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Vida Em Comunhao Dietrich Bonhoeffer

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Academic year: 2021

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Traduzido uzido do origindo originalal  Gem  Gemeinsaeinsames mes LebenLeben ©

© 1931939 9 ChrChr. Kaise. Kaiser r VerVerlaglag, , MtiMtinchnchen, en, AleAlemanmanhaha Dire

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Jerusalem, Edi<;6es Edi<;6es Paulinas)Paulinas)

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Tradu<;ao: Ilson Ilson Kayser Kayser  Revi

Revisao sao da traduda tradu<;ao: B<;ao: Brunirunilde lde ArendArendt t TornTornquistquist Prod

Produ<;ao edu<;ao editoriitorial: al: EditoEditora ra SinoSinodaldal Prod

Produ<;ao gru<;ao graficaafica: : GrafGrafica ica SinoSinodaldal

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CIP - BRASIL CATACATALOGALOGA<;Ao <;Ao NA PUBLNA PUBLICA<;ICA<;AoAo Bibli

Bibliotecaotecana na resporesponsavensavel: l: RosemRosemarie arie B. dB. dos Sanos Santos CRB 10/797tos CRB 10/797 Bonho

Bonhoeffereffer, , DietDietrichrich Vida em comunh

Vida em comunhao ao / Diet/ Dietrich rich BonhBonhoeffeoeffer.r. 3. ed

3. ed. rev. - . rev. - Sao LeoSao Leopolpoldo do : Si: Sinodnodal, al, 1991997.7. 95p.

95p. Titu

Titulo original: Gemeinsalo original: Gemeinsames mes LebeLeben.n. ISBN 85-233-0462-2 ISBN 85-233-0462-2 CDU24 CDU24 284-1 284-1

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"Assobiarei para reuni-Ios porque eu os resgatei", "e retomarao" (Zacarias lO.8 e 9). Quando isso aconteceni? Ja aconteceu em Jesus Cristo que morreu "para congregar na unidade todos os fIlhos de Deus dispersos" (Joao 11.52), e acontecera de forma visivel no final dos tempos, quando os anjos de Deus ajuntarem os escolhidos de Deus dos quatro cantos da terra, de urn lado do mundo ate0outro (Mateus

24.31). Ate la 0 povo de Deus continua na dispersao, tendo Jesus

Cristo como tinico lalfo de uniao, unificados pelo fato de, dispersos entre os descrentes, conservarem sua memoria em pafses estranhos.

de saudade, Paulo pede a presenlfa de Timoteo, "meu querido filho na fe", para fazer-Ihe companhia na prisao nos ultimos dias de vida, quer reve-Io e te-Io a seu lado. Paulo nao esqueceu as lagrimas de Timoteo por ocasiao de sua ultima despedida (2 Timoteo 1.4). Ao recordar da comunidade de Tessal6nica, Paulo ora: "Noite e dia rogamos com instancia poder rever-nos" (1 Tessalonicenses 3.lO), e 0velho Joao sabe que a alegria com os seus so sera completa

quando puder visita-Ios e falar com eles pessoalmente, ao inves de lhes escrever (2 Joao 12). Nao e vergonha 0crente ter saudade da

companhia de outros cristaos, como se isso fosse sinal de viver ain-da por demais na carne. 0ser humano e criado como came, na

carne apareceu 0Filho de Deus na terra por arnor a nos, na came foi

ressuscitado, na came 0crente recebe Cristo no Sacramento, e a

ressurreilfao dos mortos levara a comunhao perfeita das criaturas espirito-camais de Deus. Atraves da presenlfa fisica do irmao, 0 crente 10uva 0 Criador, Reconciliador e Salvador, Deus Pai, Filho e Espirito Santo. Na proximidade do irmao cristao, 0 preso, 0doente,

o cristao na diaspora reconhece urn gracioso sinal   fisico   da presen-Ifado Deus triuno. Na solidao, visitante e visitado reconhecem urn no outro 0Cristo presente na came, recebem e se encontram como

se com 0 Senhor se encontrassem - em reverencia, humildade e alegria. Aceitam a benlfao urn do outro como do proprio Senhor  Jesus Cristo. Se urn unico encontro com urn irmao traz tanta felici-dade, que riqueza inesgotavel deve se abrir aqueles que, pela vonta-de vonta-de Deus, sao consivonta-derados dignos vonta-de viver em comunhao diana com outros cristaos! Obviamente 0que para a pessoa solitaria e

indizivel gralfa de Deus, facilmente pode ser desprezado e pisado  pela pessoa que goza desse privilegio todos os dias. Facilmente

~s-quece-se que a comunhao dos irmaos cristaos e urn presente graclO-so procedente do Reino de Deus, que pode nos ser tirado a qualquer  hora, e que talvez urn prazo muito curto de tempo esteja nos sepa-rando da mais profunda solidao. Por isso, quem pode ate este mo-mento viver em comunhao com outros irmaos, que louve a gralfa de Deus do fundo do coralfao, agradelfa a Deus de joelhos e reconhelfa:

o

 privilegio que cristaos tern de viverem ja agora em comunhao visivel com outros cristaos, no perfodo entre a morte de Cristo e 0  juizo   final, e apenas uma antecipalfao misericordiosa das coisas der-radeiras. E  gralfa de Deus uma comunidade poder reunir-se neste mundo, de maneira visivel, em tomo da Palavra de Deus e dos Sa-cramentos. Nem todos os cristaos compartilharn dessa gralfa. As  pessoas presas, doentes, solitarias na dispersao, que pregam 0 E van-gelho em terras pagas estao sozinhas. Elas sabem que a comunhao visivel e gralfa. E orarn junto com 0salmista: "Eu irei ao altar de

Deus, ao Deus que me alegra. Vou exultar e celebrar-te com a har- pa" (Salmo 42.4). No entanto, permanecem solitmas, semente dis- persa em terras distantes, conforme a vontade de Deus. Porem, elas apreendem tanto mais veementemente pela fe 0 que lhes e negado como experiencia visivel. Assim Joao, 0discfpulo exilado do

Se-nhor, 0apocaliptico, celebra 0culto celestial com suas igrejas na

solidao da ilha de Patmos "no dia do Senhor, dominado pelo Espfri-to de Deus" (Apocalipse 1.lO). Ele ve os sete candelabros, que sao suas igrejas; as sete estrelas, que sao os anjos das comunidades; e, no meio e por cima de tudo isso, 0Filho do Romem, Jesus Cristo, na

imensa gloria do Ressurreto. Esse fortalece-o e consola-o com sua Palavra. Esta e a comunhao celestial da qual participa 0exilado no

dia da ressurreilfao de seu Senhor.

\' A presenlfa fisica de outros cristaos constitui para 0cristao uma

7

  fonte de alegria e fortalecimento incomparaveis. Invadido por gran-'---.-,.

(7)

Primeiro: Crista e aquela pessoa que ja nao busca a sua salva-~ao, a sua reden~ao e a sua justifica~ao em si mesma, mas exclusi-vamente em Jesus Cristo. Ela sabe que a Palavra de Deus em Jesus Cristo a condena, mesmo que ela nao tenha consciencia da pr6pria culpa, e que a Palavta de Deus em Jesus Cristo a absolva e a declare  justa, mesmo que ela nao tenha consciencia de sua pr6pria justi~a. A pessoa crista nao vive mais de si me sma, nem da auto-acusa~ao nem da autojustifica~ao, mas da acusa~ao e da justifica~ao de Deus. Vive inteiramente a partir da senten~a que Deus pronuncia sobre ela, sujeite-se a ela na fe, quer a condene, quer a absolva. Vida e morte do cristao nao se encontram nele mesmo; ele encontra ambas exclusivamente na Palavra que vem a ele de fora, na Palavra de Deus para ele. Os reformadores expressaram-no assim: nossa justi-~a e uma "justijusti-~a alheia", umajustijusti-~a de fora   (extra nos).   Com isso eles queriam dizer que 0 cristao depende da Palavra de Deus que lhe e dirigida. Ele esta orien,tado para fora, para a Palavra que vem a seu encontro. 0cristao vive totalmente da verdade da Palavra de

Deus em Jesus Cristo.Perguntando-lhe sobre onde esta sua salva-~ao, sua felicidade, sua justi~a, ele jamais podera apontar para si mesmo, mas para a Palavra de Deus em Jesus Cristo que the assegu-ra salva~ao, felicidade e justi~a. 0cristao anseia ardentemente por  esta Palavra. Porque nao passa urn dia em que nao sinta fome e sede de justi~a, anseia sempre pela Palavra libertadora. S6 de fora ela  pode vir. Ele mesmo e pobre, esta morto. A ajuda deve vir de fora, e ela veio e toma a vir diariamente na Palavra a respeito de Jesus Cristo, trazendo sa1va~ao, justi~a, inocencia e felicidade.

e gra~a, nada mais do que gra~a, 0 fato de que hoje ainda podemos viver em comunhao com irmaos cristaos.

