AULA 07: FRATURAS DO ÚMERO PROXIMAL, COTOVELO, PUNHO COM RESPECTIVOS TRATAMENTO FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA
INALOTERAPIA
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
Administração terapêutica de substâncias por via inalatória.
Há dois mil anos a.C, foi utilizada a queima da raiz datura (fumo de atropina) para tratamento de tosse.
Em 400 a.C era praticada a inalação de vapores quentes.
O aerossol é formado por partículas sólidas ou líquidas em suspensão no meio gasoso (ar, oxigênio).
A aerossolterapia tem alta eficiência para os pacientes pneumopatas, pois permite efeito
terapêutica rápido (deposição direta no local da doença) e redução dos efeitos colaterais das medicações.
Nebulímetro dosimetrado Nebulímetro liofilizado
Nebulizador ultrassônico Tipos básicos de dispositivos:
• Nebulizadores: • jato • ultrassônico • Nebulímetros: • liofilizados • dosimetrados Inaloterapia AEROSSOLTERAPIA Nebulizador a jato
É importante que se conheça o mecanismo de deposição do aerossol nas diferentes regiões da árvore traqueobrônquica diretamente dependente do tamanho da partícula, grau de
obstrução das vias aéreas, aparato utilizado e método de inalação.
Inaloterapia
Cuidados importantes durante a aerossolterapia :
Padrão respiratório: a inspiração lenta e profunda favorece fluxo laminar e maior
deposição na região distal, exceto para os inaladores de pó seco (paciente deve gerar fluxo > 30L/min).
Apneuse: favorece o processo de sedimentação gravitacional.
Interface com paciente: evitar máscaras e respiração nasal, pois as vibrissas na
cavidade nasal podem filtrar as partículas e a umidificação destas partículas promove aumento do seu tamanho. Além disso, favorece a impactação das partículas devido à anatomia das vias aéreas superiores (curvas/tortuosidades). Favorece a respiração oral e o uso de bucal.
Posicionamento do paciente: a deposição pulmonar é decúbito dependente. Ela será maior na região dependente.
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
• Nebulizadores
Os nebulizadores são os equipamentos mais utilizados na aerossolterapia. Podem ser a jato e ultrassônicos.
Eles convertem o líquido em fino spray
• Nebulizadores
Nebulizador a jato:
• Utiliza um fluxo de gás que pode ser ar comprimido ou oxigênio (cilindro ou compressor elétrico).
• O jato de gás fragmenta o líquido, de acordo com o princípio Bernoulli, em gotículas pequenas, que serão inaladas pelo paciente.
• O fluxo utilizado varia de 6 a 8 litros por minuto com duração da nebulização de 5 a 10 minutos.
• O fluxo interfere no volume de solução que resta no copo após a nebulização, que é chamado de volume residual ou morto.
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
• Nebulizadores
Nebulizador ultrassônico:
• A corrente elétrica do equipamento promove a vibração do cristal piezelétrico em alta frequência (de 1 a 3 MHz), gerando as vibrações ultrassônicas.
• A vibração é transmitida à superfície do líquido e produz o aerossol.
• Tem como efeito indesejável o aquecimento da solução, que pode modificar a
viscosidade e a tensão da solução, degradando as proteínas de alguns medicamentos (pode aumentar até 20°C).
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
• Nebulizadores
Existe divergência entre os trabalhos de investigação sobre a maior eficiência na deposição pulmonar durante a nebulização a jato ou ultrassônica em respiração espontânea.
O uso de resistência expiratória, como a válvula spring load, e a associação com a Ventilação Não Invasiva (VNI) podem aumentar a deposição pulmonar durante a nebulização ultrassônica.
• Nebulímetros Dosimetrados
• São conhecidos como "bombinhas".
• O dispositivo reserva o medicamento em um cilindro metálico e possui no seu interior uma válvula dosadora.
• São portáteis e compactos, dispensam a necessidade de preparo da medicação.
• O spray disparado pelo equipamento é composto pela droga, propelente
(clorofluorocarbono foi substituído pelo hidroclorocarbono, menos lesivo ao ambiente) e substâncias dispersantes.
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
• Nebulímetros Dosimetrados
Dentre as desvantagens podemos citar:
• Necessidade de coordenar momento do disparo com a inspiração do paciente (preocupação com idosos e crianças)
• Excessivo impacto do medicamento na orofaringe, pois exige treino do paciente na utilização do equipamento
• Nebulímetros Dosimetrados
CUIDADOS NO USO DO INALADOR DOSIMETRADO:
• Agitar o equipamento para homogeneizar a solução;
• Realizar Inspiração lenta e profunda até CPT sincronizado com o disparo do equipamento;
• Pausa pós-inspiratória de 10 segundos: aumentar a deposição;
• Uso do espaçador reduz a impactação na orofaringe. Indicado para pacientes que não sincronizam a inspiração com disparo do equipamento.
