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STRESS E O DESEMPENHO OPERANTE

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PONTIFÍCIAUNIVERSIDADECATÓLICADESÃOPAULO

FACULDADEDEPSICOLOGIA

HELOÍSA

CURSI

CAMPOS

ANEDONIA: INTERAÇÕES ENTRE O

CHRONIC MILD

STRESS

E O DESEMPENHO OPERANTE

SÃOPAULO

(2)

PONTIFÍCIAUNIVERSIDADECATÓLICADESÃOPAULO

FACULDADEDEPSICOLOGIA

HELOÍSA

CURSI

CAMPOS

ANEDONIA: INTERAÇÕES ENTRE O

CHRONIC MILD

STRESS

E O DESEMPENHO OPERANTE

Trabalho de conclusão de curso como exigência parcial para graduação no curso de Psicologia, sob orientação da Professora Doutora Fátima Pires de Assis.

SÃOPAULO

(3)

“Não menos que o saber, agrada-me duvidar”.

(4)

Agradecimentos

Quero agradecer:

À Professora Fátima, pelas orientações e por ter caminhado junto a mim no estudo sobre a pesquisa básica e o Chronic Mild Stress.

À Professora Nilza, pelas oportunidades de Iniciação e do trabalho no ateliê que contribuíram enormemente para a minha formação acadêmica e de vida, pela confiança em mim com o Laboratório durante a fase de coleta de dados e por ter me incentivado com esse estudo quando ele era apenas um projeto.

Às Professoras Nilza, Téia e Maria Amália pelas discussões pelos corredores sobre este estudo.

Aos Professores Marcelo, Nilza, Téia, Maria Amália, Dinha, Roberto, Maly, Ziza, Fátima, Paula, Mônica, Fani e Sérgio Luna pela dedicação e disponibilidade com os alunos, por terem contribuído para a minha formação e por serem modelos de professores e pesquisadores.

À Professora Maly e à Cássia, por terem me apresentado o Chronic. À Cássia, Ana Carmen e Luciana, pelas discussões sobre o Chronic.

À Neusa, Conceição e Maurício pelos ensinamentos e cuidado com os animais deste estudo e pelas conversas e risos.

À Dinalva, pelos risos e pela alegria. À Joana, pelos desejos de boa coleta.

Aos meus pais e à Má, pelo carinho e apoio.

Ao Pibe, por me ajudar com a coleta e por esses quatro anos e meio...

Aos meus amigos, Vi, Dê, Dani, Cá, Ana, Dri, Júlia, pelas sugestões de “estressores”

(risos), por perguntarem e ouvirem-me contar sobre esta pesquisa, simplesmente; e pela compreensão nos momentos nos quais não apareci, cheguei mais tarde ou sai mais cedo por causa da coleta. Fico felicíssima por fazermos parte das vidas uns dos outros! À Dê, novamente, pela preciosa ajuda com o cálculo da solução de sacarose.

(5)

Título: Anedonia: interações sobre o Chronic Mild Stress e o desempenho operante Autora: Heloísa Cursi Campos

Orientadora: Professora Doutora Fátima Pires de Assis Ano: 2007

Resumo

O Chronic Mild Stress é um modelo animal que pretende estudar a anedonia, um dos sintomas da depressão, através da submissão de animais a um protocolo de estressores crônicos e moderados. Em ratos, a anedonia é verificada na diminuição do consumo e da preferência por água com sacarose. O presente estudo pretendeu investigar (a) se a exposição de animais por três semanas de protocolo de estressores produziria redução do peso e diminuição do consumo de líquidos e da preferência por água com sacarose, vistos nos estudos nos quais a submissão ocorreu por seis semanas e (b) se a submissão a sessões operantes em esquema concorrente FR4-FR4 não permitiria e/ou recuperaria a redução no peso e os valores de consumo e preferência de líquidos. Este trabalho foi composto de: teste de consumo e preferência de líquidos, esquema concorrente FR4-FR4 e protocolo de estressores. Todos os sujeitos tiveram aferidos o peso e o consumo de água e ração e passaram pelos testes de consumo e preferência de líquidos. Dois sujeitos passaram pelo protocolo de estressores e um deles, pelas sessões operantes; o terceiro sujeito não passou pelo protocolo nem pelas sessões. Os resultados revelaram que o protocolo teve efeitos sobre: o peso, o consumo de água e ração e a preferência por água com sacarose, para o sujeito não submetido às sessões operantes. Esses valores retornaram após o protocolo. As sessões operantes mantiveram o peso, o consumo de água e ração e o valor reforçador da água com sacarose. O sujeito controle apresentou redução da preferência por água com sacarose.

(6)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

...

1

MÉTODO

...

11

RESULTADOS E DISCUSSÃO

...

18

CONSIDERAÇÕES FINAIS

...

39

(7)

Modelos animais de psicopatologia têm sido uma metodologia para o estudo de problemas comportamentais humanos (Seligman, 1975; Willner, 1991).

Trabalhar com as observações feitas em animais de laboratório constitui uma das fontes de materiais de uma ciência do comportamento (Skinner, 1953/19741). Ainda que haja diferenças entre o homem e os outros animais quanto à complexidade, diversidade e amplitude de realizações (Skinner, 1953/1974), diversos estudos sugerem que os mesmos processos básicos ocorram tanto nos homens, bem como nos animais (Skinner, 1974/1993). McKinney e Bunney (1969) vão ao encontro de Skinner ao afirmarem que a lacuna de homologia entre as espécies não impede a existência de estudos comparativos.

Segundo Skinner (1953/1974), a utilização de estudos do comportamento de animais reside nos argumentos de que: (a) o comportamento animal é mais simples; (b) a ciência avança do mais simples para o mais complexo; (c) os processos básicos podem ser mais facilmente descobertos, registrados e manipulados durante longos períodos; e (d) pode-se manipular circunstâncias que no comportamento humano seriam de difícil controle.

Assim, os modelos são tomados como ferramentas e, portanto, seus valores residem no trabalho que se pode fazer com eles (Willner, 1991; Auriacombe, Reneric e Le Moal, 1997), ou seja, as conclusões derivadas do uso da simulação realizada em laboratório podem se tornar hipóteses que necessitam ser testadas nos seres humanos (Willner, 1991). Um modelo que considerasse a manipulação sistemática das variáveis hipotetizadas como importantes poderia fornecer condições para a clarificação das relações entre tais variáveis, procedimento esse que é de limitado manejo em uma situação controlada em humanos (McKinney e Bunney, 1969; Willner, 1997; Eifert, Forsyth, Zvolensky, Lejuez, 1999) e intervenções seriam planejadas a partir desses princípios (Seligman, 1975; Eifert et al, 1999). Nesse sentido, pesquisas experimentais se apresentam como relevantes e indispensáveis para o avanço da compreensão e tratamento sobre problemas comportamentais humanos (Eifert et al, 1999).

McKinney e Bunney (1969) enumeram requisitos para um modelo experimental estudar a depressão: (a) analogia razoável entre os sintomas induzidos e os observados nos seres humanos; (b) observação de comportamentos que podem ser objetivamente avaliados; (c) concordância entre observadores independentes sobre critérios objetivos a respeito do estado subjetivo; (d) eficiência da reversão da depressão em humanos nos animais; (e) reprodução do modelo por outros investigadores.

(8)

Seligman (1975) traça quatro linhas de demonstrações básicas necessárias para verificar se um fenômeno de laboratório pode ser um modelo de uma forma de psicopatologia humana, a saber: (a) sintomas comportamentais e fisiológicos, (b) etiologia ou causa, (c) cura e (d) prevenção. Segundo o autor, se um fenômeno humano e um fenômeno animal são semelhantes em um ou dois dos critérios apontados acima, pode-se, então, testar o modelo a procura das semelhanças previstas para os demais critérios.

Para Willner (1984) quando um modelo experimental de psicopatologia é proposto ele deve satisfazer três critérios para ser aceito:

(a) Validade Preditiva (Predictive Validity2): trata-se da acuracidade das previsões que podem ser feitas a partir de um modelo em relação à condição que está sendo simulada;

(b) Validade Aparente (Face Validity3): refere-se à similaridade entre o modelo e a desordem encontrada no homem;

(c) Validade de Construção Teórica (Construct Validity4): diz respeito à racionalidade teórica que sustenta o modelo.

