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Alguns aspectos
do · crescimenfo
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M. TEIXEIRA PINTORESEfjV
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Al9uns aspectos da teoria ·
do crescimenfo econ6mico
INTRODUO.AO
Quando HABERLER na i.ntrodu~ao .ao rel:at6rio dos trabalhos do Col6quio de 1953 da Associa~ao Internacional de Ciencia.S Econ6-micas · afirma:
«Le oolloque avait U!Il programme plus ambitieux qu'aucun des
precedents. En effet, le developpement eoonomique est une question tres complexe, qu'on ne peut traiter de fa~on appropriee, sur le plan pureme:nt eoonomique. Pour se faire une jus1te idee des conditions du .developpement et du progres · economiques, H faut savoir considerer les faits sous l'angle historique et philosophique, et comprendre les differentes cultures et civilisations du. monde, tout autant qu'analyser les realites economiques et sociales»
e nos verificamos que este col6quio fora precedido por reuni6es que tinham discutido o «equilibrio econ6mico internacional a Iongo prazo»,
«O monop6lio, a ooncorrencia e a sua regulament.a~·o» e «'35
flutua-c;oes econ6m.icas a curto prazo»·~ nao. podemos por em du:vida que o tenia do crescimento economico constitui urn capitulo do maior inte.
re~sse e de grande actualidade dentro do campo da ciencia econ&nica.
Mas se acaso quisessemos dispor de uma prova ainda mais con-cludente .sobre a actualidade e inter~e deste assunto em todas as na-~oes e sistemas, .bastaria transcrev;er 8iS multiplas opini6es sobre os
objec.-tivos e tarefas que cabem
a
Eoonomi:a e que podem ser encontra-das em qualquer manual moderno dos clhamadoo paf$es capitalistas ou .no :Manu:al de Economi·a Politica da Aeald·amia de Ciendas 'da UnHi.o Sovietica :("-).
. Por · outro lado, nao devemos esquecer que aotualmente mais de metade da populac;ao mundial dispoo de urn rendimento por cabe~a
inferior a metade das capitac;<>es portuguesas de rendimento. Este facto
e
mais do que suficiente para avaliarmo.s do grau de dificul-dades econ6micas do homem se atenderrnos a que no nosso Pais o problema se punha d,a seguinte maneira:o Plano de .Fomento integra-sa n'O nobr:e pensamento de alc:anc;.ar «para cada brac;o uma enxada, para cruda f.arnilia o seu lax, para cada boca o !Seu .pao», .conforme as palavr.as proferidas por SALAZAR no Ciclo de Confeiremci'as Minis:teii'!i.ais (1953) que seguiram a apresent.a.c;ao do Plano.
Isto e, para uma gr:ande parcelta da humanidade poe-se, clara e cr.uelmente, o .problema de conseguh· urn nivel econ6mi.co mais elevado. Tal objectivo impoe ;a cria.c;ao de uma teori:a que nao
so
explique os diferentes graus de des•e!llvo1vimento ja atingido.s, mas permita .1Jannbema el•abora~ao de ua:n:a politica econ6miC'a adequa:da e a analise do
e:n-cade.amento dos pr:ocessos de expansao.
Alem disso, uma outra fonte de interesse da teoria do cresci-mento resulta da actual tendencia para uma divisao tripartida do mundo politit.o em que dois polos op<Ystos ;pretendem atrair o ·ter-ceiro bloco- para uma posterior dorninac;ao econ6mica- sem re-curso ex.plicito a medid:as militares ou poHticas. Como c.onsequenci.a
da chamada «coexistencita ou competi~ao pacifica», surge inevitavel-. mente urn triplo problema de ordem ·econ6rnica:
a) Como manter internamente uma taxa de crescimento que per-mita a manutenc;ao do equilibrio ou de;sequilibrio (2) existente entDe os dois blooos;
. (ll) :E esta a d~fini~ao apresentada: <<A economia1?oHtica
e
a C1enc1a do desenvolvimento daSI rela~OeS sociais da produ~ao, istoe,
ec~nomicas que existem entre os homens. Ela poe em destaque as leis que regulam a prod~~ e arepar-ti~o dos bens 'materiais numa sociedade humana em cliferentes graus do sen
desenvolvimento».
( 2 ) Este ultimo caso s6 se apresenta para os oeidentais num dado sentido,
b) Quais as modalidad$ de auxilio a prestar M terceiro blooo ;
c) Qu.ais as formas de politiC/B. de de&envolvimento que se h·ao a:doptar.
Este ultimo ponto
tern
ta.mbem uma importancia fundamental visto que o Ocidente pode perder a competi~o no mome:q.toem
que osp.af.se.s :ai.nda su.bdesenvolvidos conchtir.em que inevitavelmente terao de aplicar Uii11a forma intE!gralmente pl:anearla de economia para atingir urn dado d:esenvolvi.mento; neste aspooto as e1evadas taxas de cre.sci-mento aiJ>resentadas pelo bloco comuni:st.a oonstituem urn cartaz pulbli-citario que admira os ooidentais e atrai os paises do terceiro
grupo.
Nao devemos esquecer que dois paises, p~r.tindo de situa~5es diiferentes e tendo a mesma ta:x!a de crescimento, se manterao sempre na mesmar:el~ao inicial; mas que, emibora partam de condi~oos iniciais desi-guats, podem facilm-Em.te distanciar-se ou ultrapassar-se com ~as · de crescimento .Iigeiramenta diferentes.
Assim, quando na melllSagem de 5 de Janeiro, EISENHOWER afir-mou:
«as condi¢es de pobreza e de inquielta~ao dos pafses subdesen-volvidoo
torn.am
as suas popula~oos muito sensfveis ao oomunismo .internooional, sendo por iis.so necessario ·ajuda-las a re.alizar o desen-volvimento e a es,tabilidade econ&m.ica indispensav:eis·... Se compa-rarmos os resulta.dos do .nosso .sistema eoon6mioo com os de outros sistemas in,stitufdos atraves dos seculos concluimos que e o 'SiStema da livre concorrencia que p.ermite a melhor utiJ.i~ao das capacidades humanas para o desenvolvimento dos r,ecurso:s materiais ... »ou quando KHROUCHTCHEV-BOULGANINE .decia.raram, em Fevereiro: «para criar uma economi1a .naci10nal in:dependente e elevar o nivel
de vida da su:a .popul'agao, o.s ;paises subdesenvolvidos, embora. illao
per-ten~am ao sistema socialista mundi:al, podem belneficia.t· dos seus
pro-gmssos.. . ,podem encontr.ar a maquina.ria moderna necessaria nos pafses socialistas, sem . r.ecorrerem aos seus antigos opressores e sem tomar€il11 compromiss·o-s de ordem politic:a e milittar! Na competi~ · ooon6mica coni o :eapitalismo, o sistema socia.l.ista tern vantagens _ enormes, mas a sua vantagem decisiva e que o sistema da eoonomia
social:i.sta ofer.ece maiores possibilidades ao desenvolvim.ento das for~as
produtiv>rus, e
ao
florescimento dos t.alentos e .a.ptidoes de milhoes de trabalhadores ... »nao fazem mais do que por em evidencia a.s qualidades reais
}
,. P.
i-ou supostas dos sistemas
de
que sao eampe&s e a neeessidade de qtrafr o terceiro grupo de pafses.Assim, o inte11asse do problema
do
crescimento encontr.a-se rea-vi<Vado po<r esta _ trindade de ques.toos : estagnas;ao das economiSISdesenvolvidas, desenvolvimento dQs parses economicamente atrasados e.·competis;ao :econ6mi'Ca.de doi:s s~tem-a.s,
Nao andaremo.s Jon:ge dia .realidade se .penaarm.os que e este ultimo proble,ma. que da o tom geral da discussao; basta reflectirm~s urn pouco sobre tod.o.s ()IS _ es1Jados de tensao que se r.egistaram no ~6s
-guerra e penJSar que alguns paises ·temem uma cr1se mais pelo ,sin-toma que relprtesenta do- que pelos s.acrificios que tail ac.arreta.
Deste modo fomog in.sensivelmente estimula:do;s no sentido de
rea-}i.zar um estudo das teorias' de crescimento subjacentes
a
economia ocidental, fazendo e91pecia;lrnente .referenda ao cOtnjunto da escola anglQ-Isax6ni.ca que se cons.id~ra .como domiman:te e representativa dopensamEmto econ6imico do capi,1Jalismo. ·
Par.a .alcans;:ar tal objoot.ivo tentamos primei.rami:mte esquemati!l.:ar
2. metodolog~a tradicional, fazer urn resumo hist6rico qu:e permitisse
saber a evolu~ao e raizes ·das ideias actuais, aplicar essa metodologia
as
possiveilsvias
de Mruise do crescimento e finalmente descr:ever as ferramentas de analise que sao habi,tuais n.a anali!se moderna; esta primeira ,parte permi.tiu-no.s .s,ituar e enquadrar a toori:a do ·crescimento que •seria posteriorme1nte apresent.ada. A e,scolha da teori·a moderna mais represen:tativa nao apr€1Sienton .grande difi.culdade dado que :;~. grande maioria dos autores a .atribui a HARROD, e a .sua exposis;ao cri-tica, :assim coono de outras toorias paralela.s, cons·tituiu o corolario 16gico da esco1ha.Julgamos, assi:m, ter abrangido 1a1s rec'€1ntes teoria's anglo-s•ax6ni-eas do erescimento, embora p0ss·a tambem defender-sea conveniencia
de etscolher pro:b~emas como a insta:bilidade e e.stagnas;ao e o desen-volvimento dos pafses atras:ados para «tests.» de comprova~ao destas teorias.
