Transcrição da Entrevista
Entrevistadora: Valéria de Assumpção SilvaEntrevistada: Coordenador Gabriel Local: Projecto do Núcleo de Arte Grécia Data: 03/12/12
Horário: 9:30h
Duração da entrevista: 1h.
Vamos fazer entrevista com Gabriel do núcleo de artes Grécia. Gabriel! Fala um pouco da sua formação e experiência pelas Artes.
Bom, eu sou professor da rede municipal e professor de artes cênicas. E a minha experiência de muitos anos, desde que eu entrei na rede, foi em sala de aula né?! Eu tenho uma carga horária muito grande, dependendo das matrículas e eu sempre trabalhei mesmo em sala de aula com os alunos, desenvolvendo o teatro a parte toda de percepção corporal, né?! A parte de improvisação com os alunos, então eu sempre trabalhei com turmas muito grandes. Na verdade, pelas escolas que passei a gente sempre dividia em dois grupos, e o trabalho sempre rendia muito bem, né?! Porque eu acredito que qualquer linguagem artística atinge muito bem a criança, o adolescente porque mexe com a questão do lúdico, essa parte é sensível e é que isso, né?! Ainda mais o adolescente né?! O pré adolescente está numa fase de ebulição e eu acho que é bem legal! O trabalho funciona, fluí muito bem! Até aqueles que não gostam e têm uma certa resistência, com o tempo acabam aderindo ao trabalho.
E essa experiência sempre foi na rede pública ou começou na rede particular?
Não! Comecei na rede particular, mas não trabalhei muito tempo na rede particular não, por volta de 2 anos. Mas assim também com, essa questão de trabalhar mesmo o teatro e educação, né?! Porque a gente tem de fazer esse tipo de trabalho teatro e educação. E confesso que na rede particular, havia mais resistência por questões de pertinência, por ser rede particular, né?! E o que eu acho é que na rede municipal a gente enfrenta maiores desafios e acaba conquistando mais coisas então é ...
A rede municipal tem mais abertura, né?! Você consegue desenvolver projetos...
COR PRETA - Relatos do Entrevistado
É a gente tem mais facilidade para trabalhar, quando tem o apoio da direção, que às vezes, você tem colegas que não encontram esse apoio, não têm espaço na escola para se trabalhar. Eu sempre tive sorte, de encontrar, de ter espaço para trabalhar nas escolas. A gente tinha auditório, até que tem uma escola que até criou um auditório para que eu pudesse trabalhar com as turmas. Então, eu acho que isso é muito positivo para que eu pudesse até chegar aqui, hoje em dia no núcleo de arte...
Está aqui então há 10 anos?
Não, eu estou aqui há 10 anos, mas os 2 primeiros anos como professor e os outros anos enquanto chefia, entendeu?! Então eu vim para cá, inclusive até sem conhecer! Eu não conhecia muito bem o que é que era e aí me convidaram para vir dar uma aula e devido justamente a uns trabalhos que eu apresentava lá na escola que estava no momento, né?! E assistiram a um espectáculo que estava fazendo e aí veio o convite para trabalhar aqui, aí comecei dando aula de seguida e depois 2 anos, né?! Ano e meio me convidaram para assumir chefia e aí estou aqui há 8 anos! Procurando levar o trabalho de uma maneira bastante visível né?! Porque eu acho que é um trabalho que tem de ser visto, tem de ser reconhecido né?! Tem que ser apreciado porquê é de extrema importância!
Você pode fazer um breve histórico desse espaço extensão? E falar um pouco dessa relação do núcleo com a comunidade.
