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LOUSA DIGITAL NO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: O QUE OS PROFESSORES DIZEM SOBRE SUA PRÁTICA?

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Nº 4, volume 11, artigo nº 7, Outubro/Dezembro 2016

D.O.I: http://dx.doi.org/10.6020/1679-9844/v11n4a7

ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 115 de 194

LOUSA DIGITAL NO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: O QUE OS

PROFESSORES DIZEM SOBRE SUA PRÁTICA?

DIGITAL WHITEBOARD IN ENGLISH CLASSES: WHAT DO

TEACHERS SAY ABOUT THEIR PRACTICE?

Dilermando Moraes Costa

1

, Cleonice Puggian

2

, Márcio Luiz Correa Vilaça

3

1 Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO/Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil.

[email protected]

2 Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO/Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil.

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ-FFP/São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil

[email protected]

3 Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO/Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil.

[email protected]

Resumo

– Este artigo descreve os resultados de uma pesquisa qualitativa

sobre as transformações resultantes da introdução da lousa digital como

recurso didático para o ensino da língua inglesa. Dados foram coletados

através da amostragem do tipo bola de neve, através da qual foram

identificados docentes de reconhecida competência na utilização da lousa

eletrônica. Dez participantes foram apontados pelos seus pares e

participaram de entrevistas semiestruturadas. Realizamos a tematização e

análise dos dados a partir do relato dos participantes, o que propiciou a

formulação de argumentos explicativos. Através da narrativas dos docentes,

identificamos que a adoção da lousa digital produz alterações no

planejamento e condução das aulas, possibilizando flexibilização do

planejamento e incremento dos recursos visuais.

Palavras-chave: Lousa digital. Ensino de línguas. Docência. Tecnologias.

Abstract

– This paper describes the results of a qualitative study on the

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 116 de 194

study adopted a snowball sampling technique, through which teachers of

recognized competence on the use of this electronic device were identified.

Ten participants were singled out by their peers and interviewed during the

year of 2013. Categories and themes were identified during data analysis,

which led to the formulation of explanatory arguments. Participants’

narratives revealed that digital whiteboards, when adopted for the teaching

of English, produce changes in the way teachers plan and conduct classes,

making planning more flexible, with enhanced visual resources.

Keywords:

Digital

Whiteboard.

Language

Teaching.

Teaching.

Technologies.

1. Introdução

A lousa digital, conhecida também como lousa eletrônica ou inteligente, é um dispositivo tecnológico projetado para combinar várias aplicações, sendo: “um quadro que permite tanto a captura [como] a organização de informação [...], uma estação de trabalho [...], um dispositivo de comunicação [com] uma superfície de trabalho compartilhada e uma ferramenta de apresentação multimidiática”.1

(WELCH et al., 1994, online, tradução nossa). A diferença entre a lousa digital e os projetores convencionais está na chance de interagir com a tela, romper com a aparência estática do quadro-negro, dinamizando a aula. Outros equipamentos se tornam menos dinâmicos se comparados à lousa, que permite acionamentos e comandos além do mouse.

A flexibilidade e a versatilidade anunciadas pelas lousas inteligentes, segundo Smith et al. (2005), relacionam-se à preferência dos alunos, especialmente os mais novos, por tocar a tela, além da chance de se trabalhar com diferentes grupos, customizar recursos que se apliquem às especificidades de cada lição, oportunidade de revisitar conteúdos abordados e, também, de se concentrar, em um mesmo equipamento, várias mídias digitais:

[O] poder da lousa digital se estabelece principalmente em sua capacidade de anotação e a de se mover livre e facilmente entre as páginas de flipchart, revelando uma gama infinita de recursos pré-preparados, incorporando textos, gráficos, vídeo e sons, bem como uso direto da internet, se a sala de

1

The system was designed to support several different applications: a whiteboard that enables both capture and organization of information for informal creative meetings, a group station where computational tools can be used through the white board metaphor, a communication device employing a remotely shared work surface, and a multimedia presentation tool.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 117 de 194 aula possuir uma conexão adequada2.. (BEAUCHAMP; PARKINSON, 2005, p.98, tradução nossa).

