IV SIMPÓSIO NACIONAL DE EMPREENDEDORISMO SOCIAL ENACTUS BRASIL

Texto

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IV SIMPÓSIO NACIONAL DE EMPREENDEDORISMO SOCIAL

ENACTUS BRASIL

NOMADE: DE PROJETO ENACTUS À STARTUP

Lais Alves Silva

1

(Autora) Maria Gabriela Carregosa De Santana

2

Vinicius Mattos Von Dollinger

3

Alexandre Ali Guimarães

4

Maria Alice Caggiano Lima

5

(Coautores) Resumo

Este relato mostra todas as etapas de um projeto da Enactus que se tornou uma startup. Como a equipe do Projeto Nomade iniciou este projeto e todas as transformações durante essa trajetória e que tornou possível a criação de uma empresa de negócios sociais. Este negócio social hoje é uma solução logística para a produção de orgânicos e sua distribuição. Buscando de forma mais abragente, com custo mais acessível possivel para o consumidor final e o aumento do ganho do produtor rural com sua produção, sendo que estes muitas vezes são de produção familiar de pequenas propriedades. O Nomade surge com o propósito de universalizar a alimentação consciente, conectando diferentes realidades.

Palavras-chave: economia colaborativa; Negócio social; produtores orgânicos; alimentos orgânicos; logísitica.

Abstract

This report shows all the steps of an Enactus project that has become a startup. As the Nomade Project team started this project and all the transformations during that trajectory and that made possible the creation of a social business enterprise. This social business today is a logistical solution for the production of organic and its distribution. Seeking in a more comprehensive way, with the most accessible cost possible for the final consumer and the increase of the gain of the rural producer with its production, which are often of family production of small properties. The Nomade comes with the purpose of universalizing conscious eating, connecting different realities.

Keywords: collaborative economy; Social business; organic producers; organic food;

losgistic.

1

Professora – Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET/RJ – lais.alves@cefet-rj.br

2

Graduanda em Engenharia de Produção – Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET/RJ – gabicarregosa@gmail.com.br

3

TAE Coordenador da ITESS – Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET/RJ – vinicius.doellinger@cefet-rj.br

4

Professor – Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET/RJ – alexandre.guimaraes@cefet-rj.br

5

Professora e Diretora de Extensão - Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET/RJ - acaggiano@cefet-

rj.br

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INTRODUÇÃO

Enquanto o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo, apenas 15% da população urbana consome alimentos livre de agroquímicos. Esse uso exacerbado mata 5 vezes mais trabalhadores rurais que os conflitos agrários, segundo a Pastoral da Terra. E isso tudo, por causa de uma crença de que usar aditivos químicos é necessário para produzir a quantidade de alimentos neceesários.

Um extenso estudo da Associação Brasileira de Saúde Pública, chamado de Dossiê de Alerta sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde, mostrou que a produção de alimentos intoxicados não é uma necessidade irremediável para assegurar o abastecimento de alimentos.

Já que sistemas orgânicos de produção alcançam sistematicamente rendimentos físicos iguais ou superiores aos dos sistemas convencionais, segundo pesquisas da Universidade de Michigan.

Só em 2016 o mercado de alimentos orgânicos no Brasil movimentou 2,5 bilhões de reais e com crescimento previsto de 30%, segundo a Organics Brasil, o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável. A procura por orgânicos se consolida como estilo de vida estilo de vida motivado pela necessidade de cuidar de si e da mãe natureza, mas dificultado pela gourmetização dos orgânicos, que exclui grande parcela da população.

Só que existe um porém nesse cenário: apesar dos números de encher os olhos, quem ganha bem com a remuneração dessas atividades não é quem produz. Todos os dias, milhares de pequenos agricultores sofrem com a dificuldade de escoar sua produção e ficam subordinados a grandes atravessadores, que compram barato e revendem super caro na cidade.

Observando essa oportunidade, o time Enactus cefet RJ desenvolveu o projeto Nomade em novembro de 2017. O Nomade surgiu com o objetivo de se tornar um negócio social e pautou suas ações a partir de dois cenários muito claros.