Na verdade, o que eu sei daqui. Era um espaço ocioso da escola, da escola Grécia, e já existia esse auditório a principio não do jeito que ele está agora, né?! Mas ainda bem precário! E havia um espaço aqui atrás que era um galpão aberto, enfim. Ai a 4ª CRE queria desenvolver, achou o espaço interessante para abrir um núcleo de arte aqui na época pois não havia na época um núcleo de arte na CRE, até hoje nós somos o único da 4ª CRE. E aí eu sei que eles resolveram investir nesse espaço fez as obras e aí quando eu cheguei aqui já estava essa parte toda né?! Atrás, já estava pronta, né?! Com as salas enfim! Só o teatro que ainda não tinha sofrido nenhuma modificação, e aí logo que eu assumi, eu procurei mexer um pouco e tentar acrescentar as coisas ao espaço, melhorar esse espaço, né?! Então, por exemplo comecei a fazer alguma coisa no auditório, com questão de iluminação, questão de som e mais à frente, ai é quem nós junto com a 4ª CRE fizeram a reforma no auditório, de transformar o teatro mesmo. E juntamente com a parceria deles, mas a gente também equipou colocou os cabos de luz, toda a estrutura de luz, colocou o som, as rotundas, aumentámos o palco, para que ele tivesse mais espaço para as apresentações, as poltronas também foram estofadas, o ar condicionado, enfim! E a decoração do espaço no teatro, né?! E as salas também! A gente começou a climatizar as salas, essa questão toda, até para que o aluno e que vai estar um ambiente melhor, pelo menos, eu penso assim, né?! (risos). E isso ajuda, né?! A todo o mundo a trabalhar melhor a desenvolver melhor, as suas habilidades, as suas capacidades, enfim! E o projetos que eu comecei a pensar, a implantar aqui. Primeiro comecei pelo teatro, puxei um pouco de brasa para a minha sardinha, eu sou professor de Teatro, né?! (risos). Então nós, na época éramos três professores de
teatro, eu e mais dois. E eu escolhi a partir de 93, a escolher sempre todo ano uma produção, para que no início eles fizessem uma excursão, uma temporada, fizeram uma excursão a algumas escolas da 4ª CRE. E, aí a CRE me deu o apoio para o ônibus pudesse levar os alunos às escolas, aí a gente começou a fazer isso. E deu muito certo porque eu estava levando o teatro a várias escolas, né?! Do trabalho feito aqui! Então nós...ai depois de um certo tempo, depois de uns 3 ou 4 anos fazendo esse projeto, que seria o teatro vai até às escolas, a gente resolveu, depois que o auditório recuperou, dizer “Porque não trazer as escolas aqui?” Porque aí, nós tínhamos toda uma infra-estrutura, enfim! Aí começámos a fazer isso as escolas vêm aqui ao teatro para assistir aqui, geralmente é uma peça que é prática de montagem, com aqueles alunos que já estão mais de 3 anos no teatro! E a professora monta o espetáculo, com conselhos da professora de dança, de música, de artes visuais geralmente são histórias de linguagens juntas. E aí a gente faz uma temporada de 10 a 15 espetáculos, né?! Com a presença das escolas da 4ª CRE e de outras escolas! Aí outras escolas juntam-se as 3 e vêm ou vêm também com o seu ônibus e vêm, ou até a pé, as escolas aqui da região, né? Vêm até a pé.
Esse espaço é só de vocês, né?!
Não, não! A escola de vídeo usa porque é também da escola, eu acho que tem que usar! E também, a questão da oficina do vídeo, que a gente desenvolveu bastante porque a gente participa de todos os festivais que tem e a maioria das vezes, a gente é premiado, então já, já participámos, inclusive já fomos ao festival em Portugal fomos premiados e..
Onde? No Norte?
...ai eu não lembro o nome tinha de consultar (...) Então vocês fazem eventos fora ...
Fora é! E aqui também! Todos os festivais de cinema Anima Mundi, né?! Enfim todos, aqui no Rio a gente participa, lançámos também há 2 anos atrás um longa-metragem, foi o nosso primeiro longa-metragem chamada “Alma Suburbana” que é um filme muito interessante, que retrata toda a Penha, a vila da Penha que mostrando o dia-a-dia, os personagens né?! A música, os costumes do subúrbio, por isso chama “Alma Suburbana” e foi um filme também que teve uma grande repercussão, as pessoas gostaram muito, enfim, o DVD foi lançado pela secretaria né?! A partir de vídeo e foi distribuído nas escolas e então é um trabalho bem legal! E aí os outros trabalhos a gente procuram estar sempre presente nos eventos né? Mostra de dança né? Na rede, então a gente está sempre na mostra de dança, o festival de música a gente há um tempo atrás, há uns 3 anos antes, a gente participava enquanto é (pausa rápida) concorria! Depois a gente começou a fazer a abertura né? E lá fomos convidados para fazer a abertura...
Artes Visuais, Arte Literária, Música, no caso a gente tem violão, flauta, teclado, vídeo e Fotografia. Agora a gente tem fotografia também, né?!
ah fotografia também! É bem completo né?! É e é completo!
Você tem conhecimento das orientações técnico-pedagógicas lançadas pelo órgão central, em 2011-2012?
Sim tenho, sim tenho.
O que é que você achou? Você achou que contribuiu dentro da sua proposta de trabalho?
Não, eu acho que ajuda! A gente procura até para desenvolver o trabalho né?! Usar, basear por ai, né?! Então eu acho que é importante! Eu acho que tem que ter uma coisa que te dê o norte, né? Que vai nortear né?! O ano todo e aí tem que ter as orientações inclusive essa questão da técnica, né?! E a gente precisa disso para poder mostrar o que a gente está fazendo, né?! E a gente tem de mostrar o que é feito, né?!
Eu queria que você falasse um pouquinho, que fizesse uma auto-avaliação dos projetos que você desenvolveu ao longo da sua gestão, em relação aos aspectos positivos e negativos, com relação aos projetos e a comunidade, né?! O feedback da comunidade, né?!
A comunidade aqui é muito prevista porque eu acho que o núcleo de arte é um ponto cultural, de interesse! Então, a comunidade procura ou estar aqui ou seja, matriculando as crianças, né?! E participando, ajudando no que pode e comparecendo aos eventos, né?! Então eu acho que a gente procura trazer a comunidade, a gente conseguiu isso, né?! E isso é um ponto positivo, um aspecto positivo. Um aspecto que eu acho negativo é, acho que a secretaria ainda não conseguiu resolver, eles até que tentaram, já em vários emails que agente foi dentro e tudo, é a questão de divulgação do espaço e dos outros espaços todos, né?! Então isso é difícil! Porque tem muita gente que não conhece, até professores da rede não conhecem! Então quando eu vejo que tem essa coisa de trazer as escolas para assistir é justamente para isso!
Mas aqui na 4ª CRE todo o mundo conhece o núcleo, né?!
Ah sim! Eu digo as escolas, tem escolas que não conhecem! Apesar da gente já ter alcançado uma notoriedade muito grande, mas eu acho que ainda falta uma divulgação mais direta, mais forte! No sentido de chegar a informação para a escola, para a direção da escola, para a coordenação, para o coordenador pedagógico, material mais consistente do que é que é o trabalho do núcleo de arte, então eu acho que isso é negativo! Agora quanto aos projetos, eu vejo assim é (pausa), não sei, eu acho que todos eles foram bastantes positivos, né?! Apesar de alguma dificuldade que a gente
tem, às vezes um atraso de verba, né?! Isso atrapalha um pouco, mas quando a verba chega a gente procura sempre dá uma solução, até que a verba chegue, mas a gente recebe as verbas,
Sim! Chega atrasada mas chega, né?!
É! Mas a gente a gente procura fazer bem (...) então eu que aqui a questão é...outra questão que eu acho que é negativa, não é que seja negativa mas eu acho que o nosso espaço está pequeno para o que a gente alcançou, mas que a gente precisaria de um espaço um pouco maior, uma obra, sei lá! Mas também isso é complicado, a gente não sabe como é que as coisas vão ficar, mas a gente procura, é ter o número de alunos de acordo com o espaço que agente tem, né?! A gente também não pode superlotar (...) As oficinas têm mais quê 10-15 alunos?
Não, depende de cada oficina por exemplo o teatro tem 25 alunos, às vezes, até 30, e a dança também. As outras oficinas menores são de instrumento até porquê as salas são comporta o máximo (...) o teclado por exemplo com 11 alunos, as Artes Visuais em torno de 16, as Artes Literárias também, mas isso porquê é o quantitativo que cabe na sala. A gente não pode deixar criança em pé fazendo aula, não tem como. Então, eu acho que é assim, o único ponto negativo mesmo, apesar da gente fazer a propaganda aqui no núcleo, eu acho que é a falta de uma divulgação mais presente, mais massificante, né? Agora no ponto positivo é tudo o que a gente fez! Assim eu acho que o que eu realizei aqui! Eu acho que a gente colheu bons frutos e ainda colhe! Porque a gente tem a participação, que é grande, da comunidade os alunos não querem sair daqui, né?! E os alunos quando saem, às vezes, querem voltar aí, a gente trabalha numa faixa etária dos 8 aos 18 anos né?! Aqueles que vão chegando nos 18 anos começam a lamentar que “vamos ter que deixar o núcleo” até é lógico né?! Porque a gente precisa dessa vaga renovada, né?! E a questão, às vezes, é também de ...alguns professores que, às vezes, é também difícil de conseguir o professor para cá!
Não tem na rede?
É tem na rede! Mas às vezes é difícil arranjar um professor para cá, existe um pouco de dificuldade para se conseguir o professor para cá com matrícula, é que é mais difícil! Mas de resto acho que tudo é a favor, tudo isso que a gente está fazendo 10 anos assim, com muita alegria, entendeu?! Muito empenho, então eu acho isso é que é importante.
Queria que você falasse um pouquinho do projeto de 2012, algumas influências observadas pelos alunos? Pela comunidade? Pelos integrantes?
Olha! É assim o projeto, como te falei... Foi sobre o quê? A temática?
Não! Na verdade a gente utilizou de tudo um pouco, a gente utilizou Vila Lobos, a gente trabalhou as minhas de Caetano Veloso, e tem o Jorge Amado também, né?! Então, a gente procurou usar isso, a gente traz (pausa)…antigamente era mais fechado, hoje em dia já se abriu mais essa questão de tema, né?! Então, a gente procurou mostrar, o que estava sendo, até o que está atualmente na mira, em questão a essas pessoas, né?! O Jorge Amado, o Vila Lobos, também trabalhou a música, no teatro a gente já fez um espetáculo americano da Broadway que no final a gente resolveu, a professora resolveu fazer. Enfim, eu já trabalhei o teatro, trabalhei um livro da Ruth Rocha, então a gente procura trabalhar coisas bem atuais e coisas que estão sempre presentes, né?! Porque estes compositores são eternos né? E a gente procura trazer isso para o aluno, para que eles conheçam!
E os pais, dentro desse processo de construção, eles ajudam de alguma forma?
Às vezes sim, às vezes não! Aí é muito relativo isso! Eles participam, às vezes, vão dando algum apoio, de alguma, às vezes ajudando até na parte de produção, entendeu?! Ajudam na costura, alguns até participam, né?! Ou trazendo alguma informação, ou trazendo algum material, caso a gente peça, a gente precise, mas eles estão participando mesmo é divulgando as apresentações, que a gente aqui fez o quê esse ano? Nós fizemos dois períodos de apresentação. O período de Outubro foram apresentações de dança e de música né?! Então todas elas aconteceram em Outubro e agora em Novembro até meados de Dezembro o teatro; então as apresentações de teatro, claro...só mesmo uma de dança que vai ser hoje decidido para quarta-feira, que ficou agora para o final, enfim, devido à questão do figurino, e aí a gente procura fazer isso pra gente ter uma participação grande da comunidade, entendeu?! Da família, dos alunos das escolas também.
A comunidade local é onde participam muito bem aqui da atividade dentro do núcleo. Você vê como uma comunidade muito carente a local?
Não! Não acho! Aqui não é uma comunidade carente, ela tem! Nós temos alguns, mas ...não são carentes entendeu?!
Classe média agora (...)
É isso então eu acho que não ...
Você considera que a dança é relevante no trabalho dentro do núcleo?
Claro! Todas são relevantes! E na dança inclusive, vou colocar isso (...), até essa questão de inclusão dos alunos especiais. É a maioria dos nossos alunos, eles estão na dança, nas aulas, nas oficinas de Dança, tem uns no teatro também e nas artes visuais, mas a grande maioria na dança e os alunos que já estão conosco já há 10 anos, já começaram no núcleo, eles estão sempre fazendo aula de dança. Então a gente percebe que houve uma melhora grande em tudo neles! Da iniciativa, entendeu?! Da atitude, a questão corporal mesmo, têm outra postura de corpo e é a questão até da fala
também porque no final de contas, tocando com outro colega, né?! No dia-a-dia eles desenvolvem isso, né? Então, eu acho que a dança é fundamental!
Na maioria deles têm Síndrome de Down?
É! Na maioria têm síndrome Down e são todos (pausa), a maioria tem mais de 18 anos, temos alguns menores, mas tem muitos que já têm até 30 anos! Estão com a gente desde o início.
Você acha que a dança pode ser considerada um factor de inclusão social?
Claro! Lógico! A Arte é um fator de inclusão social, a dança com eu te disse principalmente, a dança porque...para você...qualquer trabalho que exige que o grupo esteja junto, né?! Que o grupo compartilhe, que o grupo crie coisas, eu acho que vai desenvolver e vai incluir, né?! Até que não seja, aquele aluno especial e que seja muito tímido e estando no grupo, né?! Ele vai acabar entrando no grupo porque vai sentir essa necessidade, agora é lógico que tem que ter um apoio em casa, um apoio da família para que diga “vai” é um incentivo, e da gente aqui também! Então, eu acho muito importante isso, eu vejo que tem atingido resultados muito bons!
Você pode dar alguns exemplos de alunos com resultados?
A Bianca, né?! Estás aqui há dez anos, que é a filha da nossa costureira, ela faz o teatro, ela faz arte literária entende?! Ela lê, ela escreve, ela tem algumas dificuldades tem! Mas já melhorou muito de quando ela começou, então a Bianca ela dança muito bem, ela faz uma abertura que eu vi poucas fazer (risos) e ela é gordinha, né?! Então, tem isso você vê esse estigma, né?! De ser gordinha, de ser diferente e isso aqui a gente não tem, a questão é que todo mundo aqui, a gente passa esse princípio, né? As pessoas são todas iguais. E às vezes, até falam “ah você quer ser politicamente correto” não é! Mas é que eu acho que você é capaz, né? É assim! Você estando num projeto como esse de conseguir fazer isso.
Tem que equilibrar as diferenças, né?!
É até é! Até as pessoas até percebem que existe diferença porque existe diferença! Mas a gente sempre procurou fazer com que isso não aconteça! Porque senão não haveria tanto sucesso desses alunos, né? Estarem inclusos, estarem participando e isso! São alunos sempre presentes, né? Enfim, eu acho que é um trabalho muito positivo, a questão da inclusão, enfim eu não vejo, realmente não vejo nada negativo porque esses anos que eu estou aqui, pelo menos coordenando isso aqui, esses 8 anos eu só vejo os alunos, e as mães vêm, elas querem que eles estejam, até que a gente diga, às vezes, não tem vaga, eu indico Esportes, cursos, né?!
(...)
Então eu acho que é isso, eu acho que é bastante positivo, eu acho que a gente faz um trabalho muito legal, com os especiais, com os não especiais, eu acho que aqui é um espaço que realmente de prazer de alegria, de desenvolvimento e de autoconhecimento entendeu?! Estou feliz de estar aqui.
Você já teve alguma experiência, por exemplo, de alunos que conseguiram através da arte, pode ser através do teatro, da dança que conseguiram algum trabalho formal ou informal na dança? Tem casos assim? Que seguiram carreira?
É! Temos um! Que agora recentemente, ele fez teatro, começou a fazer teatro comigo e depois ele ficou aqui 2 anos fazendo teatro. E ele tem 20 anos, fez a última temporada da Malhação, entendeu?! Ele fez um personagem bom e tudo, e agora está aí numa banda, veio cantar aqui, agora o irmão dele também está aqui, fazendo teatro, já toca, também fazia música aqui, tem uma banda que também se apresentam fora, profissionalmente entendeu?! Nós temos alunos que faziam dança, nós temos um inclusive que está na Escola de Dança Maria Olenewa, outros alunos que dão aula de dança nas academias entende?! Então eles são professores de dança, estão a começar a dar aula na Academia Valeria Moreira. Nós temos vários alunos que cada um vai seguindo o seu caminho, outros foram para outras áreas, né? Mas temos alguns que seguiram a carreira na dança, com certeza.
Uma pessoa com dificuldade ou uma pessoa com deficiência, ela tem direito a participar em aula de dança em qualquer núcleo de arte? Tem acesso? Ele começou há pouco tempo! O núcleo de arte não era obrigatório a participação, né?! Você pode ser um professor mais aberto nesse sentido, né?!
Desde que este núcleo foi fundado que a gente tem alunos especiais. Eu na realidade, é como eu te disse! Eu estou há 8 anos né? A própria Fátima, que é a nossa costureira, filha dela está aqui desde que o núcleo começou, há 10 anos, entendeu?! Tem outros que estão também esse tempo! Então, a gente sempre teve alunos especiais, inclusive, assim falando numa experiência, né?! A minha primeira turma de teatro, eu nunca tinha dado aula para alunos especiais na rede, eu nunca tive na minha sala de aula, eu tinha muita turma e aqui a minha primeira turma de teatro eu peguei 2 alunos especiais, a Bianca que é aluna da nossa chefe e a Flávia que está aqui até hoje, também já tem mais de 30 anos, trinta e pouco, e eu nunca tinha dado aula de teatro para aluno especial, eu na verdade até digo a você, a gente não tem preparação para isso, né?! A gente não tem! É eu me assustei um pouco disso, mas depois como eu acho quando a gente se propõe a ser um educador, eu acho que a gente tem que enfrentar mesmo o que aparece, sou muito ciente disso, não nessa questão e só porque sou ator de teatro, mas também como sou produtor de teatro e tudo. Então, sempre sou puro de encarar as coisas no sentido que a vida foi um desafio, assim uma coisa válida ter passado por aqui e eu procuro tirar alguma coisa, então eu...elas duas foram minhas alunas e nos surpreenderam nas aulas de teatro fizemos um pequeno filme que elas falavam, né?! Porque a dicção delas, elas não falam muito bem, né?! É clara mas não é uma boa dicção mas e saiu muito bem! E ai eu perdi o meu medo e confesso que eu tinha, mas
gostei muito disso já não é mais um problema para mim, né?! Na verdade, às vezes a gente encara como um problema.
Então, a experiência no núcleo tem sido muito boa, né?! E os professores também abertos?
A gente tem realmente tem uma equipe muito, muito consciente do que se faz, muito participativa, entendeu?! A gente divide as opiniões, os erros e acertos...enfim!
Trabalhos desenvolvidos quando vocês organizam um evento, organizam e executam a comunidade local já têm aquela educação de assistir de apreciar a obra artística produzida? A formação de plateia….
Já, já! Eles vêm porque sabem é aí que a gente divulga e é a própria comunidade que ajuda a divulgar e as crianças também ajudam, hoje em dia a coluna social divulga tudo o que é o espetáculo.
(..) na hora que está assistindo conversam muito? Falam alto?
Não! Existe a conversa muitas vezes por causa dos alunos, de outras escolas que não têm o hábito de ir ao teatro. É que nem todas as escolas também têm aula de teatro, né? Então eles não têm esse hábito, mas a gente consegue de repente com o tempo, eles começam a prestar atenção e que eles estão vendo o espetáculo no palco que é tão interessante, tão bonito, tem música tem... Enfim que aí acaba ficando é (pausa) eles ficam tranquilos assistindo, então eu acho que é bem interessante envolver começam a perceber até outro ponto de vista em relação a isso a formação de plateia, né?! Então eu acho que é importante a gente e a CRE como eu te digo, dando esse apoio de trazer a escola para escola para assistir e isso já é um trabalho de formação de plateia e a plateia de teatro que já é uma coisa que realmente para eles é distante! Aqui na região é o único núcleo de arte que tem ou.. ?
É o único núcleo de arte, tem outros lugares que tem apresentações a Lona Cultural, então eu acho muito interessante, nós também temos um grupo de alunos agora que saiu daqui, no ano passado formaram uma companhia de teatro que chamada Teatrum e eles estão se apresentando fora, entendeu?! Já são uns 17-18 anos aqui, eles fizeram um grupo de teatro aqui, com um professor de aqui de teatro também, e eles criaram essa companhia onde eles estão se apresentando, se apresentam no Ramos Social Clube, agora vão fazer lá no teatro da Caixa Econômica, entendeu?! Eles estão começando a descontar e é um grupo que saiu daqui se apresentava aqui com os professores e formaram essa companhia e também estão começando a seguir novos rumos.
Só para agente finalizar. Você quer fazer algum comentário.
É eu gostava, até agora todos meio assim da situação dos Núcleos e se isso realmente acontecer para o ano que vem, até lá as coisas até podem mudar, eu espero que as
pessoas se mobilizem, vai ser muito complicado, vai deixar uma lacuna vazia? E que é extremamente importante, extremamente interessante para todos os alunos! Não só da rede, que a gente atinge, a maioria são alunos da rede, mas tem alunos também das escolas particulares, escola estatual, eu acho que vai ser uma falta grande demais, eu acho que não devia acontecer isso né?! Até porquê são espaços onde tem profissionais gabaritados e específicos que podem muito bem fazer com que, esses adolescentes, esse jovem essa criança é desenvolva valores, entendeu?! Então acho que não deviam terminar, nenhum espaço de Extensão Escolar.
Muito obrigada!