Há duas versões para a gênese da lousa digital: 1) para Weiser (1991), a então chamada Liveboard, foi pensada e desenvolvida por Richard Bruce e Scott Erold; 2) Xerox Parc (EROLD et al., 1992), no entanto, sugere que doze pessoas, incluindo os mesmos Bruce e Erold, foram responsáveis pelo primeiro projeto. A empresa Smart Tecnologies, por sua vez, lançou o Smart Board em 1991, partindo das ideias que David Martin já nutria em 1986, intitulando-se como pioneira na fabricação dessa lousa (SMART TECHNOLOGIES INC, 2011).

Nota-se, portanto, que a lousa foi concebida como uma tecnologia para fins não pedagógicos, mas encontrou na escola um ambiente favorável para sua utilização. Segundo Moran (2008, p. 12) a educação configura um valioso “nicho”, demandando a adesão de “processos de reorganização e gestão trazidos das empresas”, ou seja, o que tem potencial didático pode ser incorporado à educação escolar para oportunizar a construção de conhecimentos.

Neste contexto, questionamos: quais transformações a implementação da lousa digital tem instilado no papel do professor e na prática docente? Quais as possíveis alterações na abordagem didático-pedagógica das aulas de inglês em virtude da adoção da lousa digital?

Propusemo-nos a explorar estas questões a partir de uma pesquisa qualitativa conduzida com docentes de língua inglesa da cidade do Rio de Janeiro, reconhecidos por seus pares como exímios usuários da lousa digital. Este artigo apresenta os resultados desta pesquisa e está dividido em quatro seções: na primeira, apresentaremos brevemente o referencial teórico do estudo; na segunda, a abordagem metodológica; e, na terceira, os resultados e as discussões. Encerraremos o artigo com considerações finais.

2 The power of the IWB lies primarily in its annotation capability and the ability to move freely and easily

between flipchart pages revealing an infinite range of pre-prepared resources incorporating text, graphics, video and sounds, as well as direct use of the Internet if the classroom has a suitable connection.

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2. Ensino de língua inglesa e suas tecnologias

O referencial teórico deste estudo, de natureza interdisciplinar, articula contribuições do campo da educação, da linguística aplicada e da tecnologia. Observamos que o ensino de língua inglesa permeia vários segmentos sociais, ainda que de modo diferente, e está associado às demandas políticas e históricas que dão ao idioma um status global (CRYSTAL, 2003) ou multinacional (LEFFA, 2001). As constantes motivações para dominar a língua inglesa apontam para um mundo onde todos permanecem interligados (ASSIS-PETERSON; COX, 2007; GIMENEZ, 2008; SILVA, 2012; KUMARAVADIVELU, 2006). A língua inglesa assume o status de idioma oficial, responsável por disseminar achados ao redor do planeta, afirmando-se, dia a dia, como veículo de conhecimentos multiculturais. Por questões históricas, o inglês assume de forma exponencial o caráter de língua da comunidade científica (SOETE, 2005), com crescente presença no ciberespaço.

A força desse idioma também está associada ao poder político dos países que o tem como língua oficial. Crystal (2003, p. 07, tradução nossa) elucida que “a língua não tem existência independente, vivendo em algum tipo de espaço místico à parte das pessoas que a falam [...]. Quando [falantes do idioma] conseguem êxito, no cenário internacional, a língua prevalece. Quando eles fracassam, a língua também”3. Reiteramos, então, que a presença

oficial do inglês nas decisões mundiais na contemporaneidade está relacionada ao status que nações anglófonas, com destaque para os Estados Unidos da América, conquistaram na política, na economia, na cultura e também na produção de novas tecnologias.

A língua inglesa tem papel de destaque na revolução tecnológica (ALVAREZ; CASTELLS, 2005), também denominada revolução digital (BRANCO; SAMPAIO, 2005), que impactou as noções de espaço, tempo, sujeito e papéis sociais. Outrora, ideias de pertencimento, propriedade, profissão se encontravam bem delimitadas, todavia, a tecnologia propôs e efetuou avanços que se tornaram irrevogáveis.