Nao ,entramos, porianto, em 1inha de 'conta nem 'COIITI a eompeti~ao
econ6mica de dois .sistemas nem oom a p<J!Sisive1 pos:igao ·a .adoptar por um economista actu·al. Aoreditamoo., porem, que o economista deve sentir aquela responsabilidade que se encontra magi;stralrnente sinte-tiz:ada .por est.a afi~ao de PERROUX:
«lorsqtte nous d~son.s que l'economiste doit intervenir
a
ce depat, nous voudrions etre bien compris. II y doit intervenir en tant qu'hom-me de science.n
·«fait defaut» et il est vain s'il propose nn compromisou s'il a:ccepte servilement la pratique de l'un ou 'dei I' autre des deux camps sans }a soumettre
a
·l'analy'se Speciale et technique OU resideson metier». · ·
Tentamos· cumprir oomente uma parcela desta missao qua~do su-Jeitamos a analise critic:a uma s6 d:as.s 'tear.i,as, colocando-nos no seu campo, mostran.do 'as lsuas Jnadapta~oo.s· e as suaS fr.aquezas relativa-mente
aos
objectivo.s·a
que ela se destinaow
dev:e servir. Pode dizer-"-Se que niuito.s dos d'e:feitos ja eram oonheci<los, mas pana rejei!tar uma teoria e necessario «conhece-la» no sentido mais amplo do terrn.o, evitando assim o conhecimento parcial, tao vulgar entre os economis-tas, que· consiste na apreen.sao exclusiva e unilBIOOral dos defeitos e lacunas de uma teor.ia. Uma dissert~ao de douto-ramento presta-;se adlmi.ravelmente a e.s.te conhecimentona
medida am que ela possa vir a ser construtiva, :pondoem
destaque as grandes neoossidadeg, d'a teoria. actual e rejeitando, com bases mais ou menos s6lidas, certos tabus que ate hoje eram correntes.Esta tarefa
e
tanto mais necessaria quanto a mentalidade dohOilll~ tern tendencia a «abor:der l'·ruvenir
a
reeulonS» (VALERY) etere-mos f.atalme11te de perder uma competi~ao se nao modificarmos este comodismo dentro da Ciencia Eoon6mk.a. Julgamos ter mos:trado su-ficientemente quer .as lacunas da.s teorias que exercem o «lealdershilp» no campo ocidental, quer quanrto elas vivem vol.tadtqs ;para o p·assad.o, tentando abordar as realidades. actuais com o mesmo espirito com que pretendiam resolver os problemas do desemprego, Se ha vinte anos foi necessaria- e salvou possivelmente o sistema- uma -«re-volu!;aO», de novo temos necessidade de tal acontecimento na Ciencia
Econ6mica.
Dai que esta disser:tagao coll:Sttitua s.omente urn ponto de partida para ouitr.as investig~5es 1e es,per.amos poder dar mats tarde conteudo · i1 taref'a do economis.ta definida por PERROUX, :a:largando .a analise a outra.s .teorias do crescimento
:e
podendo assim fomecer mais uma Pedr.a .para o · edilficio grandio.so que este professor :esta em vias de construi.r com a sua visao e tooria de uma «economi,a generalizada».*
Consciente do muito que devo as Institui~oes e Professores que contribuiram p.ara a minha forma~ao cientifica, aproveito o ensejo para lhes prestar homenagem e patentear o meu reconhecimento .
Dentro do ambito dest~ disserta~ao devo
u.rn
sincero agradeci-mento .ao Prof. Teixeira Ribeiro, que aeompanlh.ou 8IS m.inhas.primei-ras tentativas; nao posso, porem,. passar em silenci.o 0 papel decisivo
desempenha:do pel:a minha estadia no InstUut de Science Economique Appliquee de Paris, que me foi aberto grac;as ao prestfgio internacio .. nal do Prof. Moses Amzalak. NeSISe Instituto encontrei orienta~ao
segur.a, U.c;oes magistr.ais e inquieta9[o ·eientific.a no Prof. Fr.an~ois
Perroux, apoio constante e desinteressado no Doutor Je:an Mou]y, con,. vivio admiravel no Doutor Zujovic e em todos uma ·amizade de que muito me orgulho e que espero coillServar.
Ao Francisco Moura e Jacinto N~nes, amigos e colegas, agra-dec;o o muito estimulo e elabora~ao conjun.ta de ideia.s e, aiem disso, algumas contribui~es .posdtivas para este es:tudo dad:as pelo primeiro~
'Guardo para o termo o nome de urn Professor e Amigo; nao pretendo agradecer mas slbmente afirmar que se esta dissertac;ao tiver algum valor' sera ao Prof. Pinto Barbosa que a dedi co.
Paris, Abril de 1956.
OAP1TULO . 1
INTRODUCAO METODOL6GICA
Todos QS aU.to:res aceitam implicita ou expliCitamente uma
de-terminada posi~ao metodol6gica quando elaboram uma teoria, adop-tam um processo da; analise ou escolhem urn determinado tipo de
teo-rfu.
Setal
pO.Si~ao for (!laramente apresentada, consegue f.acilitar-seextraordinariamente a oompreensao do pensamento do au~r,
impe-~indo ou atenuando .as po.Iemicas provenientes de aifer-en~ quer de
metQdos quer de terminologi.a. .
Esta atitude mental nao pode evitar a critica ~as vern certa-mente coloca-Ia num campo mais adequado quando se tem em conta um angulo de vis~ predominantemente cientifico. Est.a afirma~ao
nao pretende &ignificar que a posi~ao a;doptad1a pelo autor seja ou
· dogm~tica, ou a .unica !pOSSivel, e (:Otr'esponde antes
a
ideia de se deaejar ser ~rente com um determinaoo tip<> de analise que se en-contra frequentemente no dominio da teoria eoon6mica actual..
.
1. Dados e· Variaveis Ecanomic:a.s
A analise do e'taseilrntmto ~un6mieo ·a;bJrange um · campO v'a;sto
10; compl:exo, !fllaS a ~ua ~colha, que tentam.os ja justificar, provem
fundamentalmeJlte da ~idad.e de estr.utura:r do ponto de vista
t~Qrico. u:rn tema. de Eeonom,ia que :rep:rese_.nta um obj ectivo actual e u:rgente da politic.a ec.on.6mic.a de todo.& os paises.
Entre as dhren:~as
te.clliea:s
de analise eoon6JniCa ~olhemo.s a Teoria por raz<>es que assentam nao s6 em predilec~oes individua.is, · mas tambem em actividade profissional ja realizada .. TeoJietW~, impili~, e e.xige. rne.smo, u.m det~mi:'nado grau de
,s~:pli.fircoa~ da ~idade: e, :par .isso, })Qdellnos CQ<neluir im.etd.i~ta
. '
Entre todos os elementos constitutivos da realidade (1) somos conduzidos a isolar, ou a t.entar :i.solar, aqueles que se eonsideram como fundamentais pru.·a a expl'i~ do fen6mena em estudo, .procedendo assim a uma verdadeira decom,posi~ao d:a reaJidade.
· No entanto, a interdependencia· habitual dos elementos ou varia-veis econ6micas - s6 muito tarde reconhecida no campo da teoria-conduz imediatamente ao estabelecimento de uma ·rela~ao geral entre as variaveis que, embora ;sendo explieativ.a, nao
e
frequ~ntemente ope-racional. Muitos aurores teritaram :solucionar este problema, atri-buindo ao factor tempo um papel fundamental ou estr.ategieo; as·sim, encur.tando o periodo. de obsel"V~ao ou absttraindo completamente dof~tor :tempo, ou introd.uzillldo um conceirto rwcional de tempo, os
econo-mistas tentaram fugir a uma interdependencia teiniPOO'al etn~tre
as
mul-tiplas variaveis ·OU masmo entre os diferentes valores de uma variavel.Procedendo deste modo, chegou-se a uma separa~ao dos elemen-tos em estudo, d'ividindo-os em constantes (dados) e variaveis no de-correr do periodo de amilise. Acontece,
pOTem,
que alguns factores, :lmportantes no desenrolar do processo econ6:m,ico, sao estudados por outras Cienc:ilaJS e tel"OO de ser consideradors i~J!elo econo;mi:sta como dactos par.a a elabora~ao da an3ilise eoon6mica. .Conclui-Se, poortan:to, que a par de elementos «CUj:a varia~ao no decorrer de urn dado periodo
e
praticamente independente da ·modi-fica~ao registada noutros elementos de ordem econ.6mica»,
encontr.a-mos factores «determinantes do. processo econ6mico que nao sao determinados por elementos de ordem econ6mica». Isto
e,
uns sao dados pela dimensao do periodo, outros sao dados pela amplitude do campo da Economia.Tendo presente a distin~ao atras realizada, parece aceltavel a ·
'classifica~ao dos elementos em Dados
e Variaveis.
