UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
AVM EDUCACIONAL
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOMOTRICIDADE E
CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL NUM CONTEXTO
ESCOLAR DE CRIANÇAS DE 3 A 5 ANOS DE IDADE QUE
FREQUENTAM A PRÉ-ESCOLA EM COLÉGIOS
PARTICULARES
Darla Koplin Ferreira
ORIENTADORA: Profª. Me. Fátima Alves
Rio de Janeiro 2018
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
AVM EDUCACIONAL
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
Apresentação de monografia à AVM Educacional como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicomotricidade.
Por: Darla Koplin Ferreira
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOMOTRICIDADE E
CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL NUM CONTEXTO
ESCOLAR DE CRIANÇAS DE 3 A 5 ANOS DE IDADE QUE
FREQUENTAM A PRÉ-ESCOLA EM COLÉGIOS
PARTICULARES
Rio de Janeiro 2018
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus e ao universo, que me proporcionam energia, força de vontade e benefícios para concluir esse trabalho.
Agradeço aos meus amados pais que sempre me incentivaram a nunca deixar de sonhar.
Agradeço especialmente a Alexander dos Santos S. Ferreira, meu esposo, por todo apoio.
Agradeço à minha filha, Dara Koplin Ferreira, luz dos meus olhos.
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho à memória do meu pai, Dario Koplin Filho, grande colaborador e incentivador. Meu grande amigo, para sempre em meu coração.
EPÍGRAFE
“(...) é de grande importância a educação pelo movimento no processo escolar, uma vez que seu objetivo central é contribuir para o desenvolvimento motor da criança o qual auxiliará na evolução de sua personalidade e no seu sucesso escolar“
RESUMO
O presente trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema: “A Psicomotricidade no contexto escolar da educação infantil”, buscando esclarecer a contribuição da Psicomotricidade e da conscientização corporal num contexto escolar de crianças que frequentam a pré-escola em colégios particulares. A justificativa que norteia o trabalho proposto é considerar que a Psicomotricidade caracteriza-se de um método que se utiliza dos movimentos corporais para atingir outras obtenções, no âmbito educacional. Rastreando as razões que apoiam a Psicomotricidade no desenvolvimento infantil de forma clara, pontuando as principais teorias relacionando-as. Durante o processo de aprendizagem, os elementos básicos da Psicomotricidade são utilizados com frequência. O desenvolvimento do esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e pré-escrita são fundamentais na aprendizagem; um problema em um destes elementos prejudica a aprendizagem de maneira qualitativa. Tem também a intenção de esclarecer que o ato antecipa a palavra, e a fala é uma importante ferramenta psicológica organizadora. Aos três anos, as aquisições da criança são consideráveis e possuem todas as coordenações neuromotoras essenciais.
METODOLOGIA
Para a estruturação desse trabalho, adotou-se o procedimento metodológico da pesquisa bibliográfica, utilizando-se como fonte de consulta livros, monografias, artigos e publicações eletrônicas acerca do assunto abordado. Os dados e as informações foram buscados em bibliotecas e na Internet.
Para esta pesquisa serão usadas obras de alguns autores como Alves (2003), Le Boulch (1997), Vygotsky (1988), Fonseca (2003) e Relvas (2009), além de leituras de artigos, dissertações e enciclopédia
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 09
CAPÍTULO I
Relacionar a Psicomotricidade e o Desenvolvimento Infantil de Crianças na Faixa Etária de 3 a 5 anos de Idade que Frequentam a Pré-Escola em
Colégios Particulares 12
CAPÍTULO II
Identificar as Etapas do Desenvolvimento Infantil 21
CAPÍTULO III
A Contribuição da Psicomotricidade e a Conscientização Corporal na
Educação Infantil 33
CONCLUSÃO 42
BIBLIOGRAFIA 44
WEBGRAFIA 46
INTRODUÇÃO
O conhecimento do próprio corpo e do seu funcionamento são aspectos fundamentais para o desenvolvimento dos aspectos físico, motor e intelectual da criança. Falar de Psicomotricidade como contribuição e conscientização corporal num contexto escolar de crianças de 3 a 5 anos de idade é falar de possibilidades.
O movimento é objeto primo da Psicomotricidade. Através da fala, a criança integra os fatos culturais ao desenvolvimento pessoal. A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade a conceitua como sendo a ciência que estuda o homem através do seu movimento nas diversas relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica.
A Psicomotricidade acontece a partir da articulação, movimento, corpo e relação. Diante do somatório de forças que atuam no corpo como: choros, alegrias, tristezas, medo etc. A criança estrutura suas marcas, buscando qualificar seus sentimentos e elaborar suas próprias ideias. A abordagem da Psicomotricidade permite a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio dele.
Sendo assim, este trabalho vai procurar responder o questionamento do que faz a Psicomotricidade ser um fator importante no desenvolvimento infantil sabendo-se que a educação tem uma função essencial e importante neste processo. A escola deve ser um local apropriado onde a criança sinta o real prazer em aprender despertando maior interesse em conhecer e valorizar o seu próprio corpo, como fator primordial de comunicação. A escola que visa o desenvolvimento psicomotor da criança tende a contribuir para o bom aprendizado.
O presente estudo justifica-se para mostrar a importância da Psicomotricidade e a conscientização corporal na Educação Infantil e Pré-escola em colégios particulares através da análise de estudos teóricos,
expondo os caminhos que o sujeito percorre na busca de sua construção como ser único com expressividade de existir como sujeito diferente, partindo de seus recursos e de suas potencialidades. O valor da Psicomotricidade será entendido em seus vários aspectos para o desenvolvimento infantil de forma clara, pontuando as principais teorias e relacionando-as.
Entende-se a importância da Psicomotricidade para o desenvolvimento infantil em diversos aspectos, nota-se a necessidade de conhecer as etapas do desenvolvimento humano, mas claramente os desenvolvimentos infantis determinando os fatores que fazem a ligação da criança com o meio, sabendo-se que as principais percepções corporais da criança vão expressar suas sensações.
Os objetivos dessa pesquisa é descrever a importância da Psicomotricidade no contexto escolar do desenvolvimento infantil; identificar as etapas do desenvolvimento infantil; potencializar a Psicomotricidade como prática que promove a aprendizagem da Educação Infantil e relacionar o desenvolvimento infantil com a Psicomotricidade com crianças de três a cinco anos que estejam em colégios particulares frequentando a Pré-escola.
Para um bom entendimento, este trabalho foi dividido em três capítulos: no capítulo um, será conhecida a relação entre a Psicomotricidade e o desenvolvimento infantil de crianças entre três e cinco anos que estejam frequentando a escola em colégios particulares, pois reconhecer a Pré-escola como um espaço de construção e de elaboração do conhecimento ainda é um desafio para muitos educadores, visto que ainda prevalece a ideia de que as crianças pequenas vão para a escola somente para brincar e não para aprender a construir pontes para o seu desenvolvimento.
A leitura do capítulo dois servirá para melhor conhecer as etapas do desenvolvimento infantil, pois existem possibilidades em que cada etapa do desenvolvimento da criança, relaciona uma à outra. Cada criança é única, cada ser humano é diferente, mas as relações de crescimento estão ligadas diretamente à afetividade, cognição e organização. A criança na Educação Infantil necessita de desenvolvimento e de amoldamento da Psicomotricidade,
que é a responsável pelo prosseguimento do acervo motor da criança, ou seja, novas estruturas psicomotoras devem ser incorporadas as experiências motoras adquiridas.
