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Rev. adm. empres. vol.34 número4

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Academic year: 2018

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(1)

ESTRATÉGIAS GENÉRICAS:

CLASSIFICAÇÃO

E USOS

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

'Sérgio B. Zaccarelli

'Adalberto A. Fischmann

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A utilização de estratégias genéricas fica ampliada e potencializada pela forma

como elas foram redefinidas.

RQPONMLKJIHGFEDCBA

T h e u t i l i z a t i o n o f g e n e r i c s t r a t e g i e s i s b o t h b r o a d e n e d a n d r e i n fo r c e d b y t h e w a y t h e y

w e r e r e d e fi n e d .

PALAVRAS-CHAVE:

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

E s t r a t é g ia s g e n é r ic a s . o p ç õ e s e s t r a t é g ic a s , c o m p o s iç ã o d e e s t r a t é g ia s , a p lic a ç õ e s d a s e s t r a t é g ia s g e n é r ic a s .

KEYWORDS:

G e n e r ic s t r a t e g ie s , s t r e -t e g ic o p t io n s , s t r a t e g ic m ix , u s e s o f g e n e r ic s t r a t e g ie s .

o

conceito e o uso de Estratégias Ge-néricas - EGs -, também chamadas de

G r a n d S t r a t e g í e s por alguns autores, sur-giram praticamente jun-tos com o

plane-jamento estratégico. O livro C o r p o r a t e s t r a t e g y , de Ansoff.' já menciona a matriz de componentes do vetor de crescimento que corresponde à primeira forma de de-finir EGs. Essa matriz propunha-se a indicar a direção em que a empresa está se movendo, quanto à sua postura corrente, em

'Professores Titulares da FEAlUSP.

(2)

E X E C U T I V A

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1. ANSOFF, H. I.

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

C o r p o r a t e s t r a t e g y .NewVork: McGraw Hill,

1965. Trad. E s t r a t é g ia e m p r e -s a r ia l. São Paulo: McGraw Hill, 1977.

2. PORTER, M. E. C o m p e t iiiv e s t r a t e g y . New Vork: Free Press, 1980. Trad. E s t r a t é g ia c o m p e -t i-t iv a . Rio de Janeiro: Campus, 1986.

3. REBOUÇAS DE OLIVEIRA, D. P. P la n e ja m e n t o e s t r a t é g ic o .

São Paulo: Atlas, 1986.

4. HAX, A. C., MAJLUF, N. S.T h e s t r a t e g y c o n c e p t a n d p r o c e s s o

Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1991.

5. TREGOE,B. B., ZIMMERMAN,

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

J. W. A e s t r a t é g ia d a a lt a g e -r ê n c ia . Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

6. MINTZBERG, H., WATERS,J. A. Of strategies, deliberate and emergent. S t r a t e g ic M a n a g e -m e n t J o u r n a l, V. 6,1985.

1 4

termos de produtos e mercados. As quatro alternativas eram: penetração no mercado, desenvolvimento de produtos, desenvol-vimento de mercados e diversificação.

Um autor notável como Michael Porter destina todo o segundo capítulo de seu cé-lebre livro

RQPONMLKJIHGFEDCBA

E s t r a t é g i a c o m p e t i t i v a " para desenvolver e exaltar a importância das suas três estratégias genéricas: liderança de custos, diferenciação e foco ou alta seg-mentação.

A maior parte dos autores prefere, como Rebouças de Oliveira," a utilização de quatro ECs: sobrevivência, manutenção, crescimento e desenvolvimento.

Nem todos os autores colocam EGs em uma posição importante no processo de planejamento estratégico. Por exemplo, Hax e Majluf" descrevem uma abordagem pragmática sem usar o termo EC e reser-vam, indiretamente, um pequeno espaço para o conceito.

Alguns autores clássicos apresentam outras classificações com propósito se-melhante. Tregoe e Zimmerman" propõem a adoção do conceito de força motriz com a indicação de nove tipos, uma para cada área estratégica. Recomendam ainda que cada empresa tenha apenas um tipo de força motriz.

Mintzberg e Waters6 geraram oito tipos

de processos de formação de estratégia, sendo que algumas delas podem ser con-fundidas com ECs.

A nossa posição é extremamente a favor do uso das ECs. Ao fim deste trabalho, apresentaremos os diversos usos conve-nientes das ECs. Sentimos que cabe nos negócios, como no futebol, a mesma pre-sença das ECs. Tanto torcedores, como comentaristas profissionais, técnicos e treinadores de times, falam nos esquemas 4-3-3,5-4-1,4-2-4 etc., que representam a forma conveniente de denominar as es-tratégias genéricas do futeboL Elas servem tanto para os planejadores estratégicos das equipes, como para os apreciadores que só interpretam os acontecimentos da par-tida. Por isso essas EGs do futebol estão sempre presentes, tanto na mente dos profissionais do esporte, corno na lingua-gem de milhões de simpatizantes do fu-tebol.

A maneira pela qual as ECs são co-locadas hoje para o planejamento

estra-tégico das empresas, a nosso ver, tem cria-do limitações ao uso amplo do conceito. Apenas três ECs corno as de Porter acabam ficando, cada uma delas, abrangentes demais, e por isso, com significado di-luído. As quatro ECs utilizadas com gran-de freqüência, além de ser um número ainda muito pequeno, têm freqüentemente um vício de enunciado que as levam a serem confundidas com "posturas" dos estrategistas.