Auriacombe et al (1997) apontam que os modelos animais conferem importância e focalizam a etiologia do distúrbio. Contudo, segundo os autores, a depressão é resultado de um ou mais fatores, a saber: de desenvolvimento, sócio-ambiental e genético. Willner (1984), Borsini (1997) e Cabib (1997) enfocam o aspecto ambiental, ao afirmarem que o estresse é um potente contribuidor para a depressão.

Dessa maneira, a etiologia pode ser um obstáculo nos modelos animais de patologia, uma vez que não se têm esclarecidas as causas da patologia (Willner, 1991; Borsini, 1997). A saída seria, então, tentar criar nos animais um ou mais sintomas da desordem a ser estudada (Borsini, 1997).

Diversos modelos que pretendem estudar a depressão se baseiam em comportamentos anormais causados por estressores (Willner, 1991) que se assemelham à intensidade das dificuldades cotidianas enfrentadas pelos indivíduos (Willner e cols, 1987; Willner, 1991, 1995, 2005).

Contudo, apenas alguns modelos possuem validade para serem considerados modelos de depressão (Willner,1984). Um dos modelos que estudam a depressão causada por estresse e que possui validade como um modelo de depressão em animais (Willner, 1984, 2005;

(9)

Willner, Moreau, Nielsen, Papp, Sluzewska, 1996) é denominado Chronic Mild Stress, o modelo que foi utilizado no presente estudo5.

O Chronic Mild Stress é um modelo que consiste na exposição de um animal a um protocolo de estressores6 moderados7 e variados por um período de semanas, produzindo efeitos vistos em pacientes com depressão (Willner, 1991, 2005; Borsini, 1997): diminuição da atividade sexual, do comportamento de exploração do ambiente, da atividade motora e da agressividade, alteração das fases do sono e presença de anedonia (observada como a redução da sensibilidade à recompensa, no caso a água com sacarose) (Willner, 1997, 2005).

Assim, em particular na depressão, está-se propondo criar em laboratório um dos sintomas da patologia, a anedonia (Willner, 1995). Para o DSM-IV, o manual de diagnóstico de doenças mentais publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, um dos critérios que podem diagnosticar a depressão é definido como a perda de interesse por qualquer atividade anteriormente considerada prazerosa e agradável.

Para propor esse modelo, Willner, Towell, Sampson, Sophokleus e Muscat (1987) realizaram um estudo composto de quatro experimentos que tinha o objetivo de reproduzir, através da exposição a estressores moderados, avaliar e reverter com a administração de um antidepressivo, a anedonia em laboratório.

O primeiro experimento investigou os efeitos da exposição a estressores crônicos e moderados no consumo e preferência por sacarina.

Vinte e quatro ratos machos adultos após privação de água e ração por quatro horas foram expostos por uma hora a uma solução de sacarina a 0,1%. Doze sujeitos formaram um grupo controle enquanto outros doze foram submetidos, durante cinco semanas, aos estressores: privação de comida, privação de água, iluminação contínua, inclinação da gaiola a 30º, permanência de outro sujeito na gaiola, gaiola suja (água derramada na gaiola) e exposição à temperatura baixa (10º C). Na primeira e segunda semanas do experimento foi realizado um teste de consumo de líquidos com a apresentação de uma garrafa de água com sacarina para os dois grupos. Nas três semanas seguintes, foram disponibilizadas simultaneamente duas garrafas, uma contendo água e a outra, solução de sacarina a 0,1%.

5 Para apontamento de outros modelos animais que pretendem estudar a depressão, sugerem-se os trabalhos de McKinney; Bunney, (1969), Willner (1984, 1991) e Thomaz (2001).

6 Nesse trabalho o conjunto de estressores é denominado protocolo de estressores. Willner (1987) trata como estressores os eventos aversivos para os sujeitos.

(10)

Os autores verificaram uma diminuição do consumo de e na preferência por sacarina desde a primeira semana de exposição aos estressores. Essas alterações não foram observadas no grupo controle.

O segundo experimento alterou o protocolo de estressores e examinou a preferência por sacarina e sacarose e os efeitos do antidepressivo desmetilimipramina (DMI).

Dois grupos, cada um com vinte ratos machos adultos, foram privados de água e ração por vinte e três horas antes de serem expostos a duas garrafas, uma com água e a outra com água com sacarose a 1%, para um grupo e para o outro grupo, água e a outra garrafa com água e cloreto de sódio a 0,5%. Em seguida, ambos os grupos foram divididos em dois subgrupos cada. Um subgrupo de cada grupo foi exposto a um protocolo de estressores por seis semanas consecutivas que tiveram o acréscimo dos estressores: barulho intermitente (85 dB), luz estroboscópica (300 flashes/min), exposição a uma garrafa vazia após um período de privação, acesso restrito à comida, presença de odores (purificadores de ar) e presença de objeto estranho (plástico ou madeira) na gaiola. Além disso, alguns estressores foram intensificados ao longo das semanas, como o aumento da inclinação da gaiola (de 30º a 45º) e a presença de quatro sujeitos, ao invés de dois, na mesma gaiola. Semanalmente foram conduzidos testes de preferência de líquidos com a exposição de duas garrafas ao sujeito. Após três semanas de submissão ao protocolo de estressores, os subgrupos foram novamente divididos e para cada grupo foi administrado diariamente o antidepressivo DMI.

Os resultados indicaram uma redução no consumo de água e água com sacarose no grupo submetido aos estressores. O antidepressivo utilizado pareceu anular os efeitos dos estressores, uma vez que aumentou o consumo de e a preferência por água com sacarose nos animais submetidos ao protocolo. Ainda, o total de líquido ingerido pelos sujeitos não submetidos ao protocolo não diferiu entre os grupos que consumiram água com sacarose e água com cloreto de sódio. Também não houve diferenças entre o grupo controle e o grupo de animais que passaram pelo protocolo quanto à preferência pela solução de cloreto de sódio.

O terceiro experimento replicou os efeitos do protocolo de estressores e do antidepressivo DMI na preferência por água com sacarose e examinou seus efeitos nas taxas de corticosterona e glicose no sangue.

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semanas seguintes à retirada dos estressores, testes semanais mediram o consumo de água com sacarose, exceto nas semanas oito e dez. Nessas semanas, testes de nível de glicose e corticosterona no sangue foram realizados para verificar a hipótese de que o estresse aumentaria os níveis de glicose e de corticosterona no sangue.

Os resultados revelaram que não foram encontradas alterações nessas taxas. Ainda, houve diminuição do consumo e preferência por água com sacarose nos animais submetidos ao protocolo de estressores desde a primeira semana de submissão. Diminuição esta que permaneceu por quatro semanas após o término da exposição ao protocolo de estressores. O efeito do antidepressivo DMI foi nulo nos animais do grupo controle, contudo aumentou gradualmente a preferência por sacarose nos animais expostos ao protocolo.

O quarto experimento verificou o efeito do antidepressivo DMI em uma solução menos concentrada de sacarose.

Dois grupos, cada um composta de doze ratos adultos machos, foram submetidos a um teste de consumo e preferência de líquidos com uma solução de água com sacarose a 0.6% após serem submetidos ao protocolo de estressores. Ainda, o mesmo antidepressivo DMI foi administrado em um grupo durante seis semanas e durante esse período os testes de consumo e preferência de líquidos foram realizados a cada três dias.

Os resultados mostraram que uma solução menos concentrada produziu uma preferência menor pela solução de água com sacarose do que a verificada nos Experimentos 2 e 3 e que o antidepressivo usado não teve efeitos sobre na preferência da solução a 0.6% de água com sacarose.

Dessa maneira, o estudo de Willner e cols. (1987) produziu anedonia nos animais, uma vez que reduziu o consumo de água com sacarose, o que o autor considerou como diminuição das propriedades de recompensa. Essa redução parece ter sido produzida pela submissão dos sujeitos ao protocolo de estressores e não por alterações fisiológicas.

Thomaz (2001) replicou o estudo de Willner e cols. (1987). Segundo a pesquisadora no estudo de Willner e cols. (1987) não há a afirmação de que a água com sacarose é um estímulo reforçador e que a diminuição no seu consumo e na sua preferência seja uma variação em seu valor reforçador, já que ela não foi produzida por uma classe de respostas do sujeito. Para responder esta pergunta, Thomaz (2001) procurou investigar se a submissão de sujeitos ao protocolo de estressores teria o efeito de alterar o valor reforçador da água com sacarose em sessões operantes de pressão à barra antes e após o protocolo de estressores.