No terceiro e último capítulo será demonstrada a contribuição da Psicomotricidade e a conscientização corporal na Educação Infantil, pois é fato que a criança em idade pré-escolar gosta bastante de brincar e não pode ser privada disso, em hipótese nenhuma, sendo que, esta brincadeira não deve acontecer de forma isolada e sem significado, pois enquanto brinca, a criança está fazendo inúmeras descobertas. É brincando que ela estabelece relações com o outro, com o mundo e consigo mesma e são essas mesmas relações que permitirão seu desenvolvimento afetivo, social, cognitivo, corporal e motor.
Enquanto brinca, a criança utiliza o seu corpo e a sua mente, e é aí que entra a Educação Psicomotora, pois é fazendo o uso dela que se pode contribuir de forma prazerosa para o processo de “formação” e desenvolvimento psicomotor da mesma. Sendo assim, esta educação diferenciada tem uma função essencial e importante neste processo. A escola visa o desenvolvimento psicomotor infantil tendo como pilar os três elementos fundamentais da Psicomotricidade: o corpo, o espaço e o tempo que contribuem para o aprendizado qualitativo expondo os caminhos que a criança percorre na busca da construção como ser único e com expressividade.
CAPÍTULO I
RELACIONAR A PSICOMOTRICIDADE E O
DESENVOLVIMENTO INFANTIL DE CRIANÇAS NA
FAIXA ETÁRIA DE 3 A 5 ANOS DE IDADE QUE
FREQUENTAM A PRÉ-ESCOLA EM COLÉGIOS
PARTICULARES
O desenvolvimento global da criança se dá através do movimento corporal, das suas experiências adquiridas e criatividades, é isso que a Psicomotricidade busca proporcionar na criança contribuindo para o bom desenvolvimento da mesma.
A Psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as atividades que desenvolvem a motricidade da criança, visando ao conhecimento e ao domínio do seu próprio corpo, ou seja, o ato de movimentar-se está diretamente ligado ao aspecto mental.
Psicomotricidade na Educação Infantil e Pré-Escola têm como intenção auxiliar o desenvolvimento das crianças na faixa etária de 3 a 5 anos de idade, por meio das experiências motoras, cognitivas e sócias afetivas indispensáveis à formação.
Em relação ao ambiente escolar, Piaget (1990) ressalta que:
Os princípios que norteiam um ambiente estimulante e principalmente feliz para a criança estão inter-relacionados e são interdependentes: a autoestima, a motivação, a aprendizagem e a disciplina.
No campo afetivo é possível ajudar a criança a criar sentimentos positivos em relação a si mesmo, pois se sentindo valiosa e segura, o êxito escolar estará garantido (PIAGET, 1990, p. 20).
De acordo com a Lei das Diretrizes e Bases nº 9.394/96, Art. 9, a Educação Infantil tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até
os 6 anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social. Cabe assim à Educação Infantil cuidar da aprendizagem e favorecer a dinâmica evolutiva da criança através de uma prática que possibilite o desenvolvimento integral do seu ser.
De acordo com Fonseca (1998), em relação a cada idade, o movimento toma características bastante significativas, tanto como processo maturativo quanto como enriquecimento do indivíduo com o ambiente. Por isso, é necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento.
Sendo assim, Le Boulch (1982) ressalta que a educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária, uma vez que condicionada aos aprendizados pré-escolares e escolares, leva a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade do espaço, do tempo, e a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. Ela deve ser praticada desde a mais tenra idade e conduzida com perseverança, pois assim, permite prevenir inadaptações difíceis de serem corrigidas quando já instaladas.
A Psicomotricidade está relacionada ao desenvolvimento das aquisições afetivas, orgânicas e cognitivas. Três básicos elementos substanciam esse processo: o movimento, o afeto, e o intelecto. Compreender esses processos direciona o olhar para a criança de maneira geral, visando contribuir para o entendimento desses três conhecimentos.
Para abordar o primeiro conhecimento básico é necessário mencionar Wallon (1971) que fundamenta os estágios da criança e foca no estágio inicial, o movimento. Wallon define a criança em seu primeiro estágio de desenvolvimento como um ser que expressa a emoção no seu corpo e a emoção antecede o cognitivo, defendida por Piaget (1990). O movimento segundo Wallon não deve ser entendido apenas como um desenvolvimento a partir do fisiológico, mas é também uma forma de relação com o meio. O movimento tem uma ação intrínseca com o afetivo.
O movimento no desenvolvimento infantil exerce uma função fundamental, principalmente nos primeiros estágios da criança onde a mesma não adquiriu a linguagem falada ainda. O movimento apresenta a função de comunicação. Através do movimento que a criança expressa suas sensações, intenções e manifesta o contato com o mundo ao seu redor.
Compreende-se por comunicação o ato ou ação de comunicar-se, está dada através de gesticulação, expressando seus desejos, sentimentos e vontades. As necessidades físicas e psíquicas são expressas através do movimento, portanto, é a primeira maneira de comunicação antes do movimento da linguagem. Esta comunicação através do movimento é defini da por Wallon (1971) como comunicação emocional. A necessidade da criança em se expressar faz com que a postura corporal expresse seu estado atual orgânico ou emocional.
Segundo Alves (2003), a Psicomotricidade envolve toda a ação realizada pelo indivíduo que represente suas necessidades e permitem a relação com os demais. É a integração psiquismo motricidade. A motricidade é a ação do sistema nervoso sobre a musculatura, como resposta à estimulação sensorial. O psiquismo seria considerado como sendo o conjunto de sensações, percepções, imagens, pensamentos, afeto etc. Portanto, a função psicomotora é a unidade onde se integram a incitação, a preparação, a organização temporal, a memória, a motivação, a atenção etc.
O processo de cognição leva ao desenvolvimento do intelecto, quanto mais aquisição do conhecimento, maior a maturação do processo intelectual.
No segundo conhecimento básico tem-se como base de fundamentação o psicólogo, Jean Piaget. De acordo com Piaget, a aprendizagem é decorrência do desenvolvimento cognitivo, vinculado à maturação biológica e a qualidade dos desafios do meio. Sendo assim, o intelecto está ligado ao cognitivo, que por sua vez, faz relação com o movimento para se estabelecer a comunicação como o meio.
A afetividade tem um papel de suma importância no desenvolvimento infantil. Existem dois fatores das quais a afetividade é dependente: o orgânico e o social.
[...] a constituição biológica da criança ao nascer não será a lei única do seu futuro destino. Os efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias sociais da sua existência, onde a escola individual não está ausente (WALLON, 1971, p. 34).
No processo de ensino-aprendizagem, o aspecto afetivo é bastante importante para que haja a compreensão que cada criança é única, tanto no seu desenvolvimento afetivo, quanto no seu desenvolvimento cognitivo. A criança no decorrer do seu desenvolvimento estabelece diferentes graus de relacionamento, a partir destas relações, também modifica suas sensações em relação à afetividade.
Inerentemente, todos os três conhecimentos básicos estão ligados. É através dos movimentos, que a criança externa suas emoções e é através das emoções em relação com o meio que ela desenvolve sua cognição.