A questao da operaciorialidade da Teoria nao desempenhou qual;. quer p.apel na cla&S!ifica~ .atras apresentada. A n~ao do atri.buto de operacio11al que oom~ou a ser introduzidla na Fisica mo'derna, espe-. clalmente ap6s EINSTEIN, 'i:mplica ou afirma uma ac~ao que pode, em
pdncipio, · se.r realiza:da 'e cuj<>$ resultados
se
encarregam de ,confirmar(1) Anote-se'' ainda que 0 proprio conhecimento de .tais elementos tem um caracter parcialment.e subjectivo e corresponde inconf!cientemente a .. uma ·pr~-teoria
·do autor; voltaremos a este proble~a posteriormente, quando analisarmos a «vi.~o»
ou nao os principios ou relagoes de uma modalidade explicativa de uni fetn6meno (2
) .
A. operacionalidade aplica-se, portanto, as hip6teses ou aos re-sultados de uma teoria e o problema consiste em escolher o conjunto de elementos sobre o qual va:i incidir o nosso €sfo:r~ (8
).
A insergao do atri'buto de operaciona.l na clas'SifiCJ~ao dos elemen-tos de ordem €1C0n6mi;ca, vem a irnplicar su:bstaalcialmente· a sepa.ra9B.o · dos dados controlaveis -:no sentido de dominio do acontecimento ·pelo homem- e em oposigao a dados nao controlaveis; oomo esta divigao se refere ·e,m particular, ainda que exclusivamente aos dados do pri-meirro tipo, coneluimos que a dimensao do peTiodo continuara a exercer uma influencia dommante numa cla.ssificagao baseada lll€Ste criter~p.
Qua.nto aos dados do segundo tipo usuailmente desig!Ilado,s como d'ados ooon6m.ilcos totais, exi.ste uma unanimidlaide de opinioos sobre a sua e.scolha e classificagao.
Nao
se pode, porem, pass:a.r em silencio que se verifica actualmerite uma tendencia crescente para a explicagao em termos econ6micos. das variagoes de alguns destes dados, redu-zindo .. os, a.Ssim,a
.outra categoria ja mencionada.PIOii' outro lado inter€1SSa lembra~r que, segundo a cor.rente ·mar-xisrta, nao tern sentido uma tal cl:assificagao, visto que·na vida social p.odemos separar uma. base material e uma superestrutura ideol6gica c que as modificag.Oes da primeira canstirtwem as forgas motoras do de.senvolvimento social. T.al signjiica que nao ex.istem dados totais para a teoria econ6mi:ca, o que revolucion;a .pratic:a.mente a posi9[o da Economia em relagao a outras ciencia.s.
Aceitemos, no entanto, como hip6tese de trabalho a existencia de dados tota.is e classifiquemo-los em preferencias, . factore.s produ-.tivos, corihecimentos tecnicos e organizagao j uridica e social ('').
Si.m;Plesmente, ao areitar o . prilncipio da decompos~ao da. rea-Hdade, a analise econ6mica, isolando determinados sectores, depa.ra com elementos que podem ser considerados «dados» do PQnto de vista
. .
('2) ISupee-se, evidentemente, obviado o inconveniente da Non-Sense Induction e da $purious Verification que f0ram claramente sintetizados por :ScHUMPETER. Cf. vol. I de <(Business CycleS» .
. (3) Vamos deparar com este dilema quando do estudo da operacionalidade
dos modelos de crescimento cuja pri:meira comprova~ao foi obtida atraves dos resultados, embora se pusesse em duvida a validade das hip6teses:; Cf. as obras
citadas de KUZNE'TS. .
(4) Enconrtram-se economistas nao marxistas que pretendem estabelecel', po1· exemplo, uma teoria econ6mica da popula!:ao c do prog1·esso . tecnico.
·,;
parcial. Assim, a par dos dados totais sempre subjacentes ao desen-rolar do processo econ6mico, encontramos elementos totais ou par-ciais conforme se referem ao todo ou a uma parcela da realidade ; evidentemente estes ultimos podem ser dados ou variaveis segundo a dimensao do periodo de analise. ou do sector em e.studo.
Lembremos de novo q,ue a escolha dos sectores, dos periodos de tempo e das variaveis e largamente determinada por factores de ordem subjectiva, ainda que possamos encontrar alguns criterios ge-rais que imprimem uma relativa unidade
as
escolhas dos diferente.s autores. Assim, os criterios da simplicidade e da operacionalidade da analise sao hoje_ vulgarmente aeeites pelas diferentes escolas (G).~. N~o de modelo
Dissemos ja que a teoria representa uma simplifica~ao da rea-lidade e reservamos a designa~aO de Modelo para OS esquemas racio-nais que a constituem (6
) ,
Os modelos eonstituem, pmialn:to, os resultados de tentativas raci-olU!<is. e conscientes para a sistematiz~ao de conceitos e rela~Oe.s.
As rela~_oes podem -ser de varias especies conforme traduzem de-finigoes ( equ~s de defini~ao), ~oos de unidades ( equa~oe$ de comportamento) ou enquadramento do meio social (equ~oos tecni-cas ou mstitucionais).
Os coiiceitos podem traduzir elementos parciais ou totais que desigm.aremos • respec:tiv.amente por micro e macroecon6micos. Alguns elementos afeetam o comportamooito do modelo,
mas
sao relativamente indepen.dentes das alter~<>es sofridas 1por ou.tro.s elementos incluidosno
mesmo modelo; quando S-aJtisfaz'em a estas oondi~oos, adoptaTemos a design:a§8.o de elementos Ex6genos, reservando a pal:avra End6genos para aqueles cujo.S valores, sao determinados pelas rela~oes esrtabele-cida.s no modelo.N um modelo tent~e, portanto, determinar os valores das varili-veis em estudo (inc6gn:i/00s) mediante rel~oos supostas ou verificadas
(.relagoes. furicionais). num.enquadramento suposto dado (par8.:metro.s). A:leni da deter.minagao do valor das inc6gn.ii;as, inJteressara tam}?em o
(;:1} Per.miti:mo-n.os adicionar um outro criteria que, emb01·a sendo ex-post, apresenia,_ c.ontudo,. um in~ress.e primordial: a instrumentalidade da teoria.
(~) Note-se que o conceito de modelo aqui utilizado se afasta grandemente do- aentido corrente do.. termo quer como apresenta~ao de uma nova realidade quer como representasao reduzida, mas. perfeita, da realidade actual ou futura.
<?Onhecimento .das suas variagoes qualitativas e quantitativas; esta analise- pode realizar-se mediante a modifica~ao dos par'ametros e
a observa~ao das altera~oes jnduzidas nas inc6gnitas e nas relagoes.
Da comparagao dos. conceitos de end6geno e de ex6geno com aqueles que foram apresentados no numero anterior sobre a classi-ficagao de elementos, parece poder concluir-se que os primeiros sao mais adaptados
a
descrigao do modelo. De facto, num modelo alguns d.'ados pode:fr!. ser variaveis, enquanto que a no~ao de end6geno ou ex6geno &ignifica simplesmente que os valores dos elementos sao de-. terminados ou nao dentl·o do esquemade-.Atendendo
a
operacioru'l.Udade e ao ,caracter finalista da teoria - compreensao da ;realidade para dominio dessa mesma realidade (7) - conv:iri:a ainda fazer a :.separagao entre elementos ex6genos controla-vei:s e nao controlaveis conforme a possibil1dade ou nao de ·controlo, directo ou indirrecto, dos val ores das variaveis ( 8).A classificagao das ·variaveis em end6genas e ex6genas e baseada quer na convenienci-a te6rica de Iimitar o campo de analise quer num COillhecim.ento a priori de fonte nao determinada,. OU sej.a,
frequen-temente a «visao» do economista. P.ode mesmo dizer.-se g_ue .a dLstingao c:mstitui urn caso especial de urn conjunto mais geral de uma hierar-quia causal de variaveis que entram num modelo «fechado» -in-cluindo tantas equagoes quantas as variaveis nao instrumentais. Em
qualqu~r caBo, e:sta classifica~ao implie<a u:m certo snbjecitiviEJno, dado
que nao existe urn criterio exacto para a separagao das variaveis. No decorrer da elabora~ao de urn modelo- ou teoria- nao po-demos esquecer que 0 homem
e
0 elemento fundamental das relagoese.stabelecidas. 0 incliviiduo
e
representado no modelo por urn determi-nado comportamen;to econ6milco na medida em que ele age como urn sujeito. ou unidade econ6mica, ou seja ,como CBntro trans.formado1· de fluxoiS de ordem ecoll16mica em outros Ck<t n?-esma es.peci.e.( 7 ) Parece ser esta uma co:rrente moderna bern vincada em quase todos os
trabalhos modcrnos e mesmo na· Econometria:.