Evariada a medida da gra~a da comunhao vislvel que Deus cede. Vma visita rapida de urn irmao cristao, uma ora~ao em con- junto e a ben~ao fratema consolam 0 cristao que vive na diaspora,

uma carta escrita pela mao de urn cristao conforta-o. As sauda~6es escritas a pr6prio punho por Paulo em suas cartas eram, sem duvi-da, sinais de tal comunhao. Outras pessoas desfrutam da comunhao do culto dominical. Outras ainda levam uma vida crista na comu-nhao familiar. Antes de serem ordenados, jovens te610gos recebem o presente da vida em comunhao com os irmaos por determinado  periodo. Nas comunidades cristas de fato desperta hoje 0 desejo de

aproveitar os intervalos entre urn e outro periodo de trabalho para urn momenta de comunhao com outros cristaos sob a Palavra. Os cristaos de hoje compreendem de novo a vida em comunhao como sendo a gra~a, que ela e de fato, como 0 extraordinario, "as rosas e os lirios" da vida crista (Lutero).

Comunhao crista e comunhao por meio de Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Nao ha comunhao crista que seja mais ou menos do que isso. Quer seja urn unico e breve encontro ou uma comunhao diaria que perdure ha anos, a comunhao crista e somente isso. Per-tencemos uns aos outros tao-somente por meio de e em Jesus Cristo.

 Em primeiro lugar, isso significa que um cristiio precisa do ou-tro por amor a Jesus Cristo.

 E em terceiro lugar, isso significa que nos fomos eleitos desde a eternidade, aceitos no tempo e unidos para a eternidade em Jesus Cristo.

Deus, porem, colocou esta Palavra na boca de pessoas para que fosse difundida entre as pessoas. A pessoa que e atingida por ela,  passa-a adiante para outras pessoas. Deus quis que procurassemos e achassemos sua Palavra viva no testemunho de irmaos, na boca de uma pessoa. Por isso 0 cristao precisa do cristao que the diga a Palavra de Deus, e necessita dele constantemente, quando a incerte-za e 0 desanimo 0 assediam, pois nao podera ajudar a si mesmo sem  burlar a verdade. Necessita do irmao como portador e proclamador   Em segundo lugar, isso significa que um cristiio so consegue

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da Palavra salvffica de Deus. Precisa do irmao exclusivamente pela vo?tade de Jesus. 0 Cristo no proprio cora~ao e mais fraco do que 0

Cnsto na palavra do irmao; aquele e incerto, este e certo. Corn isso se evidencia ao mesmo tempo 0objetivo de toda comunhao entre

cristaos: encontrarn-se como portadores da mensagem salvffica. E n~ssa qualidade que Deus permite que se encontrem e lhes presen-tela corn comunhao. Jesus Cristo e a "justi~a alheia" fundarnentam sua comunhao. Podemos, pois, dizer que a comunhao crista nasce unicamente da mensagem bfblica - e reformatoria - da justifica~ao do ser humano so por gra~a, e essa mensagem e a unica razao da saudade dos cristaos uns dos outros.

Segundo: Urn cristao so chega a outro atraves de Jesus Cristo. Entre as. pessoas reina a discordia. "Ele e a nossa paz" (Efesios 2:14), afI~a Paulo a respeito de Jesus Cristo no qual a velha huma-mdade dIlacerada tomou a unificar-se. Sem Cristo ha inimizade entre as pessoas e entre elas e Deus. Cristo tomou-se 0mediador e

trouxe a paz corn Deus e entre as pessoas. Sem Cristo nao conhece-darnos Deus, nao poderfarnos invoca-Io nem vir a ele. Sem Cristo tarnbem nao conhecerfamos 0irmao nem poderfamos encontra-Io.

o

caminho esta bloqueado pelo proprio eu. Cristo desobstruiu 0

caminho que leva a Deus e ao irmao. Agora os cristaos podem viver  ern paz uns corn os outros, podem amar e servir uns aos outros  p.?dem ~e tornar u~. Contudo, tambem de agora ern diante so pode~

rao faze-Io por melO de Jesus Cristo. Apenas ern Jesus Cristo nos ~o~os urn,. apenas por meio dele estamos unidos. Ele permanece 0

umco medlador ate a etemidade.

Terceiro:   Ao tornar-se came, 0Filho de Deus assumiu

verdadei-ra e corpoverdadei-ralmente, por puverdadei-ra gverdadei-ra~a, nosso ser, nossa natureza, a nos mesmos. Era esse 0eterno proposito do Deus triuno. Agora estamos

nele. Onde ele esta, carrega nossa came, a nos mesmos. Onde ele esta, ali estamos nos tambem - na encama~ao, na 'cruz, na sua res-surrei~ao. Pertencemos a ele, porque estamos nele. Por isso a Escri-tura nos chama de corpo de Cristo. Mas se, mesmo antes de

poder-mos saber e desejar, fopoder-mos eleitos e aceitos ern Jesus Cristo corn toda a comunidade, tambem the pertencemos todos juntos ern eter-nidade. Nos que vivemos ern sua comunhao aqui, estaremos urn dia corn ele ern comunhao eterna. Quem olha para seu irmao, saiba que estara eternamente unido corn ele ern Jesus Cristo. Comunhao cris-ta e comunhao atraves de e ern Jesus Cristo. Nessa pressuposi~ao  baseiam-se todos os ensinamentos e regras da Escritura acerca da

vida ern comunhao da cristandade.

"Nao precisamos vos escrever sobre 0amor fratemo; pois

aprendestes pessoalmente de Deus a amar-vos mutuarnente. Nos,  porem, vos exortamos, irmaos, a progredir cada vez mais" (l Tessalonicenses 4.9 e lOb). Deus mesmo assumiu a instru~ao no arnor fraternal; tudo 0que as pessoas podem acrescentar a isso e a

lembran~a daquela instru~ao divina e a admoesta~ao de fazer ainda mais. Quando Deus teve misericordia conosco, quando nos revelou Jesus Cristo como nosso irmao, quando conquistou nosso cora~ao corn seu amor, neste momenta come~ou a instru~ao no amor frater-nal. Sendo Deus misericordioso para conosco, aprendemos a ter  misericordia corn nossos irmaos. Recebendo perdao ao inves de jufzo, fomos habilitados a perdoar nossos irmaos. 0 que Deus fez conosco, isto estavamos devendo ao nosso irmao. Quanto mais havfarnos re-cebido, tanto mais podfamos dar; quanta mais pobre nosso amor  fraterual, visivelmente tanto menos vivfarnos da misericordia e do amor de Deus. Desta maneira, Deus mesmo nos ensinou a encon-trarrnos uns aos outros, assim como ele veio ao nosso encontro ern Cristo. "Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como tarnbem Cris-to vos acolheu, para a gloria de Deus" (Romanos 15.7).

