e it alianos no cont ext o port uguês.
Consist e na análise det alhada de alguns exemplos das principais et apas de formação inicial da cidade port uguesa ent re os séculos XIII e XVIII. Teixeira (2001) agrega um conjunt o de t rabalhos apresent ados no Colóquio realizado pelo Cent ro de Est udos de Urbanismo e de Arquit et ura (10 M arço 1999) em “ A praça na cidade port uguesa” .
O event o demonst ra a preocupação da ident ificação da génese e das carat eríst icas morfológicas dos espaços públicos das cidades na relação com a hist ória urbana Port uguesa. Teixeira (1993) em “ O est ado da art e da invest igação urbana em Port ugal” faz uma revisão do est ado da art e, enquadrando o conjunt o das obras publicadas diacronicament e na Hist ória.
e aplicabilidade operat iva de conclusões ou part em, inclusivament e, da at ualidade, do quest ionam ent o crít ico que ela apresent a.
A Hist ória da Art e começou a cont ribuir para a hist ória urbana, de acordo com Rossa (2008) com Silveira (1956), Chicó (1956) e França (1962). Nesse âm bit o, m ais recent em ent e, m as de forma pioneira, assinala-se o t rabalho de M aria João M adeira Rodrigues, “ Tradição, Transição e M udança. A produção do espaço urbano na Lisboa oit ocent ist a “ , publicado em 1979. Tendo com pressupost os claros, não só a evolução morfológica da cidade, mas t ambém as condições sociais, polít icas e económicas da mesma, a aut or a faz uma invent ariação ilust rada com fot ografias, plant as e plano de localização, para cada conjunto ou bairro operário, dedicando uma segunda part e ao plano de const rução de Lisboa, liderado sobret udo por Frederico Ressano Garcia (Rodrigues, 1979), com m apas, projet os, planos descrit ivos e quadros de evolução da cidade.
M anuel Teixeira desenvolve um t rabalho para a m esm a época, no Port o, em 1988 (Teixeira, 1996) e Nuno Teot ónio Pereira vai publicar, em 1995, Prédios e Vilas de Lisboa, result ant e de um t rabalho de levant am ent o feit o em 1978/ 79 com o apoio da Fundação Caloust e Gulbenkian, bem como os edifícios de habit ação colet iva, paradigmát icos de uma forma ancest ral de fazer cidade.
Est e t rabalho inclui uma aproximação t ipológica, que não chega a ser analít ica e uma plant a de localização, organizado por fichas. Há uma caracterização geral, uma organização por t ipos e épocas (Pereira & Buarque, 1995).Orlando Ribeiro (1911-1997), geógrafo, professor, invest igador e humanist a, pelas suas preocupações met odológicas e pelo valor que at ribuía ao conheciment o, à int egração int erdisciplinar. Também em Port ugal houve, post eriorment e, a t endência para perder est a riqueza mult idisciplinar, devido à delimit ação progressiva do âmbit o de cada ciência.
O que não im pediu que a geração seguint e de geógrafos, alguns da escola de Orlando Ribeiro, t ivesse produzido t rabalhos not áveis na área da Geografia Urbana, nomeadament e Jorge Gaspar (1969); Teresa Barat a Salgueiro (1999), Raquel Soeiro de Brit o (1977) Carlos Nunes Silva (1987) e Carminda Cavaco (1983). Salgueiro (1999) “ A Cidade em Port ugal, Uma geografia Urbana” a aut ora analisa as diferent es carat eríst icas morfológicas das cidades port uguesas no context o da sua evolução hist órica, observando o papel do sist ema de planeamento em diferent es at ores. Aborda a organização funcional das cidades at ravés das carateríst icas do t errit ório relat ivamente às diferent es at ividades e grupos sociais.
a morfologia urbana Port uguesa, o aut or não se rest ringe soment e ao âmbit o port uguês, mas aborda t ambém a urbaníst ica formal port uguesa. Defende a import ância do papel da morfologia urbana e do desenho urbano no processo de construção das cidades.
Fernandes (2005) “ Urbanismo e M orfologia Urbana no Nort e de Port ugal ” cent ra-se na evolução do urbanism o e da morfologia de seis cidades Port uguesas, nomeadament e Viana do Cast elo, Póvoa de Varzim, Guimarães, Vila Real, Chaves e Bragança ent re 1852 e 1952.
O aut or salient a a im port ância dos element os cart ográficos e da document ação sobre o planeam ent o urbano como sendo font es im prescindíveis de informação sobre os cresciment os e a metamorfose das cidades, define alguns princípios: a cart ografia é um element o que resume a hist ória de uma cidade de onde é possível ident ificar as diversas et apas de desenvolviment o; a análise dos planos de uma cidade permit e e facilit a comparações; o redesenho dos planos das cidades permit e o est udo de int erpret ação da sit uação at ual, ret irando previsões at ravés dos result ados alcançados. É ainda possível ident ificar os problemas e pot enciar a t omada de decisões para futuros planeament os.
Oliveira & Pinho t êm vindo a desenvolver est udos no mesmo sent ido. Desenvolvem um est udo analít ico sobre a morfogenét ica, ident ificando e carat erizando os diferent es períodos do desenvolvim ent o urbano das cidades de Lisboa e Por t o (Oliveira & Pinho, 2006).