A forma como as ECs são definidas atualmente não tem lhes proporcionado a condição de adoção e uso amplo de seu conceito. É necessário refletir melhor e pesquisar quais são as ECs presentes na literatura e na prática para identificá-las e catalogá-las devidamente.

É

esse o obje-tivo deste trabalho.

Para serem de uso amplo, as ECs devem satisfazer certas condições mínimas. Con-sideramos que essas condições são as se-guintes:

ter um elenco de ECs suficientemente amplo para cobrir todas as situações possíveis conhecidas até o momento. Em todas as listas de ECs que tivemos conhecimento, nenhuma inclui uma EC que guie as ações da empresa em função do modo corno os concorrentes mudam sua forma de atuar. Isto, evidentemente, ocorre com muita freqüência e precisa ficar incluído em alguma EC;

a lista das ECs deve ser ampIiável a qualquer momento. Com o avanço do conhecimento sobre estratégia empre-sarial, podem surgir novas ECs e por isso a lista das ECs nunca deve ser fe-chada. A qualquer tempo poderá ser conhecida uma nova EC e ela deve ser acrescentada à listagem;

a denominação de cada EC deve, pre-ferencialmente, lembrar a finalidade do processo de elaboração usado para gerar alternativas estratégicas, evitando a denominação pelas técnicas ou pela atitude ou "postura" dos planejadores. Assim, não convém ter urna EG deno-minada estratégia agressiva, pois isso é pertinente mais à atitude dos

(3)

jadores e executores,

deixando pouco

definido o objetivo da agressividade

e

o processo a ser seguido. Também não

se deve denominar

as EGs pela técnica

a ser usada (por exemplo, EC de análise

estrufural

da indústria),

por mais

res-peitável que se considere essa técnica.

• as EGs não devem ser todas

mutua-mente exclusivas entre si, para permitir

que possam

ser adotadas

simulta-neamente, desde que compatíveis.

Na realidade, a estratégia de uma

em-presa pode ser a conjugação de várias EGs

compatíveis

entre si e adequadas

às

par-ticularidades

da empresa e da situação do

ambiente empresarial.

RQPONMLKJIHGFEDCBA

S e

houver a

restri-ção de s~ existir uma EG

c o m o

base

daes-tratégia da empresa, então o uso das EGs

perderá ,importância prática.

Na teoria, isto é, nos livros, a situação

é diferente da prática ..Um livro pode

tra-tar de várias

EGs, mas em cada

capí-tulo normalmente

estuda-se apenas uma

EG, visto que os livros tratam do

proces-so para elaboração da estratégia, um de

cada vez.

A IDENTIFICAÇÃO DAS fGs

Não temos nenhuma

intenção de

ser-mos inovadores

em matéria. de EGs. Só

pretendemos

ter repassado a

literaturá

ao

nosso alcance e rememorado

nossa experiência profissional

e didática, para identificar as

EGs já subjacentes nos livros

e revistas

especializadas.

Nada de cientificamente

ori-ginal, apenas muito trabalho

e disciplina mental de análise,

seguindo as quatro condições

mencionadas

acima. Embora

sem originalidade,

não

dei-xará de ser uma contribuição

facilitadora

para a teoria e a

prática.

Iniciamos revendo a

biblio-grafia e organizando

infor-mações, Após alguns

meses

fizemos o primeiro

balanço,

resultando em nove EGs

iden-tificadas

-

mais

do que o

dobro do número

freqüente-

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

R A E ·

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

v. 34 • n. 4 • Jul./Ago. 1994

E S T R A T É G IA S G E N É R IC A S : C L A S s IF IC A Ç Ã O E U S O S

mente citado

nOS

livros. Seguiu-se um

sen-timento de perplexidade.

Tomamos o

re-médio convencional para perplexidade

in-telectual: férias do assunto pata retomada,

partindo novamente

do ponto zero.

Prosseguimos, e o número de EGs

iden-tificadas subiu para treze. Nova

perple-xidade. Agora o.remédio não era mais

vol-tar

à

mesma bibliografia. Passamos a

apli-a listapli-a de EGs em trapli-abapli-alhos reapli-ais e apli-a testapli-ar

em salas de aula e seminários.

Fizemos

isso e a lista das EGs passou no teste.

A

lista de EGs, que identificamos,

está

apresentada

no quadro

1

e cada uma das

EGs será definida,

comentando-se

seu

campo de aplicação e características.

APRESENTAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS

GENÉRICAS

Estratégia

de oportunidades

Na estratégia de oporturiidades,?

a

em-presa

vive disputando

e conseguindo,

'eventualmente,

condições especialmente

favoráveis em éertos péríodos, sendo que,

fora desses períodos, opera tipicamente no

menor nível possível,

aguardando

me-lhores tempos. Assim, a flutuação do

ní-vel de atividade é muito grande. São Casos

típicos:

;. as grandes empreiteiras de obras para o

governo que conseg11em seus grandes

contratos por concorrência pública;

7. PERRY, L. T. E s t r a t é g ia o f e n s iv a . São Paulo: Makron Books, 1993.

(4)

i1 ~ lE

E X E C U T I V A

QPONMLKJIHGFEDCBA

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

8. Ver PERRY, L. T. O p . C it.;

PORTER, M.