A partir daf, a pessoa que Deus colocou numa vida ern comu-nhao corn outros cristaos aprende 0que significa ter irmaos. Paulo

denomina sua comunidade de "meus irmaos" (Filipenses 1.14). Apenas atraves de Jesus Cristo alguem e irmao de outrem. Sou irmao de outra pessoa atraves daquilo que Jesus Cristo fez para mim e ern mim; a outra pessoa se tornou meu irmao atraves

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daqui-10  que Jesus Cristo fez nela e para ela. 0 fato de sermos irmaos exclusivamente atraves de Jesus Cristo tern urn significado imensunivel. 0 irmao com 0qual lido na comunhao nao e aquela

 pessoa honesta, ansiosa por fratemidade e piedosa que esta diante de mim, mas e a pessoa redimida por Cristo, justificada, chamada  para a fe e para a vida etema. Nossa comunhao nao pode ser

ba-seada naquilo que a pessoa e em si, em sua espiritualidade e pie-dade. Determinante para nossa fratemidade e aquilo que a pessoa e a partir de Cristo. Nossa comunhao consiste unicamente no que Cristo fez por nos dois. E isso nao e assim apenas no infcio, como se, no decorrer do tempo, algo fosse acrescentado a essa comu-nhao, mas assim sera para todo 0futuro e em toda a etemidade. So

tenho e terei comunhao com outra pessoa atraves de Jesus Cristo. Quanto mais autentica e profunda fOr nossa comunhao, tanto mais tudo 0resto ficara em segundo plano, com tanto mais clareza e

 pureza Jesus Cristo, unica e exclusivamente ele, e sua obra se tor-narao vivos entre nos. Temos uns aos outros apenas atraves de Cristo, mas atraves de Cristo nos de fato temos uns aos outros, inteiramente para toda a etemidade.

Segundo: fraternidade crista Ii  uma realidade espiritual e nao  psiquica.

Isso acaba de antemao com todo 0desejo sombrio por mais.

Quem deseja mais do que Cristo estabeleceu entre nos nao procura fratemidade crista, busca quaisquer experiencias extraordinarias de comunhao que nao pode encontrar em outra parte, traz desejos confusos e impuros para dentro da fratemidade crista. E  exata-mente neste ponto, na maioria das vezes logo de inicio, que a fratemidade crista corre 0maior perigo, 0envenenamento mais

intimo, ou seja, confundir fratemidade crista com urn ideal de co-munhao piedosa, misturar  0anseio natural do cora<;;aopiedoso por 

comunhao com a realidade espiritual da fratemidade crista. Para a fratemidade crista e muito importante que fique claro desde 0

infcio 0seguinte:

 Numerosas vezes, toda uma comunhao crista faliu porque vivia de urn ideal. Justamente 0cristao serio, aquele que pela primeira

vez entra em contato com uma comunhao de vida crista, muitas vezes trara consigo uma determinada imagem do tipo de vida em comum crista e se empenhara em coloca-Ia em pratica. No entanto, e a gra<;;ade Deus que logo levara tais sonhos ao fracasso. A grande decep<;;aocom os outros, com os cristaos em geral e, se correr tudo  bern, tambem conosco mesmos, precisa nos vencer, tao certo como Deus quer nos levar ao conhecimento da verdadeira comunhao cris-ta. Em sua imensa gra<;;a,Deus nao permite que vivamos, nem por   poucas semanas, em urn sonho, que nos entreguemos aquelas

expe-riencias embriagadoras e a essa euforia que nos assalta como urn extase. Pois Deus nao e0Deus de emo<;;oes,mas da verdade.

So-mente a comunhao que passa pela grande decep<;;ao,com seus maus e desagradaveis aspectos, come<;;aa ser 0que ela deve ser diante de

Deus, come<;;aa apossar-se na fe da promessa recebida. Quanto mais cedo a pessoa e a comunidade passarem por esta decep<;;ao, tanto melhor para ambas. Vma comunhao que nao suporte e nao sobrevi-va a uma tal decep<;;ao,que se agarre a seu ideal quando ele e para ser destruido, perde na mesma hora a promessa de comunhao dura-doura, e se desmanchara mais cedo ou mais tarde. Qualquer ideal humano, introduzido na comunhao crista, impede a comunhao au-tentica e precisa ser destruido, para que a auau-tentica comunhao pos-sa existir. A pessoa que ama mais seu sonho de uma comunhao crista do que a propria comunhao crista, destruira qualquer comu-nhao crista, mesmo que pessoalmente essa pes soa seja honesta, se-ria e abnegada.

Primeiro: fraternidade crista nao Ii  um ideal, mas uma realida-de divina.

Deus odeia as fantasias, pois elas tomam a pessoa orgulhosa e  pretenciosa. Quem idealiza uma imagem de comunhao, exige de Deus, das outras pessoas e de si mesmo que ela se tome realidade. Entra na comunhao crista colocando exigencias, estabelece uma lei

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 propria e a partir dela julga os irmaos e ate mesmo Deus. Compor-ta-se com rigidez, como uma acusac;ao viva para todos os demais no circulo de irmaos. Age como se precisasse criar primeiro a comu-nhao crista, como se seu ideal fosse unir as pessoas. Tudo 0que nao

acontece de acordo com sua vontade e considerado como fracas so. La onde essa pessoa ve seu ideal ser destrufdo, ela ve a comunhao se quebrando. Assim, primeiro ela se toma acusadora de irmaos, en-tao de Deus, e, por fim, acusadora desesperada de si mesma. Nao entramos na comunhao com outros crentes colocando exigencias, mas com gratidao e como agraciados, porque Deus ja colocou 0

unico fundarnento de nossa comunhao, porque ha muito, mesmo antes de entrarmos na comunhao com outros cristaos, Deus ja nos uniu com eles num so corpo em Jesus Cristo. Agradecemos a Deus  pelo que fez por nos. Agradecemos a Deus por ele nos dar irmaos que vivam sob seu chamado, seu perdao e sua promessa. Nao nos queixarnos por aquilo que Deus nao nos da, mas agradecemos pelo que ele nos da diariamente. Por acaso nao basta 0que nos e dado:

irmaos que, em pecado e tribulac;ao, ficam ao nosso lado sob sua  benc;ao e grac;a? Ou a dadiva de Deus de uma comunhao crista em algum dia, tambem nos dias diffceis e desventurados, sera menos do que essa grandeza imensuravel? Mesmo quando pecado e desenten-dimento pesam sobre a comunhao, 0irmao pecador nao permanece

sendo0irmao junto do qual estou colocado sob a palavra de Cristo?

Seu pecado nao se toma urn motivo para renovadamente dar grac;as  por podermos ambos viver sob 0amor perdoador de Deus em Jesus

Cristo? Nao se tomara incomparavelmente salutar para mim a hora da grande desilusao, pois ela me ensina que nos dois jamais podere-mos viver de palavras e obras proprias, mas unicarnente daquela uma palavra e uma obra que de fato nos une, a saber, do perdao dos  pecados em Jesus Cristo? La, onde 0nevoeiro matutino dos ideais

se dissipa, nasce fulgurante 0dia da comunhao crista.

 Na comunhao crista acontece 0mesmo com 0agradecimento

que nas demais areas da vida crista. Apenas quem agradece pelas  pequenas coisas, recebe tarnbem as grandes. Nos impedimos Deus

de nos presentear com as grandes dadivas espirituais que ele reser-va para nos, porque nao the agradecemos pelas dadireser-vas cotidianas. Achamos que nao devemos nos dar por satisfeitos com a pequena medida de reconhecimento espiritual, experiencia e arnor que nos foi proporcionada, e que devemos sempre aspirar aos dons supre-mos. Entao nos queixamos da falta da grande certeza, da fe vigoro-sa, da experiencia rica que Deus, afinal, concedeu a outros cristaos. E achamos que estas queixas san piedosas. Oramos pelas grandes coisas e esquecemos de agradecer pelas pequenas dadivas do dia-a-dia (que na verdade nao san tao pequenas assim!). Mas como Deus  pode confiar coisas grandes a quem nao aceita com gratidao as pe-quenas coisas de sua mao? Se nao agradecemos todos os dias pela comunhao crista em que vivemos, tambem ali onde nao ha grandes experiencias, nenhuma riqueza palpavel, mas muita fraqueza, pe-quenez de fe e dificuldades; se nao fazemos outra coisa senao nos lamentar perante Deus por tudo ser ainda tao pobre, tao pequeno, tao diferente do que esperavamos, entao impedimos Deus de fazer  crescer nossa comunhao segundo a medida e riqueza a disposic;ao de todos em Jesus Cristo.