Abordam uma revisão crít ica das polít icas de planeament o dessas cidades desde a segunda m et ade do século XIX (Oliveira & Pinho, 2008). Os aut ores avaliam ainda o desem penho das revisões cart ográficas na análise da m orfologia urbana das cidades por longos períodos de utilização (Pinho & Oliveira, 2009).
Exist em uma variedade de obras que procuram a interpret ação de uma só cidade. França (1980) aborda o est udo da cidade de Lisboa desde a época medieval ident ificando e dist inguindo os períodos mais significat ivos. Rodrigues (1973) concent ra-se em part es específicas da mesma cidade contribuindo com uma m at riz morfológica para a sua análise. Também se encontram est udos que carat erizam uma única cidade num det erminado mom ent o da hist ória, podendo salient ar que a segunda m et ade do século XVIII e a primeira met ade do século XIX t êm sido est udadas de forma part icular em diversas obras.
Sant o Ant ónio, abordando o período de 1773-1776, analisando as suas formas est rut urais e reflet indo sobre o significado de uma cidade planeada.
No que diz respeit o à cidade de Barcelos, os aut ores que se debruçaram sobre est e assunt o foram muit o poucos, como são os casos de Carlos Almeida, Francisco Azeredo, M aria Ferreira, August o Soucasaux, J. Sampaio, ent re out ros, os que t ent aram fazer uma análise hist órica da cidade de Barcelos desde os seus prim órdios, sobre arqueologia t em os Ant ónio Brochado de Almeida e mais t arde publicações do M unicípio de Barcelos, que não se debruçaram soment e sobre est e assunt os, mas t ambém sobre os planos na década de 60, com especial relevo do Arq. M oreira da Silva.
1.6 – Estruturação dos conteúdos
A est rut uração da Dissert ação t eve como base os objet ivos e m et odologia enunciados, numa necessidade inicial de conheciment o de conceit os inerent es e expost os ao processo de est udo. Recorreu-se, para t al, à bibliografia geral relacionada com o t ema, assim como à bibliografia específica de autores de referências consubstanciando as noções e conceit os ut ilizados.
A Dissert ação assent a a sua est rut ura concet ual dividida em diferent es part es, que, conjugadas, perm it em consolidar o conhecim ent o sobre o objet o de est udo. Assim , e com base nos objet ivos apresent ados e a met odologia aplicada, o present e t rabalho est rut ura-se em seis capít ulos:
1º Capit ulo
Est e Capít ulo cent ra-se na apresent ação do t rabalho, e est á dividido em vários subcapít ulos. Em prim eiro lugar, apresent am-se a cont ext ualização da invest igação, a just ificação da problemát ica, os objet ivos, o est ado da art e em Port ugal onde se fazem referência a diversos aut ores, por fim a est ruturação os conteúdos.
2º Capit ulo
3º Capit ulo
Será feit o o enquadrament o geral de formação de Barcelos, onde serão abordados numa base hist órica, est ando dividido em várias part es:
A origem de Barcelos, o seu núcleo ant igo, a gafaria, a Vila Régia e Vila Condal; a pont e; a igreja M at riz e a expansão (int ra e ext ra m uros). Tudo ist o será feit o numa base hist órica e social realizada por vários aut ores sobre a Vila de Barcelos, complement ada com diversos mapas que ret rat am a evolução da cidade. Aborda o século XIX e as obras mais import ant es daquela época, sendo que uma das mais im port antes foi o im pact o do caminho-de-ferro e a consolidação indust rial.
Tudo ist o será complement ado com diversos mapas, bem como uma análise quant it at iva e qualit at iva da vila de Barcelos, sem esquecer o Arq. M arques da Silva que foi o primeiro responsável pelos t rabalhos arquit et ónicos na Vila.
4º Capit ulo
É sobre a t ransformação da forma urbana de Barcelos, na segunda met ade do século XX, est á dividido em vários subcapít ulos. Aborda-se os crit érios de seleção e descrição das fases em análise em que foram selecionados t rês períodos, a década de 1960, o período ent re 1960-1990, e por fim o período de 1990-2011.
A análise aos t rês períodos é precedida de um enquadram ent o do cont ext o polít ico, económ ico, social e cult ural da década de 1960. O Decret o nº 15.929 da Direção Geral de Administ ração Polit ica e Civil, que eleva a Vila de Barcelos à cat egoria de Cidade, ficando constit uída pelos aglomerados urbanos das freguesias de Barcelos, Barcelinhos e Arcozelo; bem como um a análise quant it at iva da cidade de Barcelos, e das freguesias de Barcelinhos e Arcozelo.
num t errit ório descent ralizado dos grandes cent ros ur banos.
O ordenament o do t errit ório, será abordado genericament e o urbanismo em Port ugal na segunda m et ade do século XX; os inst rum ent os de ordenament o do t errit ório, de planeam ent o e gest ão urbaníst ica que influenciaram a Cidade de Barcelos O Ant eplano de Urbanização da Cidade de Barcelos de 1951 da aut oria dos Arquit et os David M oreira da Silva e M aria José M . M oreira da Silva; O Esbocet o Geral de Urbanização da Cidade de Barcelos de 1963, cuja aut oria são os mesmos arquit et os; Plano de Urbanização da Cidade, de 1983, da autoria do arquit et o José Carlos Loureiro; Inst rument os de gest ão t errit orial em vigor; Inst rument os de gest ão t errit orial em vigor. Localização e lim it es de est udo, a caract erização do m eio em analise e os seus element os de paisagem.