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
• Nebulímetros Liofilizados
• Conhecidos como inalador de pó seco.
• O paciente deve ser capaz de gerar fluxo de no mínimo 30L/min durante o esforço inspiratório para aspirar o medicamento localizado no interior de cápsulas neste tipo de aparato.
• São equipamentos pequenos e portáteis.
• Podem ser utilizados, de forma adequada, por crianças com idade a partir dos cinco anos
Inaloterapia
AEROSSOLTERAPIA
A oxigenoterapia consiste na oferta adicional de oxigênio inalado pelo paciente, de forma que a fração inspirada de oxigênio (FiO2) alcance valor acima do valor usual em ar
ambiente de 0,21 (FiO2=21%).
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
De acordo com a American Association for Respiratory Care (AARC), podemos sinalizar como indicações:
• Hipoxemia comprovada ou suspeita devido à condição clínica (PaO2 < 90%),
• Traumatismo severo,
• Infarto agudo do miocárdio,
• Como terapia de curta duração.
São objetivos da oxigenoterapia:
• Corrigir hipoxemia,
• Reduzir os sintomas da hipoxemia crônica (dispneia),
• Reduzir o trabalho cardiorrespiratório do paciente.
OBS: A hipoxemia causa vasoconstrição pulmonar e aumenta o trabalho do ventrículo direito, podendo levar à cor pulmonale. A oxigenoterapia pode reverter a cor pulmonale e reduzir o trabalho cardíaco (HEUER, 2016).
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
Tipos de Hipóxia:
• Hipóxia HIPOXÊMICA: causada pela redução da Pa02. Algumas causas possíveis:
• ar rarefeito (altitudes elevadas),
• hipoventilação (redução do volume-minuto),
• doenças que afetam a barreira alveolocapilar (comprometem difusão de oxigénio).
• Hipóxia ANÊMICA: redução de hemoglobinas promove redução do capacidade de Oxigênio do sangue. Causas possíveis:
• Anemia,
• envenenamento por monóxido de carbono.
Tipos de Hipóxia:
• Hipóxia de ESTASE: causada pelo prejuízo de perfusão dos tecidos. Causas possíveis:
• doenças cardíacas
• doenças vasculares.
• Hipóxia HlSTOTÓXlCA: há comprometimentos dos tecidos o que impede o uso do oxigênio transportado normalmente pelas hemoglobinas. Causa possível:
• envenenamento por cianeto
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
A avaliação do paciente permite identificar sinais de hipóxia, e a comprovação pode ser realizada pela análise da gasometria arterial, realizada a partir de uma amostra de
sangue arterial (PaO2 e Sat O2).
SINAIS HIPÓXIA LEVE A MODERADA HIPÓXIA SEVERA
RESPIRATÓRIA Taquipneia, dispneia. Palidez. Taquipneia, dispneia. Cianose.
CARDIOVASCULAR Taquicardia. Hipertensão moderada. Vasoconstrição periférica.
Taquicardia, eventual bradicardia, arritmia,
hipertensão e hipotensão.
NEUROLÓGICO Inquietação. Desorientação. Dor de cabeça. Apatia
Sonolência, confusão, visão em túnel, visão borrada, perda de coordenação,
comprometimento do
julgamento, tempo de reação lento, atividade
maníaco-depressivo, coma.
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
O SISTEMA DE BAIXO FLUXO não garante o volume-minuto do paciente. O fluxo do aparato é menor que o fluxo inspiratório do paciente. Terá indicação para pacientes eupneicos com ritmo respiratório regular. A FiO2 varia com o volume-minuto (cateter nasal, cânula nasal, cateter transtraqueal, máscara simples e com reservatório).
O SISTEMA DE ALTO FLUXO fornece fluxo maior que a demanda do paciente,
disponibilizando toda a demanda do paciente (máscara de Venturi e sistemas de alta umidificação).
6l/min. Baixo custo. Bem tolerado. reduzem FiO2. CATETER NASAL FiO2 varia de 22-40% com fluxo 1/4-6l/min. Boa estabilidade, baixo custo
Difícil introdução. Requer troca regular. Posicionamento inadequado pode
favorecer vômito e deglutição de ar CATETER
TRANSTRAQUEAL
FiO2 varia de 22-35% com fluxo 1/4-4l/min.