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permanência de outro sujeito na gaiola, gaiola suja (água limpa misturada à serragem no chão da caixa), barulho intermitente, luz estroboscópica, exposição a uma garrafa de água vazia após privação de água, acesso restrito à comida, presença de cheiro (desodorante purificador de ar) e presença de um objeto estranho na gaiola.

Ainda, o estudo envolveu testes semanais de consumo de líquidos, nos quais duas garrafas estiveram disponíveis ao sujeito, uma contendo água e a outra, água com sacarose.

Os sujeitos tiveram a classe de respostas de pressão à barra modelada, em duas barras existentes na gaiola, em esquemas progressivos de reforçamento até atingirem o esquema FR15-FR158.

Um sujeito foi utilizado como controle de peso durante o experimento e não foi submetido ao protocolo de estressores. Dois sujeitos passaram por sessões operantes de pressão à barra e por testes semanais de consumo e de preferência de líquidos antes de submetidos ao protocolo. Outros dois sujeitos passaram pelos testes semanais de consumo e de preferência de líquidos antes e após serem submetidos ao protocolo de estressores durante seis semanas.

Os resultados encontrados indicam o peso dos sujeitos diminuiu cerca de 10%. Quanto ao consumo e preferência de líquidos, houve uma redução no consumo total de líquidos e uma diminuição na preferência por água com sacarose para todos os sujeitos, exceto para o sujeito controle. Essas reduções foram observadas ainda após o término da submissão ao protocolo de estressores. Mesmo os dois sujeitos que foram submetidos às sessões operantes antes do protocolo mostraram essa redução do consumo e preferência de líquidos. Pode-se afirmar, então, que as sessões operantes antes do protocolo de estressores não foram suficientes para atenuar ou anular os efeitos dos estressores sobre os sujeitos. Já os sujeitos que passaram pelas sessões operantes antes e após o protocolo de estressores tiveram o consumo de líquidos aumentado após o término do protocolo. Assim, verificou-se que a submissão dos sujeitos às sessões operantes após o protocolo de estressores teve efeito semelhante ao antidepressivo utilizado no estudo de Willner e cols. (1987).

Dolabela (2004) replicou o estudo de Thomaz (2001), realizando sessões operantes durante a exposição dos sujeitos ao protocolo de estressores. Dolabela (2004) pretendeu

(13)

verificar se a exposição dos sujeitos às sessões operantes de pressão à barra em esquema concorrente FR água-FR água com sacarose de mesmo valor durante o protocolo de estressores iria (a) alterar o número de respostas de pressão à barra emitidas durante e após o término da submissão ao protocolo de estressores; (b) alterar o consumo de água e de água com sacarose nos testes semanais de preferência de líquidos; e (c) alterar o peso dos sujeitos.

Para isso, a pesquisadora trabalhou com oito ratos machos com idade de três meses que foram submetidos a três condições experimentais: teste de consumo e preferência de líquidos, esquema concorrente e protocolo de estressores. Nos testes de consumo e preferência de líquidos, cada sujeito foi alocado separadamente em uma caixa experimental por uma hora e foram disponibilizadas duas garrafas, uma contendo água e a outra, água com sacarose. Na condição de esquema concorrente, os sujeitos tiveram a classe de respostas de pressão à barra modelada e fortalecida, tendo água como consequência em seis sessões e água com sacarose nas seis sessões seguintes. O protocolo de estressores foi uma replicação do estudo de Thomaz (2001) de acordo com o modelo de Chronic Mild Stress proposto por Willner e cols. (1987).

Um sujeito controle foi submetido apenas aos testes de consumo e preferência de líquidos; dois sujeitos foram expostos ao protocolo de estressores e aos testes de consumo e preferência de líquidos; outros dois sujeitos passaram pelo protocolo de estressores, testes de consumo e preferência de líquidos e sessões de esquema concorrente antes e depois do protocolo de estressores; e três sujeitos foram expostos ao protocolo de estressores, aos testes de consumo e preferência de líquidos e às sessões de esquema concorrente antes, durante e após o protocolo.

O estudo de Dolabela (2004) teve como resultados, em relação ao peso corporal dos sujeitos, uma redução no peso corporal que variou entre 12% e 22% durante a exposição ao protocolo de estressores.

Contudo, os sujeitos submetidos às sessões operantes antes, durante e depois do protocolo recuperaram mais rapidamente o peso após o término do mesmo quando comparados com aqueles que passaram pelas sessões antes e depois. Estes, por sua vez, recuperaram o peso mais rapidamente do que os sujeitos que não passaram pelas sessões operantes.

(14)

exposição ao protocolo. Os sujeitos que passaram pelo protocolo de estressores voltaram a ingerir a mesma quantidade de líquidos que ingeriam antes da exposição ao protocolo quando do término do mesmo. Dolabela (2004) afirma que para esses sujeitos as sessões operantes não foram capazes de impedir a redução na ingestão de água com a sacarose, mas contribuíram para que tal preferência se restabelecesse aos valores iniciais quando comparada com os sujeitos que não foram submetidos às sessões operantes durante a exposição.

Quanto ao número de respostas de pressão à barra, ele foi maior na barra com liberação de água com sacarose do que na barra com liberação de água. Para a autora, a submissão ao protocolo de estressores diminuiu o valor reforçador da água com sacarose e as sessões operantes não foram suficientes para manter esse valor reforçador.

O trabalho de Dolabela (2004) foi replicado por Rodrigues (2005) que pretendeu investigar (a) as possíveis relações entre a perda de peso e as alterações no consumo de água e ração; (b) verificar se a diminuição do valor do esquema concorrente nas sessões operantes (de FR15-FR15 para FR5-FR5) poderia reduzir o custo da resposta e (c) verificar possíveis alterações na exposição ao protocolo de estressores.

Para tanto, Rodrigues (2005) trabalhou com doze ratos machos com idade de dois meses e realizou um delineamento experimental composto por três condições experimentais, a saber: testes de consumo e preferência de líquidos, sessões operantes de esquema concorrente e protocolo de estressores. Essas condições experimentais foram semelhantes às do estudo de Dolabela (2004).

(15)

esquema concorrente FR5-FR5 antes, durante e depois do protocolo e pelo protocolo de estressores.

Os resultados de Rodrigues (2005) indicam que todos os sujeitos tiveram o peso corporal reduzido, resultado semelhante ao encontrado por Dolabela (2004). A diferença na variação da perda de peso entre os sujeitos sugere que ela está relacionada à condição de esquema concorrente que pretendeu atenuar o efeito do protocolo de estressores. A submissão ao esquema concorrente pareceu interferir na recuperação do peso corporal: os sujeitos que não foram submetidos ao esquema concorrente não recuperaram o peso. Já os sujeitos submetidos às sessões operantes antes, durante a após o protocolo recuperaram o peso antes dos sujeitos que passaram pelas sessões operantes antes e após o protocolo, outro resultado semelhante ao encontrado por Dolabela (2004).

Um terceiro resultado encontrado no trabalho de Rodrigues (2005) e Dolabela (2004) foi a diminuição na preferência de água com sacarose. No que se refere à recuperação da preferência por água com sacarose, os sujeitos que não foram submetidos às sessões operantes e passaram pelo protocolo de estressores não voltaram a ingerir a quantidade de água com sacarose nos valores apresentados antes da submissão ao protocolo de estressores. Já os sujeitos que passaram pelo esquema concorrente FR5-FR5 apresentaram uma porcentagem de consumo de água com sacarose maior do que aqueles submetidos à sessões operantes em esquema FR15-FR15.

Há outro resultado de Rodrigues (2005) em concordância com Dolabela (2004). O número de respostas de pressão à barra com liberação de água com sacarose foi maior do que na outra barra. Ainda, os sujeitos que passaram pelas sessões operantes durante o protocolo de estressores recuperaram o padrão de respostas na barra com liberação de água com sacarose apresentados antes do protocolo. O sujeito que foi submetido às sessões operantes em esquema FR5-FR5 antes, durante e após o protocolo manteve a estabilidade nas respostas de pressão à barra com liberação de água com sacarose ao longo do estudo.