(8) POderia ainda adoptar-se a proposta de KooPMANS para a divisao dos elementos em «instrumentais» e «nao instrumentais>>. Parece, no entanto1 que esta
classific~ao nao apresenta grandes vantagens relativamente
a
anterior; de facto, a instrumentalidade de uma variavel raramente se pode determinar ex ante e. alem disso, interessa mrus ·o grau de instrumentalidade da teoria, ainda que 0 caracter relative dcste conceito reduza consideravelmen:te o interesse da sua apli-ca<;iio. Acejtamos, contudo, que num estudo mais profunda da no<;ao de modelo, e em especial de modelos econometricos, tal conceito possa tomar uma maior relevancia.~-~~- ... N,..., -""""'""-""''""'"'"'""""""""-"*'"' "'"-*""'"" q~->1 1"1 f?i 1#>0 04,10,LC< I'"""""--*""""""'
Este problema pode apresentar dois aspectos. Urn deles refere-se ao problema da eoci\s.tencia de um £i,po ge:ral de comrpol'ltamenlto em rela~ao ao ambiente ec~6mico e social onde
o
individuo se insere e o outro trata da anali:S.e e ~scol•ha das unidades ecQnOmicas atraves das quais se materializa urn tipo geral de compol'tamento segundo modalidades especiais <}.e actuagao.0 est;:tdo actual da ciencia econ6mica indica-nos que a percep~ao
e apreensao do comportamento dos sujeitos econ6micos se tern conse-guido m~is atraves das modalidades conhecidas para certas unidades - ou conjuntos de unida:des -do que por contribui~oes fome~eidas
pela Psi~olagia do comportamento individual.
Sendo .as,sim, o problema reV'este po~-tanto, urna facet.a operacional e vern a traduzir-se na escolha e constitui~ao de unidades ou grupos que se caracterizeni por uma relativa homogeneidade de comporta-mento quando actuam economicamente e como unidades economicas. No -entanto, este crilterio nem sempre e suficiente para a obtengao de elementos explicativos, pois embora uma g'l'•aJl:de parte dos teoremas
da
teoria econ6mica provenham da hip6tese de urn comportamentode maximiz.a~ao, to:r:na--se, por vezes, neces.saria a admissao de outros
elementos -referentes
as
condigoes de estabilidade resultante dainte-rac~ao das unidades econ6micas (9) .
Alem dis.so, poderiamos ainda deparar com muita:s modalidades
de reac~ao de uma unidade, se acaso nao adoptassemos o criterio ja
atras indicado da transforma~ao de fluxos; assim, por exemplo, as unidades de consumo transformam os fluxos de rendimento em fluxos de consumo ou poupan~a · e utilizam nesta tl·ansforma~ao urn determi-nado comportamento que nos pode permiti_r a abstrac~ao de uma unidade de _ ac~ao global do grupo, ainda que cad a componente possa representar urn caso tipico (10 ).
Esta modifica~ao qu.ase imperceptive! no conteudo dos compor-tamento& represe:nta uma verdadeira revolu~ao na analise econ6mica. A existencia do iridividuo- centro de deeisoes - implicava sempre a
introdu~~o de :rnicrodecisoes, e a reconstitui~ao da realidade
levan-tava o problema de «adi~>; de microdecisoes para a ohtengao de
rna-(9) Voltaremos a este assunto quando estuda1-mos o problema do equilibria.
(W) Conceptualizamos por f.ste processo urn comportamento objectivo, ainda que cada unidade ccon6mica lhe empreste urn conteudo subjectivo. Admitimos, contud~, que existe urn comportamento t:ipico media- que corresponqe nos seus resultados . ao comportamento global do f:,>TUpo -
e
o caso do- empres·ario deMARSHALL.
.crodeciaoes, ou aeja o problema da «SOtna!(RO». AipeSar de muita.s tenta-.tivas feitas n~te senti do - caso de MARSCHAK e MosAK tentando generalizar a teoria de W ALRAS-PARETO ou dos estudos de ARROW e de NEUMANN: MORGENSTERN- nao parece ter rsido encontrada uma soau~tao
.aceitavel para o problema, embora muito se possa ainda esperar da Teoria dos Jogos elaborada. pelos dois ultimos autores (l.1
) .
Esta dificuldade pode, porem, tentar resolver-se mediante uma tt·ansla~tao da mesma natureza do que aquela que ja foi util1zada no caso do comportamento das unidades. eoon6micas. Par:a isso car.ac-teriza-se o todo atraves de grandezas globais e analisa-se a compati-bilidade destes resultados globais- macroquantidades- com aquelcil a que se chegaria de um ponto de vista meramente micr.oecon6mico. 0 problema consiste frequentemente em passar de grandezas micro-econ6micas para valores ·macroecon6micos por urn processo de agre-gagao onde as maiores dificuldades se situam na elimina~ao das
duplica~oes e na escolha de uma unidade comum de medida '(12). Quanto a nos, 0 problema de fundo persjste e pode apresentar-se
da seguinte forma: qual o grau de validade da utiliza~ao das gran-dezas nume.rica . .s como elementos reP'resenta:tivos de micro e macrode-. ciiSOes?
Se e ve·rdade que .a economia 'Se tern tornado cad~a vez mais uma ciencia quantitativa --e nesse sentido se devem dirigir os nossos
es-for~os- nao temos tambem a menor duvida que uma grande parte do
campo do comport8;mento econ6mico se tern furtado ate hoje a
medi-!tOes, mesmo gross·ei·ras. De facto, o quantitativo nao esgota o humano
<:: dai que s·eja nec€1s:sario passar continuamente da unidade ao todo e elaborar simultaneamente dois ti;po.s de analise econ6mica que esperam somente a possibilidade de sintese.
Enquanto estas dificuldades nao for-em v.encidas, partilhamos a
. observ~ao de HAAVELMO
em
«The probability approach in Economics»de que as rela~oos es'tabelecidas tooricamente vao muito alem do que
e
(n) 'Daqui resnltou a formula~ao de mo(lelos de comportamento onde o grau de incerteza se snbstitui ao caracter mecanico do esquema classico. Evidentemente que a radica~ao do p1·oblema
e
mais profunda, pois poo em jogo ·o conceito de sociedade; anote-se que para alguns economistas e soci6logos a quest'aoe
ficticia. pois ou a sociedadee
considerada como o somat6rio simples dos seus componentes ou o indivfduo existe somente como incluido no grupo e pelo grupo.t(1'2) ·Existem solu~oes mistas que sao hoje vulga:rmente utilizadas;
e
o caso de um sistema de contabilidade nacional completado. por metodos de «input-output» 011 mesmo de progra,ma!fao linear.' .19
_neces.sario, pois a rea.Jidade mostra f'requeittementEi que nos podemos contentar oorn urn nurnero de va.rhiveis ex'plicativ-as inferior aquele que suptinharnos a 'J1f'iori ( 1.s).
Do ponto de vista ipr-agmatico,- este facto· traduz-se na escolha de variavelis estr.a.tegicas que, simpa.ificando a an8;lise, pe·rmitarn simulta-rnente a elabor~ao de urn esquema. proximo da realidade. Esta recente tendencia metodol6gica constitui uma form-a de -sucedaneo de urna reintrodu¢o simples da no~ao de caus:ali-dade.
-De facto, no decorrer da observa~ao de urn fen6meno a nossa pel'•
cepgao apreende uma sucessao tempor-al de fen6menos, mas o nosso jufzo vai mais alem e afirma que urn e causado por outro; isto e, alem de uma ,<::~uces-sao temporal, teremos um TIJexo causal. Tal e o conceito
de ca~salidade, que nao se deve confundir com o principio da
causali-dade. N a ciencia econ6mica tem-se procedido a uma elaboragao lenta mas_ continua de ligagoes quase causais entre variaveis mediante a utilizagao de relagoes de sucessao temporal. N a nossa opiniao, tal- cor-responde a uma no~ao weberiana de compreensao, ernbora esteja tam-bern presente uma ideia de instrurnentalidade que nao pode ser passada em silencio.
