Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros

Texto

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Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes

Raul Barbosa de Sousa

Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros

Rio de Janeiro

2019

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Raul Barbosa de Sousa

Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros

Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Orientador: Prof. Dr. Nelson Massini

Rio de Janeiro 2019

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CATALOGAÇÃO NA FONTE

UERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CB-A

Bibliotecária: Ana Rachel Fonseca de Oliveira

CRB/7 - 6382

Autorizo apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação, desde que citada a fonte.

_____________________________________________ _________________

Assinatura Data

S725 Sousa, Raul Barbosa de.

Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros / Raul Barbosa de Sousa. – 2019.

57 f.

Orientador: Nelson Massini.

Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de

Janeiro, Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes. Pós- graduação em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense.

1. Armas de fogo - Teses. 2. Ciências Forenses – Teses. 3.

Acústica - Teses. 4. Tiros – Teses. I. Massini, Nelson. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes. III. Título.

CDU 340.6

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Raul Barbosa de Sousa

Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros

Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa ao Programa de Pós-Graduação em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Aprovado em 10 de maio de 2019

Orientador: Prof. Dr. Nelson Massini Faculdade de Direito – UERJ

Banca Examinadora:

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Prof. Dr. Luís Cristóvão de Moraes Sobrino Pôrto Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes - UERJ

____________________________________________________

Prof. Dr. Angelo Marcio Cardoso Ribeiro Borzino Instituto Militar de Engenharia

____________________________________________________

Prof. Dr. José Firmino Nogueira Neto Faculdade de Ciências Médicas - UERJ

Rio de Janeiro 2019

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DEDICATÓRIA

A Deus, por permitir mais essa vitória. A minha família, pelo estímulo, e a todos os amigos que me ajudaram na construção deste projeto.

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AGRADECIMENTOS

A meu orientador, Prof. Dr Nelson Massini, pela excelente visão em perceber a importância deste trabalho com fins à justiça e pelo estímulo para o desenvolvimento do mesmo. Ao prof. Dr. José A. Apolinário, pela colaboração e suporte técnico.

Aos professores, pelos ensinamentos, dentro e fora da sala de aula, durante o mestrado.

Aos meus amigos peritos criminais, que colaboraram com sugestões e no aprimoramento prático deste trabalho. Especialmente ao diretor do Instituto de Criminalística Dr. Waldir Ramos, que viabilizou a infraestrutura para realização da coleta de dados e Dr. Olavo José Santos Barbosa chefe do Serviço de Pericias de Armas de Fogo do ICCE pela colaboração.

Aos meus colegas de mestrado, que dividiram comigo os anseios e as dificuldades.

A UERJ, como Instituição, e a todo seu corpo de funcionários que, em sua missão, colaboram na formação de muitos.

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O essencial é invisível aos olhos...

Antoine de Saint-Exupéry

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RESUMO

SOUSA, Raul Barbosa de. Criação de banco de dados de referência para identificação acústica de tiros. 2019. 57f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense) – Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

Análises acústicas de tiros são um novo campo das ciências forenses. A polícia e a justiça contam com os peritos criminais que aplicam o conhecimento científico para a elucidação de crimes. E, nesta condição, o perito é muitas vezes solicitado a avaliar questões subjetivas, como a capacidade de um ouvinte identificar um tipo particular de arma de fogo com base em seu som, ou para discriminar os mais diferentes tipos de armas de fogo em uma gravação questionada. O presente trabalho tem como objetivo a criação de um banco de dados de referência de sons produzidos por armas de fogo de diversos calibres. A formação deste banco de dados, contou com amostras de sons impulsivos de tiros, coletados com microfones de medição, distribuídos espacialmente a 3º, 30º, 60º, 90º 120º e 180º da linha de tiro da arma, a uma altura suficiente para minimizar os efeitos da reverberação.

Cada arquivo digital dos áudios, em formato .wav, PCM, 96KHz, 24Bits, será identificado e poderá ser acessado por meio da internet. Serão úteis para o confronto com gravações reais, de interesse forense, contribuindo, assim, à elucidação de crimes e à promoção da justiça. Os arquivos também serão úteis como material de apoio para trabalhos acadêmicos em acústica e em testes de avaliação de algoritmos, que objetivam identificação de sons impulsivos.

Palavras-chave: Tiros. Armas de fogo. Calibre. Acústica Forense. Identificação Acústica de tiros.

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ABSTRACT

SOUSA, Raul Barbosa de. Creation of reference database for acoustic

identification of shots. 2019. 57 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde, Medicina Laboratorial e Tecnologia Forense) – Instituto de Biologia Roberto

Alcântara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

Acoustic shooting analyzes are a new field of forensic science, police and justice, rely on criminal experts, who apply scientific knowledge to elucidate crimes.

And in this condition the expert is often asked to assess subjective issues such as the ability of a listener to identify a particular type of firearm based on their sound, or to discriminate the most different types of firearms in a questioned recording. The present work aims at the creation of a reference database of sounds produced by firearms of various calibers. The formation of this database included samples of impulsive shots of sounds, collected with measuring microphones, spatially distributed at 3º, 30º, 60º, 90º 120º and 180º of the firing line of the weapon, at a height sufficient to minimize the effects of reverberation. Each digital audio file, in .wav format, PCM, 96KHz, 24bit, will be identified, and can be accessed through the internet. Being useful for confrontation with real recordings, of forensic interest, thus contributing, for elucidation of crimes and promotion of justice. They will also be useful as support material for academic acoustics and algorithm evaluation tests that aim to identify impulsive sounds.

