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Dissertação_Marcelo Coelho

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Academic year: 2021

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Universidade Federal do ABC

Curso de Pós Graduação em Energia

Marcelo Coelho de Souza

IMPACTOS DO USO DA TECNOLOGIA SOLAR

FOTOVOLTAICA NA EDUCAÇÃO RURAL

Santo André – SP

2014

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Universidade Federal do ABC

Curso de Pós Graduação em Energia

Marcelo Coelho de Souza

IMPACTOS DO USO DA TECNOLOGIA SOLAR

FOTOVOLTAICA NA EDUCAÇÃO RURAL

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Energia para a obtenção do Título de Mestre.

Área de concentração: Ambiente, Sociedade e Planejamento Energético. Orientador: Prof. Dr. Federico Bernardino Morante Trigoso

Santo André – SP

2014

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Universidade Federal do ABC Curso de Pós Graduação em Energia

Marcelo Coelho de Souza

“Impactos do Uso da Tecnologia Solar Fotovoltaica na Educação Rural”

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Energia para a obtenção do Título de Mestre.

Área de concentração: Ambiente, Sociedade e Planejamento Energético. Orientador: Prof. Dr. Federico Bernardino Morante Trigoso Data: __________________ Resultado: ______________ BANCA EXAMINADORA Prof. _______________________________________ ____________________ Assinatura __________________________________ Prof. _______________________________________ ____________________ Assinatura __________________________________ Prof. _______________________________________ ____________________ Assinatura __________________________________

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À Cristina pelo tempo que deixamos de estar juntos. Aos meus pais Eugênio e Aparecida que sempre me incentivaram a estudar.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente e em especial ao professor Federico, por ter aceitado me orientar, ter tido paciência em me ensinar e com grande sabedoria me mostrou o caminho para a realização dessa pesquisa. Agradeço também a todos os professores que lecionaram nas disciplinas que eu cursei me transmitindo um pouquinho de todo o seu conhecimento. Aos meus amigos do curso de Energia principalmente Elias, Jorge e Sérgio com quem convivi mais tempo. E ao Agnaldo que me aconselhou e deu algumas dicas sobre o trabalho.

Agradeço também a todos os professores, alunos e pais de alunos das comunidades de Marujá, Pontal do Leste, Castelhanos e Praia Mansa que me receberam com toda gentileza e atenção, me ajudando a concluir a pesquisa. Aos professores que nem conheci pessoalmente, mas que mesmo assim responderam os questionários on-line.

Agradeço aos meus pais Eugenio e Aparecida que sempre me proporcionaram todas as condições necessárias para que eu pudesse estudar, e a Cristina por ceder o tempo que poderíamos ficar juntos, permitindo a conclusão deste trabalho.

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"Não há maior riqueza que o conhecimento ou maior pobreza que a ignorância." Ali ibn Abi Talib

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RESUMO

Esta dissertação procura demonstrar as contribuições que a tecnologia fotovoltaica trouxe à educação rural nas comunidades isoladas. Para chegar ao resultado foram feitas pesquisas de campo que incluíam 3 escolas rurais onde a energia elétrica derivava de um gerador fotovoltaico, uma escola com gerador a diesel para servir de comparação, 4 professores que lecionavam nessas escolas, e 11 alunos e 6 pais de alunos que moravam nas comunidades atendidas por essas escolas. As comunidades pesquisadas situam-se nos municípios de Ilhabela e Cananéia, localizadas no litoral sul e norte do Estado de São Paulo. Foi realizada também uma pesquisa on-line com 6 professores que lecionam em escolas rurais nos Estados do Pará, Maranhão e Goiás, que se encontram respectivamente nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil.

Foram realizadas entrevistas com os professores, alunos e pais de alunos e preenchimento de um questionário para identificar a importância e a relação que existe entre a geração fotovoltaica e a educação desses alunos. Foram dois os questionários utilizados, um com perguntas direcionadas aos professores e outras direcionado aos alunos. O questionário on-line foi elaborado e hospedado no Google Docs e encaminhado às Delegacias Regionais de ensino e sindicatos para posterior encaminhamento aos professores alvo da pesquisa.

Através da metodologia empregada foi possível verificar quais foram os benefícios e impactos que os módulos fotovoltaicos proporcionaram à educação desses alunos, quais as melhorias que eles ocasionaram nas aulas dessas escolas e quais são as limitações e problemas encontrados na utilização do sistema fotovoltaico nessas escolas.

Palavras-chave: Energia solar fotovoltaica, escolas rurais, impacto na educação rural.

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ABSTRACT

This essay aim to demonstrate the contributions of the photovoltaic technology brought rural education in isolated communities. To obtain the results of field surveys were made which included three rural schools where electricity derived from a PV array, a school with diesel generator to serve as a comparison, four teachers who taught in these schools, and 11 students and 6 parents of students living in the communities served by these schools. The communities studied are located in the municipalities of Cananéia and Ilhabela, seaside towns south and north of the State of São Paulo. We also carried out a survey online with six teachers who teach in rural schools in the states of Pará, Maranhão and Goiás, which are respectively in the northern, northeastern and central-western Brasil.

Interviews were conducted with teachers, students and parents and fill a questionnaire to determine the importance and relationship observed existed between the PV generation and the education of these students. There were two questionnaires, with questions addressed to teachers and other targeted students. The online questionnaire was developed and hosted on Google Docs and directed the regional teaching unions and teachers in order to forward the researched.

Through the methodology was verified what were the benefits and impacts of photovoltaic modules provided the education of these students, what improvements they resulted in classes of these schools and what are the limitations and problems encountered in the use of photovoltaic system at these schools.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Perfil da distribuição dos extremamente pobres no Brasil. ... 33

Tabela 2.2 – Fluxo luminoso emitido pelos equipamentos de iluminação mais comuns no campo. ... 37

Tabela 4.1 – Município de Cananéia – Dados do censo demográfico de 2010. ... 62

Tabela 4.2 – Índice de desenvolvimento humano do município de Cananéia ... 63

Tabela 4.3 – Nível educacional da população de Cananéia ... 66

Tabela 4.4 – Número de escolas no município de Cananéia por nível escolar ... 67

Tabela 4.5 – Número de alunos matriculados no município de Cananéia ... 68

Tabela 4.6 – Relação professor escola no município de Cananéia ... 68

Tabela 4.7 – Município de Ilhabela – Dados do censo demográfico de 2010. ... 71

Tabela 4.8 – Índice de desenvolvimento humano do município de Ilhabela ... 72

Tabela 4.9 – Nível educacional da população de Ilhabela ... 75

Tabela 4.10 – Número de escolas no município de Ilhabela por nível escolar ... 77

Tabela 4.11 – Número de alunos matriculados no município de Ilhabela. ... 78

Tabela 4.12 – Relação professor escola no município de Ilhabela. ... 78

Tabela 5.1 – Características dos alunos da Escola de Marujá. ... 98

Tabela 5.2 – Características dos alunos entrevistadas de Ilhabela. ... 114

Tabela 5.3 – Características das professoras entrevistadas de Ilhabela. ... 116

Tabela 5.4 – Características das escolas visitadas de Ilhabela. ... 117

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LISTA DE FIGURAS

Fig. 2.1 – Total de escolas de educação básica no campo ...27

Fig. 2.2 – Equipamentos e Serviços que as escolas rurais não possuem ...28

Fonte: (Fernandes, 2011). ...28

Fig. 2.3 – População urbana e rural no Brasil e por estados. ...32

Fonte: UOL Noticias / Dados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE (Março 2011) .32 Fig. 2.4 – Característica da iluminação utilizada no campo em residências sem energia elétrica ...36

Fig. 2.5 – Uso de lamparinas para estudo no período noturno em residências rurais sem iluminação elétrica. ...40

Fig. 2.6 – Espaços inadequados para aulas e que não permitem aproveitar melhor a iluminação natural do ambiente. ...47