Considera-se a emoção grandemente orgânica, pois é parte das relações fisiológicas da criança que as emoções são transmitidas. Estas fazem modificar as relações orgânicas, como mudança no batimento cardíaco, sensações, entre outros. A emoção faz com que a criança tenha a oportunidade de se relacionar com o meio e passa a se conhecer melhor.
Portanto, é importante considerar de forma integrada os três conhecimentos básicos, compreendendo que o desenvolvimento da afetividade vai influenciar diretamente no desenvolvimento do cognitivo da criança.
Avaliando que a criança desde sua concepção, já possui movimentos, e se os mesmos não forem bem trabalhados durante sua infância, trarão sérios problemas na vida adulta. É papel do educador da Pré-Escola e da Educação Infantil, detectar as dificuldades de aprendizagem que podem ser constatadas durante o período escolar e investigar as causas com cautela de forma ampla. Sabendo-se que tais dificuldades no processo de aprendizagem e
desenvolvimento podem muitas vezes ser de aspectos orgânicos, neurológicos, mentais, psicológicos, adicionados à problemática ambiental em que a criança vive.
O processo de aprendizagem é um processo bastante complexo que envolve sistemas e habilidades diversas, incluindo as motoras e as psicomotoras. Esses conceitos ou habilidades básicas são condições mínimas necessárias para uma aprendizagem qualitativa e constituem a estrutura da Educação Psicomotora e do desenvolvimento infantil.
Sendo assim, Le Bouch (1984) defende que a Educação Psicomotora deve ser implementada desde o início da carreira escolar da criança, sendo que é através da mesma, em conjunto com os sentidos, que a criança ganha percepção do mundo que a rodeia e de si mesma.
A Educação Psicomotora deve ser encarada desta forma como educação base, pois condiciona todas as aprendizagens seguintes que a criança irá fazer. “O indivíduo não é feito de uma só vez, mas constrói-se, através da interação com o meio das suas próprias realizações“ (FONSECA, 2004).
À frente desta visão, compreende-se que a Psicomotricidade desempenha um papel de suma importância, pois o movimento é um suporte que ajuda a criança a adquirir o conhecimento do mundo que está a sua volta, através do seu corpo das suas sensações e percepções. Deste modo, é necessário que os profissionais da educação estejam aptos a oferecer às crianças condições que aumentem o seu potencial motor, através de uma série de exercícios psicomotores, brincadeiras e jogos.
Porém, antes de qualquer implementação de atividades psicomotoras, o profissional da educação deverá ter a real noção de todas as potencialidades e limitações psicomotoras da faixa etária com quem se encontram a intervir.
Faz-se importante que o educador esteja atento para todas as necessidades do seu grupo, quer de forma individualizada ou quer de uma forma generalizada visto que, cada criança trás consigo uma realidade diferente das demais, para assim conseguir definir um conjunto de intervenções capazes de potencializar as aprendizagens mais intelectuais, como também as de caráter sócio afetivo.
Assim sendo, é importante salientar a fase do corpo vivido: Nessa fase, segue o desenvolvimento da criança até os três anos de idade. Os três primeiros meses caracterizam-se por uma ação motora reflexa, instintiva, que progressivamente vai sendo trocada por uma fase de experiências e de manipulações dos objetos que estão ao seu redor.
Com a maturação do Sistema Nervoso Central, a criança já é capaz de atividades espontâneas aprendendo a manipular objetos e a segurá-los, é também a fase em que começa a andar adquirindo domínio postural. Usa a imitação das pessoas que a rodeiam, coordenando e ajustando a sua ação, permitindo-lhe fazer descobertas e compreender melhor o seu desenvolvimento. Nessa fase, a criança também começa a mostrar sinais de compreender a imagem do corpo.
A infância moderna é marcada atualmente por drásticas mudanças. A liberdade e os espaços para a brincadeira diminuíram de forma significativa, consequência dos processos urbanos, a atual necessidade de segurança e ao crescente e grande avanço tecnológico. É importante que a escola seja um agente atuante nesse caso.
Considerando que o âmbito escolar é um dos principais lugares de desenvolvimento da criança, espaço onde ocorre sua interação com o meio e com as pessoas, é possível analisar as diferentes estratégias de adaptação que cada criança faz para se desenvolver no ambiente escolar.
No Brasil, recentemente, as metodologias pedagógicas da Educação Infantil foram alvo de estudo. Diferentemente dos países Europeus, no Brasil, a
inserção da criança em creches e pré-escolas se tornou mais comum e significativa nas últimas décadas.
Foi a partir da Constituição de 1988, que a Educação Infantil do Brasil reconheceu o direito das crianças de frequentarem a creche e a pré-escola. Nesse período, ocorreu a reafirmação do direito ao ensino público para todos os níveis.
Compreende-se que a educação, não só a infantil, mas em todos os níveis, tem uma função pedagógica, ou seja, um trabalho voltado para a realidade e o conhecimento das crianças e que, baseada nisso, desenvolve atividades com um significado para a vida delas.
O educador infantil deve possuir um olhar amplo com o objetivo principal: a organização e a boa prática de atividades que ajudem no desenvolvimento contínuo das crianças. A organização do trabalho pedagógico deve ter como ponto de início proporcionar o desenvolvimento da autonomia à criança, isto é, desenvolver a capacidade dela de construir suas próprias regras, meios de inteirações e comportamentos para que possam ser negociados com outras pessoas, crianças ou adultos.
A Psicomotricidade está presente nas mais diversas atividades motoras da criança. Como ciência que estuda o movimento, a Psicomotricidade é um meio que auxilia um melhor desenvolvimento global. A educação tem uma função essencial e importante neste processo. “Ninguém nasce feito. Vamos nos fazendo aos poucos na prática social em que tomamos parte” (FREIRE, 2001, p. 88).
Pode-se entender em amplo sentido que a educação é um processo longo de desenvolvimento. O indivíduo nesse processo é caracterizado pelas suas dimensões humanas, cognitivas, emocionais, culturais, socioculturais a qual produz e renova seus saberes. Cada ser é único e tem uma forma de enxergar o mundo, com seu jeito de aprender.
Dessa forma, entende-se que a criança é um ser em constante transformação, não se pode afirmar que está pronta. Portanto, ela se desenvolve pelas vivências e pelos momentos, desenvolvendo o seu lado psicomotor, o que é muito importante para sua formação.
O educador, enquanto professor atuante tem um papel fundamental de buscar a relação entre o amadurecimento do seu organismo, com estímulos trabalhados para desenvolver melhor a motricidade. Despertando através de atividades a motivação, unindo corpo e mente. Sendo eles peça fundamental no aprendizado do aluno e de grande importância que se trabalhe na Educação Infantil e Pré-Escola, de maneira que desperte interesse e prazer. Visando que a aprendizagem da criança está ligada ao seu desenvolvimento psicomotor.
A Educação Infantil deve ser entendida em um sentido amplo, que leva em consideração todas as práticas educativas vividas pela criança no ambiente familiar e no ambiente social. Envolve tanto a educação familiar e social como a educação que é recebida na escola.
A Psicomotricidade é um elemento essencial e indispensável para o desenvolvimento uniforme, geral e para a aprendizagem da criança. No seu processo de desenvolvimento psicomotor, a criança é notada em sua totalidade, não separando o ser intelectual do racional e emocional, sempre considerando suas habilidades como um campo a ser trabalhado de modo prazeroso e significativo.