A est rutura das t rês fases de análise será comum, cada uma composta por cinco secções, em que individualm ent e serão abordados a evolução da est rut ura urbana; das formas de cresciment o; das t ipologias dominant es; das at ividades e suas densidades; os equipam ent os e serviços, ident ificando as suas principais carat eríst icas e desenvolver esquemas int erpret ativos que fornecerão uma leit ura e um conhecim ent o mais profundo do est udo comparat ivo;
5º Capit ulo
É relat ivo à sist ematização, em que apresenta t riangulação ent re o est udo realizado e a fundament ação teórica. Por out ro lado, ident ifica-se a convergência dos diferent es element os recolhidos na leit ura da m orfologia do aglomerado urbano aferindo a contribuição para o est ado da art e.
Por fim as conclusões, est abelecem os principais elem ent os est rut uradores da análise morfológica, verificando-se a respost a aos objet ivos inicialment e propostos.
CAPITULO II
2 - Fundamentação teórica
2.1 – Abordagem introdutória
As obras de Kevin Lynch (1960), Gordon Cullen (1961) e Jane Jacobs (1961), t êm a cidade com o seus objet os de pesquisa. Est es admit iam que os at ribut os do lugar, nat ural ou construído, influenciavam o processo precet ivo e cognit ivo, part icularment e no que se refere ao campo visual, possibilit ando o reconhecim ent o das qualidades am bient ais e a formação das im agens. No livro a “ Imagem da Cidade” Kevin Lynch dest aca a maneira como percebemos a cidade e as suas part es constit uint es, baseado num ext enso est udo em t rês cidades nort e-americanas (Bost on, Los Angeles e Jersey Cit y), no qual pessoas eram quest ionadas sobre a sua perceção da cidade, como est rut uravam a im agem que t inham dela e como se localizavam. At ravés de fot ografias e ent revist as com os cidadãos, Kevin Lynch leu e int erpretou os fragmentos espaciais escolhidos em cada cidade.
Tent ou perceber como os habit ant es se orient avam , como se sent iam quando contornavam uma rua, quando se aproximavam de um cruzament o, qual a sensação perant e qualquer element o urbano. Enfim, a relação do hom em e da cidade a part ir da perceção do hom em. Cada cidadão t em det erminadas associações com part es da cidade, e a imagem que se faz delas est á replet a de memórias e significados.
Lynch ident ificou, como principal conclusão, que os element os que as pessoas ut ilizam para est rut urar sua im agem da cidade podem ser agrupados em cinco grande t ipos: caminhos, limit es, bairros, pontos nodais e marcos.
Um dos conceit os básicos trabalhados é o da legibilidade, em que o aut or refere a “ facilidade com que cada uma das part es [da cidade] pode ser reconhecida e organizada em um padrão coerent e” (Lynch, 1960, p.2).
Para Lynch, a perceção ambient al pode ser analisada segundo t rês componentes: est rut ura, ident idade e significado.
- Est rut ura: a im agem da cidade deve incluir o padrão espacial ou a relação do objet o com o observador e com os out ros objet os;
- Significado: Lynch é mais caut eloso, não se aprofundando m uit o no conceit o nem no seu est udo. A ênfase é, port ant o, na ident idade e na est rut ura.
Apesar disso, argument a que o objet o deve t er algum significado para o observador, seja prát ico ou emocional, que isso est á int im ament e ligado à sua ident idade, o seu papel dent ro de uma est rut ura mais ampla. Outro conceit o import ant e de Lynch é a im ageabilidade (imageablit y, no original), ent endida como a:
Qualidade de um objet o físico que lhe dá uma alt a probabilidade de evocar uma im agem fort e em qualquer observador. Refere-se à forma, cor ou arranjo que facilit am a formação de imagens ment ais do ambiente fort ement e ident ificadas, poderosament e est rut uradas e alt ament e út eis. (Lynch, 1960, p. 9)
O conceit o de imageabilidade, port ant o, est á ligado ao conceit o de legibilidade, um a vez que im agens “ fort es” aum ent am a probabilidade de const ruir um a visão clara e est rut urada da cidade. “ Uma cidade com imageabilidade (aparent e, legível, ou visível), nesse sent ido, seria bem formada, dist int a, mem orável; convidaria os olhos e ouvidos a uma maior at enção e part icipação” (Lynch, 1960, p. 10).
Na obra a “ Paisagem Urbana” de Gordon Cullen, podemos depreender que a paisagem urbana é a art e de t ornar coerent e e organizado, visualment e, o em aranhado de edifícios, ruas e espaços que constit uem o ambient e urbano. Est e conceit o de paisagem exerce fort e influência em arquit et os e urbanist as porque possibilit a análises sequenciais e dinâm icas da paisagem quando os elem ent os e jogos urbanos provocam im pact os de ordem em ocional.