Fig. 3.1 – Laboratório de informática na escola secundária de Myata. ...51

Fig. 3.2 – Imagem do laboratório de informática na escola Zwelenqaba. ...52

Fig. 3.3 – Aulas noturnas de informática...54

Fig. 4.1 – Fatores que colaboram para o crescimento do IDH da região. ...63

Fig. 4.2 – Comunidades que integram o município de Cananéia. ...64

Fig. 4.3 – Energia elétrica nas moradias de Cananéia...70

Fig. 4.4 – Residência eletrificada com módulos fotovoltaicos na localidade de Marujá, Ilha do Cardoso – Cananéia, SP. ...70

Fig. 4.5 – Fatores que colaboram para o crescimento do IDH da região. ...72

Fig. 4.6 – Comunidades rurais Ilhabela. ...73

Fig. 4.7 – Trilha que interliga a praia de Castelhanos a praia Mansa - Ilhabela, SP.74 Fig. 4.8 – Energia elétrica nas moradias de Ilhabela ...80

Fig. 4.9– Entrada do Parque Estadual de Ilhabela, onde termina a rede elétrica. ...81

Fig. 4.10 – Sistema de telecomunicações na praia de Castelhanos - Ilhabela, SP. ..82

Fig. 5.1 – Módulo fotovoltaico instalado, EMEIEF Marujá, Ilha do Cardoso – Cananéia, SP. ...85

Fig. 5.2 – Alunos da escola EMEIEF Marujá, Ilha do Cardoso – Cananéia, SP. ...86

Fig. 5.3 – Uso de lâmpada incandescente na escola EMEIEF Marujá – Cananéia, SP. ...87

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Fig. 5.4 – EMEIEF Pontal do Leste, Ilha do Cardoso – Cananéia, SP. ... 89 Fig. 5.5 – Módulos fotovoltaicos instalados, E.M Prof. João Antonio Cesar, Praia Mansa – Ilhabela, SP. ... 106 Fig. 5.6 – Modulo fotovoltaico instalado na escola rural servida pela rede elétrica, no município de Buritinópolis/GO. ... 130

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LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS

ANER Adjusted Net Enrolment Ratio (Taxa de escolarização líquida ajustada)

AVCs Acidente Vascular Cerebral

BP British Petroleum (Petróleo Britânico)

DOE Departamento de Energia

DVD Disco Digital Versátil

EAD Educação a Distância

EDI Índice de Desenvolvimento da Educação

EFA Educação para Todos

EJA Educação de Jovens e Adultos

ELETROBRAS Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

EUA Estados Unidos da América

FAO Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

G1 Portal de Noticias da Globo

GEI Gênero Específico Índice EFA

GLP Gás Liquefeito de Petróleo

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IEI International Energy Initiative (Iniciativa Internacional de Energia)

IDH Índice de Desenvolvimento Humano

INE Instituto Nacional de Estadística

INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa

IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

ISA Instituto Sócio Ambiental

LDB Lei de Diretrizes e Bases

MEC Ministério da Educação e Cultura

MME Ministério de Minas e Energia

OMS Organização Mundial de Saúde

ONG Organização Não Governamental

ONU Organização das Nações Unidas

PC Computador Pessoal

PIB Produto Interno Bruto

PISA Programa para Avaliação Internacional de Estudantes

PNE Plano Nacional de Educação

PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

PRODEEM Programa para o Desenvolvimento Energético dos Estados e Municípios

PRODESP Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo

PRONACAMPO Programa Nacional de Educação do Campo

PRONATEC Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego

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SARESP Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo

SBF Sistema de Bombeamento Fotovoltaico

SEBRAE Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

SELF Solar Electric Light Fund (Fundo Luz Solar Elétrica)

UFPR Universidade Federal do Paraná

UIS UNESCO Instituto de Estatística

UNESCO Organização das Nações Unidas para a educação, à ciência e a cultura.

UNESP Universidade Estadual Paulista

UNICAMP Universidade de Campinas

UOL Universo On-Line

USDA Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

USAID Agencia Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos

USP Universidade de São Paulo

VCR Vídeo Cassette Recorder

WEI Índice Mundial de Educação

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SUMÁRIO

Capítulo I: Introdução ... 17

1.1 - Motivação e Justificativa da Pesquisa ... 17

1.2 - Objetivos ... 20

1.2.1- Objetivo Geral ... 20

1.2.2 - Objetivos Específicos ... 20

1.3 - Metodologia ... 20

Capítulo II: Alguns aspectos da problemática da educação rural . 23

2.1 – Introdução ... 23

2.2 – A educação no Brasil ... 24

2.3 – Dados da educação ... 25

2.4 – Escolas rurais ... 26

2.5 – Metas para educação no campo ... 29

2.6 – Comunidades Rurais ... 31

2.7 – Aspectos da realidade das comunidades não eletrificadas ... 35

2.8 – Uso da energia solar voltada à educação na residência rural ... 38

2.9 – Recursos que auxiliam em um melhor aprendizado ... 42

2.9.1 – Água potável ... 42

2.9.2 – Dispositivos de arrefecimento ... 42

2.9.3 – Refrigeração ... 43

2.9.4 – Equipamentos de rádio e comunicação ... 44

2.9.5 – Uso de TV e DVD ... 44

2.9.6 – Computador... 45

2.9.7 – Iluminação ... 46

Capítulo III: Tecnologia fotovoltaica na educação rural ... 48

3.1 – Introdução ... 48

3.2 – Tecnologias educacionais em comunidades rurais dos Estados Unidos. ... 49

3.3 – Projetos de eletrificação solar fotovoltaica no Continente Africano. ... 50

3.3.1 – Projeto Myata na África do Sul. ... 50

(15)

3.3.3 – Projeto Zâmbia. ... 55

3.4 – Eletricidade solar fotovoltaica para programas de educação de crianças, jovens e adultos. ... 57

Capítulo IV: Caracteristicas das regiões pesquisadas ... 60

4.1 – Introdução ... 60 4.2 – Município de Cananéia ... 62 4.2.1 – Demografia ... 62 4.2.2 – Educação ... 65 4.2.3 – Energia Elétrica ... 69 4.3 – Município de Ilhabela ... 71 4.3.1 – Demografia ... 71 4.3.2 – Educação ... 75 4.3.3 – Energia Elétrica ... 79

Capítulo V: Análise dos resultados da pesquisa nas escolas ... 83

5.1 – Introdução ... 83

5.2 – Ilha do Cardoso ... 83

5.2.1 – Escolas da Ilha do Cardoso. ... 85

5.2.2 – Relatos dos alunos e pais de alunos da comunidade de Marujá. ... 90

5.2.3 – Característica dos alunos ... 98

5.2.4 – Análise da opinião dos pais e da professora ... 101

5.3 – Ilhabela ... 102

5.3.1 – Escolas visitadas de Ilhabela ... 103

5.3.2 – Relato de alguns alunos das escolas visitadas. ... 111

5.3.3 – Características dos alunos ... 114

5.3.4 – Características das professoras de Ilhabela ... 115

5.3.5 – Características das escolas visitadas de Ilhabela ... 117

5.4 – Resultados dos formulários via internet ... 119

5.4.1 – Escola I - Miguel Tavares ... 119

5.4.2 – Escola II - Elizia da Conceição ... 121

5.4.3 – Escola III - Augusto José... 122

5.4.4 – Escola IV - Santo Antonio ... 123

5.4.5 – Escola V - Antonio de Jesus ... 124

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5.6 – Experiência de comunidades e escolas rurais eletrificadas com sistemas

fotovoltaicos ... 129

5.7 – Análise dos resultados das pesquisas ... 133

Capítulo VI: Considerações finais ... 138

6.1 – Conclusão ... 138

6.2 – Contribuições ... 140

6.3 – Sugestões para trabalhos futuros ... 141

REFERÊNCIAS ... 142

Anexo A – Índice de Desenvolvimento da educação 2012. ... 149

Anexo B – Questionário do aluno ... 152

Anexo C – Questionário do professor ... 154

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CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

1.1 - Motivação e Justificativa da Pesquisa

A educação é uma das ferramentas mais importantes para mudar o mundo e a sociedade e, para que esta mudança ocorra, têm que ser criadas condições que favoreçam a sua disseminação. No Brasil, a educação ainda não conseguiu atingir um patamar adequado. Mesmo nos grandes centros urbanos, podemos verificar que muitas escolas do ensino fundamental e médio não conseguem oferecer uma aula de qualidade atendendo aos padrões internacionais estabelecidos pela UNESCO. Nas escolas rurais essa realidade á ainda mais perversa.