Keywords: Shots. Firearms. Caliber. Forensic Acoustics. Acoustic identification of shot.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Aspecto da forma de onda do sinal impulsivo - caso 1 ... 18

Figura 2 Aspecto da forma de onda do som impulsivo – caso 2 ... 19

Figura 3 Aspecto da forma de onda do som impulsivo – caso 3 ... 20

Figura 4 Partes de um cartucho de munição ... 21

Figura 5 Revólver engatilhado ... 21

Figura 6 Partes de uma pistola semiautomática ... 22

Figura 7 Esquema geral da variação da forma de onda de um tiro, onda - N. . 23

Figura 8 Geometria da onda de choque em projéteis supersônicos ... 25

Figura 9 Plataforma e os demais equipamentos montados ... 29

Figura 10 Gravação quase anecóica com microfones suspensos em relação ao solo ... 30

Figura 11 Sistema quase anecóico para gravação dos padrões ... 31

Figura 12 Imagem da interface do banco de dados disponibilizada na internet . 32 Figura 13 Forma de onda da gravação das ações mecânicas de um revólver.... 36

Figura 14 Gravação das ações mecânicas de uma pistola Taurus PT938... 37

Figura 15 Gravação quase anecóica de tiros de Fuzil calibre 7,62 X 51mm... 37

Figura 16 Gravação de tiros de Fuzil calibre 7,62 X 51mm com reflexões ... 38

Figura 17 Forma de onda do som de uma bombinha junina ... 38

Figura 18 Gravação do som produzido por uma arma de pressão... 39

Figura 19 Gravação do som de uma arma de brinquedo ... 39

Figura 20 Imagem de abertura da interface disponibilizada na internet ... 40

Figura 21 Explicações metodológicas na interface disponibilizada na internet ... 41

Figura 22 Versão em inglês da Interface ... 41

Figura 23 Ícone para baixar os arquivos compactados ... 42

Figura 24 Exemplo de pasta compactada com os arquivos... 42

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Intensidade sonora de tiros de diversos calibres ... 27

Tabela 2 – Apreensões de munições em 2018 segundo ISP... 33

Tabela 3 – Calibre e número de tiros produzidos ... 35

Tabela 4 – Gravações dos tiros... 35

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACP

BID

Automatic Colt Pistol

Banco Interamericano de Desenvolvimento

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CFAE

CBC

Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos Companhia Brasileira de Cartuchos

ICCE ISP

Instituto de Criminalística Carlos Éboli Instituto de Segurança Pública

PCERJ PIB S&W S&B

Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro Produto Interno Bruto

Smith & Wesson Sellier & Bellot

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LISTA DE SÍMBOLOS

dB Decibéis kHz Kilohertz

Mp3 Moving Picture Experts Group player 3 Wav Waveform

Pcm M Kbps Mm SPL

Pulse Code Modulation Metro

Kilobits por segundo Milímetro

Nível de pressão sonora

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 13

1. JUSTIFICATIVA DO PROJETO ... 16

1.1 Noções sobre armas de fogo e munições... ... 20

1.2 Noções sobre acústica de tiros ... 23

2. OBJETIVOS ... 26

2.1 Geral ... 26

2.2 Específicos ... 26

3. METODOLOGIA ... 27

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 34

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 43

REFERÊNCIAS ... 44

ANEXO A - Protocolo de Coleta de Padrões Acústicos ... 46

ANEXO B - Especificações dos microfones ... 48

ANEXO C - Certificado de calibração do decibelímetro ... 49

ANEXO D - Certificado de calibração do termo higro anemômetro... 50

ANEXO E - Armas, munições e outras fontes de Sons Impulsivos ... 51

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INTRODUÇÃO

A escalada da violência no Brasil é um desafio para os gestores responsáveis pela segurança pública. A criminalidade utiliza o poder das armas de fogo para subjugar os cidadãos e enfrentar as forças do Estado. Estima-se que 15,2 milhões de armas estejam em mãos de particulares (DREYFUS,2005) no Brasil. No Rio de Janeiro, o total de armas de fogo apreendidas, em 2018, chegou a 8.721 e o número de munições apreendidas, dos mais variados calibres, alcançou 211.994 unidades, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).

Um estudo recentemente publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que o Brasil é o país, entre os 17 estudados, com o maior custo do crime, representando 53% do custo total da criminalidade na região, e que os gastos com a violência consomem 3,14% do Produto Interno Bruto (PIB), mais do que o dobro de muitos países europeus (CAPRIROLO, 2017). O desgaste dos modelos tradicionais de combate à violência apontam que ações de inteligência e o desenvolvimento de novas tecnologias podem ser um novo caminho para resultados mais eficientes. Neste aspecto, as Universidades podem contribuir muito, oferecendo conhecimento e técnicas que sejam aplicáveis à elucidação de crimes.

Poucas são as linhas de pesquisa nos cursos de pós-graduação que conseguem articular-se com essa importante causa social no nosso país.

Buscando esta articulação, o trabalho aqui apresentado relata a construção de uma base de dados de sons, coletados em condições próximas às ideais, que podem ser utilizados como material de referência para análises acústicas comparativas com gravações questionadas, oriundas de investigações criminais.

A disseminação das mídias sociais, dos equipamentos inteligentes de comunicação (smartphones) e também de sistemas de vigilância eletrônica, produziram um aumento significativo de gravações audiovisuais de crimes. Hoje, são comuns registros policiais que têm como prova uma gravação de áudio ou um vídeo materializando um crime, e cujo interesse criminalístico, muitas vezes, é a identificação de um som impulsivo. Se ele é proveniente de arma de fogo ou não. E se proveniente, qual o calibre provável da arma? E, ainda, quem efetuou o primeiro disparo. Os equipamentos gravadores comumente utilizados para gravações de voz

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humana, impõem um grande desafio ao perito para responder a essas questões tecnicamente.

Apesar de exames em armas de fogo e munições serem uma rotina no trabalho pericial, como a identificação e descrição de armas, a verificação de sua eficácia em produzir tiros, o confronto balístico entre projéteis. As análises acústicas de tiros são, entretanto, um novo campo das ciências forenses.

O perito criminal, muitas vezes, é solicitado a avaliar questões subjetivas, como a capacidade de um ouvinte identificar um tipo particular de arma de fogo com base em seu som. Ou para discriminar entre os sons, se são de dois ou mais diferentes tipos de armas de fogo. O examinador também pode ser solicitado para avaliar a probabilidade de um tiro em uma localização específica ser audível por uma testemunha localizada em outro local (MAHER, SHAW, 2010). Para dimuir a subjetividade nestes exames é importante que se tenha sons de referência que possam ser comparados com os que estão sendo examinados e que procedimentos metodológicos sejam desenvolvidos para o aprimoramento desta área emergente da criminalística.