Cullen dá alguns exemplos desse conceit o, uma rua ou avenida em linha ret a, cuja perspet iva visual seja assimilada rapidament e, t orna-se m onótona ou ent ão grandiosa. Para est rut urar esse conceit o de paisagem Cullen recorre a t rês aspet os:
- O prim eiro é a ót ica, que é a visão serial propriam ent e dit a, e é form ada por perceções sequenciais dos espaços urbanos, primeiro se avist a uma rua e em seguida se ent ra em um pát io, que sugere um novo pont o de vist a de um m onument o e assim por diant e;
- O segundo fat or é o local, que diz respeit o às reações do sujeit o com relação a sua posição no espaço, vulgarment e denominado sent ido de localização, “ est ou aqui fora” , e post eriorm ent e, “ vou ent rar em um novo espaço” , e finalment e, “ est ou cá, dentro” ; esse aspet o refere-se às sensações provocadas pelos espaços; abert os, fechados, alt os, baixos et c.;
escalas, est ilos que caraterizam edifícios e set ores da malha urbana. A cidade precisa de contrast es bem m arcados, pois:
O hom em tem em t odos os mom ent os a perceção da sua posição relat iva, sent e a necessidade de se ident ificar com o local em que se encont ra, e esse sent ido de ident ificação, por out ro lado, est á ligado à perceção de t odo o espaço circundant e. (Cullen, 1961, p. 14)
De acordo com Cullen, paisagem urbana é art e de t ornar coerent e e organizado, visualment e, o em aranhado de edifícios, ruas e espaços que const it uem o am bient e urbano. Considera t ambém a exist ência de uma série de vant agens na reunião de pessoas para form ar um a cidade.
Para o aut or, uma cidade é algo mais do que o somat ório dos seus habit ant es, é uma unidade geradora de um excedent e de bem-est ar e facilidades que leva a maioria das pessoas a preferirem viver em comunidade a viverem isoladas. Cullen rejeit a o planeamento urbano recorrent e, rejeit a o que ent ende por " convencionalismo" no que diz respeit o às cidades. “ Se houvesse int eira liberdade de ação provavelment e criar-se-ia simet ria, equilíbrio, perfeição, concordância, convencionalismo. Não é essa a conceção popular da finalidade do planeament o urbano?” (Cullen, 1961, p.13).
Em 1961 a jornalist a Jane Jacobs escreve o livro “ M ort e e Vida de Grandes Cidades” , que se vai t ornar um dos livros mais im port antes nas universidades de arquit et ura e urbanism o. O context o dos at aques ao urbanismo m oderno ort odoxo era o programa de renovação urbana das áreas cent rais das cidades nort e-americanas. O livro é t ambém uma t ent at iva de int roduzir novos princípios de planeam ent o urbano e de reurbanização. Escrevendo principalmente sobre coisas comuns e quot idianas, Jacobs escreve sobre o funcionament o das cidades na prát ica.
A t ese cent ral do livro é o grau de urbanidade de um a cidade, de um a m et rópole ou de um bairro que depende int rinsecament e do grau de vit alidade urbana ali present e. A aut ora procura most rar at ravés de vários argum ent os, que as at ividades são responsáveis pela vida urbana e que os espaços que as acolhem devem est abelecer relações de compromisso.
“ As cidades são um imenso laborat ório de t entat iva e erro, fracasso e sucesso, em t ermos de construção e desenho urbano. É nesse laborat ório que o planeament o urbano deveria aprender, elaborar e t est ar as suas t eorias” (Jacobs, 2003, p.5).
necessidade que as cidades t êm de um a diversidade de usos m ais complexa e densa que propicie uma sustent ação mút ua e const ante, t anto económica quant o social. “ Sob a aparent e desordem da cidade t radicional, exist e, nos lugares em que ela funciona a content o, uma ordem surpreendent e que garant e a manut enção da segurança e a liberdade. É uma ordem complexa” (Jacobs, 2003, p. 52). Jacobs crit ica o que chama de planeam ent o urbano ort odoxo no com eço do livro, que abrange de cert a form a, as utopias do final do século XIX sobre o que seriam sociedades perfeit as:
- A ideologia das cidades jardins, cujo fundador é Ebnezer How ard, a ideologia da Ville Radiouse, de Le Corbousier, a ideologia da “ beautiful cit y” , dos arquit et os e urbanist as americanos, que culmina no m odo de fazer e compor cidades conhecido pela arquit et ura modernist a. São ideologias aparent ement e dist ant es, mas t odas marcadas pelo mesm o princípio básico: mudar o homem, alt erar a nat ureza humana por m eio da t ransformação do meio urbano.
(...) crist alizar o poder, as pessoas, e os usos e os aument os de recursos financeiros segundo um modelo est ático, facilment e cont rolável (...) a não ser sob as diret rizes rígidas de um plano empresarial monopolist a (…) A reinst auração de uma sociedade est át ica, governada, em t udo que fosse import ant e, por uma nova arist ocracia de especialist as em planeament o urbano alt ruíst as. (Jacobs, 2003, p 322)
Jacobs propõe um planeament o não rest rit ivo, permit indo que a cidade seja feit a e refeit a pelos pequenos, médios e grandes em preendedores, e não deixada a cargo de monopolist as, sejam de iniciativa est at al ou particular. A obra de Jacobs não é cont rária a iniciat iva privada, a iniciat iva individual, a pobreza ou a riqueza. É uma obra cont rária aos t écnicos que se julgam esclarecidos e clamam do alt o de suas cát edras por déspot as que lhes deem poder para im plant ar suas dist opias.