Para que esse processo aconteça de forma adequada, é necessário considerar e respeitar a subjetividade de cada criança.
Segundo Alves (2012), para compreender o desenvolvimento psicomotor faz-se necessário ressaltar que cada criança é única, possuindo assim sua subjetividade. Mesmo as fases do desenvolvimento sendo comuns para todos, os aspectos físicos, afetivos, o meio social, e o ambiente familiar variam de criança para criança. Prova disso é que as crianças com a mesma idade se comportam de forma diferente mesmo estando em um ambiente igual, como, por exemplo, a mesma sala de aula. Um dos fatores de maior relevância
no âmbito da Educação Infantil, na atualidade, é o de reconhecer a criança como um ser único, ou seja, reconhecer sua subjetividade.
Mesmo compreendendo que os educadores sabendo da importância de relacionar o desenvolvimento psicomotor com a aprendizagem, ainda é comumente encontrar escolas que apresentam um caráter mecanista bastante forte no que diz respeito às práticas educadoras na educação infantil, fazendo o uso incorreto das práticas psicomotoras nas séries iniciais, que são base para séries seguintes.
Percebe-se como é primordial proporcionar aos educadores informações e formações sobre a psicomotricidade no âmbito escolar da Educação Infantil e Pré-Escola na faixa etária de 3 a 5 anos de idade em colégios particulares e dessa forma, oferecer possibilidades de elaborar um trabalho voltado para as necessidades específicas das crianças.
Vale ressaltar que a participação do educador no dia da criança é de grande importância no processo de aprendizagem, devendo este respeitar e compreender a subjetividade de cada criança, bem como o ambiente em que está inserida, e objetivar uma estimulação de qualidade do desenvolvimento psicomotor fazendo o uso das práticas psicomotoras de forma adequada na elaboração das atividades, buscando se desvincular da educação tradicional investindo mais em uma educação que proporcione não apenas o desenvolvimento motor, como também um desenvolvimento afetivo e cognitivo.
Para finalizar este capitulo, é importante explicar como as crianças necessitam de oportunas vivências e situações positivas no âmbito escolar, em especial nas séries iniciais, passando a conhecer e confiar em seu próprio corpo, e no seu desenvolvimento, proporcionando a descoberta das suas habilidades e os melhores meios para aprender aquilo que lhe for proposto.
CAPÍTULO II
IDENTIFICAR AS ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO
INFANTIL
A educação infantil é aquela apropriada à criança e que leva em consideração todo o seu desenvolvimento. A criança é um ser em constante transformação com facilidade de aprender. Este é o período das oportunidades que deve ser aproveitadas para ensinar tudo que é necessário, pertinente para vida adulta e desenvolver todos os fatores biológicos, psicológicos e sociais, sendo como as questões da cognição, da afetividade e do sócio motor, que expandem as possibilidades e limites da criança.
Esse momento exige muitos cuidados alimentarem, higiênicos, afetivos para restabelecer o organismo com a energia necessária e repor o desgaste fisiológico, bem como, o amor que as envolve, para assim, se sentirem seguras e encorajadas a aprender, experimentar e apreciar um mundo de maneira única.
2.1. A Educação Infantil
Vygotsky (1988) ressalta que é preciso compreender que a criança, é um sujeito histórico, social e cultural, uma vez que esta influência é influenciada pelos determinantes que constituem a sua formação social de onde se encontra inserida.
A educação infantil é a primeira etapa da educação básica, também recebe o nome de educação da primeira infância ou pré-escola. Nesta fase, se dá o início de uma caminhada da criança no ambiente escolar. E como todo início, é difícil, tanto para criança como para os pais ou responsáveis da mesma. É nesse momento que se faz importante um acolhimento de qualidade. Essa fase não deve ser traumatizante, mas inesquecível.
De acordo com a LDB nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, em sua Sessão II, nessa primeira etapa da educação básica é primordial que os educadores proporcionem atividades que desenvolvam os aspectos cognitivo, afetivo, psicomotor e social das crianças.
É importante ressaltar que os objetivos da educação infantil devem visar o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual da criança, objetivando sua autonomia, autocontrole e confiança para se comunicar e se expressar.
Diz Vygotsky (1989):
As potencialidades devem ser levadas em conta, durante o processo de ensino aprendizagem. Isto porque, a partir do contato com uma pessoa mais experiente, as potencialidades do aprendiz são transformadas em situações que ativam nele esquemas processuais cognitivos ou comportamentais, ou de que este convívio produza no indivíduo novas potencialidades, num processo dialético contínuo (VYGOTSKY, 1989, p. 89).
As etapas do desenvolvimento humano tem influência no processo de ensino-aprendizagem. Este desenvolvimento se dá início já no ventre da mãe e continua ao longo da vida. No âmbito escolar ela aprendeu conteúdos programáticos e recebe influência do meio.
Algumas crianças apresentam certas dificuldades relacionadas a esses conteúdos programáticos na aprendizagem, principalmente quando iniciam no período da alfabetização. Essas dificuldades podem estar relacionadas a inúmeros fatores, como: problemas neurológicos, condições físicas, emocionais e poucos estímulos.
Sabe-se hoje que cada criança tem o seu próprio momento para aprender e assimilar. Se deve ficar atentos se essa criança está sofrendo uma cobrança exagerada do meio, pois isso interfere no processo de ensino aprendizagem e a criança pode passar a apresentar dificuldades no aprendizado.
Neste momento, percebe-se com clareza a contribuição e a importância da educação infantil, pois é nessa etapa que a criança deve ser
devidamente estimulada e preparada para uma boa alfabetização. É nesse momento que se pode trabalhar os pré-requisitos nos aspectos motor, cognitivo e afetivo/social.
Os pais e responsáveis devem ter um olhar voltado para o âmbito escolar e como esta está introduzindo a criança no mundo letrado. Os objetivos da educação infantil devem estar voltados ao real desenvolvimento da criança, seus aspectos, suas vivências. Visando a autonomia dessa criança e incentivando a formar a consciência crítica.
Desde muito cedo, as crianças convivem com diferentes formas de informações produzidas e interpretadas pelos adultos, que são: televisão, jornais, internet e letreiros. Para que a criança entenda da melhor forma tudo isso que ela convive, é preciso ter contato dentro e fora da escola, então é necessário apresentar todo tipo de material que for possível na sala de aula.
Como nos afirma Emília Ferreiro (2002): “Em cada classe de alfabetização deve haver um “canto ou área de leitura” onde se encontrem não só livros bem editados e bem ilustrados, como qualquer material que contenha escrita ...” (p. 33).
Desta maneira, ela vai tendo contato com o material escrito e percebe as coisas de que ela convive no mundo, então vai normalmente se alfabetizando, sendo de suma importância a estimulação para a pré-leitura e a pré-escrita.
Dessa forma, a criança terá maior facilidade em aprender o contexto escolar desde o início para toda a sua vida no âmbito escolar, interagindo com o contexto educacional. A aprendizagem na educação infantil deve partir de uma proposta pedagógica, que deve conter como princípio o respeito ao contexto social a qual a criança vive, bem como, valorizando o saber, o conhecimento que elas trazem para a escola.