Isso tarnbem se aplica, de modo especial, as queixas tantas vezes ouvidas de pastores e membros zelosos sobre suas comunidades. Urn pastor nao deve se queixar de sua comunidade, de forma algu-ma diante de outras pessoas, algu-mas tarnbem nao perante Deus; nao lhe foi confiada uma comunidade para que ele se tomasse seu acu-sador diante das pessoas e de Deus. Quem desconfiar de uma comu-nhao crista, na qual e colocado, e a acusar, que se examine antes a si mesmo para assegurar-se de que nao san somente seus sonhos idea-listas que estao sendo desmantelados por Deus. E se descobrir que e isso mesmo, que de grac;as a Deus que 0fez passar por este

sofri-mento. Mas se descobrir que nao e este 0caso, ainda assim que se

cuide para nao se tomar acusador da comunidade de Deus, antes a si mesmo se acuse de sua falta de fe, ore a Deus por reconhecimento de seu proprio fracasso e seu pecado especifico, ore que nao se tome culpado perante os irmaos, no reconhecimento de sua propria culpa

(11)

fa~a intercessao pelos irmaos, execute aquilo de que foi incumbido

e de gra~as a Deus. espiritual e a luz - "Deus e luz e nele nao ha treva alguma" (1 Joao1.5), e "se caminhamos na luz, como ele esta na luz, estamos em comunhao uns com os outros" (l Joao 1.7). A essencia da comu-nhao animica sao as trevas - "E  de dentro, do cora~ao dos homens que saem as inten~6es malignas" (Marcos 7.21). E  a noite escura que paira sobre a origem de toda a atividade humana e, de modo especial, tamMm sobre todos os nobres e piedosos impulsos. Comu-nhao espiritual e a comuComu-nhao das pessoas chamadas por Cristo, animica e a comunhao das almas piedosas. Na comunhao espiritual vive 0radiante amor do servi~o fraternal, 0agape; na comunhao

animica arde 0amor obscuro do impulso impio-piedoso, 0eros.

 Naquela ha0servi~o fraternal ordenado, e nesta, 0desejo

desorde-nado por prazer; naquela ha a submissao humilde entre os irmaos, nesta, a submissao humilorgulhosa dos irmaos aos proprios de-sejos. N a comunhao espiritual reina a Palavra de Deus somente; na comunhao animica, porem, ao lado da Palavra, reina tambem a pes-soa dotada de poderes, experiencias e capacidades sugestivo-magi-cas especiais. Na primeira, 0que liga e somente a Palavra de Deus,

na segunda, alem da Palavra, tamMm a pessoa liga a si mesma.  Naquela, todo 0 poder, homa e dominio estao entregues ao Espirito

Santo; nesta, sao buscadas e cultivadas esferas de poder e influencia  pessoais, com certeza,

a

  medida que se trata de pessoas piedosas, na

inten~ao de servir ao maior e melhor, mas, na verdade, para derru- bar do trono 0Espirito Santo e empurra-Io para uma distiincia

irre-al. Realmente, aqui resta apenas 0elemento animico. Assim, na

comunhao espiritual reina 0Espirito, na comunhao animica, a

tec-nica pslcologica, 0metoda; naquela 0amor servi~al, ingenuo,

pre- psicologico, pre-metodico pelo irmao, nesta, a analise e a constru-~ao psicologica; naquela, 0servi~o humilde e criativo ao irmao, e

nesta, 0tratamento investigador, calculista de pessoas estranhas.

Som

  a cornunhao crista ocorre.0mesmo que com a santifica~ao

.~os cristaos. Ela e urn presente de Deus, ao qu-alnao temOSCITreiio: Somente Deus sabe em que situa9ao se encontra- nossa comunhao, nossa santifica~ao. 0 que parece fraco e pequeno para nos, pode ser  grande e maravilhoso para Deus. Assim como 0cristao nao e para

ficar constantemente medindo 0 pulso de sua vida espiritual, assim

tamMm a comunhao crista nao nos foi presenteada por Deus para que fiquemos medindo sua temperatura a todo 0instante. Quanto

maior a gratidao com que recebemos todos os dias 0que nos e dado,

com tanto mais certeza e regularidade nossa comunhao crescera dia apos dia conforme a benevolencia de Deus.

, Fraternidade crista nao e urn ideal que nos devessemos realizar. E uma realidade criada por Deus, em Cristo, da qual podemos to-mar parte. Com quanta mais clareza aprendermos a reconhecer  0

fundamento, a for~a e a promessa de toda nossa comunhao somente em Jesus Cristo, tanto mais calmamente aprenderemos a pensar sobre nossa comunhao, a orar e esperar por ela.

~

Por se fundamentar unicamente em Jesus Cristo, a comunhao crista e uma realidade espiritual e nao ps.iquica. Nisso ela se distin-gue fundamentalmente de todas as demaIs comunh6es. Pneumiitico

<

="espiritual" e como a Biblia chama as coisas criadas so pelo

Espi-\rito Santo, que implanta Jesus Cristo em nossos cora~6es como

Se-i

nhor   e Salvador. Psiquico ="animico" e como a Escritura

denomi-I

na as coisas que procedem dos instintos, das for~as e faculdades

inaturais da alma humana.

o

fundamento de toda realidade pneumatica e a Palavra de Deus clara e revelada em Jesus Cristo. 0 fundamento de toda realidade  psiquica sao os estimulos e os anseios obscuros e turvos da alma humana. 0 fundamento da comunhao espiritual e a verdade; 0

fun-damento da comunhao animica e0desejo. A essencia da comunhao

Talvez 0contraste entre a realidade espiritual e a animica fique

mais claro atraves da seguinte observa~ao: Dentro da comunhao espiritual nunca e de forma alguma hii uma rela~ao "imediata" en-tre uma pessoa e outra, enquanto que na comunhao animica existe

(12)

urn profundo e original desejo da alma por comunhao, por contato direto com outras almas humanas, assim como na carne vive 0 de-sejo por uniao imediata com outra carne. Esse dede-sejo da alma hu-mana busca a total fusao do eu e do tu, seja na uniao por arnor, seja - 0 que vem a ser mesma coisa - na submissao violenta do outro sob a pr6pria esfera de poder e de influencia. Aqui, a pessoa animicamente mais forte encontra seu espa90 e conquista a admira-9ao, 0 amor ou 0 temor da pessoa mais fraca. Aqui, liga9oes, suges-toes, servidao humanas sao tudo, e na comunhao imediata das al-mas se reflete de forma distorcida tudo 0 que originalmente era pr6- prio da comunhao estabelecida por Cristo.

ama a outra pessoa por amor a si mesmo; 0 arnor espiritual ama a outra pessoa por amor a Cristo. Por essa razao, 0 amor animico  procura 0 contato imediato com 0 outro, nao 0 ama em sua liberda-de, mas como aquele que esta preso a ele. Quer ganhar a todo custo, conquistar, assedia 0 outro, quer ser irresistivel, quer dominar. 0

amor animico nao da valor a verdade, relativiza-a, porque nada, nem mesmo a verdade, deve perturbar a rela9ao com a pesso a ama-da. 0amor animico deseja 0 outro, sua comunhao, seu arnor, mas

nao the serve. Ao contrario, antes 0 deseja tambem quando parece estar servindo. A diferen9a entre 0 amor espiritual e 0 animico fica clara em dois aspectos, que no fundo sao a mesma coisa: 0 amor  animico nao suporta que se dissolva a comunhao que se tornou men-tirosa por amor a verdadeira comunhao; 0 amor animico nao conse-gue arnar 0inimigo, aquele que se opoe com seriedade e tenacidade.

Ambos brotam da mesma fonte: amor animico e desejo por nature-za, e desejo por comunhao animica. Enquanto puder satisfazer, de alguma forma, esse desejo, ele nao desistira, nem por arnor a verda-de, nem por amor ao verdadeiro amor ao outro. Porem, no momenta em que nao puder mais esperar pela realiza9ao de seu desejo, esse sera 0 seu fim, ou seja, com 0 seu inimigo. Ele se transformara em 6dio, desprezo e cahinia.