Se Jane Jacobs at aca as propostas de planeam ent o urbano das áreas cent rais nort e- americanas na t ent at iva de int roduzir novos princípios de planeament o urbano, Kevin Lynch vai analisar áreas cent rais de t rês cidades nort e-americanas a part ir de fragm ent os espaciais escolhidos em cada cidade e Gordon Cullen, enjeit ou apenas descobrir novos valores e novos crit érios que para ele já exist em além do campo cient íf ico.
im port antes na abordagem m orfológica da Cidade de Barcelos.
Cont udo St ephen M arsall (2004), no seu livro St reet & Pat erns fornece um novo quadro para a conceção e planeam ent o de ‘layout s’ urbanos, a int egração das quest ões de t ransport e, como seja o caso da hierarquia de est radas, ruas art eriais e redes mult imodais com quest ões de design e planeam ent o urbano, como o t ipo de rua, t ipo grade, blocos de uso m ist o e urbano projet ar a codificação.
Cada vez mais exist e um consenso emergent e de que os arruament os devem ser planeados com maior at enção para ’placem aking’, bem como a qualidade do design urbano, mant endo contudo as funções de acessibilidade e conet ividade de transport e convencional.
Cont udo, nem sempre est á claro como isso pode ser alcançado: ainda exist em diferent es conjunt os de orient ação para a rede de est radas principais e para ‘street grids’ locais.
A rua, o espaço urbano m ais complexo e dinâmico da cidade, sempre t eve a capacidade de ligar, unir e relacionar diferent es realidades urbanas.
No ent ant o, ela foi int encionalment e eliminada no projet o da cidade at ravés de inst rument os e configurações urbanas que dificult am ou impedem a coexist ência ent re a sua " função" de lugar e a sua " função" de ligação, condição peculiar da rua.
A área do urbano, mudou de escala não foi apenas no espaço, que Nuno Port as: “ define como dist ribuição da mat éria construída sob form as mais unit árias ou m ais complexas por vast os t errit órios, mas t ambém no t empo, uma sensível aceleração das alt erações das funções e do seu suport e físico” (2007, p.87).
Part e-se do princípio que qualquer int ervenção no espaço urbano, independent ement e da escala, t raz com ela uma mudança, ou seja, uma provocação de t ensões, cuja repercussão não est ará apenas cingida ao espaço e ao t empo da sua execução mas que despolet ará ações e reações espaciais e t emporais.
Estas reações irão repercut ir-se necessariam ent e no Homem e na sua memória. Assim , a cidade é um espaço não limit ado que depende da vivência de cada ser humano, vivência essa que é, t al como uma nova dimensão, de origem dinâmica.
que nos ocupamos, qual a função da vida urbana no seu desenvolviment o, cidades essas que cada vez estão mais descarat erizadas.
Podemos afirmar que, a cidade medieval é const ruída pouco a pouco, dia a dia, mas a cidade moderna sofre t ransformações aceleradas a rit mos muit o elevados, e ant ecipar o seu fut uro para ensaiar dar alguma lógica ao seu cresciment o e t ransformação é um t rabalho socio urbaníst ico de grande complexidade onde se exigem não apenas capacidade para pensar o fut uro m as t ambém para agir no present e em função desse fut uro.
O urbanist a francês François Ascher descreveu a cidade como um conjunto de agrupament os de gent es e de populações onde ocorrem t rocas da nat ureza m ais diversa: bens produzidos e manufat urados, serviços, bens cult urais, simbólicos, informat ivos e polít icos, que subent ende, como t al, processos, normas e est rut uras de habit abilidade e de m obilidade, assim como uma divisão t écnica, social e espacial da produção e da repr odução.
De todas as definições sobre as cidades, t alvez a mais complet a e poét ica seja de It alo Calvino, no seu livro
Cidades Invisíveis, que at ravés dos relat os de M arco Pólo ao grande Kublai, afirmava: As cidades, como os sonhos, são construídas de desejos e de medos, embora o fio do seu discurso seja secret o, as suas regras absurdas, as perspetivas enganosas, e t odas as coisas escondam out ra. (Calvino, 1979, p. 46)
Et imologicament e, a palavra “ cidade” provém do latim “ civit as” , referindo uma comunidade organizada, usado originariamente para descrever as cidades-est ado das civilizações clássicas, nomeadament e as da Grécia Ant iga. Daí uma ligação umbilical com a Polis, e com a base epistem ológica do t erm o polít ica.
Palavras como civil, civilização, cidadão ou cidadania têm ainda a mesma raiz. Para Plat ão, e para out ros pensadores que aprofundaram a simbiose ent re Est ado e cidadania (como Locke, M ont esquieu ou Tocqueville), a “ Polis” compreende, ant es de t udo, o colet ivo dos seus cidadãos.
A urbanist a Françoise Choay t ambém nos anos de 1960, começou a alert ar para as im port antes diferenças ent re cidade (espaços e fluxos de habit at e de relação) e urbano (cult ura, ident idade, condição). Emerge assim, paulat inament e, a part ir dos anos 1960, um movimento de t ransformação que t ransmit e novas dimensões à “ sociedade urbana” e à “ condição urbana” , elas próprias os mot ores das próprias t ransformações.
O fenómeno da urbanização assume hoje um prot agonism o incontornável na m orfologia e geomet ria dos sist emas urbanos.
A cidade t radicional compact a expandiu-se a diferent es rit mos e direções, dando origem a uma im agem urbana complexa, difusa e variável do pont o de vist a das densidades, ocupando áreas de génese agrícola e florest al que em décadas ant eriores possuíam um import ant e papel na subsist ência das famílias.