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1. JUSTIFICATIVA DO PROJETO

Durante o desenvolvimento deste trabalho percebeu-se uma carência de estudos nesta área forense. Uma busca sistemática por artigos com os termos weapons, gunshot e acoustic, na plataforma de periódicos da CAPES, demonstrou a existência de 29 artigos dos quais apenas 10 com o foco na identificação de armas por meio do som. No Google acadêmico, 58 artigos com essa temática específica foram encontrados nos últimos 10 anos. Observou-se neste levantamento que os trabalhos científicos têm maior interesse no desenvolvimento de tecnologias que permitam a identificação da localização do atirador em tempo real. Poucos artigos foram encontrados em periódicos que se propõem a ampliar o conhecimento forense nesta área, com foco a estudar as consequências do som do tiro, com a análise das evidências coletadas da cena de um crime. Por isso, a maioria dos trabalhos é referenciada com base em eventos acadêmicos como congressos e workshops.

Os estudos forenses na perícia criminal sempre evoluíram conforme a demanda dos exames, especificamente em áudio. Partiram das transcrições dos diálogos para a verificação da autenticidade dos registros e identificação dos falantes, que eram os principais interesses da criminalística nos exames em áudios.

Hoje, com a disseminação dos aparelhos digitais de gravação, a demanda é ampliada também para a identificação de sons impulsivos.

Para demonstrar como essa demanda dos exames ocorre, são citados 3 casos reais, que deram entrada no Serviço de Perícia de Áudio e Imagem do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, em que o interesse jurídico recaía na identificação do som impulsivo gravado em mídia digital, que foi apresentada no processo judicial ou no inquérito policial competente. Os casos são descritos a seguir, resguardadas as informações pessoais e as pertinentes ao sigilo das investigações.

Caso 01:

Solicitação de exame pericial oriundo da 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital constando um Incidente Processual composto por 15 páginas, com dois discos óticos do tipo CD-R (Compact Disc Recordable), sendo um da marca ELGIN, que apresenta o registro audiovisual de depoimentos em Juízo, exibidos no

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programa Kentatech; e o segundo disco, da marca MAXPRINT, com a gravação de imagens e vídeos obtidos por um equipamento portátil de gravação do tipo smartphone.

Nesta gravação em vídeo, obtida da janela de um prédio, é registrada uma abordagem policial em uma comunidade carioca. É possível ver quando o Policial Militar dá o comando para que um indivíduo fique parado, é ouvido um som impulsivo e, por reflexo, o policial abaixa-se. O indivíduo não aparece nas imagens, apenas o policial militar em cima de um muro que faz divisa com um terreno baldio onde estaria o indivíduo. O questionamento jurídico principal era se o indivíduo resistiu à prisão efetuando um disparo contra o policial.

Dentre os vários quesitos apresentados pelo Ministério Público, um trazia o seguinte questionamento: “Podem ser identificados ruídos de disparos de armas de fogo?”. O áudio extraído do vídeo revela um sinal impulsivo de grande amplitude com um tempo de mais de um segundo de reflexões acústicas (Fig. 1).

Figura 1 – Aspecto da forma de onda do sinal impulsivo – caso 1

Fonte: O autor. 2019.

Caso 02:

Solicitação de exame pericial oriundo da 22ª Delegacia de Polícia – Penha – em um dispositivo de memória flash do tipo pendrive, que apresenta 3 vídeos gravados, oriundos de um circuito interno de televisão, que monitora a entrada de um imóvel residencial, com vista para a rua e o passeio público. Apenas um dos

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vídeos possui áudio. As imagens registram o momento em que um homem faz um movimento andando para trás e sai do campo de visão das câmeras. Em seguida, ouve-se um estampido, na gravação com áudio.

A autoridade policial, entre outros quesitos, pergunta: “O vídeo ora periciado, salvo no pendrive, gravou algum disparo de arma de fogo?”. O áudio extraído do vídeo registra, em forma de onda, um sinal de grande amplitude seguido de intensa reverberação (Fig. 2).

Figura 2 – Aspecto da forma de onda do som impulsivo – caso 2

Fonte: O autor. 2019.

Caso 3:

Solicitação de exame pericial oriundo da Vara Criminal da Comarca de Magé, em um CD-R (Compact Disc Recordable), gravado com um vídeo, por meio de smartphone, em que um homem, após uma briga no ambiente doméstico, efetua um disparo para o alto. Como as imagens não são nítidas, é questionado se o objeto que o homem segura é uma arma de verdade ou um brinquedo (revólver de espoleta). E se o som produzido é de uma arma de fogo. As imagens extraídas deste vídeo não permitem a visualização de detalhes do objeto, mas o áudio evidencia um som impulsivo com intensidade que sobrepõe a fala das pessoas na gravação (Fig. 3).

Esses casos são exemplos reais que ilustram a casuística dos exames periciais. O tempo de resposta a estes questionamentos determinada em lei é de 10 dias, podendo o prazo ser dilatado a requerimento do perito. Porém não pode o perito a cada caso complexo gastar muito tempo, pois a demanda de exames é

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muito grande. Produzir conhecimento e material de referência para estudos comparativos é essencial para exames criminais, isso ajuda na pronta resposta aos questionamentos e na qualidade dos resultados.

Figura 3 – Aspecto da forma de onda do som impulsivo – caso 3

Fonte: O autor, 2019.

1.1 Noções sobre arma de fogo e munições

Arma de fogo é definida no Decreto 3665, de 20 de novembro de 2000, como:

arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil (BRASIL, 2000).

A eficácia de uma arma está relacionada á sua capacidade de produzir tiros, neste ponto é importante fazer a distinção entre os termos “disparo” e “tiro”, pois muitas vezes eles são utilizados de forma sinônima, mas tecnicamente referem-se a ações distintas. Disparo é quando há o acionamento do mecanisno da arma e tiro é quando há a deflagração do cartucho de munição (TOCHETTO, 1999). Isso porque a ignição do propelente da munição depende de ações mecânicas prévias, que podem produzir com efetividade ou não a ignição do propelente e, consequentemente, a expulsão do projétil.

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O projétil é parte integrante do cartucho de munição, que típicamente é composto por: projétil, estojo, propelente e espoleta (Fig. 4).

Figura 4 – Partes de um cartucho de munição

Fonte: O autor, 2019.