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

E.E s tr a té g ia c o m -p e titiv a . Rio de Janeiro:

Cam-pus, 1986.

9. Ver HAMEL, G., PRAHALAD, C. K. Strategic intent. H a tv e r d B u s in e s s R e v ie w ,Boston, v.67, n. 3, 1989; __ o StrateQY as stretch and leveraqe, H a r v a r d B u s in e s s R e v ie w ,Boston, v.71, n.2, 1993; PERRY, L. T.E s tr a -té g ia o fe n s iv a . São Paulo: Makron Books,1993;WILSON, I. Realizing the power of

stra-teçíc vision. L o n g R a n g e P la n -n i-n g , V.25,n. 5, 1992.

1 6

• empresas que produzem

'exclusivamen-te artigos de moda;

.

• emp.resas de prestação de serviços

oca-sionais como as agências de detetive.

A estratégia dessas empresas tem duas

subdivisões: estratégia para o período de

exploração da oportunidade e estratégia

para

à

período entre oportunidades

(fl

pe_

ríodo de vacas magras").

No período de.oportunidade, há

neces-sidade de cuidar da programação de

to-das as ações para conseguir o máximo de

realização no período. O aspecto custo das

operações perde a prioridade para a

efi-cácia da programação das operações. O

perfeccionismo perde terreno para a

ra-pidez nas ações. Ao fim do período de

oportunidade ocorre um

RQPONMLKJIHGFEDCBA

d o u m s i z e .

As

E G s n ã o d e v e m s e r t o d a s m u t u a m e n t e e x c l u s i v a s

e n t r e s i , p a r a p e r m i t i r q u e

p o s s a m s e r a d o t a d a s

s i m u l t a n e a m e n t e , d e s d e

q u e c o m p a t í v e i s .

No período entre duas oportunidades

consecutivas, o faturamento é muito baixo

e as operações ficam no mínimo

neces-sário. A ênfase vai para o setor que

tra-balha para conseguir nova oportunidade

(preparam-se propostas que levem a

no-vos contratos, pesquisa-se a moda

pro-vável etc.).Sobrevivem

a o d o w n s i z e

apenas

as pessoas que são necessárias

para a

retomada rápida das atividades.

Estratégia de desrnvestimento

Na estratégia de dssínvestimento" está

implícita a idéia de encerrar algumas ou

todas as atividades da empresa.

O desinvestimento parcial livra a

em-presa de suas partes menos convenientes

ou menos importantes.

É

aplicável até

quando há lucros positivos, mas por

ques-tões de estratégia é preferível concentrar

a atenção em apenas. ujna parte das

ati-vidadesatuais.

Ocorre então uma

espe-dalização que, em alguns casos, é

acom-panhada por uma terceírízaeão,

Também existe desinvestimento quando

a empresa faz uma substituição de

pro-duto ou serviço. Há nesse caso um

desin-vestimentocom investimento simultâneo

em outro negócio.

O desinvestimento total

é

aplicável nos

casos em que a empresa, mesmo tendo

lu-cros positivos, mas baixos, nota que eles

são decrescentes e sem opção aceitável de

reversão das expectativas. Tipicamente são

empresas que percebem que o ciclo devida

de seu produto ou do seu negócio está

che-gando ao fim, e que podem ainda

recu-perar parte dos investimentos feitos no

passado e, eventua1m.ente,obter um lucro.

O desinvestimento total de apenas urna

unidade estratégica de negócio -

UEN

-é aplicável at-é no caso de boas unidades,

para concentrar recursos, ou atenção

ge-rencial em outros negócios mais atrativos.

A estratégia de desinvestimento

com-preende várias ações como, por exemplo,

fazer um mínimo de manutenção de

equi-pamentos e edifícios; reduzir despesas de

promoção e propaganda; substituir

pes-soal, diminuindo

a qualificação; evitar

despesas de treinamento etc. Em

conse-qüência,

haverá, entre outros fatos, uma

contínua redução do quadro de pessoal,

da área e capacidade ocupada pela

em-presa. Deverá estar presente na mente dos

administradores a necessidade de se fixar

adata para fechamento completo da

em-presa ou da parte que vier a ser objeto de

desinvestímento. A estratégia de

desin-vestimento deve fixar o critério para

defi-nir essa data.

Estratégia de intento

A estratégia de intento? se caracteriza

pelo estabelecimento de um (raramente

mais do que um) intento estratégico para

atuar como meta de longo ou longuíssimo

prazo.

É

importante não confundir

inten-tos estratégicos com objetivos táticos e

operacionais. Por exemplo, elevar as

ven-das, os lucros ou a participação no

merca-do no próximo ano são objetivos táticos

ou operacionais.

Os exemplos antológicos de estratégia

de intento são os da Coca-Cola, da Canon

e da Komatsu. A Coca-Cola definiu há

muito tempo o objetivo de

" fi c a r a oa lc a n c e d a s m ã o s d e t o d o s o s h a b i t a n t e s d a T e r r a " ; a

Çanon almejou

" a l c a n ç a r a X e r o x e m r e p r o

(5)

g r a fi a "

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e a Komatsu estipulou " v e n c e r a C a t e r p i l l a r " , que é a grande líder do

mer-cado em tratores de esteira.