(16)

nos quais foram administrados um antidepressivo. Ainda, Rodrigues (2005) diminuiu o custo da resposta nas sessões operantes de FR15–FR15, como nos trabalhos de Thomaz (2001) e Dolabela (2004), para FR9-FR9 e FR5–FR5 e os sujeitos submetidos às sessões operantes com esse último valor pareceram manter uma estabilidade no consumo de água com sacarose.

Os sujeitos dos estudos que utilizaram o protocolo de estressores crônicos e moderados permaneceram em uma situação na qual suas respostas não alteraram as condições ambientais, não produzindo mudanças na existência ou amplitude dos estressores. Por outro lado, quando os sujeitos de Thomaz (2001), Dolabela (2004) e Rodrigues (2005) foram expostos às sessões operantes, houve uma dependência entre a resposta de pressão à barra e a conseqüência produzida, água ou água com sacarose.

Segundo Seligman (1975), a depressão é causada pela perda de controle sobre os reforçadores, ou seja, há uma independência entre a resposta e a conseqüência que pode indicar ao organismo a incontrolabilidade da experiência. Em contrapartida, o autor afirma que os sujeitos que são resistentes à depressão são aqueles que passaram por experiências nas quais puderam manipular as fontes de sofrimento e alívio.

(17)

MÉTODO

Sujeitos

Foram utilizados como sujeitos experimentais três9 ratos machos da raça Wistar, experimentalmente ingênuos, com idade de sete meses no início do estudo. Os sujeitos foram mantidos a aproximadamente 85% do peso ad lib, restringindo o acesso à água.

Equipamento

o Uma balança digital da marca Filizola com capacidade máxima de dois quilos e

sensibilidade de 0,5 gramas;

o Gaiolas individuais de alumínio com dimensões de 20 cm x 25 cm x 21 cm. Durante o

protocolo de estressores, as gaiolas dos sujeitos que foram submetidos ao mesmo permaneceram em uma sala do Laboratório de Psicologia Experimental da PUCSP, medindo 0,90 m x 2 m de forma a facilitar a manipulação das alterações ambientais que compuseram o protocolo. Durante as demais fases do procedimento e para o sujeito que não passou pelo protocolo de estressores, os sujeitos permaneceram na sala do biotério do Laboratório. A cada 24 horas as salas permaneceram iluminadas por doze horas, salvo nos dias que a sala do protocolo de estressores esteve determinada a permanecer com a iluminação contínua. Houve também a presença de um exaustor e um aquecedor em ambas as salas a fim de manter a temperatura em torno de 23 graus centígrados;

o Caixas de condicionamento operante Med Associates, modelo Env-008. As caixas foram

colocadas dentro de outra caixa com isolamento acústico e dimensões: 47 cm x 67 cm x 47 cm. A caixa esteve equipada com uma barra de pressão e um bebedouro ou duas barras e dois bebedouros. Quando a caixa esteve com um bebedouro e uma barra, o bebedouro esteve localizado no centro de uma das paredes laterais da caixa experimental a uma altura de 2 cm da grade do chão e ao lado, próximo à porta da caixa, esteve uma barra de pressão

(18)

a uma altura de 8 cm da grade do chão. Quando a caixa esteve equipada com dois bebedouros e duas barras, cada par bebedouro-barra se localizou em uma parede lateral da caixa experimental, posicionados frente ao outro, estando o bebedouro no centro da parede e a barra ao lado e próxima à porta da caixa;

o A apresentação dos estímulos e o registro do desempenho dos sujeitos foram controlados

pelo software (Schedule) Manager para Windows, produzido pela Med Associates, versão 2.0, em um computador IBM 486;

o Uma lâmpada de luz estroboscópica com capacidade para disparar até trezentos flashes

por minuto;

o Um aparelho de MP3 Player no qual foram gravados ruídos; o Duas caixas de som de computador;

o Um medidor de decibéis; o Serragem;

o Garrafas de água com capacidade para 250 mililitros; o Seis potes de plástico;

o Dois objetos de metal redondo de aproximadamente 7 cm de diâmetro e 1,5 cm de altura

(latas de bala);

o Um desodorante purificador de ar da marca Glade modelo sachet para armários e gavetas

e de odor lavanda.

Procedimento

Quando os sujeitos alcançaram sete meses de vida foram alojados em gaiolas individuais e começaram a ser pesados. O consumo de água e ração foi livre.

Após o peso estabilizar por um mês sem oscilações maiores do que 10% do peso por dez dias foi restringida a quantidade de água para cada sujeito de modo a reduzir e manter o peso a 85% do peso ad lib. Até o início do protocolo de estressores, o acesso à ração continuou livre para os três sujeitos. Durante o protocolo, o acesso à ração foi livre apenas para o sujeito controle de peso.

(19)

testes de líquidos, do líquido caído de cada garrafa em um pote de plástico localizado embaixo de cada garrafa.

A medida da ração foi realizada a partir da diferença entre o peso em gramas da ração disponibilizada e o peso final restante na gaiola e na bandeja localizada embaixo da gaiola.

Tanto a medida da ingestão de líquido, quanto a medida do consumo de ração foram calculados em valores aproximados.

Este trabalho foi composto das seguintes condições experimentais:

o Teste de consumo e de preferência de líquidos; o Esquema concorrente;

o Protocolo de estressores.

A cada sete dias, cinco foram reservados às sessões de esquema concorrente, um dia para os testes de consumo e preferência de líquidos e um dia nenhuma intervenção foi realizada (o dia seguinte ao testes de consumo e preferência de líquidos).

Teste de consumo e de preferência de líquidos

Quando o peso dos sujeitos foi estabilizado a 85% do peso ad lib tiveram início os testes de consumo e preferência de líquidos a cada sete dias até o final do estudo.

Foram utilizadas, para cada sujeito, duas garrafas, uma contendo água e a outra contendo uma solução de água com sacarose a 8%. As garrafas estiveram localizadas cada uma em uma das paredes laterais da gaiola, sendo o lado alterado em cada teste. Embaixo de cada garrafa esteve um pote de plástico utilizado para coletar o líquido que caiu da garrafa. Ao final de cada teste, foi medida a quantidade de líquidos consumidos.

Esquema concorrente

Com o objetivo de avaliar o valor reforçador dos estímulos água e água com sacarose foram realizadas sessões em caixas experimentais nas quais foi registrada a freqüência das respostas de pressão à barra com liberação de água e na barra com liberação de água com sacarose.

Essa situação experimental envolveu:

(20)

água (uma gota a cada liberação). A modelagem e o fortalecimento da resposta foram realizados em duas fases.

Na primeira fase foi utilizada água como conseqüência em quatro sessões. Na primeira sessão, as respostas de pressão à barra foram modeladas por aproximações sucessivas e fortalecidas em CRF em um lado da caixa operante. Na segunda sessão, a barra e o bebedouro estiveram no lado oposto àquele apresentado na primeira sessão. Respostas de pressão à barra foram modeladas da mesma maneira. A terceira sessão foi igual à primeira e a quarta, igual à segunda. Dessa forma, totalizaram cem pressões à barra em cada lado da caixa operante tendo água com conseqüência.

A segunda fase conteve quatro sessões e foi utilizada a solução de sacarose como conseqüência. Do mesmo modo descrito na primeira fase, foram alternadas duas sessões nas quais o par bebedouro-barra esteve localizado em um lado da caixa e duas sessões nas quais o par esteve localizado no lado oposto. Foram assim totalizadas cem pressões à barra em cada lado da caixa tendo a água com sacarose como conseqüência.

b) Esquema concorrente: Encerradas as sessões descritas acima, tiveram início as sessões em esquema concorrente com duração de vinte minutos cada. As caixas experimentais foram equipadas com duas barras e dois bebedouros, sendo que cada par bebedouro-barra esteve localizado em uma parede lateral da caixa, um frente ao outro. Uma barra era correspondente à liberação da água e a outra, água com sacarose. Inicialmente, o esquema concorrente foi CRF água-CRF água com sacarose. Em seguida, foram empregados valores progressivos de FR (FR2 e FR3) até atingir FR410.