Ao refletirmos sobre o ensino de inglês no Brasil, compreendemos que a presença de ferramentas digitais aliada à crença de que saber inglês seria a porta para adentrar o mundo globalizado e do trabalho (GIMENEZ, 2008; JORDÃO; FOGAÇA, 2008; SILVA, 2012) engendram uma simbiose entre as novas tecnologias e a aprendizagem do idioma,

3

Language has no independent existence, living in some sort of mystical space apart from the people who speak it [...] When they succeed, on the international stage, their language succeeds. When they fail, their language fails.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 119 de 194 Neste contexto, em que as novas tecnologias podem estar cada vez mais presentes no cotidiano dos professores de língua inglesa, assim como no dos alunos, questionamos: quais são as principais alterações na prática docente decorrentes da implementação da lousa digital como recurso didático em escolas e cursos de idiomas?

3. Abordagem metodológica

A metodologia do estudo baseou-se numa abordagem qualitativa, interpretativa, cuja amostra foi constituída a partir da estratégia conhecida como “bola de neve”, que é uma forma de amostragem “não probabilística, utilizada em pesquisas sociais onde os participantes iniciais de um estudo indicam novos participantes que por sua vez indicam novos participantes e assim sucessivamente, até que seja alcançado o objetivo proposto” (BALDIN; MUNHOZ, 2011, p. 332). A escolha dessa forma de amostragem se justificou pela importância de identificarmos informantes que soubessem utilizar a lousa eletrônica e pudessem nos oferecer dados significativos para o estudo proposto.

Iniciamos a seleção dos participantes a partir de uma docente cuja competência e domínio na utilização da lousa digital eram reconhecidos pelos seus pares. A escolha dessa primeira participante se justificou também pela certeza de que a mesma utilizava a lousa digital e dominava o instrumento técnica e pedagogicamente. A partir dessa primeira entrevista, obtivemos novas indicações, até constituirmos um corpus com 10 entrevistas.

As entrevistas foram conduzidas nos locais de trabalho dos docentes indicados, com duração média de 40 minutos. O maior desafio foi conseguirmos acesso aos sujeitos, pois dada a característica da técnica bola de neve, só conhecíamos o primeiro participante.

Os dados coletados foram analisados através de um processo de tematização. Segundo Fontoura (2011, p. 62), a tematização é “uma forma de analisar dados obtidos através de pesquisas qualitativas, que utilizam como forma de coleta de dados instrumentos como entrevistas, diferentes formas de depoimentos orais, ou mesmo materiais escritos, como questionários com perguntas abertas”. Dentre as temáticas emergentes, destacamos, neste artigo, aquela referente às alterações na prática docente resultantes da adoção da lousa eletrônica como recurso didático, que vamos apresentar na próxima seção.

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4. A lousa digital e a prática de docentes de língua inglesa

Uma vez que nos propusemos a descrever os resultados da temática relacionada às transformações resultantes da implementação da lousa digital no ensino de inglês, apresentaremos, a seguir, três subtemas que emergiram das falas dos docentes entrevistados.

4.1 Alteração no planejamento

Em primeiro lugar, os entrevistados destacaram que a lousa digital gerou alterações no planejamento de aulas, facilitando a adoção de recursos visuais. A professora Sônia entende de forma positiva a presença de recursos tecnológicos que privilegiam o visual na sua sala. Para ela, esses materiais otimizam o tempo e dinamizam a aprendizagem, permitindo que o professor fique livre para dar mais atenção aos alunos:

Sônia: Olha, influenciou que antes eu tinha que organizar em que momento eu iria parar, por exemplo, no quadro, já que ficar algum tempo de costas para a turma, escrevendo algo no quadro, no curso específico onde eu trabalho é algo não desejável. Eles sempre esperam que a gente esteja ligado à turma, prestando atenção aos alunos, havendo uma prática oral intensa. Então, a organização mudou neste sentido.

Sônia comenta que tem à disposição mais materiais de apoio para compor a aula, beneficiando-se de recursos obtidos através da internet. Destaca a oportunidade de reutilizar o que produz em outros momentos, o que chama de customização.

