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PROCESSO Nº TST-RR A C Ó R D Ã O 4ª Turma GMCB/fmc

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Academic year: 2021

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A C Ó R D Ã O

4ª Turma

GMCB/fmc

RECURSO DE REVISTA.

1. ACIDENTE DE TRÂNSITO. TRAJETO CASA-EMPRESA. AUSÊNCIA DE NEXO DE

CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA DE

RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR. PROVIMENTO.

A responsabilidade civil ensejadora de reparação por dano decorrente de ato ilícito, em regra, baseia-se na teoria subjetiva, calcada na culpa do agente, nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil.

Segundo os referidos preceitos, o dever de compensar passa, inevitavelmente, pela aferição da culpa do autor do dano, bem como pela existência dos elementos dano e nexo causal.

Na seara trabalhista, o artigo 7º,

XXVIII, da Constituição Federal

estabelece obrigação de reparação ao empregador quando ele concorrer com dolo ou culpa para o evento danoso, ou seja, com o acidente de trabalho. Assim, pode-se afirmar que para a responsabilização civil do empregador por dano moral e material, necessário se faz que estejam presentes os seguintes requisitos: a ocorrência do dano, o nexo

de causalidade e a culpa (do

empregador), em sentido lato.

Em casos excepcionais, entretanto, o ordenamento jurídico autoriza a adoção da teoria da responsabilidade civil objetiva, segundo a qual o dever de indenizar prescinde do elemento culpa (artigo 927, parágrafo único, do Código Civil).

No âmbito trabalhista, essa

responsabilização ocorre quando a atividade desenvolvida pelo empregador for de risco, sendo indispensável para essa configuração que a sociedade empresária, na produção de bens ou

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prestação de serviços, busque alcançar sua finalidade mediante a sujeição do trabalhador a um risco superior ao que submetido o restante da coletividade.

Na hipótese, infere-se do acórdão

recorrido que, no dia da sua integração ao emprego, a autora deveria assinar uns documentos e entregá-los do outro lado da BR e depois se dirigir à matriz da empresa, tendo nesse trajeto sido atropelada por uma moto, acidente que lhe resultou lesão e redução da sua capacidade laboral.

Segundo consta do referido decisum, a travessia de um lado para outro da BR era feita por ônibus da empresa, caminhão ou carona, sendo que tais veículos não foram disponibilizados à reclamante, o que desencadeou o mencionado acidente. Para a circunstância, o egrégio Tribunal Regional concluiu que a reclamada responderia pelos danos causados à reclamante. Entendeu que, tratando-se de acidente do trabalho ou de doença a ele equiparado, a responsabilidade do empregador é objetiva, sendo necessária para a sua imputação tão somente a demonstração do dano e do nexo de causalidade.

Sucede que, não se tratando de atividade empresarial de risco, não há se falar em

responsabilidade objetiva do

empregador. Incabível, aliás, para o

caso, qualquer tipo de

responsabilidade, seja ela objetiva ou subjetiva, na medida em que, pelo que se extrai do acórdão regional, o acidente do qual foi vítima a empregada ocorreu antes mesmo de ela ser integrada aos quadros da reclamada, o que revela, de pronto, a inexistência de nexo causal entre o infortúnio e as atividades laborais que seriam desempenhadas pela reclamante.

Ademais, se a travessia da BR exigia a

utilização de veículo, devia a

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reclamante ter agido com prudência, evitando fazer o percurso a pé, não se

podendo atribuir à empresa a

responsabilidade por tal conduta. Ora, como já realçado, no momento do acidente, a autora ainda não fazia parte do seu quadro de empregados, além de inexistir notícia que a reclamante tenha sido obrigada pela empresa a realizar a travessia caminhando.

Assim, o egrégio Colegiado Regional, ao reconhecer a responsabilidade civil do empregador pelo acidente sofrido pela reclamante, condenando-a ao pagamento de compensação por danos morais e estéticos, além de pensão mensal, violou o comando dos artigos artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal, 186 e 927 do Código Civil.