Assist iu-se à mudança do paradigma urbano que se inicia com a cidade compact a, espaço de proxim idade e mult ifuncionalidade, que se desenvolveu de forma “ arrumada” e faseada e onde o cent ro era facilment e ident ificado, fact o cont r ast ante com o perfil da cidade ext ensiva, linear e fragment ada dot ada de uma lógica monofuncional e amplament e dependent e da cidade cent ral e das respet ivas funções.
O emergir dest a configuração urbana acarret a custos inquest ionáveis para a sust ent abilidade ambient al e financeira dos sist emas urbanos, nomeadament e pelo consumo do solo rural, e de recursos hídricos e energét icos; infraest rut uração das novas bolsas de urbanização; segregação social; ausência de equipament os colet ivos, serviços e funções urbanas; insegurança gerada pelo isolament o; dependência do veículo part icular.
Nos finais do século XIX, “ a cult ura urbaníst ica est ava a oscilar ent re a cidade como obra de art e e a cidade como manufat ura, det erminações que delimit avam campos do conheciment o e disciplinas dist int as” (Choay, 1979). Enquanto a visão da cidade como manufat ura implicava um rompiment o com a hist ória e afluiu na delimit ação de cert o “ planeam ent o urbano” , a cidade vist a com o obra de art e reconhecia, pelo menos em part e, a sua dívida para com a hist ória, e result ou no que Choay classificou como urbanismo cult uralist a.
Cisões estanques que, mais do que indicarem cat egorias rigidament e dist int as, im plicam em maneiras diferent es de t rat ar o mesmo problema, priorizando, diferent ement e, aspet os de um mesm o desafio, ist o é, dar solução aos problem as post os pela ordem advinda da Segunda Revolução Indust rial. Ou seja, carece que pensemos como Heisenberg propõe.
urbanismo como o planeament o urbano, de formas diferent es, visam est udar e int ervir no t odo da part e. Françoise Choay afirma que o termo urbanism o “ Está carregado de ambiguidades” .
Segundo a aut ora, o t ermo que já t eria sido assim ilado pela linguagem corrente, no moment o em que o seu livro “ O Urbanism o” foi escrit o, ora era em pregado com o sinónim o do t rabalho de “ engenheiros civis” ora como plano das cidades ou ainda, como o out ro nome das “ formas urbanas carateríst icas de cada época” .
Choay é um a, ent re os muit os aut ores, que o definem com o um a ciência e explica que o t erm o corresponde à emersão de uma nova conceção de compreender e int ervir na cidade, surgida no século XVIII, com a cidade indust rial, e que no final do XIX se const it uirá com o um a disciplina. Esta basear-se-ia em critérios críticos e reflexivos, pretendendo-se “ cient ífica” , est ando aí a “ aceção original” do t erm o.
A aut ora diferencia, ainda, o urbanismo, das “ art es urbanas ant eriores” , dist inguindo assim a disciplina que se delineou como t al nos fins do XIX, do que era feit o no t empo pret érit o. É unanime, ent re alguns aut ores, Choay (1979), Benévolo (1974), Bardet (1990), Núñez (1951), Harouel (1990), que em diferentes épocas debruçaram-se sobre a génese do urbanismo m oderno, ident ificar no século XVIII e ao longo do XIX as origens das quest ões que o m esmo se propõem a resolver.
No int ent o dest a nova disciplina, não haveria lugar para dúvidas ou incert ezas. Pret endendo-se que a ciência, o urbanismo preconizaria soluções que buscam a universalidade, posição no mínimo cont roversa, que vem ao longo dos anos sendo amplamente relat ivizada. Le Corbusier, na sua obra “ O Urbanism o” , de 1925, define o m esmo com o ciência e art e, e afirma que este é uma t arefa de arquit et os.
Na sua obra “ Planeament o urbano “ , de 1946, ele escreve que “ uma ocupação racional do t errit ório permit iria que sua população t rabalhasse duas vezes m enos” ; isso, após ident ificar que o “ gigant esco desperdício” que a “ desordem do fenómeno urbano” t razia consigo t ornava-se “ uma das cargas mais esmagadoras da sociedade m oderna” .
vert icalizada em oposição aos que preconizavam uma produção arquit et ónica horizont alizada, mem bros que defendiam a t omada de uma série de reformas consideradas necessárias no período do pós-2ª Grande Guerra (como o grupo do Team X), membros da “ velha guarda” . O CIAM de 1959 m arca o início oficial do Est rut uralism o enquant o m ovim ent o, não obst ant e t er havido, ant eriorment e a est a dat a, projetos e edifícios que perspet ivavam já muit as dos princípios que mais t arde viriam a est ar form alm ente incorporadas ao Est ruturalismo – no ent ant o, som ent e a part ir de 1969 é que o t erm o “ Est rut uralism o” com eçaria a ser usado em publicações relat ivas às áreas da arquit et ura e do urbanism o.
Alguns arquit et os começaram a est abelecer relações ent re est ruturas densas da sociedade ocident al, do séc. XX, com est rut uras t radicionais da África e da Ásia: Aldo van Eyck, por exemplo, ut ilizou referências em abrigos do nort e da África como base para o planeament o urbano. O pensament o est rut uralist a conferia ênfase à complexidade, mult iplicidade e relacionament os humanos, servindo t am bém como base para construções pós-modernist as com as suas múlt iplas fusões de padrões e est ilos.