Toda empresa que declara a pretensão de conquistar a liderança no seu mercado tem, implicitamente, essa EC.

A estratégia de intento possui como características:

o intento é muito ambicioso e deve per-manecer imutável;

desempenha um papel muito motivador e catalisador das ações da empresa; o intento é para longo prazo, sem

espe-cificar por quantos anos;

periodicamente, é elaborado um plano de ações que seja consistente com o grande intento estratégico. Realizando um plano, prepara-se outro sem mudar o intento estratégico.

Estratégia de adaptação

A estratégia de adaptação" despreza a possibilidade do ambiente empresarial evoluir. A empresa procura modificar sua forma de atuação para conseguir ficar em equilíbrio mais confortável com o ambien-te empresarial e, eventualmente, obtém novos pontos fortes e elimina pontos fra-cos. Se a análise para a estratégia de adap-tação não resultar em propostas de ações (portanto, adaptação igual a zero), tem-se um caso particular de só manutenção da empresa em sua posição atual.

É

reco-mendável, em situações como essa, o con-tínuo monitoramento do ambiente em-presarial.

É

a estratégia genérica da mais ampla aplicação, servindo inclusive para

em-presas heterodoxas ou sem fins lucrativos.

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Écurioso observar que há autores como Perry que criticam esse tipo de EC, ale-gando que ela tornaria todas as empresas demasiadamente semelhantes.

Cada caso tem suas peculiaridades di-ferenciadoras. A característica comum a todas elas é a busca de alterações na forma de relacionamento com os agentes do ecos-sistema empresarial. Essa busca freqüen-temente passa pela cópia de tecnologias e técnicas de gestão usadas pelos concor-rentes melhor sucedidos.

Pode existir uma adaptação para o co-mum dos competidores ou uma adaptação

das operações aos expoentes do merca-

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

R A E • v.34 • n.4 • Jul.lAgo. 1994

do. Este último caso é conhecido como

b e n c h m a r k i n g .

Estratégia de diferenciação produto-mercado

A EC de diferenciação produto-mer-cado" busca uma diferenciação da em-presa em relação a seus concorrentes, de forma a conseguir um subcampo de com-petição fácil. Essa diferenciação pode ser de segmento de mercado, de produto ou linha de produto ou de forma de atuação comercial. Em geral, adota um projeto de produto/serviço e uma forma de atuação diferenciada para um segmento relati-vamente pequeno de mercado. Um exem-plo bem visível é o caso das emissoras de TV onde, em geral, o líder tem todos os tipos de programas e certas emissoras não-líderes se diferenciam em determinados tipos de programas e de espectadores. É

uma estratégia genérica muito ao gosto dos especialístas em M a r k e t i n g .

As ações típicas dessa EC dividem-se em dois tipos:

" ações para conquistar uma diferenciação produto-mercado em relação aos com-petidores;

• ações para proteger contra a entrada de outras empresas no mesmo nicho de mercado.

Estratégia de diferenciação funcional Essa estratégia busca diferenciar a em-presa, em relação aos concorrentes, pela maior eficiência ou eficácia em sua ope-ração interna. Essa diferenciação pode ser em:

.~tempo, pela maior rapidez e confiabi-lidade de prazos;

> flexibilidade;

qualídade; tecnologia; custo baixo.

É

uma EC muito ao gosto dos modernos especialistas em produção. Os japoneses se destacaram de seus rivais ocidentais por terem desenvolvido novas "práticas ge-renciais" , difíceis de serem copiadas e que lhes proporcionaram considerável diferen-ciação funcional. Os competidores privi-legiaram outras estratégias para

compe-10. Ver PERRY, L. T.O p . c i t . ;

SENGE, P. M. A q u in ta d is c i-p lin a . São Paulo: Sest Seller, 1992; SHETTY, Y. K. Aiming high: competitive benchmar-king for superior performance.

L o n g R a n g e P la n n in g , v.26,

n. 1, 1993; ZACCARELLI, S., FISCHMANN, A., LEME, R.E c o -lo g ia d e e m p r e s a s . São Paulo: Atlas, 1980.

11. Ver ANSOFF,H. 1., MCDON-NELL, E. J. Im p la n ta n d o a a d m in is tr a ç ã o e s tr a té g ic a .

São Paulo: Atlas, 1993; RIES, A., TROUT, J. P o s ic io n a

-m e n to . São Paulo: Pioneira,

1987; STACEY, R. Strategy as arder emerging from chaas.

L o n g R a n g e P la n n in g , v. 26,

n. 1,1993.

QPONMLKJIHGFEDCBA

(6)

l 1 ~ l E

EXECUTIVA

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

titividade. As ações típicas dessa EG são

complexas, como toda a moderna

admi-nistração da produção, compreendendo:

• concepção do sistema produtivo, desde

as práticas de chão de fábrica até o

or-ganograma da área industrial;

• implementação que requer certo grau-de

participação dos empregados;

• atenção permanente na monitoração do

ambiente, para manter a vantagem

com-petitiva.

Quanto maior for o tempo para algum

competidor eliminar a diferenciação

fun-cional mais duradoi ..ira será a vantagem

competitiva conquistada por essa

EG]1

QPONMLKJIHGFEDCBA

Q u a n t o m a i o r f o r o t e m p o

p a r a a l g u m c o m p e t i d o r

e l i m i n a r a d i f e r e n c i a ç ã o f u n

-c i o n a l , m a i s d u r a d o u r a s e r á a

v a n t a g e m c o m p e t i t i v a

c o n q u i s t a d a p o r e s s a E G .