I.sto
e,
o autor, embora consciente das dificuldades e da pro~ematica levantadas por uma analise tipicamente rnacroecon6rnica e ba-seada na escolha de yariaveis consideradas estategica.S, nao encontra, por agora, urn outro tipo da analise que a possa substituir completa ou parcialrnente. Esta afirmagao tern ainda rnais razao de ser se tivermos "em conta a -necessidade d'e criar instrurnentos uteis
a
elabomgao dapolitic.a econ6mica.
3. 0 factor Tempo
Tivernos ja ocasiao de referir que a dirnensao do periodo de ana-lise tern urna importancia fundamental para a elaboragao de urn mo.delo. Este tema pode enquadrar..,se num problema rnais geral, visto que ao pretendermos relacionar elementos de natUl'ez-a quantitativa lhe atribufmos irnplicitamente quer urna dada dirnensao temporal no
(113) o exemplo apresentado por FRISCH relative
iw
estudo do movimentode tres pendulos acoplados
e
muito sugestivo, pois nao s6 pee em evidencia o problema da reconstituigao do movimento do todo mas tambem destaca o papelqu~ o movimento de um pendulo pode desempenbar como forga motora dos outros.
caso de um fluxo quer uma localizagao no tempo no caso dum estoque. Este. considerando conduz-nos imediatamente ao problema mais geral _da introdugao do Tempo na anMise ·econ6mica (14 ).
Convem, desde ja, fazer uma aTstin~ao fundamental entre duas maneiras de encar.a:r o tempo. Por um lado, existe o prOblema do Tempo como problema puramente analftico ou te6rico, e, por outro, como elemento de «Visao» temporal obrigando a formular antecipada-mente um juizo sobre a evolugao de um sistema; esta distingao pode comp.a.r.ar-se aquel.a que foi apr-esentasda por BAUMOL quando .se-parou ·a
dinamio~ secular ou magnificente da .dinamic.a analitica. 0 tempo
te6-r.ioo consti.tui um enquadramento de rel.a~oes exclusivamente 16gicas enquanto que o tempo hist6rico traduz o el<emento condutor de uma serie hi.srt.6rl.ca de a<ccmJtscimento.s.
Para o eeonomis·ta que esta indissoilliivelmente ligado aos aconte-cimento.s qure analisa, o .problema consista em saber se no decorrer da el·abora{$ao da teori.a pode aplicar um conceito de tempo aoooluto ; esta possibilid.ade s6 pode negar-se ,se o Tempo exi~Sti.r como uma su-cessao da acontecimentos, p.asssando asssim .a constituir uma das formas em termo.s da qual se torrna possivel pens·aT sobre os factos. ' Sendo assim., o tempo apresenta delterminadas. caracteristic.as para o economista:
e
uma sucessao ordenada de acontecimentos,e
mensu-ravel em terunos desses acontecimentos, irreversivel e continuo ou discreto, conforme os acontecimentos a que se refere. Desta maneira interessa pri.ncipalmente o estudo das rela~oes entre as variaveis e o momento do tempo a que se referem. Tal interesse patente~a-se clara-mente nas defini~oes de HICKS: «designo por est:itica econ6mic.a aquelessectores da Eoonomia que nao se preocupam com datas, e por dinamica econ6mica aqueles sectores em que toda a quantidade deve ser · da-tada».
Esta co11cep~ao de HICKS represenrt;a .somente uma fase d:a
evolu-gao do conceito de dinamica, pois a defini!(ao correntemente utilizada,
(1-4:) Por analogia! podemos dizer que a utiliza!}aO de «preVISoeS»
e
algo de equivalente a 'inclusao do tempo. Assim, a hip6tese de uma previsao perfeita exclui praticamente a existencia de tempo; este factor pode, portanto, introduzir-se mediante diferentes formas de previsao, conforme a u:nidade econ6mica possui uma maior ou menor capacidade de prever o futuro. Por consequencia, podemos delimitar o tempo com base nas previs5es a fazer e na constru~ao de uma se-quencia temporal que permita a inter-rehi~o de vari-iiveis.- - - , - - - · - - · - - - - -
-ha anAlise mode:rna, entr.onca na .con·cep~lto de FRISCH e n.a
l'eforinu-la~ao de SAMUELSON
pa )_.
Segundo eg,tes autores, a no~ao e delimita~ao de periodo - ins.-tr.umento an.alf.tko - .continua a <Ser .o elernento basico da defini~ao,
m.as o carac.ter estatico ou d.inamico da analise depende da referencia da.s variavei:s ao tnesmo periodo ou a periodos di:£erentes. Sendo a;ssim, concluirnos imediatamente que, se
0
periodo da analise for sufi·ciente-mente longoIiao
estaremos 'em condi<;oes de fazer dinamica, nada mais restando do que os diferen.tes p·r.ocessos da estatica econ6mica.A Estatica, .assim definida, vern a derivar os seus teoremas quer de certos subconjuntos de sistemas dinamicos (16) quer de conjuntos limi·tes · de sistemas dinamicos fortemente amortecidos. Verificamos assim que .a Estatic.a . .nao exclui o Tempo.
· Po:r outro lado, no •estudo estatico procura""se, s·empre e delibera-damente .a analise de uma ,situa9ao de equilibrio, o que const.i-tui urn dos eiementos metodol6gicoo fu:ndamentais d;a teoria econ6mic,a. Deixare- · mos para mais tarde a discussao deste aspecto para passarmos
ime-diatamente a apresenta<;ao das diferentes f'ormas da analise estatica. Alem do processo, ja enunciado,_ de introdugao de previsoes ou expectativas, deparamos com outras possibilidades de fazer Estatica: a estatica comparada e o pl'incipio da correspondencia de Samuelson. Na primeira, e unica que :por agora nos interessa, o tempo e end6geno, pois e medrdo em t-;ermos das varhl.veis dentro do sistema e pro-cede-se
a
co~para<;ao de situagoes diferentes ,dos parame;tros. Poderia -aindadistingudr-,se unia outra categoria de Estatica :se .a.c.aso postulassemos uma modificagao continua e conhecida para deterrninados .parametros, chegando assim a no~ao- de analise Estaciona:ria.
Podemos dizer que esta ultima forma s.6 tern lugar quando temos em vista a analise de urn periodo longo, ,C:OnJStruindo o •conceito de estado estacionario que esta desligado de qualquer afirmagao sobre a situagao real da Econom~a. Elabora-se simplesmente uma abstracgao metodol6-gica que traduz urn processo econ6mico que flui continuamente da mesma maneira; deste modo podemos concluir que tal metodo serve admiravelmente para analisar utn conjunto de elementos inseridos num processo econ6mico imutavel. A no<.:ao de esta<;lo estacionario opoe-se a ideia de evolugao que abrange o estudo de todos os fen6menos que
tor-:('i•s) Sobre este ponto cf. «History of Economic Analysis», de :SvHUMPETER. {li.i) Estes subconjuntos ·sao definidos por sistemas estruturalmente identi~os
nain um sistema nao · estacion~rio; voltaremos postedormente a este conceito.
N a . anaJis·e dinamic.a pretende-se o estudo atraves do tempo da va:ria!tao do:s valores d~ .algumas ou de todas as variaveis end6genas sendo as r.estantes condi!toes d'adas o01mo parameitros. Existe, no en-tanto,
o
problema de Ugar o tempo operacionaiJ. end6geno como tempo do calendario, a fim de .qu'e se p<Y;Ssam fazer previsoes mais ou menos exactas sobre o desenrolar do processo econ6mico real. As dificuldades que aqui se levantam resultam nao s6 da realiza!taO imperfeita dascon-di~oes ceteris paribus, mas .tatn:J.hem dos factore.s extr.a,-eCon6micos
que se manifestam no caso dos perfodos longos.
A introdu~ao do temp.o hist6rico conduz-!llos aos cone~eritos de
Economia Estaciomiria e Progressiva. Qualquer destes conceitos pre-tende sera tradu~ao de urn estado real da Economia que se materiali-zaria num prazo de tempo maior ou menor, e seri'a fun!tao da Teoria explicar como se realizava a passagem de uma economia progressiva a uma ecortomia estacionaria.
Alguns autores, e em especial MARX e ScHUMPETER,· tentaram fa-zer uma liga!tao entre a. ;analils·e hist6ric.a e a analise te6rica, criando- os
conc·~itos de circuito e de evolu!taO ou de reprodu!tao simples e
alar-gada. Segundo eles, deveriam excluir-se do conceito :de evolu!tao fodos aqueles factores que podem ser explicados em termos de varia!tao de taxas de crescimento, num sistema onde a tecnica, as preferencias e a ordena!tao juridica e social se mantem constantes; verificaremos, posteriormeiite, que tal exclusao corresponde em larga medida
a
ana-lise do crescimento por nos .apresentada.Anote-se, oontudo, que a concep!too destes autores pretende respon-der
a
critica de que a· .dina.mica moderna exclui do seu ambito o estudo da transi!tao de urn estado da sociedade para outro e a interdependencia entre as variagoes das condi!t6es e as modificagoes dos resultados. N a verdade, segundo as oonc~oos de FRISCH-SAMUELSON, a vari~ao dos~lem~ntos estrategico:s do cresdmento ooon6mico e suposta: ou dada
ou fluindo de uma maneira constante no tempo; nao se criam assim elementc.>s explicativos da in.ter-rel~ao da,s vadav,eis em crescimentos numa economia capi·taJi.srt;a, nem se criam instrum€1Iltos de acgao para a manuten~ de tal crescimento.