Exatamente neste ponto e que come9a 0 arnor espiritual. Por isso e que0amor animico setransforma em 6dio pessoal ao encontrar-se

com 0 autentico amor espiritual que nao deseja, mas serve.0arnor  animico tern em si mesmo sua meta, smt obra, seu idolo que ele adora, ao qual tudo deve estar sujeito. Cuida, cultiva e arna a si mesmo e nada mais no mundo. 0arnor espiritual, no entanto, procede de Jesus

Cristo, serve somente a ele e sabe que nao tern acesso imediato ao outro. Cristo esta entre mirn e 0 outro. Eu nao sei 0 que significa 0 arnor ao outro previamente, com base na concep9ao geral de arnor, resultante de meu desejo anirnico. Perante Cristo, tudo pode muito  bem ser 6dio e 0 pior tipo de egoismo. Somente Cristo me dira por sua Palavra 0 que e0arnor. Contra todas as ideias e convic90es pr6prias,

Jesus Cristo me dira como, na verdade, e 0 arnor ao irmao. Por isso, 0  Nesse sentido, existe uma conversao "animica". Manifesta-se

com todos os sinais de uma conversao autentica nos casos em que uma pessoa ou uma comunidade inteira sao abaladas profundamen-te e fascinadas pelo abuso conscienprofundamen-te ou inconscienprofundamen-te do excesso de  poder de uma pessoa. Nesse caso, uma alma agiu diretamente sobre

outra alma. 0forte venceu 0 fraco, a resistencia do mais fraco cedeu sob a pressao da personalidade do outro.0fraco foi violentado, mas nao foi convencido da coisa. Isto fica claro no momenta em que se exige dele urn empenho pela causa, que precisa acontecer indepen-dente da pessoa a qual esta ligado, ou ate em oposi9ao a ela. Aqui, a  pessoa animicamente convertida fracas sa, revelando que sua con-versao nao foi obra do Espirito Santo, mas de uma pessoa, e que por  isso nao subsiste.

Do mesmo modo, tambem ha urn amor ao pr6ximo "animico". Ele e capaz dos sacrificios mais incriveis, e, muitas vezes, supera em muito 0 legitimo amor cristao devido a sua dedica9ao ardorosa e seus exitos evidentes, fala a linguagem crista com eloqiiencia impo-nente e arrebatadora. Contudo, trata-se do amor do qual Paulo dis-se: "Ainda que eu distribuisse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse 0 meu corpo as chamas" - ou seja, se aliasse as maiores obras de caridade a extrema dedica9ao - "se eu nao tivesse amor, isso nada me adiantaria" (1 Corintios   13.3).0   amor animico

(13)

amar   espiritual esti ligado exc1usivamente it  Palavra de Jesus Cristo. Onde Cristo me ordenar a manter comunhao por amor, eu a mante-rei. Onde Cristo me ordenar a dissolver a comunhao, eu a dissolverei, apesar de todos os protestos do meu amor animico. Porque0amor 

espiritual nao deseja, mas serve, ele ama0inimigo como a urn irmao.

Ele nao nasce nem do irmao nem do inimigo, mas de Cristo e sua Palavra. 0 amor animico jamais podeni compreender 0amar

espiri-tual, pois 0amor espiritual vem do alto, e estranho a todas as formas

de amor terrenas, e novo, incompreensivel.

Par   Cristo estar entre mim e0outro, nao posso desejar por

co-munhao imediata com ele. Assim como so Cristo pode falar comigo  para me ajudar, da mesma forma tambem 0outro so pode encontrar 

ajuda no proprio Cristo. Mas isso tambem significa que eu tenho que libertar 0outro de todas as tentativas de determina-lo, coagi-lo

e domina-lo com meu amor. Liberto de mim,0outro quer ser

ama-do tal como e, como aquele por quem Cristo se tornou humano, morreu e ressuscitou, para qual Cristo conquistou 0 perdao dos

pe-cados e para quem tern preparado uma vida eterna. Muito antes de eu poder agir, Cristo agiu decisivamente em favor do irmao, por  isso devo deixa-lo livre para Cristo. Ele devera encontrar-se comigo apenas como aquele que ele ja e em Cristo. Esse e0sentido da

afirmas;ao de que podemos nos encontrar com0outro somente

atra-yes da medias;ao de Cristo. 0 amor animico cria sua propria ima-gem a respeito do outro, do que ele e e do que ele devera ser. Ele toma em suas maos a vida do outro. 0  amar   espiritual reconhece a verdadeira imagem do outro a partir de Cristo, a imagem que Jesus Cristo cunhou e ainda quer cunhar.

Partanto, 0amor espiritual se comprovara pelo fato de que em

tudo que diz ou fala, recomendara 0outro a Cristo. Nao tentara

 provocar a abalo psiquico do outropar   meio de influencia por de-mais pessoal e direta, por meio da intervens;ao impura na vida do outro; nao se alegrara com0fervor exagerado e a excitas;ao piedosa

e animica. Ira ao encontro do outro com a clara Palavra de Deus,

disposto a deixa-lo sozinho por longo tempo com essa Palavra, e deixa-lo novamente livre para que Cristo aja nele. Respeitara os limites do outro, colocados entre nospar   Cristo, e encontrara com ele a completa comunhao em Cristo,0unico que nos liga e nos une.

(Assim,~le falara mais com Cristo sobre0irmao do que cOIll0

ir-i,  mao sQQreCristo. Sabe que0caminho mais proximo ao irmao

sem-) pre passa atraves (fa oras;ao a Cristo e que0amor ao outro depende

i~totalmente da verdade emen.sio. Impulsionado pa r   esse amar, Joao

I

escreve: "Nao h~~legri~maiorParamiIlld~que saber que os meus lfilhos vivem na verdade" (3 Joao 4).

'~

o

amor animico vive do desejo obscuro incontrolado e incontro-lavel; 0amar espiritual vive na clareza do servis;o ordenado atraves

da verdade. 0 amor animico produz escravidao humana, dependen-cia, constrangimento; 0amor espiritual cria a liberdade dos irmaos

sob a Palavra. 0 amor animico germina flores artificiais de estufa;0

amor espilitual produz as frutos que se desenvolvem sob0ceu

aber-to de Deus, sob chuva, tempestade e sol, sadios, como agrada a Deus. E questao de sobrevivencia paraqualquer comunhao s:ri§l~tra-zer -~ luz a teIllPo a capacidade

d e

  c!isc-e[]1imentoentreTde~ huiiia-- iillhuiiia--ereaii;.Iade divina:

e iltr e -c o m u n h fu )

  espiritual e animica. Vida e morte de uma comunhao crista dependem de ela alcans;ar,0mais

.~edo possive1, sobriedade nesse ponto. Em outras palavras: uma vida  _em comum sob a Palavra so permanecera saudavelqua!lcf()_~eE~.\'e-lar nao como movimento, ordem, associas;ao,   collegium pietatis, mas quando se conipre~~der como parte da una, santa e universal igreja crista, onde e1a participa, atuando esofrendo, do sofrimento, .da luta e da promessa de toda a Igreja.Todo principia seletivo e a

'conseqiiente separas;ao, que nao seja condicionada com toda a obje-tividade par   trabalho conjunto, circunstancias locais ou relas;oes fa-miliares e extremamente perigoso para uma comunhao crista. No  processo da seles;ao intelectual ou espiritual infiltra-se

renovada-mente 0aspecto animico e tira 0 poder e a eficiencia espiritual da

(14)

exclusao do fraco e do desprezivel pode ate mesmo significar a ex-clusao de Cristo que bate a nosssa porta na forma de irmao pobre. Por isso devemos ter 0maximo de cuidado nesse ponto.

A

  primeira vista, poder-se-ia pensar que a mistura de ideal e realidade, do animico e espiritual seja mais provavel em uma comu-nhao, cuja estrutura tenha varios niveis, ou seja, onde0animico por 

si ja tenha uma importancia central para a constituis;ao da comu-nhao, no casamento, na familia, no cfrculo de amigos, e onde0

espiritual se associe aos fatores animico-fisicos apenas como mais urn fator. De acordo com essa ideia,0 perigo de confundir e

mistu-rar as duas esferas existiria somente nesse tipo de comunhao, en-quanta que dificilmente poderia ocorrer numa comunhao puramen-te espiritual. Pensando dessa forma, porem, comepuramen-temos urn grande engano. De acordo com toda a experiencia e, facil de se constatar, tambem de acordo com0fato, acontece exatamente 0contrario. Urn

casamento, uma familia e uma amizade conhecem bem os limites das fors;as que formam sua comunhao; se e sadia, sabe muito bem onde e0limite do animico e onde comes;a0espiritual. Tern

cons-ciencia do contraste entre comunhao animico-ffsica e comunhao es- piritual. Ao contrario, exatamente onde se reline uma comunhao

estritamente espiritual e que0 perigo esta muito mais perto, de que

elementos animicos sejam introduzidos e misturados nesta comu-nhao. Uma vida em comunhao puramente espiritual nao e apenas  perigosa, mas tambem urn fen6meno totalmente anormal.