Os mecanismos de ação para o disparo de uma arma de fogo podem ser do tipo repetição, semiautomático e automático. O mais simples, comumente utilizado é o modo de repetição de revólveres, em que a espoleta é percutida por ação do cão, com o acionamento do gatilho. A Fig. 5 ilustra as principais partes mecânicas envolvidas no disparo de um revólver.

Figura 5 – Revólver engatilhado

Fonte: O autor, 2019.

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Nas armas semiautomáticas, como as pistolas (Fig. 6), os gases produzidos pela combustão do propelente, além de expulsarem os prójéteis, promovem outras ações, como o engatilhamento do cão, extração dos estojos e alimentaçao da câmara. E os tiros são produzidos a cada acionamento do gatilho.

Figura 6 – Partes de uma pistola semiautomática

Fonte: Cartilha de armamento e tiro da polícia federal, 2019.

Nas armas automáticas, como os fuzis e metralhadoras, o acionamento do gatilho dispara tiros em forma contínua (rajada), até que a munição no carregador acabe ou haja a liberação do gatilho. Em muitas armas automáticas, as ações de engatilhamento, extração do estojo e alimentação da câmara são promovidas com o aproveitamento da pressão dos gases, que são parcialmente desviados em um ponto no cano, fazendo com que seja movimentado um êmbolo que irá acionar as partes mecânicas para esta operação (TOCHETTO, 1999).

Todas essas ações envolvidas culminam com a combustão do propelente que libera gás em alta temperatura e, assim, grande energia. Este gás aumenta a pressão interna dentro do estojo até o ponto em que o projétil se desprende do estojo, sendo empurrado gradualmente para frente pelos gases em alta temperatura, que continuam agindo e aumentando a energia do projétil, até que este saia do cano da arma. A velocidade de inflamação do propelente é controlada para cada tipo de arma (curta ou longa), (TOCHETTO, 1999) dado que a queima ocorre ainda no cano da arma. Essas particularidades produzem sons impulsivos com características acústicas diferentes, determinados por fatores como o calibre da munição, tamanho

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do cano e as propriedades químicas do propelente (CHACÓN-RODRÍGUES,et al., 2011).

1.2 Noções sobre acústica de Tiros

As pesquisas bibliográficas sobre a acústica de tiros delimitam o tema principalmente em dois grandes campos, que se concentram na localização do atirador e a busca de assinaturas acústicas de tiro. O primeiro, de aplicação simultânea ao tiro, tem interesse policial ou estratégico/militar. E o segundo, aplicado à gravações que registram o som do tiro, objetiva classificar ou identificar tipos específicos de armas de fogo com interesse criminalístico. É com este foco que o presente trabalho visa contribuir, delimitando a área do trabalho.

A revisão da literatura demonstra que os primeiros estudos sobre a acústica de tiros foram descritos em 1946, por Dumond et al. (1946), no trabalho “A Determination of the Wave Forms and Laws of Propagation and Dissipation of Ballistic Shock Waves”. Ali são descritas as formas de onda e as leis físicas de sua propagação e dissipação a uma distância de 80 jardas (equivalente a 73 metros) percorridas por projéteis de diferentes calibres. Ele descreveu em seu trabalho que, após o disparo dos calibres estudados (0.30, 0.50, 20 mm e 40 mm), a onda de choque produzida gerou um pico de pressão súbito (A), que é seguido por um decréscimo linear de pressão, até ligeiramente abaixo da pressão atmosférica.

Em seguida, há um outro pico de pressão súbito (B), em um determinado tempo (T) correlacionado ao calibre utilizado. Ele chamou esse perfil de onda de “onda-N”

devido ao seu traçado que lembra esta letra.

Figura 7 – Esquema geral da variação da forma de onda de um tiro, onda - N.

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Fonte: adaptado de DUMOND, 1946.

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Os trabalhos de Koenig et al. (1988) relatam um experimento de campo em que foram utilizados gravadores analógicos e digitais para capturar sons de armas convencionais (pistolas, revolveres e espingarda). A informação sonora coletada foi então avaliada e correlações visuais e estatísticas foram encontradas. Este trabalho pioneiro também trouxe recomendações para as próximas pesquisas na caracterização de outros componentes acústicos e descreveu novas aplicações para exames forenses. Tipicamente, o som de um tiro pode ser caracterizado por 4 componentes acústicos, segundo Maher (2007), são eles:

a) A explosão na boca do cano, em inglês Muzzle Blast.

Uma arma de fogo convencional usa o propelente do cartucho de munição para impulsionar o projétil para fora do cano da arma. O som oriundo da explosão do propelente é emitido em todas as direções, mas a maior parte desta energia acústica é expelida no sentido do cano da arma. A energia sonora que emana da boca do cano dura tipicamente menos de 3 milissegundos. A onda acústica propaga-se pelo ar na velocidade do som (343 m/s a 20° C), interagindo com os obstáculos, vento, temperatura e umidade do ar. Se um microfone de gravação está localizado perto da arma de fogo, o som direto da explosão na boca do cano é o principal sinal acústico captado.

b) Sons da ação mecânica da arma, em inglês, Mechanical actions.

As armas utilizam partes móveis que fazem o carregamento na câmara, percussão da espoleta e extração do estojo de munição. Essas ações produzem sons característicos. Algumas armas podem ter o som de suas ações mecânicas registradas, por exemplo, em gravações de circuitos fechados ou conversas telefônicas gravadas que ocorrem próximas ao atirador enquanto ele prepara a arma e ainda por meio de redes sociais para fazerem ameaças.

c) Som de Projétil supersônico, em inglês, Supersonic Projectile

Além da explosão na boca do cano e da ação mecânica, uma terceira fonte de informações acústicas do tiro está presente em projéteis que se deslocam em velocidade supersônica (acima de 340 m/s). A passagem do projétil supersônico produz um cone de onda de choque, devido ao deslocamento do ar causado pelo movimento do projétil. O ângulo Mach formado entre a trajetória do projétil e a

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propagação da onda de choque está intimamente relacionado à velocidade do projétil.