Recurso de revista de que se conhece e ao qual se dá provimento.

2. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SINDICAL. PROVIMENTO.

Na Justiça do Trabalho, os honorários

advocatícios decorrem de dois

requisitos: a parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do mínimo legal, ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família. Inteligência das Súmulas nºs 219 e 329.

Na hipótese vertente, é incontroverso

que a reclamante não está assistida por sindicato de classe e não faz jus, por conseguinte, à percepção dos honorários advocatícios.

O v. acórdão regional, portanto, foi proferido em contrariedade ao item I da Súmula nº 219.

Recurso de revista de que se conhece e ao qual se dá provimento.

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Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-RR-20250-94.2013.5.04.0282, em que é Recorrente

PINCÉIS ATLAS S.A. e Recorrido JULIA GRACIANA NUNES FREITAS e ALLIANZ SEGUROS S.A..

O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, mediante o v. acórdão de fls. 380/390 (numeração eletrônica), por maioria, deu provimento ao recurso ordinário da reclamante.

Inconformada, a reclamada interpõe recurso de revista, por meio do qual demonstra seu inconformismo em relação aos temas “responsabilidade objetiva – acidente de trânsito”, “pensão mensal”, “compensação por dano moral”, “compensação por dano estético” e “honorários advocatícios”.

Decisão de admissibilidade às fls. 436/437 (numeração eletrônica).

Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso de revista.

O d. Ministério Público do Trabalho não oficiou nos autos.

É o relatório.

V O T O

1. CONHECIMENTO

1.1. PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

Presentes os pressupostos extrínsecos de

admissibilidade recursal, passo ao exame dos pressupostos intrínsecos.

1.2. PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

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Firmado por assinatura digital em 03/09/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 1.2.1. ACIDENTE DE TRÂNSITO. TRAJETO CASA-EMPRESA. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE. RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR.

No que concerne ao tema, constata-se que o reclamado cumpriu devidamente os requisitos do artigo 896, § 1º-A, I, da CLT, porquanto transcreveu o trecho do acórdão recorrido que consubstancia o prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista, conforme fls. 423/425 (numeração eletrônica).

A propósito, inclusive, o egrégio Tribunal Regional assim decidiu:

“(...).

Incontroverso nos autos que autora foi admitida em 01.10.2010, estando vinculada na empresa até a data do ajuizamento da ação.

Com efeito, a prova documental (CAT, Boletim de Ocorrência, e laudos periciais) revela que a autora, no primeiro dia de trabalho como empregada da demandada, sofreu acidente de trajeto, o qual resultou em lesão corporal e lhe causou perda ou redução da capacidade para o trabalho. Usufruiu de benefício previdenciário na modalidade acidentário.

Consta no laudo pericial médico (ID nº 1042600), que em 01.10.2010 (data de admissão), quando se dirigia à empresa para realizar integração, a autora foi atropelada por uma moto na BR-116, sofrendo fratura de membro inferior esquerdo. Consta, ainda, no laudo, que a reclamante permaneceu em benefício acidentário - B91 por 18 meses, com alta em 31/07/2011, bem como registra posterior quadro psiquiátrico severo.

Atualmente, o perito relata que a reclamante apresenta fratura em membro inferior esquerdo, com sequela residual, em grau mínimo, o que caracteriza, pela Tabela DPVAT, perda anatômica e/ou funcional completa de um dos membros inferiores corresponde a um índice total de perda de 7% (10% de 70%), sendo considerada apta para o trabalho; bem como prejuízo estético em grau mínimo.

Admite o perito médico que há relação de nexo técnico entre o quadro clínico atual e o acidente sofrido. As fotografias anexadas ao laudo evidenciam as cicatrizes na perna da autora.

(...).

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Depreende-se da prova oral que a preposta da empresa não soube informar quem fez a entrevista da autora e tampouco a demandada comprova acerca da orientação do local em que o candidato selecionado deveria se apresentar por ocasião da integração.