De um lado, pequenos produtores de orgânicos tinham um grande desperdício de alimentos por falta de venda, não tinham reconhecimento e divulgação e gastavam muito pra participar de feiras de rua. Do outro, o consumidor da cidade buscava cada vez mais alimentos orgânicos e tinha maior preocupação com a saúde.

A partir dessas análises, a Nomade surge com o propósito de universalizar a

alimentação consciente, conectando diferentes realidades. Dessa forma, foi trabalhado para

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aumentar o acesso de produtores aos grandes centros urbanos, profissionalizando o processo de escoamento de produtos e praticando o comércio justo.

HISTÓRIA.

O projeto Nomade surgiu através do antigo projeto Gaia do time Enactus CEFET/RJ, que em parceria com a empresa Comida da Gente (CDG) auxiliava pequenos e médios produtores a entrarem em uma plataforma colaborativa de compras e vendas na plataforma do

“Facebook”. Com a finalização do projeto Gaia, o time percebeu a potência da equipe em estruturar algo maior e que pudesse ter continuidade após o desligamento do projeto com o time em formato de negócio social.

Depois de levantar o tamanho e necessidades do mercado, foi iniciado o trabalho na Nomade gerenciado pela membro do time Gabriela Carregosa. Usando conceitos de Design Thinking, o primeiro momento focaram em fazer pesquisas de mercado para desenvolver um produto de acordo com um problema real de pessoas. A partir disso, foi desenhado um modelo de negócio a partir de um Business Model Canvas, definindo público alvo, atividades operacionais e custos primordiais para o inicio das atividades.

PRIMEIRA FASE DO PROJETO NOMADE

O modelo inicial do Nomade foi baseado na definição de uma empresa peers inc, que é um tipo de empresa que se convcentra nos pontos forte do seu negócio. Neste caso, conecta 3 atores econômicos da sociedade para criar um modelo de negócio B2C colaborativo e sustentável: produtores, deslocadores e consumidores.

Atraves de listas de produtos, os produtores vendiam pelo Nomade e economizavam no transporte de seus produtos e assim evitavam a participação de feiras que chegam a custar 7 vezes mais caro do que o serviço prestado pelo Nomade. Eles evitavam ainda o desperdício dos alimentos, um dos maiores agentes da crise alimentícia e atingiramm novos e promissores mercados de pessoas que não possuem ou têm o seu acesso encarecido na grande cidade.

Os deslocadores, o que deu o nome do projeto, que eram chamados de “nômades”,

eram pessoas comuns que usariam a capacidade excedente da sua rota diária para transportar

os produtos do local de produção até os pontos fixos dentro da cidade, estabelecimentos

parceiros que ofereciam sua capacidade de armazenamento em troca de divulgação local e

digital na rede do Nomade. Através de uma plataforma digital desenvolvida pelo time da

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Enactus, os consumidores podiam comprar e escolher o ponto onde querem retirar os produtos.

A forma de gerar receita era um percentual cobrado ao comprador em cima dos produtos vendidos nas listas, destinado ao pagamento da logística dos nômades, marketing e design personalizado das embalagens e também uma mensalidade proporcional à quantidade de vendas do produtor, criando uma relação de “ganha-ganha” entre os dois.

O público alvo inicial eram produtores de orgânicos da região de Magé, no interior do estado do Rio de Janeiro, e consumidores da Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio, com localização estratégica, pois ficava próximo ao escritório do time Enactus Cefet/ RJ. No final de 2017, foi lançada a primeira venda na plataforma com a Dona Juju, até então a única produtora parceira, que teve um resultado de R$150 em vendas e 5 consumidores.