Figura 8 – Geometria da onda de choque em projéteis supersônicos

Fonte: Adaptado de MAHER, 2007.

d) Vibração de superfície

A vibração acústica de um som impulsivo pode também propagar-se através do solo ou outras superfícies sólidas. A propagação do som no solo é tipicamente 5 vezes mais rápida do que a velocidade do som no ar, portanto, é possível correlacionar o movimento vibratório da superfície com a propagação pelo ar.

Esses sons, como quaisquer outros, podem ser afetados pela reflexão, atenuação, absorção, difração, focalização e outras modificações da onda à medida que se propagam, descaracterizando sua natureza. Este é o principal desafio para os estudos em acústica forense.

Em trabalhos posteriores Maher & Shaw (2010) constataram que a variação da orientação do cano da arma em relação à posição do microfone utilizado para gravações, provoca consideráveis alterações nascaracterísticas do sinal registrado, sendo essas alterações significativamente maiores do que quando comparadas ao

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sinal obtido com armas de fogo diferentes posicionadas na mesma inclinação em relação ao cano da arma.

A gravação de sons de tiros, para análises acústicas, torna-se complexa mesmo em condições controladas, e pioram quando não se conhecem as circunstâncias e os equipamento utilizados em uma gravação. A resposta de telefones celulares e de gravadores de áudio comuns para sons impulsivos, como o som de tiros, não foi ainda estudada de forma sistemática, e esta falta de conhecimento limita seriamente a capacidade de um examinador forense tirar conclusões confiáveis de uma evidência acústica (MAHER, ROUTH, 2015). O problema na acústica forense de tiros é que os sons são compostos por um ou mais eventos acústicos, e as características da forma de onda de qualquer evento dependem de muitas variáveis diferentes: fonte, canal, receptor entre outros. E a maioria dos tiros registrados em condições reais não se adequam a modelos teóricos (BECK et al., 2011). Por isso, é essencial que se tenha padrões que permitam entender o quanto alguns fatores, como a posição do gravador, o tipo de microfone, a compressão e o ambiente influenciam na modificação deste sinal.

Estudos em audiologia demonstram que a intensidade sonora dos tiros produzidos por diversas armas de fogo excedem o nível 140 dB, em condições de coleta com equipamentos próximos à arma, simulando o posicionamento de uma pessoa, acompanhante do atirador (MEINKE et al., 2014). Tais estudos, cujo interesse é dimensionar o dano auditivo, revelaram também que o tipo de armamento exerce importante influência na intensidade sonora do tiro.

Nos revólveres, a câmara de explosão dos cartuchos está instalada em um tambor giratório alinhado com o cano, mas com uma folga de poucos milímetros que evita o trancamento do tambor pela dilatação do material causado pelo aquecimento.

Nesta folga escapa parte da energia do propelente, e assim a intensidade sonora na lateral da arma é grande. Nas pistolas, a câmara faz parte da culatra do cano, e a saída dos estojos pela janela de ejeção ocorre após a deflagração da munição, portanto o escape do som acontece com energia bem menor.

O tamanho do cano também parece influenciar consideravelmente na intensidade sonora produzida. Os estudos de Meinke et al (2014) permitem-nos extrair, também, que munições de mesmo calibre, quando disparadas por armas diferentes, não produzem a mesma intensidade de sinal. Um rifle e uma pistola

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disparando um cartucho de munição .22LR apresentou uma variação de 17,9 dB (Tab. 1).

Tabela 1 – Intensidade sonora de tiros de diversos calibres

Arma Calibre Intensidade sonora em

dB SPL

Fuzil M14 7,62mm X 51mm 159,0

Fuzil Colt AR-15 5,56mm 158,9

Pistola Glock 17 9mm 163

Pistola Sig Sauer P228 9mm 160

Pistola Ruger GP 100 .38 164,7

Pistola Smith&Wesson .38 164

Pistola Smith&Wesson .357 169

Pistola Glock 22 .40 S&W 159

Pistola Colt 1911-1A. 45 ACP 159

Pistola Smith&Wesson LR CTG .22LR 157,5

Rifle Remington 514 .22LR 139,6

Fonte: adaptado de MEINKE et al., 2014.

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2. OBJETIVOS

2.1 Geral

Elaborar um banco de dados com padrões de referência de sons produzidos por armas de fogo de diversos calibres, coletados em condições acústicas controladas, disponibilizando o acesso aos arquivos sonoros por meio da internet.

2.2 Específicos

a) identificar os calibres e tipos de armas mais envolvidos em ocorrências policiais no Rio de Janeiro;

b) construir uma estrutura física, desmontável, de fácil transporte, que permita a coleta dos sons das armas com segurança e sem reflexões;

c) propor uma metodologia aplicável à coleta de sons impulsivos, com mínima interferência;

d) gravar os sons dos tiros e das ações mecânicas das armas;

e) catalogar e disponibilizar os arquivos gravados pela internet;

f) aplicar as informações coletadas nos exames de confrontos acústicos do Serviço de Perícia de Áudio e Imagem do Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

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3 METODOLOGIA

A forma ideal de coleta de sons impulsivos é em câmara anecóica, que evita a reflexão do sinal acústico com o solo ou paredes. Entretanto, efetuar disparos de armas de fogo em uma câmara fechada é inviável e perigoso. Por isso, adaptamos a metodologia proposta por Maher (MAHER, 2015), utilizando uma plataforma que eleva a 3 metros a posição do atirador, bem como tripés para elevação dos microfones. Esta plataforma de tiros foi construída em estrutura tubular metálica, desmontável, com piso rígido em madeira de 1m2, que permite o bom posicionamento do atirador, mesmo utilizando armas longas com calibres de grande energia (figura 9).

O conjunto formado pela plataforma, 7 tripés e mesa dos equipamentos podem ser desmontados e transportados facilmente no porta malas de um veículo sedan, com o banco traseiro rebatido. Isso para se adequar às viaturas policiais mais comuns oferecendo a possibilidade de sua utilização em cenas de crime se for necessário. A facilidade no transporte se mostrou útil também para a realização das coletas dos sons, que foram realizadas nos estandes de tiros da Associação de Tiro de Duque de Caxias e no Clube de Caça e Tiro Nacional, em São Gonçalo, municípios do Estado do Rio de Janeiro.