Ainda, é incontroverso que, no dia da integração (data do acidente), a autora deveria assinar os documentos e se dirigir à matriz. Assim, se presume que a autora, de fato, deveria entregar os documentos do outro lado da BR, para após se dirigir à matriz, quando então foi atropelada, como disse a juíza da origem "no afã de não chegar atrasada em momento tão importante (assunção de novo emprego)".

Destaco, ainda, que o técnico em segurança do trabalho da empresa diz que a travessia da BR, de uma planta para outra, é feita em ônibus da empresa, caminhão ou de carona, enquanto que tais veículos não foram oportunizados à autora, desencadeando, assim, risco de acidente de percurso.

Neste contexto, em que pese os fundamentos adotados pela Magistrada a quo, entendo que há responsabilidade da empresa quanto ao infortúnio da autora.

Em se tratando de acidente do trabalho ou doença a ele equiparada, a atribuição do dever de reparação ao empregador pressupõe, independentemente da corrente adotada (teoria da responsabilidade subjetiva ou objetiva), a existência de dano e de nexo causal entre a lesão e a atividade laboral exercida pelo trabalhador.

Estabelece o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil que

‘haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem’.

Ressalto, de início, que adoto a responsabilidade objetiva nos casos de acidente de trabalho, razão pela qual, para perquirir a responsabilidade civil do empregador bastaria a demonstração do nexo causal entre as moléstias e o trabalho desempenhado pelo empregado.

A questão quanto à aplicação da teoria subjetiva ou da objetiva não é pacífica na jurisprudência, tendo ensejado duas posições distintas. A primeira corrente entende que o parágrafo único do art. 927 do CCB não se aplica nas hipóteses de acidente do trabalho, ao argumento de que a

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Constituição Federal tem norma expressa prevendo como pressuposto da indenização a ocorrência de culpa ou dolo. A segunda corrente, à qual me filio, é no sentido de que o novo dispositivo tem inteira aplicação nos casos de acidente do trabalho, já que a previsão do inciso XXVIII do art. 7º deve ser interpretada em consonância com seu caput: „São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social‟.

Além disso, a Constituição também prevê, no seu artigo 1º, como fundamento do Estado democrático de Direito, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho, bem como, no artigo 170, que trata da ordem econômica, valoriza a livre iniciativa e o trabalho humano.

Tecidas tais considerações, entendo que a previsão do art. 927, parágrafo único, do Código Civil não é incompatível com o art. 7º, XXVIII, da Constituição Federal, haja vista que o princípio realmente consagrado constitucionalmente é o de que cabe indenização por reparação civil, independentemente dos direitos acidentários.

Assim, quando o artigo 7º, XXVIII, da Constituição da República menciona a culpa ou o dolo do empregador para efeito de responsabilidade por acidente de trabalho, na verdade, não limita a hipótese à responsabilidade subjetiva, pois a Constituição fixa apenas direitos mínimos, possibilitando ao legislador ordinário ampliar os direitos nela previstos, quando resultarem em melhoria para os trabalhadores. Nesse mesmo sentido, é o magistério de Sebastião Geraldo de Oliveira, para o qual a responsabilidade civil prevista no art. 7º, XXVIII, da CF, abrange todas as espécies, não havendo dúvida de que a aplicação da teoria da responsabilidade objetiva visa à melhoria da condição social do trabalhador.

Por conseguinte, presentes os elementos necessários à atribuição da responsabilidade civil do empregador, à reclamada incumbe o dever de arcar com a indenização dos danos experimentados pelo reclamante em decorrência do acidente” (grifou-se).

Nas razões do recurso de revista, a reclamada sustenta que não deveria ser responsabilizada objetivamente pelo acidente de trânsito sofrido pela reclamante.

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Indica violação dos artigos 186 e 927, caput e parágrafo único, do CC, bem como do artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal.