RESUMO DOS 6 MESES DA PRIMEIRA FASE

• O número de novos consumidores cresceu 1400%. Sendo que desses, 53% são de novos consumidores de orgânicos;

• Diminuida a pegada ecológica através da utilização de sacolas biodegradáveis personalizadas;

• Ficou mais barato em 34% em média os produtos se comparados aos grandes fornecedores;

• Ampliação de 4x o número de pontos fixos parceiros e agora atendendo toda a região da Grande Tijuca no Rio de Janeiro;

• Aumento o número de produtos oferecidos na plataforma para mais de 100, que passou a possuir verduras, legumes e frutas;

• Crescimento de 1 para mais de 10 produtores cadastrados na plataforma;

• Participação em um Congresso Nacional de Nutrição no Rio que reuniu mais de 600 nutricionistas para expor a marca e vender os produtos da Dona Juju;

• Convite pela Sebrae para participar como expositor na feira Internacional de Biostartups e

• Foram impactadas diretamente 200 pessoas e indiretamente mais de 3.000 pessoas.

SEGUNDA FASE DO PROJETO NOMADE

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Apesar de bons resultados alcançados, começa na segunda fase um grande desafio de escala quando se tratava da logística colaborativa. Esse problema foi demonstrado a partir do programa Shell Iniciativa Jovem, no qual ao tima teve o projeto aprovado para participar durante o ano de 2018. Uma das atividades que foi preciso fazer: repetir as pesquisas de mercado dessa vez num formato de etnografia. O primeiro fator que foi percebido nessa fase é que não foram realziadas pesquisas de interesse suficientes para garantir a existência do deslocador, o nômade que faria o escoamento dos produtos em troca de uma remuneração para ajuda de custos.

Foi nesse ponto em que percebeu-se um grande problema da ideia inicial: a maioria dos motoristas comuns não tinham interesse em fazer o transporte, mesmo remuneradod e os que tinham, colocavam tantas restrições (de local, horário e até mesmo condições do carro) que inviabilizava o processo pro tipo de produto que era trabalhado. Além das dificudades legais do transporte de carga no Brasil.

Voltando para a “prancheta” com as informações da pesquisa etnográfica que demonstrava que o consumidor gostaria de uma produto que tornasse mais fácil o acesso a produtos orgânicos com um preço justo. O produtor por sua vez, queria sua garantia de escoamento em grande escala. Após algumas imersões e eventos do próprio time, o projeto foi pivotado para a ideia de um clube de assinatura com produtos orgânicos.

O clube foi desenvolvido dentro do programa da Iniciativa jovem, onde foi remodelado o Business Model Canvas e foi criado um plano de negócios que descrevia a estratégia de atuação do Nomade nos 3 anos seguinte. O público alvo de produtores se alterou para grupos de produtores que tinha capacidade de escoar seus produtos, mas o atendimento ainda era para a Grande Tijuca no Rio de Janeiro.

O clube desenvolvido nesta etapa pelo time possuia três planos de assinaturas mensais, de acordo com a necessidade dos assinantes. Todo mês, os três planos davam direito a 2 caixas com produtos. O plano individual possuia 6 itens em cada caixa, o duplo 10 itens e o família, 12. Os assinantes podiam escolher receber os produtos em sua casa ou em pontos fixos de retirada.

O maior diferencial era a oferta de um novo estilo de vida sustentável e justo, os

assinantes possuiam diversos benefícios como conteúdos exclusivos, descontos com os

parceiros e produtos surpresa. Além disso os beneficiados recebiam em casa, de 15 em 15

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dias, caixas com produtos orgânicos de pequenos produtores, aumentando a qualidade de vida e renda deles.

O lançamento do clube foi no dia 01 de outubro e em 2 meses foram captados 19 produtores fornecendo produtos para o time e mais de 25 clientes. Além da abertura do primeiro CNPJ, como MEI e do selo de empreendimento sustentável do Shell Iniciativa Jovem Shell.

FASE DE ENCERRAMENTO DO PROJETO E INÍCIO DA STARTUP

Após o programa da Iniciativa Jovem, o objetivo final do projeto Nomade havia sido atingido. Ser uma startup social sustentável e capaz de continuar o trabalho sem dependência da Enactus CEFET. O fator chave para a saída do Nomade foi ter deixado bem claro desde o começo isso para o nosso time, pois no início do projeto já era vislumbrado a possibilidade de virar uma startup. Agora “O Nomade” que era um projeto, mudou para “A Nomade”, a startup.