Sônia: Venho de uma época em que a gente usava muito flashcard, cartões de imagem, de ações ou de apoio, realmente, né? E isso demandava tempo para preparar ou encontrar o que queria e, com a lousa, este foi um dos aspectos que eu acho que melhorou muito. Você tem mais facilidade, você tem mais quantidade de recursos para serem utilizados. (...). E hoje você tem facilidade maior de se trabalhar com imagens, com som, exemplos e agora a gente tem uma forma mais rápida.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 121 de 194 Ricardo, por outro lado, acredita que é arriscado confiar somente nos equipamentos eletrônicos. Ele ressalta que o docente deve ser capaz de pensar em alternativas frente aos imprevistos envolvidos no uso das tecnologias digitais. Destaca que embora a introdução da lousa digital tenha facilitado o preparo de aulas, provocou uma alteração no tempo dedicado ao planejamento, que pode variar conforme o objetivo pedagógico:

Ricardo: Tornou mais fácil. [Porém] Eu acho que problemas podem acontecer, a gente tem que pensar com antemão na solução para esses problemas. [...] Escrever no quadro, exigir de você uma caligrafia que o aluno possa entender é uma coisa. Você colocar a mesma coisa onde tem 1000 fontes diferentes, com alinhamento diferente, imagens, bordas e tela de fundo e toda essa coisa, leva um tempo. Até você fazer isso de forma rápida... e a maioria dos professores não tem esse tempo para se tornar tão expert...então, pode levar bem mais tempo.

A falta de conhecimento técnico também foi apontada pelos docentes como um obstáculo para o uso eficiente da lousa digital. Reinders (2009, p. 17) argumenta que a formação dos professores deveria incluir “(1) habilidades técnicas, para uso ou produção de materiais, senão ambos; (2) habilidades pedagógicas, para tornar significativo o uso da tecnologia; e (3) habilidades de suporte ao aluno, para ajudar os discentes a fazer uso significativo da tecnologia”4.

Percebemos que alguns docentes não dissociam o planejamento de aulas do uso da internet, uma vez que muitos recursos para a lousa digital estão disponíveis online. Outrora, eles criavam portfólios com materiais visuais e reproduziam cópias. Hoje, a internet e a lousa digital facilitam o acesso à informação e a visualização coletiva. Paola ratifica a importância da conexão com a rede ao externar que:

Paola: Como eu falei, eu gosto muito de trabalhar com figuras e, também, a gente tem acesso à internet e isso facilita muito o trabalho. A lousa sozinha, sem a internet [sinaliza negativamente]... a internet é uma ferramenta fundamental para se trabalhar a lousa digital. Como eu falei, coloco coisas

4

(1) technical skills, either for using or for producing materials, or both; (2) pedagogical skills, to make meaningful use of the technology; and (3) learning support skills, to help learners make meaningful use of the technology.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 122 de 194 diferentes, figuras, peço para o aluno movimentar, fazer aquele trabalho de ir ao quadro.

Nenhum participante se referiu à atividade de planejar como algo penoso ou negativo, pois compreendem que este faz parte do ofício docente. A partir do uso da lousa, acrescida da internet, defendem que há maior agilidade, ou seja, acreditam que podem dinamizar seu trabalho. Neste sentido, o uso da internet passa a ser visto como fator fundamental para o preparo e condução das aulas, como se o uso da rede fosse elemento de potencialização da lousa digital.

4.2 Engajamento dos alunos

Nas falas dos entrevistados, identificamos bom acolhimento da lousa digital por parte do corpo discente. Professores como Paloma explicam que o engajamento está relacionado ao aspecto lúdico que a lousa confere à aula:

Paloma: Eu acho que eles se sentem menos amedrontados porque eles acham que não é aula porque tem o computador... é computador, e eles ligam diretamente à diversão. Internet é diversão e eles têm menos resistência às aulas.

Culp et al. (2003, p. 23) esclarecem que:

A tecnologia educacional tem evoluído constantemente: desde os computadores autônomos da década de 80, para as estações de trabalho em rede multimídia da década de 90, e para os dispositivos altamente portáteis e sem fios que começam a proliferar hoje. Necessariamente, a visão dos educadores de como a tecnologia pode e deve ser usada também mudou em resposta às crescentes capacidades das tecnologias e a mudança de prioridades e necessidades da comunidade escolar5.