Com o objetivo de mudar este cenário, algumas ações estão sendo elaboradas e implantadas, seja por meio da revisão do plano de carreira do professor, seja na melhora da infraestrutura ou mesmo por meio da adoção de novas medidas pedagógicas. Alguns desses projetos foram destinados à escolas rurais tentando oferecer aos alunos uma educação de melhor qualidade, dispondo de melhores recursos e condições de ensino. Os problemas encontrados nas áreas rurais são diferentes daqueles encontrados na cidade, pois nas escolas rurais a maioria dos problemas estão relacionados à falta de professor e infraestrutura precária, mais precisamente falta de água encanada, coleta de lixo e esgoto, energia elétrica, dentre outros.

Para que fossem atendidas essas necessidades, nos últimos anos governos e ONGs instalaram em diversas escolas sistemas de coleta de esgoto, água encanada e energia elétrica. Esses recursos permitiram a essas escolas e seus professores ofertarem aos alunos uma aula melhor, resolvendo parte das deficiências que as escolas tinham, levando o mínimo necessário de infraestrutura e atingindo parte dos objetivos na melhora do ensino.

Em muitas das escolas rurais não é possível levar a rede elétrica por causa do isolamento e da distância em relação aos grandes centros urbanos. Devido a esses

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fatores, levar a rede elétrica a essas comunidades e escolas é financeiramente inviável. Para atender essas regiões, prefeituras e ONGs instalam geradores de energia elétrica na própria escola.

Os geradores elétricos instalados nessas escolas são sistemas fotovoltaicos ou pequenos geradores a diesel. O gerador a diesel é uma tecnologia mais antiga e consolidada e funcionam por volta de 4 horas cada noite (Mocelin et al, 2006). O funcionamento do gerador a diesel depende da disponibilidade de combustível e da viabilidade de manutenção. No entanto, eles geram ruído e emissões de gases de efeito estufa (Morante et al., 2008). Comparativamente, a energia solar fotovoltaica não precisa de combustível, não gera ruído nem emissões de poluentes na geração da energia e sua manutenção é mais simples.

No Brasil já existem escolas rurais nas cinco regiões do país eletrificadas com módulos fotovoltaicos. Estas foram concebidas através de estudos como do Nemoto (2009), que acompanhou a instalações de módulos fotovoltaicos em 35 escolas do município de Cavalcanti - GO, em projetos como o PRODEEM ou em pesquisas elaboradas por Selles (2003) através do programa MRT, que estudou a eletrificação de diversas comunidades rurais, verificando os impactos e discutindo o papel social da energia elétrica e os problemas que a falta dela acarreta inclusive no cotidiano escolar. Muitas escolas com projetos mais antigos são encontradas com os seus sistemas inoperantes, devido ao desconhecimento e falta de políticas públicas, como apontado por Arimura (1997) e Ferreira (2002), além de outros problemas como as barreiras e descuido do governo que podem ser notados no relatório de auditoria Aguiar (2002) e na pesquisa de Moraes (2009).

Entretanto, no Brasil ainda não existe um estudo especifico mais detalhado, completo e recente para verificar quais as consequências da eletrificação nas escolas rurais. Nos estudos existentes anteriormente mencionados referenciam indiretamente as escolas rurais, mas com foco em outros aspectos das comunidades, abordando superficialmente a educação rural. Os estudos realizados que enfatizam a educação rural, os autores discutem mais sobre políticas públicas e pedagogia aplicada, deixando de analisar e mencionar como os sistemas

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fotovoltaicos influenciam na educação. Quando os sistemas fotovoltaicos são mencionados nas pesquisas, a única opinião coletada é a do professor, deixando de lado a opinião do aluno e de seus pais. Nessas pesquisas também o único local observado é a escola, esquecendo que o aluno fora do horário de aula estuda em sua residência.

Por meio da coleta de dados nas escolas (alunos e professores), nas residências (alunos e pais) com mais precisão é possível corrigir essa distorção e ainda, determinar como a geração da energia elétrica fotovoltaica influência na educação.

Ao analisar a escola, há que se considerar todos os recursos utilizados com a inserção do sistema fotovoltaico e de que forma eles contribuem com a educação escolar, como o professor trabalha com eles e em quais momentos são utilizados. Na residência do aluno deve-se verificar qual o impacto exercido pelo módulo na educação com a utilização dos equipamentos elétricos proveniente deste, bem como em quais aspectos eles ajudam e de que forma isto ocorre. Além disso, devem ser identificadas e analisadas eventuais limitações do sistema, como elas influenciam nas aulas, como por exemplo, se sistemas costumam dar problemas e prejudicar as aulas. Essas questões possibilitam determinar os aspectos positivos e negativos do sistema e qual deles é mais relevante. Através da análise desses fatores é possível determinar os impactos causados pelo sistema fotovoltaico na educação rural, respondendo às seguintes questões:

 Quais os equipamentos educacionais utilizados com a eletrificação da escola?

 Qual a melhoria percebida na educação do aluno com a implantação do

sistema fotovoltaico?

 O que melhorou para o professor?

 Quais são as limitações?

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São essas as perguntas que motivam a pesquisa e o desenvolvimento desse trabalho tentando encontrar as respectivas respostas.

1.2 - Objetivos

1.2.1- Objetivo Geral

Analisar os impactos que os sistemas fotovoltaicos instalados nas escolas exercem na educação dos alunos das comunidades rurais e, adicionalmente, na aula do professor.

1.2.2 - Objetivos Específicos

 Verificar de que forma a geração fotovoltaica contribui no aprendizado do

aluno.

 Verificar as melhorias percebidas pelos professores em suas aulas.

 Verificar as tecnologias educacionais que foram introduzidas nas aulas em

função da inserção dos módulos fotovoltaicos e quais foram as contribuições e resultados alcançados.

 Identificar os problemas e limitações que existem nos sistemas fotovoltaicos

instalados nas escolas e como eles influenciam no andamento das aulas.

1.3 - Metodologia

Para iniciar o trabalho foi feita uma pesquisa bibliográfica, com o intuito de identificar escolas e comunidades que anteriormente haviam sido eletrificadas com módulos fotovoltaicos, verificando quais foram os órgãos responsáveis pela instalação para determinar quais os fatores que foram levados em consideração na instalação do

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sistema fotovoltaico. A pesquisa bibliográfica foi também utilizada para identificar se já haviam sido feitos trabalhos recentes sobre o assunto.

Uma vez localizadas as comunidades rurais, foi elaborado um questionário para a execução da pesquisa procurando estabelecer parâmetros para determinar os impactos causados aos alunos das comunidades rurais.

A pesquisa foi realizada de duas formas: a primeira consistiu em enviar um questionário on-line para delegacias regionais de ensino e sindicatos de professores, com instruções de reencaminhar para escolas que possuem sistemas fotovoltaicos ou diretamente aos professores que lecionam nessas escolas. A plataforma utilizada para pesquisa on-line foi o Google Docs, o exemplo do questionário pode ser visualizado no anexo D. A segunda forma foi através de uma pesquisa de campo.