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Figura 9 – Plataforma e os demais equipamentos montados

Fonte: O autor, 2019.

Esta forma de coleta elevada do solo não elimina reflexões acústicas e reverberações, mas como o som viaja 1 metro em aproximadamente 3 milissegundos, posicionando a arma de fogo e os microfones mais distantes das superfícies refletoras, a chegada das primeiras reflexões será adiada em comparação com a chegada direta do som no microfone (figura 10). Aumentando o espaçamento entre a arma de fogo e o solo, o caminho acústico do som refletido ocorrerá entre 10 ou mais milissegundos após a chegada direta do som, e esse atraso é suficiente para que todo o som direto seja primeiro coletado, produzindo assim um resultado quase anecóico.

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Figura 10 – Gravação quase anecóica com microfones suspensos em relação ao solo

Fonte: O autor, 2019.

Para a captura do som dos tiros foram utilizados microfones de medição CSR MR2000 que possuem resposta frequencial plana com limitação quanto à intensidade máxima de sinal de entrada em torno de 130 dB SPL (Anexo B), instalados em tripés com ajuste telescópico de altura. Para evitar a saturação do sinal, os microfones foram posicionados para cima. Foi utilizado também um decibelímetro modelo KR853, com certificado de calibração válido (Anexo C), ajustado para resposta rápida (fast) e ponderação em C, com registros de dados, na medição prévia à coleta e durante a coleta. Este modelo também tem limitação acústica de 130dB SPL, por isso o seu posicionamento durante a coleta ficou a 90º graus da arma e a uma distância de 6 metros. Os sons foram capturados em uma placa Tascam modelo US 16X08, com todas as entradas sincronizadas pelo software SONAR LE, ajustadas para 96kHz, 24bits, wav pcm.

Para referenciar as condições atmosféricas do microclima local, um termo higroanemômetro digital, modelo KR825, com certificado de calibração válido (Anexo d), foi utilizado em todas as ocasiões das coletas. As coletas foram realizadas em locais abertos para minimizar possíveis reflexões.

O arranjo espacial dos microfones durante a coleta é de extrema importância, os 7 microfones de medição, ominidirecionais, foram posicionados a 3 metros da

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arma e distribuídos a 3º, 30º, 60º, 90º, 120º, 150º e 180º da linha de tiro (figura 11).

Foram produzidos 10 tiros, espaçados, para cada calibre. Armas que operam em modo automático (rajada) foram contempladas com mais amostras do mesmo calibre com esse mecanismo de disparo.

Figura 11 – Sistema quase anecóico para gravação dos padrões

Fonte: O autor, 2019.

Esta forma de coleta de sons permite analisar os componentes acústicos da forma de onda do sinal, sem a interferência na propagação das reflexões, sendo útil por exemplo, para estudos experimentais de algoritmos de reconhecimento de padrões. A fim de tornar mais aplicável aos exames na esfera criminal, onde a fonte de gravação dos sons frequentemente não é a ideal, foi utilizado simultaneamente aos microfones de medição, um gravador de voz portátil, ajustado para gravar em .wav ADPCM 24kHz. A gravação neste equipamento, apesar de não ser a mais comum na casuística dos exames periciais, permite uma comparação de como se comporta um microfone de menor dimensão na gravação, já que o diâmetro do transdutor do microfone influencia diretamente na captação dos sons impulsivos dos tiros, que podem ser descritos como um sinal de banda larga com conteúdo de alta frequência (RASMUSSEN et al., 2019).

Dada a distância de 3 metros e a capacidade de resposta dos microfones utilizados, limitada a 130dB, os tiros reais ultrapassaram esse limiar, ocorrendo a clipagem do pico do sinal. Essa limitação reproduz o que acontece nos gravadores

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de uso doméstico que originam a maioria das gravações questionadas presentes na rotina dos exames periciais. Para evitar a clipagem, os microfones foram posicionados para cima e protegidos com espuma acústica que funciona como atenuador de sinal (fig. 12). De outra maneira, a clipagem do sinal só seria evitável se fosse utilizado um microfone de medição com capacidade de mais de 170dB SPL, e uma placa de captura com taxa de amostragem muito superior, o que encareceria sobremaneira este projeto inviabilizando-o financeiramente, já que todos os equipamentos foram obtidos ás expensas do autor. O sistema de gravação proposto é de baixo custo, para que possa ser replicado por outros interessados e aplicado no trabalho pericial do Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Figura 12 – Arranjo do microfone e gravador digital

Fonte: O autor, 2019.

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32

A compressão do áudio é outro fator de alteração do sinal que precisa ser melhor estudado (BECK et al., 2011). Por isso visando fornecer material para estes estudos um gravador digital Tascam DR-100 foi posicionado a 10m de distância perpendicular ao posicionamento do atirador e ajustado para capturar no formato mp3, 128kbps.

As ações mecânicas das armas produzem sons característicos, e também foram gravadas em wav, pcm, 44kHz, 16bits, a uma distância de 50cm. Para cada arma 10 eventos seguidos foram gravados; do som da ação dupla do gatilho sobre o cão nos revólveres, e no golpe do ferrolho nas pistolas e outras armas semiautomáticas.

Este trabalho, pelas suas características, envolveu uma complexidade jurídica devido à utilização de armas de calibre de uso restrito, por isso foi necessária parceria com outras entidades como o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), a Diretoria Geral de Polícia Técnica e a Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).

A dificuldade logística demonstrou ser o obstáculo mais difícil a ser superado.

Muitas tratativas foram realizadas até que se alcançou um caminho para a liberação das armas e munições e um local para a realização da coleta dos padrões acústicos.

Outro grande obstáculo que surgiu durante a pesquisa bibliográfica foi a falta de informação sobre o assunto desta pesquisa. Banco de dados sonoros disponível para consulta são raros, e ainda mais raro são aqueles com informações precisas sobre o modo de gravação.

A fim de tornar o trabalho mais objetivo, buscou-se identificar os calibres mais usualmente envolvidos em crimes. Consultando-se os dados estatísticos publicados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), no ano de 2018, registrados no endereço eletrônico <http://www.ispvisualizacao.rj.gov.br/Armas.html> sobre apreensões de armas e munições, identificou-se que, entre as munições apreendidas no Rio de Janeiro, os calibres mais comuns são: 7.62mm, 5,56mm, 9mm Luger, .38, .380 ACP, .40S&W. Tais calibres representaram mais de 80% das munições apreendidas pelas polícias do Rio de Janeiro, em 2018 (Tab. 2).