O recurso alcança conhecimento.

A responsabilidade civil ensejadora de reparação por dano decorrente de ato ilícito, em regra, baseia-se na teoria subjetiva, calcada na culpa do agente, nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil, os quais dispõem:

"Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito."

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo".

Segundo os referidos preceitos, o dever de compensar passa, inevitavelmente, pela aferição da culpa do autor do dano, bem como pela existência dos elementos dano e nexo causal.

Na seara trabalhista, o artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal estabelece obrigação de reparação ao empregador quando ele concorrer com dolo ou culpa para o evento danoso, ou seja, com o acidente de trabalho.

Assim, pode-se afirmar que para a responsabilização civil do empregador por dano moral e material, necessário se faz que estejam presentes os seguintes requisitos: a ocorrência do dano, o nexo de causalidade e a culpa (do empregador), em sentido lato.

Em casos excepcionais, entretanto, o ordenamento jurídico autoriza a adoção da teoria da responsabilidade civil objetiva, segundo a qual o dever de indenizar prescinde do elemento culpa (artigo 927, parágrafo único, do Código Civil).

No âmbito trabalhista, essa responsabilização ocorre quando a atividade desenvolvida pelo empregador for de risco, sendo indispensável para essa configuração que a sociedade empresária, na produção de bens ou prestação de serviços, busque alcançar sua finalidade

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mediante a sujeição do trabalhador a um risco superior ao que submetido o restante da coletividade.

Na hipótese, infere-se do acórdão recorrido que, no

dia da sua integração ao emprego, a autora deveria assinar uns documentos e entregá-los do outro lado da BR e depois se dirigir à matriz da empresa, tendo nesse trajeto sido atropelada por uma moto, acidente que lhe resultou lesão e redução da sua capacidade laboral.

Segundo consta do referido decisum, a travessia de um lado para outro da BR era feita por ônibus da empresa, caminhão ou carona, sendo que tais veículos não foram disponibilizados à reclamante, o que desencadeou o mencionado acidente.

Para a circunstância, o egrégio Tribunal Regional concluiu que a reclamada responderia pelos danos causados à reclamante. Entendeu que, tratando-se de acidente do trabalho ou de doença a ele equiparado, a responsabilidade do empregador é objetiva, sendo necessária para a sua imputação tão somente a demonstração do dano e do nexo de causalidade.

Sucede que, não se tratando de atividade empresarial de risco, não há se falar em responsabilidade objetiva do empregador. Incabível, aliás, para o caso, qualquer tipo de responsabilidade, seja ela objetiva ou subjetiva, na medida em que, pelo que se extrai do acórdão regional, o acidente do qual foi vítima a empregada ocorreu antes mesmo de ela ser integrada aos quadros da reclamada, o que revela, de pronto, a inexistência de nexo causal entre o infortúnio e as atividades laborais que seriam desempenhadas pela reclamante.

Ademais, se a travessia da BR exigia a utilização de veículo, devia a reclamante ter agido com prudência, evitando fazer o percurso a pé, não se podendo atribuir à empresa a responsabilidade por tal conduta. Ora, como já realçado, no momento do acidente, a autora ainda não fazia parte do seu quadro de empregados, além de inexistir notícia que a reclamante tenha sido obrigada pela empresa a realizar a travessia caminhando.

Assim, o egrégio Colegiado Regional, ao reconhecer a responsabilidade civil do empregador pelo acidente sofrido pela reclamante, condenando-a ao pagamento de compensação por danos morais

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e estéticos, além de pensão mensal, violou o comando dos artigos artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal, 186 e 927 do Código Civil.

Conheço, pois, do recurso de. 1.2.2. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.

No tocante ao tema, o egrégio Tribunal Regional assim decidiu:

“Entendo que a assistência judiciária não é prerrogativa sindical, podendo ser exercida por qualquer advogado habilitado nos autos. Ademais, o artigo 133 da Constituição Federal dispõe que: "O advogado é

indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei".