Os profissionais educadores que trabalham com essas crianças precisam ter consciência que o seu trabalho não é só preparar estas crianças
para as séries iniciais do ensino fundamental, mas para o resto da vida, pois é no período de 0 a 6 anos que são lançadas as bases para todas as aprendizagens futuras.
É muito importante nessa fase da educação infantil colocar à disposição das crianças, todo tipo de material que contenham escritas e que eles apontem estar no seu cotidiano. Deste modo eles entenderão o significado dos rótulos e saberão para que serve a palavra escrita, nessa fase é bastante importante explorar as possibilidades de maneira lúdica e criativa.
2.2. O que é o Desenvolvimento Infantil?
O desenvolvimento infantil é um processo pelo qual todas as crianças passam desde o ventre da mãe até mais ou menos 6 anos de idade. Está ligado ao desenvolvimento de habilidades específicas que asseguram a autossuficiência da criança. O desenvolvimento das crianças não se limita apenas ao desenvolvimento das habilidades motoras, mas acontece em várias esferas ao mesmo tempo.
O grande pesquisador das fases do desenvolvimento cognitivo infantil é Jean Piaget. Ao observar diversas crianças durante o crescimento, incluindo seus próprios filhos, ele postulou quatro estágios do desenvolvimento cognitivo infantil.
Os dois primeiros estágios são extensos, há uma grande quantidade de habilidades sendo aprendidas nestas fases, porém os últimos dois estágios são de suma importância para a formação do pensamento encontrado no adulto e precisa muito das habilidades adquiridas nos estágios anteriores.
2.2.1. As Fases do Desenvolvimento Infantil
Sensório-motor: de 0 a 2 anos
Nessa fase, a criança se concentra nos movimentos e sensações. Ela começa a entender movimentos de si, podem levar alterações no mundo exterior. Vale ressaltar, nessa fase, a criança ainda tem dificuldade com tudo
que ela não pode ver, tocar ou sentir. Refere-se à chamada permanência do objeto ainda não existente, pois a criança não compreende sua existência fora do campo sensorial. Se o bebê não enxerga a mãe ou o pai, ela automaticamente deixa de existir e começa a chorar.
Pré-operatório: de 0 a 7 anos
Esse estágio se dá início com a capacidade do pensamento representativo, a criança começa a gerar representações da realidade do próprio pensamento. É isso que a possibilita a aprendizagem da fala (que se inicia bem mais cedo, mas se desenvolve mais rápido aqui).
Vale lembrar que essa fase é marcada por egocentrismo evidente, isso não tem a ver com falha de caráter, fazendo parte do desenvolvimento cognitivo típico de qualquer criança. É também nesse estágio que as crianças começam a entender o que é certo e o que é errado. Voltando ao pensamento representativo, é justamente ele que permite o desenvolvimento do pensamento lógico, posteriormente.
Operatório concreto: de 8 a 12 anos
Esse estágio é o início do pensamento lógico concreto, as crianças passando por esse estágio começam a manipular mentalmente as representações das coisas que internalizou durante os estágios passados. Nesse estágio, já há uma maior compreensão do que é moral. As regras estabelecidas começam a fazer sentido e, em situações simples, a criança já é capaz de ir sozinha julgar o que seria certo de fazer ou não.
Operatório formal: a partir de 12 anos
O último estágio postulado por Piaget tem seu início já na pré-adolescência, quando a criança é capaz de manipular, fazendo operações com conceitos que possuem formas físicas, representações abstratas. Nesse estágio, as crianças passam a compreender experiências que elas mesmas não vivenciaram em primeira pessoa. Na real, esse processo já começa durante o período operatório concreto, mas como o próprio nome já diz, só tem
utilidade para objetos concretos. E, nesse novo estágio, a criança passa a entender o ponto de vista dos outros a respeito de conceitos abstratos.
Movimento, corpo e equilíbrio na educação infantil. Como dimensão humana, o movimento faz parte do desenvolvimento físico, cognitivo e cultural do sujeito. É a partir do movimento que a criança amplia o uso do significado de gestos e posturas corporais, que expressa sentimentos e ações.
De acordo com Wallon (apud OLIVEIRA, 2011 p. 33) é “sempre a ação motriz que regula o aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais“. Portanto, na evolução da criança, a dimensão corporal integra-se ao conjunto de atividades da criança, em que o ato motor relaciona-se com as funções expressivas, instrumental ou de sustentação às posturas e aos gestos.
Para as crianças pequenas, o movimento assume um papel importante, que significa muito mais do que movimentar partes do corpo ou deslocar-se no espaço; elas se comunicam e se expressam por meio de gestos e das mímicas faciais, interagem utilizando fortemente o apoio do corpo.
A dimensão subjetiva do movimento deve ser contemplada e acolhida em todas as situações do dia a dia na instituição de educação infantil, possibilitando que as crianças utilizem posturas, ritmos e gestos, para se expressar e se comunicar. Além disso, é possível criar, intencionalmente, oportunidades para que as crianças se apropriem dos significados expressivos do movimento.
Sendo assim, a Psicomotricidade deve ser visualizada e trabalhada transdisciplinar, ou seja, envolvendo várias áreas de conhecimento para uma promoção integral do desenvolvimento humano.
2.3. Elementos Básicos da Psicomotricidade
O desenvolvimento motor é indispensável para toda a área da Psicomotricidade e abrange estruturas, que são elementos básicos ou pré-requisitos favoráveis ao processo de ensino-aprendizagem: esquema corporal, estruturação espacial, orientação temporal, lateralidade e pré-escrita.
2.3.1. Esquema Corporal
Iniciando do princípio que o intelecto se constrói da relação com a atividade motora, faz-se importante que a criança tenha um conhecimento adequado corporal, pois o esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade, pois a mesma se desenvolverá em função de uma progressiva tomada de consciência de seu corpo, de suas possibilidades de agir e transformar o mundo ao seu redor. É a representação relativamente global e diferenciada que a criança tem do seu próprio corpo. Na medida em que, o sujeito controla seu corpo e seus sentimentos, gradativamente ele irá conduzir-se com mais segurança no meio que vive.
O esquema corporal é a consciência do próprio corpo, das suas partes, das posturas, dos movimentos corporais e das atitudes, tanto em repouso quanto em movimento.
O desenvolvimento do esquema corporal tem por objetivo levar o indivíduo ao conhecimento de seu próprio corpo, utilizando-o através de um autodomínio e adaptando-se a necessidade do deslocamento da posição ereta; possibilitar a inibição dos movimentos e, consequentemente, o controle do seu corpo.
Para a elaboração do esquema corporal, a criança atravessa alguns níveis de desenvolvimento e experiências constantes desde o nascimento. Conforme Le Boulch (1986), o esquema corporal apresenta quatro etapas: O Corpo Vivido; O Conhecimento das Partes do Corpo; A Orientação Espaço-Temporal e a Organização Espaço-Corporal.
O conhecimento das partes do corpo é a tomada de consciência de cada seguimento corporal, de forma proprioceptiva e externoceptiva. A criança deve ser capaz de unificar todas as partes do corpo de forma a encontrar a imagem corporal que é a percepção e o sentimento em relação a seu próprio corpo. Nessa etapa aprende as funções e os nomes de cada parte do corpo.