Para a execução da pesquisa de campo foi decidido elaborar dois questionários: um voltado ao professor, semelhante ao questionário da pesquisa on-line, mas com o diferencial de algumas respostas estarem em aberto para discussão. O segundo questionário foi elaborado para o aluno, com o intuito de obter a opinião do aluno e de seus pais, permitindo ao estudo não se limitar somente à opinião do professor, analisando a opinião direta de um dos principais alvos do estudo que é aluno. Os exemplos dos questionários da pesquisa de campo se encontram nos anexos B e C. A pesquisa de campo em alguns casos não se limitou a verificar somente o impacto causado à educação pelos módulos instalados nas escolas; analisou também o impacto causado pelos módulos instalados nas residências dos alunos.

A pesquisa de campo foi realizada nos municípios de Cananéia (comunidades de Marujá, Pontal do Leste) e Ilhabela (comunidades Canto do Gato, Lagoa pertencentes a Castelhanos e Praia Mansa).

Após a coleta de todos os dados e informações, foram organizados os dados para a análise e discussão dos resultados. Através dos dados coletados foram construídas tabelas com o intuito de estabelecer relações e facilitar a visualização dos dados. Os dados coletados em campo foram analisados com o objetivo de compreender os

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impactos causados na educação. As Imagens e os dados complementares utilizados no texto têm por finalidade enriquecer a dissertação dando maior solidez ao conteúdo da pesquisa.

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CAPÍTULO II: ALGUNS ASPECTOS DA PROBLEMÁTICA DA

EDUCAÇÃO RURAL

2.1 – Introdução

Um dos primeiros problemas com que nos defrontamos quando se discutem e se avaliam os estudos na área de Educação Rural atualmente é o do próprio significado do termo rural. Diferentemente do que se divulgava quando a educação rural era um projeto ligado ao desenvolvimento do país cuja vocação de país agrícola demandava políticas específicas de educação rural, atualmente a realidade é bastante diferente e o Brasil atual pouco se assemelha às décadas passadas (Sorj, 1998; Graziano, 1999; Veiga, 2002).

A educação no Brasil, principalmente no campo, pouco se assemelha com o que é determinado pela UNESCO com relação à qualidade da educação que seria: criar um ambiente de aprendizagem de qualidade que promova metodologias de ensino centrado na criança em aulas bem geridas. Isso também inclui um leque de intervenções tais como a formação de educadores no ensino e gestão escolar, promoção da participação dos pais e dos membros da comunidade nos Conselhos de Escola, provisão de materiais de ensino-aprendizagem de boa qualidade, incluindo carteiras, cadeiras, laboratórios, equipamentos e reabilitação de salas de aula, além dos recursos de infraestrutura que seria água encanada, esgoto, coleta de lixo e energia elétrica (UNESCO, 2012). Muitos itens mencionados pela UNESCO que determinam a qualidade de uma escola, nem se quer existem nas escolas rurais.

Nesse capítulo serão abordados os assuntos sobre a educação e os métodos de avaliação do ensino no Brasil, além disso, serão apresentadas informações sobre educação no Brasil e suas deficiências e metas para a melhoria da educação no campo. Entre outros aspectos será discutido o assunto comunidades rurais, mostrando suas deficiências e como a educação pode ajudar em sua melhoria, os aspectos das comunidades não eletrificadas e seus problemas, o uso da energia

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solar na educação e destacar os recursos básicos que podem melhorar o aprendizado.

2.2 – A educação no Brasil

Hoje no Brasil na maioria das vezes a avaliação de um aluno é feita por meio de uma prova, método preferido pelos professores. Os pais dos alunos também estão condicionados à prova, pois os pais perguntam aos seus filhos ''como foi na prova'', ao invés de ''o que você aprendeu'' (Camargo, 2011).

Várias universidades utilizam este método, como por exemplo, USP, UNICAMP, UNESP, entre outras, sendo que cada uma delas tem seus próprios vestibulares. Currículo escolar, interesse na aprendizagem ou qualquer outra ferramenta não são utilizados por essas universidades para o ingresso do aluno, ou para complementação da nota do vestibular.

Para avaliação dos alunos no ensino fundamental, o instrumento de avaliação é a Prova Brasil que é oferecida na antiga 4º série, atual 5º ano do fundamental I, já no fundamental II é oferecida na antiga 8ª série, atual 9º ano.

No Estado de São Paulo existe o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP), que também é uma prova aplicada aos alunos para testar os seus conhecimentos, direcionada aos alunos do 3°, 5°, 7° e 9° ano do ensino fundamental e na 3ª série do ensino médio.

A Prova Brasil, instrumento do Governo Federal para avaliação do aluno é uma avaliação diagnóstica aplicada em larga escala. Seu objetivo é avaliar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro a partir de testes padronizados e questionários socioeconômicos.

Nessa prova o aluno responde questões de língua portuguesa, com foco em leitura, e matemática, voltadas para resolução de problemas. No questionário

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socioeconômico, os estudantes fornecem informações sobre fatores de contexto que podem estar associados ao desempenho.

Em 2011, as escolas rurais de ensino fundamental com mais de 20 alunos nas séries avaliadas também passaram fazer a Prova Brasil, pois até então as escolas rurais não eram avaliadas como as demais.

Parte do problema ainda persiste, pois algumas das escolas rurais não fazem parte da avaliação, pelo fato de possuírem menos de 20 alunos, sendo excluídas da avaliação e ficando fora das estatísticas do governo.

2.3 – Dados da educação

A educação é um dos itens mais importantes para o crescimento econômico e social de um país, junto da saúde pública, erradicação da fome, da miséria e da geração de energia (Grossi & Santos, 2009).

No mundo, como já mencionado, existem vários indicadores para determinar a qualidade e o grau da educação, através de provas para testar o conhecimento, número de alunos matriculados, evasão escolar, recursos que a escola possui, entre outros, sendo os mais utilizados o PISA e o WEI. Por meio dos dados coletados por esses indicadores, a UNESCO elabora um ranking, classificando a qualidade da educação em cada país. No último ranking de 2012, disponibilizado pela UNESCO o Brasil aparece no 88º lugar entre 127 países que compõe o ranking da educação (UNESCO, 2012), (Vide anexo A). Os problemas encontrados no Brasil foram:

 O número de crianças fora da escola;

 Falta de vagas em escolas infantis que recebem crianças de 3 até 5 anos;

 O número de alunos que concluem o ensino médio que é de 50,2 %;

 Condições das estruturas físicas das escolas;

 Falta de equipamentos e laboratórios nas escolas;

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Na América Latina foram observadas algumas melhorias educacionais em muitos países, como por exemplo no Chile, onde o sistema educacional passou por uma reforma após o governo de Pinochet e incluiu, dentre outras, melhores salários a professores, planos de carreira, mudança no currículo escolar e melhorias na estrutura dos prédios e dos laboratórios das escolas, mas ao custo da educação ser paga (Sasson et al, 2003). Atualmente o Chile se encontra em 49º posição no ranking mundial da UNESCO e apresenta uma grande evolução nos dados do PISA dos últimos anos. Mas, os movimentos estudantis chilenos são contrários a esse modelo, pois alegam que custa caro manter esse nível educacional já que a educação é paga e as escolas gratuitas da prefeitura tem ensino ruim. Os protestos no Chile são por escolas boas e gratuitas.

No outro lado do mundo, à educação na China passou por reformas, a partir de 1986. Por conta destas reformas, na última década esse país teve o maior crescimento individual por aluno, conquistando o primeiro lugar no PISA que procura a aferição do conhecimento em leitura, matemática e ciência, deixando de lado critérios como números de alunos nas escolas, números de analfabetos no país, entre outros.

2.4 – Escolas rurais

As escolas rurais no Brasil vivem uma realidade ainda pior, em comparação com as escolas localizadas nos grandes centros urbanos. Contando com uma estrutura precária, na maioria das vezes essas escolas são de madeira, taipa ou alvenaria inacabada, não contam com iluminação elétrica, sem uma circulação de ar adequada tornando o ambiente muito quente ou muito frio e sem mesa e cadeira para todos os alunos.