Por isso, esses calibres foram os primeiros a alimentarem o banco de dados.

As armas e munições utilizadas foram emprestadas para o experimento pela CFAE, e pelo Serviço de Perícia de Armas de Fogo (SPAF) do ICCE e são descritas no Anexo E.

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Tabela 2 – Apreensões de munições em 2108 segundo ISP

Calibre Total de apreensões em 2018

7,62mm 27.642

5,56mm 26.020

9mm Luger 53.997

.38 15.952

.380 ACP 13.467

.40 S&W 36.600

Demais calibres 38.316

Total 211.994

Fonte: adaptado de ISP. 2018.

(36)

34

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Cabe aduzir que o objetivo principal deste trabalho é produzir material de referência, para utilização em exames periciais onde será possível comparar com os áudios oriundos de gravações reais, nos mais diferentes suportes. Não serão apresentados aqui os resultados dos exames periciais em que os áudios gravados foram utilizados, por questões jurídicas relativos ao sigilo das investigações e preservação da identidade dos envolvidos.

Vencidas as etapas iniciais do projeto, que demandou muito tempo com a construção e aquisição de equipamentos, além de toda a logística para a liberação e empréstimo das armas e munições, finalmente procedeu-se a coleta dos sons.

Foram produzidos 10 tiros de cada calibre, com munições de mesmo fabricante e 6 tiros em rajadas com as armas com esse mecanismo de ação (tab 3). Isso resultou vários arquivos de áudio de fontes de gravação diferentes, que podem ser resumidas em: uma gravação sincronizada onde o mesmo áudio é captado simultaneamente por 7 microfones; uma gravação não sincronizada obtida por 7 gravadores digitais; uma gravação no formato mp3 obtida a distância de 10m (tabela 4).

Tabela 3 – Calibre e número de tiros produzidos

Calibre Arma Nº de Tiros Rajada

7,62mm x 51mm Fuzil Imbel Fal 10 6

7,62mm x 39mm Fuzil AK47 10 6

5,56mm Fuzil Imbel MD97 10 6

5,56mm Fuzil Colt M16 10 6

9mm Luger Pistola PT99 10 -

.38 Revólver Taurus 4” 10 -

.38 Revólver Taurus 21/2” 10 -

.38 Revólver Taurus 2” 10 -

.380 ACP Pistola Taurus PT938 10 -

.380 ACP Pistola Glock G25 10 -

.40 S&W Pistola Taurus PT940 10 -

.40 S&W Pistola Imbel GC MD5 10 -

Fonte: O autor, 2019.

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Tabela 4 – Gravações dos tiros

Gravação Posição

Gravação sincronizada Wav pcm

24 bits 96kHz

3mt e a 3º da linha de tiro 3mt e a 30º da linha de tiro 3mt e a 60º da linha de tiro 3mt e a 90º da linha de tiro 3mt e a 120º da linha de tiro 3mt e a 150º da linha de tiro 3mt e a 180º da linha de tiro

Gravação não sincronizada Wav adpcm

24 bits

3mt e a 3º da linha de tiro 3mt e a 30º da linha de tiro 3mt e a 60º da linha de tiro 3mt e a 90º da linha de tiro 3mt e a 120º da linha de tiro 3mt e a 150º da linha de tiro 3mt e a 180º da linha de tiro Gravação em mp3 128kbps 10mt e a 90º da arma Fonte: O autor,2019.

Ampliando a abrangência do projeto, foram gravados também os sons das ações mecânicas das armas utilizadas na produção dos tiros, já que é de interesse criminal a identificação desses sons, pois não são incomuns nas ameaças e exibicionismos de criminosos, em redes sociais, a presença de sons análogos a esses. Para exemplificar como esses áudios se apresentam, a seguir é exibida a forma de onda dessas gravações com dez disparos por acionamento do gatilho em ação dupla e dez disparos com o engatilhamento manual do cão (ação simples) (fig.13). Da mesma maneira, uma pistola com a gravação de 10 engatilhamentos por acionamento do ferrolho (golpe) seguido do acionamento do gatilho e 10 acionamentos do gatilho sem o golpe no ferrolho (fig.14). Esses sinais gravados, obviamente dependem da velocidade de acionamento e da força empregada manualmente para realização do movimento, mas mesmo assim, guardam algumas diferenças que podem ser úteis para um exame comparativo com uma gravação questionada.

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36

Figura 13 – Gravação das ações mecânicas de um revólver calibre .38

Fonte: O autor, 2019.

Figura 14 – Gravação das ações mecânicas de uma pistola Taurus PT938

Fonte: O autor, 2019.

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As gravações permitem a análise acústica do sinal, evidenciando a forma de onda quase anecóica proposta nesta metodologia (fig.15) e com as reflexões (fig.16) na gravação a 10mt de distância. Também foram gravados sons impulsivos que podem ser confundidos com tiros, como o de bombas juninas (fig.17) e sons de armas de brinquedo e de pressão que podem ser confundidas com armas de fogo (simulacros) (fig. 18 e 19).

Figura 15 – Gravação quase anecóica de tiros de Fuzil calibre 7,62 X 51mm

Fonte: O autor, 2019.

Figura 16 – Gravação de tiros de Fuzil calibre 7,62 X 51mm com reflexões

Fonte: O autor, 2019.

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38

Figura 17 – Forma de onda do som de uma bombinha junina

Fonte: O autor, 2019.

Figura 18 – Gravação do som produzido por uma arma de pressão

Fonte: O autor, 2019.

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Figura 19 – Gravação do som de uma arma de brinquedo

Fonte: O autor, 2019.

Todos os sons gravados estão disponíveis no endereço eletrônico

<www.soundshot.com.br> (fig.20). Este domínio hospedará os arquivos até que se tenha um número mais expressivo de sons de armas coletados e algum órgão oficial disponibilize em seu site o espaço para esta hospedagem.