2.3.2. Estruturação Espacial
É através das relações espaciais que os indivíduos se situam no meio em que vivem. Estruturação espaço-temporal e a orientação espacial é a capacidade que tem o indivíduo de situar-se, orientar-se, localizar outra pessoa ou objeto dentro de um determinado espaço. Quando a criança aprende noções de situação, tamanho, movimentos, formas, volume e outras, ela atingirá a etapa de orientação espacial, ou seja, ela passa a ter acesso a um espaço orientado a partir de seu próprio corpo, multiplicando suas possibilidades de ações.
2.3.3. Orientação Temporal
É a capacidade que o indivíduo tem de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante) da duração dos intervalos, noção de tempo curto e longo, noção de cadência lenta e rápida.
A orientação temporal tem alguns aspectos semelhantes à estruturação espacial. A criança se organiza de acordo com a sua rotina. Crianças pequenas lidam com o presente, porém desenvolvem uma compreensão intuitiva de tempo, não relacionada ao relógio ou ao tempo cronológico. Os conceitos temporais são compreendidos mais tardiamente do que os espaciais.
2.3.4. Lateralidade
Durante o crescimento define-se a dominância lateral de uma criança. Essa dominância é baseada em fatores neurológicos, mas também é influenciada por hábitos sociais. A lateralidade pode ser homogênea (implica que todas as respostas são desenvolvidas em um único lado), lateralidade definida. Cruzada (implica em respostas desenvolvidas em lados diferentes), ou ambidestra (implica em resposta dos dois lados que atendem simultaneamente a uma ação motora de mesma eficiência mecânica dos dois lados).
Remete a ideia que a criança tem dela mesma, na formação do esquema corporal, na percepção da simetria de seu corpo. A lateralidade pode ser de quatro tipos: ocular, manual, pedal e auditiva.
Le Bouch (1987) afirma que:
É ao redor dos 04 anos, que a preferência lateral da criança se afirma. Alguns têm, já nesta idade, a predominância do lado esquerdo, que se reforça progressivamente, outras a tem ao lado direito, que também vai reforçando (LE BOUCH, 1987, p.61).
A boa e correta definição da lateralidade caminha junto com a boa escrita, envolvendo a orientação espacial e temporal. Assim é importante salientar que não se pode modificar na criança uma preferência já estabelecida, e sim, trabalhar e reforçar o lado dominante, melhorando seu desenvolvimento.
2.3.5. Pré-escrita
Na fase de construção da escrita as crianças aprendem brincando, identificando letras, realizando a junção das palavras, tornando essa aprendizagem simples e inesquecível.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil orientam a “articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural”. Na atualidade desde muito novas, as crianças tem acesso a linguagem escrita no seu cotidiano e, aos quatro e cinco anos, estão em plena fase de investigação desse objeto de cultura, incluindo suporte digital.
É importante que as reflexões devam levar em conta as relações entre os elementos da linguagem verbal, pois são nessas relações que eles encontram muitas vezes o significado, e não em partes isoladas, como as letras. Por isso se faz necessários que as crianças tenham acesso a uma diversidade de materiais escritos, ouçam a leitura de diferentes gêneros textuais, tenham oportunidades de se expressar segundo suas ideias.
Segundo Ferreiro (1999), a melhor maneira de estudar e entender as fases da escrita infantil é observando as formas de representação, o que possibilita averiguar o nível da evolução que se apresenta na escrita da criança. As explorações que as crianças fazem acontecem mediante estímulos propostos sob a forma de jogos e atividades relacionadas ao cotidiano das mesmas. Estes estímulos também ajudarão a criança a aperfeiçoar cada vez mais a escrita.
2.4. A Psicomotricidade e o Desenvolvimento Infantil num
Contexto Escolar
As primeiras manifestações de comportamento são essencialmente de ordem motora e só mais tarde, passam a ser de ordem mental. Sabe-se que a Psicomotricidade é a relação da criança com o próprio corpo a partir do movimento, é correto dizer que a mesma está presente na vida da criança desde o seu nascimento.
Seu estabelecimento se dá a partir da elaboração de algumas estruturas que vão se desenvolvendo junto com a criança, até que esta atinja a sua maturação por completo. “A criança faz-se entender por gestos nos primeiros dias de sua vida, e até o momento da linguagem o movimento constitui quase que a expressão global de suas necessidades” (FONSECA, 1998, p. 216).
A criança, quando está no processo ensino-aprendizagem, precisa interagir com outros colegas. Para que isso aconteça, ela necessita estabelecer comunicação, que não se dá apenas pela forma oral, mas também pelos gestos.
É primordial que a escola trabalhe esse lado com as crianças, pois é a partir desse momento que as crianças podem elaborar melhor seus movimentos e tudo que se refere ao que se encontra em volta.
É importante ressaltar que na sala de aula, fatores como a lateralidade, organização e noção espacial; esquema corporal e até mesmo a estruturação espacial devem ser trabalhadas em prol do aluno.
2.4.1. O que Ocorre Quando a Psicomotricidade é Desenvolvida de Forma Eficaz?
É indiscutível que a falta de um acompanhamento da psicomotricidade acaba acarretando consequências danosas ao desenvolvimento da criança. Um dos casos que podem ser percebidos é a lateralidade pouco trabalhada no aluno. Isso pode causar problemas como de ordem espacial, por exemplo.
O uso dos termos “direita” e “esquerda” fica prejudicado. A criança apresenta certa dificuldade para acompanhar a direção gráfica de leitura e escrita. Outro fator problemático é o fato de a criança encontrar obstáculos quanto ao entendimento na distinção de letras específicas como “b” e “p”, entre várias questões que podem aparecer no período pré-escolar.
Com o auxilio da educação psicomotora, a criança terá circunstância favorável à realização do seu alto reconhecimento proporcionando a ela capacidade de pensar, desejar, raciocinar, perceber, a ter consciência do seu próprio corpo, ajudando-a e beneficiando-a no seu desenvolvimento integral, nas suas aptidões perceptivas, seu comportamento psicomotor, como também na manutenção e conservação da saúde mental, física e no equilíbrio sócio afetivo, que são importantes a qualquer ser humano ao desenvolvimento do seu intelecto.
Para que a educação psicomotora torne-se um diferencial, ela deve ser realizada levando-se em conta as reais necessidades da criança possibilitando assim, esta consciência de si mesmo e do mundo que o rodeia.
Observa-se atualmente que a Educação Infantil vem proporcionando à criança um período de descobertas corporais e de conscientização corporal,
assumindo as suas verdadeiras funções, ou seja, de estimular, prevenir, educar e reeducar seus educandos.
A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação básica para a escola primária. Ela condiciona todas as aprendizagens pré-escolares e escolares; essas não podem ser conduzidas a bom termo se a criança não tiver conseguido tomar consciência do seu corpo, lateralizar-se, situar-se no espaço, dominar o tempo (LE BOUCH, 1987, p. 11).
Assim nota-se que os primeiros estudos a respeito da Psicomotricidade deram ênfase ao funcionamento corporal desenvolvendo aspectos como: tônus, esquema corporal, organização espacial; baseando-se em padrões existentes e esperados para cada etapa do desenvolvimento. Os aspectos afetivos, emocionais e psicológicos eram abordados apenas quando a criança apresentava um maior comprometimento.
Uma grande preocupação dessa época também foi a aprendizagem da leitura e da escrita. Os estudos demonstram que a noção de espaço gráfico, por estar pautada no espaço e no tempo, requer no aprendiz a necessidade de já possuir alguns componentes psicomotores, sem os quais não alcançaria a realização no mundo letrado.