O censo escolar de 2011 demonstrou que no Brasil existem 83 mil escolas rurais, mas este número vem diminuindo devido à união física das escolas, onde a prefeitura reúne todos os alunos de várias escolas rurais em uma única escola, desativando as demais, fornecendo transporte escolar aos alunos (Leal e Júnia,

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2010). Ao todo existem 6,6 milhões de crianças matriculadas em escolas rurais em todo o país, o que representa 13% dos estudantes (INEP, 2013), maior que a população do Uruguai que é de 3,4 milhões de habitantes (INE, 2013).

No país, o estado que mais tem escolas rurais é a Bahia com 13.443 escolas, conforme mostra a figura 2.1, concentrando também a maior população rural com 3,9 milhões de pessoas, representando 27,93% da população baiana (IBGE, 2013).

Fig. 2.1 – Total de escolas de educação básica no campo Fonte: (Fernandes, 2011).

As escolas rurais, além da dificuldade que encontram os alunos de chegar até a escola devido o trajeto, elas também sofrem com a infraestrutura. Dados do censo escolar mostram que 99% das escolas não possuem laboratório de ciências, 93% não possuem laboratório de informática em plena era digital e 18% não possuem

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energia elétrica (INEP/MEC apud Fernandes, 2011). A falta de energia elétrica dificulta o processo pedagógico como um todo, na medida em que exclui a escola de todos os recursos e benefícios que a tecnologia proporciona para a educação. Existem ainda outros equipamentos e serviços que a escolas não possuem que pode ser conferidos na figura 2.2.

Fig. 2.2 – Equipamentos e Serviços que as escolas rurais não possuem Fonte: (Fernandes, 2011).

Dos dados demonstrados o mais alarmante é que existem escolas ainda sem energia elétrica, abastecimento de água, sanitários e esgoto, recursos básicos e indispensáveis para o bom rendimento escolar.

O aprendizado em situações favoráveis, dependendo da intensidade do assunto, já é difícil de realizar, ainda mais numa escola sem esses recursos mínimos. Estudar em uma escola sem água para beber ou para lavar as mãos, sem sanitários para uso dos alunos e professores, é um grave problema, assim como a falta de energia elétrica para utilizar equipamentos audiovisuais, ventiladores para melhorar a climatização em épocas quentes e, principalmente, iluminação para facilitar a visualização para que a aula possa ocorrer normalmente em dias nublados, no período noturno e no inverno até o fim da tarde.

90% 92,77% 99,09% 18,38% 0,94% 14,19% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% Biblioteca Laboratório de informática Laboratório de Ciências Energia Elétrica Abastecimento de Água Esgoto e Sanitário

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2.5 – Metas para educação no campo

No Brasil existe o PNE (Plano Nacional de Educação) que é o plano que determina as metas dos próximos dez anos para a educação. As metas, invariavelmente audaciosas, muitas vezes não são cumpridas (Marcelino, 2002) e (Davies, 2001). No referido plano, existem várias metas relacionadas à educação no campo, com vistas a atingir um mínimo de excelência nas escolas rurais. No ano de 2010 terminou o prazo para as metas do antigo PNE que foi aprovado em 2001. Em 2010 iniciaram-se as discutições sobre o novo PNE que terá vigência até 2020. No novo PNE existem 20 metas para ser atingidas até 2020, elaboradas através de 2.906 emendas. Uma das propostas do PNE determina que o governo tenha que investir no mínimo 7% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação, podendo chegar até 10 % valor que anteriormente era de 5,1%. Em valores monetários serão necessários 85 bilhões de reais a mais na educação (PNE, 2011).

Uma meta interessante colocada no novo PNE é equiparação do salário dos professores ao rendimento dos profissionais de escolaridade equivalente, pois atualmente o Brasil sofre com a falta de professores, principalmente nas escolas rurais, devido ao baixo salário. Por conta desse fato muitos dos professores não habilitados a lecionar determinadas disciplinas, são obrigados a fazê-lo, assim professor de matemática leciona física, professor de história leciona geografia, e vice-versa (Ramos, 2012).

Nas escolas rurais esse problema é ainda maior, pois a maior parte dos professores sequer possue formação superior para lecionar ou um magistério. A situação é ainda mais degradante, já que a escola rural na maioria das vezes é constituída de uma única sala, reunindo em uma mesma turma alunos de várias séries, prejudicando ainda mais o serviço do professor que nem possui recursos para auxiliá-lo (Fernandes, 2011).

Das dez metas, quatro delas merecem destaque:

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A segunda meta que prevê a erradicação do analfabetismo;

A terceira meta que é a superação das desigualdades educacionais; A quarta meta que é a melhoria da qualidade de ensino.

Entre os temas abordados na universalização escolar está o de:

“Manter programa nacional de reestruturação e aquisição de equipamentos para escolas do campo, bem como de produção de material didático e de formação de professores para a educação do campo, com especial atenção às classes multisseriadas” (PNE 2011: 25).

Através dessa iniciativa o governo prevê a melhoria do ensino e das condições de trabalho do professor, através de recursos e equipamentos que facilitem o aprendizado em salas multisseriadas, tornando as aulas mais dinâmicas.

O PNE também menciona:

“Assegurar, a todas as escolas públicas de educação básica, água tratada e saneamento básico; energia elétrica; acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidade; acessibilidade à pessoa com deficiência; acesso a bibliotecas; acesso a espaços para prática de esportes; acesso a bens culturais e à arte; e equipamentos e laboratórios de ciências” (PNE, 2011: 33).

Esse é um ponto importante do PNE porque se propõe resolver os problemas apontados anteriormente nas escolas rurais: água tratada, saneamento básico e eletrificação. Com esta medida, amplia-se a oferta de vagas nessas escolas, já que torna possível ministrar aulas noturnas, inclusive inserindo o EJA (Educação de Jovens e Adultos), podendo alfabetizar as pessoas do campo que trabalham durante o dia e só podem frequentar as aulas no período noturno.

O acesso à Internet banda larga e equipamentos de laboratórios de informática são outros pontos importantes, pois através deles tanto o professor quanto os alunos ficam conectados à rede mundial de computadores, facilitando o aprendizado. Na

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internet encontram-se as mais diversas informações inclusive todo conteúdo didático em softwares e bibliotecas virtuais.

Essas medidas influenciarão na avaliação do WEI, que contemplam essas metas do PNE melhorando o rendimento do país nessa análise. Os quesitos laboratórios de informática, escolas eletrificadas, abastecimento de água e coleta de esgoto, são avaliados pelo WEI para determinar a qualidade do ensino em uma escola. Outra ferramenta criada pelo Governo Federal foi o Pronacampo (Programa Nacional de Educação no Campo), que tem por função dar auxílio financeiro e técnico aos estados e municípios, melhorando a educação no campo.

No Brasil existem 30 milhões de pessoas no campo, 6,6 milhões de crianças matriculadas e 342 mil professores (IBGE, 2010; Fernandes, 2011). O Pronacampo prevê atender as escolas nos seguintes quesitos: gestão e práticas pedagógicas, formação de professores, educação de jovens e adultos e educação profissional e tecnológica (MEC, 2012).

Entre as metas estão previstos materiais pedagógicos relacionados à vida no campo. Além disso, 10 mil escolas oferecerão estudo em período integral. Os professores ganharão cursos de licenciatura e as escolas oferecerão cursos técnicos voltados ao campo através do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).

2.6 – Comunidades Rurais

No Brasil e no mundo ainda existem muitas comunidades rurais, constituídas por pessoas que vivem no campo, afastados dos centros urbanos. Essas comunidades existem em maior quantidade na Ásia, África e na América Latina. No mundo, 49% da população (3,4 bilhões de pessoas) ainda vive no campo. Na Ásia são 2,4 bilhões, o equivalente a 60% da população asiática (PNUD - 2012). Na África esse número é de 494 milhões de pessoas, 63% da população desse continente (Buareau; Census, 2000). No Brasil 16% da população ainda vive no campo o que

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equivale a 29,9 milhões de pessoas, conforme pode ser visualizado na figura 2.3 com mais detalhes (IBGE, 2011).