Na primeira sessão de esquema concorrente, a sacarose foi liberada após as pressões a barra no lado em que o sujeito apresentou menor freqüência de respostas durante a fase de modelagem e fortalecimento das respostas de pressão à barra. Nas sessões seguintes, o lado de apresentação dos líquidos variou de acordo com o desempenho do sujeito. Após os sujeitos apresentarem maior freqüência de respostas na barra correspondente à água com sacarose por três sessões consecutivas, foi alterado o lado de apresentação da sacarose como conseqüência de pressão à barra para o outro lado da caixa. Quando o sujeito apresentou maior freqüência de respostas na barra referente à água com sacarose, por três sessões consecutivas, o valor do FR foi aumentado igualmente para as duas barras. Isso foi repetido até que o sujeito atingisse

(21)

a razão de FR4. Se por acaso o sujeito não pressionasse a barra com a liberação de sacarose por três sessões consecutivas, o valor do FR anterior seria retomado até novamente atingir maior número de respostas na barra com liberação de sacarose por três sessões consecutivas.

Protocolo de estressores

Foi realizada uma replicação do protocolo de estressores de acordo com o protocolo do Chronic Mild Stress de Willner e cols. (1987), utilizado por Thomaz (2001), Dolabela (2004) e Rodrigues (2005). Os estressores foram apresentados aos sujeitos designados a serem submetidos ao protocolo de estressores em ciclos de sete dias, durante o período de três semanas consecutivas.

Os estressores foram:

a) Inclinação da gaiola: a gaiola viveiro foi inclinada 30º para trás da 1ª até a 17ª hora do 1º dia e da 18ª a 24ª hora do 4º dia;

b) Luz estroboscópica: uma luz estroboscópica disparando 300 flashes por minuto esteve disposta no chão da sala, de frente para as gaiolas viveiro, da 18ª hora até a 19ª hora do 1º dia e da 18ª até a 24ª hora do 3º dia;

c) Privação de ração: os sujeitos foram privados de ração da 23ª hora do 1º dia até a 22ª hora do 2º dia, da 1ª hora do 4º dia até a 17ª hora do 5º dia, da 18ª hora do 6º dia até a 19ª hora do 7º dia;

d) Ruído intermitente: um ruído branco (ruído produzido numa faixa de freqüência determinada), intermitente, de 85 Db, permaneceu ligado da 23ª hora até a 24ª hora do 2º dia e da 20ª hora até a 24ª hora do 5º dia;

e) Gaiola suja: uma mistura de 50g de serragem com 100 mililitros de água foi espalhada no chão da caixa viveiro. A mistura esteve presente da 1ª a 17ª hora do 2º dia;

f) Iluminação contínua: a luz da sala permaneceu acessa da 1ª até a 17ª hora do 3º dia e da 1ª até a 19ª hora do 7º dia (horários nos quais a luz estaria apagada seguindo o ciclo de doze horas);

(22)

i) Agrupamento: os dois sujeitos foram agrupados em uma mesma gaiola. A cada agrupamento a dupla ficou alojada na gaiola de um dos sujeitos da dupla. Este estressor ocorreu da 1ª a 17ª hora do 5º dia;

j) Acesso restrito à ração: nas 18ª e 19ª horas do 5º dia, após 41 horas de privação de ração, foram colocadas na gaiola viveiro três pelotas de ração com aproximadamente 2 g cada; k) Cheiro: um desodorante purificador de ar esteve disposto no chão da sala em frente às gaiolas viveiro da 1ª até a 17ª hora do 6º dia.

O Quadro1 apresenta a distribuição semanal do protocolo de estressores e dos testes de consumo de líquido que foram repetidos por três semanas.

Delineamento experimental

(23)

dia 1 dia 2 dia 3 dia 4 dia 5 dia 6 dia 7 1

inclinação da gaiola privação de ração +

gaiola suja iluminação contínua

privação de ração + objeto estranho

privação de ração +

agrupamento cheiro purificador de ar

privação de ração + iluminação contínua 2

3

4 5 6

7 8

9 10 11

12 13

14 15 16

17 18

luz estroboscópica

privação de ração

luz est + garrafa vazia

privação de ração + inclinação da gaiola

acesso restrito à ração

privação de ração

privação de ração + iluminação contínua 19

luz estroboscópica 20

barulho intermitente

teste de consumo

21 22 23

privação de ração barulho intermitente

(24)

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta sessão serão apresentados, analisados e discutidos os dados referentes ao peso, ao consumo de água e ração e aos testes de consumo e preferência de líquidos para todos os sujeitos e ao esquema concorrente para o sujeito submetido a essa condição.

Peso corporal

Os sujeitos tiveram seus pesos corporais aferidos.

Esses dados estão apresentados em figuras nas quais o eixo x indica o dia no qual foi realizada a pesagem e o eixo y mostra o peso do sujeito em gramas. A primeira linha tracejada na vertical indica o início da privação de água e as segunda e terceira linhas circunscrevem o período de submissão do sujeito ao protocolo de estressores. As linhas horizontais pretas indicam a média do peso durante as últimas dezoito pesagens antes da exposição ao protocolo, as dezoito pesagens durante o protocolo e as dezoito seguintes para os Sujeitos H1 e H3.

Na Figura 1 podem ser vistos os dados referentes ao Sujeito H1 que passou pelo protocolo de estressores, mas não pelas sessões operantes.

290 320 350 380 410 440 470 500

0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220

Dia

P

es

o (

g)

Estabilização do peso

Privação Privação Regime de

estressores

Média do peso Peso

(25)

Na fase de estabilização do peso, no dia 1, o Sujeito H1 pesou 347 gramas, aumentando até o dia 38, início da privação de água, para 408,5 gramas.

Nos dias 39 e 40, o peso decresceu até 395 gramas. Contudo, no dia 43 nota-se um aumento para 421,5 gramas provavelmente devido a um excesso de ração liberada pela pesquisadora para o sujeito. Desse dia até o dia 60, o peso diminuiu até 321 gramas. A partir do dia 60 até o dia 170, início do protocolo de estressores, o peso sofreu variações em torno de 85% do peso ad lib, valor referente a 342,5 gramas. Nesse período, no dia 64, notaram-se o valor mais baixo de peso, 319 gramas, e no dia 69, o valor mais alto, 369 gramas.

No dia 171, primeiro dia do protocolo de estressores, o peso diminuiu para 321,5 gramas. Durante todo o período, o Sujeito H1 teve seu peso abaixo do valor 342,5 gramas, sendo que o valor mais baixo alcançado foi verificado no dia 190 (décimo nono dia do protocolo) com o valor 309,5 gramas, ou seja, a redução foi equivalente a 9,6% do valor de 85% do peso ad lib. Ainda, verifica-se uma diminuição do peso durante os dias 183 e 190, a terceira semana de exposição ao protocolo. No dia 191, último dia na condição do protocolo, o sujeito pesou 334,5 gramas.

Após a submissão ao protocolo, entre os dias 192 e 220, o peso se restabeleceu aos valores encontrados antes da exposição ao protocolo. Exceto nos dias 195, 197 e 204 o peso esteve em 314,5, 359,5 e 360 gramas, respectivamente, as maiores variações encontradas.

Devido às variações de peso observadas durante o estudo, calculou-se a média das últimas dezoito pesagens antes, durante a depois. O divisor dezoito foi escolhido por ser o número de pesagens durante o protocolo.

A média de peso nas últimas dezoito pesagens antes do protocolo foi 337 gramas, diminuindo para 325 gramas, durante o protocolo, e aumentando para 338 gramas após a suspensão do protocolo de estressores.

Esses dados apontam que o protocolo de estressores com duração de três semanas consecutivas foi provavelmente o responsável pelo decréscimo do peso do sujeito. Ainda, parece que o protocolo interferiu no peso somente quando o sujeito esteve exposto a ele e essa diminuição não se manteve quando do término do protocolo.

A Figura 2 apresenta os dados de peso do Sujeito H2, não submetido ao protocolo de estressores.

(26)

290 320 350 380 410 440 470 500

0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220

Dia

P

es

o

(g)

Privação

Figura 2. Valor do peso em gramas do Sujeito H2, por dia, nas diferentes condições do estudo.

Nos dias 39 e 40, dois dias após o início da privação de água, o peso decresceu até 463 gramas. Porém, nos dias 43 a 47 houve um aumento no peso devido provavelmente a um excesso de ração fornecida. Entre os dias 48 a 60, o peso diminuiu até 366,5 gramas. A partir desse dia, o peso se manteve em torno de 406 gramas, referente a 85% do peso ad lib. O valor mais baixo encontrado ocorreu no dia 74 e consistiu em 379,5 gramas e o valor mais alto foi medido no dia 131 em 442,5 gramas.