A Psicomotricidade vem conquistando uma grande expressão no universo da educação escolar, pois alguns educadores bem como estudiosos do assunto já percebiam que, se uma criança apresenta deficiência que a impede de chegar ao cognitivo, é porque o ensino que recebeu não respeitou as etapas corretas do seu desenvolvimento psicomotor.
CAPÍTULO III
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOMOTRICIDADE E A
CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL NA EDUCAÇÃO
INFANTIL
Inquestionavelmente, a Psicomotricidade traz contribuições à conscientização corporal, importantíssimas, para o desenvolvimento integral da criança. Ela vem ampliar e enriquecer as possibilidades expressivas, cognitivas e afetivas na formação do ser humano. De certo, acredita-se que a Educação Infantil se torna um espaço privilegiado que contribui de maneira favorável na formação da criança.
À medida que a criança experimenta várias situações que proporcionam o conhecimento total do seu corpo e favorece a diferenciação das partes do corpo em relação umas às outras, o domínio de seu corpo sua percepção motora, sua imagem corporal, [...] (ALVES, 2008, p. 44).
Os estímulos psicomotores na Educação Infantil ajudarão e motivarão a criança a perceber e experimentar seu meio. Nesse ambiente diversificado, que ela vai aprendendo novas experiências que a levarão a diversas percepções.
Se a Psicomotricidade contribui na formação da pessoa como sujeito único. É de grande importância considerar sua intencionalidade e organização de suas ações, sendo essas, fundamentais para a realização de sua prática pedagógica.
Consciência Corporal: a palavra consciência tem origem no vocábulo do latim – “conscientia”, que é o ato de um ser humano enxergar-se presente no mundo em que vive, é poder vivenciar, experimentar, compreender aspectos do seu mundo interior.
Pode-se dizer que a consciência corporal é o conhecimento do próprio corpo, reconhecendo os próprios movimentos, relacionados aos próprios limites e diretamente ao autoconhecimento.
De acordo com Fonseca (2012), o corpo é o lugar por onde a comunicação se estabelece, é o centro da linguagem emocional. A noção do corpo torna-se fundamental para o desenvolvimento da aprendizagem e da personalidade.
Na infância, principalmente na fase compreendida entre os três e os seis anos de idade, o movimento corporal representa a matriz básica, na qual se expressem e desenvolvem as mais relevantes significações do aprender. Isso se dá ao fato da criança transformar em símbolo tudo aquilo que pode experimentar corporalmente.
A consciência corporal pode ser estimulada por meio de jogos e atividades divertidas que promovam melhor conscientização da criança sobre seu corpo.
3.1.
Educação
Infantil:
Construção,
Conhecimento,
Socialização
Percebe-se de maneira significativa que não se concebe um desenvolvimento proporcionado exclusivamente pela educação formal, como também não se entende esse desenvolvimento sendo realizado unicamente pelo grupo familiar.
Afinal, juntas, escola e família são responsáveis pela formação da criança. Não se pode valorizar a escola em oposição à educação familiar e vice-versa. Em ambos os espaços, o contato com outras crianças da mesma idade, com outros adultos não pertencentes ao grupo familiar, com outros objetos de conhecimento vai possibilitar novos modos de percepção do mundo. Toda essa experiência pode ser de imensa importância na construção do conhecimento da criança.
Em 2012, por causa da interpretação equivocada da avaliação escolar na Educação Infantil, o Ministério da Educação produziu o documento “Educação Infantil: subsídios para construção de uma sistemática de avaliação que aponta o que deve ser considerado na hora de avaliar uma criança”. Este documento desenvolvido pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC afirma que as crianças não têm o mesmo processo de construção de conhecimento, tendo em vista que a realidade social e cultural em que ela faz parte influencia o seu desenvolvimento.
Para Vygotsky (apud Davis e Oliveira, 1993, p. 56) “o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial ao seu desenvolvimento”. A criança que recebe estímulos adequados na Educação Infantil se desenvolve motora, cognitiva e afetivamente por meio das relações sociais que a rodeiam. Durante o seu desenvolvimento, a criança estabelece diferentes níveis de relações sociais que interferem na construção do campo afetivo.
É contra a natureza tratar a criança fragmentariamente. Em cada idade, ela constitui um conjunto indissociável e original. Na sucessão de suas idades, ela é o único e mesmo ser em curso de metamorfoses feitas de contraste e de conflitos, a sua unidade será por isso ainda mais susceptível de desenvolvimento e de novidade (WALLON, 2007, p. 198).
Aprendendo aquilo que nos faz sentido, o aluno precisa compreender o sentido de determinados conhecimentos para a sua vida, e assim consiga aprender.
Pode-se ressaltar que a socialização da criança não se restringe apenas a família, mas também a sociedade de modo geral. Na construção da história de criança na primeira infância, se intensifica num processo de estruturas básicas que constituem em psicológicas, físicas e sociais, que devem ser respeitadas, mas não só isso, pois esse desenvolvimento ocorre à medida que a criança se integra a uma realidade social.
3.2. Organização das Atividades Psicomotoras e de
Conscientização Corporal
A abordagem da Psicomotricidade irá permitir a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio deste corpo, localizando-se no tempo e no espaço.
Entende-se que o movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma simples intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em comportamento significante. Por isso é necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento.
Le Bouche (1992, p. 190) propõe um trabalho de sincronização sensório-motora onde a criança possa perceber sua adequação entre ritmos corporais e os ritmos musicais, podendo desenvolver uma atenção perceptiva na linha melódica, na sonoridade, no timbre do instrumento, no tempo e nas estruturas rítmicas.
É importante enfatizar o valor do estímulo à criatividade das crianças para que elas consigam aprender com as diversidades existentes no cotidiano escolar infantil, seus valores, perspectivas e fundamentos na práti ca da aprendizagem.
O trabalho da educação psicomotora com as crianças deve prever formação em seu desenvolvimento motor, psicológico e afetivo, dando possibilidade para que por meio de atividades dirigidas, se conscientize seu corpo e seus movimentos. Através dessas atividades dirigidas com intencionalidade, a criança desenvolve suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor.
Para que seja possível a criança desenvolver o controle mental de sua expressão motora, a atividade dirigida proporciona a aprendizagem das crianças em várias atividades que ajudam na conservação da saúde mental, física e no equilíbrio sócio afetivo.
Sugestões de exercícios psicomotores: Rolar;
Balançar;
Dar cambalhotas; Engatinhar;
Andar para os lados; Se equilibrar em um pé só;
Caminhar e equilibrar sobre uma linha no chão e materiais variados.
Pode-se salientar, então, que a atividade direcionada através de atividades psicomotoras e afetivas, constitui-se num fator de equilíbrio na vida das crianças, expresso na interação entre cognição e corpo, a energia e a afetividade, o indivíduo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano.
3.3. Exercício Global de Motricidade
Atividades de grandes grupos musculares com capacidade de execução de diferentes movimentos em diversos seguimentos corpóreos ao mesmo tempo. Este fator pode ser estimulado e vivenciado através de exercícios utilizando movimentos simultâneos, sucessivos, alternados, sucessivos alternados e assimétricos.