Provavelmente nao ha pessoa crista a quem Deus nao tenha pre-senteado, pelo menos uma vez em sua vida, com a s~~li~e expe-riencia da comunhao crista autentica. Porem tal expenenCla, neste mundo, nao passa de urn gracioso a?ic~onal ~o pao ~~ss~ de ca~a dia de comunhao crista. Nao temos drrelto a tals expenencIas, e nao vivemos junto com outras pessoas cristas so por causa de tais expe-riencias. Nao e a experiencia da fraternidade crista que nos mantem unidos mas a fe firme e segura na fraternidade. Que Deus agiu em todos ~os e quer continuar agindo e0que aceitamos: na fe, .c~mo0

maior presente de Deus. E isso nos enche de alegna e fehCld~?e, mas tambem nos torna dispostos a renunciar a todas as expenen-cias quando Deus, naquele momento, nao quiser concede-Ias para nos. Estamos unidos na fe, nao na experiencia.

''Como e born, como e agradavel habitar ~odos juntos c~mo ir-maos!" (Salmo 133.1). Assim a Sagrada Escntura louva a VIda em comunhao sob a Palavra. Em uma interpretas;ao correta da palavra "unidos", podemos agora dizer: "vivam unidos os irmaos em Cris-to", pois unicamente Jesus Cristo e nossa uniao. "Ele e a nossa paz" (Efesios 2.14). Somente atraves dele temos acesso uns aos outros, alegramo-nos e temos comunhao uns com os outros.

Gnde a comunhao fisico-familiar ou a comunhao de trabalho serio, onde a vida cotidiana com todas as suas exigencias as pessoas trabalhadoras nao se projetar para dentro da comunhao espiritual, la exige-se vigilancia e sobriedade especiais. Por essa razao - a ex- periencia 0mostra - e justamente em retiros de curta duras;ao que se

 propaga com maior facilidade 0elemento animico. Nada mais facil

do que provocar  0extase da comunhao em poucos dias de vida em

comunhao, e nada mais funesto do que isso para a comunhao de vida fraternal, sadia e sobria no dia-a-dia.

(15)

2

 pertence

a

  comunidade do Cristo ressurreto. Ao raiar 0dia, ela

lem- bra a manha em que a morte, 0diabo e'0 pecado jaziam derrotados

e em que as pessoas foram presenteadas com nova vida e salvas,:ao.

o

que nos sabemos hoje, nos que ja nao conhecemos 0medo e0

temor da noite, 0que sabemos da grande alegria de nossos

antepas-sados e da cristandade antiga pelo retorno da luz matutina? Se qui-sermos reaprender algo do louvor devido ao triuno Deus, na primei-ra hoprimei-ra do dia - a Deus Pai e Criador que nos preservou a vida durante a escuridao da noite e que nos despertou para urn novo dia; a Deus Filho e Salvador do mundo que venceu a cova e0inferno e

que esta em nosso meio como vencedor; a Deus Espirito Santo que, ao romper  0dia, resplandece em nossos coraS(oes pela Palavra de

Deus, expulsa toda escuridao e pecado e nos ensina a orar como convem - entao comes,:aremos a perceber algo da alegria que se sen-te quando, passada a noisen-te, os irmaos que moram juntos em uniao se encontram, na primeira hora do dia,. para juntos enaltecerem a Deus, ouvirem a Palavra e orarem. A manha nao pertence ao indivi-duo, mas a  Igreja do triuno Deus, a  comunidade da familia crista, a

fraternidade. Sao numerosos os hinos antigos que convocam a Igre- ja a louvar, cedo de manha, em conjunto, a seu Deus:

De manha, 0 Deus, nos te louvamos, tambem

a

  noite a ti oramos.

Gloria-te nosso pobre hino agora, sempre e em eterno. (Lutero, segundo Ambrosio)

"A Palavra de Cristo habite em vos ricamente" (Colossenses 3.16). No Antigo Testamento, 0dia comes,:a com 0anoitecer e se

estende ate0 proximo por-do-sol. Esse e 0tempo da espera. 0dia

da comunidade neotestamentaria inicia com 0alvorecer e termina

com a aurora da nova manha. Esse e0tempo do cumprimento da

ressurreis,:ao do Senhor. Cristo nasceu durante a noite, uma luz 'nas trevas; 0meio-dia se converteu em noite quando Cristo sofreu e

~orr~u na cruz. No alvorecer do dia da Pascoa, porem, Cristo saiu vltonoso da sepultura.

Senhor, rendemos gratidao  porque afastaste a escuridao!

Protege-nos, 0 Criador, do mal, por tua gras,:ae amor. "Bern cedo, quando nasce a luz,

ressurge 0sol, Jesus;

venceu da morte a escuridao

e trouxe a vida e a salvas,:ao. Aleluia!"

Assim cantava a Igreja da Reforma. Cristo e 0"sol da justis,:a"

que ~asceu para a comunidade que estava

a

espera (Malaquias 4.2 [Bibha de Jerusalem: 3.20]) e "aqueles que te amam sejam como 0

sol quando se levanta na sua fors,:a! (Juizes 5.31). A madrugada

Deus, eu rendo-te louvores,  pois na noite que passou,

das angustias e das dores teu amor me libertou. E Sata com seu poder  nao me conseguiu veneer. Ao acordar-me, Deus Senhor, alegre te agrades,:o.

(16)

Escuta, 6 Deus, 0meu louvor 

que grato te ofere<;o.

o

inicio do dia dos cristaos nao deve ser logo carregado e per-turbado com as muitas preocupa<;oes do dia de trabalho. No limiar  do novo dia ergue-se 0Senhor que0fez. Todas as trevas e a

confu-sao da noite, com seus sonhos, somente recuam perante a clara luz de Jesus Cristo e sua Palavra que desperta. Diante dele foge toda inquietude, impureza, preocupa<;ao e medo. Por isso, calem-se cedo de manha todos os pensamentos e as palavras vas, e 0 primeiro

 pensamento e a primeira palavra perten<;am aquele ao qual pertence toda a nossa vida. "6 tu, que dormes, desperta e levanta-te de entre os mortos, que Cristo te iluminani" (Efesios 5.14).

Chama a aten<;ao a frequencia com que a Sagrada Escritura nos lembra que as pessoas de Deus se levantam cedo a fim de procura-lo e executar a sua ordem: Abraao, Jac6, Moises, Josue (confira Genesis 19.27,22.3; Exodo 9.13, 24.4; Josue 3.1, 6.12). 0 Evangelho, que nao tem palavra superflua, relata acerca de Jesus: "De madrugada, estando ainda escuro, ele se levantou e retirou-se para um lugar  deserto e ali orava" (Marcos 1.35). Ha pessoas que levantam cedo  por causa de inquieta<;ao e ansiedade. Isto a Escritura define como imitil: "E  imitil que madrugeis, e que atraseis 0vosso deitar para

comer  0 pao com duros trabalhos" (Salmo 127.2). E tambem ha

 pessoas que levantam cedo por amor a Deus. Esse era 0costume das

 pessoas da Biblia.

A devo<;ao matutina conjunta constitui-se de leitura da Biblia, canto e ora<;ao. Assim como as formas de comunhao sao variadas, assim tambem as formas de devo<;ao serao variadas. Nao poderia ser diferente! Vma familia com crian<;as necessita de uma devo<;ao diferente da de uma comunidade de te6logos. Nao e salutar quando uma se adapta

a

  outra, por exemplo quando uma fratemidade de te6logos se contenta com uma devo<;ao para crian<;as. Faz parte de toda devo<;ao em conjunto:

Louvado seja0teu poder!

E tua caridade

que novamente eu possa ver  do dia a claridade.