A Figura 3 indica o peso do Sujeito H3, que foi exposto ao protocolo de estressores e às sessões operantes em esquema concorrente FR4-FR4 antes e depois de passar pelo protocolo.

O peso do Sujeito H3 no dia 1 foi 325 gramas, aumentando até o início da privação no dia 38, no qual atingiu 400,5 gramas.

Nos dias 39 e 40, o peso foi reduzido até 395 gramas. Contudo, nos dias 43 a 46 houve um aumento no peso devido a um excesso de ração fornecida ao sujeito. Do dia 47 a 60 o peso diminuiu até 327,5 gramas. A partir desse dia até o início do protocolo de estressores, o peso variou entre 318 gramas no dia 83 e 361,5 gramas no dia 131.

Durante o protocolo de estressores, o Sujeito H3 teve seu peso diminuído no dia 173, segundo dia de exposição e em todos os dias o peso foi inferior a 334 gramas, valor de 85% do peso ad lib, sendo que o valor mais baixo foi verificado no dia 190 (décimo nono dia do

(27)

protocolo) e consistiu 300 gramas, ou seja, houve uma redução de 10,1% do peso. No dia 191, último dia na condição, o peso do Sujeito H3 esteve em 319 gramas.

290 320 350 380 410 440 470 500

0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220

Dia

P

es

o (

g)

Estabilização do peso

Privação e sessões operantes Privação e

sessões operantes

Regime de estressores

Figura 3. Valor do peso em gramas do Sujeito H3, por dia, nas diferentes condições do estudo.

No dia 192, após o protocolo, o peso restabeleceu seus valores em torno dos aferidos anteriormente, variando entre 315,5 gramas no dia 195 e 348,5 gramas no dia 214.

As médias de peso nas últimas dezoito pesagens antes do protocolo foram 327 gramas antes do protocolo, reduzindo para 316 gramas durante o protocolo e na suspensão deste aumentou para 333 gramas, o que aponta uma diminuição do peso durante o protocolo e retorno ao valor encontrado antes dessa situação na suspensão do protocolo.

Na comparação das Figuras 1, 2 e 3, nota-se um aumento de peso constante durante a fase de estabilização do peso, seguido de redução do peso nos dois dias seguintes da restrição de consumo de água, sendo que houve um aumento nos dias posteriores. As três curvas apresentam variações nos valores do peso. Ainda, observa-se uma diminuição constante do peso dos Sujeitos H1 e H3 durante o protocolo. O peso de ambos esteve abaixo do valor de 85% do peso ad lib, entre os dias 172 a 191 e diminuiu até 9,6%, no caso do Sujeito H1, e 10,1%, no caso do Sujeito H3. O Sujeito H2, no entanto, manteve seu peso em torno de 85%

do peso ad lib.

(28)

A redução de peso dos sujeitos submetidos ao protocolo de estressores também foi encontrada por Thomaz (2001), Dolabela (2004) e Rodrigues (2005). A redução do peso de até 9,6% (Sujeito H1) e de até 10,1% (Sujeito H3), foi também verificada por Thomaz (2001), cuja porcentagem de variação do peso ficou em torno de 10%. Já Dolabela (2004) encontrou porcentagens que variaram de 12% a 20% e Rodrigues (2005) encontrou variações entre 4,8% e 19,5%.

Uma vez que as porcentagens de perda de peso dos sujeitos do presente estudo constituem valores próximos, não é possível estabelecer relação entre a redução do peso e a não submissão às sessões operantes. Assim, parece que as sessões operantes anteriores ao protocolo não serviram para prevenir a redução de peso durante o mesmo.

Os pesos dos Sujeitos H1 e H3 retornaram aos valores anteriores ao protocolo, sugerindo que essas sessões não podem ser relacionadas à retomada do peso. Os sujeitos de Dolabela (2004) e Rodrigues (2005) que não passaram pelas sessões operantes não retornaram aos valores de peso aferidos antes do protocolo, diferentemente do verificado no presente estudo. Esse resultado provavelmente aponta que um protocolo de estressores com três semanas de duração não reproduziu os resultados da não recuperação do peso após o término do protocolo nos sujeitos não submetidos às sessões operantes. Novamente parece que a duração do protocolo foi a variável responsável pelos resultados encontrados. Já os sujeitos do estudo de Dolabela (2004) que passaram pelas sessões operantes antes e depois do protocolo retornaram aos valores de peso em cerca de treze dias após o término do protocolo. Os sujeitos do trabalho de Rodrigues (2005) retornaram em dezessete dias, no caso de um sujeito, e vinte e um dias no caso do outro, após o encerramento do protocolo. Os sujeitos que passaram pelas sessões operantes antes, durante e depois apresentaram a recuperação mais rapidamente: aproximadamente onze dias no trabalho de Dolabela (2004). Dois sujeitos do estudo de Rodrigues (2005) recuperaram o peso em cerca de treze dias após o término do protocolo e um sujeito começou a recuperar o peso durante a exposição ao mesmo.

Interessante destacar que Willner e cols. (1987) utilizaram antidepressivos na reversão da anedonia produzida. No entanto, após a administração desses medicamentos o peso dos sujeitos se manteve nos valores para os quais haviam decaído durante a exposição ao protocolo de estressores. Dessa maneira, os antidepressivos não reverteram a queda dos valores do peso.

(29)

no estudo de Dolabela (2004) o valor do esquema concorrente foi FR15-FR15, e em Rodrigues (2005), FR15-FR15, FR9-FR9 e FR5-FR5. Um dos sujeitos do estudo de Rodrigues (2005) que foi submetido às sessões operantes em esquema concorrente FR5-FR5 recuperou o peso perdido durante a exposição ao protocolo após quinze dias do término do mesmo e o outro sujeito recuperou o peso na sexta semana de exposição. No presente estudo, esse valor menor empregado no esquema concorrente foi próximo ao valor de FR5-FR5 do estudo de Rodrigues (2005). Mesmo um valor menor não impediu que o peso do sujeito se mantivesse durante o protocolo.

Consumo de água e ração

As Figuras 4, 5 e 6 apresentam os dados referentes ao consumo de água e ração durante o estudo. O eixo x indica o dia de aferição, o eixo y da esquerda, o consumo de ração e o eixo y da direita, a quantidade de água ingerida. Os pontos quadrados brancos indicam a quantidade de ração consumida e os pontos losangos pretos marcam a quantidade de água. A primeira linha tracejada na vertical indica o início da privação de água e as segunda e terceira linhas circunscrevem o período de submissão do sujeito ao protocolo de estressores.

A Figura 4 mostra os dados do Sujeito H1 que, como já descrito, foi exposto ao protocolo de estressores.

Estabilização Protocolo de do peso estressores

Privação Privação

0 10 20 30 40 50

0 40 80 120 160 200

Dia R açã o (gr am as) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Á gu a (m ilitr os) Ração (g) Água (mL)

(30)

Nota-se que o consumo de água e ração foi maior durante a fase de estabilização do peso, do que nas fases seguintes. O Sujeito H1 ingeriu entre 0 e 75 mililitros de água durante a fase de estabilização do peso e entre 9,5 e 29 gramas de ração.

Os pontos que marcam consumo nulo de água se referem aos dias nos quais a pesquisadora não liberou água ao sujeito a fim de manter seu peso em 85% do peso ad lib.

Na fase de privação, seu consumo esteve entre 0 e 31 mililitros de água e 0 e 24 gramas de ração. Houve uma diminuição maior no consumo de água do que de ração e uma tendência de queda até o final da condição.

Da mesma maneira que ocorrido durante a fase de estabilização do peso, os pontos que marcam consumo nulo de água se referem aos dias nos quais a pesquisadora não liberou água ao sujeito a fim de manter seu peso em 85% do peso ad lib. Já os valores nulos de ingestão de ração indicam os dias nos quais o sujeito não ingeriu ração, ainda que ela estivesse disponível. Quando o protocolo de estressores teve início, os valores de consumo do Sujeito H1 ficaram entre 0 e 50 mililitros de água e 0 e 39 gramas de ração. Observa-se maior variação no consumo desses alimentos durante a referida condição quando comparado com o período antes da exposição aos estressores.