5 Educational technology has evolved steadily, from the stand-alone computers of the 1980s, to the networked,

multimedia workstations of the 1990s, to the highly portable and wireless devices that are beginning to proliferate today. Necessarily, educators’ visions of how technology can and should be used have changed as

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 123 de 194 As autoras indicam a urgência de integrar o digital à escola, apontando que a sala de aula pode ser tão digital como o é, teoricamente, a vida cotidiana dos jovens. Célia destaca que a lousa eletrônica captura a atenção dos alunos, possivelmente pelo forte apelo visual:

Célia: Com certeza! Eles veem com outros olhos, né? É algo, assim, que chama atenção, eles gostam, ficam mais atentos. Acho que tem aquele contato visual e isso certamente enriquece a aula.

Tadeu assinala um ponto interessante: na lousa os alunos podem interagir com a superfície do quadro, rompendo com a estaticidade das projeções tradicionais:

Tadeu: Até porque eles podem ir ao quadro, eles podem interagir com a caneta e eles acham isso o maior barato... eles se empolgam, eles se interessam mais!

O entusiasmo de Tadeu está também presente na fala de Ricardo, que acredita serem o visual e a interação com a lousa os responsáveis pelo aumento na participação dos alunos. O docente aponta mudança de aulas centradas no professor para encontros onde há maior participação dos alunos:

Ricardo: No momento em que a lousa digital entrou e a questão visual entrou mais fortemente na sala, foi bem positivo para os alunos poderem participar, ir ao quadro, mudar coisas de lugar... tudo isso que acontecia durante as atividades... é, eles poderem participar... foi positivo sim, na grande maioria deles. Quando eles chegaram a implementar em todas as aulas, do livro 1 ao 4, por exemplo, eu cheguei a pegar o livro 1, intensivo ainda, eu lembro que eu usava em todas as aulas e ... era bem positivo. Eu gostava, era mais fácil para o professor porque você começa... você se ausenta um pouco e, quem trabalhou no [curso B] sabe que é bem cansativo [trabalhar com método áudio oral] [risos].

well, in response both to the growing capacities of the technologies and to shifting priorities and needs within the education community.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 124 de 194 Beauchamp e Parkinson (2005, p. 99) advogam que o primeiro passo para usar a lousa digital é permitir que os alunos a manipulem, porquanto:

Até mesmo um exercício simples de completar, envolvendo palavras ou símbolos, sendo arrastados para preencher lacunas em orações, fica muito mais fácil de gerenciar – sem falar que é muito mais limpo! Os alunos podem arrastar as suas escolhas para uma variedade de lugares e depois a turma pode discutir as escolhas antes que outros alunos vão à lousa – tudo isso sem uso de borracha alguma!6

Tocar na lousa e ver as ações acontecerem desperta o interesse dos discentes. Betcher e Lee (2009, p. 79) acrescentam que:

mover requer de nós interação com a superfície da lousa de uma maneira muito tátil. Quando combinamos o toque humano com a capacidade quase mágica de um computador para lidar com vários tipos de mídia, cria-se uma combinação poderosa 7.

Sônia soma a isso a possibilidade de ocorrer integração de mídias enquanto se usa a lousa. Percebemos também na fala da professora a transferência do foco da atenção do docente para o conteúdo:

Sônia: Tirando o foco do professor e colocando na lousa digital, você tem ali recursos visuais, de áudio, a própria lousa digital em si remete a algo mais lúdico. Então, principalmente com alunos de faixa etária mais baixa, adolescentes e crianças, há um apelo muito maior do que simplesmente ficar olhando para o professor ali na frente ou para um quadro em branco. Então, eu acho que houve um maior engajamento porque eles esperam... inclusive porque tem momentos em que o aluno pode interagir com a lousa digital. Então, nesses momentos em que a gente pede para ele auxiliar em algum tipo de atividade... eles ficam esperando por isso. Então, eu acredito que haja um maior engajamento.

6

Even a simple cloze procedure exercise, involving words or symbols being dragged to fill in gaps in sentences, is much easier to manage – not to mention much cleaner! Pupils can drag their choices into a variety of places and then the class can discuss the choices before any number of other pupils do the same – all without a board rubber in sight!