Em dezembro de 2018, a produção era mais robusta com entregas semanais e um grande volume alimentos para gerir. Foi o momento de entender que era preciso se desligar do time para ganhar em crescimento da empresa.

A partir de muitas conversas de alinhamento de sonhos e expectativas, dentro da atual gestão e da equipe do projeto Nomade, encerram-se as atividades dentro do time Enactus CEFET RJ. A equipe inicial foi formada por 4 sócios e 2 membros voluntários, que participavam do projeto.

O processo societário foi um requisito definido pela Shell iniciativa Jovem e bem delicado. Mas em geral, foram seslecionados quem estava preparado tecnicamente em assumir os riscos naquele momento. Não existe receita de bolo, nem melhor escolha. Cada empreendimento precisa achar a que mais faz sentido e alinhar isso muito bem com o restante da equipe. Ser sócio parece glamuroso, mas na verdade é para quem tem disposição para encarar os riscos.

Apesar de todos os cuidados no caso da Nomade, não foi suficiente para evitar a saída

de sócios. Dois deles saíram no final de 2018 e 2 entraram em seguida. Estes, advindos de

outro time da rede Enactus, da UFRRJ. Este momento demonstrou principalmente a

importância da troca entre diferentes times em diferentes universidades , mostrando o grande

sentido da rede Enactus Brasil.

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Com a nova equipe formada pelos sócios Gabriela Carregosa, Rodrigo Degou, Bia Galvão e Diogo Muniz, e os voluntários Ana Carolina Machado, Fernando Amaral e João Fiel, a jornada empreendedora no mercado foi iniciada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A percepção da oportunidade que o Time com o Projeto Nomade tinha em fazer um negócio social foi motivada por dois fatores dentro da rede Enactus. O primeiro foi o crescente número de projetos que apresentavam o Campeonato Mundial com projetos que se tornavam programas, ONGs ou negócios sociais. O exemplo mais comentado pelo time era o

“Sucseed”, campeão mundial de 2016, que desenvolvia um kit de hidroponia que possibilitava o plantio de alimentos dentro de casa nas regiões mais frias e inférteis do Canadá, diminuindo drasticamente a fome da região. Eles viabilizaram financeiramente o projeto, que continua funcionando até hoje, como uma negócio social, vendendo seus produtos via internet.

O segundo ponto era o real significado de sustentabilidade financeira replicada dentro da rede, mas que não era tão restritivo assim quanto à própria descrição da Enactus Brasil. O conceito de sair de uma comunidade, onde esta consiga continuar desenvolvendo o projeto sem a atuação direta do time era facilmente aplicada a empreendimentos como cooperativas e associações, mas também poderia ser aplicado a outros tipos de empreendimentos como ONGs e negócios Sociais.

Esses dois últimos possuem uma coisa em comum: são empreendimentos motivados por propósito. As ações foram pautadas em ações na Nomade sempre para universalizar a alimentação consciente, conectando diferentes realidades.

Isso sempre deixou mais fácil o processo de mudanças dentro da equipe. Buscando algo maior que não se embasava no como, mas sim no porquê. E um dos maiores motores motivacionais era que precisava tornar o negócio escalável para garantir que o propósito fosse cumprido.

Empreender também advem muito da capacidade de adaptação para atingir objetivos cada vez maiores. Isso é muito vívido na equipe, assim como a sinceridade entre os membros de fazer algo que faz sentido para todos.

Apesar dos bons resultado iniciais e dificuldades inerentes ao inicio de uma empresa, o

clube de assinaturas da nomade não era exatamente algo que se encaixava com a ambição da

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Nomade como um negócio escalável. Por isso, em março de 2019, as atividades do clube foram encerradas para focar em resolver de uma vez por todas o problema do pequeno produtor de orgânicos e de forma escalável: o escoamento de produtos.

A Nomade se empenha em trabalhar como uma solução logística e market place, no

momento trabalha com o B2B na região da Barra da Tijuca, na Zona Oeste com uma creche e

alguns restaurantes que recebem a comida orgânica, mas sempre mantendo o foco no pequeno

produtor orgânico.

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Referências

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