Diante do exposto, com amparo nas disposições constitucionais, no artigo 20 do CPC, bem como nos artigos 927 do Código Civil e artigos 2º e 22 da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB), faz jus a parte autora ao pagamento dos honorários advocatícios, porquanto vencedora na presente demanda.

Ressalto, de qualquer sorte, que a reclamante junta declaração de pobreza (Id.196009 - Pág. 1), sendo devida a verba honorária também em face da Lei 1060/50. Ou, ainda, em face do disposto na IN 27 do TST, por se tratar de matéria alusiva à indenização acidentária.

Quanto ao percentual devido a título de honorários, fixo em 15% sobre o valor bruto da condenação, valor usualmente praticado na Justiça do Trabalho e na linha da Súmula 37 deste TRT.

Nestes termos, dou provimento ao recurso da reclamante para condenar a reclamada ao pagamento de honorários advocatícios no percentual de 15% do valor bruto da condenação”.

Nas razões do recurso de revista, a reclamada sustenta que, ao assim decidir, o egrégio Tribunal Regional teria contrariado as Súmulas nos 219 e 329, bem como violado o artigo 14 da Lei nº 5.587/1970.

O recurso alcança conhecimento.

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É pacífico o entendimento, no âmbito desta Corte Superior, no sentido de que, mesmo após o advento da Constituição Federal de 1988, na Justiça do Trabalho, os honorários advocatícios decorrem dos requisitos exigidos pela citada lei, devendo a parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do mínimo legal, ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família. São dois os requisitos a serem atendidos, portanto, para fazer jus à percepção dos referidos honorários.

Na hipótese, porém, o deferimento de honorários advocatícios sem o requisito da assistência sindical contraria o entendimento consubstanciado nas Súmulas nºs 219 e 329, de seguinte teor: “219. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. HIPÓTESES DE CABIMENTO.

I - Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores a 15% (quinze por cento), não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a parte, concomitantemente:

a)estar assistida por sindicato da categoria profissional; b) comprovar a percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da respectiva família. (art.14,§1º, da Lei

nº 5.584/1970). (ex-OJ nº 305da SBDI-I) (grifou-se).

“329. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 133 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988.

Mesmo após a promulgação da Constituição da República de 1988, permanece válido o entendimento consubstanciado no Enunciado 219 do Tribunal Superior do Trabalho.”

Ante o exposto, conheço do recurso por contrariedade à Súmula nº 219.

2. MÉRITO

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Firmado por assinatura digital em 03/09/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.1. ACIDENTE DE TRÂNSITO. TRAJETO CASA-EMPRESA. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR.

Conhecido o recurso por afronta aos artigos artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal, 186 e 927 do Código Civil, corolário lógico é seu provimento para afastar a responsabilidade civil da reclamada e, por conseguinte, excluir da condenação o pagamento de compensação por danos morais e estéticos, bem como de pensão mensal. Julgar prejudicado o exame das matérias correlatas.

2.2. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.

Conhecido o recurso por contrariedade à Súmula nº 219,

dou-lhe provimento para excluir da condenação o pagamento dos honorários

advocatícios.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Quarta Turma do Tribunal

Superior do Trabalho, por unanimidade: I – conhecer do recurso de revista quanto ao tema “ACIDENTE DE TRÂNSITO. TRAJETO CASA-EMPRESA. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR”, por violação dos artigos artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal, 186 e 927 do Código Civil, e, no mérito, dar-lhe provimento para afastar a responsabilidade civil da reclamada e, por conseguinte, excluir da condenação o pagamento de compensação por danos morais e estéticos, bem como de pensão mensal, ficando prejudicado o exame das matérias correlatas; e II - conhecer do recurso de revista quanto ao tema “HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS”, por contrariedade à Súmula nº 219, e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir da condenação o pagamento dos honorários advocatícios.

Brasília, 03 de setembro de 2019.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

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Ministro Relator

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