Os pontos que marcam o valor 0 gramas e 0 mililitros se referem aos dias de exposição ao protocolo de estressores nos quais os sujeitos passaram por restrição ou privação hídrica e alimentar, dias anteriores aos testes de consumo e preferência de líquidos, condição para os sujeitos serem submetidos aos testes. Os pontos que indicam os valores mais altos de consumo de água e ração estão localizados nos dias seguintes aos quais o sujeito permaneceu em privação de água e ração.

Essa constatação sugere uma relação entre o protocolo de estressores ou alguma característica deles, provavelmente a restrição/privação hídrica e alimentar, e o consumo desses alimentos durante a exposição aos estressores.

Quando o Sujeito H1 deixou a condição do protocolo de estressores, entre os dias 200 e 218, seu consumo atingiu valores entre 0 e 34 mililitros de água e 0 e 23 gramas de ração. Esses valores mostram menor variação do consumo após a submissão ao protocolo de estressores quando comparado com a condição anterior. Ainda, o consumo se restabeleceu aos valores obtidos antes da submissão ao protocolo, apontando que a exposição do Sujeito H1 ao protocolo de estressores de três semanas de duração provavelmente não teve efeitos sobre o consumo de água e ração quando do término do protocolo.

(31)

Estabilização Privação do peso 0 10 20 30 40 50

0 40 80 120 160 200

Dia R açã o (g ra ma s) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Ág ua (mi lil itro s) Ração (g) Água (mL)

Figura 5. Consumo de ração e água do Sujeito H2 por dia.

Na fase de estabilização do peso, o consumo de água e ração esteve entre 19 e 53 mililitros de água e entre 17,5 a 29 gramas de ração. Esses valores foram maiores antes de ter início a privação de água do que no período posterior, quando o Sujeito H2 ingeriu entre 0 e 29 mililitros de água e 0 e 32 gramas de ração.

Os pontos que marcam consumo nulo de água se referem aos dias nos quais a pesquisadora não liberou água ao sujeito a fim de manter seu peso em 85% do peso ad lib. Já os valores nulos de ingestão de ração indicam os dias nos quais o sujeito não ingeriu ração, ainda que ela estivesse disponível.

A ingestão de ração parece apresentar variação ao longo dos dias de aferição e nota-se uma ligeira queda no consumo. Os valores de consumo de água e ração sofreram variações ao longo do estudo.

Os dados referentes ao consumo de água e ração para o Sujeito H3, exposto ao protocolo de estressores e às sessões operantes em esquema concorrente FR4-FR4 antes e depois dessa condição são apresentados na Figura 6.

(32)

Estabilização Protocolo de do peso estressores Privação Privação

0 10 20 30 40 50

0 40 80 120 160 200

Dia R açã o (g ra ma s) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Ág ua (mi lil itro s) Ração (g) Água (mL)

Figura 6. Consumo de ração e água do Sujeito H3 por dia.

Na fase de privação, seu consumo esteve entre 0 e 29 mililitros de água e 0 e 27 gramas de ração.

Os pontos que marcam consumo nulo de água se referem aos dias nos quais a pesquisadora não liberou água ao sujeito a fim de manter seu peso em 85% do peso ad lib. Já os valores nulos de ingestão de ração indicam os dias nos quais o sujeito não ingeriu ração, ainda que ela estivesse disponível.

Durante a submissão ao protocolo de estressores, os valores de consumo estiveram entre 0 e 24 mililitros de água e 0 e 31,5 gramas de ração, o que sugere a manutenção dos valores de consumo desses alimentos durante essa condição quando comparado com o período anterior à exposição aos estressores.

Da mesma maneira que ocorrido com o Sujeito H1, os pontos que marcam os valores 0 gramas e 0 mililitros referem-se aos dias de exposição ao protocolo de estressores nos quais os sujeitos sofreram privação/restrição hídrica e alimentar e aos dias anteriores aos testes de consumo e de preferência de líquidos. Os pontos que indicam os valores mais altos de consumo de água e de ração estão localizados nos dias seguintes aos dias nos quais os sujeitos permaneceram em privação de água e ração.

(33)

Sujeito H1, não submetido às mesmas sessões, e que apresentou maior variação de consumo, parece que as sessões operantes possuem relação com a manutenção do consumo durante o protocolo.

Após a suspensão da condição do protocolo de estressores, o Sujeito H3 consumiu entre 0 e 30 mililitros de água e 0 e 29,5 gramas de ração.

Os pontos que marcam consumo nulo de água se referem aos dias nos quais a pesquisadora não liberou água ao sujeito a fim de manter seu peso em 85% do peso ad lib. Já os valores nulos de ingestão de ração indicam os dias nos quais o sujeito não ingeriu ração, ainda que ela estivesse disponível.

Os valores de consumo do Sujeito H3 foram próximos aos aferidos antes e durante a exposição ao protocolo. Entretanto, o mesmo não foi verificado nos valores de consumo do Sujeito H1, o que sugere que as sessões operantes em esquema concorrente FR4-FR4 antes do protocolo podem ser relacionadas à manutenção do consumo de água e ração durante o protocolo.

Comparando-se as curvas das Figuras 4, 5 e 6, nota-se que as três apresentam variações nos valores de consumo de água e ração. Verifica-se, também, uma maior variação no consumo de ambos pelo Sujeito H1 quando submetido ao protocolo de estressores, ao passo que o Sujeito H2, que não foi exposto ao protocolo, e o Sujeito H3, que passou pelas sessões operantes, mantiveram o consumo durante o protocolo. Assim, provavelmente a apresentação do protocolo de estressores ou algum aspecto dele interferiu no consumo de água e ração do Sujeito H1 e as sessões operantes mantiveram o consumo do Sujeito H3. Diferentemente, os sujeitos do estudo de Rodrigues (2005) mantiveram o consumo de água e ração, durante o protocolo, nas quantidades verificadas antes da exposição ao mesmo.

No entanto, o Sujeito H1 retornou aos valores de consumo de água e ração após a suspensão do protocolo de estressores, indicando que o período de três semanas do protocolo parece não ter interferido no consumo desses alimentos quando o sujeito não estava mais sendo exposto a ele.

Nota-se ainda, que o Sujeito H3, que passou pelas sessões operantes em esquema concorrente FR4-FR4, manteve os valores de consumo de água e ração durante o protocolo, sugerindo que as sessões operantes anteriores ao protocolo estão relacionadas ao consumo.

(34)

peso podem ser relacionadas aos períodos de privação/restrição hídrica e alimentar que compunham o protocolo de estressores, sendo 23 horas, 41 horas e 25 horas sem acesso à ração, com o acréscimo a esse último período de 23 de privação de água, como condição para participação dos testes de líquidos. Em contrapartida, nos dias seguintes aos períodos de privação de água e ração, verificou-se no presente estudo que os sujeitos que passaram pelo protocolo ingeriram uma quantidade maior de água e ração do que antes da submissão, o que por sua vez, aumentou o peso do sujeito no dia.

Testes de consumo e de preferência de líquidos

Ocorreram vinte e cinco testes de consumo e preferência de líquidos. Os testes de número 1 a 19 ocorreram antes da submissão dos Sujeitos H1 e H3 ao protocolo de estressores, os testes de 20 a 22 foram realizados durante a exposição e os testes de número 23 a 25 foram efetuados após o término do protocolo.

As figuras nas quais estão dispostos os dados referentes a esses testes são as Figuras 7, 8 e 9. Em cada figura, o eixo x apresenta o teste realizado e o eixo y, os valores de líquidos ingeridos em mililitros. Duas linhas tracejadas demarcam o período de exposição dos Sujeitos H1 e H3 ao protocolo. Há três curvas: uma referente ao consumo de água (pontos em triângulos cinza e linha contínua), outra de água com sacarose (pontos quadrados brancos e linha contínua) e a terceira marca a porcentagem de preferência de ingestão de água com sacarose sobre a ingestão da água (pontos em losangos pretos e linha tracejada). Os valores que compõem a última curva foram calculados a partir da seguinte fórmula: valor do consumo de água com sacarose dividido pela soma dos valores de consumo de água com sacarose e de água, em seguida multiplicado por 100%.

A Figura 7 mostra os dados dos testes realizados com o Sujeito H1.