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

12 ..Ver GARVIN. D. A.

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

O p e r a tio n s

s tr a te g y . Englewood Cliffs:

Prentice-Hall, 1992;HAMMEH, M., CHAMPY, J. R e e n g e n h a r ia .

Rio de Janeiro: Campus, 1993; Estratégia de inovação

SLACK, N.V a n ta g e m c o m p e titiv a

A estratégia de inovação" baseia-se na

e m m a n u fa tu r a . São Paulo: Atlas,

1993;STALK, G., EVANS, P.,

oportunidade de mudar qualitativamente

SHULMAN, L. E. Competing on

o ambiente empresarial, isto é, provocar o

capabilities: the new rules of

surgimento de novos tipos de empresas e,

corporate strategy. H a r v a r d B u s

i-R· B t 70

2

eventualmente, a extinção de algum tipo

n e s s e V le w , os on, v. • n. ,

1992;STONICH, P. J. TIme: the .

existente ..Portanto, é pró-ativa ..

next strategíc frontier. P la n n in g

O caso típico é o lançamento de

pro-R e v ie w ,v .1 8 ,n .6 ,1 9 9 0 . d:

..uto

/.

serviço novo, orman

f d

o urna nova

13..Ver NORMANN, R., RAMíREZ,

unidade estratégica de negócio,

R. from value

cnatn

to value

Na estratégia de inovação o aspecto

crí-constellation: designing

interac-tive strategy. H a r v a r d B u s ir r e s s

tico é a avaliação dos riscos. Existem dois

B e v i e « , Boston, v.71, n,4, 1993; .

tipos de riscos:

OHMAE, K., Getting back to strategy. H a r v a r d B u s in e s s R e v ie w ,Baston, v.. 66, n. 6,1988; STREBEL. P. B r e a k p o in ts . São Paulo: Atlas, 1993.

14. Ver FOSTER, M. J. Scenario planning. for srnall buslnesses, L o r r g R a n g e P /a n n in g , v. 26, Feb. 1993;WRIGHT, J., JOHNSON,B., SANTOS,S.Estratégias tecnoló-gicas para a competitividade: a indústria vinícola brasileira.

R e v is ta d e A d m in is tr a ç ã o , USP, v. 28, n. 1, 1993.

• risco da inovação parecer viável,

quan-do, na realidade,

é inviável;

• risco da inovação ser viável, mas o

em-preendedor não ter

cendições

de vencer

a "resistência do meio ambiente" para

implantá-la completamente.

A esses dois tipos de riscos se contrapõe

o risco do empreendedor nada fazer e ser

1 8

surpreendido

por um concorrente

que

aparecer como inovador.

a exemplo clássico do alto risco da

ino-vação é a lâmpada elétrica no século

pas-sado ..O primeiro inventor na Inglaterra

não conseguiu vencer a resistência do meio

e faliu. Thomas Edison reinventou a

lâm-pada elétrica, chegou a produzi-la, mas

não conseguiu compradores. Teve que

dá-la aos seus clientes, que haviam comprado

motores elétricos ..Por essa prática não

pla-nejada, conseguiu gradativamente

criar

mercado para tão notável invento.

Outro exemplo de empresa que diz

pri-vilegiar a estratégia de inovação é a 3M,

que- objetiva ter 50% do seu faturamento

conseguido com produtos de até três anos

de idade.

Estratégia de evolução

Na estratégia de evolução." o

empre-endedor não é pró-ativo para ser o

pri-meiro, como na estratégia de inovação.

Como observamos na estratégia de

inova-ção, o empreendedor atua

qualitativamen-te para mudar o ambienqualitativamen-te empresarial.

Na estratégia de evolução, o

empreen-dedor entende como certo que o ambiente

empresarial vai evoluir, seja por ação de

seus concorrentes inovadores ou por

mu-danças derivadas de alterações na

socie-dade, nos governos, na tecnologia etc. e

não pretende

ficar passivo assistindo

à

evolução ocorrer ..

Existem dois subtipos de estratégia de

evolução, não totalmente independentes

entre si: a estratégia de evolução baseada

em monitoramento

do ambiente

empre-sarial e a baseada em cenários ou

anteci-pações .

A estratégia de evolução baseada em

monitoramento do ambiente empresarial

é típica de situações nas quais se pretende

seguir os inovadores bem-sucedidos .. A

meta é monitorar o ambiente empresarial

e identificar as inovações bem-sucedidas

dos concorrentes, para estar entre as

pri-meiras empresas a copiarem tais

inova-ções. Há muitas empresas que preferem

ser seguidoras rápidas e eficientes a ser

inovadoras que correm altos riscos de

in-sucesso. A estratégia de evolução por

mo-nitoramento distingue-se do

b e n c h m a r k i n . . g ,

mencionado na estratégia de adaptação, .

onde muitos concorrentes já usam a

(7)

E S T R A T É G IA S G E N É R IC A S : C L A S S IF IC A Ç Ã O E U S O S

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

vação em consideração e vai-se selecionar o melhor. Muitas vezes a inovação já é velha. Outras vezes a inovação é mais recente e apenas uma ou poucas empresas a usam, não se podendo dizer, ainda, qual é a melhor.