Fig. 2.3 – População urbana e rural no Brasil e por estados.

Fonte: UOL Noticias / Dados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE (Março 2011)

A distribuição da riqueza no campo é parecida com a distribuição nas cidades. No campo existem bairros ricos e luxuosos, áreas comerciais de alto valor econômico, bairros de classe média e as comunidades rurais, onde se encontram as pessoas com menor renda per capita. Também existem as grandes fazendas de fortes grupos econômicos, condomínios de casas e sítios privados. Nesse meio convivem as comunidades tradicionais, onde se encontram as pessoas com a menor renda per capita e são compostas geralmente por pescadores, artesãos, empregados das fazendas, sem terra e pequenos agricultores.

A população rural ainda representa uma parcela significativa, e tem uma grande importância para seus países. O maior problema é que um considerável número de habitantes rurais vive abaixo da linha de pobreza. Da população mundial que vive

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com menos de 1dólar por dia, ¾ dela reside ou trabalha nas áreas rurais (Sarris, 2001).

O governo sempre tem dado maior importância às regiões urbanas, pois nessas regiões é mais fácil levar infraestrutura, ao passo que nas regiões rurais devido à dispersão populacional, é muito mais difícil levar a infraestrutura. Por causa também da dispersão, os problemas dessas regiões são desconhecidos pela opinião pública.

O Brasil se tornou na última década a sexta maior economia do mundo, devido em parte ao crescimento agrícola, tornando-se uma das maiores potências do mundo, exportando carne, soja, frutas, café, milho e algodão, entre outras commodities. Apesar de toda essa riqueza ser gerada no campo, é lá também que se encontra um grande número de pessoas em situação de extrema pobreza (pessoas que vivem com menos de R$ 70,00 por mês per capita, aproximadamente 47%). Um em cada quatro pessoas se encontra em extrema pobreza (25,5%), apesar da população rural só representar 16% da população brasileira, de acordo com o último censo.

Os dados da distribuição da pobreza no Brasil podem ser visualizados na tabela 2.1.

Tabela 2.1 – Perfil da distribuição dos extremamente pobres no Brasil.

Total de pessoas % Urbano Rural Pessoas % Pessoas % Brasil 16.267.197 100% 8.673.845 53% 7.593.352 47% Norte 2.658.452 17% 1.158.501 44% 1.499.951 56% Nordeste 9.609.803 59% 4.560.486 48% 5.049.317 52% Sudeste 2.725.532 17% 2.144.624 79% 580.908 21% Sul 715.961 4% 437.346 61% 278.615 39% Centro-Oeste 557.449 3% 372.888 67% 184.561 33%

Fonte: Censo Demográfico 2010 (IBGE) – Domicílios particulares permanentes ocupados.

Um exemplo para sintetizar a pobreza no campo é a comunidade de Pageú, no sertão da Bahia onde vive a família de um agricultor constituída de 11 pessoas. Essas pessoas vivem da agricultura. Na lavoura tem milho, mandioca e feijão de

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corda, mas essa família não possui equipamentos agrícolas, razão pela qual todas as terras são tratadas e aradas artesanalmente por meio de pá e enxada. Além disso, essas pessoas, por não dispor de recursos e nem orientação para produzir mais, acabam perdendo grande parte da produção por conta da seca e pela falta de eficiência no tratamento e no plantio. Financeiramente vivem com a renda mensal de meio salário mínimo per capita (IPEA, 2005).

Naquela comunidade, uma grande melhoria foi constatada com a chegada da rede elétrica, fornecendo alguns dos confortos que a eletricidade pode oferecer. Além disso, a construção de cisternas ajudou na sobrevivência nos períodos de seca. Outra grande mudança positiva foi o transporte escolar. O problema enfrentado pela escola é possuir salas de aulas multisseriadas, onde se misturam em uma mesma sala alunos das diversas séries diminuindo o rendimento e a produção escolar (G1, 2012).

No entanto essa realidade não é exclusiva da Bahia. O estado de São Paulo, mais rico da federação, também enfrenta esse problema, como por exemplo, no Vale do Ribeira onde existem muitas pessoas vivendo em pequenas vilas ou localidades isoladas dependentes da pesca, agricultura de subsistência e coleta do palmito e frutas na floresta; ou seja, as mesmas dificuldades pelas quais passam os habitantes de Pageú na Bahia, também passam muitos dos que vivem no Vale do Ribeira, bem como em outras partes do Brasil (Cabral, 2002).

A educação e a eletrificação das moradias dessas comunidades e suas escolas poderiam mudar essa realidade. Por meio da educação é que se criam meios e modos para resolver os problemas locais e do entorno, dessa forma a educação gera na criança as competências necessárias para competir por um emprego melhor remunerado, removendo este individuo da extrema pobreza.

Para que haja uma melhora na educação do campo são necessárias políticas públicas direcionadas a sanar esses problemas, como é o caso do Pronatec e do Pronacampo (MEC, 2012). Através desses programas os alunos aprendem tarefas

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relacionadas com a agricultura, pesca, manutenção de ferramentas, entre outras que ajudarão a vida dessas pessoas no campo.

Com o Pronatec ensinando atividades agrícolas, por exemplo, pode-se ajudar aquela família de Pagéu na Bahia a ter uma produção melhor, aproveitando melhor os recursos oferecidos pela terra. Algumas técnicas simples podem ser empregadas com o qual a lavoura da família passa a produzir mais, inclusive até possibilitando a venda do excedente da colheita.

A educação direcionada ao campo pode abrir novos horizontes, inclusive ajudar no aspecto financeiro das famílias ensinando a melhor administrarem seus recursos. Essa prática não é inédita, tendo início no sudoeste da França, em 1935, por meio da mobilização e organização de um grupo de famílias de pequenos agricultores na busca de uma alternativa de formação para seus filhos (Ribeiro, 2008).

2.7 – Aspectos da realidade das comunidades não eletrificadas

No ambiente urbano é muito comum o uso da energia elétrica, tão comum que no dia-a-dia as pessoas nem se dão conta da importância dela em suas vidas. A sua importância só é lembrada quando ocorrem problemas na rede elétrica e a energia não chega às residências. No campo, a realidade é outra.

São muitas as comunidades no Brasil que não possuem energia elétrica. As regiões norte e nordeste são as que mais sofrem com a falta dessa energia (Targino, 2011). A iluminação é outro problema para as pessoas que não possuem energia elétrica, pois eles fazem uso de lampiões a gás, lamparinas a querosene, velas e lanternas, os quais, além de menos eficientes no caso dos três primeiros (ver figura 2.4), oferecem risco de incêndio nas residências, pois esses equipamentos podem cair, quebrar o bulbo onde fica o combustível e iniciar um incêndio.

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Fig. 2.4 – Característica da iluminação utilizada no campo em residências sem energia elétrica A – Lampião a gás, B – Lamparina a querosene

Fonte: Fig. A – (Palma, 2009) / Fig. B – (Castro, 2012).

Outro problema decorrente desse tipo de iluminação é a produção de CO2 em

ambientes fechados e outros gases tóxicos. Inclusive o agravante é que como a iluminação é utilizada a noite quando há ausência de luz, muitas vezes as pessoas estão reclusas em suas casas com janelas e portas fechadas impedindo que o CO2

se dissipe, concentrando ainda mais esses gases dentro da residência (APA, 2009).

A iluminação com lampião, lamparina e vela além dos problemas de saúde que podem causar, também tem o problema da baixa qualidade da iluminação, pois esses equipamentos não emitem tantos lumens (unidade de medida de fluxo luminoso) quanto uma lâmpada elétrica emite conforme pode ser visto na tabela 2.2.