Reduz uso de O2, elimina irritação nasal pelo fluxo,
aumenta mobilidade do paciente
Risco de complicação cirúrgica, infecção, obstrução com muco
MÁSCARA FACIAL SIMPLES
Reservatório de
Oxigênio. FiO2 varia de 35-50% com
fluxo de 5-10l/min.
Rápido e fácil
colocação. Barato.
Fluxo menor 5 l/min favorece reinalação de CO2. Desconfortável. Necessita
CATÉTER NASAL CATÉTER NASAL
CATÉTER NASAL CÂNULA NASAL
da bolsa na inspiração. FiO2 varia de 40-70%. Alcança FiO2 moderada a alta. MÁSCARA DE NÃO REINALAÇÃO
Fluxo mínimo de 10l/min para garantir enchimento da bolsa na inspiração. FiO2 varia de 60-80%.
Rápido e fácil
colocação. Barato. Alcança FiO2 alta.
Desconfortá- vel. Necessita remover durante a alimentação. MÁSCARA DE VENTURI Fornece ao paciente fluxo>60l/min. FiO2 constante de 24-50%.
Uso simples e fácil, estável e garante FiO2
Uso em adulto, desconfortável. Deve remover durante a alimentação.
CÂNULA NASAL DE ALTO FLUXO
Fornece ao paciente fluxo>50l/min. FiO2 constante de 35-90%.
FiO2 pode ser
ajustada e sistema de umidificação. Uso em adultos e crianças.
FiO2 depende do sistema, fluxo e do padrão respirató- rio do paciente. Desconhecimento da pressão
CÂNULA NASAL DE ALTO FLUXO
MÁSCARA DE VENTURI MASC. REINALAÇÃO E NÃO REINALAÇÃO
O uso de elevadas frações de oxigênio pode favorecer a lesão pulmonar pelo excesso de radicais livres de oxigênio liberados e por resultante estresse oxidativo. Como
consequência, pode haver ativação e recrutamento de neutrófilos e macrófagos
alveolares, lesão dos pneumócitos do tipo I e proliferação dos pneumócitos do tipo II, edema e formação de membrana hialina na região alveolar, formação de
microatelectasias e deposição de colágeno
(DAVID, 2001; DINIZ; MACHADO, 2008).
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
O excesso de oxigênio favorece a instalação de atelectasias de absorção, associados à redução do nitrogênio no interior dos alvéolos (função estabilizadora). O risco de
atelectasias será maior na presença de FiO2>0,5 (50%) se associada aos outros fatores, como obstrução de algum segmento brônquico, baixo volume corrente (sedação) e dor em pós-cirúrgico
(DINIZ; MACHADO, 2008; HEUER, 2016).
A oxigenoterapia deve ser guiada de forma cuidadosa na presença de DPOC. A ausência do estímulo hipoxêmico detectado pelos quimioceptores periféricos favorece a redução do volume-minuto e acidose respiratória. Sabe-se hoje que, devido ao mecanismo de redistribuição do fluxo sanguíneo, na presença de elevada pressão alveolar de oxigênio (PaO2 ) causada pela oxigenoterapia haverá piora da relação V/Q com perda do
mecanismo de vasoconstrição hipóxica nas regiões mal ventiladas, aumento de fluxo sanguíneo e do espaço morto com consequente aumento da PaCO2
(DINIZ; MACHADO, 2008; BARTHOLO; GOMES; NORONHA FILHO, 2009; HEUER, 2016).
Inaloterapia
OXIGENOTERAPIA
Pacientes que evoluem com quadro de insuficiência respiratória crônica podem necessitar de oxigenoterapia domiciliar, objetivando melhora da oxigenação, redução da dispneia e melhora da qualidade de vida. Além disso, a redução dos efeitos deletérios da hipóxia é capaz de aumentar a sobrevida destes pacientes e reduzir a necessidade de internações hospitalares
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2000).
O médico é responsável pela prescrição da oxigenoterapia. O paciente com DPOC e
hipoxemia crônica tem indicação para oxigenoterapia na presença de PaO2 < 55mmHg ou entre 56 e 59 mmHg na presença de sinais sugestivos de cor pulmonale, insuficiência
cardíaca congestiva ou eritrocitose (hematócrito > 55%). O fluxo de oxigênio ajustado é o mínimo necessário para manter uma Sat O2 ≥ 90% (ideal de 90 a 92%) ou PaO2 de 60 a 65 mmHg.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2000; AARC, 2007; BARTHOLO; GOMES; NORONHA FILHO, 2009).