7

Dragging requires us to interact with the surface of the board in a very tactile way. When we combine this human touch with the almost magical ability of a computer to handle multiple media types, it creates a powerful combination.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 125 de 194 Sônia supõe que os adolescentes e crianças são os mais beneficiados com o uso do instrumento, o que pode explicado por Prensky (2001, p. 01) ao afirmar que “eles passaram toda a sua vida cercada pelo uso de computadores, vídeo games, música digital, câmeras de vídeo, telefones celulares e todos os outros brinquedos e ferramentas da era digital8”. Isso indica o porquê de maior familiarização para aqueles que possivelmente nasceram rodeados por inovações tecnológicas. Joana também faz um breve relato sobre a relação das crianças com a lousa digital:

Joana: [...] os menores se encantam muito, querem ir ao quadro, querem clicar, querem tocar, querem mover desenhos e imagens, clicar em links e escrever com a canetinha que é mágica... que apaga ou que faz desenhos bonitinhos com formatos... para as criancinhas, acho que é um pouco mais encantador, mais desafiador. Para os adolescentes e adultos nem tanto, pois muitos já tiveram contato com a lousa interativa em escolas na rede particular, então, não é complicado, assim, para eles não é tão moderno.

O engajamento nas aulas sugere que novas tecnologias são bem-vindas na escola e podem contribuir para construção de saberes à medida que sejam utilizadas com propósitos educacionais. Isso nos orienta a ter sensibilidade para identificar o potencial dos recursos tecnológicos, buscando reconhecer suas possíveis contribuições para o ensino da língua inglesa.

4.3 Manutenção de avaliações tradicionais

Nenhum dos participantes da pesquisa utilizava a lousa no processo de avaliação formal. Percebemos que para os entrevistados, a pergunta soava como surpresa, o que nos sugere que os professores não cogitavam essa possibilidade ou não viam ligação entre os conteúdos discutidos em aula e a utilização da lousa como instrumento pedagógico de avaliação.

8 They have spent their entire lives surrounded by and using computers, videogames, digital music players, video

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 126 de 194 Sônia: No caso específico deste curso, não houve mudanças nenhuma. [As provas] continuam sendo aplicadas da mesma forma. Em relação à lousa digital, o que acontece é que, além desse primeiro momento de satisfação de uma demanda de marketing... anteriormente nós vimos que deixa as aulas mais dinâmicas e interativas. Mas no sistema de avaliação não houve mudança.

Ricardo, de forma similar à Sônia, retoma a discussão dos benefícios da lousa, agora, para ilustrar a preparação para as provas, todavia, sem se valer do artefato para compor alguma etapa da avaliação, o que ainda remete o uso da lousa à comunicação de conteúdos:

Ricardo: O sistema de avaliação continua o mesmo. Todos [os alunos] têm prova oral, escrita, o que diferencia talvez seja na prova oral e, na revisão para prova escrita, é ... os cursos preparam na grande maioria, uma revisão para prova e essa revisão é feita no quadro interativo e eu acho muito válido. A maioria dos alunos têm que trabalhar juntos ou em interatividade com o quadro para fazer parte dessa revisão. E a prova oral... fotos , como eu trabalhei no [curso A] há 7 anos, a gente recebia um pacotinho de fotos com papel. Os alunos seguravam o papel e eles faziam. Hoje em dia, todos os lugares onde trabalho, que fazem descrições de imagem, por exemplo, é... feito através do quadro interativo. Os alunos têm uma imagem bem grande, bem cheia de detalhes, ao invés de 10 x 12, eles têm um quadro enorme para olharem, verem detalhes, descrever aquilo. Se melhorou para eles depende muito do aluno, mas nesse sentido mudou. Mas a forma de acontecer, não.

A professora Adelaide associa a lousa apenas ao momento da aula, aos resultados obtidos durante as interações, sem os utilizar como indicadores de aprendizagem. A docente, inclusive, remete avaliação diretamente às provas, pois na sua prática, esse é o instrumento de maior peso:.

Adelaide: Sistema de avaliação? No caso, as provas? Eu acho que não teve muita interferência, não. Claro que tem coisas que eles conseguiram até memorizar mais ou aprender mais por conta de você ter uma coisa mais visual, até mesmo para facilitar ali. Assim, não vejo muita diferença da época em que não tinha a lousa digital, não.