Por esta razao va~ios economistas, e em especial HARROD, elabo~ raram outros conceitos de analise dinam~ca que se aplicam admiravel-mente
a
concep!tao de uma economia dinamica, mesmo no sentido his-t6rico. Istoe,
partindo da constatagao empirica de que a realidade---..
---economicn
e
movhnento, destaeam que intere.Ssa predominantemente-0estudo das taxas de vada~ao de urn dado s-istema; :tendo em vista a analogia com a mecaniea, estaremos a fazer Di:namic,a quando an.ali-samos ais acelera~oes ou decelera~oes do movimento. Tal nao significa
a o,posi~ao entre re.pouso e movimento, pois o primeiro estado significa
simplesmente que ha. identidade de fluxos no tempo.
4. A no~ao de Equilibrio
Todas estas formas de fazer dinamica, de analise a curto e a longo prazo e de economia estacionaria ou progressiva, estao intimamente ligadas
a
ideia ou conceito de equilibrio. Confirmando este ponto de vista, lembremos que as duas grandes origens dos teoremas significa-tivos (SAMUELSON) sao .as hip6tese de:a) condi~oes de equilibrio correspondentes
a
maximizac;ao oumi-nimiza~ao de uma grandeza;
b) estabilidade da situa~ao de equilibrio, mediante a introdu~ao
do principio da correspondencia entre a dinamica e a estatica comparada.
Acrescentemos que, por vezes, o conhecimento antecipado de certas
p~opriedadeG permite, tambem, a dedu~ao de teoremas; SAMUELSON
re-conheee impHcitamente este caJso quando fala do equilibrio do produto:re dalei .da prDdutividade. _
:A no~ao de equilibrio nao .se furtou
a
evoluc;ao frequente que caracteriza a transforma~ao de urn conceito-realidade em uma no(:ao--norma explicativa. Deixando de ladoas
diferentes especies de equi-lfbrio que se podem conceber (17 ) e a passagem na ciencia econ6mica da noGao de equilibrio real do sistema nos classicos ao conceito de equi-Hbrio psicologico e individual nos marginaJistas, poe;..se daramente emevidenc~a que o elemento fundamental nao
e
a investiga~ao das carac-. teristicas do estado de equilibrio mas sim a tendencia do sistema para aderir a essa situac;ao.Observemos, porem, que a hip6tese da estabilidade do equilibrio
(:n7) Equilfbrios de oposi~aot de fusao e de acumula~ao. Esta ultima forma apresenta, contudo, um interesse particular, visto que
e
aquela que melhor se adapta ao estudo de alguns fen6menos biol6gicos do crescimento, e que a sua compara~taocom a analise do crescimento economico apresenta semelhan<;as singulares (cf. «Le
tl'mps et la vie»~ de ·LECOMTE DE NouY). ·
nao implica qualquer juizo de valor sobre ,a situa!taO analisada ou suposta, pois pode encontrar-se uma estabilidade com 80 % de desem-pr·ego ou de miseria sern que isso a.:fecte os resuJ,tados da anaJise, a nao ser mediante a .itntrodu~ao de novas va~riavais.
Quando dispomos de um conjunto de rela~oes entre variaveis econ6micas, podemos falar de um estado de equilibria se determinar-mos um conjunto de valores para essas variaveis mediante os quais o sistema nao tera tendencia a modificar-se por influencia dos elementos nele incluidos. 0 sistema de rela~oes funcionais constitui o elemento definidor das condi~oes de equilibria eo conjunto dos valores das varia-veis satisfaz essas condi~oes; estes ult.imos ~ao obtidos simultanea-mente num sistema de equ~oes que nao determinam o equilibria, pois este, se existir,
e
que goza de certa.s propriedades. ·Se o conjunto de va1ores das va:riaveis for unico, tal implica que o equilibrio
e
determina:do. No entanto, para verificar o grau de adesao a tal posi~ao de equilibria, teremos de analisar as · rea~oesregi.stadas quando se regista uma m.odific~ nos valO>res d:as varia-vei-s; Ee o sistema reage de modo a absOI'Ver tal modif.ica~ao, diremos que o eqmlibrio
e
estavel; se a sua reac~ao for nula afirmaremos quee equilibrio
e
neu.tro e se tal reac~ao implicar que o sistema se afaste cumulativamente da posi~ao inicioal diremos que o equilibriae
instavel. A p.ar destes oonceitos, podemos encontra;r outras n<>~oes de estavel ou instavel cuja amllise, arr'astando a inve·stiga~ao dos as,pe'ctos quali-tativos de sistemas dinamicos generalizados, nos conduz a problemas de matematica superior que ultrapassam o ambito desta d:isserta~ao.Te;remos, no entanto, de fazer referen.ci·a a uma outra no~ao de equilibria que foi esp€!cia1mente utilizada por MoORE e que se adapta perfeitamente
a
anrulise de sistemas onde se registam vari~oes-lentas .. Trata-se do conceito de Equilibria M6vel que d'eriva da necessidade de generaliz.ar a no~ao de estado:s e.stacionario1s a sistemas hist6ricos.Toda esta serie de conceitos pode apresen.tar-se num.a base que lhe empreste uma ordena~ao 16gica. 'Se partirmos do principia que o agir econ6mico i111dividua:l vern a ser sempre traduzido num «plano» que pode outer uma exi.stenda real ou nao .pass·ar de um.a atitude iP're-cons-ciente da unidade economica antes da realiza~ao de qualquer acto, con-cluirernos que a cada unidade econ.6rnica correspondera urn plano e urn comportamento tipico.
Gada plano abrangera urn dado periodo de tempo e o seu autor pode ter em conta a existencia de experiencias passadas ou de certas atitudes individuais quanto · ao futuro ( expectativas).
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_____ ---·-.. -~~--~....,...,...,.--,.•-·"""""'" ,,_,, ,..,..,..,.,....,.""'''••.li"""'""-"'w,....,<,.,,.,.._,..,,.,..,.,. """"' - - · .,..,.,.,,...,.,._ ,_,.,_., - ·
_.,..."'"'T''"'"':-'·;;-.~'J:·:~, A.~--~,.,..,....-~~ .. ~ ..
~··:----. ~··:----. ~_::4---~~~-4·~:..~~~~.
-~~-Somos-, a.ssitn, levados a pens~!' qut\ -a an9Jise de planos e, etrt especial, a da sua cong.ruencia devera cons.tituir urn estudo
predomi-n~ntE!Imente dinamico, vioS.to que as variaveis se ·referem a diferentes
moniento.s do tempo.
·Por outro lado, a mulrtipli.cidade -de pianos implica, em regra, uma incompatibilidade entre os resultados da interacgao dos pianos e os valores que foram <:Onsider.ado..s .como dados no momento da elaboragao do plano; este facto signifi.ca que um.a situ:agao real -t<Ymada ao .acaso sera s:empre, ou frequentemente, uma :situagao de desequilibrio.
Pode, porem, .partir-se de urn certo .oonju:nto de dado..s e determi-. nar os valoredetermi-.s que as variaveis teriam de tomM' para que haja uma
congruencia -de planos - isto e, procura-se uma posigao de equiilibrio.