A estratégia de evolução baseada em previsibilidade de cenários tem o caráter de procurar, o mais tecnicamente possível, tomar a ação da empresa compatível com algum cenário ou previsão do futuro. Por exemplo, pode-se ter um cenário indi-cando como a concorrência dos chineses irá acontecer e pode-se guiar as ações es-tratégicas da empresa levando em conta essa contingência. Os chineses vão chegar um dia, e é evidente que identificar ante-cipadamente o sentido da evolução permi-te uma melhor exploração de oportuni-dades ou fuga de ameaças decorrentes de transformações no ambiente. No mínimo, o empreendedor não será apanhado des-prevenido.

brica para assumir a liderança, e anunciou isso com muito alarde e festa na TV

japo-nesa.

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A Honda reagiu com espantosa efi-ciência na retaliação, obrigando a Yamaha

a voltará TV e declarar com o mesmo alar-de, para que todos soubessem, que era a segunda na produção de motos.

Basicamente, essa estratégia necessita de uma intensa e eficiente espionagem em-presarial, para que se perceba, o mais cedo possível, a estratégia de qualquer compe-tidor.

Estratégia de despistamento

A estratégia de despístamento " é praticamente o oposto da estratégia de reação dos concorrentes.

A história fornece casos notáveis de em-presas que divulgaram o início de ações muito grandiosas para inibir competidores e de empresas que conseguiram agir em segredo por muito tempo e surpreenderam seus concorrentes.

Nos empreendimentos em que se exige grande segurança contra vazamento de in-formações, adota-se esse tipo de EG. No campo militar, um exemplo foi o Projeto Manhattan, que culminou com o lança-mento de bombas atômicas sobre o Japão

e

foi decisivo para pôr fim à Segunda Grande Guerra. Em mercados altamente competitivos, também é usado esse tipo de estratégia quando os concorrentes desejam acobertar ou retardar o conhecimento de suas ações.

Na estratégia de despistamento, as fer-ramentas básicas são a contra-espionagem, a ação sigilosa e o

RQPONMLKJIHGFEDCBA

b l u ff.

QPONMLKJIHGFEDCBA

N a e s t r a t é g i a d e r e a ç ã o ,

e x i s t e u m a d e c i s ã o p r é v i a

d e a g i r e m f u n ç ã o d o q u e o s

c o m p e t i d o r e s f a z e m o u t ê m

p l a n o s d e f a z e r .

Estratégia de reação

Na estratégia de reação," existe uma decisão prévia de agir em função do que os competidores fazem ou têm planos de fazer.

Ela é típica das empresas que ocupam uma posição muito boa em relação

à

con-corrência. Por isso, essas empresas colo-cam-se como vigilantes dos movimentos estratégicos das concorrentes, para reagir, anulando ou compensando os efeitos da estratégia dos adversários.

O exemplo c l á s s i c o da estratégia de reação foi a disputa da Yamaha pela lide-rança na produção de motocicletas. A Honda, líder do mercado, estava na época com a atenção concentrada na conquista de mercado na indústria automobilística. A Yamaha, que vinha ganhando mercado, lançou um plano ambicioso da nova

fá-Estratégia de cooperação

Na estratégia de cooperação," a em-presa age para ajudar outras empresas, sem preocupação com retorno financeiro, mas com algum ganho provável e não mensurável. A ação é aparentemente al-truísta e ilógica para quem pensa apenas em competição e lucros imediatos.

Recentemente, a estratégia de coope-ração entrou em evidência pelo cresci-mento da terceirização e da compreensão da natureza e importância dos c l u s t e r s .

Porter demonstrou que a competi-tividade de uma nação em determinado produto depende da existência, nessa na-ção, de um c l u s t e r completo daquele

pro-15. Ver PORTER, M. E.O p .c i t o

16. Ver PORTER, M. E. I d e m , ib id e m .

17. Ver l.H. D. Offensive and defensive uses of alliances.L o n g R a n g e P / a n o io g , v. 26, n. 4, 1993; LEWIS,J.A lia n ç a s e s t r a -t é g ic a s . São Paulo: Pioneira, 1992; PORTER, M, E.A v a n t a -g e m c o m p e t it iv a d a s n a ç õ e s .

Rio de Janeiro: Campus, 1993.

1 9

(8)

E X E C U T I V A

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18. Ver PORTER,M. E. How to

attack lhe induslry leader,

aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

F o r t u n e , 29-04-1985; ~~.

V a n t a g e m c o m p e t it iv a . Rio de Janeiro: Campus, 1989.

19. Ver BIRNBAUM, J. H. T h e lo b b y is t s Times Books, 1992.

20

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

duto. A técnica da estratégia de cooperação fica centrada no apoio à consolidação de um

RQPONMLKJIHGFEDCBA

c l u s t e r e na geração de vantagens com-petitivas ao conjunto das empresas perten-centes a esse c l u s i e r .

O sucesso da terceirização também es-tá ligado ao esforço de formação de um

c l u s t e r competitivo.

Estratégia de agressão

A estratégia de

agressão"

usa formas ilícitas para prejudicar os competidores ou para beneficiar-se, mas, evidentemente, a empresa agressora não aparece como au-tora da agressão.