Um a organização de uma linguagem de padrões foi realizada pelo m at emát ico Christ opher Alexander, que publicou livros com padrões de linguagens relacionados a diversos t ipos de arquit et ura e configuração urbana. É int eressant e not ar que a prim eira ut ilização do vocábulo “ urbanismo” t ambém se encontra associada à expansão da sociedade emergent e da Revolução Indust rial, a que M orris veement em ent e se opôs.
O urbanismo pode, pois, ser definido como uma área at ravés da qual se procuram respost as para um conjunt o de quest ões relat ivas à est ét ica e à organização das cidades, no sent ido de adaptar as suas est rut uras às necessidades dos homens.
Afast ada para últ imo plano em t ermos est ét icos no século XVIII, a arquit et ura alcançou assim na prim eira m et ade do século XIX um prest ígio cent ral, adquirindo um discurso comum às out ras art es, especificament e à pint ura e à escult ura. Desde que alguém sugeriu colocar como t em a dos CIAM o “ The Heart of t he Cit y” , vinha acont ecendo um a reaproxim ação aos cent ros das cidades e ao pat rim ónio, sendo que a cidade t radicional e espont ânea se t ornava cada vez mais a referência essencial para a crít ica da cidade moderna.
O renovado valor imprim ido aos cent ros hist óricos urbanos e ao pat rim ónio significava uma crít ica direit a à t ábula rasa que defendia o modernismo. O urbanismo m oderno sim plesmente considerava as cidades ant igas “ doent es” e “ limpava” t udo, deixando apenas os monument os principais solt os no meio da imensa cidade funcional.
pronunciava que o conceit o de monum ent o não podia ser ent endido como element o isolado, devia ant es ser considerado como part e de um conjunto urbano que passava t ambém a ser pat rim ónio. A part ir dos anos 60 os cent ros hist óricos t ornam -se um objet o de est udo para o planeam ent o urbano, valorizando-se as suas qualidades espaciais, cult urais, urbaníst icas e sociais. A reaproximação à cidade ant iga e ao pat rimónio hist órico, gera novas int erpret ações m ais com plexas, valorizando a hibridez e o confront o dos vários t em pos da Hist ória que os modernist as decidiram ignorar.
Part indo-se do const ruído criavam-se novas relações e oport unidades. Robert Vent uri, lança em 1966 “ Com plexidade e Cont radição em Arquit ect ura” e no m esm o ano Aldo Rossi aparece com “ A arquit et ura da Cidade” am bos com um novo ol har sobre a hist ória da arquit et ura.
Com o considera Jorge Figueira, “ aquilo que Robert Venturi e Aldo Rossi significam no final dos anos 60 é um “ regresso à arquit et ura, no que os processos cient íficos e as est ruturas mut antes puseram em causa as ferrament as tradicionais do arquit et o” (2009, p.84).
Rossi refere a relação int rínseca ent re forma e a forma geral da cidade denominando-as como constant es. Est es fact os são “ ligados aos element os const rutivos, aos fundament os da cidade, e est es reencont ram -se nos m onum ent os” (Rossi, 2001, p. 79).
Não obst ant e os monum ent os poderem t er sido alvo de alt eração ao nível funcional, ao longo do tempo, a sua aparência física, ou seja, a sua forma f ísica, mant ém-se inalt erável.
Por isso, Rossi defende que a análise funcional não poderá proporcionar dados fiáveis como fact os urbanos. Segundo Panarai (1983), a noção de cresciment o é oriunda de est udos it alianos elaborados por M urat ori, Aymonino e Rossi.
Este conceit o prende-se com a análise dos fenómenos de crescim ent o e de densificação de aglomerações do ponto de vist a morfológico, ou seja, a par t ir da sua inscrição mat erial no t errit ório. Est a surge como t radição da leit ura orgânica ou biológica da cidade, igualment e presente em reflexões sobre as questões de est rut ura e de gramática generat iva da forma, nos domínios da arquit et ura e do urbanism o.
Assim, os crescim ent os são processos cont ínuos que se vão sobrepondo em moment os e cont ext os diferent es. A análise de um a aglomeração inicia-se pelo seu cresciment o, pelo que perm it e “ agarrar” de forma global o objet o. Est e é o pont o de vist a de Aymonino quando refere:
la forme urbaine est um processus cont inu (…) et , s´il est possible de la décrire ou de la caractériser á une période precise, on ne peut négliger, pour la comprendre, l´ét ude des périodes ant érieures qui ont condit ionné com développement et l ´on lit t éralment form ée. (Panarai et al., 1983)
Conform e refere M anuel Solá-M orales, o cresciment o urbano e a sua morfologia são result ant es consequentes de t rês operações e das suas múlt iplas combinações. Das t rês operações referidas depreendem -se o parcelam ent o (parce-lació), a urbanização (urbanit zació) e a edificação (edificació).
O parcelam ent o (P) define-se pela morfologia de ocupação do solo que se t raduz na divisão de propriedade; a urbanização (U) prende-se com a construção de infraest rut uras urbanas; a edificação (E) diz respeit o à const rução de edifícios, a harmonia e sucessão dest as t rês operações t raduzem-se em seis tipologias de cresciment o urbano incluídas em dois grupos (Fig. 2).