A investiga~ao da natureza desse equHibr:io implic,a o conhecimento
das reacg5es das unidadea eoon6micas; temos, por isso; ·de supor urn dado comportamento em face das divergfmcias entre os dadO!S reais e os previstos, par..a .co-nseguir determinar se as unidades se afastam, ou aproximam, da po:sigao inicial de equilfbdo. '
Outro problema se ;po'de lev.antar. Trata-se da analise do modo de passagem de uma pos-i~ao dada de desequilib.rio a urn es.ta.do de equilibrio que possa ·co-rre.sponder ao conjunto dos dados iniciails; neste c.aso a .natureza d'a · posigao de ·equilibrio condidon.a a .deternii-nagao dos valores, visto que se o eqtiilibrio for in.s.tavel 1s6 podemos tentar descrever uma das possiveis vias de acomodag_ao ou de desen-volvimento, dado o caracter cumulativo das reacgoes. Esta a:nalis•e .conduziu, porem, alguns economistas a eliftbor.ar um :sis-tema logico de investigagao, supondo que ao longo .des:sas po,s.siveis vi-as -cada posi-gao era de -equ1Iibr.io no sentido -de que o sistema adefl.a, no instante, a essa po,si~ao, mas passaria a outrra no momento ·seguinte; isto
e,
nao se tratava de determinar uma posi~o de ·equilibrio, mas sim uma via de e-quilibrio, que, por generalizagao do conceito, se desig.nou por ·equilf-brio in6vel (moving equilibrium).Evi-d.encia-se clar:amente que qualqueor destes ultimos tipos -de :ana-lise
e
predominantemente dinamico.5. Estrutut·a e Sistemas Economicos
N otemos contudo que o enquadramento destes pianos
e
suposto dado e que entre esses elementos dados se inclui a ordenagao juridicae soc.~l que vulg1armente designamos ~como o :sistema 01rdenador do
·processo e:con6mico. E·ste facto
e
de uma importancia extveuna, poisto!l'na-se poos.ivel a p1'iori fazet uma anaHse ou coin ·.invariancia
desses ·
dados- amilise no sistema- ou com v.aria~ao suposta o.U induzida pe.sse factor - analise do sistema. Esta ultima forma ultrapa.ssa a frontE:ir.a .normal da teoria econ6mica, embora algumas corrC:mte.s de analise pretend:am_ actualmente a .sua inclusao.Por outro l.ado, economistas como PERROUX e MARCHAL de!fendem acerladamente que a manuten~ao de elementos como p·referencias, tecnicas, fac.tOtres produtivos e grau de rnonopolio corresponde mais ooncretamente a inv.ariancia dum conjunto de elementos que vu·lgar~
mente .se designam como estrutur.a e dai que se proponham fazer uma teoria da estrutura.
Assim, a ideia estatica de estrutura suposta como urn «Conjunto
de 1~ela~oes e propor~oes que caract.erizam uma unidade econ6mica»,
come~a a opor-se a no~ao de ·est:rntura como urn «Conjunto de elementos
de uma unidade" econ6mica que aparecem oomo rela:tivamente estaveis
em rela~ao a outros».
Nao julgamos que este tipo de analise possa .ser f.rutuoso na me-d;ida em que esta basicamente ligrarlo a n~ao «hist6rica» de periodo, pois torna-.se impoo:sivel ·diZJer quais os 1elementoiS que gozam de estabili-dade se nao se referir o conj unto a urn dado periodo ; alem disso, surge tambem a dificuldade intrfnseca de separar a influencia dn sistema ou do t.ipo da organiza~ao sobre as modifica~oes verificadas na estru-tura econ6mica. N a verdade a afirma~ao de alguns economistas de que o·:sistema
e
urn «Conjunto coerente de estruturas» pretende ultra-vassar este obstaculo de uma maneira demasiado simplista vi.sto que deixa no esquecimento 0 elemento de <<COerencia» quee
fundamentalpara a defini~ao do sistema e para a ordena~ao da estrutura.
A par diSso, pensamos que esta maneira de encarar a realidade deiX.a urn papel preponderante a rela~ao univoca
e.nt11e
a:s estruturas e o sistema., podendo ate conduzir a no~ao de ·que as modjficaA;oes das estruturas determinam a evolu~ao do sistema; o que parece ser contra toda a 16gica interna de uma analise econ6mica nao-marxista.A defini~ao de sistema .dada por ANTONELLI como o «Conjunto d~
rela~oes e institui~5es que caracterizam a vida econ6mica de uma
determinada soctedade localiz.ada no tempo e no es~» aparece tam- .. bern como demasiado reduzida a uma caracteriza~ao das estruturas hist6ricas e ao aspecto puramente econ6mico da defini~ao.
Dai que .a afir:rna~ao de AN'.OONELLI de que «devido a evolu~a.o
interna das institui~Oe.s, aos elementos extraecon6micos como a tec-nica e as for~as naturais, o sistema econ6mico esta sujeito ·a for~as
que tendem a transfornui-lo e a convert&.lo em outras formas funda-mentais» nos apare~ de novo em contnadi~ao com os metodo.s de ana"' lise tradicionalmente seguidos, embora represente a conclusao 16gica da sua defini!;ao.
Entre os conceitos de sistema que sao considerados clas.sicos encontra-.se o de SOMBART1 que
e,
sem duvida, aquele que mais se apro-xima da realidade; de facto sendo o sistema «O conjunto de tecnicas e de rela!;OeS jurfdicas e sociais acompanhadas dum intuito econ6mico fundamental» encontra-se uma tripla caracteriza!;ao quer · pelo «espi-rito» ou intuitos da actividade econ6mica quer pela «forma» ou con-junto de elementos juridicos, sociais e institucionais que regulam o conjunto da actividade e as re1a!;i5es, quer pelo «conterU.do» ou conjunto de processos tecnicos destinado{sa
obten!;iiO de hens. Ora esta tripla caracteriza!;iiO vern a proporcionar uma liga!;ao entre as defini~oesmarca:damente ihist6r,icas e .as interpreta~oe.s econ6micas, dando adnda a possibilidade de integra~ao de elementos sociol6gicos e institucionais que dificilmente se inserem. nas outras concep~oes. ·
Supomos, contudo, que o elemento d·a coordena~ao das estruturas ultrapassa o intuito econ6mico e vern a .inserir-se numa concep!;iiO do homem e da sociedade que nao pode ser objecto de uma analise pura-mente econ6mica.
Deste modo nos inclinamos para · uma analise dentro do sts:tema, m.as que deve ser complementada por urn estudo datS rel~oes entre as variaveis en1 anaUse e as modifica~oes de estrutum. Julgamos mesmo que
e
neste sentido que se pronuncia TINBERGEN quando afirma que «0 conjunto dos coeficientes de estrutura da uma imagem arquitect6nicada · economi·a e determina as vias da.s suas reac~oes a cemas
varia-~Oes» (1S),
Quanto aos si1stemas, devemos r-enunciar
a
explica~ao da suaevo-lu~ao, siltuando-nos numa analis·e puramente econ6mica da realidade ou,
erutao, encontramos um concedto de sistema que esteja desligado da sua
realiza~ h:ist6rica, per-mitindo a elabor~ao de urna analise de
fun-cionamento. Neste caso pretendemos somente fazer uma analise den-tro do sistema, roncebido como urn ·enquadramento que permilta
a elabora~ao de uma teoria; assim, os tipos ideais de sistema ou tipos
de organiza~ao de EucKEN correspollidem a este desejo e deste modo
reg.re:ssamos a uma metodologi.a de pl!anos mdividuai:s, como ja descre-vemo.s aquando da introdu~ao do factor tempo.
Assim o sistema vern a permitir a ooordena~ao dos :pianos econ6-mieos individuais atraves das formas puras que oonhece~os e que nos cOillduzem a dois .tipos simples de organiza~ao : a economia de mercado e de di!rec~ao central. Todas as reflex5es que faremos dentro do sis-tema se aplicam em .regra a um modelo simples de economia de mer-·cado onde a coordena~ao dos pianos s.e realiza atraves da existencia de um mercado e de moeda, dando origem a estados de equilibrio ou de desequilibrio cujos possiveis p•rocessos de ana1i.se ja foram parcial-mente indicados ueste capitulo.
OUJti·as tentativas poderao ser feita.s. no senrtido de estudar a evolu~o dos sistemas, mas creio que so uma modifica~ao radical qa metodologia tradicionalmente utili7iada e dos seus fundamentos ba-si'Cos podera proporcionar alguns resultados concretos (19
) .
(t9) :E o caso tipico da analise marxista. Actualmente renuncia-se a uma compreensao total do sistema economico procedendo a uma decomposi!iao da reali-dade conforme as varias ciencias sociais. Evidentemente que o defeito nao consiste fundamentalmente em decompor a realidade, m~s sim em nao se proceder
a
suarecomposi~ao; ou sera que se admite somente a primeira fase sem possibilidades a:J menos de uma reintegra!;iio grosseira das ciencias sociais?
CAP!TULO II
EVOLUQ.AO HIST6RICA DA TEORIA DO CRESCIMENTO
Na segunda metade do seculo XVIII quando se verificavam os primeiros indicios do desenvolvimento econ6mi.co provocado pela Re-volugao Industrial, enc.ontram-se ja nos economistas da epoca, ele-mentos de analise para uma teoria do crescimento econ6mico. Recor-demos, somente, a obra fundamental (1776) de urn dos precursores· da escola classi.c.a, ADAM SMITH ( 1
) e pela Le1itura do seu livro conclui-remos que ele corresponde pelo titulo «An Enquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations» e pelo conteudo
a
necessid:ade deBe dar uma explicagao ao desenvolvimento econ6mico que se registava na epoca da sua publi~o.
A tentativa de SMITH foi muito ambiciosa e conserva ainda hoje mu:iita a;ctualidade quando analisamos os .problemas de paises subde-. senvolvidossubde-. De facto, o re£erido · autor nao so estudou a questao de
· al:rurgar os recurso~s mdste:ntes, mas tambem a de os aplicar da maneira m~s adequada nos diferentes sectores, constituindo deste modo uma anaJLs;e mais vasta do que muitas teorias posteriorme:nte elabora-das (2).