A péssima qualidade da luz impede que as pessoas consigam efetuar trabalhos, estudos ou qualquer outra atividade que exija uma visão mais apurada. Esse fato prejudica as pessoas na promoção de uma possível ascensão financeira. Além disso, elas têm menos tempo para estudar e trabalhar dependendo somente da luz do dia para efetuar essas tarefas com qualidade.

Os afazeres diários se tornam mais difíceis de serem feitos sem auxílio dos eletrodomésticos. Além disso, a aquisição de água para consumo e higiene também

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se torna difícil, pois geralmente a água é extraída manualmente, de um poço, lago ou riacho.

Tabela 2.2 – Fluxo luminoso emitido pelos equipamentos de iluminação mais comuns no campo.

Equipamento Fluxo luminoso (lumens)

Vela 12,6

Lamparina a querosene 10 - 100

Lampião a gás 50

Lâmpada incandescente 25W 225

Lâmpada fluorescente tubular 13W 715

Lâmpada fluorescente compacta15W 940

Fonte: (Antonio & Lawand, 2000).

As pessoas acabam perdendo muito tempo com os afazeres domésticos, como por exemplo, recolhendo lenha para o fogão, água para higienização do ambiente, preparando comida sem o auxílio de equipamentos elétricos que aceleram o processo, adquirindo gás, querosene para a iluminação e inclusive plantando e irrigando manualmente, tempo que podia ser utilizado com estudo ou serviços que possam complementar a renda da família (Gustavsson, 2006).

Quem mais sofre com isso são as crianças que são obrigadas a ajudar seus pais em muitas das tarefas e acabam não tendo tempo para o estudo ou para frequentar a escola. As vezes, quando sobra tempo já é noite e a falta de luz os impede de continuar ajudando nas tarefas. Ao mesmo tempo fica mais difícil estudar, devido à baixa qualidade da luz de uma vela ou lampião, provocando dor de cabeça, desconforto ou desconcentração, além do cansaço das tarefas efetuadas ao longo do dia dificultando ainda mais o aprendizado (Gustavsson, 2006).

Um dos recursos cuja ausência é sentida pelas pessoas do campo que não possuem luz elétrica é a geladeira, responsável por manter os alimentos frescos e conservados por mais tempo, além de ser um dos eletrodomésticos mais desejados pelas pessoas. O problema do uso da geladeira é que o gerador fotovoltaico tem que ser maior, encarecendo todo o sistema.

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A falta da geladeira acarreta o consumo imediato dos alimentos, impedindo o estoque de alguns tipos, obrigando as pessoas a plantarem parte do alimento ou caçando e pescando para assim dispor de comida fresca. Esses afazeres extras acabam afetando o problema de perda de tempo para outras atividades.

Parte da solução para a conservação dos alimentos é por meio da utilização do sal, desidratando a carne, ou defumando carne e queijo. O problema de desidratar a carne com sal é o impacto na saúde, pois o consumo descontrolado de sal provoca hipertensão, infarto, AVCs (acidente vascular cerebral) e problemas renais, conforme informa a OMS.

O problema de defumação de carne é o fator higiene. Para defumar necessita-se de um defumadouro com a proteção de insetos e realizar uma defumação correta. Mas nessas comunidades geralmente o processo ocorre sobre os fogões à lenha, fazendo com que a carne, enquanto seca, fique exposta às moscas e ao ar que contém poeira e fuligem da madeira.

Esses fatos indicam o quanto a energia elétrica é importante para o desenvolvimento das pessoas no campo, levando novas alternativas e uma melhor qualidade de vida.

2.8 – Uso da energia solar voltada à educação na residência rural

O uso da energia elétrica em uma residência não garante que de fato haverá uma melhora na educação. Várias pesquisas foram feitas, porém poucas apontam para uma melhora real na educação, pois isso está diretamente ligado aos valores que constituem a família.

O fato de uma casa ser eletrificada, teoricamente melhoraria a educação dos moradores, na medida em que passam a ter à disposição mais recursos para o estudo e ao mesmo tempo poderia dedicar mais horas estudando, inclusive no período noturno.

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Um exemplo é mostrado por Jacobson (2004) onde ficou evidente que as pessoas que tiveram suas moradias eletrificadas por sistemas fotovoltaicos tinham como prioridade a aquisição de um televisor para assistir filmes, novelas e, no caso das crianças, desenhos ao invés dos estudos.

Para outras famílias, o segundo fator é ganhar dinheiro, usando luz de melhor qualidade para trabalhos noturnos como costura, artesanato, conserto de redes de pescas, entre outros, ficando a educação em terceiro plano.

Os valores são importantes, pois pode-se verificar que em casas onde os pais possuem certo grau de estudo eles veem a importância da educação e transferem esses valores aos seus filhos fazendo-os estudar mais (Barnes et al, 2002).

Por outro lado, existem alguns estudos que mostram que houve sim uma melhora na educação. O fato mais demonstrado é que os filhos estudam mais à noite, principalmente em épocas de prova. Assim por exemplo, na Zâmbia ficou demonstrado que 82% das crianças estudavam de noite após a eletrificação e antes da eletrificação eram 53% um aumento de 29% (Gustavsson, 2006). Antes do uso da energia elétrica cerca 51% dos pais relataram que os seus filhos queixaram-se da luz usada para os estudos. As queixas eram tipicamente manchas nos olhos, falta de velas, de luz fraca e inalação dos gases emitidos por lamparina a querosene (figura 2.5), devido à proximidade com a pessoa (Gustavsson, 2006).

Em alguns casos, em que um vizinho possui luz elétrica, ocorre um compartilhamento: o estudante que mora na residência sem iluminação elétrica vai estudar na residência do colega que possui luz elétrica, fator positivo, pois a pessoas passa a estudar com uma luz de melhor qualidade, mas também negativo, pois essa pessoa poderia dispor de tal iluminação em sua residência (Akesson e Nhate, 2002).

Neste mesmo estudo, muitas famílias afirmam que houve uma mudança na rotina de estudos de seus filhos que passaram a estudar por mais tempo, inclusive no período

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noturno. Verificou-se com esse fato um crescimento nas notas e um aprimoramento no desempenho escolar de seus filhos.

Fig. 2.5 – Uso de lamparinas para estudo no período noturno em residências rurais sem iluminação elétrica.

Fonte: Neves e Cabrita, 2010.

Em um estudo (Barnes et al, 2002), foi analisado que crianças que possuíam iluminação elétrica em suas residências passavam mais tempo lendo e estudando do que aqueles que não possuíam a iluminação elétrica. O reflexo era visto em suas notas, pois o aluno que possuía energia elétrica obtinha melhor nota do que aqueles que não a tinham.

O uso da energia elétrica também tornou possível aos professores oferecer aulas extras no período noturno para os alunos com maior grau de dificuldade, aumentando o rendimento desse aluno e também uma ajuda financeira ao professor que passou a ganhar um dinheiro extra.

A eletrificação nas residências rurais não se limita somente a uso da luz elétrica para aumentar a hora de estudos, ela também pode ajudar no EAD (educação à distância). No estudo Distance Education Use in Rural Schools feito nos Estados Unidos pelo Journal of Research in Rural Education, verificou-se que o uso da

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energia elétrica com o computador conectado à internet possibilitava ao aluno estudar sem ter a necessidade de sair de casa (Hannum et al, 2009).

As vantagens apresentadas pelo estudo são várias entre eles se destacam o fato do aluno não ter que se deslocar por um longo caminho até a escola: basta ele ligar o computador que ele estará na escola. Outro fator importante é que o aluno terá acesso a um currículo mais avançado, aulas que muitas vezes as escolas rurais não conseguiriam oferecer.

A educação a distância permite ainda ao aluno ter acesso a um acervo bibliográfico maior do que aquele que uma escola rural poderia oferecer. Além desse fator outros aspectos abrangentes que podem resolver é a falta de professor, pois não existe a necessidade do professor ter que se deslocar até a escola para lecionar ou ainda ter que morar no local sem condições adequadas.