Em relação ao consumo de água, é possível notar que do teste 1 ao 14, o consumo variou entre 1 e 35 mililitros. Do teste seguinte até a submissão do Sujeito H1 ao protocolo de estressores, a ingestão de água diminuiu até alcançar um consumo nulo no teste 19.

Durante a exposição ao protocolo, nos testes 20, 21 e 22, os valores foram, respectivamente, 2, 3 e 13 mililitros, denotando um aumento no consumo de água no último teste realizado durante a submissão ao protocolo. Essa verificação sugere que a exposição do Sujeito H1 ao protocolo de estressores teve efeitos no aumento do consumo de água na última semana de exposição do sujeito.

(35)

Protocolo de

estressores Privação Privação

0 15 30 45 60 75 90 105

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Testes Q ua nt id ad e em m L 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 P or ce nt ag em

Água (mL) Água com sacarose (mL) % sacarose

Figura 7. Distribuição do consumo de água e água com sacarose e porcentagem de preferência de água com sacarose sobre a ingestão da água do Sujeito H1 por teste.

Os testes 23, 24 e 25, ocorridos após a suspensão do protocolo de estressores, exibem valores, respectivamente, de 11, 5 e 8 mililitros de água ingerida, apresentando um decréscimo no consumo. Vale destacar que no teste em seguida ao término do protocolo, o valor de água ingerida esteve próximo do último teste realizado durante o protocolo.

O consumo de água não retornou aos valores obtidos antes da submissão ao protocolo, ainda que esses valores tenham sofrido decréscimo nos três testes subseqüentes ao término do protocolo.

Esse dado indica que o consumo de água pode ter sofrido efeito da submissão do sujeito ao protocolo durante a primeira semana após a suspensão do protocolo, não se mantendo durante as duas semanas seguintes.

Quanto ao consumo de água com sacarose, do teste 1 ao 19, ele esteve entre 12 e 105 mililitros, excetuando os testes 2, 7 e 12 nos quais o consumo foi maior, respectivamente 54, 50 e 50 mililitros. Nos testes 15 a 19, pareceu que o consumo se estabilizou, pois marcaram valores entre 15 e 18 mililitros.

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Esse dado sugere que o protocolo de estressores teve efeitos na redução do consumo de água com sacarose na terceira semana de exposição do Sujeito H1.

No teste 23, o consumo de água com sacarose atingiu um valor menor do que no teste 22, quando o sujeito ainda passava pelo protocolo, 17 mililitros. Nos dois testes seguintes, o consumo foi de 44 e 22 mililitros, respectivamente, apresentando um aumento no consumo em relação ao teste 22 e restabelecendo o consumo de água com sacarose à faixa de valores de consumo observada desde o início dos testes. Isso indica que provavelmente o consumo de água com sacarose ficou afetado pela submissão do sujeito ao protocolo durante a primeira semana após a suspensão do protocolo, contudo não se manteve durante as semanas seguintes. Sobre a porcentagem de preferência do consumo de água sobre o consumo de água com sacarose, nota-se que do teste 1 ao 14 os valores variaram entre 30% e 95%. Do teste 15 ao 19 essa porcentagem de preferência aumentou, passando de, no teste 15, 78%, ao teste 19, a 100%.

Durante a exposição ao protocolo, verifica-se um aumento nas duas primeiras semanas, testes 20 e 21, subindo de 88% para 93%. Contudo esse aumento não se manteve na semana 22, pois a preferência foi de 61%.

Esse resultado sugere que a exposição do Sujeito H1 ao protocolo de estressores teve efeitos na queda da porcentagem de preferência do consumo de água com sacarose na terceira semana de submissão ao protocolo.

O teste 23, seguinte à suspensão do protocolo, exibe um valor da porcentagem de preferência próximo ao último teste realizado durante a exposição do protocolo, 60%. Vale destacar que nos testes 22 e 23, nos quais as porcentagens de preferência estiveram em 61% e 60%, o consumo de água e de água com sacarose atingiu valores próximos. Os valores seguintes, teste 24 e 25, são, respectivamente, 89% e 73%, aumentando o valor do teste 24 em relação ao 23. O valor do teste 25 retorna aos valores obtidos nos testes 14 a 20, últimos testes anteriores ao protocolo.

Essa constatação indica que a porcentagem de preferência do consumo de água com sacarose pode ter sofrido efeito da submissão ao protocolo de estressores durante a primeira semana após a suspensão do protocolo, não se mantendo durante as duas semanas seguintes.

Os dados sobre a ingestão e preferência de líquidos do Sujeito H2 estão apresentados na Figura 8.

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0 15 30 45 60 75 90 105

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10111213141516171819202122232425

Teste Qu an tid ad e em m L 0 20 40 60 80 100 P or ce nt ag em

Água (mL) Água com sacarose (mL) % sacarose

Figura 8. Consumo de água e água com sacarose e porcentagem de preferência de ingestão de água com sacarose sobre a ingestão da água do Sujeito H2 por teste.

Quanto ao consumo de água com sacarose, com exceção do teste 2, no qual o consumo de água com sacarose atingiu 96 mililitros, nos demais testes o consumo variou entre 12 e 30 mililitros.

Quanto à porcentagem de preferência do consumo de água com sacarose, até o teste 19, houve oscilação que variou entre 51% e 100%. Do teste 20 ao 22, a porcentagem esteve entre 50% e 84%. Nos três testes seguintes, 23 a 25, ela marcou valores entre 56% a 90%. Importante apontar que durante os testes 21 a 23, testes realizados durante a submissão ao protocolo para os demais sujeitos, o Sujeito H2 apresentou uma queda na preferência por água com sacarose.

Na maioria dos testes, o consumo de água com sacarose foi maior do que o consumo de água, sendo que em apenas três testes, 5, 10 e 22, o consumo foi igual.

Quanto à preferência, ela ocorreu em todos os testes, salvo nos testes 2, 5, 10 e 22. Os dados sobre a ingestão de líquidos e a preferência de água com sacarose do Sujeito H3 podem ser vistos na Figura 9.

Do teste 1 ao 12 o consumo de água oscilou entre 0 e 40 mililitros. A partir do teste seguinte, teste 13, a ingestão de água permaneceu entre os valores 0 e 4 mililitros, inclusive durante o protocolo de estressores, o que sugere que a exposição do Sujeito H3 ao protocolo

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Protocolo de estressores

Privação Privação

0 15 30 45 60 75 90 105

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11121314 151617 181920 212223 2425

Teste Q ua nt id ad e em m L 0 20 40 60 80 100 P or ce nt ag em

Água (mL) Água com sacarose (mL) % sacarose

Figura 9. Consumo de água e água com sacarose e porcentagem de preferência de ingestão de água com sacarose sobre a ingestão da água do Sujeito H3 por teste.

Do teste 1 ao 14 o consumo de água com sacarose variou entre 12 e 76 mililitros. Nos testes 15 a 19, pareceu que o consumo se estabilizou, pois marcaram valores entre 21 e 27 mililitros.

Já os testes realizados durante a exposição ao protocolo marcaram valores 28, 35 e 28 mililitros nos testes 20, 21 e 22, respectivamente, mostrando uma estabilidade no consumo durante a submissão ao protocolo.

Nos testes 23 a 25, após a retirada do sujeito do protocolo, o consumo de água com sacarose esteve em 29, 29 e 26 mililitros, novamente uma estabilidade no consumo.

Esses dados sugerem que ou o protocolo de estressores não teve efeitos sobre o consumo de água com sacarose ou as sessões operantes em esquema FR4-FR4 antes, ou ambos, tiveram efeitos sobre o consumo durante a exposição ao protocolo.

Sobre a porcentagem de preferência do consumo de água sobre o consumo de água com sacarose, do teste 1 ao 14 os valores variaram entre 23% e 100%. Do teste seguinte até o 19 a porcentagem de preferência variou entre 87% e 100%.

Imagem

Figura  1.  Valor  do  peso  em  gramas  do  Sujeito  H1,  por  dia,  nas  diferentes  condições  do  estudo
Figura  2.  Valor  do  peso  em  gramas  do  Sujeito  H2,  por  dia,  nas  diferentes  condições  do  estudo
Figura  3.  Valor  do  peso  em  gramas  do  Sujeito  H3,  por  dia,  nas  diferentes  condições  do  estudo
Figura 4. Consumo de ração e água do Sujeito H1 por dia.
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