Torna-se difícil dar exemplos dessa si-tuação. Só é possível se falar em "coin-cid ências". Há

algum tempo, apareceram co-li form es fecais nas marcas de água mineral engarrafadas em determina-da região, por "coincidência" , um mês antes de ser inaugu-rada uma gran-de planta para engarrafar água em outra região. Também por

"coin-cidência", a mosca do chifre, uma praga para a pecuária, chegou ao Brasil exa-tamente como foi "previsto" que che-garia.

Essa estratégia inclui, freqüentemente, manipulação indireta dos órgãos de comu-nicação de massa para prejudicar algum tipo de empresa.

Evidentemente tal estratégia antiética não é tratada nos livros, mas poucos exe-cutivos experientes têm dúvida da sua existência.

Estratégia de autoproleção

A estratégia da

autoproteção"

consiste em conseguir protetores para toda uma indústria, tlue sejam externos às empresas dessa indústria.

O protetor preferido é o governo, influenciado através de lobistas, para re-gulamentar ou não regulamentar o mer-cado etc.

Existem outros protetores eventual-mente disponíveis, como associações em-presariais ou até as famosas organizações não-governamentais.

Recentemente, a entidade não-gover-namental Made in USA lançou uma cam-panha contra as principais empresas norte-americanas fabricantes de produtos no exterior, onde a Nike foi o primeiro alvo, na tentativa de trazer de volta a produção de milhões de pares de tênis lá consu-midos.

Outro caso ilustrativo é o da McDo-nald's, que é a maior e mais visível das cadeias de [ a s ! fo o d . Ecologistas atacaram-na ferozmente, por causa da enorme quan-tidade de lixo poluente produzido com suas embalagens de po-liestireno. Em 1990, ela assinou um contrato com o Fundo de Defesa Am-biental, visando à cola-boração de institutos de pesquisa e de grupos

ambientalistas para o desenvolvimento de

uma embalagem de papel à base de uma fina camada de te-cido. Seu lema pas-sou a ser reduzir o lixo, reutilizar e re-ciclar.

A estratégia da empresa pode ser con-siderada uma composição de várias EGs da lista apresentada. Dessa forma, a lista das EGs passa a ser também uma lista de estratégias elementares, ficando a estra-tégia final da empresa um composto des-sas estratégias elementares.

Por exemplo, se uma empresa desejar se basear em uma estratégia de adaptação, será natural ter também alguma parte da estratégia de reação, visto que elas se coa-dunam facilmente.

Entretanto, algumas EGs são aparente-mente incompatíveis entre si, como:

estratégia de inovação e estratégia de desinvestimento;

estratégia de cooperação e estratégia de agressão.

(9)

E S T R A T É G IA S G E N É R IC A S : C L A S S IF IC A Ç Ã O E U S O S

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Poderíamos fazer uma lista de todas

essas compatibilidades

e outra lista de

incompatibilidades,

mas consideramos

perigoso e inconveniente generalizar.

Cada caso prático

assume

aspectos

peculiares

que podem

fugir às regras

usuais e por isso a generalização pode vir

a ser mais prejudicial que benéfica.

Aliás, entre grandes empresas e

corpo-rações não é raro ter-se movimentos de

in-tensa cooperação em uma unidade de

ne-gócios e, simultaneamente,

forte disputa

e até agressão, em outra unidade, corno

ocorre

entre

GM e Toyota, quanto aos

automóveis Chevy Nova e Corolla FX, ou

entre Ford e Mazda, quanto

à

assistência

técnica.

EFEITO SOBRE O USO DASEGs

Vamos agora mostrar o uso das ECs. O

assunto não é novo e nem tem

origina-lidade, mas, vale a pena destacá-lo,

por-que, aumentando organizadamente o

nú-mero de ECs como procedemos, tem-se

uma ferramenta de utilização muito mais

fácil e abrangente do que teríamos se

fi-cássemos restritos a apenas três ou

qua-tro ECs.

O uso mais clássico e importante

das

ECs é na elaboração de alternativas

es-tratégicas. Nos quatro tipos de uso que

trataremos,

preferimos

deixá-lo por

úl-timo.

Elaboração de programa de estudo

O planejamento

estratégico

já não é

mais uma área de conhecimento que pode

ser aprendida lendo-se dois ou três

livros-textos. A literatura é agora muito ampla e

diversificada.

Nenhum

livro-texto

tem

tido a capacidade de permanecer

razoavel-mente completo e atualizado.

O

profis-sional, para atingir a competência eclética,

deve buscar conhecimento em muitos

li-vros e artigos de revistas especializadas.

Ele se depara, então, com dois problemas:

selecionar o que ler e integrar cada texto

lido com os conhecimentos anteriormente

adquiridos.

A lista das EGs ajuda nos doís sentidos,

qponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

É

por essa razão que neste trabalho,

apre-sentamos uma bibliografia geral e

espe-cífica em cada EC, não com o propósito

R A E • v.34 • n. 4 • Jul./Ago. 1994

de ser completo ou de eleger a melhor

bi-bliografia, mas para demonstrar que a lista

das EGs facilita a montagem de uma

bi-bliografia

relativamente

Requena

que

abranja todos os aspectos mais relevantes.