COM PLANEAM ENTO URBANO
Expansão M odelar Filas Urbanas Cidade Jardim Polígonos P+U+E U+P+E UP+E PUE
SEM PLANEAM EN TO URBANO
Urbanização M arginal Barr aca
P+E E
P- Parcelam ent o; U-Urbanização; E-Edificação
Fig. 2:Tabela das formas de cresciment o urbano segundo Solá-M orales.
O aut or est abelece relações int rínsecas ent re as diferent es formas de cresciment o e os fenómenos sociais. Essa relação conduz ao est udo dos dist int os t ipos de morfologias urbanas. Logo, na análise de um a cidade, a linha t emporal aparece com o um processo cont ínuo,
dinâmico, em que a sua forma revela épocas e cont ext os diferent es.
A rut ura formal é indício de t ransformação social, económica ou polít ica. Est as int errupções da forma, ao longo da hist ória e dos diferent es cont ext os, são a chave para est abelecer os períodos de análise de uma det erminada cidade ou aglomeração.
independent ement e da sua grandeza ou complexidade. Refere-se à forma física de uma rua, de um a praça, de um bairro, de um a cidade.
Por out ro lado, na forma de um a rua ou de um bairro, podem -se dist inguir as part icularidades dos edifícios que as delimit am e as est rut uram; na forma do bairro, podem-se dist inguir as ruas e praças que o compõem e nas quais est e se subdivide, e assim por diant e. (Lam as, 2010, p. 73)
Assim, a relação ent re a presença humana e o espaço por ele ut ilizado são dois fat ores indissociáveis. A compreensão e conceção da forma urbana são colocadas em diferent es níveis que são dist inguidas por unidades de leit ura e de conceção, ou seja, o espaço pode ser subdividido em diferent es part es ident ificáveis.
O crit ério para est a fragment ação do espaço urbano t em sem pre que ver com a form a de processam ent o de leit ura e com o m odo com o este foi produzido. A dimensão set orial (escala da rua, segundo classificações de Rossi e Tricart), é a m ais pequena unidade com forma própria.
Segundo o aut or, as const ruções e as suas relações est abelecidas com o espaço, junt ament e com o t rat ament o do solo e da sua superfície, ocupam um lugar proem inent e.
É o pont o onde o observador consegue englobar a unidade espacial no seu conjunt o, permit indo que os diversos element os (fachadas, mobiliário urbano, paviment os, cores, let reiros, árvores, monument os isolados, etc.) organizados ent re si definam a forma urbana. A dimensão urbana (escala de bairro, segundo Rossi e Tricart ) envolve a área urbana, a cidade como um t odo ou part e dela. Est a dimensão subent ende a est rut ura de ruas, praças ou formas com uma escala inferior.
Assim, corresponde à cidade, ou part e dela, como os seus bairros, sendo de part es idênticas ident ificáveis e que ainda pode abarcar uma vila ou uma aldeia. Na dimensão t errit orial, (escala da cidade, segundo Rossi e Tricart ), a forma estrut ura-se pela art iculação das diferent es dim ensões urbanas, ou seja, pelos diferent es bairros ligados ent re si.
A escala da rua, que compreende as const ruções e os espaços não const ruídos que a circundam; A escala do bairro, que é const it uído por um conjunt o de quart eirões com carat eríst icas comuns; A escala da cidade int eira, considerada como um conjunt o de bairros. (Rossi, 2001, p. 61)
Rossi afirma ainda que o elo de ligação entre est as diversas escalas é o cont eúdo social que elas apresent am, dando ênfase à escala do bairro, sendo a int ermediária ent re as t rês escalas que, segundo ele, compõe a cidade. O bairro revela, ant es de t udo, uma forma física, um pedaço urbano que cresce segundo t ais eixos ou t ais direções e um det erminado t amanho, seu t raçado segue uma lógica espaço-social.
As classificações contemplam a m acro, media e micro escala ou dimensão. No ent ant o, as conexões exist ent es ent re elas não est ão referenciadas. M urat ori, Aymonino e Rossi est abeleceram diferent es níveis de análise e as int er-relações exist entes ent re elas. Defendem a criação de divisões por t ipos de edificações e na sua relação com a m orfologia do espaço urbano.
Saverio M urat ori publica um a série de invest igações e est udos que marcam as prim eiras reflexões sobre a arquit et ura cont emporânea, na década de cinquent a.
O seu principal objet ivo era evit ar a rut ura ent re as disciplinas t écnicas e as disciplinas hist óricas e t eóricas, e int er-relacionar a arquit et ura com a crise urbana. Leva a cabo est udos sobre o t ecido urbano da cidade baseado num mét odo t ipológico. Segundo Panarai, o est udioso it aliano t em por objet ivo:
caract ériser la form e urbaine à la fois com m e st ruct ure globale et com m e ensemble de disposit ions precises, locales. C´est l´idée d´appréhender la ville á part ir de l´ét ude de sa croissance. C´est enfin, en dépassant la not ion de bât im ent envisagé comme un objet isolé, sort ir d´une concept ion de la t ypologie fondée sur la reconnaissance d´archét ypes pour plonger dans une analyse concrèt e du t issu. (Panarai et al., 1983, p. 86)
Carlo Aym onino ret oma as t eorias do M urat ori com um duplo objet ivo: