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Academic year: 2021

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Índice

1-

COMUNICAÇÃO

1.1-

Conceitos Básicos

1.2-

Componentes da Comunicação

1.3-

Intencionalidade do Emissor e Expectativa do Receptor

1.4-

Interferências na Comunicação

1.5-

Eficácia da Comunicação

2-

AGENTE DA COMUNICAÇÃO

2.1- Substratos Estruturais da Comunicação 2.2- análise Estrutural da Personalidade 2.3- Substratos Funcionais da Comunicação 2.4- Análise Funcional da Personalidade 2.5- A Comunicação Interna

2.6- Um Modelo Psicológico da Comunicação Humana

3-

ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES INTERPESSOAIS E INTERGRUPAIS

3.1- As Transações Complementares 3.2- As Transações Cruzadas

3.3- As Transações Ocultas

3.4- Transações, Intercâmbio de Emoções e Desqualificação

4-

AS POSIÇÕES EXISTENCIAIS E RELACIONAMENTO HUMANO

4.1- O Desenvolvimento da Posição Existencial 4.2- A Posição Existencial OK – OK

4.3- A Posição Existencial OK - NÃO OK 4.4- A Posição Existencial NÃO OK – OK 4.5- A Posição Existencial NÃO OK – NÃO OK 4.6- A Posição Existencial OK – OK

4.7- Confronto das Posições Existenciais

4.8- Posições Existenciais e Desempenho de Papéis

4.9- O Miniargumento e sua Influência no Desempenho Organizacional.

5-

A PROGRAMAÇÃO SOCIAL DO TEMPO

5.1- O Isolamento ou Alheiamento 5.2- A Atividade 5.3- O Ritual 5.4- O Passatempo 5.5- Os Jogos Psicológicos 5.6- A Intimidade

5.7- Como Vivemos no Tempo com os Nossos Estados do ego.

6-

JOGOS PSICOLÓGICOS

6.1- Conceituações

6.2- O triângulo Dramático do Karpman

6.3- Os Jogos Psicológicos que Ocorrem em Ambiente de Trabalho 6.4- Como Evitar os Jogos Psicológicos

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1. COMUNICACÃO:

1.1 – CONCEITOS BÁSICOS:

A palavra “comunicação”vem do latim “comunis”, que significa “comum”. Comunicar, portanto, é tornar-se comum com alguém. E isso ocorre quando um indivíduo fornece algo concreto ou abstrato a outro, diminuindo a diferença entre os dois. As primeiras expressões da “comunicação” devem ter sido bem concretas. Um fornecia a caça, o outro algum utensílio; ou era baseada em informações, principalmente visuais – o ato de alguém afastar-se em direção ao campo de caça, induziria outros a imitá-lo, ( o que mais tarde teria sido simplificado com o gesto da mão “dizendo siga-me”, ainda hoje amplamente utilizado por nós). Quanto ao aspecto sonoro, ocorreu também uma evolução do grunhido apenas biológico-emocional, para a emissão de vocábulos abstratos, símbolos de objetos e fenômenos de nosso ambiente.

Mas, um aspecto básico da comunicação continua inalterável e o será sempre – só há comunicação quando há compartilhação de algo, seja em nível concreto ou abstrato ( o ato de dar um presente a um índio tem um significado de “eu quero ser seu amigo”, do mesmo modo que um olhar afetuoso, um aperto de mão ou a declaração oral explícita em nossa sociedade).

Portanto a comunicação pode ocorrer em diversos níveis: - Quando falamos a nosso colega de trabalho (comunicação oral);

- Quando entregamos um relatório a nosso chefe (comunicação escrita);

- Quando diminuímos a velocidade do carro ao ver a placa de 60 Km (comunicação por símbolos visuais);

- Quando retornamos à sala de aula ao ouvir a sirene de término do intervalo (comunicação por símbolos auditivos);

- Quando paramos a partida de baralho ao sentir o cheiro do churrasco (comunicação por símbolo olfativo);

- Quando pulamos da cama ao sentirmos a palmadinha nas costas de “está na hora” (comunicação interna – consigo mesmo).

Seja em qualquer nível, a comunicação exige pelo menos três elementos para que possa ocorrer:

O EMISSOR pode ser um animal, uma pessoa, uma organização (jornal, TV, rádio); o CANAL pode ser o ar, a água, o papel a ser escrito; e o RECEPTOR pode ser uma pessoa ou grupo que escuta, vê, sente o cheiro ou percebe de outro modo.

FONTE OU EMISSOR

CANAL RECEPTOR

Na sociedade humana o ato de comunicar –se confunde-se co o de viver. Imaginem um indivíduo isolado desde o seu nascimento – sua vida não terá uma duração maior do que alguns dias. Na espécie humana isso é patente devido ao longo período necessário para que tornemos aptos a receber o “certificado de agora já pode sozinho”. A dependência inicialmente biológica transforma-se em psicológica, devido ao grande volume de informações que precisamos “gravar” antes de sermos considerados aptos a viver em sociedade.

À semelhança da vida, a comunicação é um processo e como tal, o dinamismo é sua característica fundamental. Isso ocorre graças à continua interação entre EMISSOR e RECEPTOR através da mensagem transmitida. Ao solicitar uma informação, a pessoa

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atua como emissor e seu interlocutor como receptor. Esse, o fornecer a informação solicitada, assume o papel de emissor enquanto que o primeiro transforma-se em receptor.

Para melhor compreendermos a comunicação, podemos empregar o modelo abaixo simplificado, que simboliza através das setas o dinamismo do processo:

EMISSOR RECEPTOR

RECEPTOR EMISSOR CANAL

Por outro lado, a comunicação humana é abordada por diversos ramos da ciência sob vários enfoques. Dentre estes, temos a Matemática, Antropologia Lingüística e a Psicologia Social. Os Matemáticos abordam o assunto a partir de três enfoques: a teoria da informação, a engenharia de comunicações técnicas e a cibernética. Os antropólogos lingüistas estudam as línguas existentes e/ou desaparecidas e procuram estabelecer relações entre os símbolos utilizados em diversas épocas e áreas geográficas.

Os psicólogos sociais estudam especificamente a interação humana, auxiliados por conceitos e informações obtidas a partir dos matemáticos e dos antropólogos, entre outras fontes. Da teoria da informação matemática são obtidas conclusões sobre a quantidade de informações que podem ser transmitidas por um canal e sua relação com os códigos. Da engenharia de comunicações técnicas, que estuda a transmissão de mensagens de um ponto a outro, recebeu modelos e conceitos para o estudo da comunicação entre grupos humanos dentro das organizações. Da antropologia lingüística aproveitou as conclusões a respeito do fenômeno, que não deixa de ser psicológico, o “choque cultural”.

Cada uma dessas três áreas científicas enfoca os três campos básicos da comunicação humana: a sintaxe (relação dos símbolos entre si), a semântica (relação entre os símbolos e as coisas) e a pragmática (relação entre os símbolos e as pessoas).

A matemática através de Claude Shannon nos forneceu um modelo geral do processo da comunicação: EMISSOR CODIFICADOR MENSAGEM CODIFICADA RUÍDO

CANAL DECODIFICADOR RECEPTOR

MENSAGEM ENVIADA

MENSAGEM RECEBIDA

E a partir deles podemos considerar os seus componentes. É o que faremos a seguir. 1.2 – COMPONENTES DA COMUNICAÇÃO: 1 – O EMISSOR 2 – O CODIFICADOR 3 – O CANAL 4 – A MENSAGEM 5 – O RECEPTOR 6 – O DECODIFICADOR

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O EMISSOR é aquele que tem uma informação, sentimento ou emoção que deseja transmitir. Para isso usa um código (sistema de sinais) através do qual codifica a mensagem que será transmitida ao receptor que, por sua vez, a decodifica para aprender o significado da mensagem recebida.

O CODIFICADOR, do ponto de vista psicológico, é parte integrante do emissor e pode funcionar como seletor ou como transformador das informações que deverão ser emitidas. É anatomicamente a rede neuronal pré-frontal e funcionalmente um circuito reverberante formado, mantido e desenvolvido pelas experiências cotidianas vividas por cada pessoa. Daí, a peculiaridade e individualidade do codificador, que, em última instância, é a personalidade do indivíduo. Atua como seletor quando o emissor retém, consciente ou inconscientemente, parte das informações que pretende transmitir. E funciona como transformador, quando o emissor emite uma informação ou equivalente, com seu teor adaptado ás circunstâncias, embora não seja fidedigna (uma confissão sob pressão, por exemplo).

O DECODIFICADOR está para o receptor assim como o codificador está para o emissor. Para que uma informação seja compreendida, é necessário a sua adequação ao sistema de informações já gravado no receptor. Assim, dizer a um caboclo do nosso sertão que o homem já chegou à lua é uma afronta a sua fé que o faz acreditar que a lua é de Sã Jorge. É portanto necessário compatibilizar a informação emitida ao sistema referencial do receptor, para que ocorra uma comunicação eficaz.

Poderemos conceituar codificador e decodificador de outras maneiras, dependendo do nível em que analisarmos, ou seja, conforme nosso próprio decodificador. Assim, pode ser considerado codificador a faculdade motora do emissor, ou a máquina de escrever que utiliza. E decodificador pode ser o sistema visual ou auditivo do receptor ou a legenda na tela do cinema ou o rádio (decodifica ondas eletromagnéticas).

O CANAL é o veículo que transporta a mensagem, como por exemplo, o ar ou o fio telefônico, condutores da palavra falada e a página, da palavra escrita.

MENSAGEM é o elemento emitido e recebido sob forma de código, conforme suas características. Pode ser um aperto de mão, um “bom dia” , um conto escrito.

RUÍDO é um conceito típico da teoria matemática da comunicação e refere-se ao conjunto de fatores que dificultam a transmissão eficaz da mensagem.

Exemplo dos diversos componentes: Leitura de um livro. FONTE OU EMISSOR: escritor.

CODIFICADOR: Faculdade motora do emissor Personalidade do emissor. MENSAGEM: as estórias, contos, impressos. CANAL: livro.

RUÍDO: uma pagina mal impressa – um erro de paginação. DECODIFICADOR: sistema visual do receptor

Personalidade do receptor.

RECEPTOR: leitor.

1.3 INTENCIONALIDADE DO EMISSOR E EXPECTATIVA DO RECEPTOR:

A emissão de um comportamento, seja corporal ou verbal, é sempre resultante de uma motivação interna e de um objetivo a ser atingido pelo agente da ação no meio externo. Em outras palavras, há uma intenção, cujo alvo é diminuir a dependência do indivíduo de seu meio, aumentando seu poder de influência nos outros e em si mesmo e tornando-o cada vez mais autônomo. E a maneira mais adequada de atuar no meio, nas outras pessoas e em si mesmo é a comunicação.

Afetar intencionalmente o comportamento de outra pessoa é um objetivo nítido da comunicação e significa conseguir que a mensagem produza no receptor a conduta esperada pelo emissor.

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Há portanto implícitos no processo de comunicação dois fatores interferentes: a intenção do emissor de conduzir o receptor a emitir uma resposta determinada; e a expectativa do receptor de receber uma informação, atitude ou comportamento pré– determinado, que venha a adequar-se a sua maneira de ser. Não é muito difícil prever as interferências que esses fatores produzem na comunicação. A intenção do emissor, de induzir o receptor a apresentar uma conduta desejada, está em estreita relação com o grau de conhecimento que possui desse último. Quanto maior o conhecimento que uma pessoa tem de outra, mais fácil será induzi-la a uma conduta desejada. A mesma regra aplica-se a expectativa do receptor: quanto maior o seu conhecimento sobre o emissor maior a probabilidade de previsão das suas condutas.

Tanto a intenção como a expectativa são fatores que também determinam o grau de “’ruído” de uma comunicação, e com isso, sua maior ou menor eficácia. E por não encontrar-se a nível de canal, é necessário uma ampliação do conceito matemático de ruído, restrito apenas ao canal, para os componentes emissor e receptor. A intencionalidade pode gerar um “ruído” intra-emissor a nível de decodificador. Podemos dizer que essas interferências são basicamente do campo da psicologia e por isso as veremos em detalhes no próximo capítulo, quando tratamos da estrutura e função da personalidade do agente da comunicação.

Entretanto, adiantaremos algumas considerações a respeito. Uma delas é que não podemos separar os objetivos da comunicação (intencionalidade) e a pessoa receptora, uma vez que sua resposta está condicionada às características do sue decodificador, que possui poder de alterar o significado da mensagem conforme suas expectativas.

Entretanto, por não considerar esse princípio, ocorre ao nível dos dois componentes (emissor e receptor) um fenômeno psicológico conhecido como DESQUALIFICAÇÃO. Impulsonado por uma intenção que não deixa de ser manipulatória, o emissor “passa por cima” da personalidade do receptor, visando apenas atingir seu intento: induzi-lo a a comportar-se conforme seu desejo. Em contrapartida, o receptor defende-se da investida por meio de uma imagem pré-concebida do emissor, uma repesentação mental que gera uma expectativa, que por sua vez desqualifica a verdadeira maneira de ser do emissor. é como se ambos portassem uma lança e um escudo, respectivamente a intenção e a expectativa, determinados pela imagem virtual que um possui do outro.

Estudaremos mais adiante o fenômeno da desqualificação, resultante do conjunto emissor – receptor.

CHEFE

(na expectativa de receber mais um relatório medíocre devido à imagem que faz do funcionário.)

FUNCIONÁRIO

(com intenção de receber um elogio)

Ih! Lá vem ele. Além de medíocre, como é chato! Aposto que seu relatório será mais um vexame. Vou apresentar

um relatório muito bom. Sei que ele vai elogiar-me.

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1.4 – INTERFERÊNCIAS NA COMUNICAÇÃO:

Entendemos como interferência o efeito resultante da ocorrência de fatores que diminuem o nível de eficácia da comunicação. Podem surgir em qualquer componente ou no contexto onde ocorre a comunicação.

Podem ser considerados como interferências no Emissor: uma alteração anatômica; um comprometimento funcional ou metabólico; um hábito fortemente arraigado; uma alteração do auto-conceito, seja uma supervalorização ou desvalorização de si; um estado psicopatológico; um preconceito sobre o receptor; um estado emocional.

Ao nível de RECEPTOR, as interferências são quase as mesmas, acrescentando-se alterações da acrescentando-senso- percepção e expectativa sobre o EMISSOR.

Ao nível do CANAL, podemos considerar a sua inadequação à transmissão da mensagem (por exemplo: utilizar o telegrama para uma mensagem de amor); a presença de fatores estranhos (por exemplo: uma página com inúmeros borrões de tinta); um número muito elevado de mensagens passando pelo mesmo canal (discussão num grupo recém-formado com vários emissores atuando ao mesmo tempo).

Ao nível da MENSAGEM, temos uma má utilização dos códigos; o desconhecimento do código do emissor pelo receptor; a tonalidade emocional utilizada pelo emissor.

1.5 – EFICÁCIA NA COMUNICAÇÃO

A eficácia na comunicação é determinada pela realização do objetivo fundamental do emissor: influir intencionalmente no comportamento do receptor.

Isso depende de vários requisitos tais como:

A) Atitude do emissor com relação ao tema da mensagem : - Um vendedor oferecendo uma linha de produtos, porém com atitudes diferentes com relação a cada um deles; a eficácia da sua venda será determinada por sua atitude mais ou menos favorável diante de cada um deles.

B) Atitude do emissor com respeito a si mesmo: - A maior ou menor verbalização de si pode determinar o sucesso ou fracasso de um candidato a certo emprego. O mesmo pode ocorrer quanto a sua aceitação ou não – a falta de auto-confiança pode facilmente gerar o fracasso de um vendedor.

C) Posição relativa do emissor e do receptor no sistema sócio – cultural: - O padrão de informação deve adequar-se ao status do receptor, do contrário, poderão surgir conflitos: um chefe de seção dirá claramente o que achada atitude inadequada de seu funcionário; ao passo que, ao dirigir-se ao seu diretor por um motivo similar, o fará com inúmeros rodeios e perâmbulos, se o fizer.

D) Habilidades comunicativas do emissor: - Diz respeito ao domínio de habilidades vinculadas à codificação como: escutar, escrever, ler, pintar, desenhar, gesticular, falar. Ao escrever um livro, quanto maior for o domínio das regras estilísticas, do vocabulário, das leis gramaticais, maior será a eficácia de sua comunicação, e assim, sua mensagem atingirá os objetivos pretendidos. A codificação , nesse caso, dependerá dos sinais pelo emissor, que além disso poderá escolher o código mais adequado ao canal que pretenda utilizar.

E) Atitude do emissor face ao receptor: - Um exemplo claro é o preconceito. Nesse caso, o emissor inicia a comunicação, partindo de um pressuposto que geralmente não confere coma a realidade, afetando grandemente a eficácia da comunicação estabelecida. – Um chefe que possui a atitude preconcebida de que o funcionário José é um sujeito medíocre e que só faz coisas erradas,

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comprometerá a eficácia da sua mensagem quando dirigir-se àquele funcionário. E mesmo que não fale o que pensa, sua atitude poderá ser percebida por gestos, tom de voz ou outro indício corporal. E nesse caso, estará emitindo duas mensagens ao mesmo tempo; uma verbal (aparente) e outra corporal (encoberta), essa geralmente inconsciente. Surge com isso uma discrepância na comunicação, que levará o emissor a possíveis transtornos. O emissor, não estando consciente de sua mensagem encoberta (psicológica), será apanhado de surpresa se o receptor responder a ela ao invés de, a sua mensagem oral (nível social). Há, portanto, nesse caso um “ruído” no emissor que o impede de conhecer as mensagens que emite, tornando-o irresponsável por seus atos. Daí a necessidade do auto-conhecimento como um pré-requisito a uma comunicação interpessoal realmente eficaz.

F) Nível de conhecimento do teor da mensagem pelo receptor: - Se o emissor dá uma informação já conhecida pelo receptor, não despertará muito a atenção desse, que tenderá a dispersar-se em seus pensamentos. Isso ocorre frequentemente em sala de aula, quando o aluno já sabe o que o professor dirá sobre determinado assunto.

Pode ocorrer também o inverso: se o nível de conhecimento do receptor sobre certo assunto for muito elementar, o emissor não atingirá seu objetivo ao transmiti-lo.

Podemos concluir que a eficácia da comunicação é inversamente proporcional ao nível de ruído em seus componentes, de tal forma que quanto maior o nível de ruído maior a eficácia.

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2 – O AGENTE DA COMUNICAÇÃO

Denominamos “agente da comunicação” o indivíduo que, ora atua como emissor, ora como receptor. O estudaremos na seguinte ordem: inicialmente sua estrutura (visão estática); depois sua dinâmica interna; e a seguir (no tópico 3) sua dinâmica externa, através da análise de interação de dois ou mais agentes.

2.1 – SUBSTRATOS ESTRUTURAIS DA COMUNICAÇÃO:

Já vimos no tópico anterior, os pré - requisitos de uma comunicação eficaz. Estudaremos nesse tópico, em maiores detalhes, um desses pré – requisitos: a estrutura do agente (emissor e receptor), que em outros termos, constitui o substrato da comunicação.

O primeiro substrato é o anatômico, constituído principalmente pelos sistemas ósseo, muscular e nervoso, os principais responsáveis pela ocorrência de comportamentos e a recepção de estímulos (informações). A ocorrência de algum distúrbio em um deles leva a um maior ou menor comprometimento da eficácia da comunicação, dependendo do grau do distúrbio ocorrido. Assim, um braço quebrado é um obstáculo para a emissão de informações escritas como uma mandíbula quebrada o é para a emissão oral. Uma ruptura muscular (ou tendinosa) de um órgão de emissão (mão, boca) leva a uma paralisia que impedirá a ocorrência da mensagem pelo órgão afetado. E mais grava ainda é a ocorrência de uma anomalia anatômica do sistema nervoso, o que poderá inclusive bloquear qualquer tipo de informação (estado vegetativo oriundo de um traumatismo do sistema nervoso central).

Outro substrato estrutural responsável pelo nível de eficácia da comunicação é a “estrutura” psíquica do agente, oriunda da gravação de imagens percebidas e de atitudes e condutas expressas e que conforme a teoria neuro – fisiológica dos “rastros nervosos” produz uma espécie de “mapa” cortical, responsável pelas atitudes e comportamentos futuros do indivíduo. Estudaremos essa estrutura no item seguinte. 2.2 – ANÁLISE ESTRUTURAL DA PERSONALIDADE:

Por volta de 1951, Wilder Penfield, um neurocirurgião da Universidade de HcHill de Montrela – Canadá, efetuava investigações de focos epiléticos no cérebro de seus pacientes, no sentido de localizá-los para em seguida tratá-los. Seu método consistia na estimulação do córtex cerebral através de uma minúscula sonda provida de um microeletrodo, que emitia uma corrente elétrica de baixa intensidade. Entretanto surgiu, a certa altura dos acontecimentos, uma variável não prevista por ele: reações verbais dos pacientes que ao serem estimulados em determinados pontos de seu cérebro, recordavam-se nitidamente de certos eventos de sua vida, ou emitiam certos comportamentos verbais ou emocionais. Após a surpresa inicial de que foi tomado em suas pesquisas, Penfield resolveu iniciar um estudo sistemático dessa variável interferente. E no decorrer de inúmeros anos acumulou dados, até então inéditos, que viriam mais tarde alterar o rumo do estudo do comportamento e atitude humana.

Durante as experiências, o paciente sob anestesia local, continuava completamente consciente e podia falar com o experimentador. Apresentaremos abaixo, algumas conclusões principais a que chegou Penfield em seus anos de trabalho:

- Inicialmente, conforme suas próprias palavras “a experiência psíquica assim produzida (através da estimulação elétrica), interrompe-se quando o eletrodo é retirado e pode repetir-se quando ele é reaplicado”.

Suas outras conclusões forma:

- O eletrodo evoca apenas uma recordação e não uma mistura de lembranças ou uma generalização.

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- A reação ao eletrodo era involuntária “sob a influência irresistível da sonda, uma experiência familiar aparecia na consciência do paciente que desejasse focar sua atenção nela ou não. Uma canção era ouvida, provavelmente da mesma forma como fora ouvida em certa ocasião: ele se encontrava fazendo parte de uma situação específica que progredia e se desenvolvia exatamente como a situação original. Era para o paciente, a representação de uma peça conhecida, onde era ao mesmo tempo ator e platéia”. (Penfield in Memory Mechanisms, 1952).

- Não apenas os acontecimentos passados são recordados em detalhe, mas também as sensações associadas a tais eventos: “ O paciente vive de novo a emoção que o acontecimento produziu nele originalmente, e é cônscio das mesmas interpretações, corretas ou falsas, que deu então à experiência”. (Penfield).

- O registro da lembrança continua intacto mesmo depois que o indivíduo não possa mais recordá-la: “A recordação evocada no córtex temporal retém o caráter detalhado da experiência original. Quando ela é assim introduzida na consciência do paciente, a experiência parece estar acontecendo no presente, possivelmente porque força tão irresistivelmente sua atenção. Só quando ela acaba é que o paciente pode reconhecê-la como uma vívida lembrança do passado”. (Penfield).

- Os registros da memória evocados através da sonda elétrica são em seqüência e contínuos: “Quando o eletrodo é aplicado ao córtex da memória, pode produzir um quadro, mas o quadro geralmente não é estático. Ele se modifica quando visto originalmente, e o indivíduo talvez tenha alterado a direção de seu olhar. E segue a mesma sucessão de acontecimentos observados durante os segundos ou minutos em que se desenrolaram. A canção produzida por estímulo cortical (elétrico) progride lentamente, de verso em verso, e de uma parte para outra”. (Penfield).

- O fio que dá continuidade e seqüência ás lembranças evocadas parece ser o tempo: “O fio da sucessão temporal parece ligar elementos da recordação evocada. Parece também que apenas os elementos sensoriais aos quais o indivíduo estava prestando atenção são registrados, e não todos os impulsos sensoriais que estão sempre bombardeando o sistema nervoso central”. (Penfield).

- Outra conclusão foi que experiências similares são gravadas próximas de tal modo que o julgamento das diferenças e similaridades seja possível.

Com base nessa série de dados, Penfield concluiu:

- “A demonstração da existência de “desenhos” corticais que preservam os detalhes da experiência corrente, como uma biblioteca de muitos volumes, é um dos primeiros passos na direção de uma fisiologia da mente. A natureza do desenho, o mecanismo da sua formação, o mecanismo da sua utilização subseqüente e os processos integrados que formam o substrato da consciência tudo isso será um dia passado para fórmulas fisiológicas.”

E ERIC BERNE, psiquiatra canadense foi quem primeiro lançou mão das conclusões de PENFIELD, estruturando o que mais tarde receberia o nome de Análise Transacional, talvez a mais recente conquista do homem para o seu próprio conhecimento.

Foi numa sessão de psicoterapia, com um advogado como seu cliente, que Berne ficou consciente das mudanças que ocorriam no padrão de atitudes e comportamentos das pessoas: num intervalo de minutos, o seu cliente mudou de uma atitude compenetrada, analisadora, de raciocínio frio e preciso para outra de insegurança emocional, futilidade e “relaxamento” e em outra ocasião, apresentava uma reação de crítica da atitude que havia tomado ou de crítica do próprio terapeuta. Com o intuito de simplificar o seu trabalho e facilitar a compreensão dos padrões de comportamentos que ocorriam, BERNE denominou-os respectivamente de Adulto, Criança e Pai, por

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apresentarem muita semelhança com a idade adulta e infantil e com o papel de pai. Com isso implementava-se a idéia, muito antiga, de que o homem é um ser que possui uma personalidade global, porém formada por “subpersonalidades”, a que BERNE deu o nome de estados do ego.

Assim, surgiram os conceitos, em1957, de estados de ego Pai, Adulto e Criança, com base estrutural da personalidade, confirmados pelas experiências de Penfield, que concluiram sobre a existência de estruturas nervosas indeléveis, responsáveis por atitudes, emoções e comportamentos específicos. Faz-se necessária uma pequena ressalva a esta altura, apresentada pelo próprio ERIC BERNE: “Pai, Adulto e Criança não são conceitos como Superego, Ego e Id, mas realidades fenomenológicas. O estado de ego é produzido pela reprodução de dados de acontecimentos no passado, envolvendo pessoas reais, ocasiões reais, decisões reais e emoções reais”.

Estudaremos os estados de ego através do diagrama abaixo:

CRIANÇA ADULTO PAI C A P OU

O desenho acima é conhecido como diagrama P.A.C e refere-se aos estados de ego ao nível de 1a ordem, (mas adiante veremos outros diagramas mais complexos).

2.2.1 – O ESTADO DE EGO PAI:

- É um conjunto de registros no cérebro, resultante da gravação de atitudes e comportamentos oriundos de nossos pais ou pessoas que atuaram como tal (tios, avós, irmãos mais velhos) ocorridos até uma idade grande de aproximadamente seis anos. esses registros têm uma importância muito grande, pois é através deles que o indivíduo mais tarde protegerá seus filhos; comportamento imprescindível à perpetuação da espécie humana. Por terem sido gravados nessa faixa etária têm conotação de verdades absolutas, de dogmas.

Entre as funções do pai temos as de : educar; de proteger; de alimentar; de moralizar (distinção entre bem e mal); servir de modelo para o indivíduo vir a ser pai ou mãe; dirigir e controlar os outros; criticar. Outra função muito útil para o nosso dia a dia é a de tomar uma série de nossos comportamentos automáticos, de grande importância para a manutenção de nossa vida e economia de tempo e energia quando nos deparamos com certas situações. Por exemplo, diante do fogo surge imediatamente uma ordem de “não toque aí”, e de um precipício “não chegue muito perto”. Imaginem a perda de tempo e energia, além dos riscos de vida que correríamos, se a cada situação dessas tivéssemos que analisar, experimentar e ver resultados.

Por outro lado, além dessas funções positivas que trazemos em nosso Pai, existem também os registros negativos, que nos tolhem, nos humilham, nos castigam internamente, resultantes de atitudes e comportamentos de nossos pais com os preconceitos, os castigos, a proteção excessiva.

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2.2.2 – O ESTADO DE EGO CRIANÇA:

Uma das conclusões de Penfield é que “o paciente sente de novo a emoção que o acontecimento produziu originalmente” ... o que em outras palavras significa dizer que ao mesmo tempo em que é registrado um acontecimento externo (atitude ou comportamento dos pais, por exemplo) o indivíduo também registra as reações internas àquela cena que ele viu e ouviu.

O conjunto formado pelos registros dessas reações internas somado aos registros biológicos (instintos) adquiridos geneticamente é denominado Criança. É nossa parte infantil, que independe de nossa idade cronológica. Representa os comportamentos emocionais como a alegria e tristeza, o amor e o ódio, o prazer e a dor, o destemor e o medo; a curiosidade; a intuição e todas as funções fisiológicas.

2.2.3 – O ESTADO EGO ADULTO:

Aproximadamente por volta dos dez meses de vida, a criança começa a deslocar-se por deslocar-seus próprios meios, ainda de maneira descoordenada, mas o significado dessa fase de seu desenvolvimento é de uma importância vital. Ela está saindo de seu estado de total dependência e entrando no mundo que a rodeia, por seus próprios meios. A certa altura de sua atuação ela descobre que para apanhar o seu brinquedo precisa apenas esticar o braço e para chegar até a porta de seu quarto basta engatinhar em sua direção. A ocorrência desses comportamentos deve-se ao surgimento do estado de ego Adulto, ainda em fase de estruturação. Nesse período de vida o Adulto ainda é extremamente frágil e, uma ordem do Pai ou o medo da Criança podem “derrubá-lo”. Porém com o contínuo processo de amadurecimento, ele vai tornando-se mais resistente até tomar conta da vida do indivíduo.

Dentre as inúmeras funções do Adulto , estudar, trabalhar e ganhar dinheiro, talvez sejam as principais. Esse estado de ego funciona como um verdadeiro computador do indivíduo, responsável pela coleta e análise de dados e tomada de decisão.

Enquanto através do Pai, o indivíduo adquire “um conceito ensinado” de vida e por meio da Criança um “conceito sentido”, com o Adulto desenvolve um “conceito pensado” da vida, baseado em informações colhidas de seu ambiente, do Pai e da Criança e analisadas posteriormente.

“É através do Adulto que a pequena pessoa pode começar a saber a diferença entre a vida como lhe foi ensinada (Pai), a vida como ela própria a sentiu, desejou e fantasiou (Criança) e a vida como a vê por si só (Adulto)”. (THOMAS A . HARRIS).

PAI

ADULTO

(Estruturado a partir do nascimento, até os cinco anos de idade)

Registro de acontecimentos externos. Conceito de vida ensinado.

(Estruturado a partir dos dez meses de idade). Registro de dados colhidos e computados Através da exploração e do exame. Conceito de vida pensado.

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Após desenvolver o diagrama estrutural da personalidade que descrevemos, ERIC BERNE observou, através de suas experiências clínicas, a ocorrência de condutas diferenciadas em cada estado de ego, ou seja, o comportamento do Pai, por exemplo

não era uniforme, ao contrário, apresentava diferenças bem delineadas. O mesmo ocorria com o estado de ego Criança e Adulto. Com base nos dados acumulados ao longo dos anos, BERNE concluiu sobre a existência de subestados de ego e com isso acrescentou o esquema estrutural de 2a ordem.

CRIANÇA (Estruturado a partir do nascimento, até os cinco anos).

Registro de acontecimentos internos. Conceito de vida sentido.

P A C C A P C A P C A P

2.2.4 – ANÁLISE DE 2a ORDEM DO ESTADO DE EGO CRIANÇA:

BERNE dividiu este estado de ego em três subestados: A) Criança da Criança ou Criança Natural;

B) Adulto da Criança ou “pequeno professor”; C) Pai da Criança ou “Criança adaptada”.

A) CRIANÇA DA CRIANÇA OU CRIANÇA NATURAL:

É o nível biológico da personalidade, resultante direto das mensagens genéticas. (contém o Id psicanalítico).

Suas funções podem ser divididas em dois grupos: - Positivas ou construtivas:

- Impulso para a vida, para o prazer, para o amor. - Negativas ou destrutivas:

- Impulso para a morte, para o desprazer, para a agressão, para a fuga. B) ADULTO DA CRIANÇA OU PEQUENO PROFESSOR:

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É o subestado de ego responsável pela operação de captar, analisar e decidir em nível intuitivo as atitudes e comportamentos da criança em quando diante de alguma situação ambígua. É incrível observarmos a perspicácia, a agudeza de percepção de uma criança de quatro anos, que chega inclusive a surpreender os próprios pais. Foi desse fato que BERNE sugeriu a denominação “pequeno professor” ao Adulto da Criança.

Dentre suas funções encontramos a intuição, a empatia, a criatividade, a curiosidade, a vivacidade.

C) PAI DA CRIANÇA OU CRIANÇA ADAPTADA:

É a resultante das condutas e atitudes sugeridas pelos pais visando “acondicionar” a Criança Natural aos padrões ditados e exigidos pela sociedade. É portanto o produto do choque entre o biológico e o social.

Há duas expressões básicas da Criança Adaptada: as condutas de submissão e as de rebeldia. É imprescindível que tenhamos esse componente de personalidade (Criança Adaptada Submissa) para que nos adaptemos a vida em sociedade. Porém há outro lado, o risco do exagero que poderá conduzir a uma despersonalização, se a quantidade de condutas de submissão (incutidas pelos pais) for muito elevada.

Quando o indivíduo cresce, é esse subestado de ego que recebe as “recomendações” de não deve, não pode do estado de ego Pai.

2.2.5 – ANÁLISE DE 2a ORDEM DO ESTADO DE EGO ADULTO: Esse estado de ego foi dividido em três subestados:

a) Criança do Adulto ou Pathos; b) Adulto do Adulto ou Technos; c) Pai do Adulto ou Ethos.

A) CRIANÇA DO ADULTO OU PATHOS:

É resultante da atualização de conteúdos emocionais da Criança, de acordo com a realidade e o pensamento lógico. É o componente da personalidade responsável pela simpatia, pelo charme, pela compaixão pelos sofrimentos dos outros (sem ser lástima ou comiseração).

B) ADULTO DO ADULTO OU TECHNOS:

É o “computador” propriamente dito. E conforme o enfoque cibernético seu funcionamento pode ser simplificado para três operações básicas:

- A entrada da informação (Imput);

- O processamento da informação (throughput);

- A saída da informação ou resposta (output). Sua função básica é raciocinar friamente.

C) PAI DO ADULTO OU ETHOS:

Representa a atualização de conteúdos morais do Pai, conforme a realidade e o pensamento lógico. Como resultante temos um subestado de ego responsável pela manutenção de comportamentos e atitudes éticos, sempre levando em consideração a situação, o momento presente e as influências futuras.

(15)

Foi dividido nos três subestados: a) Criança do Pai ou “Bruxa/ Papão”; b) Adulto do Pai ou Pai Nutritivo; c) Pai do Pai.

Como observação apenas, utiliza-se em psicoterapia, também uma subdivisão vertical do estado de ego Pai, por ser formado a partir dos dois progenitores, o pai e a mãe. Em nosso estudo, esse detalhe não é muito relevante.

A) CRIANÇA DO PAI OU “BRUXA”:

É o subestado responsável por atitudes e comportamentos de fúria, de mensagens de desalento, de críticas destrutivas oriundas do api ou mãe. Quando um pai pune fisicamente seu filho com uma fúria selvagem, ou quando olha com desprezo após algum acontecimento

desagradável, está atuando com sua Criança do Pai ou Bruxa. B) ADULTO DO PAI OU PAI NUTRITIVO:

“É a parte “sadia” dos pais que atua protegendo, nutrindo e ensinando mediante uma adequação temporal e espacial oportuna e objetiva”. (Kertész).

É fácil conhecermos quando uma pessoa está atuando com seu Pai Nutritivo. Suas expressões de proteção (um braço em cima do ombro da outra pessoa), uma carícia sobre a cabeça de uma criança, um sorriso compreensivo ante a distração de alguém, um olhar afetuoso de compreensão. É este subestado do ego que protege o desenvolvimento da espécie humana.

C) PAI DO PAI:

É a parte da personalidade oriunda da gravação das normas morais, religiosas, históricas. É o Pai por excelência e tem entre suas funções a de perpetuar a sociedade através do ensinamento dogmático das normas acima enumeradas, além das superstições, mitos e crenças. Julga, moraliza, perdoa os erros e institui o que “deve ser”.

Agora que já apresentamos as principais noções sobre a estrutura da personalidade, cabe-nos ressaltar um aspecto importante: todos os estados e subestados do ego possuem aspectos positivos e aspectos negativos. Assim, o Adulto por exemplo, pode conduzir o indivíduo em direção ao bem ou no sentido do mal (sob o aspecto social). Utilizamos o diagrama abaixo para representar essa polaridade dos estados do ego.

(-)

(+)

P

(16)

2.2.7 – O ECOGRAMA:

É um esquema elaborado inicialmente por JACK DUSSAY, cujo objetivo é representar graficamente o potencial relativo dos diversos estados do ego.

O ECOGRAMA IDEAL

Obs.: CRIANÇA LIVRE - è um conceito que veremos, no tópico “Análise Funcional da Personalidade”, em maiores detalhes. Entretanto podemos adiantar que é um subestado resultante da fusão da “Criança Natural” com o “Pequeno Professor” (Criança da Criança e Adulto da Criança).

Criança Adaptada Criança Livre

Adulto Pai Nutritivo

Pai Crítico

O egograma é traçado por cada indivíduo, a partir de sua própria percepção sobre a força relativa de seus diversos estados de ego. Se o seu comportamento for “dirigido” principalmente pelo Pai Nutritiva, a barra desse subestado de ego será maior que as outras, no egograma.

2.3 – SUBSTRATOS FUNCIONAIS DA COMUNICAÇÃO:

A estrutura anatômica sem seu dinamismo, não representa nada em termos de comunicação. Não passa de um suporte sem utilização.

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Fisiologicamente, a grosso modo, o substrato funcional do organismo pode ser representado por um ciclo de três eventos interdependentes: 1- Processamento dos insumos orgânicos básicos (alimento, oxigênio, água) que constitui o metabolismo gerador de energia para ativação dos órgãos. 2- Ativação do sistema nervoso que mantém e eleva o tônus muscular. 3- Ativação muscular, que possibilita o organismo obter novos insumos completando o ciclo vital.

INSUMO DO AMBIENTE CICLO VITAL ATIVAÇÃO MUSCULAR ATIVAÇÃO NERVOSA TRANSFORMAÇÃO EM ENERGIA

No início desse trabalho, enunciamos que comunicação e vida confundem-se na sociedade humana. E o esquema que apresentamos acima confirma esse fato pela similaridade com o ciclo da comunicação:

AGENTE DA COMUNICAÇÃO MENSAGEM CICLO DA COMUNICAÇÃO RESPONDE DECODIFICA PERCEBE

Esse ciclo inicia-se com a percepção pelo indivíduo de alguma situação ou mensagem, que a seguir é decodificada em conformidade com a dinâmica de sua personalidade, que determina o tipo de resposta mais.

Como o objetivo do nosso curso é especificamente a comunicação humana em seu enfoque psico-social, estudaremos a seguir a dinâmica da personalidade, principal componente da comunicação.

2.4 – ANÁLISE FUNCIONAL DA PERSONALIDADE

Agora sabemos que nossas atitudes e comportamentos são expressões de nossos estados de ego, componentes estruturais e dinâmicos de nossa personalidade, e que nos apresentamos nas diversas situações e momentos “conduzidos” por um deles.

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A questão é saber qual dos estados de ego deve atuar quando estamos diante de uma situação inédita, ou em momentos decisivos para nossa vida. Com freqüência “aparece” aquele que mão devia aparecer e quando isso ocorre, ficamos em “maus lençóis”, com sentimento de culpa, com raiva, desiludido. Por exemplo, convém usarmos o Adulto quando analisamos um problema da organização com nosso chefe, mas às vezes perdemos o controle e partimos para cima dele com a Criança, no momento em que ouvimos suas reclamações sobre nosso setor. Por outro lado, em situação de emergência (um incêndio) precisamos agir imediatamente com o Pai, se quisermos chefiar a evacuação do ambiente. E nos momentos de folga (num piquenique ) o estado de ego mais adequado será a Criança. Se “aparecer” o Pai ou o Adulto ninguém se divertirá, a descontração dará lugar às formalidades e aos “assuntos de gente grande”

O que determina a alternância e o aparecimento de um dos estados de ego, ao invés de outro, é a diferença de potencial entre eles em cada situação. Essa diferença de potencial entre eles em cada situação. Essa diferença de potencial é determinada pelo número e profundidade dos registros de cada um. Se uma criança possui um pai muito autoritário, que tolheu seus movimentos, suas indagações, suas atitudes infantis, é provável que, numa idade mais avançada, mesmo distante de seu pai físico, continue atuando como se ele estivesse a seu lado. Na realidade, ele estará dentro dele em forma de estado de ego Pai, emitindo suas atitudes e frases de reprovação, que manterá o comportamento do indivíduo sob controle através da sua Criança amedrontada.

O maior ou menor potencial energético de um estado de ego determina sua maior ou menor dominância sobre as atitudes e comportamentos de cada indivíduo.

BERNE sugeriu, para facilitar a análise do funcionamento da personalidade, a existência de “membranas semipermeáveis” entre os estados de ego, através das quais flui a energia (ou catexia) de um para o outro.

Quando os três estados de ego possuem potenciais equivalentes há maior instabilidade de atitudes e comportamentos, devido à grande alternância entre os estados, determinada pela maior labilidade da catexia, De acordo com Kertész, em casos de uma labilidade muito grande o indivíduo terá dificuldades de autocontrolar-se.

Por outro lado, quando um dos estados do ego possui um potencial muito maior do que os outros dois determina uma rigidez de reações, que dificulta a adequação do indivíduo às mudanças do ambiente. Nesse caso, a energia psíquica flui muito lentamente, dando a impressão da existência de limites rígidos entre os estados de ego.

Resumindo:

C A

P 1. POTENCIAL EQUIVALENTE ENTRE OS TRÊS ESTADOS DE EGO:

- membrana “muito impermeável” - condutas imprevisíveis

2-DIFERENÇA DE POTENCIAL MUITO ELEVADA:

(19)

A

C

PAI EXCLUSIVO - Dificuldade de desligar o Pai, (Maior Potencial); - Exclusão do A e C; - Dificuldade para deixar de criticar ou de proteger.

ADULTO EXCLUSIVO - Dificuldade de desligar o Adulto, (Maior Potencial); - Exclusão do P e C; - Dificuldade para deixar de raciocinar.

CRIANÇA EXCLUSIVA - Dificuldade de desligar a Criança, (Maior Potencial); - Exclusão do P e A; - Dificuldade para deixar de brincar, de queixar-se.

Obs: Podem ocorrer outros casos de exclusão, como Pai e Criança excluírem o Adulto, Pai e Adulto excluírem a Criança e assim por diante.

3-DIFERENÇA DE POTENCIAL INTERMEDIÁRIA:

C A P C A P C A P PAI CONSTANTE - O predomínio do pai direciona o indivíduo para o exercício de profissões e funções ligadas à direção, ao controle, à proteção, ao julgamento dos outros.

ADULTO CONSTANTE - O predomínio do adulto direciona o indivíduo para o exercício de profissões técnicas (cálculo, previsão, planejamento).

CRIANÇA CONSTANTE - O predomínio da criança direciona o indivíduo para o exercício de profissionais artísticos.

O quarto fenômeno, resultante da relação entre os estados de ego, é a contaminação, que veremos separadamente, devido à sua maior ocorrência no ambiente de trabalho e à sua influência nociva no relacionamento interpessoal.

Contaminação, conforme a definição de KERTÉSZ “é a “intrusão” de preconceitos do Pai ou de idéias ilógicas, carregadas emocionalmente, da Criança, dentro dos limites do Adulto”.

Há três tipos de contaminação: a- Contaminação pelo Pai

b- Contaminação pela Criança

(20)

C A

P a- Contaminação pelo Pai:

Exemplos desse fenômeno são os preconceitos defendidos com “unhas e dentes” pelo Adulto, que procura encontrar explicações para cada um deles.

P

A

C

b- Contaminação pela Criança:

Exemplos disso são os temores ( de escuro, de fantasmas) e as esperanças de milagres, de ganhar na loteria defendidas pela lógica do Adulto.

C A P

c- Contaminação pelo Pai e pela Criança

São combinações de preconceitos com temores imotivados, por exemplo, explicados pelo Adulto.

Finalmente, o quinto fenômeno é o bloqueio, também muito comum no ambiente de trabalho.

O bloqueio ocorre quando um dos estados do ego impede outro(s) de manifestar-se. É resultante de traumas psicológicas que “desligaram” certos conjuntos de gravações associados à situação traumática. Essas gravações podem ser reativadas por meio da psicoterapia, principalmente, mas também através da criação de um clima psicologicamente favorável à manifestação das atitudes e comportamentos daquele estado de ego bloqueado.

Podem ocorrer os seguintes bloqueios:

-A Criança bloqueada pelo Pai e Adulto

-O indivíduo não tem permissão para brincar, apenas para julgar e raciocinar. Seu comportamento é caracteristicamente rígido.

1

C P A C

-O Pai bloqueado pelo Adulto e Criança.

-O indivíduo não dispõe de um controle parental de seus atos. É amoral e, devido a isso, tem dificuldades de conviver em sociedade.

2

A P

(21)

C A P

3

-O Adulto bloqueado pelo Pai e Criança

-O indivíduo encontra dificuldades de raciocinar, de resolver problemas, devido a mensagens internas do Pai para a Criança Adaptada de “você não conseguirá” que bloqueiam seu Adulto.

Obs: Podem ocorrer outros casos de bloqueio, todavia mais raros.

Para a simplificação do estudo da dinâmica da personalidade foi criado por GOULDING o diagrama funcional dos estados do ego, que apresentamos abaixo com as respectivas correspondências do diagrama estrutural de segunda ordem

C. ADP. CS CR CL A PN PC CC AC PC CA AA PA CP AP PP Legenda: C. ADP – criança adaptada CR – criança rrebelde CS – criança livre CL – criança livre

Diagrama estrutural de 2ª ordem Diagrama Funcional

A Criança do Pai equivale ao Pai Bruxo ou Bruxa, que não é utilizado no esquema funcional, a não ser em casos especiais, principalmente em psicoterapia.

Vejamos agora as características principais de cada substrato de ego dentro do esquema funcional, que é o que empregaremos com maior assiduidade.

a- PC- Pai Crítico:

É responsável pelas atitudes e comportamentos de crítica, de punição, repreensão. Pode apresentar-se positiva ou negativamente, conforme as repercursões de seu comportamento sobre a outra pessoa.

(22)

b- PN- Pai Nutritivo:

É a parte que apóia, aprova, compreende os erros de outra pessoa, protege e perdoa. O altruísmo é a expressão típica desse subestado de ego. Pode entretanto apresentar-se negativo, quando exagera a proteção, tolhendo a iniciativa do outro, quando perdoa demais, enfim quando dá em excesso.

c- A- Adulto:

Como já dissemos anteriormente, é a parte da personalidade responsável pela coleta, análise dos dados e tomada de decisão. Obtém suas informações de três fontes: o ambiente, as gravações Pai e as gravações Criança. Também pode ser negativo socialmente – um ladrão ou um assassino profissional são exemplos eloquentes de pessoas com Adultos bem desenvolvidos.

d- CR- Criança Rebelde:

É a parte da Criança adaptada cuja característica principal é ser “do contra”. Está constantemente pronta para dizer um “não”, mesmo quando não tem razão. Quando é positiva, recebe a denominação de “Criança Afirmativa” e tem como princípio, a ratificação de seus atos mesmo contra todos, se para o indivíduo for correto.

e- CS – Criança Submissa:

É a parte da Criança Adaptada, que recebe os castigos e críticas do Pai Crítico, “sem levantar os olhos”. Responsável pelas atitudes de submissão, covardia, medo exagerado. Quando é positiva, suas atitudes e comportamentos são de conformidade com as normas e princípios do ambiente em que se encontra, demonstrando aceitação e cumprimento dos mesmos. É muito importante que a tenhamos em grau adequado, por ser um pré-requisito para a vida em sociedade.

f- CL- Criança Livre

É a integração da Criança Natural (CC) com o Pequeno Professor (AC). Representa o nosso “depósito” de emoções adequadas, da criatividade, da espontaneidade, da intuição. Em seus aspectos negativos socialmente há o ódio, o egoísmo.

Nesse ponto cabe-nos realçar que é imprescindível a compreensão e a memorização das posições dos diversos subestados do ego, conforme o diagrama funcional, para maior assimilação do que trataremos a seguir – a comunicação interna.

2.5 – A COMUNICAÇÃO INTERNA:

A característica essencial do homem é ter uma linguagem, produto do convívio social, imprescindível à comunicação com os outros, portanto à sua própria existência como ser humano. Em seu desenvolvimento ontogenético, o indivíduo através do contrato com seus pais, irmãos e outras pessoas de seu ambiente, vai assimilando os conceitos verbais que ouve, exercitando sua capacidade de expressão oral e desenvolvendo o seu raciocínio abstrato. Com a idade por volta de oito anos, já possui o repertório verbal indispensável a seu convívio em sociedade.

Esses conceitos verbais são essencialmente símbolos da realidade objetiva utilizados pelo indivíduo como “instrumental de trabalho” para a compreensão de si, dos

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outros e do mundo, que progressivamente vão sendo internalizados, dando origem ao pensamento.

Pensamento portanto, é um comportamento verbal que foi internalizado, sinônimo de comunicação interna.

Agora que já temos uma compreensão essencial da estrutura da personalidade, que como já vimos, é a internalização de atitudes e comportamentos nossos e dos outros exercidos inicialmente no meio ambiente (comportamento dos pais servindo de modelo), é facilmente compreensível que, paralelamente à internalização desses comportamentos, ocorra também a de seu complemento – a linguagem.

A comunicação interna nada mais é do que a comunicação que ocorre entre nossos estados de ego. Você já deve ter ouvido a “voz da consciência” falando consigo, ou o “diabinho soprando asneiras em seu ouvido” ou mesmo agora, nesse instante em que você lê a “voz de seu pensamento” emitindo palavras desse texto. Esses são exemplos de comportamentos verbais dos estados do ego, Pai, Criança e Adulto respectivamente.

Uma coisa interessante é que os diálogos internos podem ser percebidos “de fora”, por um espectador, não em seu conteúdo (não estamos nos referindo a telepatia – fenômeno ainda discutível), porém quanto aos estados de ego envolvidos. E isso é muito útil para o conhecimento mais aprofundado das outras pessoas. Um exemplo bastante comum é a indecisão ou o conflito, que ocorre quando estamos diante de duas alternativas e devemos escolher apenas uma delas: ir para a direita ou para esquerda, em uma encruzilhada. – Antes de decidirmos por um dos dois lados, executamos um verdadeiro bamboleio, ora tendendo para um lado, ora para o outro. Ocorre o mesmo fenômeno quando uma criança, diante de um bolo de aniversário, oscila seu dedinho para lá e para cá antes de enfiá-lo no bolo ou de conter-se e esperar a hora certa, dependendo do potencial de sua Criança ou de seu Pai, naquele momento.

O diálogo entre os estados de ego pode até gerar atritos internos, como é o caso dos conflitos, que deixam como subproduto de sua ocorrência, a nossa cabeça “quente” ou até mesmo dolorida. E muitas vezes não tomamos conhecimento do que ocorreu – sentimos apenas uma dor de cabeça e jogamos a culpa numa refeição feita ás pressas, ou numa noite mal dormida e seguimos em frente.

Ora, se geralmente não temos consciência de nossos conflitos internos, muito menos o teremos dos diálogos internos “mais leves”, que delineiam o nosso fluxo de pensamento. Você já tentou seguir o seu pensamento por alguns segundos? Se já o fez, não creio que tenha superado a marca dos 30 segundos, sem uma distração ou uma interferência no fluxo. Como demonstrativo da importância desse exercício, temos o Zen Budismo, a Yoga, a Terapia Naikan, que pretendem levar o indivíduo ao conhecimento de seu mundo interior (auto-conhecimento) e com isso a um maior conhecimento dos outros e do mundo.

Essa atividade de auto-conhecimento, tão antiga quanto o homem, é atrapalhada por uma série de fatores externos e internos. Dentre os externos temos atualmente a “corrida do dia-a-dia”, a ausência de momentos e ambientes propícios e outras desculpas que nos damos freqüentemente. E entre os fatores internos há a exclusão, o bloqueio, a contaminação de um ou mais estados do ego.

Quando um indivíduo comunica-se com outro, as vezes podemos observar uma discrepância entre a mensagem verbal e a atitude adotada, no momento em que emite a mensagem. Essa dicotomia ocorre geralmente sem que ele tenha consciência dela, devido à interferência interna no estado de ego que está expressando-se “fora de controle”. Não é tão raro encontrarmos esse fenômeno, aliás muito comum quando certas pessoas falam em público: enquanto através do Adulto transmite informações objetivas, sua Criança adaptada esfrega nervosamente as mãos, gira o microfone, rabisca o papel, balança as pernas, etc.., transmitindo também uma mensagem (não verbal). Outro caso, é o chefe que enquanto dita uma carta a sua secretária (Adulto),

(24)

admira os detalhes do corpo da mesma (Criança), que as vezes, levam-no a “perder o fio da meada.”

Não é raro o indivíduo “passar vexames” devido a “foras” que tenha que tenha cometido sem querer. Já existe até mesmo uma fórmula, socialmente preparada para diminuir seus efeitos indesejáveis (como uma descompostura, um desprezo, uma briga) é o cérebre “desculpe-me, eu não tive a intenção” ou “perdoe-me, eu não queria fazer isso” . cabe-nos indagar a essa altura, então “quem teve a intenção”? ou “quem quis fazer isso”?.

Parece-me que ficou clara a importância de uma comunicação interna eficaz para a eficácia da comunicação externa. E vice-versa, lógico.

Enquanto os agentes da comunicação (emissor e receptor) não conhecerem suas interferências internas (exclusões, bloqueios, contaminações), além das características de seus estados de ego, não poderão aspirar à uma comunicação eficaz, ou seja, atingir os objetivos pretendidos através de suas mensagens.

E o meio mais adequado para o desenvolvimento dessa auto – percepção é a introspecção, processo geralmente relegado a segundo plano. Se realizada sob supervisão profissional, melhor ainda.

A introspeção abordada pela Análise Transacional passa a ter um exercício prático e seus efeitos podem ser avaliados objetivamente. É através dela que podemos desenvolver cada vez mais a consciência (conhecimento) do processo mental. E isso ocorre quando passamos as gravações do Pai e da Criança pelo Adulto, ou quando através desse estado de ego ficamos em atitude de observador de diálogos internos. Somente o simples fato de percebermos uma interferência interna já determina boa parte de sua extirpação, e com isso a abertura dos canais internos da comunicação.

2.6 – UM MODELO PSICOLÓGICO DA COMUNICAÇÃO HUMANA:

Nesse ponto já podemos introduzir um novo modelo da comunicação humana, resultante da contribuição da Análise Transacional para a Teoria da Comunicação.

Esse modelo pressupõe além dos componentes clássicos da comunicação: emissor, codificador, canal, mensagem, receptor e decodificador ( e contexto segundo a abordagem linguística de JACOBSON), os componentes internos abaixo discriminados:

1. Sub – emissores e sub – receptores (os três estados do ego) que podem ser considerados os codificadores e decodificadores do emissor e receptor, respectivamente.

2. Canais Internos, onde também ocorrem ruídos ou interferências (exclusão, bloqueio, contaminação).

(25)
(26)

3 – ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES INTERPESSOAIS E INTERGRUPAIS:

Enquanto, através do estudo da estrutura e do funcionamento da personalidade, trabalhamos com conteúdos subjetivos (intrapsíquicos), visando diagnosticar e resolver os conflitos internos e desenvolver o auto – conhecimento; com a análise das transações que ora iniciamos, atuaremos em nível objetivo, observável e avaliável, visando o desenvolvimento de formas adequadas de interação entre indivíduos e entre grupos de trabalho.

Inicialmente precisamos conceituar o que é TRANSAÇÃO.

- Usando palavras de ERIC BERNE: “A unidade das relações sociais é chamada transação. Se duas ou mais tarde uma delas irá falar , ou dar qualquer indicação de ter – se inteirado da presença das outras. Isto é chamado Estímulo Transacional. Outra pessoa então irá dizer ou fazer qualquer coisa relacionada de algum modo com aquele estímulo, e isto é chamado de Resposta Transacional.”

A análise transacional ou analise das transações é um método de estudo da forma desse intercâmbio de estímulos sociais e um instrumento de diagnóstico do nível de eficácia do relacionamento entre duas ou mais pessoas.

Para haver transação é necessário a presença de um emissor e de um receptor e que ocorra “feed-back” da informação emitida.

Segundo Kertész, através da análise das transações pretende-se atingir o “controle social”, ou seja, que o Adulto assuma o controle dos outros estados de ego, diante de outras pessoas nas mais diversas situações. Com isso evitar-se-á a emissão de comportamentos inadequados e será mantido o equilíbrio intrapsíquico.

Conforme o tipo de resposta transacional obtida a partir de um estímulo, as transações as classificadas em:

1 – Conforme o número de estados de ego ativados nos agentes da transação: a) Simples – (um estado de ego de cada agente);

b) Complexas – (três ou quatro estados de ego no total). 2 – Conforme a origem da resposta:

a) Complementares (paralelas); b) Cruzadas.

3 – Conforme o nível de transmissão das mensagens: a) Não ocultas;

b) Ocultas.

Esta classificação combina-se do seguinte modo: a) Simples = Complementar = Não oculta;

b) Complexa = 1- Cruzadas; 2- Angulares;

3- Duplex (uma oculta, outra não oculta).

3.1– AS TRANSAÇÕES COMPLEMENTARES:

São aquelas em que a resposta parte do estado de ego que recebeu o estímulo e volta ao estado de ego que o emitiu.

Obs.: A transação é representada graficamente por dois vetores em sentido contrário. R PN PCR E R

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1

A A

1. O relatório está pronto? 2. Sim, aqui está.

2

1. Iih, o chefe é um chato. 2. É mesmo, eu também o detesto. C C R E CL S R

1. Da próxima vez que eu o chamar venha

imediatamente, ouviu bem? 2. Sim, senhor, sim, senhor. E

1 2 1 2

1ª REGRA DE COMUNICAÇÃO:

“Se as transações são complementares, a comunicação continua indefinidamente (até cumprir seu objetivo)”.

Geralmente, esse tipo de transação é o mais adequado no trabalho, porém quando em demasia passa a ser prejudicial, pois à medida em que aumenta a ocorrência de certo comportamento, ele adquire mais força, portanto maior facilidade de expressão no momento seguinte, até transformar-se em hábito. Ao atingir esse ponto, aquele comportamento sofre uma “cristalização”, difícil de ser quebrada. Quando isso ocorre com as transações complementares estabelecidas por subestados de ego negativos (-) dos dois agentes, estamos diante de um grande obstáculo à comunicação e a interação entre as pessoas.

Citaremos alguns exemplos desses hábitos, freqüentes em certas organizações:

(-) PCR

(-) CS

CHEFE: Faça conforme minhas ordens, não as discuta.

SUBORDINADO: Sim senhor, já vou fazer.

CHEFE SUBORDINADO

- Esse hábito enfraquece o Adulto, deixando seus agentes (chefe e subordinado) a mercê de seus subprodutos:

- Efeitos sobre o subordinado:

- Diminuição gradual de sua iniciativa, da responsabilidade, da criatividade, levando à queda de produtividade e geralmente à sua transferência ou demissão. O subordinado sente-se cada vez mais um capacho de seu chefe.

(28)

- Crescente irritação, desconfiança nos subordinados, levando à dificuldades no relacionamento, à centralização excessiva do controle e até mesmo da execução das tarefas de seus subordinados.

(-)

PCR (-) PCR

1. Incrível como o José não consegue fazer nada certo!

2. Você tem toda razão, ele precisa de uma punição à altura.

1 2

- Esse hábito traz geralmente implícita uma satisfação com a “desgraça alheia”. Entre seus efeitos na Organização, podemos prever o desenvolvimento de um clima psicológico aversivo ao trabalho, cheio de desconfiança e insegurança, principalmente nos escalões inferiores. As pessoas vivem sentindo suas “orelhas quentes”.

PN (-) PN

(-) 1. Coitado do Antônio, nós temos que

ajudá-lo a fazer o relatório.

2. Isso mesmo, o pobre homem pode até mesmo perder seu emprego, se não o socorremos.

1 2

- Esse hábito surge com o relacionamento entre pessoas convictas de que os outros são eternas crianças desprotegidas, incapazes de andarem sozinhas, e eles super – papais, os “piedosos”, os bons samaritanos.

Quando esse hábito entre dirigentes passa à ação pode criar um clima de irritabilidade, ou de menosvalia entre seus subordinados, dependendo dos subestados de ego que “receberem” esses estímulos transacionais (CR ou CS).

(29)

Esse hábito conduz o subordinado a uma dependência cada vez maior de seu chefe, paralelamente à redução de seu senso de responsabilidade com os compromissos assumidos. Por outro lado, o chefe fica cada vez mais sobrecarregado de serviço, pois assume o papel de “superpai”. Portanto, os dois são cúmplices do hábito.

Esse hábito pode ocorrer em qualquer escalão, mas geralmente é muito difícil entre pessoas de escalões diferentes. Seu subproduto principal é a geração de um clima de frieza e de não envolvimento. Além de possuírem explicações para tudo, as pessoas não recebem e nem dão elogios a ninguém, tudo deve ocorrer conforme o programado. Assim, acertar é conseqüência disso, não é nenhum favor. Geralmente é desagradável trabalhar com pessoas que têm Adulto muito constante, pois perdem a naturalidade, transformando-se em computadores e seu setor de trabalho em “congelador”.

Esse hábito é muito comum entre trabalhadores mais humildes, acomodados em seu nível de necessidades básicas, sendo reforçados a permanecer desse modo por aqueles chefes que acreditam ser essa atitude mais adequada para seus subordinados. Com isso aumenta cada vez mais o sentimento de menosvalia e as lamúrias continuam. Esse hábito é muito facilmente diagnosticado por frases como: “ah, a vida é assim mesmo, prá que lutar?” ou “não, aqui está bom, eu não mereço mais nada não”, ou ainda “o que é que se há de fazer...”?

Esse hábito é mais comum entre empregados jovens, admitidos há pouco tempo, ainda não acostumados a trabalhar e que não dependem do emprego para manter-se.

Porém, esse hábito pode perdurar se as regras da empresa não o controlar. Mas, em certos casos, mesmo sob controle externo (relógio de ponto, por exemplo) ele continua durante o expediente sob as mais diversas formas, como as “brincadeiras”, as piadas, as gozações.

Esse hábito transacional é mantido pela estimulação biológica (interna) quando essa sobrepuja o controle interno do Pai e o externo das normas empresariais (adequação ao ambiente – Adulto). O indivíduo tem uma Criança Constante.

O resultado da ocorrência desse hábito transacional é, em última instância, a redução do ritmo, quantidade e qualidade do trabalho.

Esse hábito é típico daquelas pessoas “eternamente revoltadas”, sempre “do contra”. É relativamente fácil encontrá-lo em grupos de trabalho continuamente conflituados por pessoas que, compulsivamente, fazem tudo para impedir o atingimento dos objetivos propostos.

Como subproduto desse hábito surge um clima de constantes revoltas, podendo inclusive gerar motins na empresa, geralmente de subordinados contra seus dirigentes.

O ambiente torna-se “irrespirável” de tanta tensão no ar.

Concluindo, esses hábitos levam sempre a resultados negativos por estarem dissociados da realidade espaço – temporal objetiva. São transações repetitivas,

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mantidas por gravações de respostas a situações do passado, não atualizadas pelo Adulto em contato com a realidade presente.

As transações complementares “sadias” caracterizam-se pelo dinamismo, oriundo da flexibilidade interna das pessoas envolvidas, ao contrário dos hábitos transacionais, que caracterizam -se por “fórmulas” de transações originadas na inércia interna.

Citaremos os principais tipos de transações complementares sadias que ocorrem no ambiente de trabalho. sua característica básica é ocorrerem entre os estados de ego positivos (+) de cada indivíduo.

Essa transação complementar é típica de dois indivíduos que respeitam-se mutuamente como pessoa, sem esquecerem de suas diferenças hierárquicas. O chefe não ficou apenas na constatação do erro de seu subordinado, transmitiu –lhe uma ordem de corrigi –lo dentro do prazo estipulado. Por sua vez, o subordinado acatou a ordem recebida de seu superior e prontificou-se a cumpri –la, agindo adequadamente à situação.

Podemos constatar também que não houve qualquer generalização por parte de nenhum dos dois. A transação foi “personalizada”, outra característica da transação complementar sadia.

Como produto de transações desse tipo, podemos esperar o reforçamento cada vez mais da confiança mútua, da humildade em receber uma crítica, e da sinceridade em emiti –la.

Essa transação tem um objetivo bem definido, que reclama uma ação enérgica para ser atingido em tempo útil. Por isso é adequado tratá –lo com um certo “calor”, essencial ao aceleramento da decisão a ser tomada a curto prazo, dada a situação de emergência.

Transações desse tipo são essenciais à promoção do bem – estar dos funcionários da Organização. São frutos de uma atitude de apoio e proteção, necessária nos diversos escalões da empresa. é importante frisar que sua característica é a sinceridade e honestidade, do contrário será apenas uma manobra para angariar simpatia.

Esse tipo de transação complementar é muito importante no relacionamento entre níveis hierárquicos distintos. Sua utilização é mais ou menos esporádica, ao contrário do hábito de superproteger. E seu produto final é o desenvolvimento da competência dos funcionários subalternos e colegas (ocorre no mesmo nível, talvez com maior freqüência). Sua ocorrência na organização entre subordinado e chefe é um sintoma claro de convívio amigável, produto do respeito e confiança mútua.

Este é o tipo de transação mais aspirado no ambiente de trabalho. podemos dizer que é o instrumento de trabalho de equipe eficaz. Os assuntos são tratados com objetividade, sem preconceitos ou predisposições. Infelizmente a fidelidade dessa transação pode ser comprometida com certa facilidade, devido às reações automáticas de outros estados de ego em sua parte negativa, que podem ser ativadas quando fora de controle do indivíduo, ou seja, quando a comunicação interna apresenta “ruídos” não conhecidos.

Mas, através do treinamento, de exercícios de Análise Transacional, o número desse tipo de interferência pode ser diminuído.

Quanto maior for a percentagem dessa transação complementar, mais eficaz será a empresa.

Essa transação complementar é a base da adaptação do indivíduo às normas e princípios de sua empresa e ao cumprimento das ordens recebidas. Não se trata de acomodação, humilhação ou coisa parecida, mas de condutas avaliadas pelo Adulto e aceitas pela Criança submissa positiva, sintoma de adaptação social. O indivíduo desprovido de Criança Submissa positiva é incapaz de viver em sociedade; por outro lado, se for submisso demais perderá sua individualidade. O provérbio popular “NEM TANTO AO MAR, NEM TANTO À TERRA” atesta esse fato.

Esse tipo de transação é responsável pelo entusiasmo, essencial à criatividade e à espontaneidade dentro da empresa. entretanto, é freqüente encontrarmos órgãos que

Referências

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