A vida em comunhao sob a Palavra come<;a com 0culto em

conjunto na primeira hora da manha. A comunidade reune-se para louvar e agradecer, ouvir a leitura da Biblia e orar. 0 profundo si-lencio matinal s6 sera rompido pela ora<;ao e pelo canto da comuni-dade. Ap6s 0silencio da noite e da aurora, mais inteligivel sera 0

canto e a Palavra de Deus. A Escritura Sagrada diz que 0 primeiro

 pensamento e a primeira palavra do dia pertencem a Deus: "De manha ouves a minha voz; de manha eu te apresento minha causa e fico esperando" (Salmo 5.3), "minha prece chega a ti pela manha" (Salmo 88.14), "Meu cora<;ao esta firme, 6 Deus, meu cora<;ao esta firme; eu quero cantar e tocar! Desperta, g16ria minha, desperta cHara e harpa, YOU  despertar a aurora!" (Salmo 57.8). Com 0

 des- pertar do dia, a pessoa crente esta sedenta e ansiosa por Deus: "An-tecipo a aurora e imploro, esperando pelas tuas palavras" (Salmo 119.147); "6 Deus, tu es 0meu Deus; eu te procuro. A minha alma

tem sede de ti, minha came te deseja com ardor, como terra seca, esgotada, sem agua" (Salmo 63.2). A sabedoria de Salomao queria que "se soubesse que e preciso madrugar mais que 0sol para te dar 

gra<;as, e desde 0raiar do dia, te encontrar" (Sabedoria 16.28), e

Jesus Siraque recomenda de modo especial aos escribas "de se lem- brar de levantar-se cedo, para buscar  0Senhor que 0criou e ore

 perante 0Altissimo" (39.6). A Sagrada Escritura refere-se tambem

a manha como sendo a hora da ajuda especial de Deus. A respeito da cidade de Deus se diz: "Deus a socorre ao romper da manha" (Salmo 46.6). E em outra parte: "suas compaixoes nao se

esgota-ram; elas se renovam todas as manhas" (Lamenta<;oes 3.22-23). *

*

  a palavra da Escritura,  os hinos da Igreja, * a oraf:iio da comunidade.

(17)

A seguir, abordaremos cada uma dessas partes.

"Falai uns aos outros com salmos" (Efesios 5.19), "ensinai e admoestai-vos uns aos outros e, em a<;:iiode gra<;:asa Deus, entoem vossos cora<;:6essalmos" (Colossenses 3.16). Desde os tempos mais antigos, atribui-se na Igreja um significado especial a ora<;:iiode sa1mos. Em muitas Igrejas, ate hoje ela esta no infcio de cada devo-<;:iiocomunitiiria. Entre nos, porem, essa pratica perdeu-se amp la-mente, e temos que reencontrar  0acesso a ora<;:iiode salmos. 0

salterio ocupa um espa<;:osingular no todo da Bililia. EPalavra de Deus, e simultaneamente, com poucas exce<;:6es,ora<;:iiode uma pes-soa. Como compreender isso? Como pode a Palavra de Deus ser, ao mesmo tempo, ora<;:iioa Deus?

Acresce-se a essa pergunta uma observa<;:iioque toda pessoa que come<;:aa orar os salmos faz. Primeiro ela tenta repeti-Ios, como se fossem sua ora<;:iiopessoal. Em seguida, encontra passagens que sente niio poder pronunciar como sendo sua ora<;:iiopessoal. Podemos citar  aqui os salmos de inocencia, de vingan<;:ae, em parte tambem, os salmos de sofrimento. No entanto, essas ora<;:6essiio palavras da Es-critura Sagrada que uma pessoa cristii crente niio pode desfazer com  justificativas banais, classificando-as como superadas, antiquadas ou entiio como "estagio religioso primiirio" ... Portanto, ela niio quer co-locar-se acima da palavra da Escritura e, ao mesmo tempo, reconhece que niio pode orar tais palavras. Pode ler e ouvir essas palavras como ora<;:iiode uma outra pessoa, admirar-se e deixar-se estimular, mas niio podera nem usa-Ias como ora<;:iiopropria, muito menos risca-Ias da Bililia. Um conselho pratico nesses casos poderia ser que cada  pessoa se ativesse, de inicio, aqueles salmos que ela compreende e  pode orar. Em rela<;:iioaos demais salmos, que ela aprenda simples-mente a deixar de lado0que the parece incompreensivel e diffcil na

Escritura e se volte constantemente ao simples e compreensivel.

misterio dos salmos. A ora<;:iiode um salmo, que niio conseguimos  pronunciar, perante 0qual hesitamos e nos espantamos, nos leva a

imaginar que quem ora aqui e algum outro que aquele que protesta inocencia, clama pelo juizo de Deus e que est~ no maior sofrimento, outro niio e do que 0 proprio Jesus Cristo. E ele quem ora nessas

 passagens, e niio somente nelas, como no salterio todo. 0 Novo Testamento e a Igreja sempre reconheceram e testemunharam isso.

o

homem Jesus Cristo, para quem nenhum sofrimento, nenhuma enfermidade, nenhuma afli<;:iiosiio desconhecidos e que, niio obstante, era totalmente inocente e justo, ora nos salmos atraves da boca de sua comunidade. 0 salterio e0livro de ora<;:iiode Jesus Cristo

pro- priamente dito. Ele orou os salmos, e ja agora eles constituem sua ora<;:iiopara todos os tempos. Compreendemos agora como0salterio

 pode ser, ao mesmo tempo, ora<;:iioa Deus e palavra do proprio Deus? Precisamente porque nele encontramos 0Cristo que ora. Jesus

Cris-to ora os salmos em sua comunidade. Sua comunidade tambem ora, sim, tambem a pessoa individual ora; mas ela ora conquanto Cristo ora nela. Niio ora em seu proprio nome, mas em nome de Jesus Cristo. Quando ora niio segue 0desejo natural do cora<;:iio,mas

ba-seada na humanidade que Cristo assumiu, baba-seada na ora<;:iiodo homem Jesus Cristo. So assim sua ora<;:iioalcan<;:oua promessa de ser ouvida. A ora<;:iioalcan<;:aos ouvidos de Deus porque Cristo acom- panha a ora<;:iioda pessoa e da comunidade perante 0trono de Deus,

ou melhor, porque os que oram se unem a ora<;:iiode Jesus Cristo. Cristo tornou-se seu intercessor.

 Na priitica, contudo, a dificuldade descrita significa exatamente o ponto em que nos e permitido dar uma primeira espreitada no

o

  salterio e a ora<;:iioviciiria de Cristo por sua Igreja. Agora que Cristo esta junto do Pai, a nova humanidade de Cristo, 0Corpo de

Cristo na terra segue orando sua ora<;:aoate a consuma<;:iiodos tem- pos. Essa ora<;:aoniio pertence a um membro individual. Pertence a

todo 0Corpo de Cristo. So nele como um todo vive tudo aquilo de

quefalam os salmos e0que0individuo jamais compreendera

total-mente e nem podera considera-Io seu. Por isso a ora<;:iiode salmos tem seu lugar de modo especial na comunhiio. Se um versiculo ou um salmo todo niio pode ser minha ora<;:iio,ele 0sera de outra

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pes-soa dentro da comunhao, e e, com toda certeza, a ora~ao do verda-deiro homem Jesus Cristo e de seu Corpo na terra.

qual nos deu parte na fe.

A

  medida qu.e"0sangue e ~,justi~a de

Deus" se tornaram nosso "adorno e vestlmenta de honra , pod~mos e devemos oraL os salmos de inocencia como sendo a ora~ao de Cristo por nos e como presente para nos. Tambem esses salmos nos  pertencem por meio dele.

E como devemos orar aqueles lamentos de miseria e sofrimento indiziveis, nos que recem iniciamos a ter uma vaga ideia do_que se trata aqui? Iremos e devemos orar os salmos de lamento nao para nos enfronharmos com algo que 0cora~ao desconhece por

expe-riencia propria, nem para nos lamentarmos, mas. porque todo esse sofrimento existiu e se tornou real em Jesus Cnsto, porque 0

ho-mem Jesus Cristo sofreu doen~a, dor, desonra e morte e porque em seu sofrimento e morte toda a carne sofreu e morreu. 0que nos da direito a esses salmos e 0 que aconteceu na cruz de Cristo - a morte da nossa velha humanidade - e 0que na verdade acontece e deve

acontecer em nos desde 0Batismo -amortifica~ao da carne. Pela

cruz de Cristo, esses salmos tornaram-se propriedade de ~eu Corpo na terra como ora~6es do seu cora~ao. Nao podemos aqm estender  demais esse assunto. Interessava-nos apenas dar uma ideia da ~n-vergadura do salterio como a ora~ao de Cristo. A compreensao

dlS-so ocorre lentamente.