0 factor trabaJho constitui para SMITH um dos el€imentos funda-mentai•s do progres:so. Por isso, no livro I comega por estud'ar a.s causas· qu,e melhoram a capacidade produtiva do trabalho e quanqo na se-. gunda parte dedica a sua atengao ao capital, este factor aparece
sem-pre ligado ao trabalho.
Aleni disso, ADAM SMITH, na segunda part'e do seu livro, trata nao
(1) :Embora considerado por muitos autores como fundador da Economia Po-litica, SMITH pouco apresenta de novo sob o ponto de. vista analitico, limitando-se a constituir uma sintese da epoca que precedeu os classicos.
( 2 ) Esta observa~o U'ao pode, porem, fazer-nos aceitar as afirma~oes de
BURNS nas conferencias que proferiu no Instituto Getulio Vargas, do Rio de
Ja-neiro, em que tenta reduzir a analise hist6rica do crescimento as obras de SMITH e
SCII"£!MPETER. Veremos. que lal redugao
e
demasiado simplista.,,....,----~--:---··-·-•- ~• ·-·---w----~·-••-•••••• - .. --·-•••·•-•- - -
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s6. da Itatw·eza do .capital e da manei.ra. como este gradualmente &e
acumula (8
) , mas tambem das diferentes quantidades de tr.abalho uti-Ii2ll:uias confoJW.e as diver.s.a.s manei:ras como o ca;pitaJ
e
empregado; no entanto, observa mai.s .adiante que«e
da natureza das coi.sas que aacumul~ao de capital preceda .a divisao do tra;balho».
Adop.tando uma terminoJogia moderna, o raci·ocinio de SMITH leva a afirmar que o rendimento por cabe!;a depende, em todas as na!;Oe.s, de dua.S circunstancias diferentes :
«the skill, dexteri·ty .and judgement with which Hs labour is generally applied» e «the proportion betwee.n the number of those who are employed in useful labour and those who are not so employed».
A ahundancia
ou
escassez de hens dependia mai;s da p·rimeira do que da segunda circunstanciae
a divisao do trabalho constitui.a 0eleniento basico pma o ·acrescimo da capacidade produtiva deste factor e uma das r:aa;oes par.a uma grande parte da pericia, destreza e inte1igencia com que e apLkado.
Por tudo isto se pode avaliar da importancia que o factor traba-lho d>esempenha na analise de SMITH.
No entanto, o livro III «sobre o diferente ritmo do progresso da opulencia das diferentes n~oes», que tern sido esquecitdo p•ela maioria · dos criticoo e estuidiosos de SMITH e aquele que propo·rciona .uma; vi:sao sintetica e hist6rica do processo do desenvolvimento. Neste livro se en:treveem as difer.entet3 fases da aplica!;ao de capital, inicialmente na agricultura, depois na manufactura, e, finalmente, no comercio ex-terno ( 4) . Es_ta conclusao caracterizava, somente, urn dado processo de crescimento econ6mico, mas nao constituia de modo algum uma explicag3,o desse facto.
Podemos, porem, e em parte com base nos elementos que ja foram citados, apresentar esquematicamente a explica~ao dada :por SMITH. :Partiremos de um~f economia progressiva em que existe; portanto, . acumulagao ,e os salarios sao stlperi!Ore,s ao minimo de subsdstencia . . 0 acrescimo do rendimento vern ·a depender fundamentalmente da varia!;ao da oferta de .trabaJ.ho e da sua produtividade. A oferta de trabalho
esta
ligada a uma cEmta l·ei natural da populagao (urn apro-(a) Na epoca de SMITH 0 capital fixo desernpenhava urn papel pouco irnpor-tante, e a principal forma de investirnento era a aplic~o em capital circulante; pode dizer-se que a rnaquina constitufa u.rn cornplernento, e nao urn sucedaneo do trahalho.
('~) Constitufa ate certo ponto urn antecedente da evoh.lgao prevista por
pensao de caracter social e eeon6mioCO para a procria!;ao )· e ao nivel dos salarios reais. Estes ultimos vern a depender da .poupan~a (~) e esta e investida com intuito lucr.ativo; d~ve notar-se que ·o.s Iucros dependem, segundo SMITH, do ritmo de crescimento da riqueza nacional e nao
do ,seu niv•el1absoluto.
Como as pr6prias tendencias populacionais contrabalan~am o
acresdmo de salarios, poi.s ,estao em rela~ao inversa, teremos de encontrar urn outro elemento e;xplicativo .para o aumento de rendi-mento; este elemento sera .a produtivi.dade. Este coneeito, que
e
fre-quentemente ·oonfundido por SMITH com a especi.aliz:a~ao do trabalho, d€1pendia especi~,almente da dimensao do mercado e foi s'eguindo estaorienta~ao que SMITH defendeu .as vanta;gens do comer:cio ,internacio-. nal (6
) . Ora que~ a ex.pans:ao do -comercio externo quer os esltimulos pi·ovocaidas pelo:s aumentos de s'ahirios constituiam n1otivos que -amplia-vam os Inerca.dos. Este alargamento estimularia, por sua vez; .as ino-vagoes que facHitavam o in:vestimento, contribuindo para urn .aumento dos sahirios reais; -dest'e modo, se encontrava. fechado o circuito de analise.
Ponha-se, porem, em evidencia·que €Q11 todo o raciocinio de $MITH
se encontra subjacente . uma confian~a. ou melhor, fe no desenvolvi-. men to tecnol6gico como resposta aos sucessivos alargamentos qo mer-. Caqo, mer-. perp;litindo COmpensar OS impactos populacionais e dandp origem
ao estab~lecimento de uma via de crescimento continuo. Era, sem
duvida, uma visao optimista. e uma profissao de fe nos destinos do capitalismo.
1. ES4!ola classica
No entanto, os vestigios da preocupa~ao causada pelo problema do desenvolvimento econ6mico ·encontram-se ainda na escola classica. E de tal maneira a contribui~ao desta escola se pode coilsiderar im-portante que num recente artigo se pode ler a seguinte passagem ·: «Yet in studying economic growth, at least as it develops under capitalism, the conceptional range of classical theory seems more appropriate than the delimitations of modern theory».
(5) 1Existe uma te.ndencia a poupar que derJva do desejo de melhorar a· nos:;;a
condi~ao. Cfr. livro II, Cap. III.
(6) Assim se depreende do titulo do ·Cap. Ill do livro I. «A divisao do .. tra-ba1ho .e limitada pela dimensao do mercado». Nao se esque!;a, por outro !ado, que a especializa!(3.o implica a exis'k'mcia de uma acumula~ao previa.
Adoptam()S como conceit() de escola classica aquele grupo de eeonomistas representativos do pensamento econ6mico no perfodo que coincide praticamente com o
sec.
XIX (7) . Pode, pOT isso, fazer-se a
separa~ao no senti:do de tsolar SMITH e MARX, que constituem
res-:r;ectivamente um precursor da teoria classica e urn di.ssi.d~te dos metodos de analise, diferindo coll!Seqpentemente das conclusoes dos classicos, e, alem ·di&so, se situam nos ex.tremos do periodo aJbrangido por esta escola (1776 e 1867). Neste intervalo de tenliPo, ·encontramos aqueles economi:stas que genericamente escreveram «Principios» de
rroon~ e que const£tuiram a esp.inha dorsaJ. do pensamento da epoca,
·Como foi 0 caso de MALTHUS (1798), RICARDO (1817) e J. S. MILL
(1848). .
No ~eculo XIX, e por razoes de ordem metodol6gic.a, costumam
distingui:r-se dois subperfodos que correspondem, o primeiro a escola . classica e 0 segundo ao pensamento neoclassico. Esta ultima Corrente
representa, porem, como veremos posteriormente, uma evolu~ao e
aperfei~oamento da anterior sob o ponto de vista da analise do
cres-cimento e nao interessa, portanto, o seu estudo especial (8 ).
0 proprio facto de termos falado de uma escola implica a exis-tencia de uma certa unidade de pensamento, · de metodos ou de con- · clu~oes basica.s, unldade essa que ganha em ser evidenciada antes de se expor o modo ·particular de expressao de cada um dos economistas mais representativos dessa escola. Mas o caracter de sfntese exigido pela caracteriza~ao de tal unidade conduz a uma perda de particula-ridades de anMise, cujo estudo seria tambem util na medida em que permitiria evidenciar a evolu~ao sofrida pela escola classica, ou sej a no caso presente, .rute aos trabalhos de J ~ S. MILL.
Os classicos partiram de proposi~s de ordem predominante-merite hist6rica referindo-.se a uma ordena~ao especial da sociedade e a
uma
conce~ do ihomem que se illltegra na primeira e da qual(7) Seria melhor dizer entre 1790 e a revolu~o marginalista, ou seja eerca de l870l o que· nos faria excluir o pensamento designado como neocM.ssico, iniciado por JEVONS e MENGER.