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 127 de 194 avaliação. Kumaravadivelu (2001, p. 538) discute a necessidade de um pós-método, ou seja, a possibilidade de professores serem mais autônomos, capazes de refletir sobre a própria prática, levando em consideração a realidade com a qual convivem e o público que atendem. Vieira-Abrahão (2010, p. 228) argumenta que o conceito de pós-método implicaria em “adequação do ensino aos contextos locais, a autonomia do professor para escolher os objetivos e procedimentos para cada grupo específico, mas tudo isso permeado pelo processo reflexivo”. O ponto de vista da autora nos ajuda a compreender o que se espera do professor como profissional que conhece de forma profunda a sua audiência. Se o educador pode customizar materiais, desenvolvê-los para adequá-los, também é capaz de desenvolver estratégias distintas que culminem na avaliação.

Através das entrevistas, percebemos que muitos professores entendem a lousa digital como uma ferramenta para ser utilizada durante a apresentação de conteúdo, de modo geral, para apresentação de recursos visuais, como já havíamos pontuado. Para muitos, a lousa pode ter resquícios de um quadro negro tradicional, funcionado em muitos aspectos como uma tela para comunicação de imagens. Confiamos, porém, que estratégias podem surgir para se apreciar a evolução dos discentes como seminários, debates, projetos, participação das atividades colaborativas e engajamento nas aulas.

A pesquisa indica que para muitos professores a lousa eletrônica ainda é um recurso novo, que precisa de aclimação. Devido ao lugar privilegiado do instrumento na sala de aula e às expectativas construídas na escola, compreendemos que apenas a presença intensiva do artefato na prática pedagógica possibilitará usos mais avançados do mesmo. Defendemos que a aprendizagem, quanto ao uso da lousa, pode acontecer por escolha própria dos docentes, em colaboração com os colegas e alunos ou por iniciativas educacionais locais. Em qualquer um dos casos, as aplicações da lousa digital devem justificar o alto investimento da sua aquisição.

5. Considerações finais

Argumentamos que a educação escolar enfrenta profundas e constantes mudanças, resultado, talvez, do momento contemporâneo em que há valorização da rapidez no contato entre os seres humanos e na disponibilização de serviços. A escola não é a mesma de anos atrás, uma vez que a sociedade também não o é e as relações de influência que desempenham são íntimas e indissociáveis. Explicamos que as variadas inovações

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ISSN: 16799844 - InterSciencePlace - Revista Científica Internacional Páginas 128 de 194 tecnológicas, apesar de, por vezes, serem concebidas para fins corporativos, encontram no ambiente escolar lugar prolífero para uso, o que, como vimos, apresenta crescimento em ambientes voltados para o ensino de línguas estrangeiras. Como apresentamos neste trabalho, uma vez adotadas e enraizadas no ambiente escolar, as novas ferramentas apresentam implicações tanto no preparo de aula quanto no desenvolvimento das atividades e, por conseguinte, na relação do professor e do aluno.

Através dos discursos dos docentes, percebemos ser predominante o reconhecimento da eficácia da lousa digital como ferramenta pedagógica para o ensino de inglês. Igualmente, identificamos que há mudanças no ritmo das aulas através da participação dos alunos e dos materiais preparados pelos professores. Notamos que a presença e uso de estímulos visuais ocupa boa parcela dos recursos customizados pelos educadores, os quais perceberam alterações na modalidade de planejamento: quer o facilitando quer demandando mais tempo.

Identificamos, também, que a inserção da lousa digital propiciou a reflexão do educador quanto à prática pedagógica, quanto ao papel dos alunos durante as aulas, oportunizando o desenvolvimento de atividades que fossem não apenas atrativas para os discentes, mas que facilitassem a rotina dos docentes na customização de materiais. Por outro lado, percebemos que a avaliação da aprendizagem continua restrita à aplicação de provas e testes formais, desconsiderando outras estratégias ou recursos que os educadores desenvolvem durante a utilização da lousa.

Esperamos que os resultados desta pesquisa ajudem a problematizar o uso de novas tecnologias, especialmente da lousa digital, e a fomentar outras investigações com relação a esse aparato no ensino de língua inglesa. Desejamos, também, que os resultados possam informar políticas e práticas de formação docente que contribuam para o ensino de inglês, auxiliando na formação de indivíduos com as capacidades linguísticas que os habilitem a exercer sua cidadania planetária.

Referências

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