A escola não teria problema com salas multisseriadas ou escolas com poucos alunos. No estudo foi verificado que o número de alunos formandos na educação a distância nas zonas rurais era maior que o número de alunos que se formava nos cursos presenciais. Um dos fatores apresentados pela desistência dos alunos que estudavam nas escolas presenciais rurais era a distância da escola com a casa e a falta de professor que aflige essas regiões (Howley, 2011).

Na educação percebeu-se também que muitos dos alunos do EAD tiveram melhor desempenho em língua estrangeira, matemática e inglês do que os alunos que estudavam em escolas presenciais, devido ao acesso a melhores materiais de estudo disponibilizados on-line.

O sistema EAD, como demonstrado, fornece várias facilidades para a educação no meio rural tanto financeiras quanto didática-pedagógicas. Este fato mostra o quanto a energia elétrica no campo pode ser importante para a comunidade e para a educação.

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2.9 – Recursos que auxiliam em um melhor aprendizado

No processo pedagógico, o professor pode contar com vários equipamentos tecnológicos para auxiliar na educação, mas a utilização da maior parte deles depende de energia elétrica. Em uma escola, alguns quesitos mínimos são necessários para o seu funcionamento, sendo que alguns deles constam até em lei, obrigando uma escola a possuir esses itens, os quais são:

Água potável, iluminação, televisão, refrigerador para os alimentos, DVD, ventiladores para arrefecimento e circulação do ar, computadores e equipamentos de rádio comunicação. Considerando que todos esses itens necessitam de energia elétrica para funcionar, esta pode ser gerada por um sistema fotovoltaico.

2.9.1 – Água potável

A água é indispensável em uma escola, pois ela pode ser utilizada para beber, lavar, cozinhar e na descarga de resíduos dos banheiros. A água pode ser da chuva, coletada do telhado da escola e armazenada em uma cisterna de águas pluviais ou de poços. Essa água tem que ser bombeada para um reservatório para disponibiliza-la nas instadisponibiliza-lações da escodisponibiliza-la, processo que pode ser feito através de um Sistema de Bombeamento Fotovoltaico (SBF).

2.9.2 – Dispositivos de arrefecimento

Em muitas escolas rurais, principalmente nas regiões norte e nordeste do Brasil onde não existe inverno devido à localização no globo terrestre, existe o problema das altas temperaturas ao longo do dia. Se a escola não possuir energia elétrica, as aulas acontecerão obrigatoriamente durante o dia para aproveitar a luz do sol, período em que faz calor. Com a energia elétrica é possível utilizar ventiladores para ajudar no arrefecimento do ambiente e provocar uma circulação forçada do ar, melhorando as condições de convivência na sala de aula.

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Segundo um estudo realizado por Nelson, analisou-se a relação entre produtividade, fadiga e estado psicológico. Seus resultados mostraram que a produtividade foi maior e a fadiga desenvolveu-se mais lentamente em ambiente frio do que em ambientes quentes (Coutinho et al., 2003). Esse estudo demonstra os benefícios da climatização de um ambiente escolar.

2.9.3 – Refrigeração

A Lei da Educação Nº 11.947, de 16 de junho de 2009 determina que alunos do primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio têm direito à merenda escolar. Esta funciona como um meio de incentivar o aluno a frequentar a escola e contribuir com a redução da evasão escolar, pois muitas vezes o aluno não tem o que comer em casa. Além de ajudar na concentração do aluno no estudo, pois um aluno com fome não consegue ter um raciocínio suficiente para aprender o que lhe é ensinado, conforme a teoria da hierarquia de necessidades de Maslow, também conhecida como pirâmide de Maslow1.

Nas escolas rurais a questão da merenda é mais delicada, pois muitas vezes as escolas ficam em um local muito afastado, onerando o transporte e obrigando o armazenamento dos alimentos em locais e à temperatura inadequados. Muitos dos alimentos necessitam ser armazenados em ambientes refrigerados, com temperatura abaixo de 5ºC como é o caso de alguns derivados do leite, carne fresca, verduras e legumes. Para armazenar esses alimentos é necessário uma geladeira para conserva-los por um maior período de tempo. A refrigeração também pode ser usada para guardar remédios e vacinas perecíveis.

1

Pirâmide de Maslow é uma divisão hierárquica proposta por Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto.

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2.9.4 – Equipamentos de rádio e comunicação

As escolas rurais normalmente localizam-se em áreas isoladas, dificultando o contato e a prestação do socorro em caso de emergência, como um acidente. Situação semelhante acontece caso venha a acorrer algum problema com a estrutura da escola, acabar a comida da merenda dos alunos ou quebrar algo.

Essas são razões pela qual a utilização de rádio e telefone celular aumenta a eficiência do funcionamento da escola nos locais remotos. A comunicação é essencial para uma operação de rotina e no gerenciamento da escola, incluindo a aquisição de suprimentos e avisar a visita de outras pessoas. A comunicação também facilita o tratamento médico de emergência e de uma possível evacuação quando um aluno ou funcionário sofrer algum acidente.

2.9.5 – Uso de TV e DVD

A televisão e o DVD, se utilizados corretamente, podem ser uma excelente ferramenta de auxílio no ensino pelo fato de mostrarem aos alunos situações e locais que dificilmente conseguiriam ter acesso. Há que se fazer uma ressalva em relação ao uso da televisão: pode tanto ajudar quanto atrapalhar no estudo, dependendo da programação assistida.

A televisão tem o poder de mudar hábitos, conceitos, ideias e também culturas. Pode ser o caso, por exemplo, das pessoas passarem a querer seguir os costumes de outras pelo motivo da televisão demonstrar vidas aparentemente mais perfeitas em filmes, novelas, seriados, etc. Esses programas, além do problema de mexer com aspectos culturais das pessoas também consomem tempo desperdiçado frente à TV, e que poderia ser utilizado em outras atividades como estudar ou praticar atividades físicas, notadamente as crianças em idade escolar.

A TV apesar dos malefícios que ela trás, também tem benefícios através de programas sócios educativos. O maior problema é que esses programas muitas

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vezes são oferecidos somente em TV por assinatura, em quanto que na TV aberta gratuita na maioria das vezes esses programas não chegam ou são apresentados em horários inapropriados, como durante a madrugada.

Na TV fechada, paga, existem canais que oferecem uma programação construtiva com conteúdo sobre história, geografia, ciência, biologia, política e algumas até línguas, mas esses programas são restritos às pessoas que pagam para assisti-los.

Os programas oferecidos por esses canais ajudam no aprendizado com o retratamento de fatos históricos visuais, que ajudam a melhor compreende-los. Estes fatos ficariam difíceis de entender somente lendo um livro ou por meio do comentário do professor. No caso da astronomia, através de efeitos gráficos mostram-se planetas, estrelas e galáxias e, além disso, explica-se o seu funcionamento através de filmes que ajudam em muito na compreensão dessa área de conhecimento. Com o uso da TV em conjunto com um DVD, o professor pode levar esses programas a escolas os quais muitas vezes são vendidos pelas próprias emissoras que os produzem. Um professor pode falar de animais e mostrar para o aluno a vida do animal em uma savana africana ou na floresta amazônica em seu habitat natural sem a necessidade de ir lá. Também pode mostrar programas ilustrativos como o telecurso 2000, Telecurso Tec, entre outros que auxiliam na educação fugindo um pouco do tradicional e levando tecnologia para a escola. Em ultima análise, essa tecnologia pode fazer o aluno se aproximar mais da escola, se sentindo mais interessado pelo estudo.

Em suma, a televisão pode ser uma ferramenta muito útil no processo educativo, como também pode ser o vilão. Tudo depende de como ela é utilizada no processo pedagógico.

2.9.6 – Computador

O computador é uma das melhores ferramentas que pode ser utilizada na educação, em função de sua versatilidade. Em geral pode ser utilizado para qualquer área e

Referências

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