Podem-se apresentar alguns exemplos de atividades que requerem uma boa coordenação motora global: pular, correr, saltar, rolar, escalar etc. De acordo com Oliveira (2009),
A coordenação global e a experimentação levam a criança a adquirir a dissociação de movimentos. Isso significa que ela deve ter condições de realizar múltiplos movimentos ao mesmo tempo, cada membro realizando uma atividade diferente, havendo uma conversação de unidade do gesto (OLIVEIRA, 2009, p. 41).
A boa percepção corporal, o controle neuromuscular, a capacidade de análise do gesto a ser realizado, que permite que o movimento seja realizado de maneira harmoniosa, direção, amplitude de movimento, força,
intensidade e velocidade de maneira adequada. A memória também é um fator importante e assim, como os outros fatores que já devem estar desenvolvidos para que aconteça uma boa coordenação motora global.
Rosa Neto (2002, p.12) coloca que “um bom controle motor permite que a criança explore o mundo exterior apontando-lhe as experiências concretas sobre as quais se constroem as noções básicas para o seu desenvolvimento intelectual”.
Quando existe algum tipo de alteração relacionado à coordenação motora global, podem-se notar consequências como: gestos desarmônicos, lentidão, movimentação brusca, dificuldades de dissociar movimentos.
A partir de uma perspectiva que considera o ser humano como totalidade complexa, na qual não é possível dissociar mente e corpo, cognição, afetividade e motricidade, vale buscar formas de situar a motricidade em sua relação com o trabalho pedagógico e com o currículo escolar.
Para Fonseca (apud Pérez, 1994, p. 55), ”a ontogênese da motricidade começa com o que denomina a primeira dimensão maturativa ou inteligência neuromotora...”. Esta primeira dimensão é composta por comportamentos inatos e organização “tônico-emocional”. À inteligência neuromotora segue-se a inteligência sensório-motora. Esta fase vai dos dois anos aos seis anos e nela se incluem atividades motoras de locomoção, preensão e suspensão.
A motricidade global requer grandes movimentos realizados com o corpo. Estes movimentos para serem bem sucedidos dependem de coordenação motora, precisão, agilidade, ritmo, fluidez, postura e um bom tônus muscular. Quando não bem estimulada pode levar até a dificuldade em subir e descer escada, saltar e correr. Além de medo, baixa autoestima e insegurança.
O trabalho da motricidade é feito desde muito cedo pela criança. O contato com o mundo, com o outro e os movimentos desenvolvidos desde
tenra idade, já são manifestações da motricidade, conforme afirma Le Boulch (2001, p. 5), “a criança, desde o nascimento, apresenta potencialidades para desenvolver-se, mas que elas não dependem só da maturação dos processos orgânicos, senão também do intercâmbio com outrem e que isto é da maior importância na primeira infância.
No que diz respeito ao desenvolvimento global da criança, as atividades motoras realizadas pelas mesmas só terão real sentido se permitirem em simultâneo o desenvolvimento das suas capacidades físico-motoras e coordenativas, as aprendizagens realizadas através da descoberta do seu próprio corpo, que estimulam o prazer e o gosto pelo movimento. Além do que, as atividades motoras deverão propiciar a socialização de cada criança a uma cultura motora capaz de contribuir para o seu desenvolvimento integral e de se prolongar ao longo da vida numa lógica de qualidade de vida.
Sendo assim, deverá desde cedo ser estimulado o desenvolvimento da motricidade infantil, onde essa proporciona em primeiro lugar, um melhor funcionamento e desenvolvimento do corpo e, consequentemente, uma melhor aprendizagem para a vida em sociedade.
As crianças inicialmente aprendem habilidades simples que, com o passar do tempo, serão desenvolvidas tornando-se, em habilidades mais complexas, onde as mesmas passam a ter uma maior noção e controle do seu corpo e do espaço. Inicialmente, a criança não consegue agarrar objetos pequenos, mas ao passar do tempo estas desenvolvem a preensão onde passam a dominar o movimento em pinça, o que ajuda a pegar em objetos menores. O mesmo ocorre com o movimento de andar, onde inicialmente a criança só consegue coordenar os movimentos separados dos braços, pernas e pés antes de dar o primeiro passo.
A motricidade pode ser dividida em duas: a motricidade global e a fina. A motricidade global entende-se, sobretudo, na realização de movimentos que desenvolvem o equilíbrio e a locomoção trabalhando as habilidades motoras ligadas aos grandes grupos musculares.
A motricidade fina desenvolve-se somente depois da criança ter dominado os movimentos ligados aos grandes músculos, pois necessita da percepção, organização, noção de tempo e espaço que possibilitam um aumento progressivo da dominância lateral e controle dos movimentos manipulativos.
De acordo com o Ministério da Educação (1997, p. 58), “ocasiões de exercício da motricidade global e também fina de modo a permitir que todas e cada uma aprendam a utilizar e a dominar melhor o seu corpo”.
Durante a educação Pré-Escolar, as crianças realizarão grandes progressos ao nível das habilidades motoras. Desenvolvendo a sua motricidade global e aperfeiçoando os movimentos como o de correr e o de pular. No que diz respeito ao desenvolvimento da motricidade geral, é importante que o educador tenha consciência que as crianças necessitam se movimentar, criando espaços mais abertos e com diferentes materiais para que os possam explorar.
É na educação pré-escolar que a criança consegue explorar o que será fundamental para iniciar o seu processo de escrita, nomeadamente o de manusear um lápis. O desenvolvimento desta habilidade se dá início as atividades ligadas aos desenhos, as brincadeiras e as pinturas, onde a criança exercita a técnica de segurar no lápis.
É notório que a melhoria da coordenação motora influencia de forma imediata na melhor maneira de aprendizagem do aluno. Colaborando para que as crianças percam a insegurança e a ansiedade passando a adquirir o equilíbrio, a força, a resistência obtendo grandes ganhos.
Freire (1989) salienta que:
Toda a ação torna-se possível porque houve uma ação coordenada que ligou os movimentos em função de um objeto, ou seja, o gesto mecânico produz uma ação com o objetivo e só é possível porque houve a coordenação, que nada mais é que o saber corporal. A essa ligação entre o saber e a ação denomina-se Psicomotricidade (FREIRE, 1989, p. 122).
A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na educação infantil e séries iniciais. Ela influencia e torna-se requisito para o processo de alfabetização. Levando a criança a tomar consciência de seu corpo, sua lateralidade; a situar-se no espaço; a dominar seu tempo; adquirir a prática de agir, assim como também a coordenação e a compreensão de seus gestos e movimentos.
Boulch (apud Gomes, 1998, p.16) enfatiza que “[...] a necessidade da educação psicomotora baseada no movimento”. Sendo a educação psicomotora preventiva, os problemas detectados e tratados pela reeducação não ocorreriam se houvessem por parte da escola, atenção à educação psicomotora, ou seja, a educação psicomotora deveria ter na escola a mesma importância que as demais disciplinas do currículo.
Assim sendo, quanto mais rápido for estimulada a psicomotricidade da criança, melhor será seu desempenho na aprendizagem. Para que um trabalho adequado aconteça, precisam ser utilizados métodos e meios que forneçam o ideal suporte.
A utilização de métodos e meios adequados contribuirá para o desenvolvimento da criança e quanto mais ela aprende, maiores serão os benefícios para o seu desenvolvimento.