 Em terceiro lugar, 0salterio ensina-nos a orar em comunhao. E

o Corpo de Cristo que ora e, como pessoa individual, reconhe~o ~ue minha ora~ao e apenas uma parcela infima da ora~ao da .comun~da-de toda. Aprendo a orar junto a ora~ao do Corpo .comun~da-de Cr~sto. E ISS0 faz com que eu passe por cima das preocupa~?es pessoals e me en-sina a orar sem egoismo. Provavelmente, mmtos salmos eram ora-dos de forma alternada pela comunidade do Antigo Testamento. 0

assim chamado   parallelism us membrorum, ou seja, aquela estra~a repeti~ao da mesma afirma~ao _com ou:ra~ palavras na segunda. h-nha do verslculo, certamente nao constltm apenas uma forma 1.lte-raria, mas possui tambem sentido eclesiastico-teologico. Valen~ a  pena analisar essa questao em profundidade. Urn exemplo mmto  No salterio aprendemos a orar baseados na ora~ao de Cristo. Ele

e a grande escola de ora~ao por excelencia.

 Em primeiro lugar,   nele aprendemos 0 que e orar: orar baseados na Palavra de Deus, baseados em promiss6es. A ora~ao crista esta firmemente alicer~ada na Palavra revelada, e nada tern a ver com desejos egoistas. Oramos com base na ora~ao do verdadeiro homem Jesus Cristo. E  isso que a Sagrada Escritura expressa quando diz que 0 Espfrito Santo ora em nos e por nos, que Cristo ora por nos, que so em nome de Jesus Cristo podemos verdadeiramente orar a Deus.

 Em segundo lugar, 0salterio nos ensina 0que orar. Tao certo

como 0alcance da ora~ao de salmos excede em muito a medida da

experiencia da pessoa, tao certo a pessoa ora, na fe, toda a ora~ao de Cristo, a ora~ao daquele que era verdadeiramente homem e que e0

unico que tern a medida integral das experiencias dessas ora~6es. Podemos, pois, orar os salmos de vingan~a? Uma vez que somos  pecadores e associamos pensamentos maus as ora~6es por vingan-~a, nao podemos orar estes salmos. Mas, uma vez que Cristo esta em nos, que toma sobre si toda a vingan~a de Deus, que foi atingido  pela vingan~a de Deus em nosso lugar, que desta forma - vitima da

vingan~a de Deus - e de nenhuma outra maneira p6de perdoar os inimigos, que experimentou em si mesmo a vingan~a, para que seus inimigos saissem livres - tambem nos podemos orar esses salmos como membros desse Jesus Cristo - por meio de Jesus Cristo, a  partir do cora~ao de Jesus Cristo.

 Nos podemos nos declarar inocentes, piedosos e justos, a exem- plo dos autores dos salmos? A partir do que nos mesmos somos, nao  podemos faze-Io. Nao podemos faze-Io como ora~ao do nosso cora~ ~ao perverso, mas podemos e devemos faze-Io a partir do cora~ao de Jesus Cristo, sem pecado e puro, e a partir da inocencia de Cristo da

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c~aro e0Salmo 5. Sao sempre duas vozes que repetem com palavras

dlferentes a mesma prece perante Deus. Isso nao poderia indicar  que a pessoa que ora jamais ora sozinha, mas que algum outro deve or~ com ela, urn membro da Igreja, do Corpo de Cristo, 0 proprio

Cnsto, para que a ora<;ao dela seja verdadeira? Nao haveria nessas repeti<;6es do mesmo pensamento - que no Salmo 119 parecem in-termi?a~eis, _de uma simplicidade quase inacessivel, inexplicavel _  uma mdlCa?aO de que cada palavra da ora<;ao quer penetrar numa tal profun~ldade do cora<;ao que so pode ser alcan<;ada - e nem n:es~o aSSlm! - por meio de interminaveis repeti<;6es? Que na ora-<;~onao se trata de derramar de uma so vez todas as alegrias e as tnstezas d~ c~ra<;ao, mas que se faz necessario urn aprendizado, uma apropna<;ao, uma memoriza<;ao permanente da vontade de Deus em Jesus Cristo?

itqueles que as usam. Precisamente em epocas de conflitos da Igreja e que muitos fizeram essa descoberta para sua grande e grata sur- presa. Por outro lado, tampouco pode haver duvida de que as senhas

curtas nao podem nem devem, em principio, substituir a leitura da Biblia. A senha para 0dia ainda nao e a Escritura Sagrada que

 permanecera por todos os tempos, ate0dia derradeiro. A Escritura

Sagrada e mais do que uma senha. Tambem e mais do que "0 pao

diario". Ela e a Palavra de Deus revelada para todas as pessoas,  para todos os tempos. Ela nao consiste de senten<;as isoladas, mas

forma urn todo e, como tal, quer se impor.

Como urn todo, a Escritura e a Palavra revelada de Deus. 0  pleno testemunho a respeito de Jesus Cristo, 0Senhor, se percebera

somente na infinitude de seus relacionamentos internos, na rela<;ao entre Antigo e Novo Testamento, promessa e cumprimento, sacrifi-cio e lei, lei e evangelho, cruz e ressurrei<;ao, fe e obediencia, ter e esperar. Por isso a devo<;ao conjunta deve conter, alem da ora<;aode urn salmo, uma leitura mais extensa de trechos do Antigo e Novo Testamentos.

Vma comunidade crista deve estar em condi<;6es de ouvir e ler,  pela manha e it noite, cada vez urn capitulo do Antigo e, no minimo,

meio capitulo do Novo Testamento. Ja na primeira tentativa, porem, se provara que essa pequena medida ja constitui a por<;ao maxima  para a maioria, e provocara protesto. Argumentar-se-a ser impossivel assimilar e guardar de fato tal quantidade de pensamentos e rela<;6es, e que chega a ser urn desrespeito com a Palavra divina ler ~ais do que se pode realmente assimilar. A partir desse argumento, facilmente, as  pessoas voltarao a se satisfazer com a leitura de urn versfculo apenas.  N a verdade, porem, esconde-se aqui uma grande culpa. Se de fato uma pessoa crista adulta tern dificuldade de assimilar urn capitulo do Antigo Testamento em seu contexto, isso so e motivo de nos envergo-nharmos profundamente. Que atestado de pobreza emitimos sobre nosso conhecimento biblico e pratica de leitura biblica ate agora! Se conhecessemos 0conteudo do que estamos lendo, conseguiriamos

Em sua interpreta<;ao dos salmos, btinger fez valer uma verda-de profunda .ao enq~adrar todos os salmos nas sete preces do Pai-nosso. Com ISso qms mostrar que 0grande Livro dos Salmos trata

nada mais e nada diferente do que das suscintas preces do Pai-nos-so. Em todas as nossas preces resta sempre so a ora<;ao do Senhor  qu~ tern a promessa e nos preserva do palavreado pagao. Quanto ma~s profun~:m~nte penetrarmos novamente nos salmos, e quanta malOr a frequencIa com que os oramos, tanto mais simples e rica se tornara nossa ora<;ao.

Apos a ora<;ao de urn salmo, a comunidade intercalara 0 bino

 p~a ent~o ~azer a  leitura da Sagrada Escritura. "Aplica-te it leitu~ ra (l ,T~moteo 4.13). !ambem aqui teremos que superar primeiro u~a sene de preconceltos prejudiciais, antes de chegarmos it ma-nelra correta de leitura da Biblia em conjunto. Quase todos nos cres-cemos com a ideia de que na leitura da Biblia se trata so de ouvir a Palavra de.Deus par~ esse dia. Por isso, para muitas pessoas a leitu-ra d~ Bibha se restnnge a alguns versfculos curtos, selecionados, destmados a ser ~ ~e~a do dia. Nao resta duvida de que, por exem- plo, as Senhas Dlanas dos Irmaos Hernutos trazem ricas ben<;aos

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