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Rev. Bras. Enferm. vol.39 número23 v39n2 3a01

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E D ITO R I A L

A Lei

nq 7.498/86

Finalmente, depois de onze anos de esforços, espera e luta, consguiram os enfermeiros, por intermdio

do COFEN, da ABEn e dos Conselhos Rgionais de Enfermagem, uma lei atualizada do exerc(cio da enferma­ gem.

Uma das primeiras pecupaçes do Conselho Federal de Enfemagem (COFEN), instalado em abril de

1975,

foi a existência de um documento lgal no qual pudessem os futuos Conselhos Regionais (CORENs) basear-se para cumprirem sua função de órgãos disciplinadores e fiscalizadores das atividades do pessoal de en­ ermagem. A lei do exercício então em vigor (Lei n9 2.640/55), além de defesada - omo tudo no Brasil, a en­ fermagem muito mudou nestas últimas décadas -, era incompleta, pois não inclulá o Técnico de Enfermgem, cujo preparo só foi iniciado em

1966.

Em setembro de

1975,

o COFEN, após ouvir os órgãos representativos dos pofissionais e ocupacionais de enfermgem, enviou ao Ministério do Trabalho anteprojeto de lei rguladora do exerc;io; mas, infelizmen­ te, forças hostis consguiram bloquear o envio de Menagem do Executivo ao Lgislativo sobre o assunto.

Cinco anos depois, desesperançados de consguirem a necesária atualização da lei do exerc(cio por iniciativa do Executivo, o COREN e a ABEn recorreram ao Lgislativo. Em

1980,

deram entrada na Câmara dos Deputados a dois projetos de lei sobre a matéria, os quais foram transformados num projeto único - de número

3.427/80,

do Deputado Nilson Gibon, e que acaba de se tornar Lei.

Muitas foram as emendas sofridas por esse Projeto nos seus quase seis anos de trânsito por Ministérios e Comissões do Congresso Nacional, tendo ele também recebido

18

vetos do Executivo.

Não importa! A Lei n9

7.498,

de

25

de junho de

1986,

aI' está! Quem estudar atentamente o Projeto, tal como foi aprovado pelo Congreso, e comprará-lo com a Lei, verificará que os pontos essenciais foram con­ ervados, tais como:

- reforço de obrigatoriedade de inscrição dos pofissionais e ocupacionais de enfermagem no respectivo COREN (art.

9);

- obrigaoriedade da inclusão, no planejamento e pogramação das instruções e serviços de saúde, do planejamento e programaão de enfermagem (art.

9)

e, nesta, da incluão da prescrição da assistência de en­ fermagem (art.

4q)

que, ao ser asinada pelo enfermeio (assinatura acompanhada do númeo de sua inscrição no COREN), constituirá uma poderoa arma de fiscalização do exercú;io;

- definição das funções do pessoal de enfermgem (art.

11, 12

e

13),

merecendo especial menção as fun­ ões privativas do enfermeiro no exerc/cio (art.

11),

a nosso ver o ponto alto da Lei e uma das maiores con­ quistas dos pofissionais de enfermgem até o presente. Cabe lembrar que as al(neas a) e b) do art.

11

suprem a falta de um dos artigos que foram vetados (art.

5q);

- supervisão de todas as atividades do pesoal de enfermagem exclusivamente pelo enfermeiro (e obste­ triz, que está inclu(da entre os enfermeiros) (art.

15);

- obediência obrigatória a esta Lei, por parte dos órgãos da administração pública, no povimento de cargos e funções e na contratação de pessoal (art.

20);

- autoridade do COFEN para permitir, por

10

anos, o exerc(;io de atividades elementares de enferma­ gem por atendentes, e para baixar os critérios a serem obedecidos nesta questão (art.

23).

Aliás, este artigo dá oportunidade ao COFEN de reivindicar, junto ao Ministério do Trabalho, o direito que lhe foi retirado pelo Despacho MTb n9

311.279/78

de estender sua ação aos a tendentes, por meio do que chamou, no passado, de

"pro visio namen to ", ação esta imprescind(vel para a eficiência da fiscalização a que os CORENs estão obriga­

dos.

Rgozije-se a classe, pois, se a Lei �

7.498/86

não vem resolver os poblemas da profissão, irá ela certa­ mente facilitar o trabalho daqueles que se esforçam por seu desenvolvimento e por melhor assistência a nosso poo.

Referências

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