Neste endereço eletrônico, uma breve exposição sobre a metodologia de coleta dos sons está disponível em português e inglês (fig.21 e 22). A interface gráfica que orienta sobre os arquivos sofreu alteração por questões técnicas.

Inicialmente, foi construído um layout que permitisse ouvir os áudios e baixá-los individualmente. Mas essa proposta exigia conversões individuais dos arquivos que se mostraram demoradas devido às etapas antes dos uploads dos dados. Nesta segunda versão, todos os arquivos estão em um mesmo diretório de arquivos, e podem ser baixados no formato .zip.

Para isso, uma imagem da arma com seu cartucho de munição, seguida de sua identificação, orienta na localização dos arquivos (fig.23). Os sons dos tiros estão gravados em um único diretório com o mesmo nome do modelo e calibre da arma. Neste diretório, os sons são identificados individualmente pelo posicionamento do microfone. E ainda está presente a gravação do sons das ações mecânicas da arma colhidos a curta distância. Um arquivo texto contém as informações sobre a coleta com data, hora, local, condições climáticas e a medida da intensidade sonora máxima em decibéis (fig. 24).

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Figura 20 – Imagem de abertura da interface disponibilizada na internet

Fonte: O autor, 2019.

Figura 21 – Explicações metodológicas na interface disponibilizada na internet

Fonte: O autor, 2019.

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Figura 22 – Versão em inglês da Interface

Fonte: O autor, 2019.

Figura 23 – Ícone para baixar os arquivos compactados

Fonte: O autor, 2019.

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42

Figura 24 – Exemplo de pasta compactada “Pistola Taurus PT938.zip” com os arquivos

Fonte: O autor, 2019.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este projeto identificou uma carência na área pericial dos exames em áudio, e a fim de sanar essa carência, criou uma infraestrutura com materiais, equipamentos e iniciou a produção de materiais de referência para perícia na área da acústica de tiros. A base de dados aqui proposta não está completa dada a variedade de armas e munições, de diferentes calibres, existentes. Por isso a alimentação dos dados deve ser constantemente atualizada, por ser apenas a segunda versão a interface que hospeda os áudios deve ser melhorada com novos atalhos e melhor interatividade. É por isso que ainda está em um domínio privado, que permite ao administrador implementar melhorias e adicionar mais dados à medida que são coletados e tratados.

A perícia criminal é carente de base de dados em todas as áreas, pois a velocidade de resposta de uma investigação criminal não permite que longos estudos e experimentos sejam realizados a fim de construir materiais de referência para utilização nos exames periciais.Durante a pesquisa bibliográfica deste trabalho nenhuma base de dados nestes moldes foi encontrada na internet. Talvez esta seja a primeira que ofereça áudios como material de referência para exames periciais e demais pesquisas em acústicas de tiros.

O conhecimento produzido durante a construção deste projeto já foi útil na aplicação de exames periciais, em que a autoridade policial questionava sobre o som impulsivo existente em gravações apresentadas como provas em inquéritos policiais. Se foram úteis aqui, certamente serão em outros estados brasileiros nos seus respectivos Institutos de Criminalística. É importante lembrar que as gravações questionadas apresentadas a exame pericial normalmente não chegam com a qualidade desejada, por isso, muitas vezes, os exames são inviabilizados. Mas, mesmo não havendo a possibilidade do exame, cabe ao perito justificar essa inadequação, e, mesmo nestas condições materiais de referência, são úteis para demonstrar esse fato.

(46)

44

REFERÊNCIAS

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05/11/2018.

TOCHETTO, D. Balística Forense: aspectos técnicos e jurídicos. Porto Alegre.

Sagra Luzatto Editores. 2003. 202p.

(48)

46

ANEXO A - Protocolo de coleta de padrões acústicos

Data: ____/____/_____ Horário: _________________ Local:

________________

Condições climáticas: Temp: ______ Umidade: _______ Velocidade máx.

do ar: __________

Calibre Modelo da Arma

Munição nº de tiros

Obs:

1

2

3

4

5

6

7

8

9

(49)

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

(50)

48

ANEXO B – Especificações dos microfones

(51)

ANEXO C – Certificado de calibração decibelímetro

(52)

50

ANEXO D – Certificado de calibração termo higro anemômetro

(53)

ANEXO E – Armas, munições e outras fontes de sons impulsivos utilizados

Fuzil Imbel FAL 7,62 x 51mm munição CBC

Fonte: O autor. 2019.

Fuzil AK47 7,62 x 39mm munição S&B

Fonte: O autor, 2019.

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52

Fuzil Imbel MD97 5,56 munição CBC perfurante

Fonte: O autor, 2019.

Figura 9 – Pistola Taurus PT99 9mm Luger munição CBC +P+ frangível

Fonte: O autor, 2019.

(55)

Figura 10 - Pistola Imbel GC MD5 .40S&W munição CBC frangível

Fonte: O autor, 2019.

Figura 11 – Pistola Taurus PT940 .40S&W munição CBC frangível

Fonte: O autor, 2019.

(56)

54

Figura 12 - Pistola Glock G25 380ACP munição CBC ponta oca

Fonte: O autor, 2019.

Figura 13 – Pistola Taurus PT938 380ACP munição CBC ponta oca

Fonte: O autor, 2019.

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Figura 14 - Revólver Taurus 4 polegadas 38 SPL munição CBC +P+

Fonte: O autor, 2019.

Figura 15 - Revólver Taurus 2 polegadas e meia 38 SPL munição CBC +P+

Fonte: O autor, 2019.

(58)

56

Figura 16 - Revólver Taurus 2 polegadas 38 SPL munição CBC +P+

Fonte: O autor, 2019.

Além dos tiros reais foram coletados ainda sons impulsivos que podem ser confundidos com tiros. E sons produzidos por simulacros de armas de fogo.

Figura 17 - Simulacro de revólver com espoletas de plástico

Fonte: O autor, 2019.

(59)

Figura 18 - Arma de pressão calibre 5,5mm CBC Nitro X 1000

Fonte: O autor, 2019.

Figura 19 - Arma de pressão do tipo Airsoft

Fonte: O autor, 2019.

Figura 20 - Bomba número 1 e traque

Fonte: O autor, 2019.

Figura 21 - Bolas de gás

Fonte: O autor, 2019.

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