Muitos estudiosos

e profissionais

de

estratégia têm o seu conhecimento

concen-trado em determinadas EGs, conhecendo

pouco ou nada das demais. Essa não é uma

posição vantajosa. Melhor será se houver

um domínio mais abrangente

e

equili-brado, ou seja, um mínimo de

conheci-mento de cada uma das EGs.

Análise da estratégia de outras

empresas

.Em nossos

seminários.de

pós-gradua-ção, costumamos

apresentar

aos parti-

QPONMLKJIHGFEDCBA

S e n o s s a m e n t e f o r d e i x a d a

p a r a t r a b a l h a r l i v r e m e n t e

e l a s ó p r o d u z i r á u m a

p r o p o s t a d e e s t r a t é g i a .

E x a t a m e n t e a q u e l a a o g o s t o

d o e s t r a t e g i s t a . C e r t a m e n t e

i s s o n ã o é m u i t o

p r o f i s s i o n a l .

.~.,

cipantes, para análise e comentários, a

co-municação que as empresas fazem de sua

estratégia. Tipicamente, incluímos três

fo-lhetos feitos pelas empresas para

comu-nicar sua estratégia, um discurso de

pre-sidente' tratando da estratégia, uma

en-trevista publicada em jornal e um

levan-tamento de caso de estratégia emergente.

A qualidade das análises e comentários

que obtínhamos

dos participantes

era

muito vaga e superficial

A maior parte

dos participantes declarava que

RQPONMLKJIHGFEDCBA

" n ã o h a v i a fi c a d o c i a r o " ,

Mudamos o procedimento,

distribuímos

os seis documentos

com a

lista

das ECs e solicitamos

aos

par-ticipantes que identificassem qual era o

m i x

de EC:s (vistas como estratégias

ele-mentares). O resultado foi notável. Os

par-ticipantes pa$s"lram a ter um referencial

que melhorou muito o nível de análise e

(10)

Este trabalho ganhou o Concur-so SPE - Sociedade Brasileira de Planejamento Empresarial - na modalidade desenvol-vimento científico, em junho/94.

22

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

de comentários dos seis casos apresen-tados.

Preparo da comunicação da estratégia Em benefício da síntese, só é necessário salientar que esse uso é o reverso da me-dalha da análise da estratégia de ou-tras empresas. Se as ECs são utilizáveis para analisar a estratégia já comunicada, também são útéis para guiar a redação e divulgação da estratégia da nossa em-presa.

Elaboração de estratégias alternativas No processo de planejamento estra-tégico, é incomum se ter uma análise da situação da empresa e do ambiente em-presarial tão cristalina que resulta em apenas uma estratégia possíveL O normal é se ter várias estratégias alternativas onde o benefício de cada estratégia au-menta com o crescimento dos riscos cor-respondentes para os empreendedores. O número de estratégias alternativas fica reduzido a apenas um, se esta oferecer ao empreendedor, simultaneamente, o mais baixo risco e o maior benefício.

Portanto, em situações normais, os pla-nejadores estratégicos, ao terminarem a análise da situação, com amplo enten-dimento das ameaças e oportunidades, pontos fortes e fracos da empresa, devem compor um elenco de estratégias alterna-tivas.

A nossa experiência tem indicado que nesse momento é fundamental disciplinar o raciocínio. Se nossa mente for deixada para trabalhar livremente ela só produzirá uma proposta de estratégia. Exatamente aquela ao gosto do estrategista. Certa-mente isso não é muito profissional.

As ECs entram, nesse momento, C01110

o instrumento disciplinador da mente do estrategista.

O procedimento é o seguinte:

escolha algumas ECs da lista das treze disponíveis.

Se o número de ECs inicialmente se-lecionado for suficientemente grande, a chance de ter escolhido mal não é preocupante;

com base em cada EC desenvolve-se

uma estratégia correspondente para a empresa.

Por exemplo, se forem escolhidas es-tratégia de desinvestimento, estratégia de evolução, estratégia de adaptação etc., prepara-se para cada uma delas uma estratégia alternativa específica para a situação da empresa.

para cada EC avalie rapidamente os riscos e benefícios;

O termo rapidamente é explicáveL Se for desejada uma avaliação melhor funda-mentada, isso será para apenas uma pe-quena parte das estratégias alternativas. Deixe o resultado dessa avaliação in-dicar onde é mais necessário aprofun-dar o conhecimento dos riscos e bene-fícios;

submeta as estratégias alternativas aos empreendedores, ou seus representan-tes, para consideração superior.

Assim o planejador poderá não pre-tender ser sábio, mas, pelo menos, po-derá parecer racional.

A nossa experiência com esse proce-dimento tem-se mostrado muito positiva. Pessoas que não conseguiram compor se-quer uma estratégia, passaram a ser ca-pazes de propor várias.

Depois de todo esse processo de pes-quisa

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e trabalho com as ECs, chegamos ao fim com a impressão de que o problema era muito maior e mais importante do que nos parecia no início. Acreditamos que:

definimos um bom critério para elaborar ECs;

conseguimos uma lista coerente e alen-tada de ECs;

demonstramos C01110 o uso dessas ECs

na prática flui facilmente.

A sensação que temos é a de que mi-ramos um alvo pequeno, mas que atin-gimos um veio muito importante. Acre-ditamos até que essa linguagem de ECs passe a ser adotada por milhares de pro-fissionais e simpatizantes da estratégia de empresas.

Referências

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